Submersa
4 Descontrole
Notas iniciais
Depois da conversa com a minha mãe as meninas voltaram a me puxar, no final acabei me despedindo muito mal dela, isso deixou meu astral lá embaixo. Quase desisti de todas as longas desculpas motivacionais, ou nem tão assim, que me obrigavam a ficar e sair correndo de volta para o carro agarrando a perna da minha mãe pedindo para me levar embora. Segurei essa vontade enquanto via-a ir embora, carregando tudo que restava de normal na minha vida, entrando no carro com seu futuro marido. Logo não farei mais parte disso, penso me virando em direção ao prédio onde aconteceriam as aberturas.
O campus estava tão cheio que era quase impossível de andar. Mesmo segurando a mão da Ella acabei sozinha na multidão, perdendo-as de vista rápido demais, parecia até que era esse o propósito delas. Não duvido disso. Começo a andar devagar para o prédio, um tempo depois alguém puxa meu cabelo, me viro já para começar um barraco com a pessoa, mas vejo que é a Dianna, não mudando muito minha vontade de discutir.
─ Ai, Dianna, essa doeu – murmuro massageando meu couro cabeludo ─ Porque fez isso?
─ Você passou e não me viu ─ explicasse erguendo os ombros como sinal de desculpas, ou algo assim ─ Mas como você estar?
─ Fora a dor na cabeça, eu estou bem ─ falo dando ênfase na dor ainda massageando a cabeça ─ esse puxão doeu mesmo hein.
─ Ah para de frescura, você não era assim ─ diz me olhando meio de lado ─ Esta bem, deixa isso para lá. Você viu as meninas?
─ Que meninas?
─ As meninas! ─ diz, mas logo prossegue quando não vê compreensão no meu rosto ─ A Violet, Alicia e a Sofia? ─ fala tediosa, deve está se questionando se tenho problemas mentais.
─ Ah, nem sabia que elas estão aqui ─ digo. E ela revira os olhos.
─ Então deixa pra lá ─ Dianna é a prima do Zeke, nunca fomos amigas intimas, por isso estou meio receosa com ela ─ Vamos procurar as garotas?
— Porque não?- digo. Andamos mais um pouco, e pude nota certas mudanças nela como o cabelo que não está mais loiro e sim naturalmente castanhos claros dando um ar mais jovem ao belo rosto angular e realçando seus olhos azuis ( marca registrada da família Duartte), suas roupas também estão menos capa de revista, mas mantendo a sofisticação e o selo de nasci rica.
Com esse campus enorme, tive que puxa assuntos, não foi tão difícil, principalmente porque ela estava colaborando pelo bem da pátria. Após três assuntos citados e sem sucesso de interessa da parte de nós duas resolvemos não falar mais nada, o bom é que já estamos na entrada do prédio, que para ser mais exata é um castelo antigo, do fundador da escola, acho era herança de família que foi passada de geração, pois esse castelo é muito antigo, eu diria que é datado no século passado.
Chegamos enfim onde seria a cerimonia de abertura do ano letivo, chequei o relógio e ela começaria dali a quinze minutos. Encontramos as garotas, todas elas. A Hiovannah estava com uns garotos, muitos bonitos por sinal, a Ella estava sentada no palco conversando animadamente com uma garota morena de cabelos cobre e a Esthellar estava com sua irmã e uma menina que parecia ter uns dez anos. A Violet, A Sophia e a Alicia estavam juntas conversando com o Samu e o Micah.
Segui a Dianna em direção a elas, que logo nos viram, a Violet veio logo me abraçando junto com o Micah, dois grudes na minha vida, olhei de relance e vi o Samu agarrando a Dianna o que com certeza me surpreendeu.
— A Elena fecha essa boca, parece que nunca viu alguém se beijando – diz a Alicia como se eles se agarrando fosse algo normal, que pelo tom dela acontecia muito – Eles estão assim desde o verão mal dá para chegar perto – diz confirmando minha suspeita.
— Porque não me contou? – Digo me livrando do abraço e batendo no braço do Samu – Vocês sabem o quanto eu suei para isso acontecer e sou a ultima á saber? – falo indignada com isso. ─ Passei um bom tempo repreendendo Samuel por ter escondido tudo de mim, mas no fim o perdoei.
A Abertura foi melhor do que pensei, o grupo de dança oficial do ano passado se apresentaram, o grupo do teatro também se apresentou brevemente, a ginastica artística fez um showzinho de acrobacias e pra fecha com chave de ouro a banda ganhadora que concorreu ao festival de bandas da escola no ano passado vez a abertura do show que teria pra comemoração de mais um ano de escola. O que foi um máximo já que eles mostraram o porquê ganharam. Isso durou a tarde inteira e fiquei em pé até o momento, sinto-os doerem nos ossos. Sempre foi fraca quando o assunto é dor.
Mas o melhor sempre fica no final, eu não podia perde já que eu descobrir o porquê do Zeke está na escola. A banda dos meninos, Micah, Tadeu, Cadu, Samu e o Zeke fecharam a abertura do ano. Já era de imaginar que eles seriam chamados, pois ela surgiu no festival anual de bandas, ganhou todos os outros festivais e foi a que mais teve sucesso dentro e fora da escola. Samuel e Micael estavam em seu primeiro ano na escola e nem tinha idade para concorrer ao festival, e Ezequiel viu o talento dos meninos, mesmo eles tendo doze, entretanto isso não os impediu de fazer uma rebelião até serem aceitos, dai surgiu a ideia no nome da banda, Rebelião
Por fora mostrei indiferença, mas toda fez que a RBL faz um show minha vontade é de agir feito tietê, porque primeiro eles são muito bons, segundo o integrante mais gato foi meu namorado e terceiro não tem como ficar sem gritar ou dança com as musicas deles. É uma mistura do rock clássico com um som alternativo, não aquele tipinho de boyband do mundo pop ou coisa assim. E o que mais diferenciam eles é a apresentação nos shows, eles mesmos tocam os instrumentos.
Mas só gritei um pouco e por causa do Micah – não fiz isso pelo Samu porque agora ele já tem uma namorada. Os dois são meus melhores amigos, parceiros para todas as arruaças e bebedeiras, se eu bebesse. Com eles por perto não há como não rir, ou ter historias para contar. É cada coisa que eles aprontam penso enquanto está tocando a minha música preferida Assim como estar, é mais pela historia envolvia a volta da composição em si do que na própria letra. Uma lembrança boa das poucas tardes que passávamos juntos; lembro que a inspiração surgiu depois.
As meninas e eu depois do show fomos juntas em direção ao prédio, que agora é um prédio mesmo. Fomos à secretaria pega nossos horários de aulas que já havíamos programado pelo site da escola, nem sabia se ainda estaria aberta por sorte sim. O legal da instituição é que disponibilizam vários horários de aulas e nos podemos escolher as matérias semanas e a hora do dia em que queremos tê-las, e, além disso, podemos ter aulas extracurriculares na parte da tarde. Este colégio é realmente de elite, levam muito sério a educação, o bem estar dos alunos e a classe social.
Escrevi-me no Curso Cinema, Curso de Linguística e as aulas extracurriculares como o Ballet, Jazz, Sapateado, Canto, Natação, Ginastica, Teatro e Arco e Flecha. As meninas disseram que eu era louca, pois ainda tinha inscrições em quatro clubes da escola: o de Fotografia; de Artes Cênicas; do Jornal e o Grêmio. E se eu continuasse neles não durariam nem uma semana com o rosto de bebê, como elas dizem que eu tenho – vê se mereço ouvir essas coisas. Eu respondi, enquanto íamos para os nossos quartos, que conseguiria me virar muito bem, reconciliar tudo e continuar como estou.
Ficamos em silencio após isso, andando por um corredor interminável de volta ao saguão, com paredes em amarelo, detalhes em dourado, mármore branco e teto alto, dando um aspecto antiquado. Estávamos cansadas e um pouco roucas de tanto gritar e também porque a Vannah, Esther e a Ella não se dão muito bem com as garotas, não sei o porquê, acho que é ciúmes de mim. Patético, eu sei. Entramos no elevador e me sentei no chão frio mesmo, estava meio exaurida, respirando mal e com dores nos pés já estava até descalça, assim como a metade das meninas. E por incrível que pareça às meninas não me chatearam por está assim.
