Submissão
16 Capítulo 15
Notas iniciais
“Não diga nada”, eu disse batendo a porta atrás de mim e jogando a bolsa do outro lado da sala. Dexter manteve o sorriso sacana nos lábios, mas seus olhos dourados se arregalaram lentamente, como um sinal de inocência.
“Eu estou quieto.”, ele se defendeu, sentando-se no sofá. Cruzei os braços, levantando uma sobrancelha. Sem mais se segurar, ele caiu da gargalhada. “Desculpe, Morg, mas você tem que admitir que ver os nossos pais flertando é uma coisa interessante de se ver.”
“Posso dizer inúmeras palavras para aquele momento, mas sinto te decepcionar. Interessante, não é uma delas.”, mas quando percebi estava com um leve sorriso. “Pela ordem alfabética, poderia começar com Abominável, Amedrontador, Apavorante...”
Dexter se levantou lentamente e mordeu o lábio inferior.
“Assustador, Aterrorizante, Espantoso...”
Ele começou a caminhar na minha direção, me olhando de cima a baixo.
“Estarrecedor, Horrendo, Horripilante...”
Meu corpo começou a se esquentar e ele parou bem a minha frente, sorrindo.
“Medonho, Sinistro, Pavoroso...”
“Pavoroso vem na frente de Sinistro.”
Sorri.
“Você me pegou.”
Dex se aproximou o suficiente para que os nossos rostos ficassem do mesmo tamanho.
“Não, Morgan.”, passou o braço ao redor de minha cintura e me puxou de encontro ao seu peito. Minhas mãos se espalmaram por cima de sua camisa e tive que me segurar para não rasgá-la. “Agora eu te peguei.”
Tudo em mim começou a borbulhar de prazer quando seus lábios se pressionaram nos meus. Nossas línguas entraram em uma batalha de puro prazer e eu já conseguia sentir seus dedos roçando na bainha do meu vestido. A memória do restante do dia se apagou automaticamente de minha mente. O que importava era como os dedos de Dexter faziam meu corpo pegar fogo.
Assumindo uma postura quase que usual – mesmo para Dexter – empurrei-o no sofá. Seus olhos se arregalaram por um segundo, surpresos, mas durou apenas um segundo. Sentei-me no seu colo e gemi ao sentir sua ereção. Suas mãos seguraram minha cintura e comecei a rebolar em seu colo. Ele gemeu, me beijando com mais força.
“Isso, Morgan.”, ele gemeu. Um tapa estalou em minha bunda. Gemi. “Gostosa.”
Não me importei com o fato de estar o despenteando. Dexter se preocupava tanto com o estado de seu cabelo, quando eu com maquiagem. Mas os cabelos foram a primeira coisa que ele tentou ajeitar quando escutamos a campainha tocando. Passei a mão por meu vestido e olhei para a porta, confusa.
“Será que sua mãe esqueceu alguma coisa?”, perguntei.
Pesarosa, saí do colo dele.
“Não sei.”, Dex franziu o cenho. Então, me encarou com um meio sorriso. “Você poderia fazer o favor de abrir a porta. Acho que não estou em condições apresentáveis.”
Não precisei ser nenhum gênio para entender o que ele estava falando, mas não deixei de olhar na direção de sua ereção. Pressionei os lábios juntos, contendo o riso e assenti. Sabia que Dex mantinha o olhar firme em minha bunda enquanto eu caminhava em direção a porta.
Mal consegui ver quem estava atrás da porta. Um furacão vermelho invadiu meu apartamento e praticamente voou em direção á Dex, dando-lhe um tapa bastante sonoro com toda a raiva existente do planeta. Já havia visto Dexter levar tapas antes. Achava até engraçado. Mas naquele momento, eu estava muito surpresa.
“Seu desgraçado.”, ela gritou. Não precisei ver seu rosto para ter certeza que estava chorando. “Não acredito que você transou com a minha melhor amiga. Filho da puta, nós dividimos o apartamento. E você sabia disso. Eu te contei.”
