Submisso
18 Capítulo 18 - Dominado
Notas iniciais
AMO VCS, QUERIDOS!!! Acho que Submisso bateu o seu recorde de reviews no cap. 17!!!
Obrigada a vc que, sem nenhum interesse na pegação desse casal (KKKKKKKK), deixou seu comentário (para a felicidade da Núbia aqui! UHU!)
Estou imensamente feliz com as dicas de vcs, obrigada mesmo. Por favor, metam o bedelho, mandem sugestões e críticas construtivas (as destrutivas, ah, bem, faça com elas o que bem entender!!!)
Sem mais, a pegação... Ops, "dominado".
XD
Capítulo 18 – Dominado
“Severus... Eu quero, agora... Acaba com a minha febre... Agora!”
Ouvir a si mesmo dizendo aquele absurdo foi... LIBETADOR! Literalmente estava se libertando de toda a dor que os pais o fizeram passar. E não só a física, mais a emocional também. Estava ali, junto do seu parceiro para a vida inteira e seu corpo ainda tremia, com medo de que pudesse ser, mais uma vez, vítima de tamanha crueldade. Mas não sucumbiria ao passado. O passado tinha ficado para trás, assim como os longos anos em Azkaban.
Foi grotesco, foi terrível, foi o pior exemplo de crueldade, mas o enterraria a milhares de palmos de terra, nem fundo, soterrado pelo peso das recordações boas que começaria a criar com Severus, seu marido, seu parceiro eterno escolhido pela magia. E, embora, agora estivesse com bem menos tempo de vida pela frente, os aproveitaria de forma plena, sem medos ou entraves. Ao menos, era isso que dizia a si mesmo, convencendo-se de que os beijos que sentia na pele quente eram de amor e não efeito de uma imperius.
Afogar-se no mel daqueles lábios – e na dança enlouquecedora de línguas – era muito mais prazeroso que chafurdar em tristeza. Ignoraria os estremecimentos involuntários de seu corpo ao ter a roupa arrancada, ao perceber-se praticamente nu (a parte de cima das suas vetes foram desvanecidas num rompante mágico), a mercê das mãos grandes do pocionista.
_Sirius, olhe para mim.
Obedeceu prontamente, mas foi tão fácil perder-se ali, naquele rosto bem perto do seu, no sentir o cálido respirar fazendo cosquinhas em sua pele. Não queria nunca mais decepcioná-lo, em nadinha mesmo. Queria realizar todas as vontades dele, cumprir com cada pequeno desejo, mesmo o mais fútil, qualquer coisa para agradá-lo seria feita... Bem, parecia meio estranho, mas era assim que se sentia. Seria o que ouvira de Snape? O tal fato da sua doncelaria desejá-lo desesperadamente?! Ah, quem se importava... Ele só queria ser feliz. Já tivera sofrimento para três longevas vidas interias.
Encarou o fundo daquela imensidão escura, os cabelos igualmente negros caídos pela lateral do rosto, emoldurando-o de forma única... Sebosos? Não, nunca foram... Agora que podia tê-los ao alcance das mãos, só queria emaranhar os dedos neles e não soltá-los de junto de si... Nunca mais. E aquele perfume? Nossa, além de macios e sedosos ao toque, os fios desprendiam uma fragrância que era puro êxtase.
Será que alguém já tinha percebido isso? Ah, ele esperava que não. Severus exalava um perfume tão másculo e provocante que, Morgana bendita, senti-lo daquela forma, tão de perto, só o estimulava a abrir as pernas e... Oh, quase o fazia gozar em antecipação.
Quantos anos foram desperdiçados com tolices. Como não se deu conta antes? Como não percebeu? Maldito feitiço, malditos Blacks sem caráter... Ah, mas ele já tinha decidido esquecê-los, esquecer todo o resto, apartando de si tudo o que não fosse ele, seu marido.
_Sirius, você está me olhando, mas não está me vendo... Sirius!
_Eu estava só... Pensando.