Chegamos ao oitavo andar me levantado do chão e despedindo da Alicia, Violet e a Dianna, que seguiram viagem no elevador, a Sofia não nos acompanhou, pois ela é mais nova e fica no Ensino Fundamental.
Esse prédio tem dez andares, cinco andares com salas de aula e cinco com dormitórios e área de lazer, como sala de jogos, biblioteca, cantinas e salas de TV, enormes. O Campus do Ensino Médio é dividido em três partes, área do 1° Ano com um prédio enorme e com uma arquitetura magnifica onde só o primeiro ano tinha acesso, nele também tem um ginásio e quadra aberta. A área do 2º Ano igualmente a nossa e a do 3º Ano dizem que no prédio deles é diferente, que eles têm acesso a mais coisas, a tecnologias mais avançadas, pois o prédio foi o ultimo a ser desenvolvido e construído, uns dois anos atrás. Resumindo tudo, o Campus EM, como o chamam, é um bloco imenso com três grandes prédios, idênticos. Dizem que foi inspirado nas torres gêmeas, por isso são idênticos. O Campus EF é assim também, só que eles são exatamente duas torres gêmeas, são os prédios mais altos do campus inteiro, por isso é chamado de torres. Eles foram desenvolvidos e construídos uma década atrás. E por ultimo em um terreno separado por cerca tem o Campus I, com seus blocos estilo vitoriano, construídos há bastante tempo.
Cheguei ao quarto 8A-14C, logo na porta tem uma plaquinha com quatro nomes e quatro cartões com identificações presos nas bordas da placa. As meninas me explicaram que eu devia pegar esse cartão e me casar com ele, pois nele contem toda a minha vida nessa escola, sem ele eu não posso entrar em sala, comer, entrar no quarto ou fazer as atividades extracurriculares.
— Resumindo case-se com ele e só o largue ano que vem porque essa parte de identificação escolar é o seu número de chamada que ira mudar no próximo ano. E aqui – Ella aponta para os números da matricula – esses quatros números é a sua sala, a 1004E. E os outros são das suas colegas de quarto – que pelo visto ainda não chegaram, os cartões delas ainda se encontram no mesmo local. Fico em duvida se devo ou não pega-los para checar seus nomes e outras informações, porem reflito rápido que não gostaria que fizessem isso comigo então não os pego.
— Eu tenho os cartões de todos os anos – Diz Hiovannah sorridente, ela sempre estar sorrindo e de salto. Não sei como consegue, eu penso porque estou morta de cansaço, com dores e suada, louca para arranca todas essas camadas de roupas e essas luvas que deixam minhas mãos ensopadas — Essa escola tem a mania de usar números e letras – Diz Vannah como se isso fosse irritante, porque para ela deve mesmo ser. Seguro um riso – dizem que é mais seguro. – Revira os olhos e abaixo a cabeça para disfarça melhor coçando a testa — Bom, amanhã ensinamos como usar ele, porque se você não souber vai passa fome e sumir. Você já é muito magra. – Diz por fim e sorrir mais abertamente. Finjo um bocejo para elas se apressarem, estou a cada minuto trocando o peso do corpo de um pé ao outro, não surtindo muito efeito para melhorar a dor.
— Vamos meninas, já estar tarde – Diz Esthellar me olhando o tempo todo, mas aparentava cansaço também- – Elena novamente desculpas, queríamos muito que você ficasse no mesmo quarto que o nosso, mas infelizmente você se matriculou na segunda alocação – fala com uma vozinha de sono misturada com tristeza, de parti o coração se não fosse tão falso. E enfim tira os saltos, lhe retirando uns treze centímetros.
— Eu vou sobreviver não se preocupe – digo alegre para vê se ela acredita e coçando a nuca, porque na verdade eu estou triste e quero que me deixem dormi porque nem queria vir, e para piorar não vou está junto com as minhas amigas – E vamo-nos vê sempre. – Eu espero que sim, acho. Estou em duvida quanto a isso. Isso a deixou um pouquinho melhor, ou o sono já bateu e ela achou melhor deixar para conversa isso depois.
As meninas me ajudaram a abrir a porta do quarto que a partir de hoje será o meu novo lar. É um pouco complicada de abrir, na tranca se encontra um painel que faz a leitura do cartão e só depois de ler é que aprova a abertura. Pelo que souber toda a escola está ligada um servidor, tudo o que acontece passa por lá e grava no histórico, dizem ser por questões de segurança.
Despedi-me das meninas com abraços e várias boas noites. Respirei fundo e entrei no meu novo quarto; apartamento; minha casa nova; ai que tudo.
E que tudo. O quarto era incrível, com quatro camas iguais e com suas escrivaninhas na frente, duas janelas enorme ao lado esquerdo com um painel dando para escurecer e clarear o vidro, as paredes eram cinza claro com porcelanato cinza também. Clareei o vidro dando uma visão linda do campus e ao fundo as montanhas ao norte do terreno, senti uma emoção ao ver aquilo pensando que seria diferente a reação em outra época.
O banheiro também dos sonhos, na cor cinza e um roxo berinjela em pequenos detalhes no piso e divisórias, com quatro pias e dois chuveiros, as divisórias dando privacidade e uma banheira. Nele tem uma porta dupla a direita dando para um closet imenso cheio de prateleiras e gavetas e portas com espelhos dando maior amplitude ao cômodo, com plaquinhas na parte de cima com os nomes das donas, futuras no caso, o chão de um carpete felpudo, cinza também, e macio um verdadeiro alivio aos meus pés. No centro do cômodo a uma bancada com espelhos e dos dois lados divãs branco giz, dando contraste às paredes de um roxo vivo. Entrei na porta lateral na esquerda, ela voltava ao quarto e empaquei no beiral.
Bom, como posso explicar essa cena que se ocorreu depois disso?
É como se eu estivesse olhando-me no espelho, na verdade eu não consigo me vê de costas então está mais para aqueles sonhos bizarros que você se vê fazendo as coisas como uma espectadora. Foi isso que aconteceu, mas infelizmente não é um sonho. Bom olhando melhor os cabelos são picotados e avermelhados a pele também parece mais bronzeada.
— Olá – digo, com a voz rouca, chamando a pessoa.
— Ééé... Oi – diz de costas e de frente a porta na extremidade a direita das portas duplas do closet e banheiro onde me encontro ainda parada – não sabia que já tinha uma cole... – ela se vira. Sua expressão é de espanto acho que é mil vezes pior que a minha. A analisaria melhor, porém nesse mesmo momento a porta se abriu e apareceu uma garota loira e esbelta, a perfeição em pessoa. E é ai que as coisas ficam realmente bizarras. Ela também era parecidíssima comigo e a outro que acabou de entrar.
Depois de muito tempo petrificada, pareceu uma eternidade e eu continuaria assim se alguém não tivesse se manifestado.
— Isso é loucura – diz a garota na minha frente, o que me tira do transe. Ela tem os mesmos traços físicos, exceto os olhos e os cabelos, os olhos dela são claros quase cinza e seus cabelos ruivos, mais para o castanho, sardas e um bronzeado nítido na pele. Completamente diferente da minha pele branca feito giz, não importa quanto sol pegue só ficara mais vermelha, olhos azuis, meios violetas, e cabelos castanhos.
— Isso é um sonho – digo em um sussurro. e andando para a cama onde se encontra meu nome e meus pertences, na esquerda do quarto ao lado das enormes janelas. Só uma vez na minha vida eu poderia ter um dia normal. Sem nada de esquisito e surreal. Nem uma vez sequer.
— Isso tem que ter alguma explicação – se pronuncia pela primeira vez a garota de cabelos loiros, com uma cara de desconfiança está a andar de um lado para o outro ao pé da sua cama, de frente para a minha e perto da porta de saída. – Isso é muito estranho.
— É – digo ainda com a voz baixa, o sono assumindo o controlo, poderia desmaiar e resolver isso amanhã, mas seria grosseria. Dirijo-me as minhas malas e me sento na cama em frente a elas. Ficamos em silencio por uns cinco minutos, até que volto a falar – Bom... Eu sei que não sou gêmea – Digo devagar e um pouco mais alto para elas me ouvirem – E tenho certeza – falo, impedindo da ruiva de falar – que vocês também não são.
