Submisso

23 Capítulo 23 - Gemialidades


Notas iniciais
Como o anterior, temos o andamento dos acontecimentos previamente iniciados. Quem está mega-ultra-power-turbo curioso para saber sobre o (s) mistério (s) paralelo (s), terá que aguardar um pouco mais.
Bem, eu me esforcei, mas não sei se esse capítulo vai agradar tanto... Não é tão hot quanto os outros, mas é fofinho! (rsrs) E há Draco e Snape com as típicas tiradas de sempre.
>>>Sei que defini a o fds como momento de atualizar, mas consegui concluir hoje e, não resistindo, já estou postando.
ESPERO QUE GOSTEM!
Até breve...
Sem mais, GEMIALIDADES!

Capítulo 23 – Gemialidades



Desde que começou seu estágio antecipado no Quartel-General de Aurores, a dupla estrela, Nulan e Drake, o provocaram com o caso que apenas agora podia acessar livremente. Deve ter feito tudo certo para que seus superiores o julgassem capaz para vislumbrar aqueles pergaminhos. A dupla trabalhava no caso fazia pouco tempo, um muito importante, que segundo as investigações preliminares envolvia um reagrupamento de antigos comensais da morte.



Pensou que não teria acesso ao caso tão cedo, ainda mais agora, com o ataque à Rita Skeeter e a Ivan Voronin. Sem falar em Madeleine e na necessidade de saber o que a garotinha tinha visto. E em meio a todas essas questões, ele ainda estava investigando outro caso, mais um proveniente da “Caixa de Pandora”, dando continuidade a regularidade do seu trabalho como estagiário.



Sobrecarregado e já imaginando que Nulan e Drake o estressariam por não ter tido tempo de estudar o caso com profundidade, resignou-se... Não havia mesmo muito mais o que fazer. Não teve nem a noite tranquila que pretendia ter, pois, ficou conversando com o casal Potter-Malfoy até mais tarde do que imaginava... Enfim, não conseguiu manter os olhos abertos por mais do que uma hora depois de ter se despedido de Harry e Draco.

Acordou com a cabeça afundada nos pergaminhos cheios de informações sobre ex-comensais indultados, a maioria de participação secundária na guerra – nem o Lorde das Trevas os classificaria, de fato, como comensais – encontrados mortos. Somavam-se quatro vítimas desde que a guerra acabara. Tudo era realizado com muito cuidado e sem pressa alguma.

Fosse quem fosse o autor dos assassinatos, ah... Era um desgraçado inteligente e muito meticuloso, decididamente atento aos detalhes. Além do mais, tinha recursos, já que fora capaz de matar em três países diferentes e chaves de portal eram custosas. Pelo pouco que estudou das informações, havia uma única provável testemunha, mas a mesma se encontrava internada em St. Mungos, a beira da loucura.

A testemunha em questão, uma mulher de meia idade, dizia incoerências desde que fora encontrada e, pelo que compreendeu, os psicomagos que a trataram definiram o caso como “dano irreparável à mente, provavelmente causado por um feitiço”. Qual feitiço? Não havia informação... "A mente está um caos, não há coerência alguma. É inviável tentar traçar alguma lógica em meio a tantos pensamentos desordenados” e muito mais desse blá, blá, blá...

Fora isso, a sua própria mente sobrecarregada ainda encontrava espaço para pulsar com informações sobre o caso no qual ele mesmo vinha trabalhando, um dos males ao mundo. Uma série de crimes ocorridos no mundo trouxa que, sem nenhuma sombra de dúvida, tinham sido causados por bruxos ao longo dos últimos dois anos. O fato de ser um caso recente e ainda em aberto lhe causou estranheza, já que a maioria dos papéis velhos daquela caixa datava do período da própria guerra. Talvez, e nisso havia apenas especulação de sua parte, tivesse sido deixado de lado por envolver o mundo trouxa e, em meio aos anos conturbados de caça aos comensais, assaltos no mundo trouxa não eram, nem de longe, prioridade.

A imensa maioria dos testemunhos apontava para um único suspeito: homem, alto, possivelmente quase 1,80 m de altura, talvez na casa dos 40, de compleição esquálida (algumas vítimas mencionaram que aparentava estar prestes a desfalecer), cabelo loiro platinado, olhos frios, que variavam em tons cinza de chumbo.