Ouviu o gargalhar divertido de Severus. E isso pareceu, estranhamente, incoerente. “Severus” e “gargalhadas sinceras” não pareciam fazer sentido, agrupados numa mesma sentença, de modo algum.
_Estamos nós dois aqui, embolados na nossa cama e você está... Pensando? – E sentiu aquelas mãos grandes lhe acariciando o rosto, tocando-lhe a testa. Depois o ouviu murmurar um “ainda muito alta”, seguido de um sorriso avassalador.
Ah, as malditas bochechas estavam ardendo. A febre o deixava assim, sabia disso, mas havia uma certeza estranha também: não tinha a face ultracorada apenas devido à febre. Snape... Sempre Snape. Ele era a causa daquela vermelhidão vergonhosa, ele e seus cuidados... Ele e sua ternura, tão fora de lugar, já que imaginar um ex-comensal, o ex-braço direito do Lorde das Trevas, sendo terno... Bem, era, no mínimo, exótico.
Ter completa noção do corpo do marido, dos seus braços fortes, das pernas musculosas, hum... Era como acrescentar lenha à fogueira. O desejo que alimentava por Snape só aumentava, ainda que, bem no fundo da própria alma, ainda houvesse certo receio, escondido, esperando o momento para aparecer e assustá-lo, como monstros em contos de fada.
_Sirius... Não, não é possível. Você não está preparado, não é? Posso ver isso... Será difícil, mas eu posso esperar mais. Ainda tem medo de mim, certo? O que não é culpa sua, de forma alguma – completou antes que eu dissesse qualquer coisa. – Podemos apenas esperar mais um pouco, não quero te forçar a fazer nada que não queira. – E ele estava se afastando? Não! De jeito nenhum...
_Não! Não, eu não quero parar. Não pare – e estava quase gritando, puxando-o de volta à cama.
_Você não está bem – e logo o frio que se instalou na cama vazia se espalhou, atingindo-o como uma punhalada.
O desespero por não tê-lo ali, junto de si... Foi desalentador. Preferia então queimar de vez, queimar até a última célula naquele fogo que já o consumia há semanas. Não conseguiria lidar com a dor da rejeição, não dele. E como doía, nem se comparava a dor que sentira antes quando despencara escada abaixo. Não, não podia mais... Precisava ir embora!
_Hei, não ouse sair daqui! Sirius! Acalme-se! – Ouvia a voz forte bem perto dele, enquanto um breve alívio fresco se expandiu por sua testa. Mas para que era aquele paliativo, quando lhe negava a cura? – Sirius, você está queimando de febre. Sirius, seu idiota, pare de pensar em tolices e mantenha o foco. Sirius!
Não, não mesmo. Não queria ouvir... Era suficiente. Bastava de tantos “nãos” para o Sirius: o não de seus pais a quem ele era, o não da sociedade quando foi preso, o não dele... Logo dele. Chega de nãos! A temperatura mudara bruscamente, pois começou a sentir muito frio... E, em meio a seus devaneios, percebeu que fora levado para outro lugar, tudo a sua volta borrando por instantes e depois voltando a ganhar contornos sólidos.
Estremeceu por inteiro. Estava molhado agora e sentia ainda mais frio. Tentou se livrar, mas foi tempo perdido, pois dois braços fortes o mantiveram bem seguro num abraço esmagador, sem chance de fuga. O calor e o frio o cercavam, enquanto ele ardia e tremia.
_Fique quieto. Calma, calma... não vai demorar muito. É só água, Sirius. É apenas água.
Vencido, deixou-se envolver pelas sensações opostas: o calor convidativo do corpo de Snape e o frio gelado da água que, agora entendia, caía impiedosa sobre o si, escorrendo cabeça abaixo. Tudo ficou mais claro. Entendeu que fora levado para o chuveiro... A febre, a maldita febre...
_Deixe-me. Eu... Eu consigo me sustentar sozinho.