— Isso só é uma daquelas bizarrices que a vida põe em nosso caminho – diz a loira, chama-las pela cor do cabelo esta me deixando desconfortável, será que elas também estão me chamando de morena? – Bom a ciência diz que pelo menos existem sete pessoas iguais a nós, eu pelo visto achei duas – diz rindo fraco e enfim sentado na cama, acabando com a minha distração momentânea.
— Quais são os seus nomes? – digo para as duas.
— Ana Elena – diz a loira. O que só me deixa mais chocada. Elena?
— Meu nome é Eleonor Martins Palhano. E o seu? – diz deitada na sua cama com voz cautelosa.
— Elena Ávilla Costa Cifo – pronuncio baixo
— Nossa – Diz Ana Elena – Meu nome completo é Ana Elena Eleonor Dignoli – Diz um pouco surpresa ou empolgada, sei lá — Eleonor é sobrenome. — se explica para a ruiva que levantou a cabeça ao ouvir aquilo.
— Uau – Passo as mãos sobre o rosto. É muita coisa para um dia só. E me jogo na cama deitando também.
Na manhã seguinte, ao acorda quase tive um infarto ao entrar no banheiro e ver a Eleonor. Eu acordei pensando que tudo o que aconteceu ontem foi apenas mais um dos meus sonhos estranhos e muito realistas, mas quando a vi ali se olhando no espelho foi que a ficha caiu. Tudo aquilo foi real. Realmente elas existem, e eu já tinha tido a comprovação de que aquilo não era miragem e que eu não estava ficando louca, pois a nossa outra colega de quarto a Wince Baumer Ravanelli, loira de olhos claros, de estatura parecida com a minha, um sorriso radiante e lábios rosados, apareceu assim que nos apresentamos. Ela que não sabia de nada, pensou que éramos trigêmeas, e que se ela também fosse com certeza pintaria o cabelo para se diferenciar, que no caso ela pensou que nos havíamos feito isso.
Ai passamos a noite inteira explicando o que era aquilo, que não éramos trigêmeas e muito menos irmãs, e acabávamos de nos conhecer e ficar em choque com tudo aquilo. Ela então fez uma pergunta que até fez sentido depois que ela explicou o porquê, perguntou se nossas mães não eram férteis, ou mães solteiras, e optaram por fecundação e usaram óvulos e espermas de outras pessoas. Foi ai que descobrimos que a Ana Elena Eleonor era adotada e que nunca conheceu sua mãe, então não sabia de suas origens. Dai houve outros milhões de perguntas e o clima de espanto, surpresa e incredulidade morreu aos poucos. Não ousei me mexer na cama, estava doida demais então falamos em alto som, ajudou a parecer menos que eu estava alucinando.
Descobri muitas coisas sobre minhas novas colegas de quarto. A Eleonor morava com a mãe divorciada e que o pai dela morreu três anos depois do divorcio e que ela tem uma irmã de um ano, quando ele morreu deixou a sua madrasta gravida de um mês. A Wince mora com seus pais e tem uma irmã gêmea idêntica chamada Carmem, ela também tem um cachorro e que esse não era seu primeiro ano na escola, ela estuda na First Person Boarding College desde o jardim de infância. A Ana Elena Eleonor morou por uns quatro anos no orfanato até que uma Scouter a viu andando na rua, ela estava vindo da escola e já tinha visto a ‘mãe’ dela algumas vezes. Então quando a senhorita a parou, não ficou preocupada, pois também o orfanato era perto. Ana disse que a sua mãe perguntou onde ela morava e se poderia falar com os seus pais, foi ai que começou a transformação em sua vida. Essa Scouter a adotou, a criou, pois ela tinha só seis anos, e a ingressou no mercado da moda. Hoje ela tem dezesseis anos e é modelo internacional, e por sua vida ser muito corrida ela veio para cá. Pois ela quer termina os estudos e fazer Moda e Costura. Também contei um pouco sobre a minha vida, minha mãe, meu pai, meus irmãos e o casamento. Quando fomos vê já era três da manhã e então fomos dormi, pois logo no dia seguinte já começam as aulas.
— Bom dia para você também – murmura Eleonor antes de sair do banheiro e me tirando da noite de ontem. Eu entrei no banheiro e nem um pio sequer falei apenas fui tomar banho e já ia saindo quando ela disse isso. Voltei andando em direção a bancada, pegando o secador e evitando não olhar para ela.
— Oh, bom dia Eleonor... – digo sorrindo – desculpas, é que isso ainda é estranho – falei ligando o secador de cabelo fazendo o assunto não prosseguir. No fim da secagem, meus cabelos estavam lisos e sem graça como sempre, tentei melhorar passando um óleo para fazer pequenas ondas, mais não ajudou muito.
Arrumei-me no closet mesmo tendo tirado tudo das malas, são muitas e vesti uma legging branca, um vestido e touca bege, um casaco marrom de couro, luvas de couro e botas da mesma cor, e fui em direção ao quarto. Peguei meu material, coloquei numa bolsa media a colocando no ombro e perguntei a Wince que aula ela teria agora no primeiro tempo.
— Física – diz irritada enquanto ajeita a sua cama – Minha mãe me obrigou. – fala antes que eu faça uma pergunta, e segue até seus pertences para terminar de se arrumar.
— E vocês? – digo enquanto passo um gloss tentando em vão tirar minha cara de doente e pálida.
— Artes – pronunciam as duas. Eu que já achava estranho ter outra Elena na minha vida. Agora eu tenho duas e ainda por cima, para ser bem bizarro, são muito parecidas, tanto comigo como com elas mesmas.
— Eu também – sussurro, confessando mais uma coisa em comum.
— Prontas? – Pergunta Wince. Afirmo com a cabeça desistindo de passar um blush nas maças do rosto.
— Sim – Disse Eleonor com um risinho, acho que esta ansiosa. Eu também estou, assinto.
— Vamos, então – Fala Ana Elena Eleonor.
Está muito frio, apesar de ser um prédio – durante o dia eles abrem as janelas para circula ar – então acertei na roupa, as meninas também colocaram roupas com muitas camadas, mas com cores claras e básicas, branco bege, preto e cinza, só a Ana que colocou um suíte vermelho por cima da roupa. E assim fomos em direção ao elevador. Algumas pessoas nos olharam, acho que foi por ter três garotas parecidas, ou pelo modo como estávamos vestidas, tanto faz para mim.
— Olhando para vocês agora, por outra luz, não são tão parecidas assim. — Comenta Wince de forma vaga.
Esthellar, Vannah e Ella estão paradas ao lado do elevador.
Não quero esta aqui. Fico repetindo essa frase para mim, só pra saber se o cara lá de cima esta ouvindo.
— Elena... – diz Vannah toda empolgada, mas quando viu às meninas seu sorriso foi sumindo, gradativamente.
— Eu acho que bebi demais ontem – Fala Ella meio abobalhada – Estou vendo três de você Elena. – e rir junto com Esthellar.
Ai! E agora como eu explico isso?
Estou no elevador com Elena Eleonor e a Ana Elena Eleonor. Sério, se eu for conviver com elas tenho que criar apelidos pensei enquanto ficava esse silencio constrangedor e esse clima pós-guerra, tudo por conta da Esthellar e da Vannah Porque elas têm de ser tão hipócritas e superficiais? me perguntei. Passo a mão em meu rosto de forma brusca e solto um longo suspiro do fundo da alma. Acabei de briga com as minhas amigas... Por causa de garotas que acabei de conhecer! Mas pensando por esse lado eu vou conviver com elas ao longo do ano, então foi mais sensato manter paz desse lado.
— Elena? – olho pra cima e vejo que Ana Elena me chamou – tu...
— Me chame apenas de Lena – Digo a interrompendo bruscamente e logo dando um sorriso – Não gosto de Elena.
— Tudo bem... Ah! – Exclama Wince arregalando os olhos e levantando as sobrancelhas como se tivesse lembrado algo e depois relaxa o rosto colocando um sorriso nos lábios selados a pouco – Já que neste recinto se encontra três Elenas. E olha que até algumas horas atrás eu não tinha nenhuma – diz nos fazendo rir – Bom, direto ao ponto. Eu – fala jogando o cabelo para trás, se achando – Darei a honra de terem apelidos dados por mim – rio da sua pequena cena teatral.
