Submisso
45 Capítulo 45 – Alvorada
Notas iniciais
Capítulo 45 — Alvorada
“Foi entre soluços que a ruiva, nem mesmo se importando por usar apenas uma camisola bem fininha e nada conservadora, se dirigiu à lareira. Fez uma breve parada em Malfoy Manor, pois a lareira de Theo estava conectada com a casa de Draco e, de lá, chegou à Prince’s House.
Mal teve tempo de pensar em como o acordaria, ouviu sons de passos e vozes murmurando no andar de cima. Instantes depois, seus olhos encontraram os do professor.
_Por favor, diga-me que está tudo bem...
_Não, não está nada bem. É o Theo... Ele... Ele... – E levou as mãos ao coração, tremendo de dor.
Remus desceu a escada junto com Severus. Percebendo a situação, retirou o próprio hobby e envolveu Gina nele. A jovem tremia, talvez ajudasse. Mais ela apenas chorou mais ante a delicadeza.
_Gina, o que foi? O que está fazendo aqui?
_Theo descobriu ou a veela contou? – Mandou Snape, fazendo Gina arregalar os olhos em estupefação.
_O senhor sabia?
_Ginevra... Fui obrigado a me aprofundar em tudo o que é relacionado aos veelas. É só Theo, ou você também...
_Não, é só Theo – respondeu prontamente, enxugando o rosto com as costas das mãos.
_Um bebê, fruto de três magias. Único... E deveras complexo. Imagino que Theodore não aceitou muito bem, certo?
_Theo está grávido? – E as palavras de Remus ecoaram pela sala de Prince’s House, enquanto Snape sorria sonserinamente.”
_Sim, Remus... Theo está grávido e ficou possesso de raiva, começou a gritar e a hiperventilar...
_E a veela o acalmou, certo?
Gina encarou Severus de forma estranha, perguntando-se se o ex-professor não estaria utilizando-se de um legilimens. Decidiu não dizer nada e apenas confirmar.
_O senhor Nott – e ante a arqueada de sobrancelha de Gina, retificou. – o senhor Theodore... Theodoro está bem. Ter sido “acalmado” pela magia da esposa foi o mais adequado a se fazer, fique tranquila. É natural dos veelas habilidosos em controlar essa poderosa magia ancestral. Draco o faria, caso tivesse sido instruído desde criança e, evidentemente, se fosse mais dominador. Sejamos sinceros, meu afilhado se jogaria no chão para que seu belo esposo passasse por cima dele e, infelizmente, ainda agradeceria aos céus por tamanha dádiva.
Remus sorriu, mas se absteve de acrescentar: “até parece que o austero Severus Snape se comportaria muito diferente, se mudássemos de Harry Potter para Sirius Black”.
_Os veelas podem sentir tudo o que o parceiro sente, Ginevra. Os parceiros dos veelas também são beneficiados, claro, em especial com a parte mais... Prazerosa, digamos assim, dessa habilidade... Evidentemente, os benefícios dessa estranha relação complementar não são sentidos apenas entre quatro paredes – e riu-se, fazendo a ruiva, já mais calma, até corar de vergonha. – A veela optou por evitar que Theodore piorasse, algo louvável.
_Como assim? Ela utilizou-se de um desmaius? – Perguntou o lupino com renovada curiosidade.
_Poderia ser compreendido dessa forma, mas é magia veela, no final das contas. Como a sua esposa estava se sentido?
_Péssima, como eu... Dói, professor.
_A senhora Delacour, ao se vincular a dois parceiros, potencializou o dom veela. Pelo que percebo, ela é deveras poderosa. Contudo, o preço é alto. Imagine o que é sentir a sua tristeza e a raiva de Theodore, com redobrada intensidade? Nada agradável, concorda?
Severus respirou fundo, ao mesmo tempo em que convocava um frasquinho de seu laboratório pessoal.
_Beba a metade do conteúdo e guarde o resto consigo. É uma poção calmante, bem leve. Não te fará dormir, Ginevra, mas minimizará os estragos causados pelo surto de Theodore – e ao que a ruiva aceitou o frasquinho de bom grado, voltou-se para Remus. – Será necessário examinar o novo papai, de qualquer forma. Acredito que estarei de volta antes do amanhecer. Entretanto, caso Sirius acorde antes de eu ter voltado, por favor, explique a situação a ele.
_Claro, Severus. Fique tranquilo – e Remus voltou seu olhar para a escada, encontrando um garotinho travesso. – Parece que mais alguém acordou... Teddy, volte já para a cama!
Os passinhos foram ouvidos e seguidos pelos do pocionista que, em instantes, retornou à sala, já devidamente vestido e com uma maleta nas mãos.
_Melhor, Ginevra?
A ruiva apenas assentiu, ameaçando retirar o robe e sendo quase que, imediatamente, impedida por Remus.
