Stubborn Love

6 The bitter taste of jealousy


Cora sabia que o garoto queria alguma coisa. Ele podia não ter a genética de Regina, mas treze anos deixaram suas marcas em Henry e ela conseguia ver claramente por detrás dos olhos verdes, heranças de Emma Swan, a ardilosidade e pretensão que eram tão características de sua filha quando estava cheia de intenções. No entanto, tinha que admitir que estava se divertindo, com a audácia do garoto em tentar lhe enganar, por isso aceitou a xícara de café que ele lhe entregou lhe dando um sorriso amável

— Obrigada, querido. Você é um amor. — O neto sorriu amavelmente, da mesma maneira que sorriu desde que ela havia o visto naquela manhã, sentado sozinho esperando com a mesa posta da melhor maneira que um garoto de treze anos conseguiria dizendo ser uma surpresa especial para ela. — E suas mães?

— Elas ainda estão dormindo. — Lhe respondeu tomando um pouco do café na própria xícara. — A surpresa era pra você, pra podermos passar um tempo juntos. Senti saudades vovó.

— Oh, querido... — Respondeu ela acariciando suas bochechas rosadas lhe dando um leve beliscão. — Você sabe que a vovó ama você mais do que tudo não é? — O garoto respondeu com um acenar de cabeça e abriu a boca para respondê-la, mas antes disso Cora retomou a palavra. — Sabe que a vovó faria qualquer coisa que seu neto único pedisse, não é? Então pare de me enrolar e fale logo o que você quer para pularmos logo esse teatro todo.

Henry pareceu ter levado uma bolada na cara o que fez os lábios de Cora se curvarem em um sorriso divertido pelo canto da xícara de café por sua consternação em ter sido pego em seu plano. O garoto abriu diversas vezes a boca tentando lhe responder, mas ainda pasmo demais com suas palavras diretas. Henry ainda tinha muito o que aprender se quisesse manipular alguém algum dia.

— Vov... Eu não, não sei do que está falando.

— Você é quase tão ruim em mentir quanto suas mães, criança. — Disse ela, mas não estava zangada, pelo contrário, o sorriso ainda existia quando ascendeu um cigarro e voltou a falar. — Culpe Regina por isso que nunca deixou que eu tivesse muito contato com você, vovó poderia ter ensinado muito mais do que apenas a fazer biscoitos. Agora fale, estou escutando.

Henry desistiu de tentar se explicar. Abaixou a cabeça derrotado encostando a testa na mesa por uns segundos de forma dramática, como um réu culpado tomando folego e coragem para se entregar. E então depois de um longo suspiro disse olhando em seus olhos:

— Sei seu segredo, vovó.

Algo dentro de Cora se sentiu ameaçado, não pelo tom do Neto soar ameaçador ou coisa assim, mas pelo temor de seu neto, uma das únicas pessoas que não tinha nenhum ressentimento ou decepção sobre ela, descobrisse algo que o faria parar de olhá-la com seus olhos inocentes de criança e entrasse para o extenso clube de pessoas cheias de ressentimentos e acusações sobre ela, tal qual as duas mães. Pouco lhe importava a opinião da maioria das pessoas que a julgavam, quando se tratava de Regina ela se acostumou com sua distância e frieza, mas não Henry. Henry era seu neto querido, que a olhava simplesmente como sua avó e não por toda a bagagem que ela trazia consigo.

Entretanto, Cora não tinha treze anos e manteve o rosto impassível diante a declaração do neto, repassando em sua cabeça todas as coisas que seriam impossíveis Henry ter descoberto por si só.

— Se quiser me intimar vai ter que ser mais específico, querido. Eu tenho muitos segredos. — Disse ela tentando parecer casual, mas estava na defensiva. Não entregaria o jogo até ele lhe mostrar o que e o quanto sabia. — E se você fez toda essa cena para me criticar e julgar como a sua mãe...

— Não, vovó, claro que não! — Disse o garoto apressadamente. — Eu só quero ajudar. Quero muito!

Franziu as sobrancelhas cada vez mais confusa e intrigada sobre os conhecimentos de Henry sobre o suposto presente. Do que aquele garoto estava falando, afinal?

— Seja mais específico, Henry.

— Por favor vovó não minta pra mim, eu sei a verdade. — Disse ele após um longo suspiro. — Eu sei que foi a senhora mesma que ligou para minha mãe Emma para chamá-la para o seu "funeral" só pra ela vir até aqui.

— Oh, isso... — Disse ela com desdém batendo a ponta do cigarro no pires. Na verdade, não havia sido ela, porque apesar de duvidar da inteligência de Emma Swan as vezes, tudo tinha seus limites. Mas Granny ficou muito feliz em ajudá-la em seu plano secreto e ainda por cima sentir-se em uma das novelas mexicanas que gostava de assistir. — Ok, você me pegou, garoto.

— Por favor, me deixe ajudar você. Não tem nada no mundo que eu queira mais do que nossa família reunida de novo. Quer dizer, é tão óbvio que elas ainda se gostam! — Ele parecia tão sinceramente interessado em lhe ajudar, que Cora sentiu que faria qualquer coisa para ajudá-la.