— Mas que honra és para mim – Diz Elena Eleonor ironicamente, entrando no joguinho.
— Qual o meu apelido? – Pergunta a Ana. Já percebi que ela é muito agitada e ansiosa. Apoio-me nas barras douradas do elevador, também dourado com um espelho no fundo.
— Hum... Deixa-me vê... Leninha? – Rio e mais ainda por conta da cara que Ana fez ao ouvir essa sugestão – Não, não é? – Wince rir também assim como a Eleonor – Que tal Aninha?
— Piorou – Digo, pois Ana esta com uma cara do tipo “me chame desses apelidos de novo que você nunca mais falará na vida”, é essa a cara e vira de frente para as portas ficando de costas para nós – Deixa me ver um... Que tal... – quando ia dizer a campainha do elevador toca avisando que chegamos ao térreo. Saímos ainda risonhas, pois Ana ainda está vermelha de raiva e saiu andando na frente, a alcançamos e Wince ficou do meu lado assim eu e Eleonor estamos as separando.
— Que tal apenas a chamamos de Ana – digo calma, também não quero cutucar a onça com vara curta.
Antes que Ana dissesse algo, foi interrompida por uma discussão que estava a acontecer no corredor ao que entramos. Eram três brutamontes, literalmente, gritando e apontando o dedo na cara de um garoto que estava acompanhada de outro que assim que cheguei mais perto vi ser o Mackenzie, vestindo um moletom branco, calça jeans e tênis branco, dando um destaque aos olhos e cabelos castanho escuro, simples como sempre. O que ele esta fazendo aqui? Esse menino me persegue dou um sorriso de canto com esse pensamento.
— Kenzie! – o chamo, na verdade o grito. Logo estou ao seu encalce vendo um garoto um pouco mais alto ano seu lado direito – O que está acontecendo aqui? – digo ainda exaltada e ao seu lado encarando os três garotos a sua frente. Estávamos no saguão, grande o suficiente para aguenta uns trezentos alunos e estava cheio deles assistindo ao showzinho protagonizado por eles e agora por mim. Mas uma Elena? Questiono-me enquanto massageio a testa.
— Não se mete garota – diz um dos brutamontes que agora estão um pouco mais afastados, mas ainda próximos o suficiente para rolar uma briga feia. Porque pelo que sei de lutas eles são lutadores e pelo jeito, bons. E vieram para bater em alguém que seria o Mackenzie o garoto do seu lado.
— Olha aqui, vê como fala com ela seu idiota – Kenzie me defende. Dou-lhe um sorriso pelo gesto de proteção, ele é tão meigo comigo mesmo sendo mais novo tenta me proteger.
— Vamos embora – digo já puxando Mackenzie e o garoto desconhecido – Anda – falo em tom de ordem para os dois que estavam a lutar contra mim.
— Isso ai seus covardes. Precisam de uma garota para salvá-los – diz o mesmo que me falou desaforadamente a tempo atrás. Paro, soltos os dois e viro andando em direção aqueles três armários ambulantes.
— Só para a sua informação eu estou é impedindo que o Mackenzie não quebre a sua cara de ogro, porque não duvido que fique pior e eu não mereço ficar vendo o Chuck por ai na escola – Digo rápido e volto até os meninos, ouvindo uns “uuuh tomou” para o ogro, que agora estão ao seu lado às meninas também volto a puxar Mackenzie pelo pulso e o outro encrenqueiro pela gola de sua camisa, pois ele acabou de da o dedo do meio para os garotos lá atrás. As meninas nós alcança rápido sem falar nada.
— Da pra me soltar agora – diz o garoto depois de estamos a dois corredores de distancia, o solto e puxo Mackenzie para o meio de nos dois – Posso saber por que fez aquilo? Eu iria acabar com eles – diz revoltado e me olhando zangado.
— Que ingrato – digo com raiva o encarando também de braços cruzados – eu o salvo de levar uma surra do século para não ficarem tirando sarro pelo resto da sua vida nesse colégio e... – sou interrompida por ele que revira os olhos debochando de mim.
— Claro que não sua louca. Estava tudo sobre controle até você se intrometer...
— Cala a boca – diz Mackenzie para ele também exaltado – e Elena não precisávamos de ajuda, nós podíamos com eles – fala docemente, mas me olhando com raiva, me desvencilho de seu braço que estava entrelaçado ao meu. Sentindo-me muito ofendida, pois só queria ajuda-lo a não quebrar a cara.
— Então da próxima vez vou deixar quebrar a cara pra vê se é bom – exclamo praticamente gritando com os dois – Porque só para a informação de vocês eles com certeza são lutadores de jiu jitsu – E fui interrompida novamente pelo garoto de olhos claros. Recupero o folego que perdi sentindo o peso da atmosfera no esforço dobrado para puxar o ar. Por que a escola tinha que ser construída num vale em cima de uma montanha?
— Como você pode saber isso? Os conhece? – Diz o garoto de forma desaforada, me interrompendo, de novo.
— Ou você cala a boca e me deixa falar ou eu te dou uma surra – sussurro de frente para ele, o analisando melhor. Já estamos parados há algum tempo nessa cruzada de corredores, discutindo. Onde passa vários alunos, que nos olham e comentam.
— Até parece que uma garo... — nem o deixo termina a frase, pois já fui o derrubando no chão.
— E isso sem nem tirar um fio de cabelo do lugar, sem querer me gabar – sussurro respirando o quanto de ar possível e tiro o pé de cima do mesmo e jogando os cabelos para trás de forma dramática.
— Cara, ela faz kung fu – disse Mackenzie o ajudando a levantar e ele o encara sério — Agora pelo amor de Deus parem com isso – fala alto e olhando nós dois, mas com um riso repuxando as laterais da boca.
— Estar bem, agora você mocinho – digo puxando Kenzie e entrelaçando nossos braços novamente, estava um pouco tonta e precisava de apoio – senti sua falta – digo com um sorriso no rosto, tentando esquecer tudo – e se você se meter em brigas de novo – digo como uma mãe dando bronca ao seu filho – não se esquece de me chamar – digo já rindo da sua cara de lá vem – principalmente se for pra fazer uma cirurgia plástica naquele ogro – e faço uma careta no final causando risos em todos.
— Ela é sempre assim? – pergunta Wince, se pronunciando pela primeira vez. Até havia esquecido elas.
— Você ainda não viu nada – diz Kenzie e o belisco, não precisava queimar meu filme logo de cara.
— Ei para eu sou uma amorzinho, Okay! – digo dando um tapa no braço dele também.
— Percebe-se – diz Ana nos fazendo rir – Vamos para a aula. Faltam dez minutos.
— Mas nem comemos – reclama Eleanor. Ela intercalava o peso entre os pés.
— Eu estou com fome – fala o garoto de braços cruzados no peito que eu ainda não sei o nome, falando em nome... Penso eu.
— Vanellope? – Pergunto olhando Wince o que os deixa confusos – e vamos para a comida, também estou com fome – digo puxando as meninas para a direita num corredor menos dourado e com armários em branco.
— Okay, mas primeiro o refeitório é para o outro lado – diz o garoto o que nos faz parar, rimos dessa situação. Viramos as quatro e seguindo agora para o lado certo, o direito onde é idêntico ao esquerdo. Só que mais cheio de alunos grudados nos armários e andando para todos os lados, alguns brincando e jogando papeis, outros se beijando e umas garotas em grupinho com roupas de grife, muito parecidas com a Sophie, à cara de nojo são iguais pelo menos. – segundo o que é Vanellope? – diz enquanto atravessamos em dois grupos de três, Wince no meio dos dois e eu com as meninas, sendo encarados por quase todos do corredor, inclusive as garotas de grife, como as chamo.
— É o apelido da Ana a partir de agora – comento alto, para o grupo de a frente ouvir, como se fosse obvio, pois simplesmente continuei o assunto de antes como se as coisas entre ele não tivesse acontecido.
— Porque Vanellope? – Pergunta Wince
— Porque ela é tão elétrica quanto a personagem do filme – diz Eleonor já sacando e rindo comigo.