_Leve-o, Gina. Desejo melhoras a Theo. Agora, preciso fazer certo menino voltar a dormir. Severus, vá tranquilo. Qualquer coisa que aconteça, avise, sim?
Snape assentiu e junto com Gina refez o caminho de volta à Bristol. Não demorou muito e chegaram à nobre casa dos Nott. As defesas haviam sido modificadas para aceitar o pocionista que, seguindo os passos rápidos da jovem ruiva, mal teve tempo de ouvir os dizeres de um dos quadros da sala — “oh, aquele belo exemplar de nariz. Certamente é um Prince” -, pois logo alcançou o quarto matrimonial.
Gabrielle procurou manter a expressão serena, mas os notórios olhos avermelhados não enganavam a ninguém. Gina apenas se aproximou da cama e puxou a esposa para longe, dando liberdade para o professor trabalhar.
_Dê o restante da poção à sua esposa, Ginevra. E, por favor, seria adequado que saíssem um pouco. Preciso examiná-lo e a magia entre vocês ainda está muito instável, devido ao recente vínculo e...
_E porque sou uma veela – concluiu Gabrielle, os olhos atentos ao homem mais velho que agora se dedicava a retirar uma série de instrumentos estranhos da maleta. – Professeur, merci beaucoup...
_Não me agradeça, não ainda – e sorriu de leve, de forma sincera, imaginando o que as duas deveriam estar sentindo naquele momento. Nem gostava de se lembrar dos longos períodos de depressão de Draco Malfoy por não ter Harry Potter.
Assim que as esposas deixaram o quarto, voltou-se para cuidar do marido que, no momento, ressonava tranquilamente, alheio a todo o estardalhaço que havia causado. Theodore sempre foi um jovem quieto, reservado e, segundo o que Snape podia se lembrar, das poucas vezes nas quais Draco o mencionara, “quase um eremita”.
Enquanto o examinava com cuidado, perguntava-se como é que um sonserino se deixou envolver daquela forma. Evidentemente, compreendia agora que certos sentimentos eras irreprimíveis. Ele mesmo, o antes frio comensal da morte, mal podia se reconhecer às vezes, ao pegar a si mesmo admirando Sirius dormir, ou então quando se pegava sorrindo feito um tolo ao, simplesmente, ouvi-lo gargalhar.
No entanto, mesmo sabendo a natureza irrefreável de certos sentimentos, ainda era difícil aceitar a rapidez com a qual alguns eram arrebatados por eles. Sirius e ele se conheciam a, praticamente, uma vida inteira... E Theo, Gina e Gabrielle? Enfim, não era possível, de fato racionalizar sentimentos, nem determinar o tempo necessário para que os mesmos aflorassem.
Examinou o futuro papai com lentidão, registrando com interesse e atenção os dados que coletava. A situação dele era peculiar no mundo bruxo. Um varão grávido de uma veela... E uma veela que tinha, além dele como marido, uma esposa. Por que Gabrielle ou Gina não engravidaram? Por que engravidar justamente o varão? Ah, isso seria bastante complicado.
O corpo de Theodore não estava preparado para gerar filho algum, afinal, ele não era um doncel. Ele teria uma primeira gestação que modificaria a sua natureza e, que Merlin o ajudasse, esses longos meses se pareceriam muito com o próprio inferno, se as suas parcas leituras a respeito estivessem corretas. Náuseas, vômitos, obsessões alimentares, necessidade de ser tomado pela parceira constantemente, visto que era a magia veela que manteria o bebê... E isso era apenas o começo.
Conforme o feto crescia, o corpo de Theodore sofreria mudanças drásticas. A magia veela era poderosa, disso ele não tinha mais nenhuma dúvida, ainda mais de uma veela fêmea, como era o caso da irmã de Fleur. Internamente, o corpo masculino de Theo se moldaria para fornecer ao futuro bebê o necessário para que se desenvolvesse de forma saudável, mas exigiria muito da magia do então genitor.
Evidentemente, Gabrielle precisaria estar pendente dele de forma constante, fornecendo-lhe magia, fosse pela convivência, pelo simples toque ou, como era o mais indicado, através do sexo. Ah, era perigoso lidar com veelas... Geralmente, eles eram muito cheios de si, autoritários, territorialistas e possessivos. A loira então, com dois parceiros... Nada bom...
Snape coletou sangue e desejou ter Pomfrey por perto para ajudá-lo. A enfermeira era mais que eficiente... Teria lhe dado os resultados desejados em minutos, mas ele não acordaria a bondosa senhora, bem no meio da madrugada, muito menos a faria se deslocar para a Floresta Encantada de Bristol de forma abrupta porque um ex-aluno, um ex-aluno varão, resolveu brincar de casinha com quem não devia, uma veela dominante que, sabe-se lá o porquê, lhe dera muito mais do que um "beijinho de despedida", antes de sair para trabalhar...
