Stubborn Love

11 We bleed the same


Notas iniciais
Surpresinhaaaaa, olha quem deu as caras por aqui hihihi. Não vou enrolar vocês aqui! Nos falamos como de costume lá embaixo!

Regina descobriu da pior maneira possível que levantar rápido não era uma boa ideia. A dor de cabeça foi tanta que ela deixou-se cair novamente na cama enterrando a cabeça nos travesseiros. Demorou alguns minutos para que tentasse novamente, desta vez lentamente, se colocar sentada na cama finalmente dar-se conta de que não estava em seu quarto. Uma onda de vergonha lhe atingiu ao lembrar-se dos acontecimentos da noite anterior, mesmo que parecessem confusos e embaralhados em sua cabeça.

A última coisa que se lembrava era de ter cansado da ceninha entre Emma e Graham e saído correndo do bar e depois Emma lhe seguindo no escuro. Lembrava que gritou com ela apesar de não se lembrar o que exatamente, também se lembrava de seus olhos verdes perto, muito perto... E um apagão. Regina teve vontade de se esconder, de não sair nunca mais daquele quarto, de pular a janela e voltar para Storybrooke a pé, só para não ter que encarar Emma Swan depois daquilo. Ressaca moral havia ganhado um novo patamar depois do que lembrava de ter feito. Pior ainda, do que não se lembrava. Sim pois as roupas que a vestiam definitivamente não eram delas, nem sua roupa íntima era a mesma que se lembrava de ter vestido quando se arrumou para o bar. Oh, meu deus... eu transei com Emma Swan?!?!

Depois de um tempo reunindo coragem a morena finalmente se se pôs de pé, notando só agora uma aspirina e o copo de água deixado no criado mudo ao lado de sua cama. Tomou o remédio e virou o copo inteiro antes de descer as escadas apoiando-se com firmeza no corrimão, não muito segura de seu próprio senso de espaço, e depois pelas paredes até encontrar Cora, Emma e Henry almoçando juntos na mesa.

— Olha ela, parece que alguém finalmente conseguiu sair da cama. – Disse Cora parecendo se divertir com sua situação. – Boa tarde, querida.

— Que horas são?

— Já passam das duas. – Respondeu com um sorrisinho. Parecia estar fazendo de tudo para não facilitar aquela situação para Regina e deixa-la ainda mais desconfortável com suas expressões triunfantes.

— A noite foi boa, mãe? – Perguntou Henry com um meio sorriso e sobrancelhas engatilhadas, colaborando com a avó sem perceber. Regina inconscientemente olhou para Emma, mas desviou instantaneamente ao perceber os olhos da loira pousados nela.

— Eu estava bem cansada... – Disfarçou dando um beijo na cabeça do filho enquanto passava para a cozinha indo buscar mais um copo de água.

— Não vai almoçar? – Perguntou Cora. Regina fez uma careta de desgosto somente ao imaginar qualquer coisa que não fosse água caindo em seu estômago.

— Uh... Não, obrigada. – Gritou da cozinha onde preferiu ficar por um tempo, refletindo, buscando em sua cabeça coisas que pudesse lembrar mas tudo parecia um grande vazio escuro em sua cabeça. Na sala de jantar os barulhos das cadeiras sendo arrastadas e o som de vozes ficando mais distantes anunciou que eles haviam acabado seu almoço, Regina finalmente achou que a área estava limpa e já se esgueirava para seu quarto quando foi surpreendida pela mãe que entrou na cozinha com as duas mãos na cintura e um sorriso vitorioso no rosto.

— Bonito, que bonito hein.

— O que você quer? – Perguntou evitando olhar seus olhos, preferindo encarar o chão como uma adolescente culpada.

— Parece que o jogo virou, não é mesmo? Quem agora é a bêbada descontrolada da mamãe, hã?

— Você está mesmo querendo me comparar a você? – Perguntou indignada.

— Claramente não. Não fui eu quem dei trabalho noite passada e tive que ser trazida pela mulher que eu trato como um lixo. Irônico, não? Emma realmente é muito gentil. Se eu fosse ela, você ia dormir no estacionamento daquele bar até que o traste do seu amigo que a levou pra lá te trouxesse de volta.

