Submissão

20 Capítulo 19


Notas iniciais
O amor por vocês nunca acaba. Aqui estou eu, atrasada para faculdade, mas postando o penúltimo capítulo. E eu tinha comentado que ele era o meu favorito. Realmente é. Porque conta como Dexter e Morgan se conheceram e eu me diverti escrevendo esse momento. Ah, quando eu chegar da faculdade, juro que respondo os comentários (Rumo aos 200 comentários EEEEEHHHH)

Dias haviam se passado. Talvez uma semana. Talvez duas. Não sabia. Só tinha certeza que o apartamento ficava muito silencioso sem Dexter ali. Fechei os olhos, tomando o café e por um segundo desejei ser aquela mistura heterogênea que apenas Dexter conseguia fazer.

Fixei os olhos na entrada da sala, com uma esperança vazia de que ele aparecia por ali com aquele meio sorriso sacana e vestindo apenas um samba-canção. Tudo para saborear o meu café e me provocar. Porque ninguém sabia fazer como eu. Balancei a cabeça e bufei. Tinha considerado essa ideia de ficar sozinha, caso ele quebrasse o contrato. Mas não compreendia que seria tão solitário. Ou que sentiria tanta saudade.

Ainda que nos víssemos quase que diariamente, não era a mesma coisa. Corríamos de uma aula para a outra, e a casa de Will – onde ele estava – era do lado contrário do meu apartamento, o que impossibilitava uma carona. Na verdade, Dexter sempre oferecia, mas eu negava. Estava com raiva. Ele não pisaria aqui se não fosse para ficar. Sei que o magoava e me sentia satisfeita. Queria que ele experimentasse exatamente o que eu vivenciei quando ele disse que iria se mudar.

Minha mãe vivia dizendo que Dexter tinha razão. Que nem deveríamos ter começado com esse jogo para início de conversa. Era óbvio os nossos sentimentos um pelo outro. Só que negávamos. Não. Eu negava. Entretanto, desde o começo – desde o telefone que gerou essa confusão – sabia que aquilo era errado e muito perigoso. Estava arriscando minha sanidade. E agora ali estava eu, suspirando para o nada. Com o olhar fitando o passado perdido.

“Se sente tanta saudade, você deveria ligar e pedir para que ele voltasse.”, Roxy disse.

Era sábado. Roxy e Harper resolveram fazer uma intervenção. A morena tomou o sorvete de minha mão, ignorando minha careta. Prendi o cabelo em um coque e olhei para a janela, vendo o sol se pondo lentamente. Harper digitava furiosamente no celular e o largou, bufando. Roxy e eu trocamos olhares e a encaramos. A loira demorou alguns segundos para perceber que estávamos olhando-a.

“Ah, isso.”, ela gesticulou para o celular. “Anthony me apressando por causa do...”, ela hesitou e resolveu se calar.

Uma lembrança distante me atingiu e meus ombros tencionaram.

“O casamento de Alexander.”, assenti comigo mesma. Dei um sorriso triste e movi meus dedos pelos fios soltos. “Pelo menos alguém está feliz.”

“Feliz é relativo nessa frase.”, Harper deu um meio sorriso e seus olhos castanhos brilharam. “Rachel teve que passar uma quantidade absurda de maquiagem para cobrir todas as marcas que vocês deixou no rosto dela.”, nós três gargalhamos.

Roxy inspirou o ar, fazendo suas bochechas ficaram fundas. Seus lábios formaram um bico e seus olhos escuros se arregalaram. Ela fingiu segurar um buquê e começou a andar pela sala, como se mancasse. Fiquei sem ar de tanto rir e aproveitei sua ausência para pegar o sorvete de volta. Harper bufou e tomou-o de minhas mãos. Fiz uma expressão indignada. Ela levantou uma sobrancelha.

“Ligue para ele”, a loira disse.

“Diga que sente falta daquele corpo bronzeado por cima do seu.”, Roxy disse, pondo uma mão no meu ombro e os olhos brilhando. “Daquele meio sorriso cafajeste, de seus olhos gatunos, de sua voz rouca te pedindo mais e mais e mais.”, ela soltou um gritinho, como se estivesse tendo um orgasmo. Eu ri, balançando a cabeça. “Nossa, preciso de sexo.”