Já o restante das informações era, de fato, curioso... Boa parte das vítimas descreveu com precisão a força daquele olhar, assim como, em alguns momentos, uma sombra estranha por trás das íris. "Anormal”, "Só pode ser uma droga nova. Tão estranho”, "Ele parecia sofrer. Aí os olhos escureciam mais e então... A brutalidade voltava”. Embora pudessem descrever com precisão até os efeitos de uma imperius – não havia dúvida sobre esse fato, bastava avaliar os testemunhos sob uma perspectiva bruxa – nenhum dos relatos fornecia elementos mais eficazes para traçar um retrato-falado, como falavam os trouxas.

Havia inclusive um formulário oficial do quartel, papelada de praxe, confirmando o uso nos trouxas de veritasserum – o que tornava os testemunhos totalmente confiáveis – e de legilimência – para conhecimento mais profundo dos detalhes e até, quem sabe, reconhecer o culpado. Entretanto, segundo o formulário, a legilimência mostrava apenas um rosto indefinível, como se houvesse o uso de algum tipo de ocultação, provavelmente um glamour.

Deixou suas divagações de lado e decidiu ir tomar um bom banho. Precisava chegar cedo ao estágio, pois sabia que os instrutores arrancariam até a sua alma no treinamento de hoje. Faltar a um dia, mesmo com uma justificativa dos superiores e, no caso, até do próprio Podmore, significava nadinha de nada.

Quando chegou à cozinha, encontrou apenas a mãe, já com a mesa preparada para o café da manhã, Gina, que por um milagre tinha acordado tão cedo e o pai. Estranho... Geralmente naquela hora, 6:15, apenas encontrava com Molly. Depois de dar bom dia e um beijo na mãe, sentou-se e desfrutou de um delicioso bolo de caldeirão e uma xícara de chocolate quente.

_Por que estão de pé tão cedo?

_Vamos à sessão de portais internacionais hoje. Gabrielle chega às 08:00 horas. E ainda vamos passar na casa do Gui, então é melhor não atrasarmos.

_Vamos papai – pediu Gina, já de pé. – Sabe que Fleur e Gui precisam que alguém vigie Victoire para que consigam se arrumar – e sorriu feliz, acompanhada pela senhora Weasley.

_Certo, certo. Molly, querida, até mais tarde – e beijou a esposa, rumando para lareira.

Gina seguiu o pai e logo também desapareceu nas chamas verdes.

_Gabrielle ficará mesmo aqui e casa? Pensei que fosse ficar com a irmã.

_Gabrielle ficará alguns dias com Fleur e Gui e depois se hospedará aqui em casa. Acredito que ela não queira interferir na rotina da irmã, não sei. Enfim, aqui também tem Gina. As duas estarão juntas no Maison Parfait, já na semana que vem...

_Mamãe, a guarda prosseguirá aqui até o caso ser resolvido. Ficará bem sozinha, com Madeleine?

Molly riu com gosto da preocupação do filho. Depois se aproximou e lhe beijou a cabeça, apertando-lhe a bochecha antes de se afastar. Era engraçado ver os filhos tão cuidadosos, com tanto receio de que algo ruim acontecesse.

_Querido, não se preocupe comigo. Tenho certa prática para cuidar de crianças, lembra? E também tenho certa experiência em lidar com bruxos das trevas.

_Nem brinque com isso – e a beijou, sumindo pela mesma lareira que o pai a irmã.



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Draco acordou feliz, aquecido pelo corpo do esposo, bem agarradinho ao seu. Depois de matar a saudade no sofá, o levou para o quarto e repetiu a “rodada”, seu veela mais satisfeito que nunca. Percebeu que ali, bem perto da cama gigantesca, Dobby tinha lhes presenteado com um belo café da manhã, deliciosamente selecionado com quitutes frescos e – rindo-se – do total agrado de Harry.



_Amor... Amor... – Chamou baixinho, beijando-lhe a nuca, inebriando-se da fragrância delicada e atraente do doncel. – Harry, acorda... Seu fã-elfo-puxa-saco foi muito gentil hoje.