— Eu gosto da personagem apesar de eu ser loira. Gostei do apelido – dou um gritinho de comemoração e Wince faz uma dancinha fazendo todos rirem – mas – murchamos na hora aumentando o riso – vamos logo comer – diz rindo Wince grita dessa vez e voltamos a dançar feitas loucas, Eleonor e Ana se juntaram dessa vez, num corredor super movimentado como todos os outros estavam.
— Que vergonha é andar com vocês quatros – diz o garoto rindo de nós e olhando para trás, o olhei de relance novamente. Seus olhos são o que mais se destaca nele, apesar do cabelo liso e loiro natural, os lábios carnudos e a pintinha fofa na bochecha, azuis e ao mesmo tempo verdes, difícil decifrar assim como o mar. Principalmente a essa distancia.
— Eu já esperava essa loucura, pois você junto da Elena nunca dará coisa boa – diz Mackenzie para Wince, pois já me conhece muito bem e pelo visto a Wince também.
Chegamos ao refeitório, um espaço aberto e enorme cheias de mesas retangulares forrada com toalhas e cadeiras roxas, com paredes claras com uma ao leste do refeitório se destacando em flores desenhadas e um painel, as comidas estavam em bancadas com garçons e atendentes perto da parede de vidro em direção ao norte das montanhas. Fomos direto pra fila ainda fazendo palhaçadas e tentando escolher um apelido para a Eleonor, e ignorando os olhares que estão direcionados para nós. Chegamos enfim num painel com nomes de refeições, perguntei o que era, pois pensei que estávamos indo em direção as bancadas de comida. Wince me respondeu que a comida era servida na mesa após pagamos no painel, no leitor de cartão como da porta no lado direito.
— Ah que tal Nojinho que nem em Divertida mente – diz o garoto, cara eu já estou me dando bem com ele e ainda não sei o seu bendito nome! Pensei comigo.
— Ah para, vai dizer que não está nojento esse pudim? Se é que se pode ser chamando assim – defendesse Eleonor.
— Concordo e discordo – digo rindo – Mas não fica assim Nojinho – digo a provocando. Todos gargalharam até ela, e então como quando achamos o apelido da Ana, dançamos feito retardados no meio do refeitório, até eles participaram um pouquinho. Rimos ainda mais. – Não somos normais.
— Pierre – ouvi alguém o chamar, uma voz masculina e vir em nossa direção – cara o estou chamando desde corredor – fala para o Garoto e cumprimenta de uma forma bem legal, tipo aquelas batidas de mão sincronizada que melhores amigos fazem, então. – vamos, às meninas estão nos esperando – diz já os puxando. Era um garoto moreno e bonito. Deve ser tendência nessa escola ser bonito, mas pensando bem com dinheiro e bons tratamentos qualquer um é bonito.
— Vêm meninas, olha ali a Vannah – diz Mackenzie para mim e logo o seguro – que foi? – Franze a testa estranhando o meu puxão.
— Briguei com elas hoje de manhã. Se quiser vai lar, mas vou ficar com as garotas – digo o soltando e indo em direção à mesa vazia a umas cinco mesas de distancia da de Hiovannah, perto da parede de vidro. Ignoro seus olhares e continuo a rir de um comentário da Wince. Sentamo-nos e vejo o Mackenzie e o garoto que agora sei o nome.
— Que foi? – pergunto meio surpresa – Elas os expulsaram por está a andar comigo, foi?
— Elas lá mandam em alguma coisa – diz Kenzie meio raivoso – Desculpa a raiva mais a Ella está me decepcionando. Acredita que ela ofendeu as meninas – diz sussurrando a ultima parte.
— É eu sei – falo meio triste. Kenzie olha para mim e para as Elenas de uma forma engraçada, Pierre o acompanha.
— Que foi? – perguntamos nos quatro as eles dois. Que riem.
— Vocês são irmãs? – pergunta o Garoto
— Não. Isso é uma longa historia Garoto – digo para os dois.
— Primeiro eu tenho nome, é Pierre. – fala franzindo o cenho, dando uma fisionomia carrancuda, dou um risinho enquanto o olho.
— E segundo temos o dia inteiro junto – diz Mackenzie completando a frase. Como dois namoradinhos. Consigo segurar o riso dessa vez.
— Somos da mesma sala – esclarece o Garoto.
—Oh que fofinhos vocês completando a frase um do outro – caçoa Wince. Rimos.
— Okay, mas vou continua te chamando de Garoto – digo provocando Pierre e tomo um gole de meu chá.
— Por quê? – me questiona meio intrigado e menos carrancudo.
— Ué, você é um garoto, não é? – Ele me olha feio enquanto os outros riem, apesar de não te sido uma piada. Nossos pedidos enfim chegaram e foi a melhor coisa da minha manhã, estava com muita fome que acabei o prato de panqueca em minutos.
Depois de um tempo um som elétrico cortou o refeitório saindo de umas caixas acopladas na parede, vejo Wince revirar os olhos junto de Mackenzie, e um suspiro escapa da boca rosada de Pierre. Sigo os olhos das meninas para saber o que está acontecendo e enfim noto o telão de dois lados, pelo visto, pendurado no teto do espaço explicando porque é tão aberto. Só assim para suporta um telão desses.
Apareceu o final do que eu deduzir ser uma introdução surgindo uma garota de cabelos loiro escuro, sorriso aberto, olhos claros e bem vestida, ela me parecia familiar. E começou a falar, de forma empolgada e gentil, sempre sorrindo, demais até.
— Olá alunos do Médio e novatos, eu sou a Madison Hale e vim avisa-los de um babado fortíssimos. A parti de hoje a tradicional pirâmide da popularidade começa. E como os novatos, bom, novatos não sabem nada – e rir arrancando risos de muitos alunos, calouros eu acho. – Vou explicar como funciona. Todo final de semana o pessoal do jornal lançam pesquisas fazendo apenas três perguntas: qual seu nome? Sobre qual aluno da escola você mais ouviu falar? Quem vem a sua cabeça logo de primeira? Bem básico, sei que conseguem responder, então se lhe pararem já saberá por quê. – Joga os cabelos para trás e pisca para nós, ela é bem carismática, mas eu acho que a conheço – Porém essa não é a novidade. O jornal fez uma pirâmide no festival, olhem e comentem no portal ComentCollege: foi realmente isso que ocorreu? – Aparece um efeito especial e mostra um site, tipo essas rede sociais, depois voltou para ela sentada numa escada – Bom esse foi o boletim FPBC, esperem para mais atualizações. Até Médios – da um sorriso aberto e some, no telão em seguida aparece a fotos do Tadeu, Cadu, Alicia, Mackenzie, Violet, Sophie, Wince, a tal da Madison, Zeck e eu. Formando uma pirâmide de baixo para cima.
Olho para baixo e vejo todos da mesa me olhando intrigados.
— Como você está na pirâmide? – me pergunta Mackenzie muito surpreso. Não me exalto com sua reação.
— Mas você também está nela, não é? – Lhe questiono tentando inconscientemente achar uma desculpa plausível para isso, é claro que eu não fui a mais comentada. Quem sou eu nessa escola? Uma novata.
— Sim, mas você é novata chegou ontem Elena e está em primeiro lugar da mais popular e comentada da escola – Diz rindo porem surpreso. Enfim a ficha cai e olho em volta e tem muita gente me olhando, mas eles estão assim desde que cheguei à escola, desde o festival quando o Zeck... Beijou-me!
— Corrigindo, Mack essa pirâmide é do festival – comenta Wince ainda comendo, as meninas nada dizem.
— Mas como isso aconteceu? – pergunta Pierre curioso – eu estudo aqui desde o jardim de infância, como quase a escola toda e nunca sequer uma vez fui citado. – a contra gosto digo o que acabei de perceber. Que eu estou conhecida como a namorada do Zeck, ou a garota do Zeck, as duas formas me irritam profundamente.
— Foi por causa do Ezequiel. Alguns de vocês devem te ouvidos falar da garota do Zeck – digo como se tivesse uma comida amarga na boca.
— Foi você a garota que o agarrou e ele teve que enxotar – Exclama a Vanellope chegando perto de mim por cima da mesa, quase subindo nela. Com certeza está eufórica
— O que? Claro que não! – murmuro ofendida com seu comentário – Quem te disse isso?
