Stubborn Love

9 (SPIN OFF) Turn back the pendulum part 2


Notas iniciais
Oi mores, que feriado maravilhoso, né? Pra compensar os dias sem postar capítulo grandão 2/3 Nos vemos lá embaixo :D

Seu mundo havia parado de girar, mas sua cabeça ainda rodava e doía no silêncio quebrado apenas pelas gotas de chuvas caindo no asfalto. Emma demorou alguns segundos para se localizar em tempo e espaço e quando abriu os olhos percebeu que o mundo estava de cabeça para baixo.

Sua primeira reação fora procurar por Regina que estava ao seu lado, assim como ela pendurada pelo cinto de segurança, com o rosto coberto de sangue, desacordada. Emma choramingou seu nome tentando alcança-la com seu braço, mas a única coisa que conseguiu fora descobrir dores em todos os músculos de seu corpo. Algo gelado escorreu por sua têmpora a ao tocar o local descobriu sangue, mas não deu muita importância. Com dificuldade tirou o cinto de segurança despencando deitada no que antes era o teto do carro, rastejou até o lado do passageiro chamando desesperada o nome de Regina, segurando seu rosto entre suas mãos e verificando pulso em seu pescoço. Quando sentiu seu sangue pulsando por sua jugular Emma soltou um soluço agradecendo por sua mulher ainda estar viva, antes de voltar a chamar seu nome.

— Regina... – Gemeu ela em meio aos soluços descontrolados. – Por favor não me deixe. Aguente, por favor, meu amor. – Olhou em volta e a única coisa que as cercavam era a chuva que caía sem piedade. – Ajuda! Por favor alguém! – Gritou em meio ao desespero, procurando o celular jogado em algum lugar do carro após o capotamento como se sua vida dependesse disso. E realmente dependia, porque a vida de Regina dependia disso e Regina era sua vida.

— Moça, você está bem? – Disse um homem agachado de seu lado quebrado do vidro debaixo da chuva. – Se machucou muito? Nós já chamamos os médicos, o resgate está a caminho pra você e pra sua amiga.

— Emma... – Emma achou que seu coração parou por um segundo quando ouviu seu nome sendo suspirado por Regina que havia aberto ligeiramente os olhos e olhava tudo em volta confusa. – O que aconteceu?

— Querida. – Disse Emma cara a cara com ela segurando seu rosto entre suas mãos com cuidado. – Oh meu Deus, Regina... O carro bateu. Já chamaram os médicos eles estão a caminho. Está tudo bem, tudo vai ficar bem.

— Emma... o bebê... Eu estou com medo. – Emma olhou para cima vendo uma mancha circular na calça de Regina e também teve medo, mas não podia demonstrar isto agora. Isto só poderia piorar a situação de Regina. O melhor que podia fazer agora era acalmá-la.

— Não tenha medo, meu amor. Eu estou aqui. Tudo vai ficar bem, eu prometo. Nós vamos ficar bem.

— Emma... – Suspirou Regina antes de mais uma vez desmaiar desesperando ainda mais a loira.

— Por favor, rápido! Nós precisamos de ajuda agora! Ela está grávida! – Gritou para ninguém em particular, mas de certa forma para que o mundo ouvisse seu pedido de socorro.

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Quando os paramédicos chegaram, Emma esperneou implorando em meio a soluços que cuidassem primeiramente de Regina e que a deixassem perto de sua mulher. Uma das pessoas que ajudavam em seu resgate a segurou pelos ombros sentada na traseira da ambulância pedindo que se acalmasse, mas Emma não conseguia parar de chorar enquanto olhava os três homens tentando tirar Regina de dentro do carro.

O mundo eram só lágrimas, sangue e chuva. Enquanto a mulher lhe fazia perguntas de como tudo havia acontecido, Emma não conseguia tirar de sua cabeça que tudo aquilo era culpa sua. Se algo acontecesse a sua mulher ou sua filha seria tudo culpa sua e Emma nunca conseguiria se perdoar por isso.

Tentaram leva-la em uma ambulância separada da de Regina para que ficasse imóvel e seus machucados pudessem ser avaliados, mas Emma foi inflexível quando disse que só sairia de perto da mulher e se deixaria ser examinada depois de ter certeza de que ela ficaria bem.

Foi segurando a mão de Regina todo o percurso, e não desgrudou seus olhos dela até o hospital quando os médicos levaram sua maca as pressas para a ala de emergência e impediram Emma de seguir adiante. Deixada sozinha olhando o amor de sua vida se afastar, sem ter certeza de como estaria na próxima vez que se vissem, Emma desabou no chão escondendo o rosto em suas mãos enquanto o corpo sacudia com os soluços e choro descontrolado.

