Submissão
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Eu estava estática. Gaguejei algumas palavras sem sentindo, mas nada que fizesse Dexter me encarar. Pousou os cotovelos nos joelhos e cruzou as mãos na frente do rosto, mas desviou seus olhos dourados para a parede. Continuei parada, sem saber o que fazer. Ou o que dizer. A verdade era que não sabia o motivo real para que Rachel e eu brigássemos. O motivo inicial era por Alexander e sua traição, depois foi por Dexter. Mas, o que havia sido o real gatilho?
“Ela me atacou.”, disse a única coisa que tinha certeza. Isso o fez me encarar. Dei um passo para trás com a intensidade de aquele olhar. “Discutimos e ela me atacou.”
Dexter se levantou, vagando pelo quarto. Aquela distância estava me enlouquecendo, entretanto não me permitia ir até ele. Sabia que a recusa era uma coisa óbvia de se acontecer. Cruzei os braços, me recostando na parede ao lado da porta e esperei até o momento em que ele estivesse pronto para conversar.
Não demorou tanto quanto eu imaginava.
“E por que ela te atacou?”, questionou.
Opa. Agora era território perigoso. Sinceramente, pensei em mentir. Mas Dexter conseguia sentir o cheiro de mentira no ar. E seria pior. Cocei a cabeça, tentando ganhar tempo. No final, joguei os braços para o ar e o encarei com o restante de dignidade que eu ainda carregava.
“Porque Alexander me beijou.”
Isso o fez parar de andar. Minha sorte foi que ele estava de costas para mim, porque já imaginava que seu olhar não era o dos melhores. Mas Deus estava totalmente contra mim àquela noite. Dexter virou seu corpo lentamente na minha direção e fixou seus olhos nos meus. Ainda bem que estava encostada na parede, caso contrário, tinha certeza que iria cair para trás.
Era como se eu ganhasse um tapa a cada passo arrastado que ele dava na minha direção. O mesmo corpo que tanto me desejava, agora estava enfurecido. Exalava raiva de seus poros e eu respirei fundo, tendo que aguentar as consequências. Mesmo que – pensando melhor – nada fosse realmente culpa minha.
Dexter parou na minha frente e bateu com a mão na parede atrás de mim. Fechei os olhos com a força do impacto e arfei com a intensidade de seu olhar. Seu rosto estava na mesma altura que o meu, impedindo minha fuga. Fechei as mãos em punho, evitando que elas tremessem.
“Você e Alexander se beijaram?”, ele repetiu com a voz trêmula.
Me senti ofendida.
“Hey, ele me beijou, ok?”, coloquei as mãos firmes contra o meu corpo, lutando contra a vontade de gesticular. “Eu bati nele e tudo. Acho que mereço um crédito por isso.”
Dexter deu um sorriso irônico.
“Claro, porque violência é a resposta para tudo na sua vida.”, se afastou e fechou a cara, desviando o olhar novamente. Moveu as mãos pelos cabelos claros e suspirou. “Morgan, eu realmente não sei o que fazer. Com você. Com nós dois.”, não me permitir abrir a boca. Seria pior. “Não posso te culpar pela vingança. Afinal quem deu essa ideia estúpida fui eu.”
Aquilo me deixou com raiva. Cruzei os braços, estreitando os braços. Meu movimento súbito atiçou sua curiosidade o suficiente para que ele me encarasse.
“Então o restante é culpa minha? É isso o que você está dizendo, Dexter?”, eu rosnei entredentes. “Fui eu quem implorou para que Alexander me beijasse? Para que ele viesse atrás de mim e praticamente implorasse para voltar?”
Seu olhar estava tão frio que senti medo.
“Você deu os sinais, Morgan.”, ele deu de ombros. “Alexander apenas os seguiu.”
“Eu dei os sinais que você mandou.”, gritei. Passei as mãos pelo rosto. “Não acredito que estamos discutindo isso. Não, nisso eu posso acreditar. O que realmente eu não posso acreditar é no quanto eu fui burra e pensei que tínhamos amadurecido o bastante para ter um romance.”, apontei para ele. Seus olhos se arregalaram. “E ainda acreditei que precisava de você. Sou a maior idiota do mundo, não é, Dexter?”
Isso fez seu olhar se amenizar. Dexter hesitou por alguns segundos, parecendo lutar contra si mesmo, até que bufou e veio em minha direção. A próxima coisa que eu tomei noção foi de seus braços quentes me envolvendo e sua boca tomando posse da minha. Me esforcei um pouco para sair, mas quando dei por mim estava derretendo em seus braços e correspondendo.
Nos afastamos, arfantes.
“Não, Morgan. Você não é a maior idiota do mundo.”, passou os dedos por minha cintura lentamente. Sua ereção se pressionando em meu quadril. “Eu também preciso de você.”, sussurrou rouco. “É só que...”, fechou os olhos por um segundo. Pus minha mão em seu rosto. “Esqueça isso. Não quero pensar naquele idiota te beijando.”