— Henry, eu não sei... Quer dizer, e se alguma das suas mães te colocar contra a parede? Não tenho certeza que você seria forte o suficiente, se você me entregaria. Sua mãe já tem muita raiva de mim...

— Eu sou confiável! E eu prometo que não vou te entregar! Se por acaso elas descobrirem e ficarem bravas eu posso assumir a culpa!

— Oh, Henry... Você faria isso por mim? — Perguntou ela apagando o cigarro e se inclinando-se sobre a mesa segurando as duas mãos do neto entre as suas. Teria a ajuda do neto e ainda por cima alguém pra ser seu testa de ferro e poupá-la dos discursos de Regina caso algo desse errado. Não se sentia egoísta nem injusta com esse acordo, Regina nunca conseguiria ficar brava com o filho por muito tempo. Com ela, por outro lado, era muito capaz de que jogasse isso contra ela no juízo final. — Você é um tesouro de menino.

— Só uma pergunta, vovó: Por que você está fazendo isso? Quer dizer, minhas mães sempre falaram que você nunca gostou muito da minha mãe Emma quando elas estavam juntas e agora isso.

— Me escute Henry, você não pode acreditar em tudo que a sua mãe fala sobre a vovó. Regina tem sorte de você ser um bom garoto e não ser dramático e ingrato como ela é pra mim. E apesar dela não reconhecer e valorizar nada do que eu faço por essa família, você e ela são tudo o que eu tenho nesse mundo, e se as duas pessoas mais importantes no mundo todo pra mim amam Emma Swan eu posso aprender a aceitá-la, não posso?

Henry não respondeu, inesperadamente ele se jogou em seus braços a apertando de maneira tão amorosa que Cora, que não estava muito acostumada com muito contato físico, demorou alguns segundos pra conseguir retribuir a intensidade desse abraço. Mas assim que conseguiu não foi difícil se acostumar com ele, Henry podia não ter seu sangue, mas sempre esteve em seu coração. Mesmo nunca concordando no passado com o relacionamento da filha, nunca ocorreu renegar o neto que a vida havia lhe dado e apesar de não terem muito contato a casa estava repleta de fotos do menino que Regina eventualmente mandava e ela costumava encher o peito de orgulho quando falava sobre ele para pessoas. Era a pessoa mais doce e boa que ela conhecia, talvez a única. Se antes já estava determinada a juntar a filha com Emma Swan, isso só triplicou sua vontade ao ver o quanto isso faria seu neto feliz.

— Amo você, vovó. — Disse ele e ela sentiu uma lágrima escorrer do olho esquerdo, que logo encobriu enquanto dava um beijo no topo de sua cabeça.

— E eu você, meu pequeno príncipe.

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Regina mais uma vez saiu de casa sem falar com ninguém. Henry já não estava na cama, mas também não encontrou o filho pela casa, descobrindo que ele havia saído de bicicleta um pouco mais cedo por um dos funcionários da fazenda. O quarto de Emma Swan e de sua mãe tinham portas fechadas quando saiu, então pressupôs que ainda estivessem dormindo quando Graham apareceu com a viatura da polícia para buscá-la para tomarem café-da-manhã juntos.

Não queria admitir para si mesma, mas ele já estava lhe cansando. Era um bom homem, gostava de suas antigas histórias e reconhecia que em uma época de sua vida ele havia sido como um refúgio para todos os problemas da Regina adolescente cheia de problemas em casa e passado conturbado. Mas agora tudo aquilo parecia ser em uma outra vida, tinham mudado tanto que não tinham muito assuntos que conseguissem explorar a não ser falar do passado, além de ser cansativo esquivar-se toda hora das investidas do xerife.

Irônico era que mesmo com o passar de vinte anos ele ainda era como uma espécie de esconderijo pra ela. Uma maneira de fugir da convivência turbulenta com a mãe, mesmo que ela tivesse prometido a sí mesma antes de sair de Storybrooke que tentaria ter mais paciência e se esforçaria para ter uma boa relação com ela a partir de agora. Foi fácil imaginar isso, quando à distância ela imaginava uma mãe abalada após um pré-infarto. As pessoas costumam mudar depois de experiências traumáticas, não era assim? Repensarem e mudarem suas vidas, tentarem fazer as coisas certas, se tornarem pessoas melhores. No entanto dois dias na casa de sua mãe e ela tinha quase certeza de que Cora estava decidida a provocar outro infarto, dessa vez em Regina.

A presença de Emma Swan também não ajudava muita coisa. Pareciam que todas suas células estremeciam quando estava perto da ex e o ar se tornasse pesado, quase como se somente a respiração de Emma a afrontasse. De qualquer forma, era tranquilizador pensar que o carro de Emma estaria pronto hoje e ela poderia partir e menos um problema estaria sobre suas costas.

— Você está muito calada. — A voz de Graham a despertou perdida demais em seus pensamentos olhando cegamente pela janela. — Está tudo bem?

