Submersa
3 Caixa vazia
Notas iniciais
Estava em meu quarto, um ovo em miniatura de uma casa de lego, com paredes branco gelo, uma cama sem lençóis, porque como ela diz "você não dorme com eles mesmos, sempre que acorda está no chão, na sua cabeça, em cima do guarda-roupa, de baixo da cama menos forrando o seu colchão..." Então se contente com os seus cobertores e blábláblá... É o que ela sempre diz. Mas continuando, estava me arrumando porque iriamos jantar na casa do Jonathan, ele é oficialmente o namorado da minha mãe. Depois de três anos da morte do meu pai ela enfim abriu as portas do seu coração e está namorando, iriamos jantar lá essa noite e as ordens dela foi bem clara. Se vista decentemente que seria em tradução: Não ouse ser você esta noite. E foi o que eu fiz, coloquei uma saia preta, blusa de botões cor de pêssego e um coturno sem salto e pra termina um cordão de pedras água-marinha.
— Elena? — grita alguém lá em baixo. Adivinha quem é?! - Elena desça logo, o Pablo já chegou — Pablo é o motorista do Jonathan.
— Já estou pronta — digo descendo as escadas — está boa essa roupa dona Elena? — me referindo a seu segundo nome, dando origem ao meu primeiro nome
— Dona Elena é a sua avó, e veja como fala com sua mãe Elena — diz levantando do sofá e andando
— Como queira dona Elena — ela rir, a sigo até o carro do Jonathan com seu motorista, sim ele é rico, muito rico aliás, e seguimos em silencio a casa — ler-se castelo, sem exagero nenhum, de Jonathan.
Chegamos ao condomínio onde se encontra a casa-mansão do namorado da minha mãe, havia uma casa maior e mais luxuosa que a outra, a dele ficava no final do condomínio, eu diria que ela é a maior dele e a mais bonita também. Pablo abriu a porta do carro e caminhamos em direção a entrada da casa, passamos pelo enorme e esplendido jardim com sua grama verde, suas flores com suas diversas cores, dando a impressão de ser primavera. E no alto da escada estava ninguém mais do que Jonathan — que está sendo muito citado. Ele e minha mãe se cumprimenta de m jeito que nenhuma filha merece ver.
— Mãe sem agarração na minha frente, por favor? — digo e eles apenas riram da minha cara de nojo.
— Eles são sempre assim? — alguém pergunta. Olho e vejo uma garota de cabelos ruivos, olhos azuis e uma pele branca como porcelana chinesa, usava um vestido rosa de renda com forro rosa claro dando um contraste. Seria ninguém mais que Sophie, a filha mais velha
— Olá Sophie — digo sendo mais simpática possível. Eu diria que ela não é assim a melhor pessoa do mundo, muito menos minha amiga.
— Boa noite... E você ser quem mesmo? — pergunta na cara mais descarada do mundo, pois já nos conhecemos.
— Sophie — repreende seu pai, ela apenas revira os olhos e entra — Sophie!
— Tudo bem Jonathan — diz minha mãe — a Elena não liga pra isso.
— É John tudo bem — Já não me importo de ser sempre a mediadora de brigas.
— Então vamos entrar — fala apontando para a porta, tão magnífica quanto a casa, que aliás é um luxo puro. Mármore branca, moveis de madeira importados e estofados com seda, tudo do bom e do melhor.
Entramos na sala de estar a parte que eu acho mais perfeccionista da casa porque se tirar uma almofada do lugar faz a atmosfera ficar feia e sem sentido, mas também é um dos cômodos mais lindos, também como não seria se a ex mulher do John era uma arquiteta muito conceituada. Tudo estava indo muito bem, mesmo com as caras de uva passa da Sophie e seus sarcasmo de nenhuma utilidade.
— Papai você não disse que ela tinha três filhos? — diz uma voz impossível de não se reconhecer, uma voz fona e estridentes. Virei e dei de cara com ela. Esthellar, com seus cabelos ruivos e seus olhos azuis, pele branca igual porcelana chinesa, como de sua irmã, trajando uma saia branca fazendo aveze com renda nas pontas, blusa de alça vermelha, casaco Chanel, meia até o meio da coxa e sapatos Moschino, colares e anéis em ouro, parecia uma modelo saída de uma revista como sempre.
" Mas que porra ela está fazendo aqui?"
— o que você está fazendo aqui? — perguntamos juntas.
