Submisso

35 Capítulo 35 - Severa Frieza


Notas iniciais
Olá!!!!
Primeiramente, agradecendo às últimas Recomendações recebidas, sempre agradecidas com muita emoção particularmente: Ritsu Onodera (não me lembro se já agradeci por aqui, então, obrigada mais uma vez!)e à Nathy, queridíssima, que acompanha essa fic desde que posso me lembrar e que sempre me manda ótimas dicas!!! FIQUEI MUITO EMOCIONADA MESMO, VIU! OBRIGADA!!!

>Agradeço ainda aos leitores novos, aos antigos, aos leitores fantasmas, aos comentários, às críticas, às dicas, à força de vocês.

>É sempre bom lembrar que eu não ganho nada com essa fic, ao menos não materialmente falando, mas ganho sim com o carinho que recebo de todos!!!AMOCÊS!!! XD

>Ah, claro! Desculpem a imensa demora, mas a vida é assim, cheia de provas e trabalhos e pessoas que exigem a minha inabilidade ao volante (KKKK). Enfim, mais um cap de Submisso (35, é isso mesmo??? UAU!!! E eu que não consigo terminar essa fic!).

>Esse cap, eu dedico aos que curtiram o núcleo "Aurores" da fic. Ah, e quem curte Severus e suas Severices, preparem-se: prato cheio pra vcs!

>Próximo cap, eu prometo, será em breve mesmo e teremos SEVXSIR (Tem gente quase morrendo porque esse casal pouco tem aparecido, mas são coisas do enredo!)

>Aos erros, cuidado!

>Sem mais, SEVERA FRIEZA!!!

Capítulo 35 – Severa Frieza



Depois de ter virado motivo de chacota do quartel, Ronald se calara a respeito da sua própria teoria acerca da tentativa dupla de assassinado e a ligação com os casos que vinha investigando no mundo dos trouxas. David e Francis não conseguiam seguir a lógica “forçosa”, segundo os próprios, da sua orientação nas investigações.

O novato concluíra que a autoria dos crimes no mundo trouxa e a dos ataques à Skeeter e ao ex-marido dela eram a mesma. E defendia uma tese que, para Podmore, era “COMPLETAMENTE ABSURDA!”, como o mesmo disse gentilmente quando, pela terceira vez, o ruivo solicitava permissão do Chefe para prosseguir nas investigações.

“Desista ruivo... Podmore não vai mesmo se indispor com o a Corte Bruxa por conta da sua brilhante argumentação”, disse-lhe reiteradas vezes Nulan. Mas, obviamente, ele não desistia. Ainda mais porque, apesar da falta de provas, Hermione admitiu que havia sim uma probabilidade. Logo, se tinha a seu lado Hermione Granger, é porque só podia estar no caminho correto.

Passou então a procurar por outras fontes de provas, qualquer uma, da materialidade do que, em sua mente, era mais do que certo. Contudo, nos últimos dias não vinha tendo sucesso algum. Seu ânimo desaparecia e a irritabilidade era visível. Não podia passar por cima do seu superior hierárquico e ir direto ao ministro, mesmo que fosse amigo de Kings. Ele nem era auror ainda, portanto, desrespeitar dessa forma a ordem dos dois aurores que o supervisionavam e a do próprio Podmore, bem... Pode-se dizer que não continuaria como estagiário por muito tempo.

_Novato, ainda com esses pergaminhos? Não desistiu?

_Não... Um bruxo poderoso, com aquelas características, não há outra opção. Alguém está sim usando a imagem de Lucius Malfoy. Não há outra explicação. Eu preciso ter acesso à Azkaban e ao corpo dele.

_Você está baseando toda a sua teoria no relato de uma criança que estava, não se esqueça, sob imensa pressão psicológica, Ronald. Tente perceber que, nesses casos, uma mera semelhança, pode virar uma certeza. A menina, como disse, é muito ligada a você, à sua noiva e ao Eleito, quase beirando uma adoração de fã. Ela pode ter se sentido apenas ameaçada pela presença de Draco Malfoy, imaginando que ele a afastaria do seu “precioso herói”... Daí a inventar tudo...