— Sim. — Respondeu apressadamente, sacudindo a cabeça como se pudesse espantar todos os pensamentos com esse movimento.

— Ansiosa pra comer os bolinhos de Granny? Tenho certeza que nenhum outro nesses países chegam aos pés do dela.

Regina riu e concordou com a cabeça. Tinham gosto de casa, gosto de domingos com o pai, uma pena que casa agora tivesse um gosto tão melancólico e amargo. Havia muita coisa que ela gostaria de deixar para trás e motivos o suficiente para ela desejar nunca mais voltar para Applestown, como quando pisaram no restaurante abaixo da pousada da melhor amiga de sua mãe e os olhares das mesas se viraram quase exclusivamente para ela. Regina se sentiu como a garota de 18 anos novamente, e quis sair correndo dali sem olhar para trás.

Nascer uma Mills sempre foi seu fardo. Desde pequena todos sabiam quem era ela, e mantinham uma espécie de expectativa sobre isso. Sempre lhe pareceu que sempre estivessem esperando qualquer deslize para apontá-la e julgá-la. Como se as cobranças de sua mãe em casa não tivessem sido o suficiente. Depois de Daniel a situação só piorou; se antes a observavam esperando um erro, depois do incidente a culpavam e odiavam. E como se Regina achasse que não podia piorar, da última vez que estivera na cidade para o enterro de seu pai, o fato de ter um filho com outra mulher e as circunstâncias da morte de seu pai foram devidamente colocados em sua ficha pelos cidadãos de Applestown, e agora os olhares eram um misto de aberração e repúdio.

— Regina. — Disse a senhora correndo até ela e lhe dando um abraço, uma das únicas pessoas junto com Graham que não a olhavam desta maneira. Talvez a sensação de desconforto de Regina estivesse estampada em sua cara, porque Granny apertou seu rosto entre suas mãos e parecia preocupada. — Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

— Sim. — Disse Regina forçando o seu mais brilhante sorriso, não mostrando nenhuma fraqueza como havia sido ensinada desde pequena por sua mãe. — Sim, estou ótima. Viemos comer seus bolinhos, estou faminta.

— Olha que eu já estava estranhando que você ainda não tinha vindo comer os meus bolinhos e já estava começando a ficar ofendida. Mais um dia ia baixar na fazenda e enfiar pela sua goela. — A senhora dizia rindo lhes levando para uma mesa. — E Henry e a sua mãe como estão? E Emma? Tenho andado tão ocupada que mal nos falamos desde o dia em que vocês chegaram.

— Estão todos bem. — Regina e Graham sentaram-se frente à frente prontos para pedirem.

— Espero que ela não tenha esquecido de que combinamos de irmos ao bar hoje, você e Emma deveriam ir também! É tão animado, sempre há dança e bebida o suficiente para nos fazer esquecer qualquer problema e nos divertirmos.

— Eu acho que não. O carro da srta. Swan provavelmente estará pronto hoje e ela poderá voltar para a casa dela, além disso minha mãe não deveria estar bebendo depois do que aconteceu com ela, ainda mais uma semana depois.

— E quem deveria beber, não é mesmo querida? — Disse a senhora dando uma gargalhada tocando o braço de Regina que permaneceu séria, reprovando totalmente a atitude da mais velha. — Vou buscar seus bolinhos, temos o de nozes seu favorito.

— Aqui estamos nós, princesa de Applestown. — Graham falou divertido, mas Regina não gostou nem um pouco de como ele se dirigiu à ela e respondeu asperamente:

— Oh, pelo amor de Deus não fale assim, Graham. É ridículo! — Regina se arrependeu no momento que as palavras saíram de sua boca. Tinha consciência que tinha sido rude, e sabia que Graham não merecia isso. — Me desculpe, eu não queria falar assim com você, eu só tenho tanta coisa na minha cabeça. Minha mãe e...

— Emma Swan? — Disse ele com um sorriso de lado.

— Eu não disse isso. Quer dizer, ela é um problema, mas não... Não.

— Acho que nós deveríamos ir ao bar hoje. Sem Emma Swan, claro! Não precisa me olhar assim, Regina. — Disse ele segurando sua mão sobre a mesa. — Ia ser bom pra você relaxar um pouco, distrair... E ainda podia ficar de olho na sua mãe para tentarmos mantê-la na linha e evitar exageros.

— Obrigado por se preocupar, é muito atencioso da sua parte.

— Não me agradeça, não é nenhum altruísmo da minha parte. Você cuidar da sua mãe quer dizer que eu não vou precisar controlá-la e eu adoraria não ter que trabalhar em um sábado à noite. Mas é sério, vamos?

— Graham, eu não sei... — Regina ponderou sobre todos os olhares que teria que encarar novamente, mas era isso ou ficar em casa assombrada por lembranças do pai e de Emma Swan, que provavelmente teria acabado de partir pela noite e Regina ainda não tinha certeza de que estaria realmente mais tranquila com isso ou mais ferida. Pelo menos estaria de olho na mãe e garantiria que ela não entrasse em um coma alcoólico. — Está bem, vamos!