Uma hora, talvez duas depois e já tendo avaliado o jovem dos pés à cabeça, e poderia agregar um por dentro e por fora também, os resultados preliminares dos exames o alertaram para o já óbvio: anemia leve, dentre outros problemas típicos de uma gravidez não conhecida.
A pressão arterial estava sob controle. Sabia que esse não seria o problema de Theodore... Com o caso dele, todos teriam que ficar muito atentos a outra possível – e muito provável mesmo – complicação: os níveis de magia. Usou um aparelho parecido com o medidor de pressão trouxa, esperou alguns segundos e registrou os níveis de magia num pergaminho.
_Adequados – e a julgar pela bagunça da cama e da alcova, já podia imaginar o porquê.
Com alguns floreios de varinha, organizou o cômodo e se preparou para o que estava por vir.
_Enervate.
Mal abriu os olhos, Theo sentiu o peso da presença de Snape. Conhecia-a muito bem para não identificá-la com rapidez. O mestre de poções mais renomado de sua casa e chefe da Sonserina sempre, ao longo daqueles anos de escola, o fizera sentir um estranho misto de medo, admiração e respeito.
_Professor Snape? O que... O que faz aqui? – E se recostou, percorrendo o quarto, procurando-as, ainda furioso pela informação recém-descoberta.
_Pedi a suas esposas que nos deixassem a sós. Precisamos conversar, senhor Nott – e não pode deixar de gostar do efeito que a sua maneira de falar causava no jovem.
_Professor – e o encarou com respeito, mas ainda assim se impondo. – Desculpe se vou parecer grosseiro, mas creio que nós dois, senhor, não temos nada para conversar. Onde ela está?
Snape lançou mais alguns feitiços. Com o primeiro deles trancou a porta. Com o segundo insonorizou o cômodo. Depois, com precisão, levantou a camiseta de Theodore que não ofereceu resistência, não sob o olhar assustador de Severus sobre si. Um leve formigamento, restrito a seu baixo ventre, apenas lhe confirmou que estava sendo alvo de mais um feitiço do professor.
_Pode visualizar bem, Theodore?
Seguiu as indicações, indicações estas que o levaram a uma projeção originada da ponta da varinha de Snape. Era uma imagem borrada, indefinível, mas que se movia e pulsava, como se estivesse viva.
_O que quer que eu visualize?
_O seu filho... Ou filha...
O sonserino afastou as mãos grandes de Severus, interrompendo a conexão mágica e fazendo a imagem desaparecer. “O seu filho... Ou filha”... Ora, um absurdo!
_Agir dessa forma tão... Lufa-lufa... Não é nada adequado, senhor Nott.
_Eu não quis... Eu não...
_Ter ou não ter desejado esse bebê, bem... Creio não ser muito relevante no momento... Muito menos fará esse bebê desaparecer, ao contrário. Ele é muito forte e saudável. Está com aproximadamente quatro semanas de vida. Abortar está fora de cogitação. A magia veela não permitiria. E nem o senhor suportaria esse fardo, estando tão ligado à sua esposa francesa. As magias de vocês três estão interligadas... E esse feto é fruto das "atividades" de vocês três... Não me admiraria se nascesse um veela, de mente sonserina e cabelos vermelhos-Weasley.
A expressão do recém-casado ganhou tons de vermelho-furioso, para depois de abrandar, conforme compreendia a situação na qual se encontrava e, enfim, chegando aos olhos brilhantes que, como o meticuloso pocionista já tão bem conhecia, irromperiam em lágrimas em breve. Malditos hormônios.
_Pelos resultados preliminares dos exames, a sua pressão arterial está adequada, mas o senhor tem uma leve anemia, além de estar um pouco abaixo do peso... E parece que esse é o quadro comum a todos os grávidos no Mundo Bruxo, por Merlin! – Resmungou, prosseguindo em seu monólogo, visto que o novo grávido apenas o encarava assustado. – Dieta adequada, alimentação em intervalos regulares, ácido fólico uma vez ao dia, suplementação férrica, alimentação precisa para incrementar a absorção de... – E enquanto falava, preenchia um extenso pergaminho. – Trouxe alguns medicamentos comigo, mas não serão suficientes. Indicaria que fosse a St. Mungus, mas se aqueles tolos não descobriram nem mesmo a natureza doncel de Harry ou Sirius, pouco poderão fazer por você, meu caro. Seu caso é ainda mais peculiar e complexo – e agora o futuro papai estava mesmo apavorado. – Conversarei com madame Pomfrey e creio que, em breve, nós dois iniciaremos um novo ramo: obstetrícia bruxa – e riu-se, mas logo percebeu que a sua gracinha em nada aliviou a tensão do ambiente. – Enfim, preparei mais medicamentos e poções com suplementos hoje ainda e lhe enviarei. Necessito ter acesso ao seu histórico médico completo...