Seu punho se apertou involuntariamente e sentiu a mandíbula tensionar-se a lembrar da cena de Graham dançando com Emma no meio do salão do Poison Apple. Entretanto, tentou manter as aparências na frente da mãe e não dar à ela o prazer de ver o quanto aquilo lhe atingia, como fizera na noite anterior. Mas cada vez que fechava os olhos conseguia reviver a cena das costas da loira envolvidas pelas mãos de Graham e isso só fazia aumentar sua náusea.

— Me poupe do seu discurso, você não tem moral nenhuma pra me dizer nada. Além do mais, sabe muito bem que, ao contrário de você, não é do meu feitio fazer essas coisas... Só perdi um pouco do controle, mas já estou bem. – Respondeu-lhe ao mesmo tempo que a ânsia lhe subiu pelo esôfago e Regina mais uma vez pensou que ia vomitar.

— Claro que está. – Respondeu irônica com um virar de olhos, preparando-se para ir embora. – Bom posso não ter moral nenhuma pra lhe dizer nada, mas posso lhe dar alguns conselhos de como curar essa ressaca. Vá tomar um banho, Emma disse que cuidou de você e te deixou uma aspirina em cima da escrivaninha, então isso vai ajudar com as dores de cabeça. Coma só coisas leves, se o estômago doer ainda assim tome um Omeprazol, tome bastante líquidos e descanse.

— Espera! – Regina praticamente gritou, impedindo a mãe de atravessar a porta da cozinha. – O-o que mais Emma te falou? – Disse insegura, sabendo que estaria entregando um trunfo na mão de sua mãe para lhe atazanar ainda mais, mas ainda assim sentindo necessidade de saber o que sua memória havia lhe poupado de lembrar.

— Bom... – Cora mordeu os lábios, claramente se divertindo com a situação em que Regina se encontrava. – Acho que você vai ter que perguntar a ela quando for agradecer e devolver a camisa dela. – E por fim se retirou, deixando Regina ainda mais desconfortável ao pensar que teria que ter uma conversa, mesmo que pequena com Emma para lhe devolver a camisa e fingir que nada havia acontecido na noite anterior, mesmo não tendo muita certeza disso.

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Emma aproveitou para fazer o desjejum do lado de fora da casa onde o céu estava azul e o tempo fresco. Sentou-se na varanda buscando inutilmente a rede do celular tentando se distrair com algo na internet e evitar pensamentos perturbadores da noite anterior, mas como já sabia desde o primeiro dia nenhuma linha além da fixa chegava à Fazenda Mills. Assim que desistiu caminhou pelos arredores da casa, encontrando nos fundos uma alameda de macieiras que se estendia além de sua vista para o interior da fazenda.

Se perdeu em pensamentos sobre o comportamento de Regina naquele breve minuto que se encontraram naquela manhã. Se questionou se a morena se lembrava ao menos vagamente dos acontecimentos da noite anterior, mas se deu por convencida por seu estado alcoólico que nada deveria ter sido guardado por sua memória e era melhor assim.

Na terceira árvore mais próxima de si avistou o que parecia uma pequena lápide de mármore branco que fez com que um arrepio lhe subisse à espinha ao imaginar a cena do corpo de Henry balançando por uma corda. Emma inconscientemente abraçou-se e tomou um longo suspiro enquanto se aproximava o suficiente para conseguir ler os escritos na pedra.

Henry Mills. Pai carinhoso e marido amado.

Emma sentiu as lágrimas turvar sua visão enquanto perguntava-se pela milésima vez o porquê do suicídio de Henry. Seu conceito sobre ele, de homem feliz, amável e sereno se baseavam apenas nas breves visitas que fazia a ela e Regina quando eram casadas e a noite que ele lhe consolara e amparara enquanto esperava para ver Regina após sua cirurgia. Mas no fim, se fosse sincera, o Henry que conhecia era apenas uma visão de Regina. O pai amoroso que ela idolatrava e só tinha memórias boas para falar. No fim das contas mal o conhecera, mal conhecera Cora ou até mesmo sobre Regina antes da faculdade.