“Eu acho que percebi isso.”, Harper disse franzindo o cenho. Sua expressão se suavizou quando ela me encarou. “Olhe, sei que você não gosta de dar o braço a torcer, mas...”

“É você quem está se afastando.”, Roxy complementou. Aquilo era um complô? “Sei que está magoada e todas essas coisas, mas ele só se mudou. Não terminou nem nada. Não é o fim do mundo, Morgan.”

Balancei a cabeça, pondo as mãos em meu rosto.

“Vocês não entendem.”, grasnei e gesticulei para o espaço ao nosso redor. “Tudo isso me lembra dele.”, me levantei e sentei no sofá. “Ele ficava aqui vendo o jogo e acariciando minhas pernas, sempre dizendo o quanto gostava do meu cabelo bagunçado.”

Lembra-me de como você ficava depois que transávamos. É sexy.

Fui até a porta e encostei minhas costas ali.

“Foi aqui que ele disse que estava disposto a tentar.”

Você não é a única que pensa nessa época, Morgan. Nossa única diferença, é que eu estou disposto a tentar de novo e quantas vezes mais forem necessárias.

Voltei para bancada e suspirei.

“Aqui era onde tínhamos a maioria das nossas discussões.”, dei um meio sorriso e as encarei. “Essa casa não é a mesma coisa sem ele. Nós construímos os momentos juntos. E sem Dexter, isso são apenas lembranças vazias.”

Roxy pegou minha mão e disse a frase que eu mais escutei.

“Ligue para ele.”, revirou os olhos.

Harper sorriu.

“Não vai ser uma tortura.”, levantou uma sobrancelha. “Pelo que me lembro, foi você quem ligou para ele no começo de tudo.”

Senti meu rosto se esquentando com a recordação.

“Desde o início.”, meneei a cabeça com um sorriso.

“Não acredito que você me trouxe nessa festa, Taylor.”, reclamei pela décima vez parada no bar esperando minha bebida ficar pronta. A música era tão alta que tive que praticamente gritar para que alguém me entendesse. “Eu deveria estar estudando para a prova.”

Harper abanou a mão como se não fosse grande coisa.

“Você tem média o suficiente para tirar zero pelo restante da vida.”, pegou seu copo no bar e bebeu um gole. “Se distraia um pouco.”, ela olhou para o espaço ao nosso redor, então voltou seus olhos para mim, os semicerrado. “A quanto tempo você não fica com alguém?”

Revirei os olhos.

“Sinceramente, se você vai ficar falando da minha vida amorosa, eu vou embora.”, ameacei, recebendo um pequeno sorriso em resposta.

Estava frustrada. Tanto por conta da prova quanto por causa da minha roupa. Sempre fui adepta ao jeans básico e camisetas. Mas Harper tinha feito questão que eu usasse um vestido branco de alças finas que mal chegavam ao meio das minhas coxas. Os saltos eram tão altos que me sentia orgulhosa de mim mesma por conseguir me equilibrar.

Não tinha tido coragem para olhar minha maquiagem no espelho, ainda que Harper afirmasse que tinha feito um bom trabalho. Meus cabelos – que quase sempre ficavam presos em um prático rabo de cavalo – estavam soltos e meticulosamente desarrumados. Era para ser sexy, segundo Harper.

Sem que eu esperasse, a loira se aproximou de mim e me entregou um copo com uma bebida colorida. Não precisei ser um gênio para saber que aquilo tinha álcool. Mas aquilo era apenas uma desculpa para que ela pudesse sussurrar em meu ouvido discretamente.

“Tem um gato que está te olhando desde que você chegou.”

“Não quero ninguém.”

Ela sorriu e pôs a mão em meu ombro.

“Mas parece que ele está te querendo, porque está vindo até aqui.”