Theodore nada disse. Enquanto Snape falava e falava sem parar, ele apenas o mirava meio ido. Não fazia a menor ideia do que era aquilo, estar grávido. Não queria estar grávido, nunca quis... Nem nunca chegou a pensar em ter um filho.
_O seu caso requer bastante atenção, Theodore. O bebê drenará você até o limiar perigoso da falta de magia, na verdade, já está fazendo isso. Seus níveis de magia precisarão ser verificados com frequência, ao menos uma vez por dia. O seu corpo não foi biologicamente constituído para uma gestação, disso ambos sabemos... Não será nada fácil, mas a magia veela o tornará adequado. A primeira gestação é sempre a mais difícil e... Oh, por Merlin!
Lágrimas incontroláveis banhavam o rosto do jovem bruxo.
_Não pode se alterar tanto, entendeu?
_Primeira gravidez? Supõe o que, professor? Que terei um time de quadribol? Eu... Eu... – E o que mais ele diria foi afogado por mais um vertiginoso rio de lágrimas.
_Pare de agir feito um lufa-lufa! Você é de uma família nobre e antiga, portanto, conhece muito bem os pormenores de se envolver com bruxos, cujas heranças mágicas são como as de Gabrielle e Draco. Creio que ninguém o obrigou a abrir as pernas, senhor Nott... Você é um sonserino. Controle-se, por Merlin!
Delicadeza não rimava em nada com Severus Snape, disso todos os que o conheciam sempre souberam. Mas não foi sem esforço que o jovem sonserino dominou, minimamente, seu temperamento já tão alterado pelos hormônios. Nossa, como estava odiando a si mesmo agora. O professor estava irremediavelmente correto em suas afirmações.
_Eu não podia imaginar isso, professor. Nunca... Eu não...
_O que está feito, está feito. Essa gravidez é fato consumado, assim como o seu casamento. A sua esposa veela tem amplos direitos, segundo a lei bruxa inglesa, sabe disso, até mesmo sobre você, que não é nem uma mulher e muito menos um doncel. Converse com ela e pergunte o que aconteceu, se tanto deseja saber o motivo de ter acabado você, o varão, esperando um filho. Esse bebê mudará seu corpo e a sua vida, aceite isso, não há volta atrás. Aja como o homem que é e procure lidar com a situação, na qual o senhor mesmo se colocou.
Snape desfez os feitiços sobre o quarto e deixou o sonserino sozinho. Lembrando-se minimamente do caminho de volta, chegou à sala da mansão, encontrando as duas sentadas num dos sofás. As esposas de Theodore o aguardavam compartilhando a mesma expressão ansiosa.
Imaginando que demoraria mais do que imagina para voltar para junto de Sirius, o pocionista explicou com calma o que deveriam fazer para cuidar do marido, deixando uma Gina vermelha de vergonha pro alguns momentos e uma Gabrielle sorridente, embora ainda bastante apreensiva.
_Obrigada, professor. Não me esquecerei das recomendações, muito menos do histórico médico. Obrigada mesmo por ter nos ajudado.
_Ginevra, vocês duas precisarão ficar muito atentas a Theodore. Será muito difícil... Expliquei a ele a necessidade de manter os níveis de magia estáveis, contudo, com a cabeça nas nuvens como está, não me deu muita atenção. Converse com ele – e nisso, voltou-se para Gabrielle.
_Eu o farei. Obrigada e boa noite, professor.
_Entramos em contato. Boa noite, senhoras. – E tão rápido quanto chegou, Snape saiu.
_Gabi... Você quer que eu leve alguns biscoitos para Theo? – E a loira assentiu, o olhar perdido e os pensamentos exclusivamente voltados para o marido.
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_Oh, Severus, que bom que retornou.
Snape franziu o cenho. Encontrar Lupin sentado no sofá, com os olhos pregados na lareira, não anunciava nada de bom, afinal, ele deveria estar dormindo ao lado do pequeno Teddy. Qual nova desgraça teria acontecido agora, por Merlin!
_Remus... Não deveria estar... Dormindo. Ainda não amanheceu.
O lupino bocejou e ficou de pé, aproveitando para se espreguiçar no processo. Sabia que cada palavra não dita aumentava a ansiedade do amigo, mas... Como explicar que ele, o exemplo de amigo leal e bondoso, não era mesmo páreo para um Black mimado?
_Eu tentei dormir, mas fui acordado por Sirius – e antes que os olhos frios de Snape o fulminassem, completou. – Está tudo bem, fique calmo. Quer dizer, eu não chamaria de “estar bem” ser acordado por homem muito irritado, perguntando pelo marido e logo anunciando aos quatro cantos que, como foi mesmo, ah sim: “abandonado em plena noite de núpcias por um marido ingrato e que ignora as suas necessidades”, isso para dizer o mínimo... Pegue. – E lhe entregou a varinha de Sirius. — Foi necessário confiscá-la.