Tudo ali parecia ocultar muitas histórias, segredos e mágoas entre aquela família. Tinha todos os motivos para querer se envolver cada vez menos com os Mills e seus problemas, mas se tratava de Regina. Da família de Regina. E tudo o que parecia envolver a morena só fazia querê-la mais e mais. Descobrir mais, saber mais, estar mais perto.

Após alguns minutos voltou seu caminho para a frente da casa, encontrando uma figura que não esperava em cima de um outro tipo de árvore que contornava as cercas da fazenda.

— Hei. – Gritou ela, fazendo Henry cabisbaixo olhar em sua direção enquanto dava uma minicorrida em sua direção até estar ao pé da árvore, olhando para cima para falar com o garoto. – O que você está fazendo ai? Está pretendendo virar o Tarzan e viver no meio dos macacos nas árvores?

— Tarzan vivia entre os gorilas e eles vivem a maior parte do tempo no chão. – Disse o garoto monótono, desviando logo o olhar para a estrada.

— Uh, que sabe-tudo. Ainda bem que puxou a inteligência da sua mãe... – Tentou mais uma vez puxar assunto, mas o garoto não apresentou muita reação mais uma vez. Continuou olhando para o nada, como se estivesse esperando algo, apenas parecendo despertar quando um dos caminhões de carregamento de maçãs da fazenda, fazer um barulho antes de fazer a curva e passar por eles, mas mesmo assim logo voltou ao seu estado de espirito bucólico. – Está tudo bem com você?

— Sim...

— Cadê seu PSP? Achei que aquilo estava grudado na sua mão de tanto que vejo você com aquilo...

— Não estou muito afim.

— Oh, meu Deus... deve ser terminal! – Disse ela dramaticamente tentando fazê-lo rir, mas o máximo que conseguiu foi um rolar de olhos. – Qual é, converse comigo! Me conte o que está acontecendo... como seu eu fosse seu “brother”.

— Mãe, só para, tá? Está sendo ridícula. – Disse em tom esnobe, parecendo tanto Regina que era difícil acreditar que não era seu filho biológico.

— Eu sou sua mãe! É parte do meu papel se ridícula com você! Assinei isso na Associação de Mães Corujas e Ridículas quando você nasceu. Mandamento número trinta e nove: Constranger o filho com gírias jovens sempre que necessário. – Disse ainda em tom de brincadeira esperando mais animação do filho, mas desta vez nem mesmo uma resposta conseguiu. Resolveu mudar de tática então em sua investigação sobre o que havia de errado com o filho, limitando-se a observá-lo estática de onde estava.

Durou alguns minutos até que Henry perdera a paciência de ser vigiado e descera da árvore em um pulo falando mal-humorado:

— Ta bem, já chega! Você quer conversar? Então ta bom, vamos conversar. Porque você não começa me contando como foi sua noite ontem e porque minha mãe está com uma de suas camisas?

O sol pareceu repentinamente mais forte para Emma que sentiu suas bochechas queimarem, e na mesma hora a fez se arrepender de ter mexido com Henry quieto.

— Não tem nada pra conversar sobre, não é nada do que você está pensando... – Disse ela desconcertada, colocando o cabelo nervosamente atrás da orelha. No mesmo momento deu-lhe as costas e seguiu em para casa tentando evitar continuar naquele assunto. Mas Henry era insistente e conseguia ser tão ou mais irritante que ela quando queria, e seguiu em seu encalce insistindo:

— “Qual é, converse comigo! Me conte o que está acontecendo... como seu eu fosse seu “brother”” – Agora ele parecia mais com Cora, tendo prazer em tortura-la. – Por que você está tão desconfortável? Até parece que tem algo a esconder...

— Eu não tenho nada pra esconder! Só não quero falar sobre uma coisa que não tem nada pra ser falada!

— Sabia que por detrás daquela fachada de “Está tudo acabado, estamos melhor assim” – Disse ele em uma tentativa de imitação terrível de sua voz. – Você só estava se se preparando pra por seu plano em ação.

— Meu o quê? Qual é, você inalou muita poeira de estrada ou tirou o dia para me atacar?

— Você devia parar de negar, sabe? É patético, porque é muito evidente que ela é sua alma gêmea.

— Minha o que?!?! – Guinchou ela.

