Stubborn Love
8 (SPIN OFF) Turn back the pendulum part 1
Turn Back The Pendulum
(...) as lembranças também desmoronam. Então não nos resta nada, nem mesmo um fantasma, apenas sua sombra (“Quem é Você, Alasca?”; John Green)
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Começou no quinto aniversário de Henry, dias antes de Regina oferecer a festa para seus amiguinhos da escola e para a vizinhança. Eram só os três em mais um dos momentos em que Emma gostaria que durassem para sempre, um bolo com confeito de açúcar dos Vingadores e o que deveria ser um pedido inocente de aniversário de uma criança de cinco anos.
— O que você pediu, querido? – Perguntou Regina alisando seus cabelinhos castanhos enquanto cortava o bolo por cima de Henry empoleirado na cadeira do balcão da cozinha.
— O que eu queria mais que tuuuuudo no mundo era um irmãozinho para brincar comigo. – Disse o garotinho fazendo um gesto amplo com as mãos
Regina olhou para Emma que em resposta rolou os olhos e deu um riso sem graça, antes de se inclinar e pegar o filho no colo beijando seu rosto repetidas vezes.
— E se ele pegar seus brinquedos, você vai deixar? E se você tiver que cuidar dele pra mim e pra sua mamãe, hã? – Tentou desencorajá-lo, mas mesmo tão jovem Henry já era obstinado.
— Eu não ligo, porque ele vai ser meu melhor amigo e eu vou ser seu irmaozão e vou proteger ele.
Emma riu, admirou a determinação do filho, mas não levou a sério. Era o desejo de um aniversário de uma criança de cinco anos, mas que ela não imaginava, que acabaria plantando o mesmo desejo no coração da outra pessoa naquela casa.
Na semana seguinte, depois da festa de Henry ao ver os olhos de Regina brilharem ao segurar o bebê recém-nascido, irmãozinho de um dos amiguinhos do jardim de infância de Henry e não conseguiu tirar os olhos daquele pequeno ser, como se este fosse a criatura mais mágica incrível do mundo, Emma percebeu que talvez esse não fosse o desejo só de Henry.
— Eu gostaria de realizar o desejo do nosso filho. – Sussurrou Regina no escuro de seu quarto, após ambas se jogarem cansadas na cama, depois de desmontarem quase toda a decoração da festa de Henry.
Emma ajeitou seu corpo apoiando-se em seu cotovelo e fitou Regina que ainda encarava o teto do quarto contemplativa.
— Você sabe que nosso filho tem cinco anos, certo? E que se dermos duas semanas ele já vai ter esquecido esse pedido e sei lá, de repente a coisa que mais vai querer no mundo é um carrinho de controle remoto... – Regina riu e revisou os olhos da maneira que Emma adorava antes de se virar-se em sua direção e encará-la com seus grandes e adoráveis olhos castanhos.
— Eu sei Ems, mas eu tenho vinte e oito anos e eu também gostaria disso.
— O que? Um carrinho de controle remoto? Querida, você não acha que está um pouco grand... – Emma foi impedida de terminar pelo impacto do travesseiro macio que Regina acertara sua cabeça enquanto ria de sua tentativa falha de esquivar-se e aproveitou para trazer a cintura de sua mulher para baixo de si e depositar beijos em seu pescoço e pedaços de colo que a camisola deixaram escapar.
— Eu estou falando sério. – Disse ela segurando seu rosto entre suas mãos fazendo Emma olhar em seus olhos.
Emma poderia inúmeras razões pelas quais isto não era a hora certa de fazerem isso – Havia acabado de ser promovida a delegada na força policial local, Regina andava tendo ideias de abandonar sua carreira como advogada e tentar algo na política, Henry era esperto e independente para sua idade, mas ainda era uma criança e dava trabalho – mas era incapaz de negar qualquer coisa para sua esposa. Não quando suas mãos tão macias acariciavam tão ternamente suas bochechas, e os olhos que ela adorava a olhavam com tanta expectativa, e os cabelos caíam em cascatas como uma manta de ébano emoldurando seu rosto bronzeado perfeito. Olhando-a daquele jeito Regina poderia pedir que Emma fosse e voltasse do inferno por uma estrada de cacos de vidro que a loira faria isso duas vezes sorrindo só para não a desapontar.
— Ok – Respondeu simplesmente, vendo um dos sorrisos mais lindos ser plantado nos lábios de Regina.
— Ok? – Perguntou ela, como para ter certeza da resposta de Emma.
