Submisso
22 Capítulo 22 - A Glória Malfoy
Notas iniciais
Capítulo 22 – A Glória Malfoy
_Draquinho? Você aqui? Isso sim merece uma comemoração...
Pansy sorriu ao perceber o efeito do “Draquinho”: um Malfoy entre irritado e coradinho.
_Eventualmente eu teria que aparecer no meu próprio escritório, não é, Parkinson?
_Ui, Parkinson? Estamos irritados, hein? O que foi... Seu esposo delicioso te trancou do lado de fora do quarto?
Draco mirou o teto e se perguntou, pela milésima vez, porque ainda mantinha Pansy trabalhando com ele. Ah, ela era extremamente competente... É, talvez esse fosse o único motivo.
_Será que, eu me pergunto, no seu curso expresso de Administração Empresarial Bruxa, com ênfase em Mercados Encantados, eles não ensinaram algo ligado à hierarquia?
_Ora, eles tentaram – e riu. – E não foi tão expresso assim. Foram dois longos anos, mais o estágio, que você, gentilmente, permitiu que eu fizesse aqui mesmo. E, não esqueça que eu já trabalhava na área, desde os 15 anos. Então, não foi realmente uma novidade tudo o que a Faculdade ensinou. Bem, senhor Malfoy, os balancetes estão todos aí, sobre a mesa. O seu café rotineiro está ao alcance das mãos e já estou pronta para detalhar o que vem acontecendo nos negócios, ainda que já possa adiantar que os lucros são sólidos e crescentes. Apenas me surpreendi com a sua chamada. Como o semestre começa em breve, pensei que estenderia as férias e curtiria um pouco mais seu recém-vínculo – e indicou a cadeira da presidência, na qual o chefe se sentou, sendo acompanhado pela loira, que logo arrastou uma cadeira e se uniu a ele.
O café estava agradável, como sempre, acompanhado por biscoitos de aveia que Draco simplesmente amava. Pansy era a melhor funcionária do mundo, por isso era igualmente imprescindível. Era seu braço direito e esquerdo... Além do que, a loira estonteante era também sua amiga particular, o que justificava as demasiadas liberdades que tinha, assim como a total e completa falta de respeito à “hierarquia”. Não que Draco, realmente, se importasse.
_Meu esposo decidiu me ignorar hoje, disse que queria passar um tempo com o padrinho e que depois, se fosse possível, iria pajear um dos agregados dos Weasley – mandou Draco, o veneno destilado em cada sílaba.
Pansy apenas sorriu de leve e lhe acariciou o braço, depois lhe passou o primeiro balancete, começando a explicar os dados com sólido conhecimento. Entre uma análise e outra, a loira lhe dava alguns conselhos: “acho ótimo que Harry tenha ido visitar o padrinho. Família é muito importante”, “por favor, Draco, controle o seu veela ciumento. Ambos conhecemos muito bem o seu digníssimo esposo. Ele é independente, tem uma atitude desbravadora... Enfim, todo um encanto! E, claro, o Eleito tem amor suficiente para o mundo inteiro. Só que você é especial para ele, Draco, como eu venho dizendo desde Hogwarts”, “dome o seu veela possessivo, ou vai sufocá-lo. Leões são agressivos quando encurralados"... E foram se passando balancetes e conselhos, puxões de orelha e mais um sem fim de sandices que proliferavam da mente bastante perspicaz da amiga.
_Pansy, eu não vou ficar ouvindo conselhos sexuais vindos de você!
_Conselhos nunca são demais, ora! E não se faça de puritano comigo. Eu sei muito bem que a sua fama, príncipe da sonserina, sempre foi muito bem fundamentada. Então, quando você estiver fodendo bem gostoso o seu idolatrado Harry...
_Pansy! Que linguajar é esse? Acho que você tem mesmo andado muito com Blaise. E, por Merlin, você está falando do meu esposo!
_Ah, então você não pretende foder o seu esposo? – E ao que Draco chegou a perder o ar, desatou a rir. – Ai, ai, Draco. Desculpe... Só que é tão bom ver você assim... Sem graça...
_Sabe qual é a sua sorte, Pansy? É ser uma ótima profissional.
_Ótima, não, carinho... Excelente! Única e insubstituível!
_Esqueceu-se do humilde, modesta...
A loira apenas sustentou um ar tão esnobe quanto o dele e sorriu. Depois o beijou na bochecha. Costumava fazer o gesto carinhoso quando queria dizer que gostava muito dele. Ao contrário do que muitos julgavam, Pansy era uma manteiga derretida no quesito “amigos”.
