Submisso

46 Capítulo 46 - Má-fé & Malfoys...


Notas iniciais
>Olá!!!! >Eis que consegui!!! UHU!!! Nem acredito! >Desculpem o atraso gigantesco, mas ando muito sem tempo, mesmo! >Obrigada pelos comentários fofos, pelas críticas e pelas dicas. Aceito tudo o que é sincero, pois sei que quem é sincero, tb aceita a minha sinceridade (XD)! >Agradecendo à GABI ROTTA pela linda recomendação! Fico me achando (mais ainda)!!! Ah, tome um café por mim da próxima. >Espero que curtam o cap! Comentários? Por favor! Mandem mesmo!!! >Aos erros, cuidem-se!!! (Um dia, revejo tudo, prometo!) >Sem mais, MÁ-FÉ & MALFOYS...

Capítulo 46 Má-fé & Malfoys...

_Você está confortável e seguro. Preste atenção as minhas palavras.

O homem na cama relaxou ainda mais, amolecendo os membros e obedecendo aos comandos de Andy.

_Concentre-se e entre em contato com você mesmo... Diga-me o seu nome.

_Malfoy... Lucius Malfoy...

Frederick ficou assustado com a mudança completa no tom de voz. Era como se o homem frágil na cama ganhasse viço e se renovasse. De fato, era mais do que apenas ganhar viço... Tudo ao redor dos três estremeceu ante o forte impacto da poderosa aura que envolveu o queridinho da dona Esther.

Andreas caiu sentado, fazendo uma careta de dor pelo brusco contato com o chão. Já Frederick ficou de pé com rapidez, aproximando-se da cama.

_Lucius... Lucius... Está me ouvindo?

O loiro tinha os olhos fechados e respirava de forma descompassada. Alheio aos chamados, Lucius abriu os olhos e as íris cor cinza se fixaram em Fred. Com mãos trêmulas, tocou o rosto bonito do neto de Esther, imaginando que, talvez, se houvesse ainda algo de bom para lhe acontecer em vida, pudesse fazer o mesmo com o seu filho.

Era tudo tão confuso, tão triste. Sua mente foi do vazio sem fim, com relação a si mesmo, até à restauração completa de quem era e do que havia feito durante a guerra. Sua inclinação ao purismo cobrou um preço altíssimo. Foi preso, sem chance de que seus atos favoráveis à Ordem da Fênix fossem sequer ouvidos.

Depois, veio à prisão, a terrível prisão de Azkaban. E depois, não se lembrava de quase nada. Alguém o tirara de lá... Fora usado para cometer atrocidades. O motivo? Não sabia... Ao menos, achava que não sabia. Não se lembrava de tudo. Talvez nunca se lembrasse. Sabia apenas que precisava ser cauteloso.

_Lucius... Andy, o que está acontecendo?

_Ele saiu do transe... Lucius?

Pessoas poderosas estavam envolvidas na sua subtração de Azkaban. Tinha vislumbres de alguns rostos, do cativeiro, dos horrores que foi obrigado a cometer enquanto era vítima de imperdoáveis. Oh, por Merlin, precisava reencontrar Draco!

_Lucius, foco Lucius. — Exigiu Andreas.

Andreas foi ignorado... Estava mais preocupado em avaliar outro fato. Esticou o braço em direção a um dos travesseiros e mentalizou accio. O efeito foi muito diferente do desejado, pois o travesseiro fez apenas um movimento simples, levitando sofregamente em direção às mãos trêmulas, para cair em seguida sobre o colchão.

_Estou fraco... Muito fraco... — Começou o loiro ante dois pares de olhos esbugalhados de surpresa.

_O que... O que foi isso?

A pergunta de Andy vagou no ar, sem obter resposta alguma. Lucius se apoiou nos dois e ficou de pé, experimentando os próprios movimentos como se andasse pela primeira vez.

_Lucius... O que foi isso que fez? Você estendeu a mão e o travesseiro... O travesseiro... — E a voz de Fred travou. Lucius estava sorrindo para ele. Sorrindo!

