Stubborn Love

7 Tasting her own poison


Notas iniciais
Voltei antes do que vocês imaginavam, né? hahaha Tenho alguns avisos pra fazer, mas não vou enrolar aqui em cima, nos vemos lá embaixo :D

Foi necessário muito protesto e paciência para conseguir vestir uma roupa sua e fazer Cora desistir de tentar enfiá-la em uma de suas peças chamativas. No fim venceu, acabando com uma calça jeans escura, uma jaqueta de couro preta vestida por cima de uma blusa carmesim solta e uma bota de cano curto preta, sem salto. O cabelo estava solto caindo como cascatas ondulantes sobre seus ombros e a maquiagem era discreta. Cora, pelo contrário, estava estonteante em um vestido vermelho com decote em forma de coração e ombros caídos que poderia ser considerado inadequado para sua idade se a ex-sogra não fosse tão conservada e, assim como Regina, tivesse a capacidade de ficar estonteante até com um saco de lixo.

Quando desceu, após desligar a tv do quarto onde Henry dormia e lhe dar um beijo de boa noite, estranhou ver Cora conversando com um homem baixo e corpulento, usando jaquetão largo por cima de uma camisa xadrez e touca de lã. Quando atingiu o térreo, o homem desviou sua atenção em sua direção, olhando-a de cima a baixo como se tivesse julgando-a com uma expressão ranzinza no rosto. Bastou Cora pigarrear para sua atenção se voltar para a mais velha e ela lhe entregar um bolo de notas que o homem prontamente enfiou em um dos bolsos de sua jaqueta larga e sair em direção a porta da cozinha.

Emma achou a situação estranha, mas também não se sentiu no direito de fazer perguntas, então só seguiu a ex-sogra antiga e elas seguirem por estradas de terra durante cerca de 15 minutos para chegarem ao estacionamento de um bar consideravelmente grande de aparência rústica, lembrando muito um celeiro, com um grande letreiro neon escrito "Poison Apple". Pela quantidade de carros ao redor mostrava que provavelmente a casa estava cheia.

— Achei que eram simples drinks em algum bar qualquer... — Cora olhou para ela e revirou os olhos para suas palavras enquanto andavam até a entrada do local. — O que?

— Querida, olhe para mim. Eu não sou uma mulher de bares simples. E outra, esta espelunca é o único bar que temos nesta cidade. A próxima opção seria a 160 km, por isso não temos muita escolha.

Emma concordou com a cabeça enquanto atravessavam as portas de madeira no estilo velho oeste, finalmente entendendo o que aquilo implicava ao mesmo tempo em que seu olhar cruzara com o de Regina sentada aparentemente sozinha em uma mesa redonda próxima ao grande círculo livre onde as pessoas dançavam a música tocada ao vivo pela banda country no fundo do palco. Aquilo era outra armadilha, e mais uma vez ela havia caído.

— Puta merda. – Disse engolindo a seco, ao ter que encarar os olhos ferozes de Regina em sua direção como se ela fosse um inseto nojento asqueroso que Regina esmagaria se pudesse. Tentou ralhar com a mais velha ao mesmo tempo em que Granny se aproximava das duas de braços abertos. – Cora...

— Cora, querida! Olhe para você! – A grisalha abraçou a amiga dando um beijo em cada lado de seu rosto. – Você está deslumbrante, como sempre! – Em seguida virou-se para Emma com simpatia e foi sua vez de receber seu abraço caloroso. – Oh, Emma... você está linda também, fico feliz que tenha vindo aproveitar a noite com a gente!

Emma sorriu sem emoção para não soar grosseira tentando olhar para qualquer lugar que não fosse o olhar mortífero de Regina fixo em sua direção. Assim que cessou o abraço, Granny começara a tagarelar sem parar com Cora enquanto guiava as duas para sentarem-se com ela no balcão onde serviam as bebidas e pediu um whisky para cada uma. Emma não se deu nem o trabalho de protestar, mesmo preferindo cerveja. Olhando pelo canto o olhar fulminante de Regina e para seu lado onde Cora tirou um frasco já conhecido de remédio de seu decote e engoliu uma pílula com a ajuda da bebida alcoólica, Emma só conseguiu ter uma certeza: Quanto menos sóbria passasse aquela noite melhor seria para ela.