_Merlin... – E Severus, de fato, nem queria saber o motivo que levou Remus a “confiscar” a varinha de Sirius. Conhecia bem o esposo e não queria se estressar ainda mais.
_Seu esposo pretendia ir embora, pois, segundo me disse, em meio a fúria e ao choro pirracento, “não estava aqui para ser tão destratado”. Severus, eu tentei mesmo explicar o que aconteceu, mas estamos falando de Sirius Black e... Enfim, eu impedi que ele aparatasse e peguei a varinha... Ouvi uns bons gritos também, mas já estou acostumado com os rompantes de gestantes.
_Você não tem que passar por isso, Remus. Desculpe-me, eu...
_Severus, esqueça. Para falar a verdade, eu até me diverti, mas não conte isso a Sirius.
O pocionista sentiu todo o cansaço daquela noite atingi-lo de uma só vez. Largou a maleta no chão, bem pertinho da lareira e, mudamente, perguntou: “onde ele está?”
_As suas proteções foram suficientemente precisas em impedir que ele deixasse a propriedade, mas eu realmente não sei onde ele está agora. Optei por ficar aqui, vigiando bem de perto a lareira.
_Obrigada, Remus. Pode ir dormir agora. Mais uma vez, desculpe por ter que lidar com um cachorro louco.
Os olhos dourados se contraíram e Remus, simplesmente, gargalhou comentário, optando por não dizer mais nada. O pocionista nunca iria compreender como alguém poderia ser assim, tão bondoso, quanto o amigo que, inesperadamente, fez.
Aguardou um pouco até ficar sozinho na sala. Imaginou o que o seu esposo estaria fazendo e onde estava. Estava cansado, chateado e irritado. Queira apenas chegar em casa e descansar ao lado do seu doncel, desfrutando da total e completa “paz”. Contudo, parecia que paz era algo que não rimava nadinha com “Black”. Não tendo outra opção, utilizou-se de seu poder sobre o esposo, aquele tom de voz carregado de mando e autoridade.
_Sirius Black Prince Snape, apareça – e se sentou no sofá, os sentidos apurados aguardando o esposo.
Minutos depois, o som de patas batendo com força no chão anunciou a chegada do seu “bichinho de estimação”. Ah, como aquele doncel era abusado.
_Sirius, por favor, precisamos conversar.
O enorme cachorro negro apenas rosnou, fazendo Snape temer por sua vida e jurar ter compreendido um “ranhoso”.
_Ótimo, então apenas me ouça, pulguento. E se urinar nas minhas vestes novamente, por Merlin, eu te castro, entendeu? – Deixou claro, naquele tom imperioso já bem conhecido, que deixava o enorme cachorro negro tão obediente quanto um poodle amestrado para espetáculos.
As orelhas retraídas de Sirius demonstraram que sim, o pulguento em questão havia entendido muito bem o recado. Estar na forma animaga só significava uma coisa: Sirius não desejava nem lhe falar. Bem, talvez fosse melhor assim. Usaria da sua habilidosa língua ferina, o faria se sentir bastante culpado e, depois, ganharia o seu prêmio. Ah, era tão fácil lidar com os grifinórios.
De forma breve, contou a sua epopeia pela madrugada, enfatizando o quanto ficou preocupado por deixá-lo sozinho, além de enfatizar — e nisso estampou no rosto um ar de grande preocupação — como pediu a Lupin que o cuidasse e, evidentemente, que nem havia descansado em todas aquelas horas, para assim chegar o mais rápido possível em casa.
A essa altura, Sirius já era um dócil cãozinho que, sem nem perguntar, pulou no sofá e o lambeu feliz, pedindo desculpas caninas.
_ Não sou adepto da zoofilia, Sirius. Eu prefiro que utilize a sua língua na forma humana, por favor.
Black pulou sobre ele, colocando todo o peso do corpo das patas dianteiras. Sem ter como se equilibrar, Severus caiu deitado sobre o sofá, tendo o enorme cachorro sobre si, cujos dentes afiados logo se dedicaram a rasgar a arte superior das suas vestes.
_Black, você será castigado por isso.
_Então me castigue, professor... Castigue-me, bem duro – devolveu Sirius, já livre da forma animaga, projetando-se sobre o marido que, sem chance alguma de fugir, apenas se dedicou a aproveitar o ósculo selvagem de boas-vindas.
_Desde quando ficou tão pervertido, Black?
_Ah, Sev... – Começou Sirius, ao mesmo tempo em que se esfregava sobre o marido, as nádegas roçando com força o membro já endurecido. – Todos dizem que é um excelente professor... Acredite, é verdade.