— Ok, ok, ok, ok. – Disse dando inúmeros beijos por todo seu rosto até Regina puxar sua nuca com firmeza e afundá-la em um beijo de tirar o fôlego, enquanto abraçava sua cintura com as pernas e trazia seu corpo para baixo encaixando-o com o seu, enquanto Emma já puxava sua camisola para cima tentando se livrar da peça o mais rápido possível.
Começou com um desejo, começou com um pedido, começou com piadas, beijos, risadas e planos para o futuro. Começou aqui. Mas não era um começo.
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Depois de um mês estudando e avaliando as melhores clínicas de inseminação artificial, as duas foram juntas conhecer a clínica responsável por realizar todos os procedimentos necessários em Regina – Segundo a morena como Emma havia carregado Henry nada mais justo que agora ser a vez de Regina dar à luz a um filho das duas. –, passaram semanas olhando catálogos de doadores como quem olha um catálogo de tapetes tirando sarro dos clichês de masculinidade e dos perfis de cada um. “Está melhor que o meu currículo!”, fazendo a morena rir e pedir seriedade naquela escolha importante. No fim acabaram escolhendo um doador com características físicas semelhantes com as de Emma, um perfil acadêmico adequado e sem históricos de doenças genéticas que poderiam afetar o bebê.
Quando o embrião foi implantado Emma estava presente segurando a mão de Regina lhe dando um sorriso de apoio, rindo quando a morena falou “Eu esperava um pouco mais de romantismo quando você fosse me engravidar, Swan” disse ela se referindo a posição em que se encontrava, sentada em uma cadeira inclinável com as pernas erguidas e abertas, enquanto o médico implantava o embrião dentro de si.
Emma lhe respondeu que pelo menos teria a decência de lhe pagar o jantar, e assim que saíram da clínica e pegaram Henry na escola foram todos no restaurante italiano onde a loira cumpriu sua promessa.
O mês seguinte fora de expectativa. Emma ficava muito tempo de plantão na delegacia, mas o pouco que ficava em casa podia observar Regina passando mais de uma vez em frente a checando o dia do mês no calendário pendurado na geladeira como se isso fosse fazer os dias passarem mais rápidos. Regina se tornara inquieta e um tanto mais nervosa e irritadiça esse mês, e mesmo antes da noite em que chegara em casa e Regina a esperava sentada na cama com o teste de gravidez ao seu lado em cima de uma toalha, Emma já sabia que tinha funcionado. Sua esposa estava grávida. Emma seria mãe mais uma vez.
— Oh, meu deus... – Disse a loira. A realidade lhe atingindo como uma onda forte de repente. Era real agora, era oficial.
— Sim, eu sei. – Disse ela passando a mão pelo rosto e pelos cabelos vibrando de animação, enquanto Emma se ajoelhava em sua frente no pé da cama para que ficassem quase no mesmo nível, admirando o quanto Regina parecia feliz. – Você está feliz, senhora Swan-Mills?
— Eu estou muito feliz, senhora Swan-Mills. – Emma sorriu largamente, inclinando-se e depositando um beijo na barriga de Regina por cima da camisola e lhe abraçando como se não quisesse soltá-la nunca mais.
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— Então eu vou ter um irmãozinho. – Concluiu Henry após uma tentativa de explicação atrapalhada de Emma de como ela e sua outra mãe haviam encomendado o irmãozinho que Henry pedira para a cegonha.
— Ou uma irmãzinha. – Relembrou Emma olhando pelo retrovisor do carro o garoto morder os lábios enquanto encarava o boneco do Buzz Lightyear em sua mão.
— Mas nós não temos brinquedos pra meninas em casa. – Disse ele depois de um tempo, fazendo Regina olhar para ela rindo do argumento do garoto. Emma balançou a cabeça entrelaçando seus dedos aos de Regina apoiados na coxa da morena.
— Bom, nós teremos que comprar brinquedos para ela. E uma cama, e pintar o quarto de brinquedos de rosa para ela dormir.
— Meu quarto de brinquedo?! – Perguntou Henry chocado. Em sua cabeça infantil nunca lhe ocorrera até ali que teria que dividir suas coisas e perderia privilégios de filho único. Emma podia sentir sua animação sobre ter um irmão decaindo consideravelmente em uma velocidade muito rápida. – E o que nós vamos fazer com os meus brinquedos?
— Não se preocupe, Henry. – Tranquilizou Regina virando-se para trás, passando os dedos entre seus cabelos, como se os penteasse para trás. – Mesmo que seja uma menina você poderá ensiná-la a brincar com os seus brinquedos também, e daremos um jeito de caber todos os brinquedos em casa. Ok?