Saindo do choque inicial, caminhei até um ponto estratégico da sala. Onde eu pudesse ver o que estava acontecendo, sem de fato ser notada. Ao estudar mais de perto a ruiva, a reconheci vagamente. O rosto estava tomado de lágrimas e os olhos verdes estampavam sua dor.
Suzannah. Hum, quero dizer, Savannah.
“Olhe, Savannah, não é nada pessoal.”, Dexter tentou se explicar. Ele parecia tão chocado quanto eu. “Eu e Evangeline estávamos bêbados e ...”
Evangeline? Ah, a morena.
“Ela tomou café da manhã aqui, Dexter.”, Savannah gritou e parecia pronta para dar outro tapa nele. “E ela me contou tudo. Você fingiu que não me conhecia. Depois de tudo o que me disse.”, ela colocou a mão no rosto e voltou a chorar. “Eu...”, ela balançou a cabeça. “Pensei que isso – nós – seríamos especial.”
Sinceramente, por um momento me senti mal. Sabia o que ela estava sofrendo. Tinha visto aquela expressão várias e várias vezes no espelho quando Dexter fazia alguma coisa que me quebrava por dentro. E mesmo sabendo que não era para me meter, fiquei tentada á falar com ela. Só que uma mulher descabelada, com a boca inchada e pronta para transar com o homem que ela pensava amar, não era exatamente o que Savannah estava precisando.
Sendo surpreendida pela segunda vez naqueles minutos, vi o remorso de Dexter. Ele poderia ser um cafajeste qualquer e ir para a cama com inúmeras mulheres. Mas tinham duas coisas que ele não fazia. Iludir e bater em mulheres. Ok, essa última parte era relativa. Só que ele sempre foi sincero com as suas intenções. Poderia exagerar um ponto, dando aquela ilusão ás mulheres, mas que homem não fazia aquilo?
“Savannah...”, Dex suspirou, sério.
A ruiva balançou a cabeça mais uma vez e soluçou. O olhar de Dexter parou em mim e ele parecia perdido. Cruzei os braços. Não poderia me meter em uma coisa que era deles. Dexter suspirou mais uma vez e abraçou Savannah. Nesse segundo, foi como se tudo dentro dela finalmente desabasse e ela chorou por longos minutos.
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“Tome.”, entreguei o copo de água com açúcar á Savannah e me sentei ao seu lado. Dexter estava na cozinha, de costas para nós duas, passando a mão pelos cabelos, exasperado. “Eu perguntaria se você está bem, mas acho que é uma coisa idiota á se dizer, certo?”
Savannah deu um leve sorriso, mas seus olhos permaneciam tristes.
“Desculpe.”, ela sussurrou, abaixando os olhos. “Eu realmente não queria fazer um escândalo na sua casa. É que quando Evangeline me contou, eu apenas explodi, sabe? Uma coisa é um cara maravilhoso aparecer na sua vida de repente e sumir do nada. Outra é você descobrir que, enquanto você pensa no que errou para ele pedir para a colega de apartamento dele te dar um pé na bunda, descobrir que ele dormiu com sua melhor amiga.”
Assenti, hipócrita. Não tinha coragem de dizer que, se ela não tivesse rompido por essa porta como um furacão, eu que teria dormido com ele. Mas resolvi fazer uma coisa para compensar.
“Me desculpe pelo jeito que falei com você.”, peguei sua mão. “Não deveria ter sido tão dura com você. De verdade.”
Ela deu um sorriso triste.
“Tudo bem. A culpa é toda minha. Os sinais estavam na minha frente, eu que não quis aceitar.”, ela levantou os olhos na direção de Dexter. “Sei que vai soar maldoso, mas espero que ele sofra quando se apaixonar.”
Eu soltei um riso.
“Não se preocupe, avisarei para a maluca sobre o passado negro de Dexter Daniel Moore.”, suspirei, ignorando o leve aperto em meu peito que surgiu com o pensamento de alguém conhecendo Dex tão bem quanto eu. Ou melhor. “Quer que eu chame um táxi?”