_Oh, claro! Aí, talvez, você também, além de sustentar sozinho, possa escorregar sozinho, aumentando o número de fraturas estúpidas para a sua coleção de “ferimentos desnecessários autoinfligidos”. Pois, pode esquecer. Assim que a banheira encher, deixo você me mostrar como já é todo um homenzinho, sendo plenamente capaz de tomar banho sozinho. Agora, fique quieto.
_Para que tudo isso? – E sem que quisesse, sentiu que não era mais apenas a água fria que lhe lavava o rosto. – Por que não me deixa fritar em paz, Snape?
Sentiu as costas baterem dolorosamente na parede do box, a sua frente Snape parecia crescer em toda a sua altura e imponência, ganhando-o por mais de uma cabeça. Ah, aquelas duas luas negras como ônix resplandeciam fúria. Teve o rosto levantado pelo queixo, sem gentileza alguma, para logo depois ter as mãos grandes prendendo-o bem perto, bem firme.
_Enlouqueceu? Sua massa encefálica finalmente sucumbiu à febre? – Mais água fria, direto na cabeça... Presente do marido. Já estava começando a tremer. – E o que aconteceu com o Severus?
_Você não me quer! – E tentou, mais uma vez, se soltar, falhando miseravelmente.
A cada tentativa de empurrá-lo, de afastá-lo de si, conseguia apenas maior contato com o corpo do outro. Severus, praticamente, se aderia a ele. O professor, de costumeiro olhar impassível e glacial, vertera-se em brasa viva bem ali, diante si.
_Como assim, eu não te quero? De onde a sua mente distorcida tirou esse absurdo? – E ao encará-lo, tristemente, percebeu que a centelha de compreensão tinha se acendido na mente brilhante do professor. – Ora, Sirius, nesse preciso momento, você está numa crise e...
_Por favor, me solta – e voltou a empurrá-lo, escorregando no processo.
Snape o agarrou rápido, impedindo que caísse. Depois, o viu invocar a própria varinha com um feitiço não verbal, deixando os dois sem roupa alguma na sequência. Ele nem tinha notado que fora levado para baixo do chuveiro trajando a parte inferior das vestes.
_Escute bem o que vou dizer, Sirius – e foi sacudido pelo pocionista, exigente de toda a sua atenção. – Estou desesperado para te fazer meu, para marcá-lo inteiramente como sendo de minha propriedade. Se não o tomei lá na cama, foi para poupá-lo, devido à febre – e sentiu a pressão dos quadris do mais alto, toda a dureza e tamanho empurrados provocativamente contra o seu corpo molhado. – Contudo, se para desfazer esse terrível mal-entendido, for preciso ignorar meus cuidados e me meter em você – e se sentiu ser erguido pelos flancos. As pernas foram abertas e presas firmemente pelo marido, que as enroscou na própria cintura – até o fundo... Ah, é exatamente o que farei.
O frio do azulejo irradiou pelas suas cosas, ao mesmo tempo em que sucumbia a um ataque impiedoso dos lábios do marido: bochechas, boca, pescoço... Foi mordido e chupado de forma quase animalesca.
_AAH...
A água fria que ainda caía sobre ambos emaranhava os fios de cabelo, mas a fragrância única ainda estava lá, ainda mais forte... Podia senti-la, quase degustá-la com os próprios lábios. Agarrou e puxou os cabelos do professor, empregando a maior força que pôde reunir, devolvendo os mesmos beijos esfomeados, com igual intensidade.
A cena pornográfica daria um bom filme trouxa, disse sabia, pois vira alguns quando garoto. Contudo, nunca imaginou a si mesmo na posição que agora assumia: pressionado entre a parede e outro homem, enroscado ao varão em questão, beijando-o e esfregando-se nele, como se o mundo fosse acabar em instantes e aquele fosse o derradeiro encontro de ambos.