Mais carícias e beijos na nuca e Harry acordou... Os olhos verdes piscaram confusos. Com um accio Draco lhe passou os óculos, usando o mesmo feitiço para trazer a bandeja com o café. O moreno sentou na cama e deixou-se ser mimado (mais) pelo marido. Ficaram um bom tempo na cama, depois tomaram banho juntos e quando, finalmente, chegaram à sala, encontraram Severus Snape e Papoula Pomfrey.

O professor e a enfermeira foram bem recebidos por Dobby e degustavam chá e biscoitos. O loiro vinha à frente e tinha as mãos entrelaçadas às de Harry. O moreno os viu e suspirou vencido, já imaginado o porquê daquela vista dupla. Snape não perdia tempo, nossa. Seu padrinho ia precisar de muita paciência com ele, sem nenhuma sombra de dúvida.

_Bom dia. Estão aguardando por muito tempo? Não fazia ideia de que estavam aqui.

_Bom dia, Draco – já Pomfrey apenas acenou com a mão direita e sorriu para os dois. – Estamos aguardando por uns vinte minutos, logo, não houve inconveniente algum. Como disse ontem, devemos começar o pré-natal. E, tendo em vista ser melhor manter tudo o que for relativo à gravidez no mais absoluto segredo, não creio ser adequado irmos a St. Mungus.

Draco concordou imediatamente e logo já estavam no sofá, ainda que Harry não parecesse tão à vontade assim. E podia ler claramente nos olhos do grifinório o motivo: a consulta médica. Quando foi avaliado por inúmeros medibruxos e depois reexaminado por Severus e Papoula, bem, estava inconsciente.

Apesar de ter passado muito tempo na ala hospitalar de Hogwarts, Harry Potter nunca precisou se submeter, não estando lúcido, aos mesmos exames que Hermione lhe contara serem fundamentais para um doncel, em especial, para um doncel em gestação. Ele podia ter ignorado boa parte do que a miga lhe contara sobre doncelaria, mas as partes mais incômodas foram retidas por sua mente. “Ora, Harry, é muito parecido ao que nós mulheres temos que nos submeter. Não faça essa cara... Consultas com um especialista em ginecologia integra a vida de mulheres e donceles”. “Acostume-se Harry, mulheres e donceles, como dizer sem ser grosseira? Ah, temos mais coisas entrando e saindo de nós do que o metrô de Londres”... Depois desse comentário, era praticamente impossível não ficar traumatizado!

_Oh, Harry, parabéns! Oh, claro, parabéns aos dois! – Disse a voz de Pomfrey num tom amigável e verdadeiramente carinhoso.

_Ótimo, ótimo... Bem, vamos começar então, pois ainda preciso verificar se o meu digníssimo esposo deixou as pulgas de lado.

_Ele ainda está preso na forma animaga?

_Bem, até hoje cedo, sim. Contudo, não precisa ficar preocupado. Forcei seu padrinho a ingerir uma boa dose de poção calmante. Antes, evidentemente, verifiquei todos os sinais vitais e as condições de saúde... E ele estava tão saudável quanto um cachorro poderia estar! – Completou sorrindo maldosamente.

_Podemos usar o nosso quarto, certo amor?

Harry só assentiu, sentindo-se ser puxado escada acima. Tudo passou muito rápido e quando menos percebeu, já usava um avental – que mal lhe chegava à metade da coxa –, estava posicionado – vergonhosamente, por Circe! – naquela estranha maca e tinha Pomfrey analisando não sei o quê, lá você sabe bem onde... – Morgana bendita!

Snape sacudia a varinha de um lado a outro, murmurando encantamentos que sua pele sentia num leve formigamento. Depois o professor abriu a parte da frente do avental que, agora, já praticamente em nada lhe cobria, e pressionou seus mamilos, massageando e apertando de leve cada um deles, anotando mais informações em seguida. Ao mesmo tempo, sentiu algumas agulhadas e viu seu sangue ser guardado por Pomfrey em frasquinhos.

As mãos grandes de Severus então passaram a seu abdómen, realizando o mesmo procedimento anteriormente dedicado aos mamilos. Draco o mirava divertindo, burlando-se, com certeza, do seu rosto cor sala comunal da grifinória. Ai, ai... Se Rony sequer imaginasse o tamanho da sua desgraça, nossa... Talvez estivesse ali, junto do marido, rindo daquela situação.

