Submisso

17 Capítulo 17 - Dominante


Notas iniciais
Olá!!!
Uma semana se passou e aqui estou com mais um capítulo. Como já tinha adiantado, ficamos com Severus e Sirius.
Agradeço a leitura de todos e os deliciosos comentários. Ah, e claro, sempre espero por mais!!!
Sem delongas, Dominante!
Divirtam-se...

Capítulo 17 – Dominante



Febre... Dores... Mais febre... Comer forçado... E Snape... Sempre Snape... Dando-lhe de comer, visto que a mão direita estava imobilizada (e detestava a lerdeza com a qual ele comia, ao usar a mão esquerda)... Ajudando-lhe a usar o banheiro (nas suas mais variadas funções, devido ao pé direito também estar imobilizado... Ah, maldita escada!)... Snape preenchia todos os espaços de sua rotina agora.

Onde estava a glória dos Black? Realmente, estava pagando por ter sido estúpido o suficiente de tentar fugir, de forma trouxa, da casa de um mago poderoso... Patético! Tão patético... Tinha raiva de si mesmo. Talvez devesse se jogar escada abaixo – mais uma vez – e, com sorte, poderia obter um “coma profundo”, ao invés de só ficar preso numa cama sob os cuidados, quase ditatoriais, do professor.

Ok, ok... Ele sabia que não deveria ficar brincando com essa questão do coma, mas o tempo passava devagar... Detestava estar ali, restrito aquele colchão. Certo dia, com muita dificuldade, ficou de pé sozinho. A entorse no pé direito exigia “Imobilidade absoluta, pulguento. Parabéns! Faça algo parecido novamente e providencio, eu mesmo, uma coleira”, segundo Snape (a parte da coleira ainda era uma ameaça constante). Entretanto, pensando de maneira mais racional, qual seria o problema de um pequeno tour pela casa? Era a sua casa, afinal, não era? Não deveria, pelo menos, conhecê-la?

Pulando em um só pé (doía feito um demônio o simples ato de colocar o pé enfaixado no chão), dispôs-se a dar um breve passeio para conhecer os demais ambientes da residência; Puxa, quem sabe conseguisse até pegar um sol no espaçoso quintal? Ah, já podia ver a si mesmo se espreguiçando na grama!

Mas, ao tentar abrir a porta do quarto, para sua surpresa, viu-se novamente deitado na cama. Um feitiço! Ah, Maldito Ranhoso! Aquilo era cárcere privado! Azkaban ficara para trás, ora... Não queria se sentir sob tamanha vigilância. Estavam de volta ao período inquisitorial? Deprimente.

Argumentou com o marido, mas talvez fosse mais eficaz conversar com Bicuço (o hipogrifo era, de fato, mais bonito que o nariz de Snape). Nada do que dissesse gerava a mais remota reação positiva em Snape. “Só sairá do quarto quando estiver completamente curado das contusões, o que pode levar certo tempo. E sinta-se feliz por isso. Se a condição para atravessar aquela porta fosse deixar de ser tão estúpido, nossa... Nem em um milhão de anos, querido”, foi uma das singelas reações que teve que aturar.

Quando queria, Snape era mais pavoroso que um dementador. E ele ainda deveria agradecer por ter sido casado, sem seu próprio consentimento, com o renomado pocionista? Ora, por favor! Preferia se transformar em cachorro e ser entregue à carrocinha. Ou então, talvez... Ter sido casado com um veela, como Harry foi. É, de fato, teria sido bem melhor!

Veelas eram seres muito apaixonados e viscerais, cuidavam com extremo zelo do parceiro e, no geral, faziam tudo para deixar seus companheiros confortáveis e felizes. No que, infelizmente, nem de longe Snape se encaixava. O seboso fazendo as suas vontades, ah, certo... Só numa realidade paralela. Sem contar nas prováveis vantagens que os costumes bruxos lhe trariam.