— Vocês se conhecem? — perguntou John. Claro Jonathan, como não conheceria a minha melhor amiga órfã de pais.
— Infelizmente sim — diz Esthellar de um modo enojado.
— Você é pai dela? — eu pergunto sem acreditar que fui enganada pela minha própria amiga.
— Sim, Elena — diz ele devagar e meio confuso
Não acredito. Esse jantar nem começou, mas já é um desastre.
Como ela pode? Como pode mentir sobre seus pais? E ainda me tratar como se não fossemos nada além de conhecidos? Esthellar, quem é você?
— Elena? — pergunta minha mãe, me tirando de meus pensamentos.
— Oi — falo olhando todos naquela sala. Ainda chocada e com uma vontade de chorar, mas não posso, não aqui.
— Tudo bem? — pergunta John preocupada, olho em seus olhos e vejo algo além de sua expressão, mas não consigo entender. Depois vejo o rosto de Esthellar, suplicando para que eu não fale algo que a deixará em saia justa. Penso um pouco e olho o cômodo ao todo.
— Estou sim — falo interrompendo minha mãe — só estou com fome mãe. — E como sempre, sou obrigada a me calar.
— Ah, é acho melhor jantarmos logo — diz Sophie, que permaneceu quieta até esse momento. Será que ela sabe do segredo de Esthellar? Que agora também foi compartilhado comigo, e eu a anta vou me fazer de boa amiga de novo e livra-a, para que mais ninguém descubra. Pelo menos até o fim do jantar.
Jantamos, minha mãe e John puxaram assunto o jantar inteiro, porque se dependesse da Esthellar, Sophie e eu ele nem estaria acontecendo. Não tenho dúvidas a essa conclusão.
— Bom adeus — diz Sophie, na sala de esta, se referindo a minha mãe e eu.
— Sophie — Sussutra John, a repreendendo .
— Bom nós, John e eu temos um comunicado a fazer a vocês — diz minha mãe. E eu que pensei que ela abriria a boca pra dizer que iriamos embora! Porque eu ainda me iludo com isso? Ela nunca faz o que uma mãe comum faria, sempre uma caixinha de surpresas.
— Que comunicado? — pergunta Esthellar.
— Se não a interromper, saberemos — sussurro pela primeira vez desde que o jantar "acabou" . Sophie revira os olhos e Esthellar infantil como sempre me dá língua. A ignoro.
— Meninas, por favor — pede minha mãe, apenas deferimos sons em concordância, dava pra notar nossa curiosidade, apesar do esforço que faço para escondê-la.
— É o seguinte: não quero chiliques, birras ou exclamações contra a decisão da sua mãe — diz olhando pra mim — e minha — olhando para as ruivas no canto da sala — sentem-se — ordena de uma forma que nunca o ouvir falar e apontando para nós. Obedecemos e sentamos no sofá branco.
— Bom eu pedi a Lúcia em casamento — diz de supetão. Deixando-nos perplexas e sem reação
Nem preparou o terreno John, parece que nunca fez psiquiatria. Pode isso produção?... Não pera... Não é um bom momento para loucuras Elena, foca na notícia.
— E eu aceitei — diz minha mãe. — e nos casaremos mês que vem — completa.
— O que? — berra Sophie com uma fúria que deixou todo o seu rosto vermelho.
— Como podem fazer isso com a gente? — exclamou Esthellar.
— Nem perguntaram sobre o que achamos disso — sussurro, direcionado para minha mãe. ela nunca toma decisões sem me perguntar. — Não parou para pensar que isso vai muito além de você.
— Não fale assim com a sua mãe Elena — Jonathan usa o mesmo tom de ordem ao me repreender.
— Mas ela estar certa, vocês não pesaram em ninguém além de vocês mesmos — Grita Esthellar e logo se retira do cômodo junto de Sophie.
— Filha — Chama minha mãe. Se aproxima e segura minhas mãos e as afaga — Foi pensando em você que...
— Não diga isso — Falo puxando minhas mãos e me levantado — Não diga.
E pronto a partir desse momento foi que minha vida mudou. Minha mãe disse que não havia no que pensar, já estava decidido, eles iriam se casar. Em um mês.
Tem como minha vida mudar mais? Se tiver me avisa para eu poder pedi demissão dela.
Dito e feito.
O.k. produção, estou me demitindo!... Eu e minha mania de achar que vivo em um filme. Rio de minha própria estupides.
