A gota de suor escorreu pela nuca da loira lhe fazendo cócegas. Emma abanou a larga e confortável camisa xadrez que vestia por cima da regata branca que grudava úmida em seu corpo, assim como as compridas madeixas loiras amarradas em um coque no topo de sua cabeça.

Ela amaldiçoou a si mesma por nunca pensar em colocar um ar condicionado no fusca amarelo. Em Nova York o clima era ameno e fresco tornando muito raras as ocasiões que permitiam Emma sair sem levar um casaco para quando o sol baixasse e ventos se tornassem mais frios. O acessório parecia ser um luxo desnecessário, mas ali durante sua descida pelo país – que poderia ser encarada como uma descida até o inferno, pela temperatura e estradas empoeiradas – ela não conseguia compreender como conseguira viver sem um por todos esses anos.

O sinal do rádio era baixo, deixando um ruído persistente no ar que junto com o calor pareciam cúmplices para esgotar a pouca paciência que lhe restava. Não era de se admirar que Regina quase nunca viesse visitar os pais, mesmo quando Sr. Mills ainda estava vivo e o carinho e afinidade que Regina tinha com o pai fossem enormes.

Emma só soubera de sua morte depois de 3 meses do triste fato ter realmente acontecido, quando Henry fora enviado para passar parte das férias com ela e lhe contara que o coração de seu avô tinha ficado doente e ele agora morava em uma estrela brilhante no céu.

Não era novidade que Regina não queria ver sua cara nem pintada de ouro – A não ser provavelmente que sua cara estivesse amassada e horrivelmente destruída – e que ela conhecia sua ex-mulher o suficiente para saber que ela podia ser uma completa vadia pirracenta quando queria, mas Emma achava que diante desta situação ela deveria ter sido avisada. Sempre tivera muito apreço pelo homem de quem viera o nome de seu filho, não interessava o quanto Regina estava puta com ela e o quanto a odiava, diante a uma situação como essa algumas coisas podem ser deixadas de lado pelo menos por um momento. Mas claro que Regina não fez questão nenhuma de avisar, assim como Emma também não fez questão nenhuma de ligar para ela para lhe prestar condolências mesmo depois de saber.

Pensar nisso fez seu sangue já fervendo pela temperatura borbulhar. O rádio foi atingido com pancadas e xingamentos insistentes que de nada adiantaram. A loira bufou e tentou abrir uma fresta da janela para que o ar refrescasse ao menos um pouco o interior do carro, mas foi só o vidro abaixar cerca de meio centímetro para uma mini tempestade de areia tomar conta do fusca, fazendo seus olhos lacrimejarem pela poeira da estrada. Emma esfregou os olhos e fechou apressada a janela, mas quando conseguiu enxergar com clareza novamente já estava praticamente em cima da placa.

Emma tentou frear, mas isso só fez o carro derrapar ainda mais dando uma volta de 90 graus com o barulho dos pneus cantando no solo. A motorista já percebendo a pancada enfiou a cabeça entre seus braços tentando se preservar durante o impacto. Para sua sorte o carro apenas deu um tranco que a fez bater os cotovelos no volante.

— Filho da puta! – Esbravejou ela esfregando o cotovelo esquerdo ralado. Soltou o cinto, e abriu a porta do carro saindo ao ar livre. Sentiu a brisa quente atingir-lhe e grãos de poeira grudarem em seu rosto salgado. Enquanto caminhou até a placa em que batera, protegeu os olhos do sol com a mão em forma de concha sobre a testa até conseguir ler letras opacas e sofridas pelo tempo mostrando que havia chegado ao seu destino.

Largou-se no capô um momento fazendo um balanço geral de sua situação: Estava ali naquele fim de mundo esquecido por Deus no norte do Alabama, derretendo sobre aquele sol escaldante rumo a um funeral de uma pessoa que nunca gostou dela, mãe de outra pessoa que atualmente gostava ainda menos. No entanto, ela recebera o telefonema. Uma mulher que dizia-se vizinha da falecida havia lhe ligado dando a triste notícia, sem lhe dar maiores informações, de como havia conseguido seu contato, nem a pedido de quem havia ligado. Cora nunca tentou esconder o desprezo que sentia por ela, nem se esforçava em parecer menos resistente ao seu romance com Regina na época em que ainda estavam juntas. O que a fazia indagar-se: Porque uma vizinha saberia seu novo telefone e lhe avisaria da morte de sua ex-sogra?