_ Por favor, Fred, chame a sua avó. Explicarei tudo a vocês... Tudo mesmo. Vocês têm a minha mais profunda lealdade e respeito. Nunca fui tão bem acolhido e protegido. Obrigado... E eu vou precisar da ajuda de vocês, mais uma vez, amanhã mesmo. Não podemos perder tempo...

+++++++++++++++++

_Sirius está bem satisfeito com o seu marido e riu-se -, Teddy está dormindo... Ah, finalmente um pouco de sossego.

O tom feliz de voz se espalhou pela casa. Remus realmente aproveitava o momento de silêncio, enquanto degustava de uma boa xícara de chá inglês, acompanhado por um bom livro.

A novidade contada por Severus o deixara animado. Deveria estar dormindo, principalmente depois dos gritos quase histéricos de Sirius, mas simplesmente não conseguiu descansar. Dentro de poucas horas amanheceria e sabia que o seu corpo cobraria uma alta fatura pela noite praticamente não dormida, contudo, só de imaginar que em alguns dias estaria lecionando novamente... Ah, era incrível...

Sorveu mais um pouco do chá quentinho, enviando a xícara para a cozinha. Folheou mais uma página, entretanto, antes mesmo que seus olhos pudessem terminar o primeiro parágrafo, foi surpreendido pela chegada de um nada esperado visitante.

_Draco?! Você não deveria estar usando a rede de flu!

A figura descabelada e amassada de Draco Malfoy imergia das chamas verdes, fazendo o bondoso lupino se estremecer de preocupação. Ver o loiro ali, naquele estado, não lhe trazia bons presságios.

_Onde está o meu padrinho?

_Severus está no quarto... E nem bem disse essas palavras, Draco sumiu de seu campo de visão. Espere, Draco! — E conseguiu segurá-lo pelo braço. — Nem amanheceu ainda. Espere só mais um pouco... — E Draco se soltou de seu agarre, correndo escada acima e alcançando a porta do quarto do casal Black-Snape. — Severus mal acabou de... — Pediu ainda mais uma vez.

_Não posso esperar — disse com nervosismo mais que evidente, abrindo a porta no processo.

Draco entrou no quarto ofegante, já se preparando para acordar o padrinho, contudo, Severus sempre surpreendia. O pocionista ficou de pé com agilidade anormal para quem acaba de ter o sono interrompido e encarou os invasores.

_Oh, não! Por Merlin, vocês veelas vão acabar comigo, sabiam?

_Padrinho, desculpe por isso, mas...

_Mas o que, Draco? Por favor, não me diga que você me acordou porque seu precioso esposo sentiu um enjoo!

Remus apenas suspirou. Certamente, as notícias não seriam nada agradáveis.

_Harry está com febre, Severus... Febre e não enjoo. Aguardo-o no Chalé das Conchas — e saiu furioso, descarregando na pobre porta a sua frustração.

_Oh, por Merlin! — Esbravejou Severus, já lançando feitiços a esmo pelo quarto para reunir tudo o que necessitaria.

_Eu explico a Sirius, Severus. Pode ir tranquilo.

_Não Remus, obrigado, mas eu mesmo faço isso. Não vou impingir a você mais uma cena de histeria.

Remus assentiu e logo estava novamente na sala. Febre! Será que Harry não teria um descanso sequer? Pouco depois, o amigo descia as escadas com pressa renovada.

_Disse a Sirius que precisava revisar Harry, apenas isso. Não conte mais nada. Entro em contato assim que possível.

_Será algo grave?

_É pouco provável... Contudo, estamos falando de Harry Potter. — E adentrou a lareira, munido de sua inseparável maleta e uma dose extra de paciência para aguentar a reação vindoura do afilhado.

A pequena sala do Chalé das Conchas logo dominou seu campo visual. Com rapidez, subiu a escada e chegou ao quarto. Lá encontrou o afilhado, cujo mau humor era praticamente sólido.

_Draco, desculpe-me pela maneira como falei. Fui desnecessariamente grosseiro.