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Tentaram tirá-la do chão, mas Emma se manteve imóvel em uma espécie de estado de choque até um médico atravessar a porta do lugar que haviam levado Regina que Emma se pos prontamente de pé com expectativa.

— Senhora Emma Swan-Mills? – Emma respondeu positivamente com a cabeça tentando desvendar por meio de suas expressões se estaria vindo uma notícia boa ou ruim a seguir. – Eu sou o médico da sua esposa, meu nome é Richard Webber.

— Como ela está, doutor? – Perguntou Emma sem preâmbulos. O médico deu um longo suspiro cansado antes de lhe explicar que Regina havia perdido muito sangue e havia com o impacto rompido o baço o que desencadeara uma hemorragia interna que só seria parada se houvesse uma intervenção cirúrgica.

— Então façam. O que for necessário para salvá-la. – Disse Emma de prontidão, mas pela expressão do médico ele não havia acabado.

— Acontece senhora Swan-Mills que devido ao acidente a placenta foi traumatizada, e a gestação da sua mulher está muito sensível. – Qualquer intervenção que fizermos, ou mesmo os medicamentos da anestesia... É quase um fato de que sua mulher irá abortar se entrarmos em cirurgia.

Emma ficou sem chão. Foi difícil descobrir como voltar a respirar depois do médico ter jogado esta informação sobre ela. Por alguns segundos só ficou olhando para o nada sem saber o que dizer, o que fazer, ou o que sentir.

— Senhora Swan-Mills – Chamou o médico tocando em seu cotovelo, despertando-a de seu transe.

— O senhor veio até aqui me dizer que eu tenho que escolher entre salvar minha mulher e deixar minha filha morrer ou não fazer nada e poder perder as duas? – Disse ela com uma lágrima escorrendo por seu rosto mesmo que tentasse se manter forte.

— Eu sinto muito, Emma. – Disse o médico e ele demonstrava realmente sentir. – Mas precisamos ser incisivos nesse momento, e só podemos agir com a autorização de alguém da família.

Emma balançou a cabeça afirmativamente demonstrando que entendia, mas por dentro ela não entendia. Não entendia como de repente o melhor dia de sua vida se transformara no pior de todos. Não entendia como Regina sorria radiante e feliz e de repente estava desacordada em cima de uma maca entre a vida e a morte. Não entendia como sua família saudável e feliz de quatro integrantes corria o risco de perder duas de suas integrantes. Emma não entendia nada disso, no entanto precisava agir. Precisava salvar Regina.

— Faça o que for necessário, doutor. Salve minha mulher.

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Depois de Regina entrar em cirurgia Emma finalmente se deu por vencida e deixou que as enfermeiras cuidassem de seus ferimentos e permitiu que os médicos a levassem para fazer exames que garantissem que nada internamente fora afetado. Após levar cinco pontos no supercílio e ser liberada por todos os médicos que pediram exames seus foi hora de dar seu depoimento à polícia e finalmente descobrir o que havia acontecido.

O motorista do caminhão ainda estava lá dando seu próprio depoimento. Ele era o homem de barba que chamara o resgate na hora do acidente e viera até o hospital acompanhar o estado dela e de Regina. Quando Emma lhe perguntou o que havia acontecido ele gentilmente lhe explicou que devido a chuva ela não devia ter percebido que a estrada antes simples se tornara mão dupla, e que sua permanência na mesma faixa a fez fica-la na contramão naquela altura da estrada. O caminhão que vinha em seu sentido certo teria batido de frente com seu carro se Emma em um movimento rápido para tentar evitar o impacto não tivesse virado o carro que com o asfalto molhado derrapou e capotara umas cinco vezes antes de parar.

Emma se desculpou e agradeceu o homem que ainda lhe ofereceu qualquer coisa que pudesse fazer para ajudar ela e sua esposa antes de ser liberado pela polícia e ir embora. Para a polícia Emma falou o pouco que sabia de antes e depois do acidente, passou seus documentos e os de Regina por questões burocráticas e deu o telefone dos Mills para que entrassem em contato com a família de Regina, quando perguntaram se ela queria que avisassem algum familiar sobre o acidente. Lidar com os Mills agora era a última coisa que Emma gostaria e preferiu terceirizar a tarefa, pedindo para que o fizessem quando Regina já tivesse saído da cirurgia e estável. Só tinha uma pessoa no mundo que Emma gostaria de falar agora.