O chuveiro teve seu funcionamento interrompido por um feitiço. Pouco depois, sentiu seu interior se umedecer. “Será forte, Sirius.” Ah, aquela voz autoritária que fazia seu coração disparar. Ouvia ainda o som gostoso de água caindo, mas toda e qualquer distração foi esquecida. “Quero você, Sirius...” Não havia mais nada além daquele box estreito, do curto espaço entre Severus e ele... Ignorou o mundo exterior ao sentir o primeiro dedo resvalar dentro dele, entrando e saindo, acompanhado de um vergonhoso coro de gemidos, inicialmente dolorosos, mas depois, com a massagem precisa em certo ponto dentro de si, ah... Transformaram-se em gritos quase “orgásticos”.
_Quente e apertado... Teve outros, Sirius? Outros profanaram o que sempre foi meu? – E nisso já eram dois dedos dentro de si, abrindo-o, alargando-o com grande habilidade.
A capacidade de falar como um adulto tinha esvanecido, pois só conseguia murmurar incoerências. Já não tinha forças para articular qualquer idioma. Apesar dessa incapacidade adquirida com os beijos e amassos, precisava deixar claro o que tanto ansiava. Severus, cretino... Ah, ele estava fazendo de propósito.
_Severus... – E sentiu o membro duro do marido roçando na sua entrada, conduzido por uma daquelas mãos grandes, enquanto, com a outra mão o mantinha no cólo, a parede ajudando a evitar que caísse.
Ficou ali, sendo tentado pelo desgraçado por longos segundos. Por que não entrava nele de uma vez? Será que Severus não entendia que precisava dele, que estava tão necessitado de senti-lo, como do ar para respirar?
_Houve mais alguém? – E reforçou o agarre, impedindo que continuasse a forçar o corpo para baixo.
Nossa, que sentimento de posse era aquele? Seria mesmo isso? Snape estaria com... Ciúmes? Bem, talvez... Talvez sim. E se ele queria uma resposta, uma resposta ele teria.
_Ninguém... Nunca... Só você me teve desse jeito, só você.
Essa foi a senha correta, a sentença mágica... Sentiu as costas sendo descoladas da parede. O seu corpo foi solto brevemente, sua entrada se abrindo e recebendo o marido numa única estocada, forte e precisa, que lhe fez ver estrelas e soltar lágrimas...
“AAAH...”
Não houve espera para que se acostumasse à invasão abrupta do membro, duro feito rocha, que abria espaço dentro de si, demandante e quente. Ah, estava mesmo muito quente agora. E o seu corpo inteiro ficou extremamente sensível. Os beijos, as mordidas, os seus braços agarrando-se ao marido, o cabelo molhado batendo em sua pele que, praticamente, incandescia. Do que teve medo mesmo? De Serevus? De voltar a ser apenas uma vítima indefesa? Nossa, quanta bobagem...
A gravidade fazia empurrava seu corpo para baixo, contribuindo para que o membro de Snape chegasse fundo, muito fundo, dentro dele. Era indescritível. Sentia tanto prazer a cada entrada e saída, que ouvia seus próprios gritos e nem se importava. E então, quando já pensava que morreria de prazer naquele box, foi carregado para fora dali.
Como Snape conseguiu sair do banheiro, ainda encaixado nele, e carregá-lo a até a cama... Bem, não fazia ideia. Afundou-se na maciez do colchão, tão rápido quanto teve as pernas levantadas por aquelas mãos grandes, ainda num vai e vem frenético.
Era demais, intenso demais... Cedeu aos beijos roubados, as línguas se contorcendo num ritmo desenfreado... Por Circe, pareciam dois adolescentes! “Será forte”, dissera Severus. Mas ele estava errado, ou melhor, não definiu de forma completa o que agora acontecia. Estava sendo forte, necessitado e urgente.
O som dos corpos se aproximando e se afastando, a violência daquelas estocadas – não que estivesse reclamando –, ah... Sentia as nádegas arderem com a fricção constante e incessante, mas não se importava. Ele queria e desejava, ansioso por mais e mais... Que o marido se afundasse inteiro dentro dele e de lá não saísse!
_Severus... Aah... SEVERUS!!! – Morgana bendita, quando fora colocado de quatro? Deu-se conta desse “fato”, apenas quando abriu os olhos e não encontrou aquele rosto expressivo, com as duas luas escuras o encarando de volta.