Saiu das suas divagações sobre possíveis constrangimentos, ao sentir outro encantamento, agora bem focado em seu baixo ventre. Instantes depois, uma projeção surgiu da ponta da varinha, surpreendendo a Snape, Pomfrey e Draco. Foi como se todos tivessem ficado sem ar algum, ao mesmo tempo.

_Ah, Harry... Isso é... – Começou a enfermeira, os olhos aquosos.

_Merlin! – E a voz de Severus reverberou poderosa como sempre e, definitivamente, surpresa.

O grifinório não evitou o pânico. O que todos viam naquelas imagens borradas que ele não era capaz de identificar? Seria algum problema com o seu bebê? Pomfrey quase chorando e Severus sem nenhuma reação maldosa? Oh, por Circe! Seu bebê estava mesmo doente?

_Draco – chamou o esposo, a voz quebrada. – O que foi? – E já estava chorando. – O que está acontecendo?

_Oh, Harry. Fique calmo. Não, não chore. Não está acontecendo nada de errado – pediu o loiro, apoiando-se na maca ao lado dele e lhe beijando, secando as lágrimas com os dedos esguios e pálidos, com lágrimas contidas nos próprios olhos, tamanha era a felicidade que sentia.

_Harry, vê esses dois contornos?

Draco estava mesmo chorando? Ai, o que estava acontecendo? Seguiu a indicação Por mais que tentasse, seus olhos verdes só viam um imenso e deformado borrão. Já estava ansioso para ver o que tanto apontavam – fosse lá o que fosse que causava tanta comoção. – Por que, simplesmente, não contavam logo de uma vez o que desejavam que ele identificasse?

_São dois, amor... São dois bebês!

Os olhos arregalados e a boca aberta em surpresa – juntamente com uma boa dose de pânico – demonstravam bem o seu estado de choque. Por Circe! Dois? Sério mesmo? Não tinham se enganado? Mal sabia o que fazer para cuidar de um bebê! Agora teria que cuidar de dois... Dois! Maldito veela pervertido. Tudo aquilo era culpa de Draco.

Gêmeos?! Ah, uma fúria quente e lacerante o dominou. O alvo? Draco, óbvio Teve vontade de azará-lo ali mesmo. Pouco se importava com as testemunhas... Estava prestes a esbravejar um monte de impropérios contra o marido, quando, mais uma vez, o rosto perfeito do veela entrou na sua linha de visão, lindo, reluzindo contentamento, sorrindo como se o mundo pudesse acabar ali, naquele exato momento, porque, afinal, já tinha se tornado a pessoa mais realizada da face da Terra.

A reação de Draco pulverizou o seu próprio medo, verteu em farrapos a sua insegurança, congelou toda a raiva. Draco estava irradiando nada mais que pura felicidade. Seus olhos, para alguns tão gelados, vertiam-se em prata líquida, tamanho o calor do sentimento que, sem controle algum, deles transbordava.

"Gêmeos!”, "Gêmeos, padrinho!” E Draco o beijou com entusiasmo e voltou a bradar “gêmeos”, como se tivesse ficado milionário da noite para o dia – não que ele precisasse, afinal, os cofres do Gringotes já estavam mais que transbordando e o loiro não parava de entupi-los com sua desenvoltura nos negócios.

Enquanto Snape o livrava da maca e anotava mais informações sobre os bebês: tamanho, peso e as semanas de vida dos pequenos – “Seis semanas, Senhor Potter”, confirmou o professor – uma competente Papoula Pomfrey trazia os resultados do exame de sangue.

_Eu estava ou não estava certo? – Perguntou o professor em tom de brincadeira.

_Sim, Harry tem anemia, Severus.

_Como assim? Já sabia disso, padrinho? Harry está bem?

Severus encarou ao filhado, o rosto sustentando a mais profunda perplexidade. A frieza necessária para lidar com os problemas tinha, simplesmente, esvanecido. Draco parecia mais um grifinório neurótico que um sonserino ponderado.

_Draco, por favor, controle-se. Pedi a Papoula que se antecipasse e trouxesse suplemento férrico, pois o senhor Potter já apresentou anemia anteriormente. E, tendo em vista a completa rebeldia com a dieta prescrita, não era lá muito difícil supor que a anemia se faria, mais uma vez, presente.