Severus o agarrou e aparatou com ele. Quando sentiu a cama amortecê-los, inverteu as posições, ficando sobre o esposo.
_Você instiga meu lado mais bruto, "almofadinhas". Temos que tomar cuidado, afinal, tem um bebê aqui dentro – e acariciou o ventre de Sirius. – O nosso bebê... Que será tão perfeito quanto você, tenho certeza.
_Então, delicadamente, faça amor comigo, Sev... Mais não me deixe mais sozinho, por favor. Acordar sozinho... Eu surtei aqui, Severus. É ridículo, eu sei. Oh, por Circe, Remus deve achar que eu sou mesmo uma porra de maluco de merda e... Ai! Por que me deu uma palmada?
_Controle a sua boca suja, amado esposo. Já te adverti sobre esse péssimo comportamento nada nobre...
_Porra, tá doendo. — Mais uma palmada. — Ai, Que merda! AI! SEVERUS!– E o som de outra palmada bem dada encheu o quarto.
_Não me faça perder o restante de noite apenas nisso, amado esposo. Terminaria sem conseguir se sentar por dias inteiros, afinal, tenho mãos grandes e pesadas.
Utilizando magia, Severus desvestiu aquela beldade que, sabendo o quanto era cobiçada, apenas se contorcia a cada mirada, derretendo-se a cada toque.
_Na verdade, Sirius... Acredito que acabará mesmo sem conseguir sentar direito... E a culpa é sua. Tão delicioso...
_Sev, aí, aí...
Atento às indicações, o ranhoso o beijou, mordeu e lambeu de norte a sul, orientando-se pelos próprios instintos. Deteve-se alguns minutos nos mamilos endurecidos, chupando-os com dedicação... Adorava-os. Na verdade, era impossível não ser arrebatado por cada pequeno pedaço de pele de Sirius.
_Sev, mais... Mais embaixo...
Rindo malicioso e aproveitando-se da moleza da entrega do parceiro, chegou ao extremo sul daquele corpo que irradia desejo, chupando-lhe os dedos dos pés, abrindo-lhe inteiro pernas pernas, os olhos atentos àquela entrada apertada e que o sufocaria em breve.
_Sev, aí não...
_Você disse mais embaixo...
Sirius então, sabendo bem o que o marido desejava ouvir, o fez. Mesmo morrendo e vergonha – ah, ele sempre morreria de vergonha, a ponto de sentir as bochechas queimarem -, virou-se na cama, colocando-se de quatro. Levou as mãos às próprias nádegas, acariciando-as e abrindo-as.
_Aqui...
Severus nada pronunciou, tão estupefato ante visão tão arrebatadora. Ah, Sirius não fazia ideia... Não fazia a menor ideia de como era pura volúpia, sensualidade, desejo, tudo junto, bem ali, de quatro... E todinho para ele. Como conseguiria ser delicado?
_Aqui, Sev... Quero você... Bem aqui, agora.
Mal terminou a frase, Sirius sentiu a língua do esposo dentro de si, entrando e saindo, provando-o com verdadeira necessidade. Em seguida, seus dedos longos sucederam a sua língua, alargando-o para receber toda a sua paixão.
_Me fode, Severus!
O pocionista não se preocupou em puni-lo, não dessa vez. Sirius não merecia ser punido e sim ser amado, ser amado com tudo o que ele tinha, com todo o sentimento que nem sabia que existia dentro dele.
_Hum... – gemeu gostosamente Sirius quando, enfim, teve o marido dentro de si, de uma só vez, forte e intenso, como só ele sabia ser.
Assim que sentiu as costas se colarem ao peito de Severus, a dança sensual de ambos se iniciou, de que já tão bem ensaiada, entrava facilmente em compasso... Ah, ele simplesmente sabia: seria avassalador dessa vez. Não demoraria tanto, pois estavam, ambos igualmente desesperados, mas seria aterrador, de fazer com que, momentaneamente, perdesse até a capacidade de enxergar.
O som dos corpos de ambos se encontrando era mais maravilhoso que uma canção... Estavam enlouquecidos mesmo, tal como dois adolescentes.
_Sev... Estou... Quase – e foi virado de frente tão rápido que mal respirou.
Os olhos fechados de Sirius, aquela expressão de total entrega... Como perder? Não era possível. Queria vê-lo atingir o ápice, pois sabia que somente ele o contemplaria naquele momento. Isso era intimidade, com uma pitadinha de egoísmo, evidentemente.
Então o sentiu checar, tal como um feitiço poderoso, irradiando-se de seu baixo ventre, fazendo-o ferver, Sirius ejaculou antes dele, apartando-o até a medula. Derramou-se naquele canal que o sufocava, mordendo os lábios do esposo, apertando com força, mas sem esquecer que ele trazia em si mesmo o herdeiro de ambos.
