Submissão
8 Capítulo 7
Notas iniciais
“Parece que a noite foi boa.”, Dex comentou ao entrar na cozinha no dia seguinte.
Meu rosto corou, mas eu mantive o sorriso escondido. Mantive meus olhos fixos nos meus movimentos enquanto terminava de preparar o café dele. Bocejei e cocei meus olhos, me amaldiçoando por ter ficado até tão tarde com Anthony na noite anterior. Iria trabalhar pernoitada e com os músculos doendo. Dei um meio sorriso. Foi por uma boa causa.
Dex se sentou do outro lado da bancada. Eu não precisava olhá-lo para saber que estava com aquele sorrisinho sarcástico de sempre. Era incrível que ele soubesse pelo meu andar que eu havia me dado bem na noite anterior. Ergui meu olhar, vendo-o colocar a mochila na bancada. Fiz uma careta.
“Cacete! Quantas vezes eu vou ter que falar para não colocar a maldita mochila na bancada.”, eu reclamei e ele riu, abaixando. Percebi um segundo depois que ele havia feito aquilo de propósito. Entreguei o café. “Na próxima, eu mesma derrubo.”
“E o seu humor continua impecável.”, ele tomou um gole do café e suspirou, deixando os ombros relaxarem. Levantou uma sobrancelha. “Parece que Anthony fez um bom trabalho, mas nem tanto assim.”, colocou os cotovelos na bancada e se inclinou na minha direção. “Sabe que eu poderia fazer melhor, certo? Lembro-me como era insaciável.”
Bufei, desviando o olhar e sentindo meu rosto tomado pela cor, enquanto minha mente era levada pelas lembranças. Dex e eu éramos insaciáveis. Parecia que quanto mais nós nos tínhamos, mais queríamos. Nunca havia tido aquela disposição com Alex. Tomei um gole do meu café e passei os dedos por meus cabelos perfeitamente penteados.
“Então, qual o próximo passo do plano?”, perguntei, desconversando.
O sorriso de Dex cresceu e seus olhos dourados brilharam.
“Esperar.”, se recostou na cadeira, como se estivesse apreciando uma obra de artes. “Conheço a mente masculina e fiquei tempo demais com você para entender como as mulheres pensam.”
Foi a minha vez de levantar a sobrancelha.
“É, Esperto?”, me inclinei na sua direção. “Então, o que eu estou pensando agora?”
Dex aceitou meu desafio e largou a xícara de café. Se aproximou, deixando os nossos rostos bastante perto. Sentia sua respiração em meu rosto, mas nossos olhares não se desviavam. Mesmo que um sentimento quente subisse por todo, tentei manter minha expressão a mais fria possível.
Dex pressionou os lábios juntos, fazendo um bico. Tive que segurar o riso. Ele sempre era bastante fofo quando fazia isso. Seus olhos me estudaram com cuidado, procurando por alguma coisa que não estava aparente. Suas orbes douradas se demoraram um pouco em meu decote, mas não reclamei. Percebi que sentia falta dele me estudando daquele jeito.
Já disse o quanto eu adoro a sua boca? E o quanto eu adoro te ver usando ela?
Pisquei algumas vezes e balancei a cabeça, me afastando e pegando meu café.
“Você é um charlatão, Moore.”, reclamei. “Não sabe o que se passava na minha cabeça.”
Deu um meio sorriso.
“Já disse o quanto eu adoro a sua boca, Morgan?”
Engasguei com o café e comecei a tossi. Escutei sua risada.
“Filho da puta.”, grasnei e o encarei. “Como você sabia?”
Dex apenas balançou a cabeça e pegou sua mochila, colocando-a em seus ombros. Estava com uma camisa preta e calças jeans. Se sentou para colocar seus tênis, ainda sorriso. Passou a mão pelos cabelos claros, e pôs uma mecha atrás da orelha. Revirei os olhos, pegando minha bolsa no sofá e pondo-a em meu ombro.
Tentei abrir a porta, mas a mão de Dex me impediu. Senti seu corpo atrás de mim e seu calor exalou em minha pele. Era incrível o quanto o meu corpo era consciente de sua presença. Sua respiração roçava em meu pescoço e eu fechei os olhos, segurando um gemido. Se concentre, Morgan. Ele é uma tentação, mas tentação vem e vão. Dex já se provou instável demais.
Mas não pude deixar de sentir meu coração se acelerando e um misto de lembranças tocando a minha mente ao mesmo tempo. Sua boca se aproximou de meu ouvido e tudo se entorpeceu.