Graham correspondeu com um beijo nas costas de sua mão, que só serviu para deixá-la desconfortável. Ele permaneceu segurando firmemente sua mão, olhando diretamente para seus olhos enquanto fazia círculos em sua pele com seu polegar. Regina desviou o olhar para o próprio colo e retirou sua mão.

— Graham, eu já te disse que eu não posso... Você é uma ótima companhia, está sendo um amigo formidável nesses ultimos dias, mas...

— Eu sei. — Disse ele erguendo as duas mãos em sinal de rendimento. — Só amigos, me desculpe. Eu juro que não faço por mal, não é minha culpa que minha ex-namorada tenha se tornado uma das mulheres mais atraentes que eu já vi. Fica difícil resistir a você, Regina.

Regina deu um sorriso sem graça e agradeceu que Granny chegara trazendo seus bolinhos e eles puderam se preocupar mais com com seu café-da-manhã enquanto Graham contava uma história engraçada sobre a juventude de ambos.

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Henry pedalou o mais rápido que as pernas lhe permitiam. Sua bicicleta estava alinhada com a garota que olhava para frente determinada a ganhar a corrida que tinha o desafiado. Henry tentava se concentrar na estrada de terra à sua frente, mas seus olhos pareciam imãs no rosto da garota, em como o sol iluminava o rosto sardento e os olhos se espremiam enquanto ela pedalava mais e mais rápido. Talvez por isso tenha demorado para ver a curva e derrapado tarde demais com a bicicleta rápida demais para que conseguisse fazer o percurso sem derrapar tangencialmente ele e o veículo.

— Henry! — Ele pode ouvir sua voz enquanto sentia os joelhos e pulsos sendo arrastados e rasgados contra o chão enquanto tentava se proteger do impacto da queda. — Grace largara a própria bicicleta para vir correndo e se ajoelhar ao seu lado parecendo extremamente preocupada. — Você está bem?

— Sim. — Disse ele tentando tranquilizá-la enquanto se levantavam. Verificou os próprios machucados sentindo a pele arder, mais preocupado com a reação de sua mãe Regina do que com qualquer coisa. — Foi só um arranhão, eu estou bem.

— Me desculpe, foi minha culpa. Eu que inventei essa corrida idiota. — Grace parecia extremamente culpada escondendo o rosto entre as mãos.

— Relaxa, não foi sua culpa. — Disse ele colocando a ponta dos dedos em seu ombro tentando reconfortá-la. A garota capturou sua mão avaliando o machucado.

— Temos que desinfectar isso, minha casa é aqui perto. Pode deixar, Henry, eu vou cuidar de você! — Henry sentiu as bochechas esquentarem pela maneira firme e protetora como ela havia dito olhando diretamente em seus olhos. Deus, ela era a criatura mais incrível que existia em todo o mundo. — Vamos!

Andaram lentamente carregando as bicicletas por poucos minutos até Henry poder enxergar o modesto chalé que Grace apontou como sendo sua casa. A garota o deixou esperando sentado nos degraus de entrada, enquanto fora até dentro da casa buscar bandagens úmidas e remédios para limpar seus machucados. Demorou cerca de cinco minutos até Grace voltar carregando uma maleta branca de primeiros socorros, sentar-se ao seu lado e começar seu trabalho.

Henry conseguia até esquecer de seus machucados, quando suas mãos macias esbarravam nas suas enquanto ela passava antissépticos spray e com gaze limpava o machucado de sua mão, além dele ter uma visão privilegiada de seu rosto concentrado enquanto o socorria. Estava tão encantado e mergulhado na sua beleza que só percebeu a presença do senhor Hatter quando ouviu um pigarrear grave em suas costas.

Os dois olharam para cima ao mesmo tempo para ver o pai de Grace, pouco simpático com os braços cruzados, olhando diretamente para Henry.

— Pai... — Disse a garota ficando de pé, Henry logo a imitou. A voz de Grace saiu apressada e um pouco nervosa quando ela voltou a falar. — Esse é o Henry, nós estávamos andando de bicicleta e ele caiu e se machucou, eu o trouxe até aqui pra limpar os machucados.

— Muito prazer, senhor Hatter. — Disse o garoto estendendo as mãos educadamente para o mais velho que não se preocupou em fazer o mesmo. O pai de Grace o olhou com superioridade estudando-o da cabeça aos pés antes de se pronunciar:

— Henry do que?

— Henry Mills, senhor. — Disse Henry sentindo-se intimidado por ele. O homem ergueu as sobrancelhas, direcionando seu olhar severo para Grace que não se atreveu a olhar para o pai e abaixou a cabeça encarando os próprios pés.

— Henry Mills, o neto de Cora Mills? Neto da louca, depravada, alcoólatra e assassina! A mulher cuja vida em sí é um pecado, viciada, que nem o marido foi capaz de suportar!