_De fato, Harry está sim anêmico – reforçou a enfermeira. – Nada grave, mas não podemos relaxar. Harry também está abaixo do peso recomendado. Dieta rigorosa, alimentação adequada de três em três horas, ácido fólico uma vez ao dia... Sem mencionar que, no caso da anemia, uma suplementação férrica é ideal, combinada com muitas fibras e alimentação rica em verduras de folhas escuras, pão integral, cereais enriquecidos com ferro, carne vermelha maga e bem passada, frutos do mar, mas nada de sushi, senhor Potter – e prosseguiu num sem fim de recomendações alimentares, tudo sendo devidamente anotado. – Ah, sim, a vitamina C ajuda o corpo a absorver o ferro, portanto, beba suco de laranja, pelo menos uma vez ao dia. Como andam os enjoos?

_Terríveis, em especial quando ele perde temporariamente a sanidade, devido aos desejos estranhos. Ocorrem também quando nos transportamos... Aparatação é bem pior, não é, amor? – E acariciou o ventre de Harry, os olhos ainda brilhantes e aquosos. – Já estão cheios de vontades! – E sorriu, a magia veela resplandecendo pelo quarto.

_Bem – interrompeu Severus, revirando os olhos com o arroubo súbito de paternidade (para não dizer retardamento mental irreversível) –, a suplementação férrica pode causar prisão de ventre, então, sigam a risca as recomendações de Papoula sobre as fibras. Os suplementos férricos podem causar também uma piora nos seus enjoos, Harry... Tome-os à noite, pode ser de grande ajuda. O seu baixo peso merece atenção e...

Enquanto Snape desatava mais outro conjunto de recomendações, Draco o encarava como se ele fosse uma daquelas modelos trouxas, anoréxicas e bulímicas. Oh, já antevia o caos que seria lidar com marido dali em diante. Ele se transformaria num ditador, sem nenhuma sombra de dúvida.

_E a pressão arterial, madame Pomfrey?

_11/7... Eu diria que está adequada, senhor Malfoy. A pressão de Harry, pelo que vemos no histórico, não se alterou. Contudo, Severus solicitou uma pesquisa no histórico de Lílian Evans e... Bem, devemos manter um controle rigoroso todos os dias.

_Lily teve pré-eclâmpsia, Draco. Nada alarmante, mas tendo em vista ser uma gravidez de gêmeos, somada ao fator genético... Há a possibilidade real de desenvolvimento no caso de Harry.

Harry já estava com o coração acelerado. Ele já tinha ouvido falar de pré-eclâmpsia. Era algo que também existia no mundo trouxa. E não era nada bom para os bebês.

_Toda e qualquer gravidez requer muita atenção à pressão arterial, Harry. Numa gravidez de gêmeos é necessário redobrar os cuidados, mas nós ficaremos atentos e tudo vai correr bem, não se preocupe – tranquilizou-o Papoula.

_Gravidez em bruxos ou bruxas requer maior atenção. A partir do segundo mês, o feto começa a partilhar magia com mãe ou doncel. E então, maior atenção da nossa parte – concluiu o professor, finalizando qualquer outro comentário reconfortante (bem, ao menos Snape imaginou estar sendo muito atencioso). – Draco, vamos refazer toda a dieta, portanto, esqueça a anterior. Vamos incrementar a alimentação, fortalecendo o organismo e fazendo o máximo para evitar enjoos, além de auxiliar no combate à anemia... Papoula, por favor, deixe suplementos férricos suficientes para, vamos ver... Duas semanas. Sim, pela análise que fizemos, creio que duas semanas de cuidados e alimentação precisa eliminarão a anemia. Em duas semanas, vamos refazer os exames.

_Certo, Severus. Oh, não podemos esquecer o ácido fólico.

A mesinha de cabeceira se encheu de poções e, inclusive, um frasquinho contendo pílulas trouxas. Harry ficou surpreso. O professor estava mesmo muito “avançadinho”, mesclando poções com medicamentos trouxas.

– Bem, agora devo retornar à Hogwarts, Severus. Até breve. Cuide-se muito bem, Harry.

_Draco, acompanhe Papoula até a lareira. Adeus, Papoula.