— Mary Margareth? – Chamou Emma pelo telefone, tentando acalmar sua voz quando a pessoa da outra linha a atendeu. Mary Margareth era professora de Henry, esposa de David seu parceiro na delegacia e amiga da família, tomava conta de Henry durante os exames que Regina vinha realizando desde o começo da gravidez.

— Emma, como você está? – Respondeu animada do outro lado da linha. – Vocês estão demorando... Henry não para de perguntar de vocês, mas eu já esperava que vocês fossem comemorar depois da descoberta e estou enrolando bem a ferinha. E então, as novidades?

— As novidades? – Perguntou Emma sem entender com a voz falhando.

— Yeah, é um menino ou uma menina? Apesar de que eu aposto que é uma menina. Regina me disse que sentiu que era uma menina desde o começo, e eu acredito que quem está esperando sempre sabe essas coisas no fundo... Emma? Ela disse que não ia contar pra você porque tinha certeza que você riria dela e diria que ela estava maluca. – Disse a amiga entre risos, inocentemente feliz.

Aquilo fora demais para Emma suportar. Antes que tentasse impedir as lágrimas escorriam por seu rosto e mais uma vez o choro compulsivo viera. Mary Margareth continuou chamando seu nome do outro lado da linha, perguntando o que havia acontecido até Emma conseguir se controlar um pouco e explicar em meio à lagrimas o que havia acontecido. Abalada a professora a consolou dizendo inúmeras vezes que não era sua culpa, como Emma havia dito várias vezes durante a explicação. Perguntou se Emma gostaria que eles fossem ao hospital, mas Emma disse que não havia o que ser feito ali e a melhor coisa que podiam fazer por elas naquele momento eram cuidar de seu filho.

— Ele está aqui assistindo desenho com o David. Pode deixar Emma, eu vou cuidar dele enquanto vocês precisarem de nós.

—Obrigada, Mary Margareth. – Respondeu Emma um pouco mais tranquila. – Poderia chamar ele pra falar comigo? Eu só... só preciso ouvir a voz dele.

A professora atendeu seu pedido e Emma ouviu-a chamando Henry e quando o garoto se aproximou e colocou o telefone no ouvido falando com sua voz infantil, inocente a todo o caos ocorrendo a sua volta Emma teve vontade de cair no choro novamente. Mas desta vez se manteve forte. Precisava ser forte. Por Henry. Por Regina.

— Ei, garotão. – Respondeu ela limpando as lágrimas silenciosas que teimavam cair. – Como está ai com seu tio David e tia Mary?

— Estamos vendo Capitão América, mamãe. – Respondeu o garoto animado. – Vocês já falaram com a cegonha? Vou ter um irmãozinho ou uma irmãzinha?

— Henry, nós... Eu... A dona cegonha não estava, você acredita?

— Oh, que indelicada! – Disse ele, provavelmente imitando o jeito de Regina de falar, e soando tão igual que Emma teve que sufocar um soluço. – Então vocês ainda não sabem se vou ter um irmãozinho?

— Não, Henry... Nós não sabemos. – Respondeu Emma incapaz de dar uma resposta satisfatória para uma criança de cinco anos.

— Sabe mãe, está tudo bem se eu tiver uma irmãzinha. Tio David estava me falando que eu ainda vou ser o irmãozão e que ela pode ser a viúva negra quando nós formarmos Os Vingadores. – Emma engoliu a seco, mas fez o que pode para manter-se firme enquanto falava com ele.

— Tenho certeza de que você será, Henry. Mas agora eu realmente preciso que você se comporte com a tia Mary e o tio David enquanto eu e a mamãe... Enquanto esperamos essa maldita cegonha vir falar com a gente, pode fazer isso?

— Pode deixar, mãe. – Disse o garoto.

— Você é um garoto incrível, eu e sua mãe amamos muito você. Ouviu?

— Amo vocês também, mãe.

Se sentindo um pouco melhor ao saber que pelo menos uma parte de seu mundo continuava intacto e não ruíra como todo o resto Emma deixou ser internada em um dos quartos para observação e esperou acordada até o Dr. Webber vir lhe avisar que a cirurgia de Regina havia acabado e sua mulher não corria mais riscos de vida.

— E quanto ao bebê? – Perguntou Emma com um fiapo de esperança ainda vivo em si, incapaz de abrir mão disso enquanto não tivesse uma resposta definitiva. O Dr. Webber abaixou a cabeça evitando seu olhar e Emma teve a resposta que precisava, mesmo não sendo a que queria. – Quando eu vou poder ver minha mulher, Doutor?