A expressão glacial do jovem se abrandou, mas ele estava preocupado demais para conseguir relaxar.

_Há quanto tempo ele está assim? — Perguntou o professor, as mãos grandes já examinando Harry que, sem se dar conta do que se passava, estava perdido em meio a estremecimentos de frio, tosse e pensamentos desconexos.

_Não tenho como precisar. Meu veela me acordou e, bem... Não pode ser muito tempo. Uma hora, talvez duas...

Severus ministrou uma poção para baixar a febre e aguardou em silêncio por alguns minutos, esperando que surtisse o efeito desejado. Prosseguindo em seus exames, percebeu algo. Pulmões relativamente congestionados não combinavam em nada com o quadro médico que tinha de Harry... O que era alarmante, pois o examinara fazia pouquíssimo tempo.

_É um resfriado, cuja evolução foi galopante, pois os pulmões estão razoavelmente congestionados. Como isso foi acontecer? Percebeu algum sintoma durante a cerimônia?

_Não, padrinho... Nada. E a febre?

O padrinho em questão mediu a temperatura do seu quase permanente paciente.

_Já reduziu, mas só cederá conforme a infecção for arrefecendo, até desaparecer completamente. Não está alta, felizmente, mas será necessário um acompanhamento rígido. Para a tosse, poções expectorantes comuns são mais que eficazes. Ministrarei uma agora mesmo, mas anote o que precisará fazer, Draco.

Enquanto cobria Harry e aumentava mentalmente a lista de poções que precisava preparar com urgência, Snape ditou as instruções para o loiro. E, incrivelmente, ainda encontrava espaço para continuar a se questionar sobre o motivo daquele estranho resfriado.

Teria sido algum ingrediente das poções para regular a pressão arterial? Pressionava seu cérebro mais que capaz a lhe indicar tudo o que usara, relembrando mentalmente os efeitos colaterais de cada um deles. E nada chegava perto a queda da imunidade, por exemplo.

_Estou intrigado — revelou o professor, assim que fechou a maleta e ficou de pé. — Algo ocorreu? Sua magia veela ficou bem controlada... Sei disso, pois não fui alertado por nenhum dos meus feitiços... Bem, estávamos na praia, num horário já avançado, mas estávamos protegidos do vento, por uma das tendas e pelos feitiços que a envolviam, logo... Oh, por Merlin! Algo está me escapando. Isso é tão... Frustrante!

Draco sentou na cama com cuidado, aproveitando para ajeitar a coberta que envolvia o esposo. Noite, vento e mar... Oh, Severus estava certo. Faltava algo.

_Padrinho... Eu acho que sei o que ode ter acontecido...

Snape se enrijeceu. Conhecia bem aquele tom de voz. Era o mesmo que Draco, desde criança, costumava usar quando pego fazendo algo errado.

_Comece a falar... E se sentou na beira da cama, os olhos fixos no loiro.

_Bem, tomar banho de mar, depois que todos foram embora, e ficar um pouquinho na areia da praia, sem roupa alguma...

_Draco — e Severus se controlava para não gritar. — Sua incursão pela praia foi deveras imprudente. Tinham a casa inteira... E vazia, afilhado estúpido! Por que então...

_Padrinho, por favor. Não vamos acordá-lo. Se quiser continuar a brigar comigo, vamos para a sala.

_Não, não desejo prosseguir nessa discussão. Até porque, seria inútil. Entendo que a chama da juventude arda forte em certos momentos, mas precisa ter mais cautela e atenção, Draco. Não pode se descuidar um instante sequer do seu esposo.

_E eu não me descuido. Severus, olha... Eu sei que deveria ter pensado melhor, mas não consegui raciocinar com Harry me beijando e me empurrando para a...

Severus o calou com um aceno de mão, antes que pudesse dizer algo ainda mais constrangedor do que praticamente ter gritado que macularam a areia da praia com as suas perversões.