Abro os olhos e continuo no mesmo lugar. Sentada na cama no canto esquerdo do quarto de frente a porta do closet que fica na parede oposta. Olho em volta, vejo quadros dos meu artista preferido Leonid Afremov, falsos com certeza, dando uma perfeita harmonia as paredes branco gelo, almofadas em azul Tiffany e marrom. Uma escrivaninha em minha mini biblioteca no canto oposto a porta da sala de jogos, ao lado da porta para a varanda, cortinas em cinza fosco, uma TV tela plana, pufes em misturas de todas as cores do quarto.
Ando até a sala de jogos, vejo outra TV, um sofá estilo cama branco em frente, um balcão no canto direito do cômodo fazendo separação a uma mini cozinha, a porta de duas ao lado com detalhes em dourado. Vou até a outra varanda do cômodo, e antes tem tipo uma sala de jantar, dando aparência ao cômodo de apartamento de hotel 5 estrelas.
Vejo a vista de um amanhecer esplendido, e dando mais forma a esse espetáculo, as montanhas ao longe e a grande vastidão dos campos. Como eu posso ver essa paisagem linda e ter vontade de chorar? Posso parecer que estou fazendo birrar, mas eu daria todo esse quarto e roupas que eu sempre quis, do que aceitar conviver sobre o mesmo teto que ela.
Esthellar se mostrou insuportável, não, intragável na verdade. Agora eu sei quem ela é de verdade, porém as aparências são mais importante por isso depois do desastre que foi o jantar para dizer que seriamos uma família grande e "feliz", eu conversei com a Esthellar prometi não contar o seu segredo para seu pai, mas com uma condição ela teria de contar tudo para as meninas sem nem um pingo faltando.
Ela fez, depois de me ameaçar e me insultar. Mas já que se o pai dela descobrisse isso a deportaria pra Rússia picadinha dentro de uma mala e que eu a ameacei com alguns dos segredos que tenho delas, ela fingiu me aturar. Ela sabe que continuamos a guardar o segredo de umas das outras. Segredos que podem acabar com as nossas vidas, ou nós fazer nunca mais querer sair de casa, com medo do que mundo dirá a isso. Então não irá pôr tudo a risca só porque descobri isso.
Mas esses segredos não vêm ao caso agora, tenho coisas mais urgentes para pensar e uma delas é achar um jeito de não ir para esse internato, de jeito e maneira nenhuma.
— Elena — berra alguém e me taca um travesseiro. Quem mais pode ser? — Elena! Responde-me vadia.
— Oouh pera lá, vadia não, já dei para alguém por acaso? — pergunto num sussurro para um ser de um metro e meio de altura, branca igual neve, olhos verdes, com um sorriso no rosto mostrando aquelas covinhas impossíveis de resistir e cabelos louros acinzentados.
— Okay! Desculpa, esqueci que você é uma virgem, mais tão virgem que seu cabaço deve ter teias de aranha — diz dando língua e correndo, fui atrás dela, dessa vez ela não escapa.
— Vadia — pronuncio o mais auto possível — Ella você é uma vadia muito mal comida sabia?
— Claro, já viu pênis de 16 cm da conta de alguma coisa? — diz displicente, como se falar de pênis, vadia e cabaços as seis da manhã fosse algo normal. reviro os olhos, eu poderia pelo menos ter amigas normais. Isso melhoraria minha vida. — ah eu me esqueci a virgem aqui nunca viu um pênis na vida. Agora me fala Hiovannah como uma garota de dezesseis anos nunca transou?
— Quinze — corrijo
— Bom falta de quem fazer esse trabalho não faltou, nem disposição e muito menos incompetência — não me aguentei, na verdade nenhuma de nós. Rimos.
— Veio, fala sério, falar de pinto a essa hora? Porra tão na seca vai à esquina ali depois do condomínio que vocês acham homens pra apagar esse fogo de vocês — diz uma ruivinha de cabelos bagunçados, com a cara amassada de sono indo para o sofá-cama, como gosto de chamar.
— Iiiiih... Está boladinha a ruivinha — diz Hiovannah caçoando dela. Ella rir novamente, me dou apenas ao trabalho de lhe dar uma olhadela.
— Ruivinho é o pelo do seu c...
— Não precisa termina a frase — digo, já ouvi palavrões demais e tão cedo com estar. Realmente preciso de amigas normais.