— Vamos deixa-la em observação constante durante algumas horas, assim que puder eu peço para lhe avisarem e a senhora poderá ver sua esposa. – Respondeu o cirurgião fazendo Emma concordar. – Senhora Swan-Mills, tente descansar um pouco enquanto isso. Foi um dia e tanto, mas o pior já passou.

O médico foi gentil em suas palavras e Emma agradeceu sabia. Mas mal sabia ele que o pior ainda nem tinha começado.

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Emma acordou sozinha quando os primeiros resquícios do dia ainda eram encobertos pela escuridão da noite. Olhou em volta do quarto em que estava internada e depois para o relógio antes de se sentar na cama e ficar com o olhar vidrado, pensando em mil coisas e em nenhuma ao mesmo tempo, sendo só desperta pelo barulho da porta abrindo.

— Emma... – Disse o senhor Mills com grandes olheiras de cansaço e preocupação. Emma tentou saudá-lo, mas a única coisa que conseguiu ser capaz de fazer foi chorar até o corpo tremer, enquanto o Sr. Mills acolhia seu corpo em seus braços e ela aproveitava o momento em que tinha alguém para ser forte por ela e ela podia, pelo menos por um momento, enfim desmoronar. – Oh criança, como você está? Está tudo bem com você?

Foram necessários alguns minutos para que Emma se acalmasse e um pouco mais calma contasse pelo que parecia a milésima vez aquele dia o que havia acontecido até a ultima vez que falara com o Dr. Webber.

— Não foi sua culpa, Emma. – Foi a primeira coisa que Henry-avô Mills disse para ela. – Acidentes acontecem, nem sempre podemos evita-los. E está tudo bem agora, Regina está estável e vai ficar tudo bem.

— Ela estava grávida. – Disse Emma com o olhar fixo no chão e rosto ainda molhado de lágrimas. – Era uma menina. Estávamos tão felizes, mas de repente eu estava tendo que escolher entre salvar minha mulher e minha filha e agora eu não sei como contar isso a ela. Regina vai ficar devastada. – Henry encarou Emma surpreso e ela apressou-se em se desculpar. – Me desculpe por não saberem Sr. Mills, Regina estava, nós estávamos...

— Está tudo bem, Emma. – Disse ele com um sorriso sereno e compreensivo característico. – Tenho certeza de que Regina estava esperando o melhor momento para contar para mim e para a mãe dela.

— Cora sabe do que aconteceu? – Perguntou Emma imaginando a sogra a amaldiçoando.

— Ela... Ela está viajando, não consegui falar com ela. Mas assim que a poeira baixar vou comunica-la. Isto não é importante agora. – Disse ele e uma parte de Emma agradeceu por isso. – Acho melhor pouparmos Regina sobre essa última informação que me contou, você sabe, sobre as escolhas que você teve que fazer enquanto ela estava desacordada. Já vai ser muito doloroso para ela encarar a realidade, vamos poupá-la o máximo que pudermos, o que você acha?

Emma concordou em silêncio aceitando a mão de Henry sobre a sua confortando-a até um enfermeiro irromper pelo quarto e lhe dizer que já poderia ver sua esposa. Henry a abraçou mais uma vez, desejando força antes dela abandonar a sala e percorrer os corredores em direção ao quarto de Regina.

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Doeu em Emma ver Regina parecer tão frágil e pequena deitada naquela maca com os olhos ainda perdidos dos anestésicos, mas Emma tinha que ser forte pelas duas. Se aproximou e segurou sua mão com ambas as suas antes de beijá-las com carinho e lhe dar o sorriso mais doce e encorajador que conseguia.

— Emma, eu estava tão preocupada com você. Esses enfermeiros não me quiseram dizer quase nada, eu já estava entrando em pânico. O que aconteceu? Você está bem? – Disse Regina com lágrimas nos olhos.

— Eu estou aqui. Eu estou bem, amor. – Disse Emma passando a mão por sua testa enfaixada, deitando-se na cama ao seu lado no pequeno espaço que sobrava. – Eu estou bem aqui e não vou sair de perto de você nunca mais.

— O que aconteceu? Eu não me lembro muito bem, eu só tenho um lapso de ver você sangrando e chorando. – Disse ela se aninhando ao seu corpo. – Eu fiquei com tanto medo.

Regina escutou atentamente Emma contar uma versão resumida do ocorrido até chegarem ao hospital enquanto fazia carinho em seu braço.