_É um resfriado causado, pelo que pude apurar, pelo banho de mar e pela exposição à brisa marinha noturna. Não é nada grave, mas Harry não pode ter esse tipo de inconveniente. O estado dele é frágil, devido ao uso constante de poções para controlar a pressão arterial... Por isso a evolução tão rápida. Durante a gestação, o sistema imunológico fica suprimido, sabe disso, não é?

_Sei, padrinho. É para evitar rejeição ao feto... — E Draco quis bater em si mesmo por ter aceitado a provocação do esposo ao ser jogado na água e, mais ainda, por ter ele mesmo prolongado tanto a estadia na praia, sem roupa alguma. — E o gestante fica mais vulnerável às infecções, como resfriados e gripe... Por Merlin!

_Fico muito contente por perceber a excelente educação que é ministrada no seu curso, afilhado. Portanto, siga as indicações que lhe dei. Tenho mais alguns frascos com poção para febre, bem na minha maleta, pegue-os, Draco. Acredito que a febre demorará mais alguns dias para desaparecer. — E levantou da cama, voltando-se para o moreno para, mais uma vez, verificar a temperatura do moreno. Draco acabava de guardar os frasquinhos com poção e o mirou de forma ansiosa. — A poção fez sua mágica, o que já era de se esperar, afinal, eu a preparei. Seu amantíssimo esposo está bem. E eu preciso retornar a minha casa. A lista de poções que tenho para preparar não para de crescer, por Merlin! Primeiro Harry com o descontrole da pressão arterial, depois sou incomodado, no meio da madrugada, por uma das esposas de Theodore, que, numa crise, percebeu que abocanhou bem mais que um casamento duplo, e então, quando penso que poderei desfrutar dos meus últimos dias de férias, Harry novamente!

O esnobe Malfoy não conteve a curiosidade. Geralmente, era bem controlado, sendo esse um de seus defeitos domados. Talvez a bisbilhotice do moreno de olhos esmeraldinos fosse, de fato, contagiosa. Bem, admitia que ouvir o nome do amigo Theodore também serviu como catalisador.

_Uma crise? Aconteceu algo com Theo?

Harry se mexeu incômodo na cama, dando a deixa para Snape indicar a porta. Sem alternativas, o loiro o acompanhou até a sala, na qual, um Snape vencido pelos olhos vorazes do afilhado e se percebendo muito cansado, acabou deixando a maleta perto da lareira e dando algumas instruções.

_Faz muito tempo que amanheceu? Não tinha me dado conta. Devo estar mesmo muito cansado... Vou avisar a Remus que está tudo bem. Prepare um café enquanto isso, por favor. Mais alguns minutos não farão muita diferença.

Enquanto o professor explicava ao lupino o que havia acontecido, pulando alguns detalhes desnecessários, como, por exemplo, as atividades noturnas na praia, Draco, experiente em preparar café devido às longas noites de estudos intermináveis com Hermione, deu o melhor de si.

Quando Severus se dirigiu à cozinha, já havia uma bela mesa de café da manhã evidentemente, com a utilização de muitos accios e um café fresquinho a sua espera. Draco o aguardava devidamente sentado em seu lugar, sorvendo o líquido negro-esfumaçante com lentidão e deleite. Ah, claro... Como esquecer, tinha numa das mãos um precioso exemplar de certo biscoito amanteigado.

_O que está comendo? Parece... Delicioso...

_Sente-se, Severus. E sim, é delicioso. Receita da família Delacour — e indicou o pote de biscoitos ao professor assim que este se sentou.

_Realmente... É muito saboroso — reconheceu Snape a provar um dos biscoitos.

_Certamente, além de ter sido o detonador de uma batalha épica, nesta mesma cozinha, entre Gina e Theo... Theo está absolutamente obcecado por eles. O que leva a pergunta que fiz anteriormente... O que aconteceu com Theo?

Antes que a resposta fosse, enfim, dada, alguém os interrompeu.

_Draco? — A voz de Harry na entrada da cozinha os distraiu.

_Sente-se bem? Por que se levantou? Você mal dormiu, meu amor...