— Mas papai, Henry... — Começou ela em sua defesa. Henry olhava de um para o outro, as palavras ou sua respiração pareciam travadas em sua garganta. Seu coração batia fortemente pelo nervosismo que as palavras rudes e inesperadas do pai de Grace proferira. Henry nunca brigara na vida, não sabia como fazê-lo, ainda mais com um adulto, o pai da garota mais especial que ele já tinha conhecido em sua vida.

— Henry Mills. Fruto da heresia de duas mulheres que afrontam a Deus com sua perversão, abominações do diabo...

— Cala a boca! — Henry não soube de onde saiu, mas ouviu sua própria voz gritando ao ouvi-lo ofender suas mães. Sabia que existiam pessoas assim no mundo, a mãe sempre o havia preparado e ensinado que havia muitas pessoas no mundo que odiavam o que era diferente do que conheciam, que Henry devia ignorá-las e perdoá-las por não saberem o que falavam. — O senhor não sabe nada sobre as minhas mães, elas são as melhores pessoas desse mundo... Elas

— Grace, entre. Não quero você andando com esse tipo de gente. — Senhor Hatter lhe deu as costas, ignorando-o completamente, deixando Henry estático. — Saia da minha casa e nunca mais quero você por aqui, garoto. Volte para o mundo libertino de onde saiu e deixe minha filha em paz.

Henry olhou para Grace que tinha os olhos assustados e cheios de lágrimas, os lábios tremiam quando ela lhe disse tão baixo como um suspiro:

— Me desculpe...

— Grace, pra dentro agora! — Gritou o homem somente esperando a filha para fechar a porta. A garota pegou a maleta esquecida no degrau que antes estivera sentada cuidando de seus curativos e entrou porta a dentro sem olhar para trás mais uma vez.

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— Sinto muito, senhorita Swan mas ainda não acabei de fazer a revisão completa de seu carro, vou precisar mais alguns dias para resolver seu problema.

— O que? — Perguntou Emma na esperança de ter ouvido errado o que Michael havia acabado de dizer. — Deve estar havendo algum engano, Michael. Você me disse que meu carro estaria pronto em dois dias.

— Eu sei o que eu disse, senhorita Swan, mas infelizmente me enganei e vou precisar de mais alguns dias. — Disse ele mal olhando em sua cara, muito diferente do jeito atencioso e prestativo que havia lhe tratado na primeira vez que viera ali.

— Alguns?! Michael, como pode... É uma emergência, eu disse que precisava do carro o mais rápido possível! — Disse Emma nervosamente passando a mão sobre os cabelos. Hoje estourava o prazo em que Regina havia aceitado permanecer em sua presença, ou pelo menos no mesmo teto.

— Senhorita Swan, todas as pessoas que trazem seus carross até minha oficina querem seus veículos com urgência, a senhorita não é melhor nem mais especial que ninguém para eu tratá-la como prioridade. — Disse ele rudemente atrás do balcão, juntando papéis jogados em uma pilha.

— Eu não estou querendo tratamento especial, eu só estou falando o que você me disse quando eu trouxe meu carro até você!

— Bem, eu não posso adivinhar os defeitos dos carros que chegam até mim, o que eu sempre faço é dar uma previsão para meus clientes. Se a senhorita não está satisfeita com os meus serviços eu lhe aconselharia a procurar oura oficina, mas como sou o único da região, então ou se contenta com meus serviços ou compre um carro novo e largue sua lata de sardinha em um ferro velho onde ele já deveria estar faz tempo! — Michael deixou Emma boquiaberta sentindo-se extremamente ofendida com o seu comentário sobre seu carro. Como ele ousava falar assim do seu bebe?

Pensou em invadir sua sala e lhe falar umas verdades na cara, mas respirou fundo, contou até três e saiu bufando da oficina, apertando os pulsos de tanta raiva que sentia. Andou pela cidade às cegas tentando esfriar a cabeça e tentando entender como sua vida tinha virado essa confusão dos últimos dias onde ela se encontrava presa em uma cidadezinha no meio do Alabama dividindo o mesmo teto com sua ex-sogra psicótica e viciada, uma ex-mulher raivosa e um filho ressentido.

Emma só queria sair correndo dalí o mais rápido possível e voltar para sua vida em NY onde tudo era conhecido, seguro e estável. Onde ela poderia continuar sua vida tentando esquecer Regina e alguns dias até mesmo conseguir passar um dia inteiro sem pensar nela mergulhada em seu trabalho. Emma não era boa com conflitos, o melhor que ela fazia era se afastar e focar no trabalho. Henry era seu filho, e ela estava determinada a ser presente em sua vida de agora em diante, mas não era obrigada a ver Regina dar todos seus sorrisos para o Xerife Simpatia enquanto a tratava como um lixo. Não queria se envolver com os problemas das Mills novamente, nem se importar mais uma vez, como quase fizera na noite anterior. Por isso, por mais que sua curiosidade investigativa estivesse aguçada para saber a verdade sobre o que aconteceu com Henry Mills ela se obrigou a não pensar mais no assunto e se decidiu que não iria fazer mais perguntas para Regina Mills.

