Sua, Sempre sua.

6 A Família de Gabriel.


Notas iniciais
A Shanti é a Carol Oliveira.

P.O.V. Alice.

Estou tão nervosa. Espero que eles gostem de mim.

Coloquei o meu melhor vestido e passei horas em frente ao espelho pra ter plena certeza de que não havia nem um fio de cabelo fora do lugar.

–Alice! O seu namorado chegou.

–Estou descendo!

Assim que desci ele disse:

–Nossa! Você está divina meu amor.

–Obrigado.

–Aqui. Pra você.

–Rosas brancas. Minhas preferidas.

–Eu sei.

–Obrigado. São lindas.

–Não tanto quanto você.

–Own!

–Podemos ir?

–Claro.

Assim que chegamos eu vi o tamanho da casa. Não era uma casa era tipo uma mega mansão.

Quando entramos demos de cara com duas meninas pequenas. Eram gêmeas e tinham cerca de três anos.

–Biel! Biel!

–Oi gatinhas. Sentiram saudades?

–Sim. Quem é ela Biel? Ela é sua namorada?

–É. O nome dela é Alice.

–Prazer. Eu sou a Fernanda e ela é a Felícia.

–Muito prazer.

–Que confusão é essa? Oh, meu filho! A quanto tempo não vem visitar a gente.

–Oi mãe. Oi pai.

–A quanto tempo menino. E quem é a sua amiga.

–Ela não é amiga do tato. É namorada dele.

–Ah! Uma namorada. Qual o seu nome?

–Alice Castelini.

–Castelini?

–Somos tipo, primos. Mas, eu sou descendente da neta da Condessa Victória e vocês são descendentes do sobrinho neto dela.

–Sei. Onde está a Shanti?

–Aposto que está no shopping.

–Apostou certo maninho.

–O que foi que você comprou desta vez?

–Um biquíni novo, creme pra fazer hidratação, máscara facial, óleo de amêndoas pra passar no corpo, uma canga pra combinar com o biquíni, óculos de sol novo, algumas pulseirinhas e brincos.

–Nossa! Isso é muita coisa.

–E quem é você?

–Ela é minha namorada Alice.

–Prazer, sou Shanti. E sou irmã deste paspalho aqui.

Disse ela bagunçando o cabelo de Gabriel.

–Manhê o que é pas...pastalho?

–É paspalho querida e não é bom dizer isso. Muito menos do seu irmão, ouviu Shanti?

–Sim. Ele é o filhinho da mamãe. O único menino e por acaso é o primogênito.

–Sei. Imagino como você deve se sentir meio á margem, renegada.

–Sim! Sim! Finalmente alguém entende a minha dor!

–Não seja escandalosa Shanti.

–E pra piorar eu sou adotada.

–E eles tratam você diferente? Eles fazem algum tipo de distinção?

–Não.

–Então disso você não pode reclamar, além do mais você tem muita sorte de ter vindo parar em uma família que pode te dar a melhor educação e todo o luxo e conforto que você possa querer.

–É. Mas, e você? Quem são seus pais?

–Minha mãe se chama Amélia Di Fiore Petrova e o meu pai é Bento Castelini, ele morreu antes de eu nascer e eu tenho um padrasto que se chama João Lopez. Ele está lutando na Faixa de Gaza.

–Nossa! Que barra ein?

–O que a sua mãe faz da vida?

–Ela é dona de um café. Eu e ela trabalhamos lá e com o dinheiro que ganhamos conseguimos viver bem.

–Então você é garçonete?

–E gerente, já que a minha mãe tem problemas de saúde.

–O que há com a sua mãe?

–Ela tem palpitações e não pode se estressar. Minha mãe tem um problema no coração para o qual não existe cura e temos que estar sempre indo no médico pra manter tudo sob controle.

–Lamento.

–Não lamente. Lamentar é pros fracos, os fracos lamentam e os fortes lutam.

–Você tem fibra menina. Não sei se aguentaria passar por isso.

–Já passei pior, mas eu fiz o que todas as Petrovas fazem. Eu sobrevivi.

–E aquela sua outra namorada? Qual era mesmo o nome dela?