O mais rápido que pôde, Harry se aproximou dos dois, sentando-se no colo do marido e enroscando-se nele, como um gatinho manhoso necessitado de atenção.

_Estou bem... Acordei sozinho... — E se aconchegou ao corpo do marido. — Detesto acordar sozinho... Olá, professor. O que faz... — E um ataque de tosse o acometeu, fazendo com que Draco o acariciasse nas costas, fazendo círculos lentos com uma das mãos e a outra verificando a temperatura do esposo.

_Suas atividades noturnas nas areias delicadas da praia, senhor Potter, isso me trouxe aqui... Ah, e claro... A sua repentina febre.

Harry não sabia se sentia acalorado agora por estar com febre ou por sentir tanta vergonha diante do comentário ácido sobre a sua noite na praia. Por Circe! O que Draco teria contado ao morcegão das masmorras?

_Está tudo bem agora, fique tranquilo. É apenas um resfriado. E não há febre no momento. Contudo, creio que um chá com mel e limão não faça mal algum, certo Severus? — Ao que o professor apenas assentiu.

Instantes depois, Harry estava sentado numa cadeira ao lado de Draco e tomando chá com mel e limão, as esmeraldas vidradas nos biscoitos amanteigados que foram, evidentemente, proibidos em sua dieta, o que significava apenas que o desejo de comê-los se elevava ao infinito!

_Nem mesmo um biscoitinho?

Snape tinha vontade de rir, mas se utiliza de toda a sua tenacidade para se manter sereno. Avaliou bem as escolhas de Draco para o desjejum do esposo e aprovou cada uma delas. Não poderiam vacilar um instante sequer, mesmo que Harry sustentasse aquela cara de cachorro pidão, tal qual Sirius. Teria aprendido com ele?

_Não Harry, nada de biscoitos. Coma as suas frutas e beba o seu chá. Severus... E Theo?

_Theo? O que tem ele?

Era ótimo ver como os casais tendiam a ter comportamentos semelhantes. Dois bisbilhoteiros. Rindo-se, o pocionista aproveitou para contar minimamente o que havia acontecido. Omitiu certas informações, visto que ele mesmo não era, para nada, fofoqueiro. Contou apenas o que seria impossível esconder: Theodore Nott estava grávido.

_Creio ser prudente não incomodá-los no momento, Draco. Sei que está preocupado, mas aguarde um pouco... Os três precisam se acertar...

_Eu gostaria de conversar com Theo, professor. Talvez, não sei, eu possa ajudá-lo de alguma forma... — E acariciou o ventre já não plano, sendo seguido pelo loiro, cuja cara de apaixonado fez Snape revirar os olhos.

_Bem, o excesso de emoção é a minha deixa. Hora de voltar para casa, antes que o seu padrinho...

Mais o que o padrinho faria, Harry não soube, pois naquele exato instante, uma coruja irrompeu pela janela aberta, deixando uma carta oficial do ministério próximo a Snape e partindo em seguida. Antes de abrir e lê-la, ele se dedicou a beber um pouco mais de café e degustar mais um dos biscoitos, segundo Draco, os detonadores de uma batalha épica.

_Más notícias? — Sondou o loiro, servindo o esposo de um pouco mais de chá, enquanto via seu padrinho abrir a carta e ler rapidamente o seu conteúdo.

_Aí depende, afilhado intrometido. É do Ministro... Parece que... O Dr. Adam Taylor receberá alta hoje de St. Mungus. Pedi para ser comunicado...

A alça do bule contendo chá quente não resistiu à reação agressiva de Draco, cuja força aplicada na referida louça a verteu em cacos e líquido derramado.

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Adam Taylor, após uma breve temporada em St. Mungus, estava recuperado fisicamente do ataque do veela enlouquecido, mas emocionalmente, ah...Ele não podia nem ouvir o nome Malfoy sem estremecer. O herdeiro do patriarca Lucius Malfoy, de fato, não demonstrara ter mantido vestígio algum da tradicional e refinada educação da família.