Por tradição, os veelas tinham certas regalias, como, por exemplo, poder ter três companheiros oficiais, embora não fosse algo muito feito atualmente. Até porque, ora, existiam poucos com ascendência veela que realmente desenvolviam – de forma completa – a herança mágica recebida. Entretanto, a possibilidade jurídica existia. Se houvesse outro esposo além dele, ah, seria perfeito. Não ficaria sendo vigiado todo o tempo.

Ficar naquele quarto por horas era muito tedioso. Queria tanto ter sua magia de volta. Com seus poderes restabelecidos, não estaria mais dentro daquele “quarto de casal”. Se pudesse usar sua varinha – artefato que não via há séculos –, acabaria com as proteções do maridinho e sumiria dali.

Contudo, continuava sem poder algum. Conhecia bem a condição para ter sua magia de volta... E preferia queimar de febre, até o último dia da sua vida miserável. Não via mais ninguém além de Snape... Pelo que entendeu, depois dos ataques de raiva que teve contra Remus e alguns elfos domésticos, Snape recomendou que o deixassem sozinho e sem visitas, para que pudesse “refletir sobre o seu comportamento mimado, egocêntrico e completamente infantil”. O pior de tudo? Todos concordaram com o ditador cretino!

Olhou sem muito interesse a hora. Não demoraria muito agora... Em instantes, sorrindo cinicamente, o pocionista entraria pela porta, com uma bandeja trazendo mais uma refeição do dia – os elfos não vinham mais ao quarto, principalmente, porque não conseguiam driblar a vontade de Sirius e fazê-lo comer. Já com o narigudo, ah, era tudo muito diferente.

Estranho... Ou melhor seria pavoroso? Bem, não importa. A questão crucial era a de que Sirius não conseguia, realmente, desobedecê-lo. Não fazia muito tempo, logo depois de ter acordado com o lado direito do corpo repleto de bandagens e sob um olhar irritado – mentira... Foi um olhar possesso mesmo! – do marido, Sirius se negou rotundamente a ter Snape em seus calcanhares, até quando tomava banho. Ele bufou, se estressou, gritou, mas bastou o professor usar certo tom de voz, muito grave, que obedeceu. Simples assim!

Contrariado, não mais impediu Snape de entrar com ele no banheiro e ficar vigiando cada um de seus movimentos, mesmo que estivesse com os olhos brilhando de ódio e, vez por outra, uma lágrima – de pura fúria, claro – escorresse face abaixo. Como? Como ele não conseguia se negar ao seboso?

“Sua doncelaria é muito forte, principalmente porque foi enclausurada por décadas. Os donceles tendem, com a convivência, a entrar em total harmonia com o parceiro. Mas o seu caso, amado esposo, é ainda mais peculiar. Sua natureza doncel quer desesperadamente ser atendida, o que nem de longe acomete seu amado afilhado. Por este motivo, basta eu, seu dominante, usar da minha prerrogativa, para que seu corpo inteiro siga a minha vontade... Draco nunca o faria, mas eu sou... Diferente. E ambos sabemos que, mesmo que a sua cabeça-dura me rejeite, você inteiro me deseja”, foi o que ouviu do maridinho naquele dia.

O cheirinho de comida caseira invadiu-lhe as narinas, mas embrulhou ainda mais o estômago. Não... Não queria... Não sentia fome alguma. Será que ele não entendia a tamanha tortura que era comer, sem ter a mais remota vontade de mastigar?

_Como passou a manhã? – Perguntou o seboso, a bandeja sendo deixada na mesa próxima a cama. – Estive acertando algumas questões escolares, por isso só pude voltar agora.

Sirius nada falou. Apenas o olhou com aquela cara... De novo. Por Merlin, como detestava ver aquela cara de “por favor, por favor, eu prefiro ser açoitado até a morte a comer esse delicioso ensopado”.

_Ora, Sirius, vamos precisar ter aquela conversa novamente... Sabe, aquela sobre seres humanos precisarem de alimento?