Pensar que havia sido a pedido de Regina parecia uma ideia ainda mais surreal. Durante esses sete anos Regina garantira que o contato entre as duas fosse apenas através de bilhetes, ou avisos através do próprio Henry. Recomendações para quando o filho passava as férias em sua casa, lista de remédios quando o garoto estava doente, vitaminas que tomava... E nem isso acontecia já a 2 anos. Nem da morte do pai, de quem Emma realmente gostava, ela havia feito questão que soubesse quanto mais da megera de sua mãe, que a própria Regina mal conseguia suportar.

No entanto lá estava ela. Perdida naquele fim de mundo, sem ao certo saber o porquê além da desculpa que ela adotara desde que fizera as malas e saíra de casa: Henry. Pois não importa as diferenças entre ela e Cora ou a filha, por mais que nunca houvesse lhe suportado aquela mulher recebeu seu filho como seu verdadeiro neto até onde ela se lembrava, e só não mais porque Regina nunca a permitiu se aproximar demais. Emma nunca a questionou sobre isso, os motivos de Regina sempre pareceram justos.

Um barulho de motor despertou sua atenção. Ergueu o olhar e se deparou com uma viatura de polícia antiga, trazendo nos pneus mais poeira do que naturalmente já tinha na estrada. O carro diminuiu a velocidade à medida em que se aproximava, parando no acostamento exatamente em sua frente. Emma encarou o interior do carro, de onde saiu um homem fardado que lhe encarou através do teto de sua viatura.

Ele tinha feições agradáveis. Era alto, tinha olhos castanhos bondosos, e bochechas rosadas através da barba castanha um pouco mais clara que seu cabelo. O rosto e braços eram bronzeados como era de se esperar de alguém que morava por aquela região. A voz soou gentil quando ele se dirigiu à ela:

— Posso ajuda-la, senhorita?

— Só parei para tomar uma brisa refrescante e admirar a vista, xerife. – Ironizou cruzando os braços em volta do corpo. O homem riu, e Emma viu as covinhas que bordeavam seu sorriso branco. Era um homem inegavelmente atraente.

— Pelo jeito não é daqui. Uma forasteira. – Brincou ele. – O que a traz a nossa encantadora região? Por acaso você é algum tipo de empresária de maçãs?

Claro! Como Emma havia se esquecido? Applestown era considerada a melhor fornecedora de maçãs do Estado. Em particular, os Mills tinham as melhores macieiras do país, e construíram sua fortuna há gerações fornecendo maçãs e sidras para comércio nacional e exportação. Quando havia sido casada com Regina, Emma se lembrava de por vezes brincar com a morena lhe dizendo que ela havia nascido de uma macieira, por isso tinha aquele cheiro incrustado nela, ao que Regina respondia com sua risada rouca e o revirar de olhos que sempre fizeram o sorriso de Emma se alargar ainda mais. Hoje a única coisa que as lembranças de Regina lhe causava era uma pontada em algum lugar de seu coração que Emma preferia ignorar.

— Estou sendo interrogada?

— Não, mas se quer saber eu teria autoridade para o serviço. – Disse apontando a estrela dourada que enfeitava lhe a camisa na altura do peito. Emma riu, e tirou do bolso a carteira de couro preta, levantando-a até a visão do homem.

— Abordar um colega de tal forma parece um pouco antiético, não acha? – Disse com um sorriso arrogante, enquanto o homem ainda admirava o emblema da NYSP que preenchia a carteira. – Emma Swan, xerife. Policial do Estado de NY.

— O que a traz aqui, Agente Swan? – Perguntou ele no mesmo tom, mesmo depois de seu ato arrogante. Era um bom homem, Emma podia ver em seus olhos. – Posso ajuda-la?

— Vim por uma... – Amiga? Parente? Uma opção parecia mais absurda que a outra. – Conhecida. Cora Mills, você conhece?

— Como não poderia? – Respondeu ele, mas sua expressão simpática recuou. – A família Mills praticamente fundou a cidade, e até hoje ainda se acham dono dela.

Não havia muita simpatia em suas palavras. Não era de se espantar que Cora não fosse muito popular em sua própria cidade. Pobres coitados, se Emma mal conseguia conviver com a peça por mais de 2 dias durante suas visitas quanto mais esta gente que tinham que lidar durante o resto do ano. No mesmo momento se arrependeu do pensamento. Estava vindo exatamente para o enterro desta mulher. Parecia injusto ter tais pensamentos sobre ela, mesmo que fossem verdadeiros.

— Mas sei onde é o rancho dos Mills. Fica do outro lado da cidade, se quiser eu posso leva-la lá, conheço bem o caminho. – Emma pensou em recusar, mas antes que pudesse negar a ajuda ele já havia entrado em seu carro, e gritado pra ela. – Siga-me, agente Swan.