“Nem eu.”, fiquei na ponta dos pés, passando os braços ao redor de seu pescoço. “Me faz esquecer, Dexter. Eu preciso de você. Aqui. Agora.”
Ele deu um meio sorriso.
“Eu sempre precisei de você, amor.”, ele suspirou.
Ele me beijou de novo, suas mãos apertando minha cintura e me empurrando contra a parede. Arfei e me pressionei contra o seu corpo. Dexter mordeu meu lábio inferior com força e moveu os nossos corpos, dando passos lentos para trás. Senti-os se abaixando e tive a leve noção de que ele estava sentado.
Abri os meus olhos ao mesmo tempo em que ele. Nossos olhares diziam tudo o que nossos corações teimavam em perguntar. Seus lábios se moveram para a minha barriga traçando um caminho de beijos até os meus seios. Eu gemi, sentindo tudo pegar fogo. Segurei a ponta de sua camisa e ele ergueu os braços, para que eu pudesse tirá-la. A visão de seu torso nu me fez perder o restante do controle que eu ainda possuía.
Sentei em seu colo sentindo sua ereção se pressionando em minha intimidade e rebolei, meu corpo formigando. Ele apertou minha cintura novamente e puxou minha blusa para cima. Tirei sua mão dali, com um meio sorriso e terminei de tirá-la. Dexter puxou o ar e eu me senti satisfeita ao ver que tinha o mesmo efeito nele.
Nossas calças foram rapidamente despidas por conta do nossa impaciência e com a nossa briga pelo comando, acabei ficando embaixo de seu corpo. Pus os cotovelos na cama e levantei o torso, deixando o caminho até o fecho do meu sutiã livre. Ele jogou-o no outro lado do quarto e apertou meus seios.
“Dexter.”, gemi. “Para de me provocar.”
Ele beijou meu pescoço e trilhou um curto caminho com a língua até o meu seio, pondo o mamilo na boca e o mordendo levemente. Eu gemi, agarrando os seus cabelos e deixando que todas as sensações tomasse conta de mim. Sua mão livre desceu por minha barriga e tocou minha intimidade por cima da calcinha. Rebolei contra os seus dedos e mordi o lábio. Dexter me encarou e passou a língua levemente por cima do meu mamilo.
“Para de se conter, Morgan.”, ele riu e empurrou minha calcinha para o lado, tocando meu clitóris. Soltei o lábio e gemi. “Isso. Quero que você perca o controle. Não, abra os olhos. Lembre-se de tudo isso. E saiba que ninguém vai te dar prazer como eu te dou.”
Ele pôs a boca no outro seio ao mesmo tempo em que me penetrou dois dedos. Ele gemeu junto comigo, ao perceber o quanto eu estava molhada. Tentei manter os olhos abertos, mas não consegui. Tudo era um misto de prazeres e sensações. Senti meu corpo começando a se enrijecer e meu ventre formigando. Meus gemidos se tornaram altos até para os meus ouvidos. Eu estava quase lá...
E Dexter parou.
“Caralho, Dexter.”, xinguei, frustrada.
Ele riu.
“Já disse o quanto você é impaciente?”, ele perguntou descendo por meu corpo. “Quero sentir o que gosto. Provar cada parte do seu corpo.”
Para meu delírio, ele tirou a minha calcinha com a boca, com cuidado para não arrebentar. Pegou-a e colocou no bolso da calça. Olhei-o, atônita então gargalhei. Isso era uma novidade. Dexter passou as mãos por minha coxa e deitou, com o rosto na minha intimidade. Arfei, esperando o prazer me tocar. Mas Dexter apenas estava respirando ali, me deixando cada vez mais frustrada e excitada.
“Você quer que eu implore?”, choraminguei. “Porque é o que eu vou fazer.”
Dexter mordeu o interior da minha coxa. Eu gritei. Ele mordeu a outra. E antes que eu pudesse reclamar, sua língua me penetrou e meus gritos se tornaram súplicas. Ele mordia, lambia, me penetrava ou apenas se concentrava no clitóris. Qualquer coisa que ele fizesse, me fazia ficar a beira do orgasmo. Ele deu um tapa na minha coxa e substituiu a língua por seu dedo.
“Está se contendo novamente, Morgan?”, me questionou e mordeu o lábio inferior. Tentei negar, mas não lembrava como se pronunciava a palavra não. “Vamos. Eu sei que você quer gozar.”, ele começou a me penetrar mais rapidamente. Minhas mãos se fecharam ao redor dos lençóis. “Goze, Morgan. Agora.”
