Submissão
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Meu corpo traidor se arrepiou com o modo que ele acariciou meu nome. Mas todas aquelas sensações foram cegadas pela raiva da loira que estava ao seu lado. Tudo em mim parecia ferver. Tive que apertar a mão de Dex para me impedir de voar no pescoço de Rachel. Ela deu um sorriso simpático.
Odiava loiras.
Ok, minha melhor amiga – que no momento estava me olhando com cara de campeã – era loira, mas não era natural, por isso não contava. Minhas mãos começaram a tremer e eu pus em minha mente que era por puro ódio e não por nervoso. Dex me lançou um olhar que compreendi rapidamente e dei o meu melhor sorriso.
“Caramba, Morg”, Dante me abraçou e me olhou de cima á baixo. Meu sorriso se tornou genuíno por saber que todos estavam me observando. “Você está de matar. Tenho certeza que não sairá sozinha.”
“Hey, camarada.”, Dex disse passando um braço ao redor dos meus ombros. Relaxei com o seu toque familiar. “Ela já veio acompanhada.”, se virou para o barman. “Me vê o de sempre.”
O barman deu um sorriso para nós dois, de reconhecimento. Eu retribuí prontamente. Ele era um gato e eu adoraria que ele fizesse Martínez em meu corpo. Senti a mão de Dex que estava em meu ombro me beliscando exatamente naquela área. Dei um pulo e voltei a encarar os meus amigos, sorrindo.
“Então, você está namorando, Morgan?”, Alex perguntou mantendo os olhos azuis fixos em mim. Eles tinham que ser tão brilhantes?
Goze para mim, Morgan, mas não feche os olhos.
Balancei a cabeça lentamente, expulsando as memórias de minha mente. Ele deu um pequeno sorriso, como se estivesse compartilhando da mesma lembrança. Puta merda, eu estava ficando excitada. Dex riu ao meu lado, me trazendo de volta á superfície da realidade.
“Namorando?”, Dex perguntou. Alex desviou o olhar de mim e sorriu para ele. “Camarada, estamos morando juntos.”
Levantei uma sobrancelha. De fato, Dex não estava mentindo. Nós realmente morávamos juntos. Mas pelo jeito que Alex estreitou os olhos, ele tinha entendido totalmente errado. E eu que não iria esclarecer. Passei um braço na cintura de Dex, gostando como ele parecia se encaixar perfeitamente em meu braço.
“Mas, casar?”, Dex balançou a cabeça. “Eu e Morg estávamos longe disso.”, estávamos longe até de um relacionamento. “Como você consegue ser tão corajoso, Alexander? Ok, que sua mulher é uma gata.”, ele pausou para dar uma piscada e riu quando a inocente corou. “Mas tem muitos peixes nesse mar.”
Se Dex estava tentando se passar por meu namorado, fazia um péssimo trabalho. A não ser que ele quisesse que eu fosse a chifruda ou a que logo seria trocada. Pelo sorriso maldoso de Rachel e a sua avaliada em Dexter, tinha certeza que ela tinha o mesmo pensamento que eu. Quando seus olhos verdes pousaram em mim, forcei meu melhor sorriso, mas que deixasse claro que a tinha visto avaliando meu acompanhante.
Dispersando nosso pequeno conflito, Alex passou o braço pela cintura dela e lhe deu um selinho. Meu estômago revirou. Dex manteve o sorriso, mesmo que eu percebesse que era forçado. Seu toque se manteve firme. Rachel acariciou o noivo – a bile subia só de pensar nessa palavra – e eles voltaram a nos encarar.
“Eu a amo.”, Alex disse e acariciou os cabelos loiros dela. “Estava na hora de assumir esse amor para o mundo inteiro. E ela fica linda de branco.”
Puta merda, vou chorar.
Mantive o sorriso enquanto assentia, mas sentia os meus olhos se enchendo de águas. Bem feito, Morgan. Ninguém mandou querer ficar com Deus e o mundo. Agora aguenta as consequências. E elas estavam sendo jogadas bem na minha cara. Alex se virou para mim, mas antes que ele pudesse ver as emoções que se passavam no meu interior, algumas amigas de Rachel chegaram e Dex me puxou para a pista de dança.
“Não vai tentar sua caçada por ali?”, gracejei tentando aliviar o clima.
“Muito histéricas.”, ele respondeu ainda sem me olhar. “Além disso, tenho coisa melhor bem ao meu lado.”
Dex me puxava por entre a multidão até um lugar onde ficássemos quase invisíveis para nossos acompanhantes. E o mais importantes. Que eles ficassem invisíveis para nós. Dex fez um bico enquanto me avaliava de cima a baixo. Senti o meu rosto se esquentando.
Já disse o quanto eu amo quando você está sem calcinha?
“Vamos dançar.”, peguei sua mão e pus em minha cintura.
Primeiro nos mexemos fora do ritmo da música, apenas pelo prazer de fazê-lo. Dex estava me dando um tempo para esquecer a cena de momento atrás, mas eu não conseguia. Mesmo quando olhava nos olhos dourados e safados de Dex, tudo o que vinha na minha mente era que...