Henry não respondeu. Permaneceu pensativo durante o resto do caminho até sua escola, e quando Emma pegou-o em um braço enquanto a outra segurava sua mochila do Homem-Aranha, o garoto olhou de uma mãe para a outra e disse com uma franqueza inocente:
— Eu acho que mudei de ideia. Eu não quero mais um irmãozinho, eu acho que prefiro um dinossauro. – Emma e Regina caíram na gargalhada enquanto o garoto olhava sem entender o porquê de tanta graça no que acabara de dizer.
Emma colocou o garoto no chão e se agachou para encará-lo cara a cara.
— Você vai ver que vai ser mais legal do que parece, querido. E você vai ser o irmão mais velho mais legal e mais valente que já existiu sendo o seu irmão um menino ou uma menina, você vai ver! – Disse ela dando um ligeiro olhar para Regina que olhava a cena com carinho do banco de passageiro da Mercedes a cena a sua frente.
Henry não ficou supermotivado, mas pelo menos deu um meio sorriso conformado e balançou os ombros de uma maneira displicente. Emma identificou o gesto muito parecido com um dos seus com orgulho e pegou o garoto no colo, levando-o até a porta da escola e só saindo quando o garoto já estava fora de sua vista e não virava para acenar-lhe mais.
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— Eu estava pensando em nomes. – Declarou Regina se jogando no sofá ao seu lado onde a loira lia alguns arquivos da delegacia.
Emma olhou assustada por cima dos óculos de seu rosto para a barriga pouco perceptível, que naquele estágio só faziam parecer que Regina tinha engordado alguns quilos. Coisa que se Regina perguntasse Emma negaria até a morte.
— Gina, nem sabemos se é menino ou menina. No momento acho que ele deve ser do tamanho de uma batata!
— Eu sei! Mas é bom nós termos algumas opções para quando descobrirmos, além disso me ajudaria a sei lá, visualizá-lo quando eu converso com o bebê. – Disse ela subindo em seu colo com uma perna de cada lado de seu corpo e segurando seu rosto entre as mãos. Emma riu e balançou a cabeça. Era a primeira gravidez de Regina, tudo o que fosse possível a morena fazia como se fosse uma coisa mágica e especial.
— Ok, me deixa pensar. – Emma largou os papéis na mesinha ao lado do sofá e se concentrou com as sobrancelhas franzidas na pequena projeção da barriga de sua mulher. – Que tal Batatinha?
— Emma! – Ralhou Regina dando um tapa em seu braço, fingindo braveza, mas deixando escapar uma risada junto com a loira. – Eu estou falando sério!
— Gina é muito cedo pra essas coisas... Olha só, o nome de Henry escolhemos depois do meu parto e ele tem o nome mais lindo do mundo! – Regina negou com a cabeça revirando os olhos. – Por falar em Henry você já avisou seus pais que vamos ter novos membros da família vindo em Abril?
Regina fez um gesto displicente com as mãos, como se esse detalhe não tivesse muita importância. Emma sabia que não era por causa de seu sogro, mas sim principalmente, por causa de Cora.
— Eu estava pensando em alguns nomes. – Declarou Regina. – Se for menino Connor, Harry ou John.
— Credo, Gina! – Respondeu Emma fazendo uma careta de desgosto. – Nosso filho já vai nascer com 80 anos?! Vai ser algo como “O Curioso caso de Benjamin Swan-Mills” Ai! – Disse recebendo outro tapa.
— Eu só estou ouvindo críticas, mas não sugestões.
— Ok, então. – Emma alisava o próprio braço atingido por Regina. – Que tal Clark?
— Eu acho que não... – Respondeu balançando a cabeça com uma cara de que não tinha gostado muito.
— Barry? – Palpitou e Regina balançou a cabeça considerando. – Não! Eu tenho um perfeito! Bruce, é isso! Bruce é perfeito!
— Espera, você está falando nome de super-heróis, Emma? – Indagou Regina depois de algum tempo buscando em sua memória. Não era fã de super-heróis ou quadrinhos, mas sabia que Emma tinha uma grande paixão pela linha da DC.
— E existe algum nome melhor que esses?! É um super-nome! – Regina revirou os olhos e se jogou no sofá, como se estivesse desistindo de ter aquela conversa com Emma. Os passos de Henry descendo a escada fizeram Emma virar de costas para encontrar o pequeno Swan-Mills de pijama ainda esfregando os olhos de sono vindo na direção do casal e se aninhando no colo de Regina como um filhote de leão. – Henry, o que você acha do seu irmãozinho ter o nome de um super-herói?
O garoto refletiu por alguns segundos, ainda sonolento antes de parecer animado e jogar as mãos para cima quase pulando do colo de Regina.
— Sim! Vai ser demais – Emma olhou com uma cara de “Ta vendo, eu avisei” para Regina quando henry terminou sua frase. – Vamos chamar ele de Peter Parker!