_Não, Madeleine não faria isso... Ela é... Especial.

Os três estavam na Távola Redonda, debatendo sobre as últimas informações acerca da maldição que atingira a repórter. Os medibruxos indicaram que se tratava de uma maldição há séculos não usada, cuja origem era medieval, em especial nos períodos áureos da Inquisição Trouxa. Os bruxos, muito visados e pretendendo evitar ao máximo a proximidade com os trouxas, desenvolveram uma série de feitiços e maldições puristas.

Dentre os mais simples, que era usados apenas para camuflar a presença mágica, aos mais complexos, que prometiam restaurar a vida dos bruxos tão injustamente queimados pelas fogueiras sagradas da Santa Igreja – raríssimos casos se encaixavam nessa última opção, na verdade -, foram elaborados feitiços poderosos de ancestralidade, para assim resguardar os mais nobres dos desmandos dos trouxas, assim como maldições terríveis, algumas destinadas aos próprios bruxos que, indo contra a orientação mágica, teimavam em manter o contato com os desprovidos de magia.

_Especial? Por Merlin, ruivo... Pensei que fosse mais objetivo.

_O senhor não entenderia, Nulan...

_Certamente, pois nós só podemos nos basear em fatos concretos. E o que temos de concreto, Weasley, é a confirmação de que os pais da garota estão sendo drenados magicamente, a passos lentos e muito penosos. A maldição os drenará até perderem toda a magia, a menos que consigamos encontrar a contramaldição. Já temos aurores vasculhando os mais antigos arquivos e nada. E sabe o que é pior? As tradicionais famílias puristas tiveram seus patrimônios pessoais vasculhados, depois que a Guerra acabou. Foram obrigas a destruir todo e qualquer vestígio de artefatos que atentassem à igualdade entre os bruxos, puros de sangue ou não. Objetos antiguíssimos, pergaminhos históricos, ah... Muito se perdeu e possivelmente, a resposta às nossas atuais buscas tenha sido varrida, numa de nossas próprias fogueiras.

Francis encarou Ronald e não viu nele mais do que obstinação. Gostava daquela teimosia. Sabia que a tenacidade do jovem seria um diferencial em seu trabalho como auror, mas precisava concordar com David em alguns pontos. Por mais que a possibilidade existisse... Também achava bastante forçado.

_Sei disso, mas eu revi as memórias, Nulan. Todas elas... Há sim um forte indício de que alguém está mesmo se valendo da imagem de Lucius Malfoy – ao que o seu superior imediato bufou.

Não adiantava! Nada o convenceria do contrário. Ele reviu todas as informações sobre os quatro ex-comensais indultados encontrados mortos. Depois se lançou a rever todos os testemunhos dos que ainda estavam vivos e, curiosamente, os que morreram pareciam seguir as ordens de uma só pessoa, outro comensal mais importante, que, pelas suas deduções, era ligado ao círculo interno e próximo ao Lorde das Trevas.

Como descobriu? Não foi fácil... Ele precisou de muitas e muitas horas de estudo sobre os longos pergaminhos que reproduziam – na íntegra – os depoimentos dos julgamentos empreendidos pela Corte Bruxa, algo público e que poderia acessar livremente, sem precisar de autorização prévia. Em nenhum dos testemunhos, nenhum mesmo, pois analisou todos, os acusados disseram o nome do comensal em questão... Ele apenas percebeu que as “missões eram semelhantes, quando não idênticas”, logo, as ordens só poderiam derivar da mesma fonte.

Sua lista de suspeitos era mínima, assim como a de potenciais novas vítimas. Sentia-se lutando contra uma avalanche, pois sabia que muitos membros da alta sociedade bruxa (empresários, riquinhos metidos, nobres empolados, donas-de-casa, atletas, artistas, magnatas da mídia, autoridades bruxas) foram indicados por ligações com comensais, tendo sido liberados por falta de provas. E algo aprendera em seus estudos para se tornar um respeitável auror: a falta de provas, para o bem ou para o mal, nada provava.

Como já antevira, o autor dos assassinatos era, de fato, inteligente, meticuloso, detalhista e dono de recursos, o que reforçava sua teoria inicial de que, o autor em questão, também planejara e/ou realizara os crimes no mundo trouxa, para obter “capital”, se é que podia usar esses termos.