Eu que deveria estar usando aquele maldito anel.
“Morgan, não pense nisso.”, Dex sussurrou em meu ouvido. Senti minha pele se arrepiando com sua voz rouca. Suas mãos apertaram minhas cinturas e me puxaram de encontro ao seu corpo. “Pense que estamos no nosso matadouro. E mesmo eu tendo trazido você para o centro da pista de dança, Alexander ainda tentando ficar na ponta dos pés para te ver.”, ele riu e por um curto segundo, tive que segurar um gemido. Ele exalava sensualidade. “Vamos dar um showzinho para ele?”
Como se tudo fosse comandando pela sua voz, o DJ trocou de música, colocando Do What U Want da Lady Gaga e R. Kelly. Fechei os olhos sentindo a batida levar o meu corpo e meus lábios proferindo para palavra. Aos poucos, Dex me acompanhou e aproximou ainda mais nossos corpos. Fiquei de costas para ele e comecei a dançar do jeito mais sexy que eu sabia. O jeito que eu dançava quando queria levar alguém para a cama.
Eu não conseguia me conter. Era como se a música tomasse conta de mim. As mãos de Dex em minha cintura e sua ereção roçando em minha bunda também não estavam ajudando. Passava as mãos por meus cabelos, deixando minha nuca visível para ele e senti seus lábios, beijando minha pele. Continuamos dançando juntos, e eu percebi o quanto conhecíamos nossos movimentos.
“Droga, Morgan.”, ele rosnou em meu ouvido. Dei um pequeno sorriso. “Vamos sair daqui antes que eu te empurre para um banheiro qualquer e quebre o maldito contrato.”
Me virei, pondo minhas mãos em sua nuca e sussurrando.
“Faça isso e estará fazendo as malas no dia seguinte.”, eu sorri e o vi estreitando os olhos dourados. Ele apertou minha cintura e eu gemi. Caramba, eu queria que ele me empurrasse para um banheiro qualquer. O nosso banheiro, talvez. “Vamos sair daqui. Quero ir para a Sex Drive.”
“Você odeia a Sex Drive”
“Odeio mais a Rachel.”
Dex sorriu.
“Ela é uma gata.”, fiz uma careta e ele ignorou. “Aposto que poderia fazê-la gemer em minha cama feito uma gatinha manhosa.”
“Cale a boca.”
Ele levantou uma sobrancelha.
“Está com ciúmes?”, ele riu novamente e me puxou. Nossos rostos pararam á centímetros e minhas mãos estavam em seu peito. “Sabe que eu sou só seu, Morgan. Apenas me chame para a sua cama que eu vou sem hesitar.”
“Mas nunca tenho a garantia que você vai permanecer nela.”
Ele suspirou e me soltou lentamente. Era sempre assim. Uma batalha interna diária. Dex era o mau caminho inteiro e a lembrança dele sem roupa, despertava um lado fogoso dentro de mim. Tinha algumas vezes que eu transava pensando nele. Mas, não adianta arrancar a roupa e pular de volta para a sua cama.
O que ele tinha de gostoso, tinha de filho da puta.
“Pessoal, eu e Morgan vamos embora.”, Dex anunciou.
Algumas amigas de Rachel suspiraram desiludidas. Harper me lançou um olhar. Obviamente ela havia visto á dança, mas eu não queria falar sobre aquilo. Não diante do olhar assassino que Alex lançava para nós dois. Dante gargalhou e eu tive a certeza que todos ali haviam visto.
“Sei o motivo porque vocês vão embora.”, ele riu novamente. “Mas, não te culpo. Se eu gostasse de mulher, também estaria louco para arrancar as roupas de Morgan.”
Dei um meio sorriso e pisquei para Dante.
Dex gargalhou.
“Você não sabe como estou com vontade de fazer isso agora.”
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Abri os olhos com a luz do sol tocando minha pele como um beijo matutino. Se não fosse a ressaca que me tomava, eu aceitaria aquele beijo com todo o prazer. Gemi, massageando as minhas têmporas e prometendo á mim mesma que nunca mais iria beber. Antes de levantar, percebi duas coisas:
Primeiro, eu estava nua.
Segundo, tinha alguém em minha cama.
Não precisava ser nenhum gênio para saber exatamente o que havia acontecido. Era só somar dois mais e dois. Respirei fundo antes de me virar, rezando para que minha percepção de beleza não tivesse sido embaçada pela alta taxa de álcool em meu sangue. Suspirei aliviada quando encarei um loiro dorminhoco e com um tanquinho de parar corações.
Eu só gostaria de lembrar se ele era bom de cama.
Ou seu nome, pelo menos.
Levantei na ponta dos pés e peguei meu blusão na cadeira da mesa de computador, vestindo-a com a cueca feminina preta. Prendi meu cabelo em um coque. Parei meu caminho apenas para pegar um pedaço de pano vermelho no chão. Cacete, ele havia rasgado minha calcinha. Já era a quarta em três meses. Revirei os olhos e saí na ponta dos pés.