— Bom, ainda bem que tudo terminou bem. Você está aqui a salvo, e eles me disseram que cirurgia foi um sucesso. – Disse ela parecendo otimista cedo demais ao ouvir Emma dizer que sua cirurgia havia corrido bem, mas omitindo a parte do aborto. Parecia que não conseguia reunir coragem para contar para Regina e depois ter que lidar com todo o sofrimento que estava por vir, mas ao mesmo tempo não conseguia mentir. – Emma por que está chorando? Emma... o bebê? Emma, nossa filha...

— Eu sinto muito, Gina. – Disse Emma chorando antes que Regina pudesse terminar sua frase deixando a mulher paralisada. – Os médicos disseram que não conseguiram salvá-la. Eu sinto tanto... – Disse ela apertando ainda mais Regina em seus braços enquanto a realidade lhe atingia lentamente e o choque era substituído pelo luto e pela tristeza e ela se deixou desmanchar nos braços de Emma onde chorou até dormir exausta.

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David fora buscar as duas depois de dois dias quando Regina teve alta. O Sr. Mills depois de se certificar de que a filha tivesse tudo o que precisava pegou um avião de volta para o Alabama no mesmo dia em que Emma e Regina voltaram para casa. Regina era outra pessoa desde a notícia do aborto. Estava fria, de poucas palavras e se fechara até mesmo para Emma. Nem mesmo chorar Emma a havia visto fazer desde o momento em que recebera a notícia, na maioria das vezes parecia aérea, inerte ao que acontecia ao seu redor.

Quando buscaram Henry na casa de Mary Margareth ela abraçou-o demoradamente como se fosse a primeira e última vez. Emma viu-a ser forte e engolir as lágrimas que encheram seus olhos na frente do filho, mas o sorriso era o mais triste que Emma já havia visto em seu rosto. Não soube o que Mary Margareth falou para o filho, mas agradeceu por Henry não tocar no assunto do bebê ao menos por enquanto. Ao menos enquanto ainda parecia doer tanto nela e principalmente em Regina.

Quando foram deixadas em casa Regina não disse mais nenhuma palavra depois de agradecer a David. Subiu para o quarto e deixou as portas fechadas durante todo o dia sem comer ou falar com ninguém. Henry ficara o dia todo assistindo tv enquanto Emma se encolheu no sofá da sala fazendo companhia em silêncio para o garoto. Na hora de dormir colocou Henry na cama e foi para seu próprio quarto onde encontrou Regina sentada imóvel de costas para a porta, não mexendo nem um átomo mesmo quando a porta foi fechada por Emma.

Emma ficou só de regata e se arrastou pela cama até abraçar suas costas e encaixar sua cabeça no espaço entre seu ombro e sua cabeça.

— Eu sinto muito. – Disse depositando um beijo em seu ombro.

— Não foi sua culpa. – Disse sua voz monótona e sem vida. – Não foi culpa de ninguém, foi só... a vida sendo a vida. Destruindo tudo.

— As coisas vão melhorar. – Disse Emma deitando-se e puxando o corpo de Regina junto de si. – Amanhã vai ser melhor.

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Mas não foi. Regina pareceu cada dia mais afogada em sua tristeza sem ser capaz de reagir a ela, enquanto Emma não conseguia saber o que fazer para salvá-la.

Começou com horas trancada no quarto, horas de sono apenas interrompidas pelos breves momentos que Regina se punha para fora do quarto e aproveitava da companhia de Henry, ou o assistia brincar com seus super-heróis, mas mesmo assim Emma via que detrás daquele sorriso plácido havia tanta tristeza em seus olhos... Emma tentou conversar. Eram perguntas de “Você está bem?, “Como está se sentindo?”, “Posso fazer algo pra ajudar?”, até as respostas curtas de Regina começarem a virem acompanhadas com um tom de irritação por sua insistência, e então Emma parar de perguntar.

Regina parecera que perdera todo seu brilho e vontade de viver. Emagrecera, falava pouco s sempre parecia apática. Durante a noite fugia de sua cama achando que Emma estava dormindo e ía para o banheiro onde chorava de porta fechada achando que Emma não conseguia ouvir seus soluços. Mas Emma conseguia. Conseguia, mas mesmo assim se mantivera paralisada na cama enquanto silenciava as próprias lágrimas para que a mulher não soubesse que ela sabia. Não tinha o que dizer para confortá-la, não tinha nada que pudesse fazer, por mais que todos dissessem que não ela sabia que era culpa dela e no fundo pensava que Regina também achasse isso.