Os testemunhos apontavam para um único suspeito: homem, alto, possivelmente quase 1,80 m de altura, talvez na casa dos 40, de compleição esquálida, prestes a desfalecer, cabelo loiro platinado, olhos frios, que variavam em tons cinza de chumbo... Ah, era o mesmo homem visto por Madeleine. Era sim Lucius Malfoy! Tanto os trouxas, quanto a sua pequena hóspede foram categóricos: o homem sofria, sofria muito.

_Você vasculhou os pensamentos de uma mulher notoriamente acometida por um feitiço, cujos efeitos causaram a ela um dano irreparável à mente. Está gastando suas energias, Ronald, a troco de nada. Uma coisa é ter um palpite, outra bem diferente é se perder em meio à teimosia.

Ronald trincou os dentes. Nulan nunca entenderia. Ele não conhecia Madeleine. Não vira Madeleine falar, sustentando aquele olhar antigo e cheio de sabedoria. Ele era alto, muito magro e parecia tão doente. O rosto dele... Ficava um pouco borrado, mas ele se parecia com...”. Ah, as palavras da garotinha vinham sempre a sua memória e, combinada com o que já estudara dos casos até então, apenas serviam para reforçar suas suspeitas. Os olhos pareciam o céu quando vai chover, tia... E o cabelo dele... O cabelo dele era igualzinho ao do marido do tio Harry”

_O tempo se esgota, ruivo. Skeeter é a nossa única testemunha viável. Não gaste mais suas energias numa suposta profanação do túmulo de Lucius Malfoy, para retirar dele “ingredientes” para fabricar poção polissuco, por Merlin! Estou oficialmente proibindo você de prosseguir nessa linha de investigação. Dirija-se agora ao setor de documentação e informação e faça uma pesquisa sobre os acervos e coleções particulares de artefatos históricos do Reino Unido. Podmore nos incumbiu dessa tarefa, pois não temos mais ninguém no momento.

_Mas o senhor não pode fazer isso! – Reclamou Ronald, ficando de pé de forma abrupta e chamando a atenção dos aurores que, já há algum tempo, observavam os três e teciam comentários sobre a interação agitada que mantinham.

_Ah, eu posso sim, ruivo. Posso mandar você limpar as latrinas de todo o quartel, caso mantenha essa insubordinação! – Esbravejou Nulan, ficando de pé também, mas nem de longe atingindo a mesma altura que o ruivo. – Agora mova o seu traseiro daqui e saia da minha frente!

Irritado, David voltou a sentar e só parou de espumar quando não tinha mais nenhum sinal de qualquer fio de cabelo ruivo nas proximidades.

_Ui, David, você foi cruel com o novato. O garoto está empolgado. Sabe como ficamos quando temos um palpite. Se fosse um estagiário qualquer... Mas esse garoto é bom, bom de verdade!

_Pare de defendê-lo. Deveria era estar me ajudando a contê-lo, isso sim, cretino.

_Nossa... Cretino? Ah, isso aí só pode ser frustração sexual.

_Já mandaram você, sei lá, se fuder hoje? – E levantou de novo, ainda mais irritado que antes.

Francis riu com gosto da irritação do parceiro, mas antes que pudesse se divertir mais um pouco à custa do “estressadinho”, foi interrompido pela súbita chegada da maior autoridade bruxa.

_Senhor ministro?

_Como vai, Drake? Como vai Nulan?

Os dois apenas anuíram silenciosamente. Kingsley Shacklebolt em pessoa? Oh, por Merlin, mais problemas...

_Nada bem – e balançava nervosamente um pedaço de pergaminho que sustentava numa das mãos. – Preciso de Podmore... E de vocês... E onde diabos está o Rony?



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Draco guardou o precioso documento antes de sentar na cama, junto a Harry. Dedicou-se a mirá-lo, analisando cada pedacinho de pele, esmiuçando cada recanto daquele corpo que sempre o fazia estremecer de desejo.