Ela assentiu.
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Fechei a porta.
“Acho que é assim que encerramos a nossa noite.”, eu disse encarando-o. Ele não respondeu, ainda sentado na bancada da cozinha. “Dex...”
Caminhei em sua direção e passei os braço ao redor de sua cintura. Escutei-o suspirar, como se estivesse aliviado e botou as mãos por cima das minhas. Não tinha percebido o quanto Dexter estava mexido com aquele momento com Savannah. Só aos poucos a verdade daquele distanciamento me abateu.
Ele estava se afastando de mim e não de Savannah.
Talvez estivesse com medo de que eu ficasse furiosa com um surto de uma de suas ex concubinas. Eu estava impressionada comigo mesma por manter essa calma. Mas sabia que ele precisava que me mantivesse calma. Dei a volta e ele abriu os braços, em um convite implícito. Me sentei em seu colo e pus minha cabeça em seu ombro. Entrelaçamos os dedos.
“Obrigado.”, ele sussurrou. Senti seus lábios se pressionando no topo de minha cabeça. “Por um segundo pensei que você iria pirar e me jogar os vasos de porcelana na cabeça. Ou gritar para Savannah sair de casa.”
Me senti injustiçada.
“Hey, eu nunca seria tão ruim com Suzannah.”
Isso o fez rir.
“Eu realmente sou louco para saber o motivo para você trocar o nome das garotas que durmia.”, ele balançou a cabeça e alguns fios loiros roçaram em meu rosto, me fazendo sorrir. “Sei que algumas delas tem um nome difícil, mas tenho certeza que você faz de propósito.”
Contrariando suas expectativas, me ajeitei o máximo que pude em seu colo e o encarei séria. Seu sorriso se dissolveu aos poucos. Peguei uma mecha de seu cabelo e pus atrás da orelha, para que seus olhos dourados não tivessem desculpas de se desviar dos meus. Era como se ele lesse a minha alma. As palavras de Savannah voltaram á minha mente.
Sei que vai soar maldoso, mas espero que ele sofra quando se apaixonar.
“Eu não suporto lembrar os nomes das mulheres que estiveram em sua cama. Não agüento lembrar dos seus rostos satisfeitos no dia seguinte. Então mudo o nome, fazendo com que ele seja fictício. Assim, eu posso fingir para mim mesma que essas mulheres nunca estiveram em sua cama. E esses nomes são frutos da minha imaginação.”, dei um pequeno sorriso. “Confuso, certo?”
Ele sorriu e acariciou minha bochecha.
“Pode te assustar, mas eu entendi.”, ele assentiu. “É mais ou menos o que acontece comigo quando eu troco o nome dos homens que estiveram aqui por personagens de algum desenho ou filme. Só que eu simplesmente chamo isso de Ciúmes."
Abri a boca, pronta para argumentar que eu não estava com ciúmes, mas o sentindo de suas palavras me abateu primeiro.
“Você tinha ciúmes de mim?”
Seu rosto se aproximou do meu. Era impossível não sentir sua respiração em meu rosto. Dexter colocou as mãos em minha cintura e me colocou sentada no balcão, se encaixando no meio de minhas pernas. Pousou os cotovelos em minhas coxas e me encarou como se eu fosse a garota mais doce e boba do mundo.
“Eu sempre disse isso, Morgan.”, suas mãos começaram a acariciar minhas coxas. “Mesmo que você não acreditasse.”, apertou-as levemente. “Toda vez que um canalha sortudo conseguia te seduzir, eu queimava de raiva.”, segurou a barra no meu vestido e usou para me puxar de volta para o seu colo. “Queimava de ciúmes.”, seus dedos se enrolaram em meus cabelos e puxaram levemente. Gemi. “Você é minha. E quero que se lembre disso todos os dias.”, beijou meu pescoço exposto. “Quero que se lembre do prazer que só eu te dou.”, mordeu meu queixo. Ele me soltou e nós nos encaramos. “Porque eu quero você. Só você.”