_Sabe, Draquinho, Eu só troquei algumas palavras com o Harry. E olha que vocês nem estavam completamente vinculados ainda. Ele é o seu escolhido, está carregando o seu herdeiro e nós, os seus amigos, mal o conhecemos de verdade.
O loiro gelou. Já imaginava que Pansy iria exigir algo naquele estilo, contudo, tentou estender ao máximo o momento. Sabia que Parkinson, Zabini e Nott, cedo ou tarde, exigiriam participar amis ativamente da nova vida que levava o que, na verdade, era muito justo. Eram seus únicos e verdadeiros amigos. E a amizade só se reforçou com a perda Crabbe e a morte prematura de Goyle, pouco depois do fim da guerra.
_Certo, Certo... Sei que já deveria ter possibilitado um maior contato entre vocês, contudo... Foram tatos os problemas, você sabe do que falo.
_Claro que eu sei, Draco.
_Conversarei com Harry e marcaremos um encontro, um chá, ou um jantar, não sei ainda, em Malfoy Manor... Até o final da semana.
Pansy sorriu de forma arrebatadora e feliz. Desejava imensamente a oportunidade de retirar a má impressão que os anos de escola, sem mencionar as atitudes que tinha, deixaram em Harry Potter sobre a sua pessoa. Obviamente, ela contribuiu para essa péssima imagem, mas o tempo passou para todos. Amadureceram e perceberam o quão equivocadas foram certas atitudes.
_Li as últimas notícias do Profeta – começou a mulher, mudando completamente de assunto. – A Skeeter sofreu um atentado. Terrível, não é?
Os olhos escrutinadores da amiga o avaliavam e Draco só pôde respirar fundo. Pansy o conhecia muito bem. Talvez, bem em demasias. A mulher não disse mais nada, apenas aguardou que Draco começasse a relatar sua opinião a respeito, embora soubesse exatamente o que ouviria.
_A vaca loira mereceu, Pansy. Não tenho nenhum problema em afirmar isso. Talvez soe como um ato extremamente frio da minha parte, mas não consigo simplesmente esquecer que a Skeeter contribuiu para o que aconteceu ao meu pai, para os problemas que venho enfrentando em casa... Todos os dias chegam dezenas de cartas, presentinhos para o bebê, ameaças... Tudo porque aquela futriqueira tornou público o nosso casamento e a condição do meu esposo.
_Agradeça a Merlin ela não ter descoberto nada sobre o fato de você ter uma herança veela. Aí, certamente, além de presentinhos e cartinhas, você já teria uma fila de mulheres e homens na sua porta desejando casamento.
Draco riu com gosto, lembrando-se do pequeno ataque de ciúmes do esposo, quando fora informado de que, pela lei, um varão veela podia ter até três companheiros oficiais. Na verdade, esperava que Harry não se aprofundasse muito nas leis que beneficiavam os veelas. Fleur Isabelle Delacour Weasley também tinha uma herança veela poderosa e, assim como ele, igualmente poderia se beneficiar das regalias que a lei bruxa inglesa lhes fornecia.
O que Harry pensaria da condição inusitada de Bill Weasley, caso descobrisse que o filho mais velho de Molly também poderia ter que dividir a atenção e os carinhos da esposa com mais dois maridos? Ou esposas, visto que veelas, varões ou não, tinham a capacidade deixar seus parceiros grávidos (sendo mulheres ou homens)? Ria-se só de pensar na mente, às vezes, por demais trouxa do esposo.
_Não me arrependo de nada, Pans, muito menos de ter feito exigências a Cuffe.
_E se os aurores...
_Não me fale em aurores. Já basta ter que aturar o projeto de auror, Rony, me olhando como se eu fosse um bicho raro só porque a nova queridinha do Harry...
_Queridinha do Harry? Draquinho, eu estou perdida aqui... Do que, por Merlin, você está falando?
_Nada, nada... Só que Harry não ficou muito feliz quando notou minha “relativa insensibilidade” sobre o que aconteceu à Skeeter, mas ele é todo um grifindor de coração, não me entenderia nunca.
_Como eu disse, Draquinho, o seu esposo tem amor nele para o mundo inteiro.
_Eu sei, mas não consigo compartilhar dessa qualidade. Sou rancoroso sim, admito. Se não fosse pela campanha deflagrada pela Skeeter, eu teria tido chances maiores de conseguir um indulto para o meu pai. Ou então, na pior das hipóteses, teria conseguido enterrá-lo em casa, junto de minha família.