Afundou-se em seguida nas melenas macias e de fragrância única, respirando preguiçosamente, enquanto saída dele devagar. Sirius se aconchegou em seus braços e logo dormiu, agora sim satisfeito, não mais se sentindo abandonado. E ele, o carrancudo professor Severus Snape, considerou que não havia mesmo nada mais perfeito do que aquela vida amena junto ao doncel, permitindo-se, pela primeira vez em muitos anos, sonhar com um futuro feliz.
Talvez estivesse meio grogue pelo pouco sono, ou então cansado demais devido à noite bem movimentada, mas havia mesmo algo errado...
_Espere só mais um pouco... – Era a voz de Lupin, meio distante. – Severus mal acabou de...
_Não posso esperar – E a porta do quarto se abriu.
Rapidamente e irritado com um mundo — afinal, será que não poderia ter uma noite de descanso sem interrupções? – Severus se ficou de pé, cuidando para que o lençol cobrisse o corpo do esposo que, ferrado no sono, nem ao menos se moveu.
_Oh, não! Por Merlin, vocês veelas vão acabar comigo, sabiam?
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Demoraram-se conversando sobre a carreira que seguiam e a utilização da hipnoterapia. Algumas horas antes, Esther fora até a sala e lhes avisara que Lucius já estava dormindo e que ela, cansada devido ao trabalho extra, também estava se recolhendo. Antes de deixá-los prosseguir em seus assuntos, alertou: “cuidado com Lucius”.
Frederick a tranquilizou, relembrando que a hipnoterapia não era uma ferramenta mágica para recuperação de lembranças, mas apenas uma ferramenta, nada mais além disso e que fariam o possível para ajudar.
_A sua avó não deixa de ter razão em se preocupar. Estamos há semanas tentando e não obtivemos nenhum resultado favorável.
_Andy, tudo o que foi feito até aqui pode ser considerado, sei lá, um verdadeiro procedimento de condicionamento para entrar em estágios mais profundos de transe.
_Concordo com você, pode ser visto dessa forma, mas não esqueça que Lucius não é tão facilmente sugestionável. Ele conhece os métodos e está disposto a nos ajudar, pois ele mesmo deseja se ajudar, contudo, ainda não é nada fácil levar Lucius a entrar em estágios de transe profundo. E como não quer utilizar nenhum meio químico...
_É melhor não... Não o levamos a um hospital, desde que chegou aqui. Vovó é categórica: não podemos alardear sobre a presença de Lucius.
Andreas era tão jovem quanto Frederick, mas parecia um pouco mais velho devido à constituição física bastante adulta e varonil. E naquele momento, quando franzia a testa e bagunçava os próprios cabelos escuros e cacheados, ah... Ficava visivelmente mais maduro.
_Você vai conseguir, Andy.
_Certo... Bem, vamos subir? Pelo que você contou, é geralmente no meio da madrugada que os pesadelos começam...
Chegaram ao quarto e o encontraram à meia-luz, o som do ressonar de Lucius quebrando a monotonia. Frederick indicou o colchonete preparado para amigo e logo, tendo apenas retirado os sapatos, os dois estavam deitados. Não tinham a intenção de dormir, portanto decidiram apenas relaxar brevemente e aguardar que os recorrentes pesadelos começassem.
Andreas repassava mentalmente os ensinamentos de seu pai, um habilidoso e renomado hipnólogo grego que, há quase vinte anos decidira atravessar o mar e se estabelecer com a família na Inglaterra. “Ninguém é imune à hipnoterapia, o que existe é um hipnólogo incapaz. E você é capaz, Andreas. Seja mais sugestivo, filho”, relembrou suas palavras quando, há alguns dias, comentou sobre o caso de Lucius, sem citar nomes, e a dificuldade de induzi-lo a um nível mais profundo de transe.
Ah, o seu pai era um típico “dono-da-verdade-sabe-tudo”. “Todos são hipnotizáveis, Andreas”. Perdeu-se em pensamentos e deve ter ido além do cochilo superficial, pois se sentiu ser sacudido, a voz de Fred alertando-o de que algo havia mudado.
_Andy, vamos lá... Abra os olhos...
“Milorde... Não foi minha culpa, milorde...”
Frederick sacudiu Andreas com mais vontade e logo obteve o resultado desejado. O neto de Esther tinha um sono leve e, naquela noite em especial, não conseguiu nem mesmo cochilar, ficando de pé assim que ouviu os primeiros resmungos vindos da cama.
"Não, milorde... Poupe o meu filho, ele é só uma criança...”
_Milorde? Ele já tinha mencionado esse tal milorde antes? – Perguntou Andy, aproveitando para esfregar os olhos e espantar o sono. – Não me recordo de ter lido sobre milorde algum... E, por Deus, ele parece estar apavorado.