Com alguns feitiços, reordenou o seu escritório, olhando casualmente para o local no qual, de forma tão imprudente, se apossou dos lábios carnudos e suculentos do jovem doncel, o ser mais belo e atrativo que avistara sobre a terra. E então, como se de um instinto primitivo de sobrevivência se tratasse, os pelos da nuca se eriçaram, com um estremecimento pavoroso lhe ganhando todo o corpo.

"Fico imensamente feliz por estar plenamente recuperado, imensamente feliz. Foi dispensado ao senhor o melhor tratamento pelos especialistas de St. Mungus, doutor Taylor", disse-lhe o Ministro mais cedo, naquele mesmo dia, assim que teve alta. Na verdade, não esperava visita tão ilustre.

Evidentemente, entendia bem o motivo da urgência do Ministro em lhe falar. Afinal, o caso sobre o desaparecimento de Lucius Malfoy estava a todo vapor e ele, um jovem advogado em projeção, estava irremediavelmente ligado a ele. "Aguardo o senhor, em dois dias, no Ministério. Farei uma reunião com os aurores responsáveis pelo caso e a sua presença será de extrema relevância. Conto com o senhor, doutor Taylor", concluiu Kingsley Shacklebolt, para apertar a sua mão e desaparatar em seguida.

Dedicou-se a reordenar os processos e verificar alguns prazos, cuidando para extirpar da sua mente qualquer pensamento relacionado a Harry Potter e o seu corpo de infarto, os seus lábios doces e quentes...

_Ah, Harry...

Sons de batidas na porta o trouxeram de volta à realidade, a cruel realidade na qual não tinha o jovem doncel, ex-pegador das harpias... Ah, se permanecesse nesse caminho por mais tempo, não viveria muito mais. Com passos decididos, chegou à porta. Os feitiços de segurança não lançaram nenhum alerta, então a abriu sem medo.

_Pois não? No que posso ajudá-lo? — E encarou o sujeito com ar desconfiado, pois o jovem trajava roupas trouxas como se de um autêntico trouxa se tratasse.

_Bom dia — respondeu temeroso. — Procuro pelo senhor Adam Taylor. — Revelou baixinho, lançando olhares de estranhamento a tudo a sua volta.

_Sou eu mesmo. Por favor, entre. — E se afastou um pouco para que o jovem entrasse.

Adam o analisou de cima abaixo. E não era mesmo de se jogar fora. Tinha um rosto exótico, certamente era estrangeiro. Jovem, forte, varonil... E aqueles cachos escuros o deixavam ainda mais sexy.

_Sente-se, por favor — e o local indicado no sofá foi logo ocupado. — Aceita um chá... Um café?

_Ah, um café seria... Ótimo...

Aquela expressão tensa que o delicioso jovem sustentou, ao ver a xícara voando em sua direção... Ah, Adam teve certeza: não havia nada de bruxo nele. Como um trouxa conseguiu chegar ao seu escritório, em pleno Beco Diagonal?

_Espero que aprecie o café...

Aproveitou o momento de degustação para sentar-se bem junto do seu alvo.

_E então? O que o trouxe aqui, senhor?

_Amaranto. Andreas Amaranto.

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_Alguma sugestão, novato?

_Nenhuma, Drake... Nenhuma além da que já disse. Verificamos todos os registros de guarda em Azkaban... Fraudados... Todos eles! É um absurdo. Foi alguém de dentro.

_Ruivo, você é surpreendente...

Os três estavam agora numa incursão pelo mundo trouxa, mas precisamente na busca por maiores informações sobre os crimes que conectavam o Mundo Bruxo ao Mundo Trouxa, aqueles que envolviam certo homem, sem rosto, de olhos cinza.

_Detesto essas roupas... — Reclamou Nulan, olhando-se no reflexo de uma vitrine. — Como estamos? Perto de acabar? Por favor, digam que sim.

_O mapa que Ronald traçou da atuação de Lucius...

_Sob uma imperius...