Draco não podia conter a raiva carregada em cada palavra, nem conter os dedos que, nervosos, se contorciam, como se faltasse neles algo muito importante. A funcionária exemplar apenas lhe segurou as mãos, ofertando-o com outro carinhoso beijo na bochecha, um sorriso tímido decorando o rosto.
_Não se entristeça mais com o que não pode ser mudado, meu amor. Resigne-se. O brasão dos Malfoy está com Lucius, nas profundezas de Azkaban... E com ele permanecerá, pois só você, seu herdeiro, pode reclamá-lo. Lembra-se do feitiço, Draco?
_Há algum sangue puro que o tenha esquecido? Lembro-me de tê-lo realizado pela última vez quando fui absolvido pela Corte Bruxa. Tive certeza de que meu pai estava vivo e carregando o brasão. Porém, desde o dia em que Severus me contou que meu pai tinha morrido... Ah, eu não tive coragem de voltar a pronunciar o encantamento. Para quê? Eu simplesmente sentiria o vazio da ausência de Lucius, sem que pudesse, nem ao menos, herdar sua honra, seu brasão, e enterrar o corpo dele em Malfoy Manor...
_De fato, não é uma sensação agradável. Nunca gostei de sentir o peso desse anel em meu dedo! – E apontou para um anel delicado, com o brasão da nobre família Parkinson. – Preferia ter meu pai aqui, Draco. Mas o meu pai, assim como o seu... Ah, eles se equivocaram tanto, não é mesmo? Tentamos avisá-los, ajudá-los... Mas éramos tão jovens... Vacilamos e, no começo, nos deixamos levar pelo canto da sereia que é a oferta de poder e glória...
_Harry nunca vacilou em sua obstinada empreitada, não é, Pans?
_É verdade. O seu esposo sempre foi o melhor de todos nós. Por isso, não o perca.
A mulher apenas divagou um pouco sobre a grande verdade que Draco lhe dissera. É, era mesmo a mais pura verdade. Harry Potter sempre fora irredutível em sua determinação para acabar com as Trevas.
_Apesar de tudo, eu queria tê-lo, como você Pans, a relíquia da família, bem aqui em minhas mãos. Contudo, conforta-me saber que só quem pode retirar do dedo de meu pai esse anel sou eu, seu herdeiro, ou o meu herdeiro, o futuro neto de Lucius Malfoy. Ah, Pans, como ele gostaria de estar aqui agora para ser avô. Minha mãe também...
_Draco, com ou sem brasão, eles estão conosco... Sempre.
Os olhos de Draco brilharam com todas as possibilidades que nunca seriam vividas... Deixou-se confortar um pouco pelo calor e lealdade da amiga, antes de solicitar mais um café e voltar ao trabalho, a mente imaginando, vez por outra, sobre o que esposo estaria fazendo longe dele. “Tomara que então esteja se entupindo de porcarias”, foi o que pensou, seu veela preocupado e irritado por estar tanto tempo longe dele.
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_Harry, mesmo que esteja com tanto desejo, não é saudável se empanturrar de chocolate com... Tomate...
Harry virou os olhos para alto, sendo imitado perfeitamente por Teddy, que agora sustentava uma cabeleira igual à de Harry. Segundo Lupin, em mais alguns meses o filho estaria realizando transformações mais complexas, graças à herança genética recebida de Tonks.
Teddy era afilhado de Harry, um desejo que tanto Lupin quanto Tonks ansiaram por concretizar. Padrinho e afilhado se viam com muita frequência, ainda que, nos últimos tempos, devido principalmente aos problemas de saúde do moreno, Teddy andasse impossível. “Papai, por que o padrinho não vem me ver?”, “papai... meu padrinho está de mal comigo?” E foram tantas as perguntas que Remus decidiu, simplesmente, contar que o “amado padrinho” estava doente, mas que já estava melhorando. E que ele tinha ficado um “pouquinho” diferente, mas que essa mudança em nada seria um problema.
“Diferente... Ele está com o cabelo roxo igual ao da mamãe?” Ah, Teddy era inacreditável. De onde saíam aquelas perguntas? Lupin sempre se perguntava... Pensou que o filho estranharia a versão doncel de Harry, mas o garoto, surpreendentemente, encarou a transformação muito bem, acostumando-se rapidamente à mudança física do padrinho e, vez por outra, brincava com ele, chamando-o de dinda.
