Submissão
17 Capítulo 16
Notas iniciais
POV Alexander
“Você tem certeza?”
Encarei seus olhos castanhos e sorri enquanto punha uma mecha de seus cabelos escuros atrás da orelha. Meu coração estava disparado em antecipação e minha mente em branco com tudo o que estava ao meu redor. Eu só tinha duas certezas.
Eu amava Morgan Night.
E iria fazer amor com ela.
“Tenho tanta certeza quanto do meu amor por você.”, sussurrei.
Ela sorriu para mim, mas seu olhar continuava preocupado. Não poderia culpá-la. Eu estaria assim se a situação fosse inversa. Caso eu tivesse tirando a virgindade dela. Mas eu estava seguro e queria demonstrar isso para ela. Por isso pus a minha mão em sua cintura e a encorajei á continuar.
O som de OH, Love do Green Day enchia o quarto e eu sabia que essa música nunca mais seria a mesma na minha mente.
“Eu te amo.”, ela sussurrou e encaixou sua intimidade no meu membro. Nós gememos juntos. “Alexander, eu te amo.”
Joguei minha cabeça para trás, sentindo sensações que nunca pensei que iria sentir antes. Segurei em sua cintura e abri os olhos, não querendo perder um segundo de tudo o que estava acontecendo. Seus seios subiam e desciam conforme seu ritmo, sua respiração era ofegante, seus olhos estavam fechados e ela mordia o lábio inferior contendo um gemido.
“Morgan, abra os olhos.”, eu pedi. Ela pareceu despertar e desacelerou, abaixando os olhos para mim. Largou o encosto da cama e espalmou suas mãos em meu peito. “Me arranha.”
Ela deu um meio sorriso e em seguida senti suas unhas deslizando por minha pele, enquanto ela subia e descia em meu membro. Morgan pegou minha mão e a direcionou até sua bunda, mostrando-me o que queria. Bati e a escutei gemer. Sorri, gostando de vê-la totalmente vulnerável e exposta para mim.
Como se tivesse despertado novamente de um sonho distante, ela piscou os grandes olhos castanhos e me encarou com determinação.
“Quero você por cima.”, ela saiu de cima de mim e deitou ao meu lado. Meu coração disparou. Ela percebeu que eu estava nervoso e acariciou meu rosto. “Sei que você vai fazer certo. Afinal, não é mais virgem á 10 minutos.”, ela riu.
Balancei a cabeça com a facilidade que ela tinha de fazer piada em um momento tão íntimo como aquele. Seu olhar se esquentou e ela me olhou de cima a baixo com desejo, apenas para pegar meu membro com a mão e começar a me masturbar. Aproximou sua boca do minha orelha e mordiscou meu lóbulo.
“Quero que você me faça gozar gritando o seu nome.”, ela sussurrou.
E foi o suficiente para que eu perdesse o controle de vez.
Suspirei e passei os dedos por entre os cabelos tentando afastar aquelas lembranças da minha mente. Não acredito que ainda a memória da minha primeira vez com Morgan permanece fresca. Mas estava. E a culpa era daquela maldita música que voltava a tocar no rádio.
“Oh, Love. Oh, Love. Won’t you rain on me tonight?”, cantarolei, esperando.
Esperando por ela.
“Oh, life. Oh, life. Please don’t pass me by.”
Passei os olhos pela rua e quase desacreditei que realmente estivesse estacionado em frente à faculdade de Morgan. Minha garganta parecia seca em antecipação. Eu não sabia qual seria a sua reação a me ver. Já que, recentemente, tudo era resumido em discussão e revelações.
Queria saber se ela ainda me amava. Eu tinha que saber antes de me casar.
Poderia acusar minhas lembranças por estar ali, mas sabia que era mentira. Eu tinha tomado aquela decisão sem a influência do passado. Fechei os olhos, lutando contra a vontade de ir atrás dela nesses prédios. Mas o que restava do meu bom senso me dizia para continuar esperando.
Depois do que pareceram horas, ela finalmente apareceu. Uma garota morena que a acompanhava me notou primeiro. Não a conhecia, mas, de algum jeito, parecia que ela sabia muito bem quem eu era e quem estava esperando. Ela falou alguma coisa para Morgan, que fixou seus olhos em mim quase que automaticamente. Sabia que poderíamos nos encontrar em meio á uma multidão.
Por um segundo fiquei paralisado. Porque, todas as vezes que nos encontrávamos Morgan sempre estava impecável e sensual, totalmente o contrário da garota desajeitada e despreocupada que eu conheci. Mas, ali parada, era como se tivesse voltado no tempo.
Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo, mas algumas mechas haviam se soltado e moldavam seu rosto levemente corado. Seus olhos castanhos estavam sem maquiagem nenhuma – além de estreitos e desconfiados. Ela estava com um suéter preto e calças jeans surradas e rasgadas nos joelhos. E o All Star que eu havia dado á ela quando namorávamos.
Ela caminhou na minha direção, determinada e eu tentei ficar o mais indiferente possível. Destravei a porta e a vi revirando os olhos. Um mau hábito que ela nunca perdia. Entrou em meu carro bufando e cruzou os braços, levantando uma sobrancelha. Se não soubesse que ela estava puta da vida, teria sorrido.
“Então?”, eu disse. Tentei ignorar o quanto seu cheiro e sua presença ainda mexiam comigo. Se concentre, Alexander. Você é noivo. Só veio dar um recado. “Como foi a aula?”
E como eu suspeitava, seu humor continuava o mesmo.
“Vai se foder, Phillips. Tenho certeza que não foi contratado para ser meu chofer.”, estreitou os olhos e os desviou, encarando a rua á nossa frente. “O que você quer? Pensei que tínhamos conversado tudo o que tínhamos para conversar.”
Ainda não.
“Vou te dar uma carona.”, eu disse ligando o carro.
Surpreendendo-me, Morgan começou a rir. Franzi o cenho, tentando encontrar o motivo de ela estar rindo daquele jeito. Só que aquele não era seu riso feliz. Era o riso irônico, o que ela dava quando – segundo as suas próprias palavras – a vida a sacaneava.
“O que é tão engraçado?”, perguntei quando ela parou para respirar.
Seu sorriso quase me tirou o fôlego.
“Já percebeu o quando Deus gosta de nos sacanear?”, ela perguntou retoricamente, então meneou a cabeça. “É uma ironia do destino você aparecer para me dar carona justamente no dia em que Dexter teve que ir cedo para casa.”
Levantei uma sobrancelha, tentando ser imparcial. Mas meu peito estava agitado. Tinha seguido meu instinto e ele estava certo. Dexter não estava lá aquela noite para me atrapalhar. A memória daquele beijo que eles trocaram na minha frente na semana passada ainda me deixava nauseado. E com muita raiva. Vê-la se entregar, morar com outro...
“Talvez tenha sido o destino mesmo.”, murmurei.
Esse comentário á fez ficar séria.
“Você ainda não me disse o que quer.”
Suspirei e parei o carro em frente ao seu prédio. Lamentei que o caminho fosse tão curto. Assim que desliguei o carro, virei meu corpo na sua direção, surpreso por ela ter feito o mesmo. Tinha alguma coisa em seus olhos que me fazia querer gritar e beijá-la simultaneamente. Só que preferi ir direto ao ponto.
“É sobre o casamento.”, eu disse devagar. Vi seus olhos se arregalando levemente e ela mordeu o lábio inferior, com expectativa. “Eu queria pedir para que você não aparecesse. Sei que Harper foi chamada e não sei se Rachel te enviou um convite, mas...”
Morgan começou a gargalhar novamente. Só que dessa vez muito mais entusiasmada do que antes. Aquilo me irritou. Tudo o que eu dizia para ela era uma piada? Me pareceu, por um segundo, que estava esperando que eu dissesse que o casamento iria ser cancelado. E se fosse? E se eu dissesse?
“Você acha realmente eu daria o ar da presença no seu casamento com aquela loira estúpida?”, ela me questionou. Ela bufou. “Nem se ela me implorasse para ser madrinha. Vou estar fazendo coisas mais interessante.”, ela deu um meio sorriso e tocou meu rosto com a ponta dos dedos. “Não se preocupe. Não irei invadir o seu casamento gritando que você é meu, nem nada do tipo.”
Senti meu rosto se esquentando. Primeiro, por ter a noção que tinha dito uma coisa tão idiota. Segundo, por Morgan ter chamado Rachel de loira estúpida. Terceiro, de ciúmes. Sabia muito bem as coisas interessantes que ela estava planejando fazer. E tinha certeza que Dexter estava envolvido nelas.
As palavras que eu disse depois foram impulsionadas pela raiva.
“Então você vai passar o dia do meu casamento fodendo com o idiota do seu namorado apenas para esconder que está com raiva de mim?”
Morgan me encarou, séria.
“Exato.”