Nos beijamos com toda a urgência possível. Meus dedos entraram nos seus cabelos e eu suspirei, envolvida por suas palavras e seu toque possessivo em meu corpo. Eu não era nada. Eu era tudo. Eu era o que Dexter quisesse. Ele me segurou e se levantou, sem pausar o beijo. Sabia que estávamos indo para o seu quarto, mas a antecipação me deixou ainda mais excitada.
Se vingando, Dex me jogou na cama, retirando a camisa logo em seguida. Deixando aquele corpo másculo e pecaminoso totalmente exposto e ao alcance dos meus dedos. Meu corpo parecia formigar com as roupas e me livrei do vestido rapidamente. Dexter sorriu ao ver minha urgência. Sem hesitar, me inclinei na sua direção e o puxei pelo cós da calça.
“Você estava errada, Morg.”, ele colocou o corpo por cima do meu e segurou minhas mãos acima da minha cabeça. Seu rosto á poucos centímetros do meu. “Agora vamos encerrar a nossa noite.”
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“Ok, ainda não acredito que você ofereceu água para a ex de Dexter.”, Roxy disse enquanto caminhávamos em direção á saída.
Revirei os olhos.
“Já faz quase uma semana, Roxy. Amanhã já é sábado de novo.”
“Eu sei.”, ela começou a mexer nos cabelos cacheados. “Só que tanta coisa aconteceu na semana passada. Você e Dexter começaram a se acertar, você apresentou aquele gato do Anthony para a sua amiga encalhada.”, fiz uma careta e ela levantou as mãos. “Só sendo sincera, Morgan. Continuando: sua futura sogra – novamente – apareceu lá e flertou com seu pai, e a ex de Dexter quase o agrediu.”
Franzi o cenho.
“Nem parece que tudo isso aconteceu em poucos dias.”, disse, espantada. Repassei todos aqueles momentos em minha cabeça e percebi que realmente tudo aquilo tinha acontecido em menos de três dias. “Nossa.”
“É. Estou feliz que você se rendeu para Dexter Rei do Sexo Moore.”, ela riu. Eu sorri e balancei a cabeça. Roxy realmente era louca. “Vocês devem estar transando feito coelhos para tirar o tempo atrasado.”
Bufei.
“Bem que eu queria.”, cumprimentei alguns amigos de longe. Roxy estreitou os olhos escuros, confusa. “Estou naqueles dias, Roxy. Acabou hoje. Graças a Deus. Parece que Dexter anda de cuecas pela casa apenas para me provocar, mesmo que eu saiba que é um mau hábito.”
“Ele anda de cuecas na minha imaginação e eu não reclamo.”
Nós rimos e eu senti alguma coisa vibrar em minha bolsa.
“Em falando do diabo.”, era uma mensagem de Dex.
Morg,
Saí cedo e vim na casa da minha mãe ver meus irmãos.
Desculpe pelo furo. Juro que te recompenso quando chegar em casa. Do jeito e nas posições que você quiser. Beijos.
“O que o príncipe galante disse?”
Fiz uma careta, mesmo que estivesse feliz por ele ter ido ver sua família.
“Que eu estou sem carona.”, fechei o celular e encarei minha amiga com o melhor olhar doce que eu poderia fazer. “Será que você poderia me levar?”
Roxy gemeu, como se estivesse angustiada.
“Você mora do outro lado da cidade.”
Pisquei rapidamente mantendo o olhar doce.
“Não me faça implorar, por favor.”, pedi.
Chegamos ao portão e jurei que Roxy iria me dizer para implorar, mas seu olhar se fixou em algo atrás de mim. Não dei muita importância. Deveria ser algum garoto que ela já tinha pego ou iria pegar. Mas quando notei seu olhar se tornando temeroso e voltando para mim, um mau pressentimento me tomou.
“Acho que você não vai precisar da minha carona.”, ela apontou. “Já tem alguém te esperando.”
Me virei lentamente, sem estar ansiosa para ver o que me aguardava. E segurei o impulso de revirar os olhos quando percebi que Alex estava me esperando no carro.
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