Já fazia mais de duas horas desde a partida de Snape e o moreno mal conseguia se controlar de tanta ansiedade. Antecipou um pouco o assunto com Remus, mas o lupino pouco ou nada sabia sobre a aproximação de Lucius Malfoy com a ordem, contudo, foi muito consistente em explicar a Harry tudo o que havia acontecido no pós-guerra, naqueles momentos tenebrosos onde ele mesmo, a princípio, largou-se à apatia e depois se dedicou a Hogwarts, esquivando-se de qualquer contato mais íntimo com as violências e desgraças produzidas por Voldemort.
Lucius Malfoy foi julgado imediatamente, sem que se respeitasse a ampla defesa. O mesmo aconteceu com uma dezena de outros comensais que faziam parte do círculo íntimo de Lorde Voldemort. Apesar das vozes dissonantes, relembrando que todos, mesmo os comensais, mereciam um julgamento justo, as mesmas forma silenciadas pela maciça campanha “Joguem aos dementadores”, partindo principalmente do Profeta Diário.
Assim sendo, Lucius Malfoy fora despojado de sua riqueza, sendo a mesma redirecionada a Narcisa – beneficiada com um indulto por ter salvado Harry Potter – e a Draco, inocentado de todas as acusações devido a atuação brilhante de Severus que, ao perceber que o afilhado teria o mesmo destino do pai – julgado sem nem ter a chance de se defender – questionou a Corte sobre o fato de Draco ser menor de idade na época em que os fatos ocorreram, devendo, portanto, ser deferido a ele, no mínimo, um julgamento que respeitasse o contraditório.
“A Corte Bruxa titubeou, reclamou, mas acabou cedendo, em especial depois que você, Harry, o Eleito, declarou que sem Severus Snape a guerra nunca teria sido vencida”, foi o que Lupin lhe relembrou. E que, de fato, era mesmo verdade. Precisou esclarecer o papel de Severus, pois queriam encarcerá-lo.
Draco então foi julgado e inocentado e voltou à Hogwarts. Contudo, agora o moreno sabia que seu veela guardava rancor – e muito – por não ter tido sucesso em minimizar os traumáticos acontecimentos do pós-guerra, no caso, por não ter conseguido que o pai tivesse pelo menos um julgamento adequado. Segundo Remus, Severus sempre afirmou que existiam provas favoráveis a Lucius. No entanto, os doutos membros da Corte, com a sana de fazer a tão aclamada justiça, cometeram igualmente algumas injustiças ao ignorar a própria lei e, praticamente, promover um tribunal de exceção.
Pelo que ele mesmo vivenciou em Hogwarts, pouco depois de preso e sentenciado à prisão perpétua, Lucius Malfoy falecera em Azkaban. Desde então, sentia-se preso num turbilhão de acontecimentos desconexos que o levaram até aquele momento: ele, na cozinha de Snape, rodeado por Remus, Teddy e um padrinho-cachorro, se fartando com chocolate e tomates. É, a vida era mesmo estranha e imprevisível.
_Potter, por favor, me diga que você não está comendo chocolate... – A voz de Severus ecoou pela cozinha.
O professor entrou veloz no recindo e cheio de autoridade arrebatou o “lanchinho” do moreno, fazendo-o desaparecer em seguida. O moreno em questão bem que tentou reclamar, mas o olhar fulminante do padrinho de seu marido o fez engolir qualquer provável queixa.
_Não me recordo de ter autorizado chocolates na dieta que lhe prescrevi. Acredito que é oportuno marcarmos uma consulta médica... O quanto antes. É evidente que anda burlando as recomendações. Chocolates com tomates, por Merlin! Você está grávido, Potter. Se não é capaz de seguir uma simples dieta alimentar, como cuidará de uma criança?
Remus apenas encarou Severus, mas já era tarde demais para evitar a tragédia. Harry, a despeito do que o próprio pocionista imaginava, não esbravejou, nem nada do tipo. Contudo, o semblante feliz do grifinório se esfumaçou em instantes e lágrimas sentidas transbordaram dos olhos verdes logo depois.
_Padrinho, não chora não – pediu Teddy.
O filho de Lupin, mesmo sem entender muito bem o conteúdo da conversa, tirou as suas próprias conclusões. E então, cheio de pose, Teddy desceu apressado da cadeira na qual estava e entregou ao padrinho o último pedaço de chocolate de que dispunha.
_Toma... – O olhar mais que enfurecido lançado a Severus. – Come o meu, padrinho.
_SIRIUS!