“Você não é a única que pensa nessa época, Morgan.”, ele sussurrou. Sabia que se ele me virasse e se aproximasse, eu cederia. Meu auto controle estava por um fio. Só que tinha esquecido que Dex gostava de jogar. “Nossa única diferença, é que eu estou disposto a tentar de novo e quantas vezes mais forem necessárias.”
Nisso, ele tirou a mão da porta, me fazendo quase cair por conta da força que eu fazia para que ela se abrisse. Sua mão se fechou em meu cotovelo, impedindo que eu caísse. Nossos olhos se encontraram e eu percebi que ele estava falando a verdade. Mas eu estava cansada dessas expectativas. Por isso forcei um sorriso e me soltei.
“Espero que você não pense nessas coisas enquanto dirige.”, o vi estreitando os olhos e suspirando. Mas deu um sorriso, entrando na brincadeira. “Realmente quero me formar, sabe?”
Tranquei a porta e começamos a descer as escadas em silêncio. Tudo o que era ouvido era o som dos nossos passos e das engrenagens do meu cérebro funcionando. Dex queria volta? Era isso que ele havia dito? Mas ele era instável. Um ótimo amigo. Ótimo na cama. Mas péssimo namorado.
“Quer saber de uma coisa?”, ele perguntou me passando o capacete para subir na moto. Fiz uma careta por pensar que iria me despentear, mas levantei uma sobrancelha para ele, esperando que finalizasse seu pensamento. Mesmo que fosse uma pergunta retórica. “Eu realmente odeio quando você é sarcástica.”
Eu ri.
“Só você pode?”
Ele subiu na moto.
“Não quis dizer isso.”, ele retorquiu, sério. “Estou dizendo que, quando estou falando sério, você usa o sarcasmo como defesa. E eu odeio isso.”
“Eu odeio sua comida e não reclamo.”
Isso o fez dar um pequeno sorriso. Subi na moto e pus meus braços ao redor de sua cintura.
“Na verdade, reclama sim.”
“Cala a boca e acelera, Moore.”
Ele riu.
“Como quiser, madame.”
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“Hey, Morgan, espere!”
Parei ao escutar a voz de Roxy e me preparei para mais uma enxurrada de elogios para Dexter. Mas, mudei de ideia quando percebi um brilho maldoso nos olhos escuros dela. Tinha uma coisa intrigante que eu havia descoberto sobre minha colega de sala nos últimos anos juntos. Ela era um pouco doida. Do tipo que tinha fetiches doidos e que adorava compartilhar aquilo.
Teve uma vez que ela me levou até a sua casa e me mostrou a sua gaveta especial. Ali tinha um monte de apetrechos sexuais bem... interessantes. Que iam desde chicote até uma venda. E ela havia me dito com toda a naturalidade do mundo que havia usado tudo aquilo. Eu devo admitir que tive um pouco de curiosidade com tudo aquilo, mas Roxy era doida.
E eu reconheci aquele brilho no olhar como loucura.
“Espero que não esteja fugindo de mim.”, ela gracejou parando para respirar. Neguei e sorri enquanto ela pegava algo dentro da bolsa, com um pequeno sorriso nos lábios. “Ainda bem. Porque eu trouxe um presente para você.”, ela olhou para os lados, como se tivesse com medo de estarmos sendo assistidas. Deu um passo mais para perto e abaixou a voz. “Sei que não gosta muito dessas coisas, mas depois de te ver com aquele gato do Anthony e morar com o Deus Grego do Dexter, tenho certeza que você vai precisar.”
Antes que eu pudesse dar a chance a minha mente de imaginar o que era, Roxy puxou um par de algemas de sua bolsa. Dei um pulo ao ver as algemas envolvidas por uma parte afofada vermelha. Vermelho era a cor favorita de Dex. Ela me estendeu e fez uma cara de que não ia aceitar não como resposta. Peguei aquilo e coloquei em minha bolsa antes que alguém visse.
“Agora você vai poder domá-los, querida.”, ela riu. Então se abanou. “Aquele gato do Anthony Mead...”, ela suspirou. “Você é mesmo uma sortuda do caralho.”
Mead. Finalmente tinha descoberto o sobrenome dele. E, comparado com todos os outros que – muitas vezes – eu nem sabia o nome, já era um avanço. Roxy me acompanhou até o outro lado do campus, onde Dex me esperava em sua Harley Davidson preta. Nesse meio tempo, ela foi me explicando como funcionava a algema. E mesmo tentando parecer imparcial, algumas ideias interessantes começaram a passar por minha mente.