_Delicioso... Humm... – Foi o que ouviu a voz grave do seu Severus murmurar bem baixinho, lascivo, ao pé do seu ouvido, antes de ter o ombro mordido com voracidade. Ah, aquilo deixaria uma marca.
Seu corpo estava no limite, sabia disso. Mesmo que quisesse prolongar aquele ato carnal, do qual, felizmente, era um dos atores principais, já estava gotejando. Ter a mão de Severus envolvendo seu pênis, massageando toda a sua extensão, da glande até a base, realmente não ajudava a manter o foco e estender a culminação de todo aquele prazer.
“Sirius”... Ah, ninguém nunca pronunciou seu nome de maneira tão libidinosa. Foi puxado com rapidez, as costas se colando ao tórax marcado do professor. Virou o pescoço, tendo os lábios logo atendidos, o corpo se contorcendo num sacolejar tão acelerado que, com certeza, não conseguiria sentar direito em dias.
Mais algumas estocadas profundas como as que recebia e se derreteria por inteiro. E o que era aquela sensação? O que estava crescendo dentro dele? Ah, sim... Agora entendia. Ele estava completo... Inteiro, enfim! A parte que fora tirada dele havia retornado. Cada partícula de seu ser comemorava.
_Sirius... Pode sentir? Nosso vínculo... Nosso vínculo está se formando...
Ah, era isso. As magias que se elegeram finalmente se encontravam. Não era capaz nem de pronunciar sílabas coerentes, apenas gemer, gemer e gemer de prazer até explodir num orgasmo avassalador. Como viveu até então sem tê-lo, sem senti-lo?
A audição falhou, a visão turvou... Só havia o prazer ao qual ele, o seu marido, o conduzira. Ele, o seu Severus, cujos braços o acolheram e cuidaram, quando se sentiu desfalecer. Finalmente... Finalmente estava em casa e sabia que era amado.
>>— X---<
Acordou com os primeiros raios de sol. Velhos hábitos não mudavam tão facilmente, não depois de anos a fio acordando tão cedo, para o início das atividades escolares. Pensando no que experimentara na velada anterior, alunos e provas para corrigir eram tudo o que não desejava encontrar.
Evitou olhar muito para o lençol ao lado dele, que cobria Sirius. Se perdesse mais que um segundo admirando o lençol, o verteria em trapos, até chegar ao seu prêmio: o preciso doncel, que era só dele... Inteiramente dele, sob medida para os seus toques meticulosos. E o prêmio em questão estava lá, ao alcance das mãos, descansando oculto até a cabeça.
Aquele corpo não deveria nunca ficar escondido, nem pelo mais fino e delicado véu. Sirius era perfeito e a simples lembrança do gosto da pele do moreno o endurecia. Não deixou de explorar nenhum pedacinho sequer daquele deus. O sexo selvagem no chuveiro, seguido da finalização na cama, terminou com ele se esvaziando – e quase rosnando – dentro do esposo.
Já Sirius desfaleceu pouco depois, esgotado pela sessão nada pudica de relacionamento marital. E ainda podia sentir o toque das mãos do animago, assim como o sabor único dos beijos dele. Agora compreendia o real motivo de tantas garantias legais para os donceles. Tê-los, marcá-los, devorá-los... Era um prazer quase alienígena. Não havia nada na Terra que se comparasse. Por isso, mesmo depois de ter se entranhado nele com vontade, não conseguiu esperar.
Descansar? Dormir? Ah, isso era uma trivialidade. É claro que, ouvindo o ressonar pesado de Sirius, envergonhava-se de ter insistido antes, logo depois de formarem o vínculo. Só de lembrar... Ah, mas foi impossível manter o controle! Tanto que, instantes depois de acomodar o esposo adormecido na cama, voltou a atormentá-lo com beijos e toques urgentes.