O animago suspirou derrotado, mas se controlou ao máximo para não chorar feito uma donzela desonrada. Patético era pouco para classificar tanta fragilidade. Talvez por ter se comovido – o que seria o indício de que uma nova era histórica se aproximava –, ou por total tédio, Snape fez uma proposta tentadora.

_Tentamos a essência de murtisco, mas não obtivemos sucesso. Então, se você almoçar sem reclamar, eu prometo ministrar um pouco de poção curativa nas contusões.

Ah, foi incrível! O rosto perfeito ganhou trejeitos divinos e Severus quase babou. O sorriso franco e feliz, pela primeira vez em dias, acalentou a alma já não tão endurecida do ex-comensal. Se soubesse que obteria aquele sorriso, daria a ele alguns dos frasquinhos de poções curativas que estavam bem organizados, no banheiro.

_Sob a minha atenta supervisão, você tem se alimentado corretamente e os surtos de febre espaçaram de forma considerável. A presença da poção que usamos para controlar a temperatura diminuiu em seu organismo, portanto, creio que podemos tentar acelerar a sua recuperação agora.

_Ótimo! Não aguento mais ficar deitado aqui, o dia inteiro... Er, obrigado, Severus – e corou violentamente.

Por quê? Por quê? O que tinha demais em dizer o nome do seboso? Era só um nome, por Merlin! Precisava ficar com as bochechas quentes só por ter dito um nome, o nome dele? Ah, como se odiava!

_Não precisa agradecer. Estou me esforçando ao máximo, para minimizar a dor que deve estar sentindo na mão e no pé. Embora você não mereça, afinal, essas contusões são de total e exclusiva responsabilidade sua.

Nenhuma palavra foi dia contra aquilo. Na verdade, nem dava para contestar. Dessa vez, o seboso tinha total e exclusiva razão. Embora, dado as condições de então, leia-se, o assédio do marido, talvez devessem entrar no ramo da culpa concorrente. Ah, era melhor esquecer. Importava apenas a decisão de Severus em, finalmente, se arriscar a usar um pouco de poção curativa na mão e no pé imobilizados. Ah, estava feliz de verdade!

_A cura por métodos trouxas é mais lenta, muito mais lenta... E dolorosa. – E Sirius continuava a sorrir bobamente. Será que ele tinha noção disso? – Agora, vamos almoçar?

Era usual na rotina de ambos, Snape almoçar junto com ele. E não apenas almoçar. Eles faziam todas as refeições juntos. Quando o professor percebia que Sirius já estava usando a mão esquerda para atrasar demais o concluir de qualquer prato, pegava os talheres e lhe dava de comer ele mesmo. E como adorava o ar revoltado do esposo com essa ação! Sem falar nas reclamações verbais “eu não sou um bebezinho”, “devolva-me esse garfo, seu cretino” e a melhor de todas: “só falta agora você me obrigar a usar um babador e depois querer que eu use fraldas, pervertido”...

Na verdade, a decisão de acompanhar Sirius nas refeições foi, é claro, para vigiá-lo bem de perto. Os pobres elfos domésticos não podiam com um Black mimado? Ok, sem problemas: tarefa para Severus Snape. Desde então, passou a tomar café da manhã, comer lanchinhos, almoçar e jantar com o “esnobe Almofadinhas”. E acabou gostando dessa tradição inventada por ele mesmo. Ah, era delicioso ver Sirius abrir a boca sensualmente.

Bem, não era um tarado, nada disso. Era apenas reconfortante para si mesmo vê-lo ingerir algum alimento, ainda que a contragosto. Obviamente, sabia de cor os efeitos da poção para controlar a febre – essencial para o cérebro do esposo não se liquefazer. Ainda que, vez por outra, chegava a pensar que a estupidez patológica de Sirius era uma excelente catalizadora dos efeitos da poção! –, mas era necessário obrigá-lo a comer.