— Sua alma gêmea. Você sabe... Você ama ela, mesmo depois de todo esse tempo. E eu sei que ela é muito teimosa pra admitir, mas ela também te ama! Então porque você não para de ser uma covardona e luta pra ter ela de volta?

— Garoto, me ouve. – Disse ela parando o garoto e segurando firmemente em seus ombros, tendo certeza de que ele estava olhando em seus olhos. – Você tem que parar de alimentar essas esperanças sobre mim e sua outra mãe, ok? E essas coisas de almas gêmeas não existem, Henry. Isto é, sei lá uma coisa que inventaram para venderem livros e filmes... Isto não é real! E se você continuar acreditando nisso isso só vai te trazer dor e sofrimento, ok? O que aconteceu entre eu e sua mãe acabou, não tem volta! Nada vai voltar a ser como antes!

Emma tomou um longo fôlego depois de jogar toda sua agonia em cima de seu filho de 13 anos e se arrependeu no mesmo momento em que viu a expressão magoada em seu rosto. Isto não era para Henry, mas ele estava ali cutucando aquela velha ferida que somada com os acontecimentos anteriores só a faziam reviver a dor de tudo o que perdeu.

— Henry... Eu... Me desculpe...

— Você está tão errada! – Cuspiu com rebeldia. – Não é isso que não existe é você que é uma covarde para lutar por elas! Você desistiu da minha mãe, desistiu de nós! – E antes que tivesse a chance de tentar se consertar o garoto lhe deu as costas e seguiu com passos firmes para dentro da casa.

Emma xingou-se mentalmente querendo socar alguma coisa por enxergar muitas verdades nas palavras de seu filho. Ela havia desistido. Desistiu no momento em que deixou Regina ir e nem ao menos tentou ir atrás dela e lhe explicar a situação com Lily. Ela só a deixou ir. Não tinha mais forças para lutar por Regina quando tudo o que havia lhe trazido era sofrimento naqueles últimos meses de seu relacionamento. Achou mais fácil se esconder, fugir, mudar de cidade com toda sua miséria e deixar Regina em paz. Ela estava melhor sem ela. Era isso que as pessoas falavam, não era? Amar era deixar livre, era prezar a felicidade do outro acima da própria mesmo que isso lhe matasse cada manhã que se levantava da cama.

Emma fez uma escolha. E pra sempre teria que arcar com as consequências dela.

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O sol já começava a se por quando Regina ouviu a porta do quarto de visitas bater de seu quarto enquanto secava seus cabelos depois de um banho devidamente tomado. Passara o dia inteiro deitada no quarto escuro tentando se decidir se ficava com os olhos abertos e sentia sua cabeça pesar 1 tonelada ou se os fechava e se sentia em um carrossel a 360 km/h.

Avistou a camisa metodicamente dobrada em cima da cadeira da penteadeira e um frio na barriga de antecipação lhe acometeu, como uma adolescente ao pensar no que tinha que fazer enquanto pegava a camisa de dormir larga de Emma Swan que lhe servira como pijama na noite anterior. Ensaiou algumas vezes em frente a porta de seu quarto antes de dar um passo vacilante para o corredor.

Pela fresta da porta podia ouvir o som da tv do andar de baixo, onde pela última vez que constara, Cora e Henry assistiam um filme dividindo espaço no sofá, o garoto no colo de sua avó enquanto ela fazia carinho em sua cabeça. Torceu para que nenhum dos dois subissem o andar e tornassem a situação mais difícil do que já era para ela.

Quando chegou na porta do quarto pensou que seu coração poderia ser capaz de sair pela boca de tão rápido que batia. Tremia levemente e por um momento pensou em voltar para seu quarto e só deixar a peça em cima da cama enquanto Emma estava fora do quarto, mas ela sentia necessidade de saber até onde tinha ido na noite anterior mesmo que tivesse medo da resposta. Não poderia morrer sem saber se havia sentido o corpo de Emma Swan unir-se ao seu mais uma vez e nem ao menos se lembrar disso. Não que ela quisesse lembrar... Definitivamente não!

Tinha trabalhado em tirar essas ideias de sua cabeça desde que acordara, convencido a si mesma de que o real motivo de querer saber era deixar claro para Emma Swan que aquilo havia sido algo totalmente irracional. Era não lhe dar o gostinho de pensar que Regina conscientemente a queria, mesmo isto não sendo verdade.