Não estava satisfeito... Temia nunca estar. Temia desejá-lo tantas vezes, que o próprio esposo pudesse acabar sufocado com a sua presença. Como evitaria tal fim trágico? Talvez não fosse possível... E, se esse terrível derradeiro ato se comprovasse verdadeiro, o encarceraria, é... Essa seria a única solução. Sirius seria trancado sob centenas de chaves e feitiços... Seria afastado de tudo e todos, a não dele, do marido.
De fato, sabia que não conseguiria deixá-lo ir, jamais... Como poderia permitir que, o ser mais desejável que cruzara seu caminho, saísse daquele quarto, daquela cama? Como?! Ah, ele era humano, por Merlin! Como resistir àquela pele de seda... Alva como alabastro, livre de qualquer imperfeição?
Mesmo que, ao longo dos duros anos das trevas lançadas por Voldemort, tivesse lutado para suprimir sua humanidade, não havia como classificá-lo como uma planta ou um hipogrifo, ora! Ele, o impiedoso professor de poções, era, apesar de todas as especulações em contrário, mais um ser humano. E agora, bem, agora faria exatamente o que os de sua espécie faziam: se queria, então tomaria para si. Se o desejava de forma tão intensa, então chegaria às últimas consequências e se entranharia em cada partícula de Sirius, se apossaria de cada ínfimo pensamento, de cada suspiro... Dele, inteiro, sem qualquer tipo de compartilhamento.
Os beijos quentes, os carinhos íntimos, uma insana estreiteza e o pomo de ouro de qualquer pegador: proporcionavam os orgasmos, verdadeiramente, irreais de tão magníficos... Dividir essas benesses com outros? Nunca... Não dividiria nada, com ninguém. Nunca... Afinal, quem seria tolo o suficiente para dividir ambrosia com meros mortais acostumados à frugalidade? Em quarenta anos de vida, nunca, em momento algum, sentiu-se dessa forma: possessivo, ciumento e completamente dominador.
Estando tão excitado, ah, era impossível dormir. E era igualmente impossível deixá-lo dormir. Assim, pensando que seria péssimo que Sirius acordasse em meio do ato sexual, começou a estimulá-lo e, em pouco tempo (uns três beijos bem dados), entrou no campo visual de um deus inicialmente confuso, mas que logo despertou e lhe sorriu feliz... Com amor. Ser amado era, de fato, algo novo em sua existência.
Apesar da novidade, o sentimento não lhe era irreconhecível, claro que não. É... O velho pocionista sabia sim identificar o sentimento tão versado em poemas. Como? Simples... Era um sentir mútuo, poderoso e dos dois apenas. Como não amar de volta aquela criatura única e tão voluptuosa?
_Doce, doce... Delicioso – murmurava enquanto o beijava.
Precisava tomar muito cuidado, ou – de forma bem literal – o devoraria, de tão gostoso que era. Devaneando sobre as inúmeras possibilidades que a nova rodada de “atividade” ventilava, demorou a perceber algo curioso. Alguns objetos – 3 almofadas, 1 livro, 1 escova de dente e 1 despertador – flutuavam ao redor da cama. Encarou o esposo, que parecia ainda mais confuso que ele. Na verdade, Sirius não tinha notado nada estranho ainda. Riu alto e depois brincou:
_A sua magia foi restabelecida... Mas parece que está descontrolada – e viu aqueles olhos curiosos num esquadrinhar minucioso do quarto, que terminou num outro sorriso.
O sorriso era tão inocente e infantil, que teve vontade de beliscar-lhe as bochechas (evidentemente, depois se recriminou... Merlin! Desde quando tinha ficado tão sensível?). Do sorriso, veio uma gargalhada muito divertida, afinal, ele sabia que era mesmo improvável ficar impassível ao ver a sua própria escova de dente dançar uma valsa com o despertador.
_Eu não consigo controlar, Severus. É por causa do vínculo?
_Possivelmente – e o puxou, colocando-o sentado de frente para si, bem em cima das suas pernas, ao que ouviu o animago gemer.
_Mas isso não é perigoso? Eu não consigo controlar minha magia direito e...