_Possivelmente sob uma imperius — devolveu o auror ao estagiário. — Não demonstra uma linearidade. Algumas áreas são próximas ao apartamento, outras não. O que nos faz pensar que, talvez, desejassem mesmo arrecadar fundos.

_Baden deu alguma notícia? — Perguntou Rony, eliminado mais um lugar da sua lista. Faltavam apenas mais umas três cenas de crime para averiguar. Embora ele estivesse desenvolvendo, em paralelo e com a anuência dos seus superiores, outra pesquisa, mais recente.

Cassandra foi escalada para uma missão "pé-no-saco-escrota-e-desnecessária", segundo a própria: elencar todos os trabalhos realizados pelo professor Voronin. Na verdade, Ronald deveria ter dito que sua noiva, Hermione, já se adiantara, estando agora focada em devorar as teses e propostas do renovado professor, além de estar relendo o mesmo livro purista que revelou a todos o cruel Signaveris Crescite, mas... Optou por se calar e deixar que os aurores fizessem o seu trabalho.

_Depois que acabarmos de rever os locais, podemos, por favor, beber uma cerveja amanteigada? — E a cara feita por Nulan gerou intensas gargalhadas.

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_Theo, por favor... Eu, eu estou dizendo a verdade.

Theodore já conseguira despachar Gina, mas ainda não fora capaz de dissuadir Gabrielle a deixá-lo sozinho. A veela insistia e insistia na mesma cantilena. "Eu nunca tive um relacionamento com um homem antes, meu amor. Eu nunca... Nunca mesmo tinha penetrado nenhum homem e só de se lembrar da fala da esposa dominante, suas bochechas ardiam, avermelhando-se de vergonha. Você é tão delicioso, apertado... Ah, eu não consegui me controlar. Minha veela tomou a frente da minha razão, meu amor. Você despertou meus instintos mais... Selvagens. Eu só quis me enfiar em você, uma, duas... Ah, todas às vezes imagináveis. Na verdade, meu desejo por você é tão devastador... Ah, Theo... Je t'aime"... E se antes estava vermelho, agora deveria estar roxo de vergonha.

_O que foi? Está vermelho... Está com febre? — Perguntou a loira, estendendo a mão para tocá-lo, mas parando seu intento ante um olhar gélido.

_Mesmo que esteja dizendo a verdade...

_Eu estou sendo sincera!

_AINDA ASSIM... — E sentir o pesar pelos próprios gritos era algo ao qual, irremediavelmente, precisava se habituar. — Ainda assim, Gabrielle... Você soube desse filho quase que instantaneamente, afinal, sua magia veela deve ter reconhecido a outra magia em mim, já no dia seguinte. O que você fez então, cara esposa? Ah, você, simplesmente, se calou...

A loira queria tanto tocá-lo. Sabia que podia. Sabia que, se realmente usasse sua magia, verteria em cacos a resistência do marido. Era mais forte que ele, poderia dominá-lo, possuí-lo, penetrá-lo com violência... Mas então... A dor que sentiria arrasaria com qualquer prazer.

_Theo, eu sei que eu deveria ter contado antes. Mas eu...

_Mas você não contou. Ao contrário... Aproveitou para apertar o laço ainda mais. Nós nos casamos Gabrielle, nós três. E você não me contou algo tão banal... TÃO BANAL QUANTO UMA GRAVIDEZ.

_Eu tentei, eu tentei... Mas tive medo, meu amor.Tive medo da sua reação...

_Por favor, Gabrielle. Deixe-me sozinho. Não quero ver você...

_Eu Não posso deixá-lo, não consigo deixá-lo... E o nosso bebê precisa da minha magia vee...

_Cale a boca! Eu não quero ouvir falar de bebê algum, nem de veelas. SAIA! SAIA!

A voz de Theodore nunca soara tão dura, tão ressentida. Até Gina deve ter sentido a pontada que lacerou a alma da veela. Perdida a batalha, a veela se resignou, decidida a se preparar para uma próxima ação bélica... Até porque, a vitória na guerra seria dela, com toda a certeza.