O sorriso de Emma morreu no mesmo instante. Regina riu de seu desapontamento pelo filho desde pequeno ter uma evidente preferência pela linha Marvel.
— O que estão ensinando na escola dessas crianças hoje em dia? – Resmungou rabugenta, recebendo um beijo na bochecha da esposa.
— E se for uma menina? Você iria querer chama-la de Selina Kyle por acaso? Ou Barbara Gordon?
— Querida apesar de eu achar muito fofo você saber minhas referências, você está muito equivocada. Quais mães no mundo iriam querer serem as mães da Mulher-Gato ou da Batgirl?! Uma é uma ladra e a outra só se fod-
— Emma a boca! – Ralhou Regina antes que Emma continuasse, tapando os ouvidos de Henry que parecia desinteressado na conversa mudando o canal de TV para um de desenho.
— Eu gostaria de Diana. – Regina balançou a cabeça positivamente parecendo gostar.
—Diana, eu talvez goste desse. Como a Lady Di?
— Na verdade eu estava pensando mais na Mulher-Maravilha, querida. – Disse Emma com um sorriso travesso, ao que Regina balançou a cabeça negativamente mesmo assim com um olhar de ternura em sua direção enquanto Emma se arrastava para mais perto dela aninhando-se aos seus dois maiores tesouros e assistindo o desenho dos idiotas e superestimados Vingadores.
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— É uma menina. – Declarou a obstetra fazendo Regina esboçar um dos maiores e mais belos sorrisos que Emma já tinha visto. A loira inclinou-se para onde a esposa estava deitada inclinada e lhe deu um beijo casto, porém demorado.
— Nós vamos ter uma princesinha, Emma. – Disse a morena radiante, passando o polegar pela lateral de seu rosto.
— E ela vai ser a criança mais incrível e amada desse mundo. – Confirmou Emma dando um beijo na testa da mulher que deixava escapar lágrimas de emoção de seus olhos castanhos. A própria Emma se sentiu emocionada, mas segurou as lágrimas na frente da médica que passava o ultrassom na barriga de três meses de Regina. De repente todos seus medos e inseguranças pareceram algo tão pequenos e insignificantes perto da sua filha ali naquela tela, com seu pequenino coração titubeante trazendo consigo a promessa de uma vida nova e mais completa para sua família.
Quando saíram de lá Emma estava mais empolgada do que nunca com a gravidez da esposa. Boston estava com o céu escuro prometendo uma chuva mais forte do que as poucas gotas de chuva eram apenas o prelúdio da tempestade que viria. Emma pegou a estrada e em vez de seguir para Storybrooke pegou o caminho para um bairro de lojas finas de bebês que se lembrava da época de quando era uma menina órfã e errante que dormia embaixo das marquises destas lojas quando não conseguia lugar melhor para se esconder da chuva.
Agora, pensou com orgulho, iria entrar lá como uma cliente pela porta da frente com sua esposa e comprar o presente mais especial e bonito para sua filha.
— Emma a estrada para Storybrooke! – Alertou Regina quando Emma pegou o outro caminho, ainda sem saber de sua surpresa, achando que a mulher havia errado o caminho por não ver a placa na chuva que agora caía com brutalidade.
— Não estamos indo para Storybrooke, Gina. Quero lhe mostrar uma coisa, dar uma coisa. Uma surpresa. – Disse sorrindo para a esposa, entrelaçando seus dedos aos dela e depositando um beijo nas costas de sua mão.
— Eu acho que nunca estive tão feliz na minha vida, Ems. – Disse Regina emocionada. – Claro que no nascimento de Henry, e no nosso casamento eu também estava muito feliz, mas agora é como... sabe, é como se nossa família estivesse completa.
— Eu sei o que você quer dizer, querida. – Disse Emma tirando os olhos da estrada por um instante para olhar nos olhos de Regina e fazê-la ver o quão era sincera em dizer aquilo. O quanto ela era a mulher mais feliz e sortuda do mundo por ter Regina e sua família. – Eu também acho que nunca estive tão feliz na minha vida.
O sorriso de Regina exclusivamente para ela foi a última coisa que viu antes de ouvir seu nome sair dos lábios da mulher de uma maneira desesperada. Duas luzes intensas vieram em sua direção muito rápidas no meio da tempestade e numa tentativa de desviar delas com uma manobra rápida o barulho do carro derrapando no asfalto molhado. O mundo girou, sua mão escapou da de Regina que gritou seu nome ainda umas duas vezes enquanto tudo revirava e Emma mesmo ainda sem entender direito o que acontecera rezava mesmo sem fé em nenhum Deus ou religião para que ela e sua família ficassem bem.
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