Ambos ainda estavam nus, mas fingiu que em nada ter Sirius se esfregando nele o afetava. Sorriu maldoso e prosseguiu na conversa sobre a possível razão do descontrole.
_Você esteve em coma mágico, depois teve a magia bloqueada, seguida de surtos de febre, depois formamos o vínculo numa “atividade” bem tórrida – e foi beijado, correspondendo sem pressa. – Eu não sou um veela... Não consigo liberar minha magia para contribuir na estabilização da sua. Será um processo lento.
Sirius acariciou-lhe o rosto, os dedos decorando as suas feições sérias. Depois se aconchegou nele, respirado fundo bem perto de seus cabelos, e suspirando no processo. Não havia muito mais o que fazer além de rodear as costas nuas do moreno, abraçando-o, como se tivesse a posse do bem mais precioso já fabricado.
_Quero você, Sirius. Preciso de você...
Sirius lhe lambeu a orelha... Por Merlin! Como ele simplesmente conhecia todos os seus pontos fracos?
_Hummmmm...
Sirius continuou o processo, voltando-se para a boca pouco depois num um ósculo agressivo. Não teve jeito: agarrou-lhe pelos longos cabelos, autoritário. Puxou-o para trás, demonstrando quem mandava. E então o encarou, encontrando um rosto divertido. O maldito metidinho se divertia em quase lhe deixar mudo?
_Sirius, eventualmente, eu precisarei da minha língua no lugar de praxe.
Viu o animago se afastar rindo (dele, é claro) e voltar a deitar na cama. Mas nada o preparou para a sequência do que, percebeu, se travava de pura provocação. E que provocação! Sirius se apoiou nos cotovelos e abriu as pernas, revelando-se completamente para ele.
_Você não me acordou para ficar conversando, não é? – Ah, aquele tom burlesco teria uma punição. – Severus... Vem logo pegar o que você tanto quer. Eu prometo que não vou te morder de novo... Não muito...
O ataque veio em seguida e se antes, quando o penetrou bem debaixo do chuveiro, achou que tinha exagerado... Bem, agora ele tinha certeza. Mordeu e lambeu os dedos dos pés, chupando-os com esmero. A pele do doncel tinha um sabor viciante. Subiu lentamente: panturrilha, coxa e a parte interna da coxa, as marcas avermelhadas indicando a trilha dos seus lábios.
Lá estava a semiereção, aguardando por ele. De relance, viu o rosto do esposo, vermelho radiante de pura vergonha por estar se mostrando daquele jeito. Ah, os donceles sabiam como agradar seus parceiros. Era uma espécie de segunda natureza desses seres tão fantásticos. E ele tinha plena convicção de que Sirius agia daquele jeito tão "expansivo", sem nem se dar conta, exatamente porque era o desejado pelo maridinho em questão.
O grito de Sirius ao ter o membro engolido de uma só vez... Nossa, teve sabor de vingança. Era hilário vê-lo travando uma homérica luta interna. Conhecia bem o pomposo almofadinhas... E a luta entre desejo e orgulho foi vencida pelo amor. Brega, certamente. Mas era a absoluta verdade. Havia muito mais que desejo entre eles.
_Severus... Chega... Eu vou... — E sugou com mais força ainda, os dedos entrando naquele canal estreito e quente. – Aaaaaah!
Não desperdiçou uma gota sequer. O gozo de um doncel era tão cobiçado quanto o mais caro dos vinhos. Tirou os dedos pouco depois, conduzindo seu membro até a entrada do esposo. Sirius ainda ofegava perdido em prazer, quando o envolveu numa chave de perna, encarando-o manhoso.
_Sev... – Sev?! E o que era aquela voz manhosa, sexy... Oh! – Mais... Eu quero mais – e o apertou com as pernas. Hummm... Delicioso. – Quero sentir você dentro.
Atendeu prontamente o pedido e logo estavam novamente empenhados naquela insana tentativa de tornarem-se um só. Enquanto se afundava em Sirius uma e outra vez, o quarto se enchendo de gemidos, ouvia em algum lugar um barulhinho gostoso, certamente chuva.