Deixou o quarto, dando uma última olhada no marido, cuja face sustentava a mesma expressão de irritação extrema. Tentando não desabar de tanta dor, foi ao encontro da esposa. O dia já corria solto e ela... Ela se sentia como se estivesse mergulhada nas trevas mais profundas.

_Theo não vai descer para o café?

Gabrielle a encarou meio ida... Depois, balançou a cabeça negativamente. Gina podia sentir o mesmo pesar da esposa. Ah, aquilo não ia nada bem. Passaram o restou da noite, os três, em meio a uma conversa tensa. Bem, conversa não era o termo mais adequado para definir a série de palavras fortes que trocaram enquanto a madrugada se esvaía e o dia chegava. A tensão era tamanha que ela mesma, entre muitos suspiros tristes, os deixou no quarto e desceu.

_Ah, Gabi... Venha. Sente-se aqui comigo. Mais tarde eu levo alguma coisa para o nosso Theo.

A veela se sentou junto à esposa, numa singela mesa preparada na varanda da bela propriedade da tradicional família Nott. Contudo, não tinha vontade de ingerir alimento algum. Todo o seu pensamento estava em Theo, apenas nele.

_Ele... Ele não acredita mesmo em mim, ma rousse. Será que... Será que ele nunca vai me perdoar?

As lembranças da noite não dormida ainda afligiam Gina. Primeiro a tensão causada pela reação de Theodore e a peregrinação entre lareiras, até encontrar o professor Snape. Depois, mais calma, precisou refazer o trajeto... Aí, teve que encontrar forças para acalmar Gabrielle que, enquanto aguardava Theo ser examinado, não parava de se culpar.

Evidente que compreendia a reação do marido. Achava-a, inclusive, mais que justificada. Contudo, como poderia suportar aquilo por mais tempo? A relação que tinham era algo único e muito forte. Sentia por três, enfim...

_Theodore perdoará, Gabi. Ele só está muito irritado no momento.

_Gina, você acredita em mim?

_Claro que acredito. É claro que sim. Nenhum de nós conseguiria mentir...

Gabrielle estava devastada. Theodore estava furioso. E Gina não sabia mesmo como solucionar aquela situação. A não ser que... Ah, claro. Como não havia pensado nela antes? Entraria em contato agora mesmo...

De forma abrupta, Gina ficou de pé e, com ainda mais pressa, correu até a lareira. As chamas verdes fizeram contato com alguém que Gabrielle logo, logo reconheceu.

_Gina? Já de pé? Nossa, pensei que numa lua de mel, com... Tantas opções, só entraria em contato comigo, não sei... No nascimento das meninas de Harry! — E riu-se, mas logo percebeu que a ruiva não apresentava espírito algum para brincadeiras. — O que aconteceu?

_Pansy, precisamos de você... Muito mesmo.

Notas finais
Entrou sorrateiro na cozinha, tendo em pouco tempo o alvo em seu campo de visão. E então, silencioso e rápido como um bom felino, andou lentamente, alcançando o objeto do seu desejo em três bem planejados passos. Assim que o pegou entre as mãos, salivou em antecipação. Ah, só de imaginar aquela delícia derretendo em sua língua... Hum... Estremecia de prazer. O ato de girar e abrir fez seu coração acelerar. Enfiou os dedos e o pegou, o preciso manjar dos deuses. Quando sentiu sua textura deslizar pela sua pele, nossa... Haveria algo assim tão bom? Não, não... Nunca! Nada se compararia! Olhou para os lados, temeroso... Ninguém poderia descobri-lo. E então... Tinha-o entre os lábios, engoliu. E o gosto... ECA!!! Por que seu precioso biscoito amanteigado se transformara num aipo? _DRACO MALFOY!!! O grito foi ouvido por todo o Chalé das Conchas, inclusive na praia, na qual um saboroso loiro degustava os últimos biscoitos deixados pelas irmãs Delacour. _Grifinórios... Ah, eles são tão fáceis de enganar.