_Eu o machuquei, Severus, involuntariamente, mas ainda assim eu o machuquei. Senti minha magia queimando as mãos dele, mas não consegui me controlar... Tive que usar de toda a minha força de vontade para não decapitar aquele mequetrefe...

_Draco, esqueça isso. Entenda que nem mesmo Adam teve culpa... E se eu tivesse beijado seu esposo? Ou Kingsley?

O esnobe Malfoy nada disse, apenas rangeu os dentes. Severus riu com gosto da expressão no rosto do afilhado, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, uma coruja entrou pela janela, deixando cair nas mãos do professor outro envelope.

_Mais uma coruja do ministério?

_De fato, sim – começou Snape, abrindo o lacre e se dispondo a uma leitura atenta. – Oh, por Merlin! Isso não pode ser verdade!

A máscara de frieza de Snape fora destruída durante o simples ato de ler o documento. Fosse o que fosse, deveria estar anunciando mais uma guerra bruxa, ou então, numa possibilidade tenebrosa, o retorno do Lorde das Trevas. Nada mais deixaria o pocionista daquele jeito...

_Padrinho, o que aconteceu? O senhor vai hiperventilar!

_Draco... Draco... É impossível!

_Severus Snape! Sem pânico, por favor.

_Draco, é uma notificação de Azkaban. Lucius... O corpo de Lucius... Não está lá!

O chão falseou sob os pés do loiro, tamanha foi (mais uma) a surpresa. Não se deu conta de que, com certa violência, arrancara a carta das mãos do padrinho e lera ele mesmo as palavras secas que determinavam o simples fato: LUCIUS MALFOY NÃO SE ENCONTRAVA EM AZKABAN!

Snape agora observava o afilhado mantendo a varinha em riste. Não demorou muito para que precisasse usá-la. Por Merlin! Não teriam um momento sequer de descanso? A magia de Draco estava, talvez, mais instável o que a de Harry e os móveis do quarto já sentiam o poder do veela. Não permitiria mais uma explosão de magia ancestral e perigosa, não agora. Sem outra opção, lançou um desmaius sobre Draco que, em instantes, desabou no sobre o tapete refinado e caro que fora de Narcisa.

Nunca na vida pensou que teria que lidar com tantos rompantes sentimentais, num único dia. Ele era um frio sonserino! Não compreendia como todos a sua volta conseguiram sobreviver até então, visto que, a cada mínimo probleminha, se descompensavam e, praticamente, eram acometidos pela insanidade. Será que era assim, realmente, tão complexo usar a racionalidade e agir de forma ponderada? A julgar por Harry ressonando na cama e pelo afilhado no chão do quarto, talvez ele, o terrível professor de poções, fosse mesmo uma exceção à humanidade.

Como ações diligentes eram necessárias e alguém precisava empreendê-las, decidiu ele mesmo controlar o caos, antes que o Armagedom, de fato, os destruísse. Chamou Dobby e pediu que o solícito elfo lhe conseguisse uma coruja e também que acomodasse o afilhado num dos quartos da mansão, no que foi obedecido prontamente.

A coruja em si era uma de uso pessoal de Draco, mas pouco importava. Escreveu prontamente algumas breves “cartas” e as despachou. Evidentemente, aparatar e chegar de forma célere ao destinatário das mesmas teria sido muito melhor, mas não podia desgrudar do grifinório por um instante sequer. Harry inspirava cuidados.

Cerca de vinte minutos depois, Malfoy Manor tinha alguns dos visitantes que solicitou: Molly Weasley e Pansy Parkinson que, assim que aparataram, já se dirigiram direto ao quarto do casal Potter-Malfoy. A matriarca Weasley apenas encarou Severus, silenciosamente, e este já sabia muito bem o que desejava.

_Obrigado por terem vindo tão rápido. Fiquem calmas, pois a situação está sob controle. Draco enciumado e Harry excessivamente teimoso... Já podem imaginar o que foi, certo?

_E onde está meu loirinho?

_Num dos quartos, mas bem. Não posso descuidar de Harry no momento. Estamos com um quadro de descontrole na pressão arterial – Molly arfou -, por isso pedi que viessem. Preciso da ajuda de vocês.

_Minhas meninas estão bem? – Perguntou a sonserina.