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Regina jurava que iria explodir quando viu Emma Swan nas costas de sua mãe entrando no Poison Apple. Não tentou nem ao menos disfarçar sua ira e ignorar a presença da ex-mulher como havia usado de estratégia naqueles últimos dias. Estava abertamente afrontando a loira, que pelas suas contas nem deveria estar ali. Queria atravessar o bar e gritar pedindo satisfações por aquela situação, mas suspeitava que só soaria mais patética ainda a mulher histérica abandonada no bar ir gritar e fazer escândalo com a ex-mulher. Xingou Graham mentalmente por ter tido aquele maldito chamado de urgência onde um suposto bêbado que estava perturbando o sossego de uma vizinhança da cidade.

Virou o resto de seu chopp de uma vez só e aproveitou o garçom que passava por sua mesa para pedir outra caneca que foi entornada quase de uma vez enquanto observava a ex-mulher sorrir radiante para algo que Granny havia dito e sua mãe se portar de uma maneira pouco apropriada para alguém de sua idade e beber menos adequadamente ainda. Parecia realmente um mundo injusto Emma Swan e sua mãe esfregando o quanto estavam se divertindo juntas enquanto Regina não passava de uma mulher rancorosa abandonada sozinha em um bar deixada apenas com o alcool como sua companhia e a promessa de que o amigo voltaria logo.

Logo o chopp pareceu não ser o suficiente para ajudá-la em sua situação. O copo seguinte descera rasgando em sua garganta, um rastro de fogo amargo chamado tequila que ajudou a anestesiar seus sentidos quando o sorriso de Emma Swan parecia se tornar dolorosamente lindo para Regina aguentar sem nenhum suporte. Logo em seguida veio outra dose, e mais outra, até Regina não se dar satisfeita e deixar a garrafa de tequila pela metade em sua mesa e servir-se a si mesma.

Regina perdeu noção de tempo e quantidade ao mesmo tempo em que sentia o canto da boca dormente e a cabeça parecia de repente pesar mais de uma tonelada. Se parecia que não podia ficar pior o começo do solo da guitarra anunciou o começo daquela canção clichê e atemporal. Applestown ficava no norte do Alabama, então nada mais justo do que as pessoas irem a loucura ao ritmo de Sweet Home Alabama do Lynyrd Skynyrd como se fosse uma espécie de hino alternativo do estado. Era assim desde que Regina se lembrava, cessavam praticamente todos os ruídos alternativos do bar quando a maioria das pessoas iam para o espaço de dança com seus pares ou sozinhos e os que não iam acompanhavam a música com palmas e aproveitavam para cantar abraçados com o amigo embriagado ao lado. Coisas do interior, coisas de casa.

Mesmo com a visão um pouco turva pode ver Granny, Cora e Emma serem guiadas por três senhores de meia idade com chapéus de camurça para o meio da pista de dança pelos homens de rostos vermelhos, e sorrisos largos. Granny e Cora já eram familiarizadas e dançavam sincronizadas com seus pares, já Emma tentava acompanhar de maneira desajeitada os passos do senhor, mas mesmo assim parecia estar se divertindo quando jogava sua cabeça para trás e gargalhava. Era tão linda que Regina não conseguia parar de admirar e sentir uma pontada insuportável de saudade dos momentos divertidos em que ambas compartilhavam.

Emma sempre tivera esse sorriso mágico que tinha o poder de fazer todos os problemas desaparecerem e o mundo parecer um lugar onde valia a pena se viver. Regina sempre fora introspectiva e fria foi tocada pelo calor do sorriso da morena há 13 anos atrás e mesmo com toda a mágoa que tinha da loira pelo fim lamentável que tivera seu relacionamento não conseguia negar o quão bem ela havia lhe feito, além de claro, lhe dar seu bem mais precioso, o amor de sua vida, seu filho. A Regina que encontrou Emma e defendeu seu caso era uma mulher quebrada, traumatizada e desacreditada do amor, o amor de Emma lhe reviveu, lhe deu esperança e dois motivos para ser feliz novamente. Era tão injusto que o mesmo amor capaz de revivê-la fora capaz de lhe destruir no final de tudo, com cicatrizes que pareciam nunca se curar totalmente e um vazio em seu coração que ninguém nunca mais conseguira ocupar.