— Eu ouvi isso também, da minha irmã e ela é uma fonte muito confiável, por isso apareceu na pirâmide – Comenta novamente Wince, que acabou de terminar o café e presta mais atenção a conversa. Então a garota era a irmã dela, não ela mesma como pensei.
— Mas não é verdade, ele me agarrou e eu tive que fugir dele – digo sem querer confessar o que ele disse.
Deixamos todas essas amenidades de lado e fomos rumo ao primeiro dia de aula. Chegamos à porta da sala 1004E e já estávamos a falar de outro assunto super louco.
— Tipo, como os pigmeus vão plantar cenouras com as ninfas e fritar bacon na madrugada pros bebês? – Fala Kenzie questionando a teoria da Nojinho. Viu como é louco o assunto.
— E lá existem pigmeus? – Fala Vanellope enquanto procuramos um local para sentarmos todos juntos.
— Vanello Nello – cantarola Wince, que achou outro jeito de a irritar – É claro que sim. São eles que roubam os dinheiros que deixamos por ai jogado. A teoria da Nojii ta certíssima.
— Mas claro que não – Falo eu e os Garotos juntos – Isso No ecsiste – termino.
— Eu apoio a teoria das gnomas do jardim de infância. – Kenzie fala e as meninas reclamaram — Mas claro que existe – gargalho alto ao ver a cara que uma garota fez ao ouvir o gnomos. Não somos normais. E eu me iludindo ao achar que encontraria.
— Ah! – Grita Wince. Ela é muito escandalosa – vamos ver nossa lista de turma.
— Gritou só por isso? – exclama bem alto Nojii.
— Sim! – Gritamos nos quatro juntas. Fomos em direção ao mural que fica aos fundos da sala e eu o achei muito confuso.
— Porque tem cinco cursos? – Pergunto enquanto me espremo para achar meu nome
— Oras, porque foi os únicos cursos que nossa turma se matriculou – Diz o Garoto como se fosse obvio – Foi por isso que estamos na mesma turma.
— Ah – Digo assentindo já o olhando. Meu numero na chamada é o três e eles erraram, pois só havia me matriculado em dois técnicos.
— Que foi? – Kenzie me pergunta enquanto voltamos para nossos lugares.
— Estou matriculada em três cursos sendo que me matriculei apenas em dois – digo já sentada.
— normal. Temos de está matriculados em três cursos. Normas da escola – fala revirando os olhos e me arrancando um sorriso.
— Bom dia alunos – fala alguém, viro-me e encaro um ser de 1,80, pele no bronzeado perfeito, com um sorriso perfeito e olhos claros, cabelos lisos e castanhos meio mel com franja longa quase caindo aos olhos. Um deus grego. – Meu nome é Antônio e sou a partir... – diz olhando o relógio -... De agora seu professor de física.
— NÃO brinca comigo! – grita Wince lá do fundo, Nojinho e ela ainda estavam à conversa no mural. – Deu... Professor diz para mim que você da aula no segundo tempo hoje?– Que mico Wince, pois foi mais um pedido do que uma pergunta e ela ia chama-lo de deus grego, aposto. Sai dai amiga, está passando vergonha, mando a mensagem telepaticamente para ela.
— Dou sim – diz o deus grego rindo, mas com o cenho franzido. – Bom... Antes que me perguntem. Houve uma pequena mudança de horários e agora eu darei aula de física nos dois primeiros tempos e a sua professora de artes ficara em meu lugar – sorrir mais ainda, como se fosse possível. – Só uma pequena troca como disse.
— Então eu estou nessa aula? ─ questiona Wince com um entusiasmo exagerado.
— Que gato – sussurro para a Vanello Nello que se encontra na cadeira a minha frente. Vejo-a assenti e rio.
— Depois vejo na lista. – diz e pisca para ela, que se senta logo em seguida vom o rosto corado – Bom pessoal ai do fundão em pé – grita o deus grego – vocês mesmo. Sentem-se. Agora vamos começar nossa aula relembrando as matérias do ano passado – e a reclamação começou, até eu reclamei. Odeio física. Bufo e pego meu caderno na mochila – sem reclamação pessoal vocês já estão no Médio né? – diz já rabiscando coisas no quadro.
— Que saco – digo alto.
— Pensei que ele era legal – diz a Nojii meio cabisbaixa.
— Ah pessoal nem é tão ruim assim física – diz Wince e os meninos concordaram. Ouço um ser grita um “é pra copiar?” toda sala rio.
— Não. Imagina. É pra transporta telepaticamente todas essas palavras do quadro para o seu caderno – da um fora o deus grego no garoto. – Pode vim ver a lista quem está em duvida com os horários. – Metade das meninas se levantou. Eu e Eleonor trocamos um olhar e sorrir para ela.
Até aquele momento eles me mantiveram ocupada o suficiente para não pensar em minha vida e nas minhas amigas. Mas quando o assunto é Física é melhor pensar em qualquer outra coisa do que presta atenção na matéria, começo a batucar a caneta no arame do caderno. Tento focar meus pensamentos em algo banal ou tentar me desligar de tudo, desde meus pensamentos ao burburinho da sala, porém não consigo então olho em volta a procura de algo para me distrair. Tudo o que consigo é olhar o caderno do Pierre, se esse for o nome dele, entretanto não é o suficiente para mim e a contragosto inclino meu corpo em sua direção.
— Pierre? – digo meio incerta. Ele estar na carteira a minha direita, um corredor de distância, não muito longe. Ele me lança um olhar meio desinteressado, tanto quanto eu, e se inclina na minha direção também.
— Oi – diz depois de um tempo do meu silêncio. Nada está passando em minha cabeça, nada que se possa conversa pelo menos, acho que ele não saberia me dizer o que Ezequiel fez ao longo desse verão, ou se continua dizer que namora. Fico olhando seus olhos ainda tentando ver se são azuis.
— Seus olhos são sempre assim? – me embolo ao expressar minha curiosidade. Ele dá um sorriso torto e aproxima a cadeira mais para perto. – Quero dizer... São azuis? – Ainda olho diretamente para ele, o que talvez não seja sensato porque isso indica paquera? Não, não acho que pareça isso devo aparentar uma louca que fica encarando as pessoas e perguntando sobre seus olhos.
— São verdes – diz mantendo o contato visual – e os seus? – E sorrir, retribuo com um pequeno traço do que era para ser um sorriso que não saiu. – Você estar bem?
— Violetas– digo olhando para o quadro cheio de rabiscos que não reconheço sem me esforça, nem me desespero em começar a copiar e olhando o caderno dele também não se esforçou a isso. Acho que encontrei um assunto. ─ Sim, só com .tédio dessa aula
— Nem me fale nisso – diz revirando os olhos para o quadro e fechando o caderno – Pra que precisamos estudar isso a essa hora da manhã? – solto enfim um sorriso inteiro. Abordamos por mais um tempo a inutilidade de muitas matérias caírem logo na parte da manhã de uma segunda-feira até que o sinal tocou. Um som agudo meio abafado por paredes e mais paredes até a sala.
Estava andando sozinha pelo corredor da escola indo para o refeitório porque descobrir que são divididas as turmas em dois com horários distintos, e já estava servindo o almoço. Tinha acabado de sair da aula de Praticas Pedagógica, onde não havia ninguém conhecido, e minha professora é doidinha. Sorrio sozinha e ouço meu celular vibrar no bolso do casaco, o pego e vejo que é meu irmão a mandar-me uma mensagem. Abro e no mesmo instante vou de encontro a um poste e caio juntamente com ele. Parece que virou mania, derrubem a namoradinha do Zeke. Penso com ironia.
— Zeke – digo em tom de represaria depois de me levantar e me ajeitar. Nem espero para ver se estava bem simplesmente saio andando, quase correndo na verdade.
— Elena espera. Preciso falar com você – grita por mim. Entro no primeiro corredor que vejo e esta vazio. Sinto-o puxar meu braço e virar.
— Ezequiel se for para falar...
— Não é isso – ele coça a cabeça – estamos todos te procurando para leva-la a biblioteca...
— Por quê? – questiono desconfiada. – E quem esta me procurando?