_Os bebês estão bem...

Severus teve que esperar alguns minutos de carinhos ao inconsciente Harry, antes que pudesse colocar seu plano em andamento. E somente quando as duas, sentadas ao lado de Harry, se deram por satisfeitas, pôde começar a contar exatamente o que tinha acontecido até aquele momento, do início dos contatos com Adam Taylor, ao ato final, com o doncel sendo tratado às pressas e Draco sendo alvo de um desmaius. Embora, tenha ocultado a derradeira informação acerca do corpo de Lucius Malfoy.

_Veelas são muito possessivos e territorialistas. Harry não deveria ter escondido informações do marido – comentou Molly, mas logo completou. – Contudo, essa reação desmedida... Severus, não podemos deixar que volte a acontecer!

_O que faremos? Diga, professor. Ajudarei no que for preciso, basta me instruir.

Ah, finalmente um pouco de objetividade. Por isso precisava de Pansy.

_Bem, Molly, pedi que viesse, pois necessito que converse com a esposa de Bill. Seria essencial a ajuda dela e, certamente, da irmã mais nova, para que Draco pudesse progredir no controle de seu veela.

_Claro que elas ajudarão, não tenho dúvida alguma. Draco não foi instruído desde criança? – E ao que Severus balançou a cabeça, negativamente, compreendeu. – Oh, por Merlin... Agora entendo o porquê de todo esse circo!

_Quando Draco nasceu, pedi a Lucius que o instruísse nesse sentido, mas Lucius, esnobe e orgulhoso, disse que seu filho era como ele, exatamente como ele e que não era um herdeiro poderoso da magia ancestral dos veelas, sendo herdeiro apenas da incomparável beleza dos mesmos. Palavras de Lucius, que fique claro. E então Draco foi crescendo e, como não demonstrava rompantes emocionais efusivos, típicos dos veelas, eu me aquietei e, infelizmente, cheguei a concordar com ele.

Molly sorriu para Snape e depois beijou a testa do seu filho de coração. Ficou de pé e, antes de sair do quarto, voltou a encarar o professor, apenas voltou a sorrir. Imaginava que o sonserino trabalhava arduamente, mas nunca conseguiria esconder completamente a sua humanidade.

_Conversarei com Fleur agora mesmo. Envio uma coruja, mas pode ficar tranquilo. Fleur é uma mulher doce e bondosa. Ficará mais que feliz em ajudar Draco. Não se culpe, Severus, não podemos mudar o passado, mas podemos melhorar o presente. Ah... Parabéns, meu caro. Remus me contou... Você papai... Quem diria, não? – E saiu, deixando o pocionista cor fúcsia devido à vergonha e Pansy mais que estarrecida com a notícia bombástica.

Passados alguns instantes, Pansy apenas gesticulou um “parabéns” que foi, solenemente, ignorado por Severus ainda abalado pelo ar maroto em Molly.Ora, grifinórios não tinham autorização para agirem assim, tão “sonserinamente”.

_Parkinson, explicarei no que preciso de sua ajuda. Lembra-se do feitiço de ancestralidade?

_Evidentemente. Não há sangue puro que não o domine. Contudo, não entendo o porquê de realizá-lo.

_Optei por não revelar à Molly, ao menos não por enquanto, mas... O corpo de Lucius Malfoy não se encontra em Azkaban.

Choque. Essa era a palavra que definia a expressão da loira estonteante.

_Conhecendo meu afilhado como conheço, assim que ele acordar, tentará realizar o feitiço. E não posso culpá-lo, afinal, quem não ficaria tomado de ansiedade numa situação como essa? Contudo, é perigoso. A magia de Draco está, realmente, descontrolada, e, caso consiga estabelecer uma conexão, sabe-se lá o que pode acontecer.

_Professor, será possível estabelecer uma conexão. A não ser que a relíquia de família tenha sido destruída pelo próprio Lucius. Se pudermos encontrá-la, identificaremos os locais pelos quais passou. Creio que, a julgar pela guarda avançada de aurores na propriedade, está aguardando a presença de mais alguns.