Foi difícil não rir depois que o cachorrão urinou nas vestes de Snape. Harry voltava a chorar, mas de tanto dar gargalhadas. Entre aplausos de Teddy, latidos raivosos de Sirius e tentativas de Lupin em salvar o cachorro de ser tosado em plena cozinha, o grifinório não pode deixar de sorrir, imaginando que seus hormônios estavam mesmo descontrolados e que talvez, só talvez, devesse fazer uma análise mais profunda de sua saúde. Cair no choro porque tivera os chocolates arrebatados? Por Circe, nem quando Duda lhe dava uns socos agira assim!
_Vá para o quarto, Sirius! – E por algum estranho motivo, Sirius abaixou as orelhas e obedeceu bem depressinha. – Pulguento... – Resmungou Snape, limpando, mais uma vez, as vestes.
_Minerva ajudou de alguma forma? – Perguntou Remus, mais para evitar cair na risada novamente do que por estar, realmente, tão interessado. Até porque, já imaginava que apenas uma boa poção calmante livraria Sirius da transformação. O grande problema era a recente febre e a debilidade dela decorrente.
_Algo semelhante aconteceu com ela, duas ou três vezes ao longo dos anos nos quais pratica a arte da animagomagia. Em momentos de grande felicidade, de êxtase incontrolável, o bruxo animago pode sim transformar-se, sem desejar, na forma animaga. McGonagall inclusive me emprestou alguns livros sobre o assunto, no entanto, foi categórica ao afirmar que uma boa noite de sono é o mais indicado. Sendo um caso extremo, mencionou ainda que uma forte poção calmante pode ser de grande ajuda.
_Será que uma poção calmante afetará a saúde de Sirius?
_Não sei, Remus... McGonagall contou que, quando foi contratada para trabalhar em Hogwarts, a imensa felicidade a deixou presa na forma animaga por três dias e noites completos.
Remus tocou o ombro do amigo e aproveitou o repentino cessar da conversa para obrigar Teddy, que tinha chocolate até no cabelo, a tomar banho. O garoto se despediu de Harry e, ainda com um olhar atravessado para Snape, se deixou levar da cozinha.
_Mais controlado?
_Sim, desculpe pela cena. Eu, eu...
_Você está grávido. E, bem... Eu deveria ter sido mais cuidadoso ao lhe falar. Portanto, também lhe devo desculpas.
O moreno ficou estarrecido. Snape... Pedindo desculpas... E para Harry Potter. Oh, Circe! O mundo chegava ao fim... O chão ia se abrir e dele brotariam mandrágoras cantantes usando tutu rosa, gritando que Snape era o fã nº0000001 do fã-clube “POTTER RULES”, uma das associações de jovens bruxos mais populares atualmente.
_E eu não deveria comer chocolates com... Tomates. Esses desejos estranhos... Eles me cegam, professor. Não consigo me controlar.
_Harry Potter, você venceu o Lorde das Trevas, portanto, controlar a si mesmo não deve ser algo tão difícil. Contudo, entendo que a gravidez pode trazer uma infinidade de comportamentos estranhos. Em especial, os desejos que acometem as futuras mães ou pais, no seu caso. Apesar de serem até engraçados, esses desejos podem mascarar alguns problemas de saúde.
_Meu bebê está doente? – E os olhos verdes voltaram a brilhar com lágrimas contidas.
Snape teve vontade de arrancar os próprios cabelos com uma pinça, a cabeça cheia de dúvidas: será que era muito difícil não se desesperar? Teria que produzir litros de poção calmante? Teria que deixar a todos chapados, para conseguir manter uma conversa tranquila e racional?
_Acalme-se, Harry. Eu não disse absolutamente nada sobre o seu bebê estar doente. Em alguns casos, os desejos esquisitos são nada mais que desordens alimentares que ocorrem no período de gestação. Esse tipo de distúrbio acomete também gestantes trouxas. Não há uma compreensão completa do porquê dos desejos ocorrerem, contudo, as miscelâneas, essas combinações nada convencionais de alimentos que andam lhe afetando, são muito comuns e podem mascarar a anemia ou alguma deficiência na absorção de nutrientes, dentre outros possíveis – e não prováveis – problemas... – Silêncio total foi o que teve como resposta à explanação. – Portanto, creio ser necessário realizarmos novos exames, exames de rotina, começando imediatamente o seu pré-natal.
Por mais alguns minutos Harry nada disse, até cabecear positivamente, alegrando Severus. O semblante do rapaz parecia muito mais calmo e, por Merlin, não queria nem imaginar um veela furioso lhe questionando sobre as lágrimas do esposo idolatrado. Já tinha problemas demais para lidar, em especial, com o pulguento mijão que mandara para a casinha, ops, para o quarto.