Ver e conviver com Emma nesses últimos dias eram uma tempestade, um turbilhão de antíteses que pareciam capazes de fazê-la perder a sanidade e desafiavam seu autocontrole. Queria ferí-la, ao mesmo tempo que queria amá-la, queria socá-la ao mesmo tempo em que parecia que tudo que precisava no mundo era seu abraço, queria fazê-la chorar ao mesmo tempo em que sua boca parecia ter um imã oposto a dela, queria distância ao mesmo tempo em que seu coração parecia se contorcer ao considerar pensar perdê-la de vista.

Regina meneou a cabeça com os olhos cheios de lágrimas e decidiu culpar a meia garrafa de tequila pela tempestade de pensamentos que despencaram sobre ela. Se levantou e irrompeu para o sanitário ao mesmo tempo em que a banda encerrava o som e todos se viravam para o palco para aplaudir a performance.

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Emma sentia falta de ar de tanto rir quando a música acabou e aplaudiu ao lado de George, seu parceiro de dança, o final da canção. Agradeceu ao simpático senhor pela paciência com suas pernas desgovernadas e desenvoltura digna de um pato que lhe respondeu com um beijo na mão antes de se afastar com os amigos que foram pares de Cora e Granny.

Todas as três tinham os rostos vermelhos e cabelos úmidos de suor quando encostaram no bar, brindaram e se refrescaram com um longo gole de cerveja gelada, antes de Cora e Granny se afastarem para cumprimentar conhecidos, dizendo coisas que Emma não entendeu. Emma tinha que admitir que Cora era uma ótima companhia para se divertir, ela e Granny fizeram Emma se sentir tão bem que por alguns momentos até mesmo esquecera do olhar de Regina lhe perfurando pelas costas. Emma evitara olhar durante a noite para a ex-mulher, tentando não afrontá-la, mas invariavelmente, checava-a pelo canto do olho perguntando-se onde estaria o Xerife simpatia para deixá-la tão linda e sozinha naquele bar.

Mais uma vez arriscou olhar para a mesa de Regina, mas desta vez encontrou-a vazia, mas ainda com sua bolsa e metade de garrafa de tequila inacabada. Se perguntou com as sobrancelhas franzidas sobre a ausência da morena quando sentiu uma presença sentar-se do seu lado no banco que antes era ocupado por Cora.

— Parece que está se divertindo, Agente Swan. – Disse o xerife com o ombro apoiado no bar, mais próximo do que Emma gostaria.

— Bom, eu não tenho do que reclamar... E você? – Respondeu ela com pouca simpatia virando um gole de cerveja e olhando para longe do xerife.

— Noite de trabalho. Um dos funcionários da sua amiga Cora Mills me deu o maior trabalho esta noite, dá pra acreditar? O cara estava mais bêbado do que um gambá gritando que nem um louco e chutando lixeiras...

— Não brinca? – Disse Emma ironicamente, mas no fundo de sua cabeça lhe veio a cabeça o homem que vira com Cora antes de saírem de casa recebendo dinheiro da ex-sogra e se perguntou se Cora teria alguma coisa a ver com isso, sabendo no fundo a resposta daquilo.

— É, pra você ver... As emoções de ser Xerife em uma cidade pequena. Tenho certeza que para você deve parecer brincadeira de criança, mas eu tenho que ser mais durão do que parece para manter essa cidade em ordem. – Disse ele querendo ser bem-humorado, ao que Emma respondeu com um olhar duro, sem emoções.

O que aquele homem queria afinal? Queria flertar com ela e Regina ao mesmo tempo e agir como se tudo isso fosse normal? Era algum tipo fetichista hétero podre que queria as duas ex-mulheres ao mesmo tempo? Emma começava a enxergar por detrás da fachada bom moço e sorriso humilde de homem do interior que Graham fazia questão de demonstrar e começava a sentir nojo de sua falsidade e papo tendencioso. Como Regina conseguia aturar esse tipinho por mais que quisesse atingi-la?

— O que você quer, xerife? – Emma perguntou sem rodeios, já sem paciência. Como o homem tentava abordá-la com Regina, sua acompanhante, no mesmo local ao mesmo tempo?