Doeu dentro de si acompanhar, naquela larga primeira semana após a “queda idiota da escada” – que lhe brindou fraturas em dois dedos da mão direita e uma grave entorse no tornozelo direito -, como o esposo chorava durante o banho, por não querer ajuda alguma dele, ou quando chorava ao ver a bandeja contendo a refeição, praticamente rezando para a comida aparatar sozinha e, com sorte, rumar direto para o inferno!

Donceles eram complexos, sentimentais e definitivamente uma bomba de hormônios. Enlouquecedores, sim, mas tão desejáveis. Era difícil não usar sua influência sobre Sirius para tomá-lo, de uma vez por todas, e acabar com aquela febre. Mas nunca faria nada, conscientemente, que pudesse feri-lo.

Hormônios? Gritos? Lágrimas... É, estava sendo mesmo difícil, mas, com os cuidados e a disciplina imposta a Sirius, o convalescente progredia. A febre permanecia lá, mas essa era outra questão que pretendia solucionar, assim que o pulguento pudesse andar por conta própria. Podia ler a mente dele, podia sentir que também era desejado, mas esperaria, calmamente, o esposo sucumbir. Ser paciente era, definitivamente, uma de suas qualidades.

Não pôde usar a poção curativa logo no começo, devido à utilização excessiva da poção para controlar a febre. O organismo de Sirius estava deveras debilitado para sequer ousar ministrar duas poções fortes em conjunto. Logo, precisou de dias e mais dias e de muito cuidado para, hoje, com sorte, livrá-lo daquelas bandagens.

O almoço não teve, de fato, nenhuma reclamação verbal do animago, mas Snape teve que impedi-lo de prosseguir massacrando o pobre peixe, antes de este ser vertido em purê. Daí para frente decidiu, ele mesmo, tomar as rédeas do assunto, ou melhor, tomar os talheres do esposo.

Já Sirius nem se deu muita conta do que aconteceu depois, pois adormeceu no calor de mais uma febre. Quando acordou, percebeu que a tarde corria solta lá fora, quente e gostosa, podendo vislumbrar até um solzinho que entrava feliz pela janela aberta. Espreguiçou-se manhoso e suspirou ao ser tomado por uma deliciosa calidez, bem a seu lado. Voltou o rosto e encontrou a fonte daquela incrível sensação: Snape, que lia um livro grosso e de capa de couro, recostado bem juntinho dele. Como era abusado!

_Como se sente, Sirius? – A mão forte e máscula tocando a testa daquela criatura magnífica. Ah, finalmente, sem febre.

_Eu... Eu dormi? – Perguntou baixinho, sentindo-se estranho ao reconhecer em Snape um rosto de puro alívio.

_Sem febre, por Merlin! E sim, você felizmente dormiu, deixando-me sossegado por umas três horas. – Riu e fechou o livro em seguida, largando-o em cima do travesseiro. – Preciso retirar as bandagens para usar a poção. Dói? – Perguntou enquanto movia o pé direito de Sirius, com mãos precisas e cuidadosas. – Precisa ser sincero comigo.

_Dói, mas só um pouco. Não é nada insuportável... Já passei por coisas piores.

_Certamente, mas isso não significa que eu deseje lhe causar dores desnecessárias. Fique calmo...

Com um leve sacudir da varinha, as bandagens e as talas sumiram. A sensação de alívio era única. Mas nada o preparou para outra sensação, a provocada pelos novos toques de Severus. O seu pé foi erguido gentilmente, como se fosse um cristal fino e muito, muito caro. Um frasquinho contendo a poção foi convocado.

_Beber a poção está fora de cogitação, entendeu Sirius?

_Então como vai usá-la?

_Como eu disse, a poção será usada nas contusões, ou seja, diretamente nelas. Vou ministrá-la diretamente na entorse, com um feitiço – o doncel apenas meneou a cabeça, positivamente. Estava entusiasmado de verdade com a possibilidade de se ver livre daquelas talas. – É bem provável que doa, entendeu? Mas você não deve se mexer, sob hipótese alguma.

_Sim, sim... Está tudo bem.