Emma entrou no próprio carro, e o manobrou seguindo o xerife através da cidade. Era ainda mais minúscula do que ela sempre imaginou nas histórias de Regina, porem para sua sorte, ali o tempo era mais fresco e as ruas arborizadas. A brisa foi bem vinda, e Emma pode escancarar as janelas enquanto via as pessoas andando através do que parecia ser a avenida principal por onde seguiu o xerife até o fim dela. A estrada em que caíram era muito diferente da que a levara até a cidade. O caminho ainda era bordeado por árvores médias, e grama verde. Um rio acompanhava a estrada paralelamente, tornando o lugar muito mais fresco, fazendo parecer pouco com o inferno escaldante em que antes estava.

Andaram por mais cerca de 20 minutos com uma velocidade moderada e quando por fim parecera chegar ao seu destino o xerife sinalizou com o dedo para que Emma emparelhasse o carro ao lado do seu. Emma obedeceu, e aproveitou para lhe agradecer, antes dele dar a ré com seu carro e deixá-la sozinha diante duas pilastras de concreto.

Seu coração batia forte contra seu peito e voltara a transpirar, agora de nervosismo. Emma apertou os dedos em volta do volante até ficarem brancos antes mesmo de dar partida no carro. Pensou em desistir, mas sabia o quanto se sentiria idiota por ter atravessado o país e vacilar ali, literalmente na porta. Emma Swan não era uma covarde, Emma Swan não desistia simplesmente das coisas. Ou pelo menos da maioria delas.

O nó na boca do estômago pareceu aumentar a medida que se aproximou da faixada da casa. Era uma enorme casa de madeira bem conservada apesar de ter áurea antiga. Em frente uma velha árvore com balanço antiga fez mais uma vez algo dentro de si doer. Houve uma época em que tinha ouvido tudo aquilo através das descrições detalhadas e perfeccionistas de Regina, e agora tudo ganhava vida e forma diante seus próprios olhos depois de tantos anos.

Regina. Repetiu mentalmente absorvendo a ideia de que iria reencontrá-la, depois de todos aqueles anos sem nenhum contato. Era estranho pensar na ex-mulher como uma desconhecida, alguém que um dia compartilhara tudo com ela, que conhecia cada pedaço de seu corpo, cada gesto por mais simples que fazia. Pensar naquela Regina faziam lágrimas virem a tona em seus olhos, era como se lembrar de alguém que havia partido e que nunca mais iria voltar. A Regina que encontraria ali não era mais aquela mulher, repetiu para si mesma enquanto desceu do carro e caminhou pela varanda até estar de frente a porta de madeira. Os dedos tremeram quando apertou a campainha e ela trocou de perna de apoio nervosamente algumas vezes olhando ao redor antes do barulho de tranca chamar sua atenção e o inesperado par de olhos castanhos que a encararam fazerem o chão sumir sob seus pés.

— Olá, Emma querida. – Disse a mulher jogando os braços em volta do seu pescoço e a trazendo para um abraço apertado e íntimo.

Emma não conseguiu responder. Não conseguiu falar, nem se mexer, e mal conseguiu respirar. O perfume doce e forte da mulher a sufocou, mesmo quando a suposta morta lhe soltou para olhar em seus olhos sorrindo enquanto segurava suas mãos como velhas amigas.

— Cora? – Perguntou Emma insegura demais sobre tudo aquilo. Cora riu, provavelmente de seu semblante perturbado e jogou a cabeça para o lado.

— Que cara é essa, querida? Até parece que você viu um fantasma. – Emma não respondeu. Não conseguiu. Abriu e fechou a boca algumas vezes tentando encontrar palavras para a situação, mas nada parecia adequado. O que poderia dizer? “Como você está? Você parece ótima, cheia de vida... Nem um pouco morta, como deveria estar”— Ande querida está parecendo um tapete de soleira parada aqui, entre.

Emma seguiu a mais velha pela casa, sendo deixada em uma sala de estar com lareira e sofás antigos de couro vermelho. Cora pediu que se sentasse lá enquanto ia pegar alguma coisa na cozinha. Emma não prestou muito atenção em suas palavras. Jogou-se no sofá e perguntou-se o que infernos estava acontecendo diante dela.

Além do fato de um defunto falante e bem vivo, a simpatia de Cora direcionada a ela conseguia ser quase tão chocante quanto o fato dela não estar dentro de um caixão. Será que a mulher havia retornado do mundo dos mortos com uma nova personalidade? Ou ainda seu corpo tinha sido possuído por um espírito gentil e simpático? Emma remexeu-se desconfortavelmente no sofá sentindo o olhar congelado de uma cabeça de veado empalhada olhando-a da parede. Olhou em volta com mais atenção e percebeu várias delas, mais de uma dezena de animais pendurados nas três paredes que a cercava.