Surpreendendo-me, encontrei Dex saindo no banheiro. Ele me olhou de cima a baixo e sorriu, pegando minha calcinha rasgada da minha mão. Pelas marcas em seu peito, tinha a certeza que eu não havia sido a única que tinha voltado para casa acompanhada.
“Outro selvagem?”, ele perguntou em voz baixa.
“Parece que eu não fui a única.”, apontei para o seu peito. Ele fez uma careta. “Lembro que você odiava quando eu fazia isso.”, dei um meio sorriso. “E lembro-me da vez em que se vingou e me mordeu toda. Fiquei marcada durante uma semana.”
“Mas isso não te impediu de continuar me arranhando.”, ele balançou a cabeça sorrindo com as memórias. Então seu rosto ficou sério e eu sabia que não iria gostar do assunto seguinte. “Morg, sei que você odeia falar disso, mas preciso saber ok? Você ainda ama Alexander?”
Desviei o olhar para a parede e suspirei. Não adiantava esconder nada de Dex. Morávamos juntos tempo o suficiente para nos conhecermos. E namoramos por dois anos. Se tiver uma pessoa no mundo que me conhecia de todos os jeitos, era ele. Então seria uma burrice negar uma coisa que estava óbvia. Suspirei.
“Sim.”, assenti passando a mão pelo rosto até os cabelos e vendo alguns fios se soltando do coque mal feito. “Sei que se passou muito tempo, mas Dex...”
“Eu sei, não precisa me explicar.”
Percebi vagamente os olhos de Dex se estreitando, e um sentimento passando por ali. Parecia mágoa. Mas foi rápido demais para que eu tivesse certeza. Sabia que tínhamos pouco tempo de conversa e eu ainda tinha que fazer café da manhã. Dex tinha dor de cabeça sem o café dele. Tive vontade de revirar os olhos com esse pensamento. Sentia-me a mãe dele.
“Eu vou te ajudar, ok?”
Levantei uma sobrancelha.
“Ajudar com o que?”
Ele deu um meio sorriso.
“Ajudar á destruir esse casamento, Morg.”, ele tocou meu ombro. Alguns de seus cabelos loiros saíram do rabo de cabelo despreocupado que ele tinha feito. “Eu vi ontem o jeito que ele estava te olhando. Ele quer estar na sua cama, Morg. E você o quer na sua. Então nós vamos resolver dois problemas de uma só vez.”
“E o que você ganha?”, perguntei franzindo o cenho.
Dex nunca entrava em um jogo para perder.
“Que tal a chance de pegar aquela loira gostosa da noiva dele?”, ele arriscou. Eu fiz uma careta. Ele me abraçou e riu. Abraçar aquele corpo me trouxe sensações inapropriadas para o horário. “Não precisa ficar com ciúmes, Morg.”, ele sussurrou em meu ouvido. “Sou só seu.”
“Vai pro inferno.”, me afastei dele, rindo.
Ele riu também e encarou a porta do meu quarto.
“Se divertiu com o Chris Evans?”, ele perguntou. Abafei uma gargalhada. Eu tinha mania de trocar os nomes de suas acompanhantes. Dex tinha a mania de colocar nomes de atores nos meus. “Ele parecia estar doido para enterrar o pau em qualquer coisa que se mexesse.”
“Pela quantidade de álcool que eu consumi poderia me mexer do jeito que ele quisesse.”, sorri e o vi fazendo uma careta. Fiquei na ponta do pé e dei um beijo em seu queixo, sentindo a barba por fazer. “Está com ciúmes?”
Me virei para ir fazer café, mas a mão de Dex em meu antebraço me impediu. Ele puxou de volta rapidamente contra o seu corpo e me vi na mesma situação da noite passada. Minha mão em seu peito definido, sentindo seu coração acelerado na palma.
Nossos rostos á centímetros de distância um do outro. Podia sentir seu cheiro dominando o ar e seu hálito de menta invadindo minha boca, sem permissão. Seus olhos dourados tinham um brilho divertido, como se ele gostasse de ver-me submissa aos seus encantos. Sua barba por fazer era um convite que eu estava tentada á aceitar, mas que recusava veementemente.
“Quando você quiser, posso te dar diversão.”, ele aproximou nossos rostos, do jeito que nossos lábios quase se tocassem. Eu adoro quando você é safada, Morgan. “É só me pedir.”
Por um segundo, eu considerei pedir. Caramba, eu estava cansada de resistir á aquela tentação. Estava cansada de lutar contra os meus instintos. Eu e Dex já havíamos namorado. Seria apenas uma leve recaída. Eu não sentia mais nada por ele, além de tesão, então não teria nenhuma consequência. Mas, antes que as palavras se formassem em meus lábios, escutei o barulho do meu celular.
Nos encaramos por mais um segundo antes que ele suspirasse e me soltasse. Saí praticamente correndo dali e peguei o celular antes que Chris Evans acordasse. Corri até a cozinha, vendo Dex sentado em seu lugar esperando que eu preparasse o café. Os olhos fixos em mim. Abaixei os olhos para a tela e arfei.
“Puta merda.”
Era Alex.
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