— Okay! — diz Ella — então o que nós, as 'patricinhas' da Early morning stars dance company, vai fazer hoje?
— Horários Elena? — diz Esthellar, como se eu fosse uma secretária.
— Não pregunte a mim, nem queria estar aqui — digo meio a contra gosto para Esther — e além do mais eu estava pensando em arranjar um jeito de não ir para esse internato.
— Veio, eu não te entendo, você brigou tanto com a sua mãe para vir para o First Person Boarding School, e agora que conseguiu não vai? — exclamou Ella
— Não te entendo Elena — diz Hiovannah. A encaro e começo a ver coisas que não prestará atenção. Seus cachos estão mais cumpridos, os ossos mais aparente, sinais claros de uma redução de peso e um olhar diferente, com um brilho. Tento comparar com outros que já vira, mas ela desvia antes deu assimilar. Sem duvida alguma, ela estar apaixonada. E não contou para mim. desvios os olhos me focando em qualquer objeto ao redor, não quero pensar nisso.
— Por minha causa que não é — ouço Esthellar defendendo-se, sua voz saiu abafada e vejo que está com a cara no travesseiro.
— Mas não desse jeito. Ela não precisava se casar para enfim me deixar ir. E além disso os preparativos do casamento estão me tirando do sério, nem sei mais se quero ir para aquela prisão. Estou pensando em presar minha liberdade — disse rápido, estava inventado desculpas na hora. Com uma voz baixa e sem demonstrar grandes objeções.
— Primeiro o casamento é algo legal, você mesma vivia dizendo que sua mãe tinha mesmo que casar e larga o seu pé e pensamos que gostava do Jonathan. E casamentos são tão lindos — cantarola Hiovannah, a única que ficou super eufórica com o casamento. Agora sei o porque.
— Segundo, para de frescura, eu sei que você quer estudar lá, porque tem tudo que você sempre quis fazer — completa Ella. Impressionante como elas conseguem se juntar quando é para pressionar alguém. No caso eu.
— E último, desistindo de ir para lá você abrirá mão de um futuro brilhante para você, de um estudo excelente também — Termina Esther. Olhamos as três para ela. — Que foi? Eu penso sabia. — diz ofendida com nossos olhares. Desvio apos isso, sem manter contato visual com nenhuma delas. Olho o pequeno cristão na mesa de centro, com suas bolas de ar imoves para sempre. Sempre. Mudo de objeto analisando agora a caixinha ao lado, vazia e empoeirada.
— E assim você pode se esconder do Zeck — Fala Hiovannah convencida, pois já sabia que ganhara a causa. Se ela soubesse o quanto me machuca ao ouvir o seu nome. Coloco a mão no cordão que carrego no pescoço, o medalhão de prata.
— Okay, vocês me convenceram — digo desistindo de tentar fazer elas me entenderem. E mudando de assuntos como esse — eu vou para First Person Boarding College — e o furdunço começou, elas pularam, gritaram, dançaram, o que me fez rir e comemorar junto com elas. Apesar de que lá no fundo as coisas continuavam iguais. Vazias e empoeirada como aquela caixa e o medalhão.
— Meninas — Chama minha mãe da porta do meu quarto — se arrumem o quarto também — diz olhando a bagunça que ficou com nosso furdunço — e ai podem descer para tomar café
— Bom dia senhora Lúcia — Diz Ella
— Bom — falam juntas Esthellar e Hiovannah
— Bom dia meninas — diz e olha para mim — e arrume logo o quarto porque já são sete e cinquenta e quatro e a mesa só ficará disposta até as oito — diz se referindo a demora de nossos banhos
— Eu amo você também mãe — digo irônica, e ela sorrir e sai do quarto.
Seguimos as ordens dela e arrumamos a bagunça. Tomamos nosso banho, Hiovannah e Esthellar no quarto dela e Ella e eu no meu, não, não tomamos banho juntas, pelo menos Ella e eu. Esther vestiu um short e top crooper com jaqueta e botas, Ella um vestido com allstar de cano médio e cardigã, e Hiovannah e eu optamos por algo mais básico com shorts e blusas de flanela com um casaco por cima simples, já que em Julho, estação de inverno faz muito frio entre a fronteira de Santa Catarina e Argentina, mas principalmente porque o dia nasceu com um pouco de nevoa.
Bom acho que preciso de sorte para enfrentar essa nova vida, penso um pouco mais positiva do que na hora que acordei.