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Harper usou a mão em meu ombro e me virou na direção do garoto. Sejamos honestos. Harper Taylor poderia ser ótima para arrumar festas, mas péssima em cálculos. O que resultou em uma bebida gelada derramada em meu vestido novo. Fiquei encarando o estrago por alguns segundos, até que o choque foi substituído pela raiva.

“Você não olha por onde anda?”, ralhei encarando o causador daquela catástrofe.

Por um segundo, bambeei. Ele realmente era muito bonito. Os olhos dourados me avaliaram com deboche – se concentrando no exato lugar onde tinha derramado bebida – e o meio sorriso revelava uma fileira de dentes brancos que entravam em contraste com sua pele bronzeada. Seus cabelos eram claros e bastante bagunçados. Minha mão coçou para arrumá-los, mas me mantive centrada em meu ódio.

Aquela cena era um pouco irônica se pensasse em uma garota que mal alcançava seus ombros querendo confrontá-lo. Cruzei os braços, atraindo sua atenção para o meu rosto. Seu sorriso se ampliou e ele passou a língua pelos lábios. Não sabia o porquê, mas tudo dentro de mim estava agitado. Ele se aproximou, pressionando o seu corpo levemente contra o meu apenas para encostar sua boca em meu ouvido, que instantaneamente, entorpeceu.

“Se te serve de consolo, acho que o vestido ficou bem mais bonito assim.”, ele riu, rouco. Continuei parada no meu lugar. Ele se mexeu, se pressionando um pouco mais em mim. “Se quiser, minha casa fica á poucos minutos de distância. Posso lavar o vestido rapidamente e você volta antes da festa acabar.”

Bufei, pondo meus cotovelos no bar, tentando parecer descontraída. Mas meu corpo quase rangeu, de tanta tensão que meus ombros carregavam. Isso o fez segurar em minha cintura e o exato lugar onde suas mãos tocaram ficou quente.

“O que te faz pensar que eu iria para a casa de um estranho?”, indaguei, levantando uma sobrancelha, mesmo que ele não pudesse ver. “Você nem me disse o seu nome.”

“Dexter Moore.”, ele deslizou sua mão por minha perna até alcançar a minha e a apertou. “Muito prazer.”, aquela palavra ficou tão distorcida em sua boca que me fez arfar.

“Morgan Night.”, respondi forçando minha voz á parecer firme.

Ele riu.

“Agora não somos mais estranhos.”, afastou o rosto, apenas para que pudesse encarar os meus olhos. Era incrível como o dourado de seu orbe parecia brilhar mais do que as luzes florescentes que nos cercavam. “Olhe, eu sei que você vai negar, mas considere a ideia. Não vai querer ficar molhada o restante da festa, vai?”, fiz uma careta com essa possibilidade. Ele sorriu com a minha reação. “E se não lavar logo, irá manchar.”

“Não sei...”, balancei a cabeça. Aquela proximidade estava deixando meu senso de certo/errado embaçado. “Quem me garante que você não é um sádico sexual ou um assassino?”

“Ok.”, ele deu um passo para trás e pôs a mão no bolso, pegando a carteira. De lá puxou a sua identidade. Cutucou Harper, que estava tão entretida com a vista da festa e não percebeu que eu estava sendo assediada, e a chamou, sussurrando algo em seu ouvido e entregando sua identidade. Ela o olhou confuso, mas deu de ombros. “Pronto, sua amiga está com minha identidade. Vou ter que voltar de qualquer jeito.”

Mas não me convenceu.

“Me sentiria melhor se você entregasse a carteira inteira.”, revelei. Pensei que ele iria desistir e ir embora, mas ele deu de ombros, como se não ligasse e cutucou Harper novamente entregando-a a carteira. “Ok, me convenceu.”, disse alto o suficiente para os dois escutarem. “Mas se eu não voltar em uma hora, você chama a polícia.”, disse para Harper e pegando minha bolsa.

Dexter sorriu para Harper.

“Se eu fosse você tentaria o celular dela antes de ligar para o polícia.”, ele arriscou e pegou minha mão. O encarei. “É o mais óbvio. Afinal, em uma hora quase não dá para fazer nada.”