— Eu só quero conversar com você, estávamos indo bem não estávamos? Meu carinho por Regina não anula minha simpatia por você, Agente Swan. Quando entrei aqui e vi que ela tinha ido embora achei que tinha perdido minha noite de sábado, mas vi você e pensei “Por que não terminar a noite tendo uma conversa divertida e agradável com minha colega de profissão?”

Emma parou de ouvir a partir do momento que Graham declarara que achava que Regina tinha ido embora. Uma lista de opções de pareceu se formar em sua cabeça, enquanto Emma decidia como deveria proceder. Graham havia sido distraído o suficiente para não notar que os pertences de Regina continuavam na mesa e não seria Emma que lhe avisaria. Pelo contrário, uma ideia lhe ocorreu e ela sorriu satisfeita consigo mesma. Não só faria Regina enxergar o assediador barato que Graham era, mas também ao mesmo tempo mudaria aquele jogo e faria a morena provar de seu próprio veneno, e Emma não conseguia sentir nem uma ponta de remorso por isso.

— Claro. – Disse ela lhe dando um sorriso simpático de repente. – Por que não? – E com isso elevou sua caneca convidando-o a brindar com ela.

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Depois de alguns minutos molhando o rosto e tentando controlar a ânsia incontrolável que trazia todo o álcool que ingerira durante a noite para a boca do estômago. Arrumou o cabelo, refez a pose e voltou para o barulhento salão cada vez mais vazio pelas pessoas que começavam a ir embora.

Regina se concentrou em chegar em sua mesa e assim que conseguiu se sentar caçou com os olhos a cascata de cabelos loiros onde ela estava sentada não entendendo no primeiro momento o que viu. De costas para ela a loira conversava com uma figura familiar, familiar demais até para Regina que tinha os sentidos confusos pela bebida. Não conseguiu acreditar que Graham estava sentado ao lado de Emma Swan com o corpo inclinado em sua direção, parecendo flertar abertamente com ela e ter esquecido Regina ali.

Seu sangue ferveu, o coração batia quase tão alto quanto o barulho da música do bar e o ar parecia demais para ser respirado sem dificuldade. Não sabia se sentia mais raiva de Graham por ter lhe esquecido, abandonado e a feito passar por uma cena deplorável perante toda cidade, sua mãe e principalmente sua ex-mulher e depois dar em cima dela no mesmo estabelecimento que abandonou Regina, ou de Emma que pela segunda era protagonista de um dos momentos de maior humilhação de Regina durante sua vida. E sendo filha de Cora Mills isto era uma grande coisa a se considerar. Por falar nela, Cora encontrava-se encostada no balcão alguns lugares de distância de onde o casalzinho conversava tão entretidos que nenhum dos dois haviam notado sua presença até o momento, olhando para Regina como se estivesse se divertindo com sua situação, como se tivesse lhe enviando um “Bem feito” com o olhar.

Regina a encarou de volta furiosa, o que pareceu atiçar ainda mais sua vontade de provocá-la. Cora saiu de onde estava e se dirigiu até uma das laterais do palco, onde após falar com um homem, subiu ao palco e esperou até o fim da apresentação da música que tocava para tomar a frente.

— Boa noite, pessoal de Applestown que ainda não está tão bêbado para discernir o que eu estou falando. – Disse causando algumas gargalhadas das pessoas do bar. – Primeiramente eu gostaria de agradecer a minha convidada por ter vindo passar esta noite maravilhosa comigo, Emma Swan. – Regina não podia acreditar. Cora estava abertamente fazendo aquilo para cutucá-la, pois assim que terminou de falar para Emma seus olhos estavam em Regina, analisando-a e testando-a até quando ela aguentaria sem explodir. – Segundamente, eu gostaria de cantar uma especial para mim e convidar todos, especialmente a minha convidada a dançá-la em minha homenagem.

Era verdade que todos na cidade odiavam a família Mills, mas ninguém nunca se mostrara corajoso o suficiente para enfrentá-la diretamente. Na sua frente, mesmo a mãe sendo uma completa pirada nariz em pé, todos as respeitavam. Então não foi de se surpreender que a pista se encheu de gente que aplaudiu e dançou enquanto Cora cantarolava lentamente Summer Wine.