Dois meses se passaram e a cicatriz ainda parecia arder. Não conseguia esquecer o fatídico dia pois cada vez que olhava para Regina via a dor dele gravada em seus olhos, então como um mecanismo de defesa praticamente parou de olhar. Se antes sentia que poderia conversar sobre qualquer coisa com Regina, agora mal conseguia abordá-la para dizer coisas banais sobre o cotidiano, já que as palavras pareciam morrer em seus lábios, então praticamente pararam de se falar. Até mesmo sua presença, sempre tão acolhedora e protetora começaram a fazer Emma se sentir indesejada, então preferiu ficar acordada na sala até tarde e por vezes dormir no sofá mesmo por opção invariavelmente, até isso se tornar constante.

Regina se afundou em sua tristeza, Emma afundou-se em seu trabalho por ser incapaz de lidar com isso. Regina sempre fora a forte, a muralha e Emma sempre estivera em sua retaguarda e eram um time perfeito assim, eram seguras e invencíveis. Mas sozinha Emma não sabia o que fazer quando sua muralha estava sendo demolida bem na sua frente, dia após dia e ela não era forte o bastante para reergue-la, quando ela era a culpada por sua destruição. Então fez o que sempre foi boa: Fugiu. Fez da delegacia seu novo lar, inundou-se de trabalho até não ter tempo para pensar em outras coisas e chegar em casa tão cansada que só conseguia se jogar e ter sonos sem sonhos.

David estranhou, mas assim como Regina ela também sabia dizer “Está tudo bem” mesmo que as coisas não estivessem. Henry mesmo que em sua presença as duas ainda tentassem manter as aparências uma sombra do que um dia haviam sido também sentiu a mudança, até mesmo ele parecera perder um pouco de sua alegria e se tornara uma criança mais calada e pensativa, mas nenhuma delas fingiu perceber até seu corpo infantil e delicado não ser capaz mais de esconder o que sentia.

— Emma, é Regina. – Disse David parecendo nervoso ao atender o telefone da delegacia. – Ela está chorando, disse que está tentando te ligar faz tempo. Henry está queimando em febre.

Emma levantou em um pulo, conferindo no próprio celular as 42 ligações não atendidas de Regina que seu celular no silencioso não avisara com uma espécie de pânico crescendo dentro de si. Sem pensar duas vezes agarrou as chaves do fusca jogadas em cima da mesa e saiu correndo no meio de pingos de chuva que começavam a cair para dentro do carro, dirigindo em alta velocidade até sua casa.

Quando escancarou a porta sem se anunciar viu os olhos vermelhos e inchados de Regina sentada no sofá, segurando Henry em seu colo de olhos fechados enrolado em um cobertor.

— Onde infernos você estava, eu te liguei mais de mil vezes desesperada! – Rugiu a morena, assustando Emma por seu tom. Nunca a vira daquele jeito, mesmo em suas piores brigas.

— Eu... meu celular estava no mudo. – Disse a loira sem folego pela corrida. – O que ele tem?

— Ele esta queimando em febre desde que voltou da escola, eu não sei. – Disse Regina colocando as costas da mão mais uma vez sobre o rostinho. Emma o pegou de seu colo, levando o menino enrolado junto a si na direção da porta.

— Abre a porta do carro pra mim, vamos levar ele pro hospital.

No primeiro instante Regina correu sem hesitar em direção a porta, mas assim que deparou-se com a tempestade que se formara do lado de fora de casa pareceu ter congelado na soleira da porta.

— Regina! – Emma chamou sua atenção mas ela não se moveu. – Regina, temos que leva-lo pro hospital!

Quando se virou Regina tinha os olhos assustados, como uma criança que tem medo de tempestades e Emma entendeu o que estava acontecendo. A morena balançou a cabeça negativamente e soltou com a voz falha:

— Não, eu vou chamar um médico...

— Regina, até eles chegarem vai demorar, ok? Eu sei que você está com medo, mas nós temos que leva-lo já!

— Eu não posso – Disse com as lágrimas marejando seus olhos cor de terra. – Eu vou chamar o médico, ele virá até aqui...

— Eu não posso ficar parada aqui enquanto Henry queima em febre! – Disse Emma bruscamente, avançando alguns passos em direção a porta quando o grito histérico de Regina a parou.

— Você não pode tirá-lo de mim também!