Sua voz exerceu o comando que meu corpo precisava e eu senti o orgasmo me atingindo como um tiro. Soltei um grito tão alto que pelo menos metade do prédio deve ter escutado. Dexter se levantou, me dando tempo para respirar – arfante e fundo – enquanto tirava a cueca e procurava a camisinha na gaveta de Will. A leve lembrança de que estávamos no apartamento do amigo dele me atingiu e dei um meio sorriso.
“Está rindo de que?”, Dexter perguntou colocando a camisinha em seu membro.
“William vai te matar.”, eu disse.
Dex franziu o cenho e deu de ombros. Voltou a deitar em cima de mim e não hesitou em me penetrar. Soltei um longe gemido e o escutei rosnando.
“Vai ter valido a pena.”
Esqueci de tudo ao meu redor, apenas focando no que meu corpo sentia e no prazer que Dexter estava me dando. Ele começou a se moveu devagar e mordeu o lábio, contendo o gemido. Deitou seu peito contra o meu, com cuidado para não colocar seu peso em cima de mim. Fechei os olhos e senti sua respiração em minha orelha, deixando-a entorpecida.
“Ah, você é tão apertada.”, ele gemeu acelerando. Minhas unhas cravaram em suas costas e o escutei arfando. “Amor, não precisa me marcar para saber que sou seu.”, ele estocou com força. Joguei a cabeça para trás e arranhei-o. “Direito iguais, então.”, ele mordeu meu pescoço.
Gemi alto e ele me imitou. Sua mão estalou na lateral da minha bunda com tanta força que eu tive certeza que iria deixar marca. Me surpreendendo, ele parou e me segurou pela cintura, impulsionando os nossos corpos para que trocássemos de posição. A excitação aumentou quando me vi por cima dele.
“Você queria tanto o controle.”, ele disse apertando minha cintura e me incentivando a subir e descer em seu membro. “Sou todo seu. Use e abuse.”
Minhas mãos pousaram em seu peito, me dando suporte e comecei a acelerar os meus movimentos. Minhas pernas queimavam, mas eu não ligava. Queria que Dexter tivesse o mesmo prazer que estava me proporcionando. E por seus olhos fechados e sua boca entreaberta com respiração entrecortada, acho que estava no caminho certo. Ele começou a se mexer embaixo de mim, fazendo nossos corpos se cruzarem. Fechei os olhos, absorvendo o máximo.
Suas mãos apertaram ainda mais minha cintura, sinalizando ele estava perto do limite. Sorri e pus a mão em meu clitóris, começando a me tocar. Esse movimento fez com que Dexter abrisse os olhos. Ele arfou com aquilo e não tirou mais os olhos de mim. Não demorou muito para que eu começasse a sentir tudo de novo. Dexter aumentou a intensidade de seus movimentos e eu acelerei.
O orgasmo me tomou segundos antes dele gozar dentro de mim. Meu corpo exausto caiu por cima dele e tentei estabilizar minha respiração. Sorri ao sentir o seu coração batendo contra o meu peito. Ele acariciou minhas costas levemente e eu virei meu rosto para ele. Estávamos completamente suados, mas satisfeitos. Estiquei minha mão e tirei uma mecha loira de seu rosto.
“Adoro sexo de reconciliação.”, sussurrei.
Ele sorriu.
“Acho que devemos brigar mais.”, ele brincou. Então franziu o cenho, parecendo reconsiderar. “Não, você é muito chata gritando e me acusando.”
Revirei os olhos.
“Se a minha memória não falha, você quem estava me acusando.”, nós rimos. Então suspirei, ficando séria. Tinha uma coisa que estava batendo na minha cabeça por todo esse tempo e sabia que não iria sair enquanto não perguntasse. Respirei fundo e tomei coragem. “Dex, o que nós estamos fazendo?”
Ele suspirou e pôs um braço atrás da cabeça, encarando o teto.
“Estamos nos reconectando, Morgan. Fazendo as coisas do jeito certo. Fomos amigos, confidentes, agora somos amantes.”, ele me deu um olhar de canto. “Não amantes. Posso arriscar dizer que somos namorados.”, ele sorriu. Senti meu peito inflar, mas tentei não deixar transparecer. “Não adianta fazer essa cara de indiferente.”, ele debochou. “Seus olhos estão brilhando.”
“Não estão nada.”, eu neguei e fiz um bico. Dei de ombros. “Já namoramos antes. O que me garante que você não vai fugir de novo?”
Ele passou o dedo por minha bochecha e pegou uma mecha do meu cabelo enrolando por entre os seus dedos.
“Eu só fugia porque você se tornava dependente demais de mim.”, ele justificou. Desviei o meu olhar. Ele segurou o meu queixo e me fez voltar a encara aqueles olhos gatunos. “Não quero que você se torne dependente e vou fazer o máximo para que isso não aconteça novamente.”
Franzi o cenho, confusa com suas palavras.
“O quer você quer dizer?”
Ele não desviou seu olhar do meu.
“Eu vou me mudar, Morgan.”
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