Já tinha se decidido que Regina estaria morta no momento em que ela tirasse os pés da fazenda. Só que pelo jeito o destino não estava facilitando as coisas pra ela. Nem para tirá-la dali e nem para poupá-la da cena que se deparou ao ver Graham e Regina através da faixada de vidro da cafeteria dando risadas e parecendo tão íntimos que seu estomago embrulhou. Nenhum dos dois a viu devido à posição de suas mesas, mas por mais de um minuto Emma não conseguiu tirar os olhos de sua ex-mulher parecendo tão leve e feliz da maneira que ela nunca mais seria em sua companhia. Sentiu como se apertassem seu coração tão fortemente que ela mal conseguia respirar, seu corpo todo tremia quando saiu praticamente correndo de frente da cafeteria não sabendo muito bem pra onde ia, só querendo fugir para longe de toda aquela confusão, daquele sentimento que parecia esmagá-la por dentro.

Acabou sentada em uma pequena praça com uma fonte no centro tentando organizar os sentimentos, sentindo o coração bater com força. Emma passou a mão pelos cabelos respirando fundo enquanto tentava não deixar as lágrimas que pinicavam seus olhos caírem se perguntando se algum dia a dor cessaria. Já haviam se passado mais de seis anos e fora só por os olhos nela que os sentimentos pareceram tão vivos, tão recentes. Estar na presença de Regina era como ter todos os ingredientes para sua felicidade e não poder alcançá-los, porque não sabia por onde começar. Não sabia como agir, ou o que fazer para fazer Regina entender que ela era e sempre havia sido a única coisa que Emma precisava para ser feliz. Que por ela Emma passaria por cima de qualquer orgulho, qualquer mágoa, faria qualquer coisa para que elas pudessem ficar bem novamente, apesar dela não saber como fazer isso.

Regina não era só sua ex-esposa, Regina foi luz na sua vida. Regina lhe defendeu, salvou, a impediu de abrir mão de Henry, e não só isso, mas foi mãe dele enquanto Emma não podia, antes mesmo delas terem algo e tudo isso sem esperar nada em troca. Regina lhe ajudou e acreditou nela quando mais ninguém no mundo fez, Regina mostrou o que era amor e como era se sentir verdadeiramente amada e segura, como era ter uma família e a pertencer realmente à algum lugar. Agora mal conseguiam se olhar nos olhos uma da outra.

Não entendia como haviam se perdido em meio a tudo isso e se perguntava como ela havia se esquecido de tudo o que viveram ou onde havia ido parar todo o amor que sentiam uma pela outra e se ainda doía nela como doía em si. Emma sempre achou que fossem invencíveis juntas, mas em menos de três meses sua vida perfeita havia desmoronado. O aborto, a distância, a frieza, a fuga, a traição e por fim o ódio.

Emma depois disso nunca mais deixou alguém se aproximar de sua vida. Regina estabelecera um padrão muito alto, e nenhum sentimento após ela tinha prendido Emma. Houveram noites casuais, alguns encontros, mas sempre sentia como se tivesse buscando Regina em outros braços, em outros olhos. Depois de um tempo desistiu de tentar procurar alguém ocupar o lugar dela. Nunca haveria espaço para outra pessoa em seu coração enquanto Regina ainda estivesse ali, e ela sempre estaria.

Com o passar das horas seus sentimentos foram se acalmando e ela se preparando mentalmente para contar a "novidade" sobre o adiamento de sua partida de Applestown. Estava decidida que iria ficar em uma pousada até sua partida e não importava o quanto Cora ou Henry pedissem nada a faria mudar de ideia.

Quando se levantou já era fim da tarde e voltou com os raios alaranjados do por do sol sendo derramados pelas longas plantações que serviam de paisagem até a fazenda Mills. Estacionou a caminhonete antiga que Cora havia lhe emprestado para ir ao centro e entrou na casa rezando para que Regina não estivesse lá. Ao verificar o andar térreo vazio, subiu os degraus no sentido do quarto que ocupava até ouvir Cora cantarolando em sua suíte. Emma aproveitou o momento para dar a notícia de sua partida imediata. Contar à ela e Henry separadamente parecia bem mais fácil de lidar do que com os dois juntos, um reforçando argumentos do outro.

— Pode entrar. — Disse a mais velha lhe olhando através do espelho de uma cumprida penteadeira enquanto colocava os brincos. Emma entrou com passos tímidos dando uma olhada no covil do diabo. Havia uma enorme cama de casal onde do lado estava uma poltrona de pele de algum animal idêntica à uma da sala, e em rente a cama encostada na parede uma cômoda de madeira antiga, do mesmo tipo que todos os outros móveis, perto da janela onde mais porta-retratos faziam volume, além da penteadeira onde Cora se arrumava. — Você gosta da minha poltrona, Emma?

— É bonita, rústica. — Disse ela passando a mão sobre os pelos grossos, cor marrom escura.

— Ela e a da sala são de um urso caçado no Alasca. — Disse Cora orgulhosamente enquanto passava delineador sobre os olhos. Emma não concordava com a caça, mas não achou relevante expor sua opinião sobre aquilo no momento.