Mais algumas estocadas depois, Sirius se contorceu inteiro num segundo orgasmo, enquanto ele, mais uma vez, tocava o céu com a ponta dos dedos.
_Oh, Severus... – É. Ele não precisava dizer nada. Nada mesmo.
Puxou o esposo para junto de si o aconchegou em seu peito, os dedos se perdendo nos cachos largos e fartos. Já Sirius se deixou fazer, cansado demais para continuar.
_Estou com sono, Sev.
_Então durma, quem sabe assim o despertador não acabe voltando à mesinha de cabeceira... – E encontrou-se rindo do rosto irritado do esposo.
_Idiota... Tomara que acabem caindo na sua cabeça – devolveu Sirius fingindo ter ignorado a provocação para, pouco depois, se cobrir com o lençol.
_Embora, depois de tanto “exercício”, a magia tenda a ficar mais sensível, não é?
_Mais uma vez: idiota. – E agora nem a cabeça ficou de fora.
_Nossa, tão maduro, Black... – Resmungou divertido quando o esposo se afastou, virando para o lado oposto. – Certo, certo... Durma. Vou fazer o mesmo. Pelo menos por uma hora. Depois vou preparar uma poção para você. Não quer ter filhos agora, quer? – E acariciou-lhe as costas. – Na verdade, não é necessário fazer uso de contraceptivos. Com tantas poções para conter a febre debilitando seu organismo, é improvável que engravide. Contudo, é bom não nos descuidarmos. E temos tempo... A poção pode ser tomada até três horas depois... – E então percebeu que estava sendo ignorado de forma total e completa.
Sirius ressonava profundamente. E ele estava tão cansado que nem se irritou com o fato do esposo preferir dormir a lhe dar atenção. Deixou-se vencer pelo sono, perdendo-se naquela correnteza sem direção, na qual seus sentimentos se transformaram. E então, sem nem se dar conta, acordou ali, junto de uma montanha de pano, no que seguramente já era o dia seguinte (horas e horas depois).
Bom, pelo menos, não teria que se preocupar com uma possível gravidez. A poção contraceptiva era apenas uma segurança maior, sabia disso, logo, não estava mesmo preocupado. E ele dormiria por apenas uma hora?! Ha, ha, ha...
Como descansar tão pouco, depois de tamanha atividade? Ah, só de lembrar... Por isso era melhor não reavivar as recentes memórias, ou não sairiam daquele quarto por eras inteiras. Optando por deixar o esposo manter o sono dos justos, oculto pelos lençóis, notou enfim que o som de água caindo não combinava, em nada, com o céu limpo azul incandescente que vislumbrava janela afora.
Colocar os pés no chão foi... Molhado?! O que estava acontecendo? Guiando-se pelo som, afastou-se do leito, tendo que praticamente afundar os pés no aguaceiro que encharcava o quarto.
Quando chegou ao banheiro, teve vontade de bater em si mesmo... Lá estava ela, a banheira, transbordando em toda a sua glória litros de água gelada. O banheiro estava num estado bem pior que o quarto. Oh, Merlin! Já imaginava a água descendo escada abaixo.
Com um accio alcançou a varinha e se dispôs a limpar tudo, estendendo os feitiços para além do banheiro também. Seguramente, os elfos cuidariam de qualquer prejuízo causado pela água do lado de fora do quarto. Uma ou duas horas depois, já com o ambiente mais organizado, permitiu-se sentar na cama. E lá estava o mesmo monte de pano. Mesmo tendo formado o vínculo, não podia descuidar da saúde de seu esposo. Era hora de acordar, tomar café e... Bem, começaria por acordá-lo.
_Sirius – e sentou-se na cama. – Sirius, chega de preguiça, vamos.
Ouviu apenas um resmungo, quase um rosnado, mas nenhuma outra reação foi percebida.
_Vamos lá Sirius! – E arrancou o lençol, encontrando um enorme cão negro, os olhos faiscando, predadores, e rosnando furiosamente para ele.
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