Foi como um soco no estômago, mas ao mesmo tempo parecia ter acertado todo seu corpo. Seu coração parecia ter se despedaçado em milhões de pedaços que Emma temia vê-los no chão do hall da entrada. Por um momento foi difícil respirar ao ver os olhos desesperados e acusadores de Regina em sua direção, suas pernas tremiam e por um momento a única coisa que pareceu firma fora o corpo minúsculo de Henry apertado contra o seu.

As lágrimas arderam contra seus olhos, quando ela se virou de costas para Regina tentando escondê-las. Às suas costas ouviu a respiração pesada de Regina e quando a morena fechou a porta e em um sussurro disse que ia ligar para o pediatra da cidade. Tentando controlar as emoções que pareciam explodir de seu peito, colocou Henry deitado no sofá e ficou ao seu lado, evitando olhar para qualquer lugar que não fosse o chão e se concentrando para não deixar que as lágrimas acumuladas dos últimos meses fossem derramadas.

Quando o doutor Victor chegara, Regina assumiu o controle da situação como era característico da antiga Regina. Emma aproveitou o momento para se retirar até o escritório, onde finalmente permitiu-se desmoronar. De repente via sua vida desmoronar, sem saber o que fazer para evitar. Sentia vontade de socar as paredes até o nó dos dedos sangrarem, de destruir tudo da maneira como se sentia destruída por dentro. Regina a culpava e não podia dizer que ela estava completamente errada.

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Emma ouviu a porta do escritório sendo aberta atrás de si, mas não moveu um músculo que denunciasse que soubesse disso. Sentiu os passos firmes de Regina se aproximarem e seu corpo afundar o assento do sofá próximo de si. A mão que segurava o whisky que usara pra tentar acalmar um pouco de seus ânimos tremeu levemente, mas ela tentou se manter firme, tentou transparecer-se impenetrável, ao contrário da ruína que estava por dentro.

— Ele já foi. Disse que provavelmente deve ter sido algum vírus, ou algo emocional. – Disse Regina baixinho ao que Emma acenou positivamente com a cabeça. – A febre está baixando, Henry já está na cama.

Silêncio. Emma tinha tantas coisas para dizer, mas não conseguia tirar de sua cabeça os olhos castanhos desesperados, a acusação saindo como um tiro da boca de Regina acertando diretamente seu coração.

— Eu não quis dizer aquilo que eu disse. – Disse a morena depois de algum tempo em silêncio. – Eu não... Eu não estava pensando direito, eu estava tão nervosa e com medo... Eu não... Me desculpe.

— Você está certa. – Disse Emma erguendo levemente a cabeça, olhando para o nada. – Foi minha culpa.

— Não, não foi. – Ouviu a voz da morena falhar. – Eu... Eu falei mais do que devia, não devia... Foi um acidente.

— Mas foi minha a palavra para matarem nossa filha. – Emma tomou uma boa porção de ar, antes de virar-se para Regina, depois de meses despejando a verdade sobre ela. A morena a encarou com os olhos confusos, meneando a cabeça como se ela tivesse falado em outra língua.

— Do que você está falando?

— Foi minha ordem. Os médicos, quando você chegou naquele hospital... Doutor Webber, ele me falou que você tinha tido um trauma interno, que precisava de uma intervenção urgente... Que nossa filha não iria aguentar. – Disse se levantando, apoiando as costas na mesa de escritório a frente do sofá.

Regina parecia abalada. Ouviu tudo com os olhos fixos movendo-se para vários pontos no chão, e quando Emma terminou sua confissão passou as mãos pelos cabelos parecendo ter dificuldade de digerir toda a informação.

— Mas você disse que... Você disse que ela não tinha suportado a batida que... – Seus olhos encararam os seus. Castanhos sobre o verde. Terra e mar. E Emma foi incapaz de não inundar-se em lágrimas de culpa e vergonha.

— Quando você chegou ao hospital, depois de te examinarem... Eles precisavam da minha autorização, você estava morrendo... Eu só queria salvar você.

Regina balançou negativamente a cabeça, levantando-se e andando a esmo pelo escritório com seus olhos terrosos enchendo-se de lágrimas, parecendo incapaz de acreditar no que acabar de ouvir. Tudo que Emma queria era abraça-la, tomar toda sua dor para si, mas sabia que qualquer tentativa de aproximação no momento seria negada.

— Regina...

— Você... Você não deu a ela nem mesmo uma chance de tentar? – Disse ela com a voz ligeiramente alterada. – Você simplesmente desistiu dela como se ela não fosse nada? Tomou essa decisão simplesmente e nunca me contou nada sobre isso?!