_“Absorption...

O sonserino não deixou que movimento algum fosse feito, restando a Sirius apenas morder os lábios e conter a vontade de gritar uns bons palavrões (Snape detestava quando xingava, mas ele NÃO estava fazendo a vontade do marido, NÃO MESMO).

_Respire, Sirius. Já vai passar.

Realmente doeu. A poção entrou em seu organismo parecendo uma centena de agulhas finíssimas. Mexer o pé era tudo o que queria, mas não podia fazer. Quanto tempo ainda duraria aquela agonia? Era demais, dolorido demais.

_Controle-se, Black – ralhou naquele tom imperioso que o deixava mais obediente do que um poodle amestrado. – Não queremos que um rompante emocional desate uma nova crise – e acariciou o pé contundido, as mãos frias aliviando o ardor gerado pela poção. – Não poderemos usar a poção para controlar a febre por pelo menos uma hora, portanto, mantenha o foco.

_Vai... Hum... Vai demorar muito?

_Não, não muito.

Snape retirou a varinha e começou a murmurar alguns feitiços. Sorriu satisfeito no exato momento em que a dor desaparecia. Nem deu tempo para Sirius respirar, dirigindo-se à mão igualmente contundida e reiniciando o mesmo processo.

_Ahh, por que... Ai, que merda! Por que essa porra dói tanto?

_Porque está restaurando o que a sua estupidez feriu, pulguento boca suja. Agora sossegue e controle a sua língua, Sirius.

A face de Sirius ganhava tons avermelhados, cada avanço sendo monitorado eficazmente pelo escrutínio de Snape. Feitiços foram novamente murmurados e a dor cedeu, mas a principal vítima tinha baixado a cabeça, sem dizer nada. Nem mais um palavrãozinho. O que era bastante incomum.

_Sirius – e o conduziu pelo queixo, guiando o rosto para cima.

Droga! Encontrou novamente aqueles olhos desfocados, sentindo a mão esquentar em seguida. Foi mais rápido do que imaginava.

_Sirius, você precisa se concentrar em mim. Sirius, olhe para mim, agora.

Para seu alívio, obteve o que pedira, mas era evidente que ali se travava uma luta entre consciência e inconsciência. O esposo demonstrava os claros sinais de que desmaiaria a qualquer instante. Ele já o conhecia bem o suficiente para antever esse tipo de ração.

_Uma hora Sirius, apenas uma hora. Não feche os olhos, entendeu? Ou eu vou chutar o seu traseiro! – brincou Snape, mas até Sirius percebeu que estava nervoso. E bastante preocupado.

O animago sabia, sentia... Ah, aquela ardência e a visão turva só podiam significar uma coisa: a febre voltava, com violência. Seria mais uma crise. E a preocupação de Severus era tão genuína. Estava delirando, ou o Ranhoso realmente gostava dele? Ao encarar o fundo daqueles olhos escuros, só encontrou uma resposta possível: sim, sim e sim.

A compreensão daquela verdade não era produto da febre, que o agredia há semanas, não mesmo. Estava ali, bem diante de seus olhos, tão simples quanto respirar: Snape gostava dele. Snape se preocupava com ele. E ele? E Sirius Black? O que o “esnobe Almofadinhas” sentia pelo “seboso Ranhoso”?

Anos perseguindo o narigudo. Anos pregando-lhe peças e incitando James contra ele. “Ele gosta da Evans, Pontas”, “temos que acabar com essa amizade entre os dois, Potter, só assim você terá a Lily”... Como não percebeu antes? Ainda na escola, infernizava tanto Snape que quase o matou numa das suas “inocentes brincadeirinhas”. Oh, por Circe! Inacreditável!

Severus Snape... Ele gostava de Severus Snape... Toda aquela implicância, toda aquela perseguição... Não fez aquele bando de atrocidades por amizade a James. Estava enciumado até a medula da relação que o narigudo tinha com Lily! Ainda que inconscientemente, sua doncelaria nunca deixou de tentar se harmonizar com o “parceiro ideal”.