Onde eu estava me metendo, Deus?

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“Tire o vestido.”

Encarei-o como se fosse louco.

“O que?”

Ele riu, atravessando o corredor e entrando em um cômodo que julguei ser o seu quarto. Dexter me pediu para fazer o mínimo de barulho possível já que sua mãe e seus irmãos mais novos estavam dormindo nos quartos ao lado. Fiquei perto da porta, abraçando-me e observando cada movimento de Dexter com atenção. Ainda não saía da minha cabeça que ele fosse um sádico sexual.

“Sabe, eu não tenho cadeiras, mas tenho uma cama.”, ele me olhou por cima do ombro. Minha expressão deve ter me denunciado, porque ele gargalhou. “É para você não ficar em pé, Morgan. Relaxe. Tire o vestido e venha para a cama.”, ele riu.

Rolei os olhos, mas não saí do lugar.

“Não vou ficar andando pelada pela sua casa.”, reclamei.

“Eu não ligaria.”, ele deu de ombros e fez um bico, estreitando os olhos. “Na verdade, acho que adoraria. Mas...”, ele foi até o armário e passou os dedos por suas camisas, puxando uma do cabide e me entregando. “Vista isso.”, ele me deu as costas. “Prometo não espiar.”

Hesitei alguns segundos, mas suspirei. Já tinha ido até lá, o que eu poderia fazer. Soltei minha bolsa no chão e deslizei o vestido por meu corpo até que caísse aos meus pés. O chutei delicadamente para longe e vesti a camisa de Dexter. Seu cheiro me atingiu como uma bala e me senti totalmente envolvida. Engolindo a seco, tirei os sapatos, aproveitando o alívio de deixar os meus pés livres. Peguei o meu vestido, mas não disse que ele poderia se virar.

De costas Dexter era tão excitante quanto de frente. Tinha uma bunda que fazia minha palma coçar para apertar e a camisa preta apertada contornavam perfeitamente suas costas. Me peguei mordendo os lábios, então balancei a cabeça com força, afastando aqueles pensamentos.

“Pronto.”, anunciei e ele se virou. Joguei o vestido, que agarrou ainda no ar. “E agora?”

Ao invés de me responder, Dexter ficou me analisando de cima a baixo, como se eu fosse outra pessoa. Querendo desviar de seu olhar – porque me trazia um misto de sensações confusas – me abaixei para pegar meus saltos e minha bolsa. Dexter me guiou até a lavanderia, sempre com aquele olhar cafajeste. Foram para o porão de sua casa, o que me causou mais arrepios.

“Você pode relaxar, Morgan.”, ele disse colocando meu vestido na máquina. Mesmo com a maioria das luzes acesas, aquele lugar ainda era muito macabro. Dei um salto para os braços de Dexter quando a máquina começou a se mexer descontroladamente. Ele riu. “Ela sempre faz isso. Geralmente eu sento em cima dela e para.”, olhei para ele, que me encarava bem humorado. “Quer tentar?”

Dei de ombros, mas não queria sair dos braços deles. Mesmo sendo jovens – 17 anos, apenas – Dexter já tinha um corpo definido. Meus dedos lentamente se soltaram de seu bíceps e eu me movi temerosa até a máquina. Me fazendo soltar um grito surpresa, senti as mãos de Dexter me erguendo e me pondo sentada. A máquina parou de se mexer loucamente no mesmo segundo.

“Viu?”, ele levantou uma sobrancelha. “Era só sentar.”

Fechei a cara.

“Você sempre faz piadas com conotações sexuais?”

Ele riu.

“Com a mesma frequência que você deve ir na casa de estranhos lavar a roupa.”

Senti meu rosto corando.

“Foi a primeira vez.”, me defendi e o senti se aproximando.

Seus dedos tocaram meu queixo, fazendo-me encará-lo. Mordi o lábio inferior. Ele era tão bonito. Dexter deu um meio sorriso e sua mão livre tocou minha coxa. Pousei meus dedos em seus antebraço e ele se encaixou no meio de minhas pernas. Meu rosto ficou totalmente vermelho quando senti que ele estava excitado. Seus lábios tocaram levemente nos meus, mas pararam, como se ele estivesse pedindo permissão para continuar.