Antes que perdesse a coragem deu dois toques na porta e ouviu o barulho das molas da cama rangerem à mudança repentina de posição dela.

— Pode entrar. – Disse Emma e Regina respirou mais uma vez como quem daria um longo mergulho antes de entrar e deparar-se com Emma sentada na cama com uma expressão genuína de surpresa. – Achei que fosse o Henry.

— Bom, sou só eu. – Disse Regina dando de ombros, evitando encará-la diretamente, preferindo revistar o quarto com seus olhos na soleira da porta que ficava logo de frente da cama. Emma meneou a cabeça, provavelmente sem saber o que falar naquela situação. A loira nunca fora boa com as palavras e quase sempre quando se arriscava acabava deixando escapar alguma coisa inapropriada para o momento. Conhecera cada parte daquela mulher, amara cada uma delas, cada imperfeição. Balançou a cabeça tentando afastar estes pensamentos sorrateiros que se infiltravam em sua cabeça sem avisar. – Vim te devolver isso. – Deu alguns passos à frente e lhe entregou a camisa dobrada evitando tocar em sua mão. – Eu não a lavei, mas ela na verdade está limpa. Se você quiser eu posso... Só não sabia se você tinha outra roupa para dormir.

— Não se preocupe com isso. – Disse Emma colocando a camisa de qualquer jeito para o lado da cama. Regina aproveitou para recuar alguns passos quase saindo do quarto. – Você está melhor?

— Razoavelmente melhor. Pelo menos eu consigo passar mais de 15 minutos sem me sentir enjoada.

— Por deus, eu não sei o que você tomou ontem a noite, mas se eu fosse você não tomaria mais aquilo. – Aconselhou com um meio sorriso que só fez Regina se sentir mais constrangida.

— Anotado. – Disse ela sem humor, fazendo o sorriso de Emma murchar e um silêncio incômodo se instalar. As duas trocaram um breve olhar sem palavras que Regina tentou interpretar se havia algum indício do que havia acontecido na noite anterior. Ela concluiu que ou nada demais havia acontecido ou Emma poderia estar se sentindo convencida o suficiente para não ficar constrangida ao encará-la. Talvez fosse melhor nunca descobrir.

— Obrigada por ter me trazido pra casa ontem à noite e ter... me ajudado. – Disse ela mais uma vez preferindo olhar para seus pés descalços.

— Uh, não foi nada. – Disse Emma coçando a parte de trás da cabeça com um meio sorriso, agora sim mostrando sinais de desconforto com suas palavras. Regina meneou a cabeça e se deu por convencida que alguma coisa definitivamente havia acontecido. Pensou em correr e se esconder em seu quarto, e realmente deu meia volta pronta para partir quando decidiu que não podia sair dalí sem saber o que realmente havia acontecido.

— Escuta, eu não sei o que aconteceu ontem à noite. Mas quero deixar bem claro que eu não estava consciente e não posso ser responsabilizada por nada. Eu estava fora de mim, uma espécie de possessão do álcool e nada do que nós fizemos... – Regina deixou escapar sua suspeita. Congelou com as bochechas queimando na mesma hora percebeu que havia falado demais.

— Espera. O q- O que você acha que fizemos ontem à noite, Regina? – Perguntou Emma claramente confusa fazendo Regina ter certeza que se equivocara e se sentir uma mais completa idiota por ter considerado que as duas poderiam ter transado. Pior ainda, praticamente entregar isso para Emma Swan. – Você achou que eu transaria com você bêbada do jeito que estava ontem?

— Eu interpretei mal os sinais... – Disse Regina sem se abalar, mas ainda assim não olhando para Emma enquanto a loira continuava a falar ofendida, cada vez mais alto.

— Ok você me odiar pelo nosso relacionamento não ter dado certo, mas que tipo de pessoa desprezível você acha que eu sou?!

— Do tipo que nunca pensa muito em mim na hora de fazer as coisas que você quer. – Disse Regina deixando escapar a mágoa antiga e recente por Graham, enquanto tentava reverter a posição defensiva que Emma a colocara.