— Vamos Elena — diz Hiovannah me chamando.
Estava bem frio no segundo piso. Parece quem nem aquecedor tem nessa casa!
— Pooh Ruivinha, nesse casarão tem de tudo do bom e do melhor... — diz Ella e faz pose pensativa — Mas acho que se esqueceu de pôr um aquecedor... — concordamos todas. Estava frio mesmo, minhas mãos estavam com a ponta dos dedos azuis e super gelada. Vannah ficou enfiando a mão gelada em nossas costas. ela é tão boba.
Chegamos à cozinha, extravagante como qualquer cômodo dessa casa, com uma bancada de madeira e pedra de mármore, nem nós demos o trabalho de passar na sala de jantar. Hiovannah já saiu a procura de algo nós armários, aposto que é aquele biscoito francês que ela tanto ama, riu.
— está rindo do que? — pergunta Hiovannah com o pacote na mão já. Continuo rindo.
— Acho que foi do porco que passou voando aqui e pousou na minha frente — diz Esthellar. Riu mais ainda.
— Ella esta quieta — digo de supetão, rir devia fazer bem, talvez faça quando se é de verdade — isso não é um bom sinal — nunca é um bom sinal.
— Que foi? Posso preparar minha comida em paz não? — diz na defensiva. Espio.
Ella estava pegando um bando de coisas na geladeira, acho que é parte da comida vegetariana da ruivinha. Ela põe tudo em cima do balcão e começa a fazer um sanduíche. Expulsei a preguiça e o frio, e fui procurar algo para comer, pois não entendo como elas conseguem comer tofu. Eca.
Passamos o resto da manhã na cozinha, comendo, fazendo bolo ideia da boba, que resultou numa pequena guerra da farinha e ovo, e na varanda graças a Deus fez um solzinho, mas pra tarde então comemos a nossa obra prima lá.
À tarde resolvemos passear na cidade, o que resultou ficar no carro por um bom tempo, já que a mansão se encontrava num condomínio um pouco longe da cidade mais próxima.
Chegando à cidade tivemos uma discussão do que iríamos fazer, e enfim elas ouviram a voz da razão, eu é claro, e fomos ao meu lugar preferido, depois da biblioteca e do meu ovo em miniatura de uma casa de lego, a praça de alimentação do Shopping, estávamos já 'morridas' de fome coisa normal, nós sempre estamos com fome. E demorou muito até chegar na cidade, cerca de umas três a quatro horas e já era horário de almoço.
Depois de comemos cada uma foi para um lugar diferente e eu fui para o lugar mais obvio a livraria. Estava procurando um livro bem raro, sua primeira edição em 1942 em francês, essa livraria é apenas de livros antigos, me matei ontem só pra achá-la, mas valeu à pena, consegui o que queria.
Enfim cumprir minha missão Katherine. Kate. Só de pensar esse nome me traz uma dor sufocante. Katherine era minha irmã mais velha, ela tinha quinze quando desapareceu, na mesma época que meu pai morreu. A princípio fizemos as buscas, usamos todos os recursos que podíamos, mas foi em vão. Depois de quase dois anos a polícia a considerou morta por causas de umas evidencias encontradas num cativeiro. Não sei como ainda estamos aqui, minha mãe e eu. Eu estou aqui, mas não inteira.
Eu completaria treze no final do verão, estava tão feliz, tão completa. Mas ela não. Parece tão distante agora
Kate sempre gostou de ser o centro da vida das pessoas, tudo e todos tinham que girar em sua volta, e ela conseguia. Seus melhores amigos, os garotos mais bonitos, nossos pais e até minhas amigas viviam a parti do que ela queria. Ela nunca conseguiu isso de mim.
No começo ela achou que poderia ser por minha idade, porém nunca a segui mesmo depois de mais velha. ela odiava isso em mim, porque assim eu sabia tudo o que ela fazia. Desde dos garotos com quem traia seu fiel namorado até roubar dinheiro do cofre do papai.
Mas sua infelicidade começou no dia em que vimos o Ezequiel. Eu vi em seus olhos o desejo dela para tê-lo, para manipula-lo como os outros, para ser só mais um robozinho com amor platônico por ela. Entretanto o mundo parou e começou a rodar do lado errado e a atenção do Ezequiel se voltou para mim, assim ignorando minha irmã completamente.