“Sei que parece loucura, mas nós duas gostamos de ficar no controle.”, Roxy disse e deu um rápido olhar na direção onde Dex estava parado, sentado na moto com um sorriso e de braços cruzados. Era uma das visões mais sexys do mundo. “Você quer tê-lo só para você, mesmo negando.”, Roxy continuou atraindo minha atenção. “Sei que parece uma coisa louca, mas experimente, ok?”
E com isso me deu um breve abraço e seguiu com um grupo de estudante até o lugar onde pegaria o ônibus. Fiquei olhando para ela por alguns segundos, até que Dex buzinou, chamando a minha atenção. Corri até onde ele estava e ele me ofereceu o capacete. Meu cabelo já estava preso, então não reclamei como da última vez.
“O que a louca da Roxy estava falando?”, ele perguntou ligando a moto.
Dei de ombros e envolvi meus braços em sua cintura.
“Nada demais.”, eu disse e o vi balançando a cabeça. Acelerou. Tive que aumentar meu tom de voz para que ele me escutasse. “Sabe como ela é.”, ele não respondeu e continuou indo pelas ruas.
Me pressionei mais em seu corpo, gostando daquela sensação. As palavras de Roxy ainda estavam queimando em minha mente conforme nos aproximávamos do apartamento. Ela tinha razão. Eu gostava de ficar no controle e fazia de tudo para garantir aquilo. Gostava de fazer os homens submissos ao próprio desejo. Mas tinham alguns que eram mais difíceis de lidar.
Quando desci da moto, meu pensamento foi imediatamente direcionado para a algema em minha bolsa. Se eu não tentar nunca vou saber, certo? Por isso que, quando desci da moto, pousei minha mão no ombro de Dex e lhe pedi atenção. Ele me olhou intrigado, mas esperou que eu dissesse o que estava querendo.
“Dex, você me ajuda com uma coisa?”
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“Quando você disse que precisava de ajuda, pensei que era apenas em algum trabalho da faculdade, ou sei lá, em alguma receita.”, Dex se remexeu. “Mas isso...”, olhou ao redor. “Algemado.”, suspirou. “Meu orgulho está me abandonando a cada segundo.”
“Cale a boca. Está me atrapalhando.”
Deu de ombros.
“Vá em frente. Não vou te impedir, Morgan.”
Roxy tinha razão. Toda a razão. Dex estava algemado em uma cadeira no seu quarto, por ter mais espaço que o meu – entulhado de livros. Ele havia tirado a camisa por conta do calor e a visão de seu torso nu e os músculos do braço tencionados era maravilhoso. Ele estava com seu meio sorriso nos lábios, o que não era novidade. Mas seus olhos dourados brilhavam em expectativa de meu próximo movimento.
A visão de sua pele dourada exposta e vê-lo totalmente submisso estava me excitando, mesmo que estivesse negando. Aquilo era apenas um teste. Mas que trouxe uma série de lembranças em minha mente. Da época em que eu ficava presa e vendada, apenas esperando seu próximo movimento. E como toda aquela apreensão me excitada a cada segundo.
Algo em mim se esquentou e me vi tirando a minha blusa, ficando apenas de sutiã na frente de Dex. Ele se remexeu novamente e jogou a cabeça para trás, tentando tirar os fios loiros de seu rosto. Eu estava com um sutiã vermelho e de calça jeans, mas me sentia totalmente sexy. Soltei o cabelo, lembrando que ele gostava do jeito que eles ficavam bagunçados. Estava mexendo com todos os seus pontos fracos.
“Morgan...”, ele gemeu e fechou os olhos por um segundo.
Aproveitei esse segundo e me aproximei, sentando em seu colo. Sua ereção foi imediata. Ele gemeu novamente e abriu os olhos. Pousei minhas mãos em seus ombros, gostando se sentir os seus músculos em meus dedos. Arranhei levemente e o escutei suspirando. Seus olhos estavam cravados nos meus, observando cada movimento meu.
“Isso é só um teste.”, eu sussurrei em seu ouvido e mordi seu lóbulo. Ele se remexeu pela terceira vez. O seu breve movimento fez com que nossas intimidades se encostassem. E mesmo com as barreiras das roupas, um tipo de choque pareceu me atingir e eu fiquei ainda mais excitada. Percebendo isso, Dex começou a se mexer embaixo de mim. Gemi. “Comporte-se Dexter.”
Ele sorriu.
“Você sabe que eu nunca me comportei.”