Minha boca pendeu aberta com aquelas palavras e com facilidade com que ela disse isso. Pressionei os meus lábios juntos, observando-a. Era como se visse duas pessoas ao mesmo tempo na minha frente. Uma era a minha ex namorada que tinha me feito sofrer. E outra era a mulher que tinha sofrido por mim. Toquei em sua mão e vi a tensão alcançando seu corpo.
“Não precisava ser assim, Morgan. Se você não tivesse...”
Ela se afastou, seus olhos queimando de raiva.
“Pare, ok? Pare de se fazer de vítima, pelo menos uma vez na sua vida, e admita que você teve tanta culpa quanto eu.”, ela gritou e passou os dedos pelos fios soltos de seu cabelo. Fiquei estático. Ela me apontou um dedo. “Eu quis reconstruir tudo o que tinha destruído, mas o seu orgulho inútil disse que eu merecia sofrer. Cinco anos não foram o suficiente? Você tinha que se casar e jogar na minha cara?”
“Não foi por sua causa que eu pedi Rachel em casamento.”, tentei me defender.
“Você tem razão, Alexander.”, sua voz estava tão carregada de veneno que me fazia contorcer a cada palavra pronunciada. “O que te fez pedir Rachel em casamento foi a sua insegurança e o seu medo de morrer sozinho. Antes, eu tinha raiva de você. Quando você voltou, pensei que ainda sentia algo por você.”, ela balançou a cabeça e me olhou como se eu fosse um garoto perdido. “Agora eu só tenho pena.”
“É tudo o que sente por mim?”, sussurrei.
Ela assentiu.
“Infelizmente, sim.”, pegou a sua bolsa que estava no banco de trás e a colocou no colo. “E não é por você nunca ter vindo atrás de mim. É por você nunca ter encontrado a si mesmo.”, ela estendeu sua mão e tocou a minha, dando um sorriso triste. “Mas eu ainda gosto o suficiente de você para desejar que seu casamento não seja tão infeliz.”
Olhei para a sua mão tocando a minha e percebi que ela iria sair do carro. Estava vendo minha última chance indo embora. Mesmo com raiva, não poderia deixá-la ir embora. Iria provar que Morgan estava errada. Então, segurei seu pulso e a puxei para perto de mim. Ela foi, surpresa com o meu movimento. E antes que pudesse reagir, a beijei.
Tudo dentro de mim se acelerou. A saudade me fez suspirar sobre os seus lábios e a excitação me tomou quase que automaticamente. Segurei seu outro pulso e coloquei suas mãos em meus cabelos escuros. Segurei os seus e fiz seu corpo se aproximar do meu e senti seus seios se pressionando no meu peito.
Hesitante, ela abriu a boca e deixou que minha língua tocasse a sua. Eu precisava disso. Morgan arfou quando toquei sua bunda e a apertei. Quase sorri. Ainda sabia como fazê-la se render. Ou era o que eu pensava antes dela se separar subitamente de mim e me dar um tapa no rosto.
“Não acredito que você fez isso.”, ela passou as mãos na boca, exasperada. Como se estivesse tentando limpar qualquer rastro dos meus lábios. “Não me respeitar por ser sua ex não era o suficiente e você precisou trair sua noiva?”, ela balançou a cabeça novamente e pegou a bolsa. “Prevejo um ótimo casamento.”
Então saiu. Surpreso, demorei alguns segundos antes de sair do carro também. O ar frio tocou meu corpo gelado, mas não me impediu de ir atrás dela. Segurei seu antebraço, a virando para mim. Nunca tinha me sentido assim. Estava desesperado. Estava perdido. E estava perdendo minha tábua de salvação.
“Morgan, eu ainda te amo.”, disse as palavras que estavam me engasgando desde que retornei a cidade e a reencontrei. Ela fechou os olhos por um segundo, como se não quisesse escutar. Não dei atenção. “Por favor... Não me faça implorar. Eu quero ficar com você. Sei que fui idiota e me arrependo.”
Morgan deu um passo para trás, se afastando do meu toque e abriu os olhos. Recuei por conta da mágoa que exalava dela. Pensei que era isso que ela queria escutar. Era isso o que eu queria dizer.
“Desculpe, Alexander.”, ela deu de ombros. “Tarde demais.”
E entrou, sem me dar um segundo olhar.
Tudo o que me restou foi voltar para casa, escutando aquela maldita música e me afogar em lembranças enquanto encarava as consequências das minhas infelizes escolhas.
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