— Do que você está falando? – Quis saber se levantando e colocando as mãos nos bolsos traseiros, nervosa. – Quando eu não te coloquei em primeiro lugar quando nós estávamos juntas? Quando eu coloquei minha vontade na frente de você? Quando deixei de fazer alguma coisa por você enquanto estávamos juntas? Eu te deixei com a guarda quase total do meu filho por todos esses anos e nunca nem ao menos considerei afastar ele de você!

— Não jogue Henry como se tivesse me fazendo um favor, porque deixar o filho pra trás pareceu bem conveniente para alguém que saiu da cidade querendo esquecer todos os problemas que tinha e foi recomeçar uma vida novinha em folha em outra cidade sem se lembrar do que deixou pra trás. – Disse Regina com desprezo alterando sua voz também.

— Você acha que eu não queria me lembrar do que eu deixei pra trás? Acha mesmo que eu queria uma vida nova sem meu próprio filho? Sem você? – Questionou parecendo incrédula do que ouvia. – Como você ousa dizer uma coisa dessas?! Você está enlouquecendo? Será que a sua raiva é tão grande que te fez cega, que te fez tão estúpida que você não consegue enxergar o quanto eu sofri quando você praticamente me expulsou da sua vida?

— Bem, da ultima vez que eu tinha constado você parecia estar superando muito bem. – Regina deu uma risada irônica que soou mais amarga e ressentida do que ela pretendia. Travou o maxilar e piscou lentamente tentando evitar as lágrimas que pareciam querer emergir dentro de si.

— Regina, aquilo... Lily... – Ouvir o nome da mulher doeu mais do que Regina poderia imaginar. Passara anos com esses pensamentos – de quem ela seria, de onde era, de seu nome, se estaria com Emma durante aqueles anos – que agora estava convencida que não queria saber. – Ela não significou nada pra mim, eu... Aquilo foi...

— Não importa mais. – Cortou-a antes que continuasse e saísse ainda mais ferida daquela conversa que nem deveria estar acontecendo. Antes que as coisas piorassem deu as costas e partiu em direção ao quarto não esperando que Emma lhe agarraria seu antebraço e a obrigasse a olhar para seus olhos verdes tão cheios de lágrimas quanto os seus.

— Não tem um dia destes 7 anos que eu não tenha pensado em você. Não tem um dia desses 7 anos que eu não tenha sofrido por você e pelo que nós fomos. – Disse Emma enquanto Regina seguia com os olhos a lágrima solitária que os olhos verdes deixaram escapar ao mesmo tempo que sentia uma começar a correr por seu próprio rosto. – Eu nunca deixei de me importar com você. Eu ainda me importo e eu... – As palavras foram sumindo pelo ar, não eram mais necessárias. A troca de olhar entre elas era tão intensa que era como se tivessem fundidas, como se tivessem uma atmosfera própria em volta delas. Como se tivessem sua própria gravidade que fazia difícil saber até quando suas pernas a manteriam no chão.

Regina percebeu os olhos verdes mirando seus lábios como se fosse algo miraculoso, e ela mesma alternou entre os olhos vermelhos e seus lábios rosados cada vez mais próximos de seu rosto. Pareciam imãs. Polo negativo e polo positivo que se atraiam independentes de sua cabeça que dizia que não devia. Aquilo era errado. Ela não podia.

— Eu já disse – Sua voz saiu trêmula e nem um pouco decidida. – Não importa mais.

Lentamente soltou-se da mão de Emma sentindo-a também lentamente soltá-la. Como quem não queria perder contato, como quem não queria soltá-la. E apesar de Regina no fundo sentir a falta do contato anos a convenceram que não tinha mais ao que se prender na ex-mulher. Não havia mais nada para ela e Emma do que mágoas e lembranças, nada mais o que desenterrar e remoer. Era tarde demais para qualquer uma das duas tentar consertar o irreparável.