— O pessoal – diz como se fosse obvio. Franzo o cenho, pois tenho muito pessoal para o meu espaço pessoal. Piadinha sem graça – A Violet, Dianna, Micah, Samu...
— Esta bem eu já entendi. Não precisa citar todos – digo meio atrapalhada. O analiso por inteiro deixando os olhos para o final, percebo que ele notou meu olhar e o desvio.
— É... Vamos? – pergunta, vejo que ainda está a segurar meu braço, o que nos faz ficar muito próximos. Me solto dele o afastando.
— Ahn... Zeke... – me atrapalho de novo. Respiro – Eu estou com fome e já tem pessoas me esperando e porque você ainda está aqui na escola? Não sei se dá para eu me encontrar com vocês. – invento desculpas, colocando uma por cima da outra sem nem terminar a anterior, articulando com as mãos em frente ao rosto e andando as pressas, para o que eu acho ser o refeitório.
— Bom... Eu e os meninos iremos embora amanhã e iriamos todos almoçar juntos. Violet disse que já combinou isso há tempos. Esqueceu-se? — pergunta lançando um sorriso, para mim é sedutor.
— Nã... Nããoo! – gaguejo – Claro que não. Bem, te encontro lá na biblioteca.
— Para com isso. Além do mais eu também tenho que pegar minha comida. – assinto contra vontade e vou andando ao seu lado. Não queria ser vista com ele, pois já está rolando muitos boatos sobre nós. Mal cheguei à escola e já sou conhecida por muitos. E por causa desse traste do Ezequiel galinha Duartte.
Eu já sabia que ele não valia muito antes mesmo de entrar nessa escola, ou antes, de conhecer a irmã dele, a Violet, mas o estrago já estava mais do que enraizado em meu coração. E a mesma dor veio ao pensar em tudo isso. Balanço a cabeça tentando tirar tudo isso, como se fosse possível.
Quando pisamos no refeitório ele inteirinho ficou em silencio, eu não ouço nem uma respiração além da minha e a dele, até porque não tenho ouvido biônico, reviro os olhos com esse pensamento. Andamos em passos largos até a fila.
— Zeke pode passar na nossa frente – diz uma garota lá do começo da fila. Ele já ia a sua direção, mas o impedi, lhe lançando um olhar raivoso.
— Não, mas obrigada. – digo por nos dois. Fixo meu olhar em meus sapatos depois disso, pois sinto os olhares de muitos sobre mim. Eu não tenho vergonha, só não gosto dessa energia ruim que estou sentindo. Os murmúrios voltaram e sei que é sobre nos dois.
— Não liga para isso, tudo bem – assinto ainda de cabeça baixa. Ele coloca a mão em meu queixo me fazendo levantar o rosto – A coroa estava escorregando – diz sorrindo para mim. Retribuo olhando em seus olhos. Porque ele tem que ser assim – E não precisa sentir ciúmes, sou apenas seu há muito tempo – diz enfatizando o seu e reviro os olhos, já devia esperar isso.
Depois de sairmos daquele recinto me senti até mais leve. Cheguei a puxar assunto aleatórios com ele durante o trajeto. Assim que paramos em uma porta de madeira escura ajudo Zeke a abri-la porque estamos com bandejas à mão. Mal entro no cômodo e ouço gritos muito familiares. Violet e Cadu. Olho em volta e reconheço os meninos da banda, o único que não falo é o Tadeu (não na presença deles), a Dianna e a Alicia. Todos a brincar com a comida, nem parece uma biblioteca isso.
— Elena! – berra a escandalosa da Violet, o ruim é que os gritos delas são agudos, muito agudos. Dou um sorriso de desespero para Cadu.
— Violet – falo baixo, pois depois dessa não dá não.
— Te procuramos a escola inteirinha. Estava fugindo? – Pergunta Samu vindo e ajudarmos.
— Não, só esqueceu – me entrega Zeke, lhe dando língua.
— Não esqueci nada, tudo bem? – digo. Ponho minha bandeja na mesinha de centro ao lado de Cadu e me sento. – meus pezinhos estão me matando. – digo olhando Cadu.
— Se foi indireta pode tira o pônei da chuva – sussurra em meu ouvido. Isso foi tão gay, apesar de que tenho quase certeza que era para me insultar de baixinha. Cadu é só uns vinte metros mais altos que eu com cabelos castanhos como os meus e olhos azuis meio violetas.
Olho em volta e ninguém estava a olhar-nos. Que bom penso e dou um sorriso enquanto tiro o salto e depois o casaco grosso, quase tirei as luvas mais Carlos Eduardo me impediu ao segurar minhas mãos. E essa não passou despercebida, principalmente a troca de olhares.
— Não sabia que já eram tão íntimos assim – diz Alicia fazendo Violet olhar para nós, assim como os outros. Tenho a forte impressão que ela não gosta de mim. Não respondemos, volto a ajeitar minhas luvas na mão logo quando ele as soltou. E olhamos para Tadeu.
— Já posso comer? – pergunto a qualquer um que queira responder.
— Só quando a tia chegar – falam três deles juntos, Micah que ainda não falou comigo, Sophia que chegou a um tempinho e Dianna.
— Então já podem comer... Elena meu amor! – diz minha tia Isabella, a mãe do Carlos.
— Oi... – digo com um sorriso nervoso, lanço outro olhar a Tadeu e vou abraça-la — Senti saudades sua.
— Eu também meu amor – diz e sorrir para mim assim que acabamos o abraço. – Vem cá você também meu ciumento – diz com voz acriançada para o Cadu.
— Você conhece minha sogra? – Ouço Violet perguntar. O se conheço.
— A conheço desde barriga – fala minha tia. Olho para Cadu pedindo ajuda e fazemos uma rápida comunicação entre olhares. “tão ferrados” – Não contou a eles?
— Bom... – dissemos os dois juntos e dona Isabella arqueia uma sobrancelha. – Vamos comer – falamos juntos de novo – estou com fome – e mais uma vez, vejo de relance Tadeu me fuzilando. Corro até minha bandeja e entupo minha boca de comida pra fugir dessa. ─ Dá para parar com isso?
— Bom... Violet meu bem como estar? Vai ao jantar? – Fala olhando confusa para nos três e abraçando sua nora.
— Estou bem sim e vou sim – sorri. Sempre sorrindo – Eu estou ansiosa para conhecer a irmãzinha do Cadu – quase engasgo. Irmãzinha? Lanço esse olhar para ele que da de ombros. Filho da Bella, vadio, o falo mal.
— Lena – olho para o lado e vejo Micah muito perto de mim, dou espaço para ele sentar e termino de mastigar. – É... – suspira pesado. Lá vem mais confusão, ele está me olhando com carinha de cachorro abandonado.
— Que foi? – o questiono preocupada, receosa e meio raivosa, colocando mais comida na boca e mastigando.
— Posso lhe pergunta algo? Mas tem de ser sincera – fala suavemente com a sua linda voz de anjo assim como o rosto. Até esqueci-me do Cadu e o irmãzinha.
— Mas é claro – falo hesitante em um sussurro.
— Você esta mesmo namorando o Zeke? – diz em um sussurro ao pé do meu ouvido. A preocupação valeu
— Não. Porque esta me perguntando isso aqui? Podemos conversa depois Micael – digo, mas na verdade eu queria terminar o assunto. Esse não é um lugar muito bom para falar de namoricos e tal.
— Porque ele disse que estava namorando com uma tal de Elena e a única que ele conhece é você – diz sem me olhar agora, meio zangado.
— A Elena do Zeke é você? – grita Guilherme ao meu lado, o olho furiosa e tapo a sua boca. Mas já era tarde. Ele sentencia minha morte.
— O que? Elena! – grita Cadu.
Estou muito ferrada. Em dobro. Olho Tadeu e vejo um lampejo de raiva controlada. Carlos Eduardo é tão impulsivo.
— Muito obrigada Gui. – grito com ele. Vejo Cadu vir em minha direção. – Calma.
— Calma porra nenhuma – olho em volta e todos estão assustados com a reação do Carlos.
— Aqui não ─ exclamo levantando-me e o repreendendo. Ele sai me puxando biblioteca fora, quase me fazendo cair. Cadu com ciúmes é um porre. Alguém nos segue. Olho e vejo Tadeu, graças a Deus.