Snape sorriu aliviado. Lidar com sonserinos estáveis fazia bem a seu próprio ego. Não precisava ficar se desdobrando em sentimentalismos. Podia agir com praticidade e pragmatismo. Não era a toa que a loira, a despeito de muitos a acharem fútil ao extremo, fora uma de suas mais aplicadas alunas.

_Exatamente, enviei uma carta ao ministro. Vamos apenas aguardar.



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Quando abriu os olhos e logo colocou os óculos sobre eles, se deu conta de que o dia morria, pois o sol se apagava e, lentamente, a lua se engrandecia. Depois de muito pensar, deduziu que, se estava ali, deitado sobre aquela enorme cama, era porque o marido o carregara escada acima. Certamente, devido à aparatação, perdera os sentidos.

Contudo, por mais que soubesse a recorrência daquele incidente, algo esta diferente, sabia disso... Sentia-se estranho, meio doente. Talvez porque antes, quando abandonou o lar e correu para Toca, não se sentisse tão responsável pelos atos descabidos do marido.

Snape o alertou incontáveis vezes... Afirmou, com profundo conhecimento de causa, que para Draco omissão e mentira eram sinônimos e que ficaria, no mínimo, muito irritado. Mas daí a reação que presenciou e enfrentou, nossa... Havia uma grande diferença. Esganar Adam Taylor e arremessá-lo longe? Perder o controle de maneira tão pouco Malfoy e, enciumado, deixar que seu veela o dominasse? Realmente foi demasiado. Mesmo que compreendesse que teve sim parcela de responsabilidade nos fatos, não podia, simplesmente, colocar um sorriso no rosto e fingir que nada tinha acontecido.

Estava tão pensativo que mal se deu conta da presença soturna do professor de poções. O narigudo o observava há alguns minutos, apenas aguardando o momento mais propício para começar a falar.

_Harry – e os olhos verdes o encontraram. – Como se sente?

A pergunta foi retórica, pois era óbvio que "bem" era a última palavra que ouviria.

_Como o senhor se sentiria, professor, com um parceiro como Draco? Eu o amo... Realmente amo aquele cretino... Inacreditável há alguns anos atrás, não é? Mas agora sei que eu, realmente, amo Draco Malfoy. Ah, mas é melhor ele ficar longe de mim por um tempo. Estou com tanta raiva, que sou capaz de ignorar a magia e usar os meus punhos, até deixar aquela carinha esnobe bem amassada.

_Harry, acalmar-se. Tenho certeza que ambos, com calma, resolverão o impasse. Contudo, antes de lhe dizer o que penso sobre o comportamento do meu afilhado, preciso que me diga como se sente fisicamente.

O grifinório podia até ser muito crédulo e inocente com relação às pessoas... Às vezes demorava muito tempo para receber as intenções dos outros para consigo, mas havia algo que Harry Potter não era: ignorante. Pelo tom de voz intencionalmente calmo do ex-professor, soube no ato que Snape estava preocupado, preocupado de verdade.

_Professor, o que aconteceu? Eu desmaiei, foi só isso, certo? – E já tinha as mãos sobre o próprio ventre, um medo terrível enregelou até a sua alma.

Severus correu até a cama, pois via que o ex-aluno fazia tudo, menos seguir as suas indicações. Não teria sido claro o suficiente quando, por duas vezes, solicitou que mantivesse a calma? Teria proferido o pedido em outro idioma?

_Está tudo bem, entendeu? Seus filhos estão estáveis...

_Estáveis? – E questionou tão baixinho que, caso o professor não estivesse tão junto dele, nem mesmo teria alcançado ouvir.

_Sim, estáveis... Harry, sua pressão arterial se descontrolou. Ao que tudo indica, teremos que lidar com um quadro médico que desejávamos evitar. Nada que vá prejudicar os seus bebês – reiterou rapidamente. Não suportaria ver mais lágrimas. – Desde que não ignore os cuidados com a sua saúde. É fundamental que siga a risca a dieta, o procedimento de controle da variação da pressão e, principalmente, Harry Potter, vai me prometer que, sob hipótese alguma, se envolvera em situações potencialmente estressantes ou perigosas.