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Emma ainda sentia os olhos arderem de todas as lágrimas que não deixou escapar e o coração ainda doer carregado de mágoa desde que Regina deixara o quarto há umas 2 horas atrás. Estava deitada de costas para a cama sentindo-se como se tivesse perdido Regina de novo e era insuportável. Era tudo tão vivo, parecia tão recente e todos os 7 anos que demorara para se conformar e convencer de que fizera o melhor para sua ex-mulher nunca tivessem existido. Tudo o que queria era correr para o quarto ao lado e gritar, repetir até Regina entender que ela ainda a amava e que nunca deixaria de amá-la. Que Henry tinha razão, ela era sua alma gêmea.

O ranger da porta a fez pular da cama, uma ponta de esperança cega achando que poderia ser Regina irrompendo por seu quarto, lhe dizendo que se sentia do mesmo jeito e terminassem o momento que tinham começado quando ela a deixou sozinha no quarto, mas era só Cora que lhe encarou com um olhar de estranhamento.

— Que foi? Achou que era Regina? – Disse ela com um sorriso maroto. Emma balançou a cabeça e voltou a se jogar na cama.

— Você só me assustou. – Murmurou fungando, não estando com disposição para o humor ácido de Cora naquele momento.

— O que aconteceu com você? – Disse ela sentando-se na cama perto de seus joelhos encolhidos. – Regina resolveu ser uma vadia de novo?

— Não ela só... tivemos uma conversa séria. Jogamos algumas coisas na cara uma da outra...

— Bom, isso é bom... É bom colocar algumas coisas para fora. Jogar tudo o que não presta pra fora e começar a acumular coisas novas. Coisas boas! – Emma a olhou com pouca fé, e Cora não insistiu no assunto. Pigarreou e assumiu um tom muito mais sério ao começar a falar novamente. – Que seja, eu não vim falar sobre isso. Vim aqui falar sobre o que deu em você pra magoar meu neto falando um monte de baboseiras amargas.

Aquilo só fez Emma se sentir ainda mais miserável ao lembrar-se que além de todas as coisas daquele dia ainda havia machucado seu próprio filho. Qual era seu problema e porque parecia ser capaz de destruir tudo o que chegava perto de si.

— Eu vou falar com ele, vou consertar isso. – Disse sentando-se na cama esperando que isso fosse fazer Cora ir embora.

— Não precisa, eu já resolvi isso. Em vez de raiva meu neto sente uma espécie de pena do ser miserável que anos de infelicidade longe de sua família fizeram de você.

— Bom, isso faz eu me sentir muito melhor. – Disse ela ironicamente.

— Mas todas as coisas que Henry me contou que você disse a ele realmente me fizeram pensar "como você se tornou isso?" – Disse ela séria, dando um arrepio na espinha de Emma por ela saber que o que ela falava era verdade. – Nunca tive muito contato com você, mas pelo que Henry e Regina sempre conversaram, sempre te enxerguei como uma pessoa totalmente devotada a minha filha. E pelo que vejo hoje em dia o motivo de vocês se separarem está longe de ser por falta de amor, então foi por que?

Emma tomou um longo suspiro e foi sincera com Cora despejando toda a história de seu fim doloroso com Regina. Cora ouviu atentamente sem demonstrar qualquer tipo de emoção durante toda a história, tirando a parte em que Emma falou do aborto da parda do bebê. Quando chegou a parte de Lily, Emma esperou alguma sombra de julgamento em seus olhos, mas mesmo assim a mais velha permaneceu impassível. No fim Emma respirou fundo tentando tomar fôlego enquanto algumas lágrimas que caíram enquanto revivia sua história e a carga emocional que lhe traziam manchavam seu rosto.

— Eu nunca soube disso. Que Regina ficara grávida, que perdeu um filho.

— Henry disse que você estava viajando na época, achei que ele te contaria quando chegasse. – Cora engoliu a seco, e desviou os olhos para o próprio colo antes de erguer sua cabeça e voltar a sua postura de Cora.

— Você sabe que eu nunca gostei de você, não é? – Disse ela surpreendendo Emma que apenas escutou sem palavras para responder àquela declaração. – Não era nada pessoal, nem era incapacidade de acreditar que minha filha poderia amar uma mulher, mas porque eu nunca achei que você fosse o suficiente para ela. Na verdade ninguém no mundo seria o suficiente para minha pequena princesa rabugenta. – Cora fez uma pausa e Emma concordou com a cabeça. Ta ai alguma coisa que as duas pensavam igual. – Mas depois de um tempo, dos anos, de perder meu marido, quase ter um infarto e ver você no mesmo ambiente que minha filha eu percebo que não se trata de ser o suficiente. Amor não é sobre pessoas terem o mesmo nível ou merecerem umas às outras senão eu nunca teria me casado com o pai de Regina... Amor é só amor. E mesmo que eu nunca vá entender o que ela viu em você, eu não posso negar que nunca a vi tão feliz quanto na época que era casada com você.

