Sua, Sempre sua.

5 O Bom filho á casa torna.


P.O.V. Gabriel.

Hoje vamos numa viajem da escola para a Serra Gaúcha, mais especificamente a cidade de Campo Belo.

O ônibus parou e eu vi o casarão onde eu e a minha amada vivemos a nossa história de amor trágica.

–Bom Dia pessoal!

–Bom dia professora!

–A nossa primeira parada é o casarão da Condessa Victoria Castellini que por acaso é ancestral de dois de nossos alunos.

–De quem?

–Minha.

–E minha também. Ela era uma mulher cruel, vaidosa e que escondia um passado obscuro.

–E como você sabe disso?

–É difícil explicar. Digamos apenas que eu sei de tudo, conheço esse lugar, intimamente.

Disse Alice apertando um botão escondido e abrindo uma passagem secreta.

–Esse túnel vai dar em lugar no qual ninguém realmente quer estar. Encontrei essa passagem á muito tempo e me lembro do que vi lá dentro como se fosse ontem. Ela o mantinha escondido lá dentro, preso, acorrentado. Sangue do seu sangue, seu próprio filho.

–Não! Não faça isso, se vir o que está lá isso vai te atormentar pela eternidade.

–Bobagem.

–Eu avisei.

A professora voltou correndo e gritando.

–Falei pra senhora não ir até lá.

–Eu vi os ossos. Ainda estão acorrentados lá.

–Não me diga? Verdade?

–Como sabia?

–Eu já estive aqui. Eu morri aqui.

P.O.V. Professora Celina.

Alice sabia sobre a passagem e sobre o que estaria no fim do corredor. Ela disse pra eu não ir, mas eu não quis ouvir e me dei mal.

–Quem era ele?

–Meu pai. Bernardo Castelini.

–Quem foi o responsável por aquilo?

–A mãe dele. Condessa Victoria Castelini

Ela contou em detalhes a história de cada cômodo, cada objeto. Mas, quando chegamos em um determinado quarto ela ficou catatônica. Começou a caminhar em direção a uma das camas e deitou-se nela.

–Foi aqui. Bem aqui.

–O que houve aqui?

–Quando eu tinha essa mesma idade. Eu morri aqui. Neste quarto, nesta cama.

Gabriel se aproximou dela e sentou-se na cama ao seu lado.

Alice começa a tossir.

–Ela está bem?

–Eles vão recriar o momento da morte dela.

Fiquei só olhando.

–O médico está vindo. Você vai ficar bem, vai ficar tudo bem.

Disse Gabriel. Então Alice responde:

–O médico não pode resolver. Apenas ela pode me salvar. É a regra.

–Regra?

–Apenas a bruxa que lançou o encantamento é capaz de revertê-lo, apesar de todo feitiço ter uma brecha esse é um dos mais potentes que já vi.

–Melissa? Foi ela que fez isso?

–Sim.

Alice segura o rosto de Gabriel fazendo as testas deles se encostarem.

–Eu amei você. Ainda amo, mas não posso... mais... viver... por favor, entenda.

–Eu entendo. Eu te amo.

Eles estavam chorando.

–A nossa eternidade começa agora.

–Lívia? Lívia!

–E foi assim que eu morri.

–Gabriel estava lá?

–Sim. Ele é o meu amor. Á muito perdido, recém encontrado.

–Eu te matei uma vez. Vou fazer de novo.

–Verdade? Qual é Clara, você sabe que a minha linhagem é muito mais potente do que a sua.

–Quer resolver esse problema lá fora?

–Se você quiser se humilhar, problema seu.

Clara fuzilou Alice com os olhos e saiu do quarto soltando fogo pelas ventas.

Depois de todos os alunos terem saído e estarmos todos no jardim, Clara fez algo e uma rajada de uma coisa que parecia energia saiu dela e foi direto até Alice que ficou intacta.

–O que foi isso?

–É melhor se afastar galera! Elas vão brigar!

Disse Gabriel.

–Não vou brigar com você Melissa. Eu venci. Apenas seja esperta e aceite.

Outra rajada de energia atinge Alice. E desta vez ela cai.

–Hum!

–Provocou de mais.

Ervas daninhas se enrolaram nas pernas e nos braços de Clara, envolvendo-a em um casulo.

–O amor é mais forte do que as trevas e todo mundo sabe! Mas, o amor de uma Petrova é mais forte que tudo e todos!

–Me solta! Deixa eu sair daqui e eu te mostro que o seu falso amor é apenas uma maldita mentira!

–O verdadeiro amor vence. O universo que se dane Melissa.

–Sua vadia ladra de namorado!

Nunca tinha visto nada parecido antes.

–Eu te amo.

Disse Gabriel beijando Alice.

–Eu te amo mais.

Ela deitou a cabeça no ombro dele.

–Aaa!

Uma Clara irada libertou se do casulo de ervas daninhas e veio com tudo na direção de Alice que facilmente a repeliu.

–Bom, é hora de ir.

Elas estavam caminhando lado a lado e ao passar em frente ao antigo poço Clara empurrou Alice que caiu lá dentro.

–Alice!

O grito que ela deu ao cair chamou a atenção de todos principalmente a de Gabriel.

–Alice? Meu amor?

Depois de quase uma hora de queda o corpo dela bateu na água.

–Vou ligar para os bombeiros.

P.O.V. Gabriel.

Os bombeiros chegaram e tiraram Alice de dentro do poço.

Ela estava roxa e tremia.

–Meu amor, você podia ter se afogado. Eu nunca me conformaria com isso.

Abracei seu corpo trêmulo e molhado.

–Ela precisa de um banho quente e tirar essas roupas molhadas. E sugiro que tampem esse poço.

–Não queremos mais ninguém caindo ai.

–Eu não caí. Fui empurrada.

–Por quem?

–Ela.

–Clara.

Com o tempo Alice foi se reaquecendo e a cor foi voltando aos seus lábios roxos.

Como estava morrendo de medo de Clara atentar contra a vida dela outra vez levei-a para casa no meu carro.

–Não precisava fazer isso. Eu ia vim de ônibus.

–Mas, iria ter que ficar parada lá no ponto de ônibus sozinha tarde da noite.

–Sei me defender.

–Amanhã, vou levar você pra minha casa.

–Tipo, com a sua família?

–Sim.

–Acha que eles vão gostar de mim?

–Não. Eles vão te amar.

–Que roupa eu devo usar?

–Qualquer uma.

–Isso não é resposta Gabriel! Afinal, eu não tenho a menor ideia das roupas que os ricos usam.

Tive que rir.

A mãe de Lívia vem caminhando em nossa direção, com um pano de prato no ombro e um copo na mão.

–Menina! Se quer matar essa sua pobre mama do coração?

–Estou bem mama.

–Bem? Foi tirada de dentro de um poço escuro e fundo pelo corpo de bombeiros e vem me dizer que está bem?! Vem cá menina.

Amélia examinou a filha detalhadamente.

–Mama!

–Sim?

–Quero te apresentar uma pessoa.

–Então apresente querida.

–Vem cá.

Ela me puxou e eu fui sem reclamar.

–Mama, este é Gabriel Castelini.

–Que nem o tal bancário?

–É banqueiro mama!

–Tanto faz. É um prazer conhecê-lo menino.

–O prazer é meu senhora.

–Vamos querida. Já é tarde, se despeça do seu namorado e vamos entrar.

–Tchau. Vejo você amanhã.

–Até amanhã.

Eu a beijei e sua mãe a levou pra dentro.