Regina aproveitou as pessoas que passaram por sua mesa para a pista de dança e aproveitou para se esgueirar para um canto onde Emma e Graham não poderiam vê-la durante sua dança e privar-se de uma humilhação ainda maior (se isto fosse possível), mas ainda sim tendo uma vista livre para acompanhar tudo o que se passava entre eles.

O enjoo pareceu aumentar dez vezes mais ao ver o xerife que ela considerava seu amigo até algumas horas atrás segurar a cintura de Emma, sua Emma, enquanto ela envolvia seus braços em torno de seu pescoço e seus corpos se moviam lentamente em sintonia. Tudo parecia estar em câmera lenta, sua visão fora embaçada pelas lágrimas que inundaram seus olhos sem permissão. Suas pernas tremiam e Regina tinha a sensação que iria sufocar se permanecesse ali mais um minuto vendo sua ex-mulher, o amor de sua vida enquanto ela sorria e dançava lentamente com Graham destruindo mais uma vez seu coração. Regina só queria correr e não parar até não sentir mais nada.

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— Você está se saindo bem para quem disse que não sabe dançar, Agente Swan. – Disse o xerife perto de seu ouvido enquanto subia e descia suas mãos por sua cintura. Emma forçou um sorriso e manteve seu papel, pois sabia que Regina ainda assistia tudo de algum lugar daquele bar. Só estaria satisfeita quando tivesse certeza de que Regina tinha visto o grande idiota que era seu amiguinho.

— Talvez eu só esteja tendo um bom instrutor. – Disse ela sedutoramente olhando Graham que a cobiçava com os olhos. Cretino. – Sinto muito por seu encontro com Regina ser estragado por trabalho e você ter que terminá-la ensinando uma perna-de-pau como eu a dançar comigo, Xerife.

— Minha noite não foi estragada, Emma. E eu e Regina não estávamos tendo um encontro – Apressou-se em dizer. – O que tinha de romântico entre nós já passou a muito tempo. A única coisa que sobrou foi uma amizade e uma consideração pelos velhos tempos.

— Me desculpe é que eu achei que pelo jeito que vocês andavam juntos nos últimos dias... – Aproveitou para saciar sua curiosidade sobre o nível de interação entre os dois.

— Eu e Regina? De jeito nenhum! – Afirmou o rapaz. – Eu só estava querendo ser uma boa companhia para ela. Não deve estar sendo fácil pra ela voltar pra casa, ainda mais depois do pai ter se enforcado em uma árvore a menos de 50 metros da casa deles... Mas podemos falar de outro assunto?

Emma congelou na pista de dança, seus pés pareceram colados no chão enquanto a única coisa que conseguiu focar foi o rosto do xerife olhando-a confuso por sua reação.

— O que? – Tentou ela novamente pensado ter ouvido errado o que o xerife acabara de proferir. Não podia ser...

— Eu disse para falarmos de outra coisa. – Disse ele mais alto.

— Não, a outra coisa... Você disse que... Acabou de dizer que Henry Mills...?

— Henry Mills se suicidou, Emma. Como você não sabe disso?

Emma perdeu o chão. Não conseguiu falar nem expressar nada além de olhar perdida para o local sem saber o que pensar ou como agir. A voz de Cora era algo cada vez mais distante ecoando no fundo de seu ouvido. Conseguia ver a boca de Graham se mexendo, chamando seu nome mas só foi despertada de seu transe quando sentiu o impacto de alguém lhe empurrando e segundos depois perceber que esse alguém havia sido Regina que saíra com passos acelerados em direção a saída.

Emma sentiu-se envergonhada e arrependida pelo que acabara de fazer. Já não bastava todo o sofrimento que causara na morena no passado, não bastava a perda do pai, ainda a fizera testemunhar aquela encenação ridícula. Olhou para a saída ameaçando ir atrás de Regina, mas dividida se sua presença ajudaria ou só pioraria as coisas. Como se lesse seus pensamentos mesmo de cima do palco Cora gritou seu nome e lhe atirou a chave da caminhonete, piscando para ela.

Mesmo sem nenhuma palavra Emma sabia o que ela queria que fizesse, o que ela deveria fazer. Acenou com a cabeça positivamente para a ex-sogra que esboçou um sorriso satisfeito e continuou cantando sua canção, enquanto Emma corria em direção a saída sem se importar em mais uma vez ter sido uma peça no jogo que Cora parecia jogar com todos ao seu redor.