–Clara. Eu já terminei com ela a quatro anos pai.

–Quatro anos?

–Sim.

–E ele nos falou isso da última vez que nos visitou querido.

–Tem certeza que falou?

–Tenho. Eu ouvi.

–Bom, vou guardar isso no quarto.

P.O.V. Shanti.

O que ela disse me pegou de surpresa. Ela trabalha de garçonete e a mãe dela tem uma doença cardíaca incurável, o pai dela morreu e o padrasto está lutando na guerra e mesmo assim ela não reclama.

Acho que eu reclamo de barriga cheia. Quer dizer, eu sempre uso roupas da última moda, de grifes famosas e etc e ela não. Mas, mesmo assim ela sorri e não reclama.

–Onde eu coloquei aquilo? Achei.

Desci as escadas e dei as botas na mão dela.

–O que é isto?

–São as botas da Channel. Ainda nem saiu nas lojas.

–Uau! Elas são lindas.

Ela devolveu.

–Não. São suas, fique com elas.

–Não posso aceitar isso. É muito caro e eu nem sei onde vou usar.

–Fica com elas. Você merece mais do que eu.

–Isso não é verdade.

–É sim. Mesmo depois de passar por tudo aquilo você ainda sorri e não reclama de nada enquanto que eu que tenho tudo isso vivo falando que estou insatisfeita.

–Mas...

–Fique com elas. Por favor.

–Bom, se é tão importante pra você.

–É sim. Agora experimenta.

Deu certinho no pé dela e ficou muito melhor nela do que em mim.

–Ficou linda. Obrigado.

Vi as lágrimas nos olhos dela.

–Nunca pensei que se quer veria uma dessas. Obrigado senhorita, muito obrigado mesmo.

P.O.V. Henrique.

Ver as lágrimas nos olhos daquela menina e saber que a minha Shanti foi responsável por sua alegria fez eu me orgulhar dela. Eu percebo agora a diferença gritante entre aquela tal Clara e a menina Alice.

Alice é humilde e gosta de ajudar os outros sem pedir nada em troca. Ela é muito sábia para a idade dela. Enquanto que Clara é uma adolescente mimada que estava sempre fazendo birra por coisas fúteis.

–Nem sei como agradecer.

Como amanhã é sábado decidi convidá-la para ir conosco ao clube de campo.

–Você gostaria de ir ao clube conosco amanhã Alice?

–Claro, seria uma honra estar com pessoas tão importantes.

No dia seguinte...

Ouço ela conversar com o meu filho.

–Acha que ela vai gostar?

–Claro que vai.

Alice veio carregando um bolo muito bonito.

–O que é isso?

–Eu fiz pra você senhorita Shanti. Pra agradecer pelas lindas botas, sei que não é lá grande coisa, mas eu dei o meu melhor.

A menina entregou o bolo nas mãos de Shanti.

–Obrigado.

–De nada. Era o mínimo que eu podia fazer.

Ela deu um sorriso para minha filha mais velha.

–Bom, vamos?

–Claro.

–Quer levar o bolo? Assim comemos lá.

–É uma ótima ideia mãe.

–Onde estão aquelas duas? Fernanda! Felícia!

–Oi!

–Oi. Vamos?

–Sim!

As meninas estavam vestidas exatamente com a mesma roupa. Um maiô rosa de bolinhas da Barbie e com chinelinhos da Monster High.

As gêmeas quiseram ir no carro de Gabriel e ele não fez objeção e muito menos Alice. Clara teria tido um ataque, mas Alice as ajudou a subir no carro e instalou as cadeirinhas com uma rapidez impressionante.

–Uau! Como faz isso tão depressa?

–Ás vezes eu trabalho de babá e com o tempo a gente pega a prática.

Ela brincou com as meninas na piscina, passou protetor nelas, elas brincaram de jogar futebol e ficaram todas cheias de lama já que começou a chover e tivemos que correr de volta pra casa. Quando chegamos ela ajudou meu filho a limpar o carro e as gêmeas a tomar banho.

–Não deixe essa menina escapar meu filho.

–Não deixarei.