_Disse que desejava obter informações sobre Lucius Malfoy. Poderia me dizer seus motivos, Harry?
O grifinório respirou fundo e começou a falar. Começou contando sobre o grande ressentimento de Draco e terminou dizendo que estava disposto em levar o caso à Corte Bruxa, se assim fosse necessário. Contrataria advogados, falaria com políticos, pouco importava. Não mediria esforços para realizar o desejo do marido.
Destacou ainda que estava disposto até a ir cobrar do ministro uma ação direta, um decreto, o que fosse... Não importava! Nada mais importava... Se tivesse que usar da própria imagem, algo que nunca fizera, dessa vez o faria. Faria qualquer coisa para ver Draco menos triste.
_Sentenciados que cumprem pena em Azkaban, lá permanecem eternamente. Para retirar o corpo de Lucius Malfoy da prisão, terá que obter um indulto para ele, ou seja, um perdão completo que o livre de qualquer acusação, que o inocente. Para tanto, será necessário iniciar um processo ante a Corte Bruxa, o que talvez não seja possível, visto que Lucius Malfoy foi considerado culpado.
_Ele não teve direito a julgamento. Não pôde se defender.
_Esse direito não lhe foi concedido, nem a muitos. A mim, inclusive, tentaram condenar sem julgamento, ao que lhe agradeço profundamente por ter evitado – e riu-se ao perceber que Harry ruborizou. – O meu caso era muito diferente, é claro. Havia um sólido testemunho a meu favor, o seu. No caso de Lucius, bem, poucos souberam da atuação dele em favor da ordem. Dumbledore, Moody, Arthur Weasley e eu, além de uma série de lembranças muito bem guardadas pelo diretor e que se encontram, atualmente, sob minha responsabilidade. Alvo sempre foi astuto, Harry... Sempre esteve um passo na nossa frente.
_Com tantas provas, por que não soltaram Lucius?
Snape encarou bem fundo a inocência daquela imensidão verde e entendeu, oh, por Merlin, entendeu perfeitamente o porquê de Draco tê-lo amado desde tão cedo. Harry Potter era uma espécie única, rara e incrivelmente cativante de ser humano. Era um exemplar em falta na atualidade. Lembrava-lhe tanto Lily.
_Porque, Harry, a justiça nem sempre é, de fato, realizada pelos membros da Corte Bruxa. Não estou afirmando que Lucius Malfoy era, de todo, inocente. Ah, não. Lucius pode sim ser culpado por desejar o poder e a glória, mas o nobre sangue-puro pagou caro – e bem cedo – pela própria ambição desmedida. Lucius e Narcisa se tornaram prisioneiros do Lorde, foram coagidos e nem o filho deles foi poupado, sendo obrigado a levar a termo a vida de Dumbledore. Disso, ambos sabemos, assim como sabemos como terminou... Todos nós fomos peças bem movidas por Alvo. O que é relevante ao caso de Lucius é afirmar que sim, ele fez, de fato, parte da Ordem da Fênix. Muito antes dos desenlaces finais da guerra, Lucius já tinha se voltado para o nosso lado, articulando suas ações contra o Lorde.
As palavras de Snape lhe trouxeram memórias daqueles anos, não tão distantes assim. Lembrou-se da batalha final e de como os pais de Draco estavam desesperados para saber dele, para salvá-lo...
_Findada a guerra, sobrevieram meses complicados. Eu fui livrado das acusações e precisei ser rápido para proteger Draco. Havia um clamor popular pela condenação dos comensais... A lei foi aplicada, contudo, de forma deturpada, atendendo, em muitas situações, aos interesses políticos, como até hoje continua a ocorrer.
_Não... Não deveria ser assim.
_Ah, Harry... Há uma diferença absurda entre o que mundo deveria ser e o que, na verdade, o mundo é. Aconselho-o a, primeiramente, consultar um bom advogado. Como eu disse, as memórias sobre Lucius estão sob minha responsabilidade, portanto, estarão a seu dispor. Draco pode lhe conseguir um bom advogado e...
_Não, não... Professor, eu não quero que Draco saiba – e ao que Snape arqueou a sobrancelha, explicou. – Já houve frustação demais para Draco. Não quero contar nada a ele antes de, realmente, conseguir o indulto e iniciar o translado de Azkaban. Não desejo gerar falsas expectativas, entende?
O jovem a sua frente, de verdade, amava o seu afilhado. Aquela atitude só demonstrava isso. Draco tinha sorte, muita sorte. Snape apenas o mirou, admirando-o mais ainda, contudo, nunca – nem sob tortura – admitiria tal aberração. Severus Snape admirando Harry Potter? Por Merlin! Era bizarro...