Sabia que nesse momento, se suas mãos estivessem livres, eu já estaria em sua cama praticamente sem roupas. Ou talvez já estivesse nua. Eu fechei os olhos, jogando minha cabeça para trás e comecei a rebolar seguindo os movimentos de Dex. Minhas unhas cravaram em seus ombros, mas ele não reclamou.
“Isso, Morgan.”, ele gemeu. “Gostosa.”
Eu estava cedendo. Eu iria ceder. Meus olhos se abriram, encarando os seus e me vi aproximando nossos rostos. Estava quebrando o contrato e minha barreira mental. Mas eu estava cansada de resistir. Foda-se se Dexter fosse instável em seus relacionamentos. Eu só o queria mais uma vez em minha cama. O contrato poderia ser renovado. Nossas respirações se cruzaram e senti meu coração se acelerando. Todos o meu corpo estava pegando fogo.
“Dex...”
“Sim?”
“Eu vou te beijar.”
Ele sorriu.
“Então cala a boca e me beija logo. Depois me solte, porque eu vou te foder com força para compensar todo esse tempo que eu me segurei para não arrancar as suas roupas.”, fechei os olhos, gemendo de novo. “Ah, Morgan. Quando eu estiver dentro de você, quero te escutar gritando por mais e mais. Gritando o meu nome. Vou te fazer esquecer todos os olhos. E eu vou fazer questão de te satisfazer por um longo tempo. Apenas me solte e me beije.”
Deus, eu não iria mais me controlar. Rebolei por mais alguns segundos. Eu iria beijá-lo. Abri os olhos e pus as mãos em sua nuca, me aproximando. Ele tinha os olhos grudados em mim, ansiando por cada movimento. Eu consegui sentir os seus lábios roçando nos meus...
O toque do meu celular me fez saltar para longe.
Fiquei tonta por um segundo, tentando me situar de tudo o que iria acontecer. Olhei para Dexter ainda preso e percebi que estava a um passo de cometer o maior erro da minha vida. Aproveitando a oportunidade de evitar o olhar dele, fui até minha bolsa e peguei o celular. Não me surpreendi ao ver o nome de Alex na tela.
“Alô?”, atendi rude. Limpei a garganta e tentei de novo. “Alô?”, forcei uma voz suave.
“Morgan.”, ele acariciou meu nome com a voz doce.
Meu corpo se arrepiou, mas não chegou perto do misto de sensações que experimentei segundos atrás.
“Sim?”
Olhei para Dex que tinha uma sobrancelha levantada. Ele tinha meio que cruzado as pernas, para tentar esconder a sua ereção. Me aproximei dele e fui até as suas costas com as chaves da algema na mão. Hesitei por um segundo. E se quando estivesse solto, Dexter me agarrasse para finalizar o que havíamos começado?
Não. Mesmo eu querendo muito que Dexter fizesse isso, sabia que o momento tinha passado.
“Estava pensando em algumas coisas.”, Alex continuou me recordando da ligação. Soltei a primeira algema e Dexter acariciou o pulso. Dei-lhe as chaves. “Você não quer vir em meu apartamento? Gostaria de conversar e resolver todos os assuntos pendentes que temos.”
Minha vontade naquele momento foi de gritar que não tínhamos nenhum assunto pendente, mas sabia que tinha que seguir o plano. Acompanhei os movimentos de Dex enquanto ele colocava a camisa e cruzava os braços, querendo saber quem era. Eu sabia que ele estava frustrado, mas o que mais eu poderia fazer.
“Hum, ok, Alex.”, a menção ao nome do meu ex fez Dex levantar uma sobrancelha, mas não vi nenhum rastro de sorriso. “Daqui a meia hora estarei em seu apartamento.”, ele me passou seu endereço e eu gravei. “Até.”, desliguei. Cocei a cabeça enquanto encarava meu colega de apartamento. “Dex, eu...”
“Esqueça isso, Morgan.”, ele balançou a mão, como se não importasse e sorriu. Parecia forçado. “Parece que eu tinha razão. Agora você pode ter Alex onde você quiser.”, me olhou de cima a baixo. “Você tem métodos suficientes para isso.”, essa última frase pareceu amarga. Antes que eu pudesse dizer algo, ele me deu as costas. “Vou tomar um banho e sair um pouco. Quando voltar talvez alguns dos garotos estejam aqui.”, me olhou por cima dos ombros. “Boa sorte, Morg.”
E saiu me deixando sozinha com os pensamentos da quão estúpida eu era.
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