_Não sei quem é esse milorde. Lucius não retém a memória muito mais tempo depois que acorda... Apenas sonha... E fica assim, aterrorizado.
“O Erro foi meu, milorde, meu apenas. Eu perdi a profecia.”
_Profecia? Do que ele está falando, Fred?
“Por favor, milorde... Castigue a mim, exclusivamente a mim. Draco e Narcisa nada devem sofrer, meu senhor.”
_Não sei Andy... Atenção ao que temos que fazer. Parece que terá o seu momento logo. Se conseguirmos algum sucesso, talvez o próprio Lucius nos esclareça.
Os dois levantaram dos colchões e se aproximaram da cama na qual um homem se remexia, demonstrando estar num sono bastante inquieto.
_Vá com calma, Andy. A minha avó nos matará se ele for prejudicado.
O rosto de expressões fortes, mesmo na penumbra, sorria cheio e si. Andreas era um homem inteligente, extremamente inteligente na verdade e, vez por outra, um pouco temerário.
_Ajude-me com ele. Vamos recostá-lo... Isso, passe aqueles travesseiros.
Instantes depois, Frederick observava o amigo se aproveitar do momento oportuno e refazer o mesmo procedimento tão cansativamente tentado, naquele mesmo dia.
_Concentre-se apenas na minha voz, Lucius. Apenas na minha voz.
Frederick acompanhava minuciosamente os movimentos do amigo, cujas mãos grandes seguravam as mãos trêmulas de Lucius. Ele estava com medo... O que, de fato, era perfeito. O medo já é um estado alterado de consciência.
Cobriu o rosto do loiro com as mãos e de forma abrupta, ordenou: “durma”, e Lucius, simplesmente, atendeu ao comando de forma ainda mais abrupta.
_Não acredito!
_Nem eu, Fred... – E realmente era algo impressionante. Depois de semanas tentando, finalmente havia conseguido induzir o loiro a um transe de nível médio a profundo, todo um milagre.
Frederick realmente se animou. Depois de tantas tentativas, enfim, algo parecia funcionar. As palavras de Andreas tiveram efeito instantâneo e Lucius cessou com a tremedeira, além de demonstrar uma expressão serena.
_Você está confortável e seguro. Preste atenção as minhas palavras.
O homem na cama relaxou ainda mais, amolecendo os membros e obedecendo aos comandos de Andy.
_Concentre-se e entre em contato com você mesmo... Diga-me o seu nome.
_Malfoy... Lucius Malfoy...
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“Harry apenas se enroscou nele, como se fosse mais uma serpente necessitada do calor alheio. Os braços do marido o envolveram. Esgotado, deixou-se conduzir para dentro do Chalé das Conchas e, antes mesmo de chegar à pequena sala, os olhos verdes já estavam desconectados do mundo, devaneando acerca de Draco, de suas filhas e de um futuro sem trevas.”
_Durma, amor... Durma tranquilo. E vocês também, minhas meninas – e riu-se ao perceber que estava assumindo que seus bebês eram duas meninas. – Maldita Parkinson! Preciso mesmo tomar cuidado com aquela serpente, ou então é bem capaz de termos que hospedar Pansy em nossa casa, Harry, por, sei lá, até as "menininhas dela" irem para a universidade! – Divagava o loiro, mesmo que o pretenso receptor estivesse no mundo de Morfeu.
Draco subiu a escada com cuidado, imaginando que a manhã não demoraria a chegar e que ambos teriam o chalé inteirinho, só para... Enfim, seus pensamentos não seguiram uma linha muito recatada, digamos.
Ainda com Harry nos braços, banhou a ambos, retirando a água salgada. Já no quarto, se vestiu e vestiu a Harry, perdendo-se no perfume inebriante que a pele do moreno dissipava pelo ar. Ah, aqueles olhos verdes, fonte inesgotável de beleza e volúpia, eram um perigo para o próprio Harry.
Sem pressa, ministrou as poções necessárias ao esposo e deitou ao lado dele. Dormiu com rapidez, tendo maravilhosos sonhos, nos quais ele se divertia em torturar Adam Taylor e mais uma fila de cretinos que ousavam se insinuar para os eu esposo. Contudo, tal delírio foi interrompido por uma sensação de extremo desconforto. O seu veela gritava dentro de si, acordando-o assustado...
Arfando, Draco acordou e sabia que aquele sentimento de desespero só tinha uma única razão...
_Harry, amor, o que foi?
O moreno abriu os olhos com languidez. Estava se sentindo estranho...
_Draco, eu... Eu... – E se encolheu, ao sentir o toque de Draco na sua testa.
_Maldição! – E em instantes, Harry Potter ficou sozinho no quarto, enquanto o seu marido corria feito velocista escada abaixo, sumindo em seguida em meio às chamas verdes de pó de flu.
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