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— Regina – Gritou Emma correndo pelo estacionamento seguindo a sombra de passos vacilantes um pouco a frente, parecendo perdida pelo estacionamento. – Regina, espera.

— Emma... – Disse olhando para trás, mas sem parar de andar apressada. – Me deixe em paz.

— Regina...

— Volta pra lá, vocês pareciam estar se divertindo bastante lá dentro. – Disse com as palavras enroladas, claramente bêbada, andando a esmo pelo estacionamento e fazendo Emma segui-la cada vez mais próxima.

— Deixa eu te ajudar... – Disse finalmente alcançando-a, segurando seu antebraço para que Regina parasse de andar sem rumo e pudesse ajudá-la.

— Não me toque! – Rugiu a morena com fogo nos olhos puxando o braço com tanta força que cambaleou e quase perdeu o equilíbrio. – Eu não preciso da sua ajuda, eu não preciso de nada vindo de você, eu só preciso que me deixe em paz!

— O que você viu lá dentro, eu... Me desculpe.

— Pelo que? Pelo complô com a minha mãe pra em atormentar, ou por me humilhar na frente da cidade inteira? Eu não me importo! Faz o que você quiser com quem você quiser, me humilhe quantas vezes você quiser, mas fique longe de mim! – Gritou com lágrimas nos olhos, virando-se bruscamente, sem contra que as pernas a traíram e Regina despencou sentada no chão.

Emma apressou-se para ajudá-la, ajoelhando-se ao seu lado e tocando seus ombros trêmulos. Ao se aproximar notou que Regina começara a chorar tão intensamente que seu corpo tremia. Mesmo temendo outra explosão de Regina, a loira envolveu seus braços em volta dela em um abraço desajeitado.

— Eu sinto muito, sinto muito, sinto tanto. – Sussurrou repetidamente sem saber exatamente pelo que. Pela cena com Graham, por seu pai, por toda a dor que havia causado no passado.

— Tudo o que eu sempre amei no fim me destruiu, todo mundo vai embora. – Disse ela em prantos e Emma tinha certeza que só falava essas coisas profundas graças ao seu estado etílico alterado. – Você, meu pai, Daniel... Todo mundo que eu amei me traiu ou morreu.

— Me desculpe. – Pediu Emma do fundo de seu coração apertando ainda mais seus braços em torno da morena, enquanto sentia lágrimas teimosas escorrerem por seu rosto. – Eu nunca quis te machucar, eu nunca quis nada disso. – Emma teve certeza de que Regina deveria estar beirando ao coma alcoólico quando ela virou-se e a encarou diretamente nos olhos sem aquela expressão de que queria cometer um homicídio.

Seus rostos estavam muito próximos, tanto que Emma aproveitou essa pequena brecha para admirar o rosto com qual tanto sonhara durante todos esses anos. Para Emma não existia no mundo mulher mais bonita, mesmo o tempo só fizera a beleza de Regina amadurecer assim como ela. Regina tinha os olhos ligeiramente perdidos, como se não compreendesse muito bem o que estava acontecendo, mas ao mesmo parecia tão enfeitiçada pelo momento como Emma. Seus olhos mapeavam o rosto da loira pousando eventualmente nos lábios finos e rosados, só fazendo a vontade de Emma acabar com a distância entre as duas maior.

— Me deixa te levar pra casa, me deixa cuidar de você. – Sussurrou sem desviar os olhos de Regina, não sabendo se dizia isso por aquela noite ou para o resto dos seus dias. Regina que permanecia com os olhos confusos sem desviá-los dos de Emma ao ouvir seu pedido levou sua mão até a lateral do rosto da loira e passou suavemente o polegar por seus lábios. Uma voz no fundo da cabeça de Emma soou como um alerta. – Regina...

Emma virou no último momento quando Regina havia avançado seu rosto no dela, fazendo com que a morena repousasse a cabeça no espaço entre sua cabeça e seu ombro. Sabia que poderia se arrepender de ter perdido essa oportunidade mais tarde e que era provável que algo como aquilo nunca mais aconteceria, mas pelo menos morreria com a consciência tranquila de não ter se aproveitado de Regina enquanto a morena não era capaz de discernir suas ações.