— Como assim você está namorando o Zeke?! – volta a gritar nós nossos ouvidos e fazendo chegar à biblioteca.
— Não é o que pa... – tento dizer mais sou interrompida. Tadeu toma iniciativa e nós puxando corredor a baixo.
— Pois é sim. Mas como sou burro! Não acredito que você o beijou – A cada silaba sua voz aumenta.
— Para de drama Carlos Eduardo! – Digo emburrada – Tadeu!
— Você não vai namorar ele mais nem por cima do meu cadáver!– diz agora totalmente fora de si. Tadeu o puxou corredor a baixo e viro em um vazio, os sigo olhando para trás não vendo ninguém para presenciar esse escândalo. E estranhando o fato de ninguém ter vindo atrás de nós – Está me escutando?
— Para de gritar. E porque eu não posso? Você namora a Viol...
— Violet não tem nada a ver. Eu estou falando de você. E não é não.
— Para de gritar porra. E ela tem tudo a ver sim. Você está namorando e...
— Porra digo eu – ele se aproxima e a cada passo dou outro para trás até encostar a parede. Estávamos cara a cara. E Tadeu não diz um pio, que pelo... – Eu te amo e...
— Fala baixo, por favor – praticamente imploro para ele e olho Tadeu encostado na parede oposta, com uma expressão controlada.
— Já acabou seu showzinho Carlos? – diz Tadeu o afastando de mim, respiro fundo com certa dificuldade. Acho que ele viu minha expressão, deve ser de choque misturado com outros sentimentos como raiva, medo, surpresa e lagrimas. Não pensei que ele explodiria assim.
— Você não vai dizer nada? Vai concorda com isso? – diz grosso e captando o olhar de irritação de Tadeu se calou.
— Claro que não, mas ao contrário de você eu esperarei um momento mais oportuno, – Fala me olhando – que não ponha nada em risco. Agora o que vamos dizer para essa sua explosão? – o questiona jogado tudo na cara. Curto e direto como sempre.
Ele cruza os braços e se apoia novamente na parede, limpo meu rosto e aliso minhas roupas, notando que perdi a luva. Olho as mãos do Cadu e a vejo amassada entre seus dedos. Respiramos fundo por um tempo e havia ao fundo ruídos que não consegui compreender, o ar não ajudava a me sentir menos engasgada e sufocada. Acabo encostando as costas na parede e escorrego até o chão, me sentando no mármore frio, pondo a cabeça entre as pernas mas minha vontade era de colocar meu rosto no chão frio para controlar esse excesso de suor e pânico. Não seria bom da um ataque desses aqui.
Cadu me lança um olhar de superioridade e arrogância, típico seu. Não me controlo e me atiro para cima dele com toda força mais do que ofegante, no mesmo segundo as luzes piscaram e Tadeu me segura me puxando com um certo esforço enquanto tento em vão puxar o ar pela boca.
— Parem! – diz Tadeu ao longe.
Eu estava sufocando, literalmente. Tadeu percebeu e me colocou novamente sentada com a cabeça entre as pernas e massageando minhas costas. Acho que me disse algo, porem não consigo escuta-lo direito, havia um assovio alto e rouco vindo de minha garganta. Ele percebeu que não melhorei e então me abraçou, forçando-me a acompanhar sua respiração, regular e suave, formando um contraste gritante nos solavancos e assovios que faziam minha respiração em meu corpo. Apos um bom tempo, comecei a me acalmar e entender o que ele dizia me pedia calma e acariciava minha cabeça as vezes, de modo protetor como sempre.
Ficamos colados, peito a peito de joelhos no chão até ouvimos passos e ele me levantou devagar, mas mantendo-nos abraçados. Ainda me sentia descontrolada, pela expressão de Carlos, os efeitos disso pareciam graves.
— Cadu – ouvimos Violet logo depois e viramos em sua direção – O que foi tudo aquilo? – questiona o olhando. Tadeu sussurra para me concentrar em respirar e me puxa para longe.
— O que é tudo isso? – exclama Alicia, me tirando novamente o folego, alto o suficiente para notar sua raiva e ciúmes. Agora teremos outro ataque, não sei se aguento. Meu corpo da uma fraquejada e se não fosse por Tadeu estaria no chão.
— Elena olha para mim – diz calmo e om uma mão segura meu rosto, olho nos olhos azuis violeta de Tadeu, como os meus, que transmitiam serenidade, sem um pingo de raiva como havia a pouco tempo. Não faço ideia do que ocorria a minha volta, se Tadeu ouvia não demonstrou o que ajudou a me concentrar novamente na respiração dele. Leve e suave, imitei cada inspiração vendo mais controle sobre mim. ─ Vem, vou tira-la daqui. Apenas controle-se.
— Como ela estar? – ouço minha tia perguntar com uma entonação preocupada. Com certeza isso vai parar nos ouvidos da minha mãe.
— Já está mais controlada, mas acho melhor leva-la a enfermaria – Diz minha copia em versão masculina e mais velha. – Vou pega-la no colo, Elena, tudo bem? – aceno devagar com medo de perde o controle da respiração novamente. Sinto ser erguida por braços grandes e fortes, dando segurança mesmo ao começar a andar. Eu poderia dormi em seus braços e saberia que estaria ao acordar em minha cama, com lenções amarelos e colchas com flores bordadas a mão, de frente a grande janela que dava a um lindo jardim.
Suspiro com esses pensamentos, pois é uma lembrança distante. Agarro a camisa dele e seguro o choro, presto maior atenção no corredor. Seu andar era devagar então vi cada porta até a da biblioteca onde se encontrava Micah e Zeke a porta, afundo minha cabeça nos ombros de Tadeu desviando o olhar de Zeke. Assim que chegamos a parte de fora, uma porta que não ficava muito longe da biblioteca.
Tinha que ficar longe de olhos curiosos e ouvidos. Longe das pessoas, não queria estragar tudo e muito menos machucar alguém. Ainda no colo de Tadeu sou levada a parte mais distante do campus EM, perto das grades de proteção, para evitar fugas de alunos. Ele enfim me sentou na grama, o que foi algo sensato. Até eu sentia o calor que irradiava do meu corpo formando um campo de autoproteção. Fechei os olhos não querendo ver nada e me joguei na grama meio molhada. Senti meu corpo mais leve, poderia apostar que estava a alguns centímetros do chão.
Esse lado da minha natureza é o mais sombrio e o que miguem pode saber. Cansei de debater e entender essa loucura, mas eu tinha uma essência viva, era como papai descrevia. E ela toma forma própria, se apoderando do meu autocontrole, tentando consumir todo meu ser. Mas se isso acontecesse acho que causaria grandes estragos a Tadeu e metade da escola. Eu sou destrutível, tanto as pessoas, quanto a mim mesma.
Ao longo desse tempo Tadeu continuou ao meu lado segurando minha mão, um ato muito corajoso, ela era um dos pouco que sabia de tudo. Carlos chegou depois e me distraiu com bobeiras, porem não durou muito tempo e ficamos em silêncio.
O que fez minha cabeça rodar por lembranças da infância, da minha antiga casa, do papai, dos meus irmãos, da mamãe e da Katherine. O silencio foi rompidos por meus soluços, antes sufocados para não evitar piorar minha situação, agora rolavam soltos pela minha boca. Isso é maravilhoso, no primeiro dia já choro de pânico por ter tido falta de ar e quase destruído tudo, novamente, o bom era que agora tinha motivo, a altitude da escola era o problema. Tadeu me abraçou tentando me acalmar. Preciso controlar essa coisa.
— Você quer ir embora? – Fala Cadu que ficará em silencio até então – Podemos dizer que você não quis mais, sua mãe vai entender. – e se aproxima sentando no chão também.
— Estou puta com você, olha o que os seus ciúmes ridículos fez. Agora a Violet esta me odiando por uma coisa repulsiva. Que nojo – sussurro, mas dava quase para tocar em meio ódio, mesmo controlado.
─ Ela não pode. Você tem que ficar aqui, para sua própria proteção. Sei que consegue. ─ Tadeu botava muita fé em mim. E nessa coisa que eu sou. Queria acreditar nisso também. E como já disso, gostaria só uma vez que fosse tudo normal, sem bizarrices
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