O fato de Ezequiel e eu ficamos a cada dia do verão mais próximos foi pelo meu impulso de conseguir afeta-la. De enfim ser o foco da sua atenção, de sua inveja e raiva. E o vislumbre da sua reação quando nos pegou debaixo da árvore nos beijando passou por minha cabeça.
A sacudi tentando afasta tudo aquilo. Limpei meu rosto que estava com lagrimas e paguei o livro. O balconista deve ter me achado uma louco por chorar segurando um livro tolo.
Recebi uma mensagem da minha mãe dizendo para encontrá-la no restaurante da praça central da cidade. Pelo menos aquele jantar foi mais agradável do que o do desastre há um mês. Voltamos para casa em silencio. Foi nesse momento que percebi o quanto tudo mudou e ainda irá mudar.
Deixei minha antiga vida, meus amigos, meu irmão, tudo por um sonho. Será que vale mesmo apena? Dormi com esses pensamentos. Não me lembro em que momento fui acordada para ir até a cama, acho que nem acordaram-me.
Mas uma manhã em meu novo quarto. Demoro entorno de uma hora deitada olhando o teto e tentando tirar coragem de onde não existe para levantar. Ontem descobrir que realmente a casa estava sem aquecedor, ele quebrou e será consertado somente amanhã. Mas um motivo para eu ficar na cama, porém a meninas não pensam o mesmo.
As vezes elas não percebem que tudo o que uma pessoa deprimida quer é ficar sozinha. Sem gritos e pessoas malucas e tão problemáticas quanto, e essa pessoa sou eu, preciso urgentemente ficar longe delas. De todo o caos que as rodeiam e todas as lembrança da Katherine e do Zeck...
Sacudi a cabeça.
— Que foi meu amor? — me pergunta minha mãe durante o almoço. Simplesmente dei de ombros e sai da mesa sem terminar o prato.
Depois disso os dias passaram rápido e solitários, ao longo do tempo as meninas perceberam que suas presenças não eram agradáveis e sim incomodas. E assim as férias acabaram passando e passaram voando. Já estava tudo acertado, meus materiais comprados, minhas malas feitas, passagens compradas. Sem mais voltas.
— queria tanto que ela estivesse... – diz Hiovannah com os olhos brilhando, preste a chorar. Ella a abraça.
— Perde a Kah foi algo difícil – digo, sem demonstra emoções e pondo ponto final no assunto.
— É... – sussurra Esther.
— Meninas? – chama minha mãe lá de baixo.
— Bom, vamos se não perderemos o voo. – Fala Esthellar. Todas concordaram. E seguimos em silêncio a viajem toda, até o portão do internato.
Chegou o dia. O dia em que tudo que eu sonhei poderá se torna realidade. Tudo. Então não posso da mancada aqui, é tudo ou nada.
O carro parou em frente à escola, achamos melhor porque o estacionamento esta abarrotado de carros e pessoas andando pra tudo quanto é lado. E as meninas queria ver a abertura. É tipo uma festa de boas-vindas.
Assim que descemos as meninas saíram me puxando, como se eu não soubesse andar.
— Meninas esperem — Puxo minha mão delas e espero minha mãe e andamos lado a lado de mãos dadas — quer mesmo fazer isso? — Diz olhando-me nos olhos. Minha mãe é bem parecida comigo, cabelos castanhos, olhos castanhos, pele branca e uma estatura mediana, sem muito o que chamar atenção.
— Sim mamãe, é o que eu quero — digo, pois vi em seus olhos o quanto meu comportamento nas últimas semanas a afetou, se desistisse e voltasse nada mudaria e só a faria sofrer ainda mais. Por isso devo ficar, apesar de não querer. — Vamos nos ver daqui um mês.
— É, o casamento — diz e seu semblante muda, um sorriso se abre em seu rosto. — Eu sei que...
— Mãe não se preocupe, minha atitude foi muito infantil. Se te faz feliz, por mim está ótimo. — digo da boca para fora, pois não é o que sinto. Mas meus sentimentos não importam agora.
— Mesmo? Não esconda o que sente só porque acha que irá me machucar — Diz novamente preocupada.
— Eu nunca faria isso — digo tentando parecer sincera. — Seu casamento será o mais lindo mundo. E fiarei feliz de fazer parte dele.
Sorrio e passo um braço a sua volta a confortando. Sinto que deu certo. Pelo menos não deixarei ela infeliz por minha causa, ou preocupada.
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