Regina fechou os olhos parecendo acomodada na posição que estava e Emma com jeitinho acomodou seu braço sobre seu ombro erguendo a morena e pedindo para que ela lhe ajudasse andando até o carro. O corpo de Regina obedeceu mesmo que ela não parecesse muito consciente do que fazia e depois de alguns minutos de dificuldade conseguiu finalmente colocar Regina no banco de caronas e levá-la para casa.

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Conseguiu tropeçar apressada com Regina que reclamava de estar passando mal até o banheiro geral do andar de cima. Regina debruçou-se sobre o vaso sanitário e vomitou todo o álcool que parecia ter ingerido durante sua vida toda, enquanto Emma permaneceu em suas costas segurando seu cabelo preocupada se Regina ficaria desidratada de tanta coisa que parecia sair de dentro dela. Depois de acabado Emma ajudou a morena a tirar o vestido e acessórios e a colocou sentada na banheira praticamente dormindo. Lhe deu um banho quente enquanto Regina abraçava a si mesma tremendo de frio, lavou seu cabelo e a enrolou em uma toalha em seu corpo.

Para não acordar Henry levou-a para seu quarto, vestiu uma de suas camisetas de dormir e tirou as roupas intimas molhadas por debaixo da roupa, entrou sorrateiramente no quarto onde Henry dormia, caçou uma das roupas de baixo de Regina e ajudou ela a vestir, antes de acomodá-la na cama que era sua e deixar o quarto encostando suavemente a porta.

Emma jogou seu corpo contra a parede tomando um longo suspiro enquanto tentava digerir tudo o que havia acontecido nas últimas horas. Henry Mills. Suicídio. Por mais que tentasse não conseguia compreender como seu ex-sogro fora capaz de uma coisa dessas. O que havia acontecido para que Henry fosse capaz de tirar a própria vida? Quem diabos era Daniel que também havia magoado Regina? Afinal, ele havia traído Regina ou morrido?

Seu corpo clamava por descanso, mas sua cabeça não conseguia se desligar de todas essas questões. Jogou-se em um dos sofás da sala e ficou lá para o teto olhando para o teto revivendo os últimos acontecimentos e sentindo um frio na barriga por lembrar que Regina quase havia lhe beijado. Uma faísca de esperança de que Regina sentisse algo a mais por ela do que ódio crescendo teimosa mesmo que Emma tentasse reprimi-la. Quando finalmente o sono a visitou os primeiros raios de sol já nasciam, anunciando o começo de mais um dia.

Notas finais
Primeiramente, GENTE OQ VOCÊS ACHARAM??? Sério, mais do que nunca me deixem saber a opinião de vocês, porque esse capítulo foi de longe o que eu mais gostei de escrever e fiquei bem satisfeita com ele (tirando alguns possíveis errinhos de português, lembrando que eu não tenho paciência pra revisar meus próprios textos), então ficaria IMENSAMENTE feliz se vocês deixassem o comentário de vocês :) Em segundo: GENTEEE, eu fiquei surpresa de perceber o quanto fiz vocês ficarem bravas com a Regininha, hahaha. Ok que ela ta sendo bem otária com a Emma, mas acho que com o tempo vou mostrando que mesmo aqui na fic Regina tem um passado cheio de traumas e decepções que a fizeram agir desta maneira. Terceiro: Segredo da morte do Sr. Mills foi revelado, mas isso só abriu mais portas para serem abertas... E agora, hein? Quarto: Eu tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que no próximo capítulo eu pretendo começar a postar o "arco flashback", como bastante pessoas estão muito curiosas para saberem do porquê Regina e Emma terem se separado e o porquê Regina está tão magoada com Emma, voilá! Vão ser no máximo 3 capítulos que já estão sendo escritos com todo o amor e carinho (Preparem o coração, que eu to vendo muito Grey's Anatomy ultimamente e tenho andado bem dramática, hahaha). A notícia ruim é que eu vou começar a demorar mais para atualizar, por motivos de: tenho 3 semanas pra salvar meu semestre, entregar relatórios, outros deveres que a faculdade exige :( Mas dezembro ta aí, maravilhoso, férias maravilhosas com tempinho ocioso pra escrever! Obrigada a você que teve paciência e chegou até aqui!