— Eu queria contar! Todos esses meses... Mas você estava tão triste, tão quebrada... Eu só não sabia como. – Disse Emma em meio as lágrimas que não puderam ser contidas.

— Como você pôde?! – Rugiu Regina chorando deliberadamente, fazendo a dor de Emma aumentar ainda mais.

— Eu... Eu não podia perder você. Eu faria, eu daria qualquer coisa no mundo pra não perder você! – Disse Emma desmanchando-se em lágrimas ao ver o olhar acusador de Regina em sua direção.

— Bem, acho que no fim você perdeu. – Disse Regina rispidamente uma última vez, dando o golpe de misericórdia no coração de Emma antes de sair porta a fora com suas próprias lágrimas, deixando para trás a loira desmoronando.

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— Estou saindo de casa. – Disse Emma com sua última mala em mãos, depois de ter colocado o restante no fusca. Haviam passado dois dias após a febre repentina de Henry, quando não conseguira nem mesmo chegar perto de Regina. Depois de muito pensar, percebera que talvez este fosse o melhor caminho a tomar, pelo menos até as coisas se acalmarem. Talvez os ânimos se acalmassem, talvez a casa tivesse novamente um clima apropriado para uma criança, talvez o coração de Regina se curasse mais rapidamente sem sua presença no dia a dia lembrando-a do ocorrido. Talvez Emma se perdoasse mais rápido, talvez as coisas ainda pudessem ser um pouco como já haviam sido um dia. Talvez.

— Henry já sabe disso? – Perguntou Regina sem olhá-la nos olhos, concentrando-se nos pratos que levava.

— Eu vou explicar tudo para ele, falar que é o melhor que podemos fazer agora... – Regina concordou com a cabeça sem dar-lhe ao menos um olhar. Emma conformou-se com isso e partiu em direção a porta quando foi interrompida pela voz da morena as suas costas.

— Você está indo para sempre?

— Eu não sei... – Respondeu sincera – Mas acho que talvez no momento seja a melhor coisa que eu possa fazer por nós. Pela nossa família. – Ao se virar viu Regina apoiada no batente, entre a cozinha e o hall de entrada olhando-a sem uma expressão que pudesse definir.

No mundo perfeito Emma largaria a maldita mala e correr em sua direção, lhe diria que a amava e que nada nunca mudaria isso. Pediria perdão e lhe beijaria até tudo parecer estar voltando ao seu lugar. Elas eram invencíveis... Mas este não era um mundo perfeito. Era um mundo quebrado, que ainda não cansara de lhe dar surras e lhe lembrar que nada bom o suficiente durava. Que a felicidade era passageira e que a tristeza era sua eterna companheira. Então Emma apenas acenou com a cabeça, com os olhos tão tristes antes de sair porta a fora esperando que pelo menos em um mundo quase perfeito Regina correria atrás dela e a pediria para ficar. Que se não a perdoasse pelo menos, diria que iria tentar, que lhe beijasse e dissesse que no fim as duas ainda superariam tudo aquilo. Mas aquele mundo estava longe de ser perfeito, ou quase perfeito de qualquer forma.

Notas finais
E então lindas, o que acharam? Achei tão dramático, culpa da Shonda e Grey's anatomy que despertam esse meu lado, e olha que eu nem cheguei nas partes mais dramáticas (Pois é, já tomei spoiler de todos os lados, sei praticamente tudo o que vai acontecer, mas amo tanto mesmo assim ♥). Peço que não fiquem com raiva da Regina, vou tentar escrever uma parte no ponto de vista dela no próximo capítulo, mas desde já peço que entendam que a situação da Regina pós-aborto era muito delicada, depressão é uma coisa muito séria que te derruba, muda quem você é, muda suas atitudes com as outras pessoas, faz você se tornar uma pessoa que no fim você detesta e afasta de tudo e todos e só com muita ajuda e força de vontade pra vencer esta merda. Enfim, é uma coisa bem difícil de explicar, acho que só quem já passou por isso pode entender completamente, mas resumindo: Regina não teve a menor pretensão de ferir ninguém enquanto estava naquela situação delicada. Vou tetar de verdade escrever um capítulo tentando passar um pouco do sentimento que Regininha estava passando no próximo (e último capítulo do SPIN OFF). Espero que não queiram me matar e que continuem confiando em mim para escrever essa estória :) Um grande beijo, fico feliz por ter cada vez mais gente comentando, sério, MUITO FELIZ! Vocês são maravilhosas, mil beijos! Até a próxima ;)