— Engraçado, eu nunca imaginaria que Henry gostava de caça... — Disse pensando em todas as cabeças empalhadas no andar de baixo.

— Oh não, ele realmente não gostava. Já eu... Ainda aposto que consigo atingir um veado à 150 metros de distância mesmo com esses olhos que a velhice me trouxe. Eu sei usar bem uma arma, Emma. Tome cuidado comigo ou sua cabeça pode ser a próxima peça nova na sala. — Cora gargalhou. Estava claro que era para ser uma brincadeira, mas Emma ainda assim sentiu calafrios na espinha por pensar no assunto. — E o seu carro, como está?

— Não está. Michael atrasou no conserto e basicamente falou que tenho que aceitar o tempo dele. — Disse ela irritando-se só por lembrar-se do mecânico.

— Oh, essa gente... são um bando de incompetentes! — Cora se levantou olhando nos olhos de Emma, colocando as mãos em seus ombros de maneira consoladora. — Você está com cara de quem precisa de um whisky, vamos lá para baixo.

Na cozinha Cora encheu um copo para cada uma, deixando a garrafa na mesa a postos. Emma virou o copo quase inteiro sentindo o líquido amargo descer pela sua garganta antes de falar:

— Cora... — Começou Emma devagar. — Eu realmente agradeço pela hospitalidade, e por tudo o que você anda fazendo por mim, mas eu estou indo embora daqui.

— Como assim? — Cora disse colocando duas cápsulas de remédio na boca, tirados de um frasco dentro do roupão e engolindo-os com o whisky — Seu carro não está pronto, como você pode estar indo?

— Eu vou esperar o conserto em uma pousada na cidade, ou qualquer coisa.

— Isto é besteira, Emma. Me poupe! Que lugar melhor para ficar do que com o seu filho, com a sua família?

— Eu realmente tenho aproveitado muito estar com Henry, e estou feliz de que eu e você finalmente nos entendemos — Apesar de Emma ainda suspeitar muito do comportamento de Cora, e não entender muito bem como isso tinha acontecido, nos últimos dias resolvera apenas a aceitar esse pequeno milagre de comportamento — mas eu não sou mais da sua família, eu não...

— Regina falou alguma coisa pra você que a ofendeu? — Perguntou enchendo os copos enquanto Emma pensava amargamente que a morena não precisava de palavras para ofendê-la, bastava o jeito que a olhava todas vezes que se cruzavam.

— Eu não preciso que me digam quando estou sendo indesejada em um lugar. — Desabafou dando um sorriso triste e virando mais um longo gole de whisky.

— Oh meu Deus, como você consegue ser tão estúpida? – A mais velha falou impaciente, rolando os olhos de uma maneira idêntica à Regina. — Você viveu anos com Regina e parece que não sabe nada sobre ela. Como você não consegue ver que ela só te ataca porque você mexe com ela, que esse teatro de falso desprezo é nada mais do que desejo reprimido?

Emma engasgou com o whisky ao ouvir a ultima parte e sentiu as bochechas esquentarem violentamente.

— O que é? É o Xerife?! Eu já lhe disse que ele é carta fora do baralho, ele não é uma ameaça, só um peãozinho na mão dela pra se sentir poderosa e te atingir. — Se fosse Regina merecia os parabéns, porque estava funcionando muito bem.

— Olha Cora, eu não sei o porquê você está tão preocupada comigo e com Regina, mas eu já disse que não há mais nada a não ser Henry entre nós duas. As coisas acontecem do jeito que tem que ser. — Cora mais uma vez lhe ouviu revirando os olhos com desprezo enquanto enrolava mais um comprimido na língua.

— Isso é a coisa que covardes falam para se conformarem. Isto que você está sendo: Uma covarde, Emma Swan. — As palavras lhe atingiram mais do que Emma demonstrou. Foi transportada para seis anos atrás onde a filha da mulher à sua frente cuspiu as mesmas palavras com ódio e desprezo. Emma entornou o resto de whisky do copo olhando para as próprias mãos sem saber como responder àquilo sentindo os olhos penetrantes de Cora sobre ela, até o silêncio ser quebrado por tocs de salto na escada.

Regina surgiu estonteante com um vestido justo preto que alcançavam a metade de suas coxas, um scarpin vinho de salto alto da mesma cor que a bolsa de mão que carregava consigo, que pelo que Emma conhecia de Regina tinham sido cuidadosamente escolhidos para combinar com o batom da mesma cor que destacavam seus lábios, que junto com a maquiagem levemente sombreada e os cabelos presos pra trás com mechas soltas emoldurando seu rosto perfeito. Ela quase não parecia real, era como uma personificação divina diante dela. Emma sempre achou Regina bonita de qualquer jeito, mas tinha vezes que a morena era capaz de roubar-lhe todo o ar dos pulmões e hipnotizá-la de uma maneira que o resto do mundo parecia sumir.