_Por favor, não conte a Draco.
_O que eu não devo saber, Harry?
O moreno apenas se virou e viu o seu marido ali, parado na entrada da cozinha, um ar de “te peguei” estampado naquele rosto esculpido pelos deuses. Votou-se para Snape, os olhos vidrados, suplicando mudamente para que o narigudo nada dissesse.
_Harry, aparentemente, não consegue se controlar, Draco. Mal adentrei a cozinha e o encontrei burlando a dieta de forma desonrosa. Chocolates com tomates... Consegue acreditar?
O loiro apenas deu alguns passou em direção ao esposo que, mesmo agradecendo internamente ao professor por tê-lo acobertado, não podia deixar de perceber a felicidade maldosa, com a qual a língua ferina de Snape contara que ele, o grávido sob uma rigorosa dieta, tinha se empanturrado de chocolates com tomates.
_Harry – e virando o rosto do moreno para a sua direção, continuou. – Chocolate e tomate? Nada de mostarda preta com ovos ou sorvete com azeitonas pretas? Nossa, é todo um progresso! – E o beijou, necessitado.
_Oh, por Merlin, Draco. Você deveria ser o primeiro a controlar o seu esposo. Mostarda, azeitona... Harry Potter, sua situação está mais crítica do que eu pude vislumbrar. Amanhã mesmo irei a Malfoy Manor fazer os exames de rotina e começar o seu pré-natal.
_Eu já tentei controlá-lo, padrinho, mas estamos falando de Harry Potter. Vamos para casa, amor? Você me abandonou o dia inteiro... Eu quero jantar... Estou com muita fome... – E voltou a beijá-lo, sem nenhum pudor.
Snape apenas olhou para o alto, rogando a qualquer ser que impedisse o veela de marcar como dele o jovem de olhos verdes, bem ali, na sua frente. Não merecia isso, não mesmo. Não depois de ter Sirius bancando o poodle surtado, desde que chegara a casa. As costas ainda doíam por ter sido jogado na grama com tamanha brutalidade.
_A lareira, afilhado, fica lá na sala, não entre os lábios do seu amantíssimo esposo.
Os dois se separaram. Harry sustentava um rosto na tonalidade vermelho grifinória. Estava tão envergonhado pelo comentário que apenas agradeceu ao professor e, timidamente, correu depressinha para a sala.
_Padrinho, o senhor falou em exames... Harry se sentiu mal?
_Não, afilhado despudorado. Apenas devemos começar o pré-natal e avaliar como está a saúde do seu esposo. Nada que fuja dos padrões de uma gestação.
_Que bom. Então, até breve, padrinho.
_Até, Draco. E... Não coma demais, ou com muita pressa – e sorriu malicioso. – Pode se engasgar.
Draco riu com gosto e logo alcançou Harry, que já o aguardava na lareira. Instantes depois, a majestosa sala de Malfoy Manor tomava o horizonte. Aparatar não era mais uma opção para o moreno, cujo estômago declarara uma guerra feroz ao meio de transporte mais comum entre os bruxos. E, a julgar pelos móveis girando, seu estômago parecia estender a animosidade à rede de flu.
Com presteza, Draco o agarrou pela cintura, conduzindo-o direto ao sofá. As mãos do esposo estavam frias e o rosto ficou mortalmente pálido em fração de segundos. Imaginou que as náuseas voltariam com força, mas, para a sua surpresa, o moreno se pôs a respirar lentamente, tentando – e tendo sucesso – se recompor.
_Parece que nosso filho não gosta nada dos meios de transporte bruxos – brincou o loiro acariciando o ventre do esposo que, sem nem perceber, se aproximou mais do marido, abraçando-o.
Os carinhos se aprofundaram, ali mesmo, no sofá. Um beijo quente e urgente deu sequência a muitos outros e, rapidamente, Harry já estava sem nada que lhe cobrisse o tórax. Nada além de Draco Malfoy, é claro.
_Draco, espera... Huuuum... Draco, estamos na sala...
O loiro ignorou os pedidos e avançou para a parte de baixo das vestes do grifinório, arrancado-as apressadamente. Ah, estava faminto... Completamente esfomeado... E só aquela pele delicada, marfim e tão degustável era capaz de saciá-lo. Começou pelos dedos dos pés, deliciosos... Chupou um a um, com total calma e prazer, enquanto ouvia gemidos num tom cada vez mais alto.