Me pressionei contra ele e deslizei minhas mãos por seus braços, até os seus cabelos, puxando seu rosto com mais força contra o meu. Entreabri os lábios e sua língua tocou na minha, fazendo com que um jorro de adrenalina fosse jogado por toda a minha corrente sanguínea. Eu nunca tinha sentindo tudo aquilo com ninguém. Suas mãos subiram por minhas pernas até alcançarem minha bunda, apertando-a.

Gemi, me pressionando cada vez mais em seu corpo e o escutei suspirando contra minha boca, antes de morder meu lábio inferior levemente. Nos separamos arfantes e – sem graça – passei os dedos por meus cabelos, desfazendo os nós. Dexter ficou me olhando por alguns segundos, até que pegou minha bolsa e puxou meu celular. Aquilo me tirou do estado de torpor.

“Hey, o que você está fazendo?”, questionei. Me estiquei, tentando pegar meu celular e ele se afastou, rindo. Esticou um braço, impedindo que eu caísse – e o tocasse. “Me devolva.”

“Calma, Morg.”, ele disse em meio as risadas. “Vou apenas deixar o meu número aqui.”, ele apertou mais alguns botões e em seguida escutei outro toque. “Pronto.”, ele me devolveu e sorriu, tirando uma mecha do meu cabelo do rosto. “Me ligue quando quiser.”, se aproximou, abaixando a voz até que fosse apenas um sussurro. “Mas, eu mataria para ser o seu primeiro, Morgan.”

Meus olhos se arregalaram com as suas palavras.

“Como você sabe?”

Ele beijou o canto dos meus lábios.

“Não importa, eu apenas sei.”, me deu um beijo rápido. “Me ligue quando quiser e eu serei seu. Seja o primeiro, o segundo, o terceiro. Ou o último. Apenas me ligue, Morgan Night e eu estarei á sua disposição.”

“Eu não deveria ter ligado.”, disse suspirando. Encarei Harper acusadoramente. “A culpa foi sua, Taylor. Não deveria ter me deixado ir.”

Ela levantou as mãos para o ar.

“Hey, o vestido iria manchar.”, ela riu e pegou o celular de novo, fazendo uma careta. “Anthony de novo.”, mas seu rosto se iluminou ao pronunciar esse nome. “Eu tenho que ir, meninas.”, ela me encarou com compaixão. “Você vai ficar bem, Morgan?”

Assenti e forcei um sorriso.

“Vou.”, peguei meu celular na bancada, determinada. “Vocês tem razão. Eu vou atrás dele. Ele disse que seria o primeiro, o segundo, o terceiro ou o último. Então tem que cumprir o que disse.”

Roxy e Harper me deram olhares orgulhosos. Minha determinação se desfez quando o ligação deu na caixa de mensagem. Balancei a cabeça e me despedi das garotas. Agora que aquela ideia estava estalada na minha cabeça, não iria esquecê-la tão fácil.

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“William, eu juro que se você não me contar onde Dexter está, eu faço uma orgia no seu apartamento.”, ameacei terminado de colocar o sapato e me erguendo cuidadosamente. “E não minta para mim. Se o Dexter espirra, você sabe.”

Me analisei no espelho do banheiro e sorri para mim mesma. Estava usando aquele maldito vestido branco. O mesmo do dia em que eu e Dexter nos conhecemos. Na verdade, estava praticamente idêntica àquele dia. A maquiagem, os saltos, os cabelos. Tudo igual. Mas eu havia mudado. A tatuagem em minhas costas era uma prova física disso. Os meus seios mais desenvolvidos – fazendo com que o vestido ficasse mais ousado do que me lembrava – e as coxas quase destampadas também eram um lembrete constante da minha mudança.

Will suspirou.

“Quando você fala desse jeito, me sinto um perseguidor.”, ele estalou a língua. “Mas, como eu sei que é por uma boa causa, vou dizer. Ele está na Sex Drive.”