Emma mal conseguia acreditar no que ouvia, considerou seriamente estar sonhando um sonho maluco onde Cora estava falando todas aquelas coisas sentimentais para ela. Ou ela estava muito chapada ou tinha enlouquecido de vez.

— Na verdade acho que ela nunca foi feliz por tanto tempo até você e Henry virem iluminar a vida dela, e tenho que admitir que boa parte da culpa por isso seja minha. Se eu pudesse consertar algumas coisas, nem isso, se eu pelo menos pudesse fazer ela feliz agora e tentar compensar todo o estrago que fiz eu faria, mas eu não tenho esse poder. Você tem. Porque ela ainda te ama, e talvez nunca deixe de te amar, mas nunca vai dar o braço a torcer por si só, porque é teimosa demais. Então a decisão é sua, Emma. Você causou muita dor à Regina e você não pode voltar no tempo e desfazer todas as merdas que fez, mas se você realmente ama ela você pode lutar por ela e pelo meu neto. Pode mostrar pelo menos um pouco que merece o amor da minha filha e fazê-la tão feliz quanto eu acho que só você no mundo é capaz de fazer.

Emma nesse ponto estava fungando com as lágrimas caindo livremente por seu rosto. Como esperou que fizesse e agradeceu internamente por fazer Cora não a consolou, nem lhe deu qualquer afago. Em vez disso virou-lhe as costas e a deixou sozinha com o turbilhão de pensamentos que ocupavam sua cabeça.

— Pense nisso. – Disse por último antes de encostar a porta e finalmente deixar Emma sozinha e a loira se jogar na cama se entregando às lágrimas e às dores daquele passado não esquecido.

Notas finais
Gente primeiramente vamos falar desse capítulo? Foi uma das melhores coisas que eu já escrevi na vida, e saiu de uma maneira tão natural que parecia que meus dedos tinham vida própria enquanto iam digitando. Sério, eu sempre preparo todo o momento de conflito emocional e no final não consigo passar o tanto de intensidade que eu queria, mas esse capítulo... Não sei se foi a tpm ou se foi uma coisa muito emocional pessoal que eu tive que resolver no meio dele que eu fiquei chorosa? fiquei sim, e orgulhosa. Pras minhas bbs leitoras que já declararam que adoram um drama esse cap deve ter sido um prato cheio HUASDIHASUIUAS Segundo: Gostaria de explicar meu sumiço. Gente, eu to sem vida. É só estagio, intensivo de ingles, eu tive 1 semana de férias na semana do ano novo que me ocupei em torrar na praia e beber horrores like Cora pra tentar relaxar um pouco. Dai voltei pra cidade da minha faculdade e tenho estágio umas 12 horas por dia, sendo que tenho que escrever meu artigo pra publicar (que no caso também está atrasado), por isso peço que tenham paciência comigo e não desistam de mim! P.S: Fiquei muito feliz com novos rostinhos comentado, espero ver vocês mais vezes por aqui. Além das minhas fiéis leitoras que sempre comentam e me incentivam a escrever cada vez melhor. Muito obrigada pela atenção, bbs! Beijões, até a próxima :* P.SS: Meio off, mas caso gostem de ouvir músicas enquanto lêem eu praticamente escrevi todo o diálogo entre Regina e Emma e depois o da Cora e Emma ouvindo Runaway da Aurora. Não parei pra analisar a letra e saber se encaixa na estória, mas a melodia e voz maravilhosa dela me ajudaram a me concentrar para escrever estas duas cenas. Ou caso achem nada a ver, pelo menos é uma oportnidade de trocar boas músicas (E se tiverem bandas que vocês gostem ou já escutaram lendo me deixem saber, ando carente de música nova e cansada de ouvir as mesmas)