— Boa noite. — Emma tinha ciência de que estava de queixo caído parecendo uma idiota e que Regina tinha noção do efeito que causava nela, mas não conseguia parar de olhar.

— Boa noite. — Respondeu a mais velha olhando a filha dos pés a cabeça.

— Henry está deitado assistindo tv, já limpamos e fizemos curativos nos machucados. Ele está um pouco amuado, mas eu disse que amanhã conversamos. Eu avisei que a janta dele está no microondas, e é só esquentar.

— O que aconteceu com ele? — Perguntou Emma alarmada, levantando-se.

— Henry apenas se ralou andando de bicicleta. — Cora acenou com as mãos para que Emma se acalmasse. — Coisas de criança. Regina que é exagerada demais.

— Não é exagero me preocupar.

— Só faltou querer internar o garoto quando ele chegou aqui com os joelhos ralados. — Debochou Cora revirando os olhos.

— Você está realmente querendo me dizer como cuidar do meu filho?! Você? – Deu uma risada sarcástica.

— Só estou falando que você foi extremamente desnecessária. Ele é uma criança, crianças se machucam, se ralam...

— Bom, o que sugere que eu fizesse? Pegasse uma merda de uma espingarda e fosse dar um tiro em uma bicicleta?! Porque é assim que você gosta de resolver as coisas, não é mesmo?! — Regina cuspiu rispidamente. Emma ouviu com olhos arregalados a explosão de Regina, a morena parecia descontrolada. Cora por outro lado parecia inabalável, tomando mais um gole do whisky em seu copo sem desviar os olhos da filha. Não havia um pingo de remorso nos seus olhos.

Mesmo odiando Graham, Emma tinha que admitir que a buzina de seu carro veio em boa hora. Regina respirou fundo, colocando os cabelos nervosamente para trás antes de se retirar sem dizer mais nenhuma palavra. Ela conseguiu ouvir a batida da porta do carro, antes do barulho do motor ir se distanciando pouco a pouco. Mesmo após a saída de Regina o clima ainda parecia tenso após o início de mais uma discussão entre mãe e filha, e olhar para Cora e perceber os olhos âmbar da mais velha grudados nela só conseguiu deixar Emma mais tensa.

Tentou ignorá-la, concentrando-se no líquido em seu copo antes de entornar mais um longo gole. Cora escolheu esse momento para anunciar:

— Vamos, eu ainda preciso me arrumar e você ainda nem tomou banho. — Disse a mais velha se levantando. — Eu não tenho nada do seu, hm, estilo mas acho que alguma roupa minha pode lhe cair bem para a ocasião.

— Espera, que ocasião? — Perguntou Emma confusa.

— Como assim que ocasião? Já que pretende ir embora da minha casa nada mais justo do que sairmos para tomarmos uns drinks de despedida.

— Cora eu realmente preferia ficar aqui com Henry hoje. Regina disse que ele está amuado e nós mal tivemos tempo de ficarmos juntos nesses dias...

— Besteira! Henry está ótimo, não comece você também. Você pode passar um tempo com ele nos próximos dias em que estiver por aqui. Não é porque você não vai mais dormir aqui que não poderá vir visitá-lo, você continua sendo minha convidada enquanto estiver em Applestown. E outra, você poderá vê-lo quando quiser, agora eu, talvez a próxima vez que nos virmos eu esteja realmente no caixão que você esperava me ver quando chegou aqui.

As palavras de Cora fizeram Emma sentir-se um tanto culpada, mas também lhe lembraram mais uma vez daquele grande "mal-entendido" que até agora não havia sido esclarecido. Emma se achou no direito de fazer mais uma tentativa antes de partir e continuar com esta dúvida eternamente.

— Foi você, não foi? — Questionou Cora parando-a no meio das escadas que subia de volta para seu quarto, voltando-se para ela com as sobrancelhas franzidas. — Foi você quem pediu para me ligarem e falarem que você estava morta para que eu viesse até aqui, não foi?

— Emma... — Disse ela em um suspiro dando a loira uma breve esperança de esclarecimento. — Eu não tenho ideia do que você está falando.

Notas finais
Oi, oi, oi, aqui está mais um capítulo que eu gostei muito de escrever e que antecede outro que eu gostei ainda mais, aguardem o próximo, prometo uma virada no jogo e uma revelação de pelo menos uma das questões jogadas no ar desta fic! Mais uma vez obrigada pelas leitoras que sempre comentam capítulo a capítulo (Vocês são especiais, fico feliz que continuem lendo e gostando da história), aos elogios, as leitoras novas... SÉRIO, estou amando saber que estou pelo menos deixando vocês intrigadas com a estória! E prometo respostas... aos poucos, hahahaha! Estou pensando em fazer um spin-off com a história da separação das duas, uma fanfic separada de uns 2 ou 3 capítulos, ou encaixar estes capítulos aqui nesta fic mesmo, mas isso um pouco mais pra frente. Enquanto não voltamos ao passado fiquem com o presente destas duas e acompanhem comigo o desenrolar dessa estória. Muito obrigada, mais uma vez. Até a próxima! :*