_Severus – murmurou baixinho.

Como tinha sido maldoso. Por que seus pais não o deixaram ser o que sempre deveria ter sido? Tantos problemas teriam sido evitados... Precisava se desculpar pelos anos de disputas, de implicâncias tolas e de distanciamento. Ah, precisava ser perdoado!

_Severus... – A sua mente estava confusa. Tinha que vencer o turbilhão causado pelo ardor febril.

_O que foi Sirius? O que está sentindo? – Perguntou o professor, preocupado pela estranha feição que o esposo sustentava e por ser chamado, pelo primeiro nome, tantas vezes no mesmo dia.

Não saber bem o que estava acontecendo, só serviu para deixá-lo ainda mais preocupado. Recostou Sirius na cama e se dirigiu ao banheiro. Ele nem precisava, de fato, ter se levantado. Um simples accio teria solucionado problema, mas acabou usando as próprias pernas. Andar sempre o ajudou a pensar.

Encarando as prateleiras, encontrou parte do que seria, infelizmente, necessário. Instantes depois, voltou para junto se Sirius com uma toalha úmida nas mãos, um copo d’água e alguns comprimidos, que lhe foram passados pela sabe-tudo. Hermi, como Draco carinhosamente a chamava, assegurou que o medicamento não seria tão eficaz quanto à poção para controlar a febre, mas que poderia minimizar os efeitos da alta temperatura em bruxos, segundo dados comprovados da área avançada de “Estudos Mágicos da Medicina Trouxa”.

Com rapidez, fez Sirius tomar o medicamento trouxa, para logo depois fazê-lo deitar novamente, acomodando a toalha na testa do esposo, que já tinha o pijama grudado ao corpo – nossa, e que corpo – devido ao suor. Minutos passaram naquela agonia, até que percebeu uma mínima melhora. Benditos trouxas! Aproveitou a maior estabilidade na crise e trocou o pijama ensopado por outro, devolvendo a toalha úmida à testa do esposo.

_Sirius, como se sente?

Não houve resposta. Apenas um... Sorriso? Um sorriso iluminado, perfeito... Único, que o comoveu por ter sido exclusivamente para ele. O cabelo farto e ondulado de Sirius estava espalhado sobre o travesseiro e, apesar da respiração pesada, o movimento do peito subindo e descendo não podia ser mais atraente. As bochechas coradas, a boca deliciosa, praticamente implorando para ser beijada e aquele sorriso sincero. Quem estava delirando afinal, ele ou o esposo?

_Severus – murmurou novamente, bem mais baixo que antes. Tanto, que Snape precisou se aproximar mais para ouvir melhor – Severus...

_Sim, Sirius... Esse é o meu nome. É reconfortante saber que você pode pronunciá-lo – e sorriu, pois o outro ainda mantinha aquela carinha tola e feliz. – Agora, fique em silêncio, sim? Não pode se cansar. Sente-se melhor?

As mãos do animago, mesmo trêmulas, lhe agarram pela túnica, puxando-o para ainda mais perto.

_Severus, agora...

O professor já estava além do nível extremo da preocupação. A temperatura não estava assim tão alta, não para começar a dizer palavras soltas, desconexas.

_Agora, o que, Sirius? Fique quietinho e pare de deli...

Não concluiu a sentença, tendo sido arrastado num tórrido beijo, quente e urgente. Sirius o sugou com vontade, a debilidade pela febre não interferindo em nada na sua habilidade oscular.

_Sirius?!

Um beijo mais e Severus não responderia por si.

_Severus... – a voz mais forte e decidida. – Eu quero, agora... Acaba com a minha febre... Agora! – E o puxou novamente, a língua roçando nos lábios do marido pedindo passagem, a qual foi dada, de muito bom grado.

Notas finais
Não me matem depois desse final, certo? Se muitos pedirem, escrevo a continuação... KKKK
BJKS!