Draco beijou Harry mais uma vez e ainda muito sorridente conduziu a enfermeira para fora do quarto. Harry aproveitou para respirar fundo e tentar reorganizar os próprios pensamentos. Teria dois bebês... Dois bebês... Nossa, o que faria com dois bebês? Como cuidaria deles? Oh, por Circe! Precisava urgente de Hermione e das aulas sobre doncelaria.

_Harry Potter, sem divagações. Não temos muito tempo – e os olhos verdes finalmente lhe deram total atenção. – Já providenciei um advogado para o seu caso. Terá uma reunião com ele, amanhã, dez da manhã, na minha residência. Já me informei com Parkinson... Draco estará ocupado amanhã pela manhã. Diga a ele que visitará Sirius e não haverá problemas. Embora, e isso afirmo por ter experiência com sonserinos, Draco fareja segredos com muita facilidade...

_Obrigado, professor...

_Deveria contar a ele o que pretende fazer...

_Não, ainda não... Sem mais frustações. Er, Severus, já posso vestir minha roupa?

O pocionista apenas meneou a cabeça, positivamente. Harry levantou com cuidado da maca e rumou para o banheiro, fechando a porta atrás de si no exato instante em que Draco retornava ao quarto, já livre de qualquer parafernália médica, a maca reduzida e bem guardada.

_Aqui está a receita médica. O suplemento férrico está contido nas poções, já elaboradas para evitar ao máximo possíveis enjoos. O ácido fólico será ministrado à moda trouxa. A dieta tem que ser seguida e a pressão verificada todos os dias, Draco. Reduzi sal e açúcar para evitar possíveis problemas de pressão... Controle o seu doncel, entendeu?

_Obrigada, padrinho. Ficarei atento a todos os detalhes... Ah, controle o seu doncel também. Ele ainda está... Peludo e raivoso?

Severus contraiu o rosto em sinal de desagrado, ainda mais quando foi seguido escada abaixo pelo som das gargalhadas do afilhado. Raivoso? Ah, ninguém fazia ideia do que era ter que lidar com Sirius cachorro. Bem, lidar com Sirius, na forma que fosse, sempre era supreendentemente irritante e deliciosamente prazeroso... Na exata medida, meio a meio.

Assim que saiu da lareira, encontrou Lupin brincando com Teddy. Os dois montavam um grande quebra-cabeça bruxo vindo dos gêmeos Weasley. Segundo o garoto, quando totalmente montado, o brinquedo formava um novo desenho e se partia em novas peças, para ser novamente montado. “Sirius não desceu até agora. Como você mencionou ter dado a poção calmante, preferi deixá-lo descansar e cuidei para que Teddy não fizesse muito barulho”, foi o que lhe disse Remus.

Depois de agradecer o cuidado, Severus contou rapidamente aos dois a novidade: gêmeos... E precisou esperar mais um ataque de alegria, bem ao estilo grifinório. Ora, eram apenas... Futuros bebês. Evidentemente que ficou sim muito contente pelo afilhado e por Harry, contudo... Eram apenas bebês, o mundo estava cheio deles... Será que sentiria a mesma irritante felicidade, que todos pareciam compartilhar, quando o grávido em questão fosse Sirius?

Subiu a escada, já concentrando toda a calma do mundo. Se tivesse que ouvir latidos furiosos novamente, por Merlin, colocaria uma focinheira no marido! Entrou no quarto, cujas cortinas ainda estavam fechadas, do mesmo jeito que as deixara, o que escurecia o ambiente, tornando-o mais que adequado para um sono reconfortante.

Aproximou-se da cama, os passos cuidadosos. Por que o esposo dormia daquele jeito? Sirius literalmente se enrolava e escondia nos lençóis. Lá estava o costumeiro monte de pano. Com delicadeza, puxou o tecido, sendo eclipsado novamente – ah... Sempre seria – pela imagem mais tentadora, a própria maçã que Eva ofereceu a Adão: Sirius... Vestido apenas com a própria pele de seda, convidativa e altamente excitante.

O pocionista salivou em antecipação. Havia apenas um único adorno, algo que combinava perfeitamente com a pele tão alva quanto alabastro: uma coleira de couro negro, dela pendendo uma plaquinha, a definição – óbvia – de quem era o proprietário daquele monumento em homenagem ao desejo...

“Severus Snape”



Notas finais
"Snape (salivando) e providenciando outros apetrechos que combinem com uma coleira de couro"