“Draco... Draco”. Era só o que os lábios de Harry, incontroláveis, pronunciavam. Principalmente porque o dono do nome em questão não fazia a menor questão de, sequer, respirar. Tinha o corpo eletrizado pelo prazer. Ainda que, ao mesmo tempo, lutasse contra o desejo de correr dali e se esconder embaixo dos lençóis. Sentia-se exposto, sem contar na possibilidade – bem real – de que alguém irrompesse da lareira.
Beijos estalaram pelas pernas bem torneadas, subindo para membro do grifinório que, agora, sustentava bochechas coradas e arfava, os olhos já livres das lentes, o verde reluzindo demandante em meio às sensações desencontradas.
_Harry... Ansiei por esse momento o dia inteiro. Estava louco para ter você assim, a meu dispor.
Harry deixava-se manusear, beijar e lamber. Não ligava mais. Quem se importava se alguém apareceria pela lareira? Que adentrassem pela sala e observassem! Que mirassem, bem de perto, como Draco engolia o seu membro com habilidade, subindo e descendo, gentilmente. No começo, sem pressa e logo se tornando algo brusco, sugando forte ao ir e voltar, da base à cabeça.
“Huuuuum”... Perfeito... Seu marido era perfeito na arte de lhe dar prazer. A magia veela transbordava de Draco e o envolvia, fazendo-o enlouquecer. E aqueles lábios, aquela cavidade quente... Ah, foi inevitável derramar-se naquela boca atrevida. Mal se recuperou, Harry teve as pernas erguidas e foi invadido... Deliciosamente invadido.
As estocadas já começaram num ritmo intenso. E ele apenas se adaptava ao marido. Sabia o que Draco desejava, sempre sabia. O loiro estava ansioso, desejoso, inquieto e precisava dele, do amor dele e da total e completa entrega. Com um veela tão exigente de atenção, pôde apenas retribuir todo o amor que lhe era despendido, aceitando-o, dobrando-se à vontade dele.
Ah, Harry já tinha compreendido fazia tempo que deixar-se envolver daquela forma não era, em nada, ruim. Draco nunca lhe faria mal. Haveria prova maior desse fato a que, agora, naquele sofá, se vislumbrava? Mesmo ávido por meter-se nele indefinidamente, lá estava o cuidado com seu ventre, evitando pressioná-lo demais, protegendo-o para que não fosse, literalmente, amassado contra o sofá devido à força empregada.
Draco estava tão necessitado que tinha dificuldade para se decidir... Afundar-se em Harry, ou beijá-lo? Mantê-lo embaixo de si, ou agarrar com ímpeto aquele corpo quente e libidinoso e colocá-lo por cima, para assim admirá-lo enquanto o segurava forte, deixando claro quem era o seu dono, e penetra a sua entrada apertada, uma e outra vez?
_Aaaaah!
Os gemidos de Harry só atiçavam mais seu veela... A magia agora sacudia os dois. Gotinhas de suor deixavam a pele de ambos perolada, fazendo-os reluzir. Draco, por fim, se decidiu e abraçou o esposo com força, sentando no sofá, com o grifinório colado a ele. As penetrações se intensificaram ainda mais profundas.
Os beijos viraram mordidas e o moreno já gritava, as estocadas atingindo pontos cada vez mais profundos dentro de si, os lábios proferindo incoerências. Não enxergava nada além dos variados tons de cinza daqueles olhos tão expressivos, quando se dispunham a tal. Como acreditar na perfeita máscara de frieza, sustentada pelo nobre Malfoy, quando os seus próprios olhos verdes o permitiam encontrar as rachaduras, as falhas descaradas... Como acreditar que o seu atencioso marido era tão “glacial”?
Ah, não... Seu marido era pura lava. E quando o preenchia daquela forma... Tão urgente... Transbordava em calor e o aquecia também, fazendo-o desejar estar assim, junto dele, uno com ele, para sempre, prolongando eternamente a entrega. Contudo, era impossível estendê-la por mais tempo. Sentia-se escorrer inteiro ao ser, repetidamente, alçado e afundado contra toda a dureza de Draco...
“Harry... Meu... Só meu.”
Assim era Draco. Amoroso, atencioso e muito... Possessivo. Esse era o maridinho metido e bom de cama e que, evidentemente, também era dele, só dele – e lembrou-se que esse foi seu último pensamento coerente antes de manchar o espaço entre ambos de um líquido branco, ao passo que sentia o marido derramar-se em si, abraçando ternamente e beijando-o como se no mundo existissem apenas Harry e Draco, nada mais.
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