Puta merda. Rosnei.

“Hey, não desconte em mim. Ele foi sozinho.”, Will disse. Então sua voz se amenizou. “Que bom que você vai se resolver com ele. Estou cansado de ser o conselheiro amoroso.”

“Obrigada, Will.”, eu disse, sincera. “Prometo que irei retribuir um dia.”

Ele riu.

“Vai demorar um longo tempo, Morg, mas obrigado.”, ele desligou.

Parecia que Dexter tinha feito de propósito, sabendo que eu iria trás dele. Eu odiava a Sex Drive com todas as minhas forças. As pessoas de lá eram vulgares. Mulheres oferecidas e ...

Meu pensamento parou quando escutei alguém batendo na porta. Sério? Ninguém tinha celular? Revirei os olhos, me movendo apressada e abri a porta. Naquele segundo, eu me senti incapaz de gritar um xingamento alto o suficiente para expor o que estava sentindo. Dei alguns passos para trás e deixei que Alex entrasse em meu apartamento.

Ele estava perfeitamente vestido em seu terno, mas seus cabelos estavam desalinhados, como se ele tivesse passado os dedos por eles inúmeras vezes. E pelo jeito que estava andando de um lado para o outro pela minha sala, não suspeitei que fosse o contrário. Ele fixou os olhos azuis em mim e eu cruzei os braços, esperando.

“Você não deveria estar em alguma reunião especial?”, eu disse, zombando. “Seu casamento, por exemplo.”, dei de ombros. “Posso estar errada, mas acho que, pela tradição, quem se atrasa é a noiva.”

Ele continuou me olhando, perdido. Suspirei. Já vi que sairia atrasada dali.

“Eu...”, ele hesitou e moveu os dedos pelos cabelos. “Eu acho que não quero me casar, Morgan. Eu amo Rachel, mas você estava certa. Não estou pronto.”, ele balançou a cabeça com força e respirou fundo. “Depois do que você me disse... percebi que não queria perdê-la. Ela me entende e me ama. Só que não consigo me ver dividindo nada com ela. Não como você e Dexter.”

Eu poderia ter selado a minha vingança. Poderia ter dito que a queria noiva dele não era exatamente a pessoa boa que ele imaginava. Que ela tinha nos separado. Mas, ela havia apenas feito a coisa certa – com péssimas intenções, mas ainda a coisa certa. Eu era a traidora, mas Rachel era a cobra. E Alex a merecia. Então, decidi que minha vingança seria que ele descobrisse aquilo por si mesmo. Só que tinha coisa que eu queria dizer que estava me corroendo.

Poderia ser maldade, mas era a coisa certa a se fazer. E ele queria tanto saber.

“Dexter era o meu amante, Alexander.”, revelei. Ele arregalou os olhos azuis e aquilo me frustrou. “Não se faça de estúpido, pelo amor de Deus. Era só juntar dois mais dois. Eu caía de quatro por ele – literalmente – e você sabia disso.”

A frieza com que as palavras deslizaram dos meus lábios me assustou, mas nada comparado á reação de Alexander. Ele se levantou subitamente e parou á minha frente. Tentei manter minha expressão a mais indiferente possível, mas o medo que ele fosse me bater quase me possuiu. Seus olhos azuis queimavam de ódio e sua respiração estava tão densa que quase fiquei sem ar.

“Não sei como fui capaz de amar você.”, ele rosnou, raivoso. Levantei uma sobrancelha. “Não tem nenhum remorso disso.”, ele me encarou com desprezo. “Vocês se merecem. Adeus, Morgan.”

Ele fechou a porta com força atrás de si. Pensei que iria me remoer de remorso. Só que o que me tomou foi o alívio de estar livre. Livre para amar quem eu quisesse. Eu tinha que dar o braço a torcer para Alexander. Ele estava certo sobre uma coisa.

Eu e Dexter nos merecíamos.

Notas finais
Adeus, Alex. E ELE NÃÃÃÃÃO CASOOOOOOOU. Corre atrás do seu homem, Morgan.