As palavras de Snape foram duras, o que denotava apenas uma coisa: a sua condição de saúde era, verdadeiramente, preocupante. E constatar a realidade o fez desejar gritar de frustração. Como é que conseguiria evitar qualquer stress ou perigo? Ora, era a sua vida, afinal... Desde que era um bebezinho, fora exposto a momentos dramaticamente estressantes ou perigosos, quando não a ambos! Conteve-se... Não gritou... Mas chorou... Oh, hormônios miseráveis!

_Merlin! — Exasperou-se Severus, já convocando uma poção calmante. – Beba.

O frasquinho com a poção foi virado num único cole, mesmo que o conteúdo em si fosse ignorado pelo moreno. Não queria mais discutir. Sentia apenas uma raiva terrível por, mais uma vez, ser quem era.

_Controle suas emoções, Harry. Sei que é difícil, que estar grávido faz do organismo humano um campo de batalha, mas precisa compreender que o sucesso da sua gestação, em grande parte, dependerá do seu empenho pessoal em manter-se sereno...

_Mesmo que tudo esteja um caos? – E a voz embargada denunciava o quanto o doncel estava anos luz da serenidade.

_Sim, principalmente quando tudo estiver tomado pelo caos. Você, Harry, conseguiu sobreviver a Voldemort, reiteradas vezes, algo que ninguém conseguiu... Portanto, sobreviver aos ciúmes de um veela descontrolado, será mais fácil que as avaliações da Sibila.

Um mínimo sorriso iluminou o rosto do grifinório e Severus lhe bagunçou os cabelos, um gesto que teria deixado Harry estarrecido, quiçá apavorado, caso não estivesse tão necessitado de carinho.

_Pedi a Draco que buscasse Sirius – mentiu Severus. – Seu padrinho vai adorar cuidar de você esta noite. Ai, nossa... Você ficará impossível depois de tanto paparico.

_Draco não está casa?

_Não. O seu marido precisa aprender a controlar melhor a magia veela – e, nesse ponto, pelo menos, disse a verdade. – Não podemos mais colocar em risco a sua saúde ou a sanidade dele, Harry. Sabe, caso Lucius tivesse me ouvido há alguns anos, certamente nada disso teria acontecido hoje. Bom, ao menos não com tamanha intensidade.

Severus esticou o braço na direção da mesinha de cabeceira e pegou um aparelho que, Harry sabia, não fazia parte dos apetrechos do quarto. E sabia mais... Era um aparelho trouxa, vira médicos usando quando ainda vivia com os Dursley. Estava a ponto de perguntar o que afinal fazia aquele aparelho ali, mas o professor foi mais rápido. Sorrindo meio torto, ajustou a parafernália ao braço do grifinório e brincou:

_Curioso... Curioso... Mal consegue resistir, certo Harry? É um equipamento trouxa, como deve saber. A partir de hoje, evitaremos ao máximo usar magia em você, portanto, acompanharemos a evolução da sua pressão com ele. Precisei aperfeiçoá-lo, obviamente, mas agora é preciso e muito eficaz.

Durante alguns minutos, ouviu-se apenas o silêncio. Harry queria fazer tantas perguntas... Como estavam os bebês? Para onde, afinal, Draco fora enviado? A pressão arterial tinha sido estabilizada? Snape teria contado sobre Lucius?

_O senhor contou a Draco sobre...

_Chefe... Sem falar agora, sim? – E mais alguns minutos, Snape parecia até feliz. –Finalmente, por Merlin! Agora sim estou mais tranquilo. Parece que encontrei a dosagem correta. Vou até a cozinha inspecionar o que tem na dispensa e livrá-la de qualquer alimento inadequado que possa, sem querer, chegar as suas mãos. Eu contei a Draco sobre Lucius e ele ficou muito satisfeito, contudo, vocês conversarão depois. Sirius já deve estar chegando. Tome um banho e relaxe, Draco não deve voltar hoje.

_Mas para onde...

_Ele está com as veelas – respondeu Snape para, logo depois, deixar o quarto.



Notas finais
"Eu sou um Weasley e não desisto nunca" - Bradou para si mesmo Ronald Weasley, afundado em meio às pilhas de pergaminho do setor de documentação.