— Eu trouxe os biscoitos, querida. Eu sou péssima em fazê-los, mas Granny me ajudou. Ela estava louca para conhecê-la. – Uma senhora um pouco mais baixa que ela com olhos azuis enérgicos veio lhe acompanhando da cozinha, limpando as mãos em seu avental que vestia por cima da roupa, parecendo ansiosa. – Granny esta é Emma, e aquela que eu já lhe falei.

— É um prazer. – Disse a senhora alegremente sentando ao lado de Emma no sofá, enquanto Cora deixou os biscoitos na mesinha de centro a sua frente antes de mais uma vez se retirar deixando Emma e a outra senhora na sala. A idosa, assim como os animais empalhados, não tirava os olhos de cima dela, como se Emma fosse alguma espécie exótica de animal em exposição em um zoológico.

— Então você é a ex-mulher da Regina?

— Sim. – Disse Emma balançando a cabeça para cima e para baixo com um sorriso plástico em seu rosto.

— E é a mãe do filho dela também? – Perguntou cheia de curiosidade ao que Emma acenou positivamente. – Mas como... Quer dizer você não tem um... Como é possível que...?

— Cheguei. – Disse Cora com aquele sorriso largo que Emma nunca estivera acostumada a ver a não ser para Henry quando era pequeno, ou quando lançava um de seus comentários irônicos e venenosos para ela e pra filha. Trouxe consigo dois copos com gelo e whisky bebericando em um e empurrando o outro para Emma. – Vamos Emma, eu sei que você gosta de coisas fortes, você já foi casada com a minha filha, afinal.

Emma sentiu as bochechas esquentarem com o comentário e recusou o copo várias vezes antes de Cora desistir, deixa-lo ao lado dos biscoitos e se sentar em uma poltrona felpuda na outra extremidade da mesa enquanto acendia um cigarro.

— Então Emma, conte-me sobre você. Faz séculos que não nos vemos, fez uma viagem agradável? – Perguntou com naturalidade dando uma longa tragada. Emma apoiou os cotovelos nos joelhos e respirou profundamente antes de começar aquela conversa.

—Ok, o que está acontecendo aqui? – Perguntou com lentamente, sabendo exatamente o quanto de paciência precisava ter para conversar com a mais velha. Esta fez-se desentendida, franzindo as sobrancelhas e dando mais uma tragada no cigarro antes de finalmente lhe responder.

— Não entendi sua pergunta querida.

— Eu recebi um telefonema me dizendo que você estava morta, e que seu funeral seria hoje.

— Deve ter havido um mal entendido. – Disse com um risinho de deboche. – Pelo que você pode ver eu estou bem viva.

— Sim eu percebi isso. – Disse entrelaçando os dedos, e molhando os lábios buscando paciência onde não existia para lidar com a situação. Como em algum lugar poderia existir um mal entendido sobre a morte de uma pessoa? Emma tinha certeza de que não podia ser confundida com nenhuma outra situação... – Mas...

— Eu pareço morta para você, Granny? – Perguntou ainda com aquele sarcasmo que Regina havia herdado tão fielmente a mãe, fazendo a paciência já prejudicada pela longa viagem e atual situação encurtar-se ainda mais. – Você já viu um morto beber ou fumar?!

— Eu entendi que você não está morta, é notável que não está. O que eu quero saber é: Porque eu recebi um telefonema me dizendo que você estava?

— Bem, deve ter havido alguma confusão. Confusões acontecem, Emma. – Disse balançando os ombros para aquilo com indiferença. Aquela brincadeira podia ser indiferente para Cora, mas não para ela que havia atravessado o país em seu carro para estar ali para ser feita de idiota. Emma resolveu ser menos delicada e mais direta:

— Vamos ser sinceras aqui, o que você está querendo? Você sabe muito bem que eu e sua filha estamos separadas há anos, você mal me suportava antes quando era obrigada, porque isso agora? Isto é algum tipo de brincadeira? Ou algum tipo de pegadinha com a sua filha? Regina sabe que eu estou aqui?

— Quantas perguntas, Emma. Está me deixando com dor de cabeça. – Cora falou esfregando as têmporas, apagando o cigarro em um cinzeiro também na mesinha de centro e não respondendo nenhuma de suas perguntas. Emma respirou fundo e deixou um riso incrédulo escapar. Ao seu lado a senhora atarracada comia os biscoitos com os olhos atentos na direção da conversa com o copo de whisky que Cora havia deixado em cima da mesinha em sua mão. – Pegue um biscoito, você não comeu nenhum.

— Eu não quero droga de biscoito nenhum! – Exclamou irritada, levantando-se da poltrona por impulso. Que se foda tudo, pensou. Não tinha a obrigação de ser educada com aquela mulher que a odiava desde sempre, e que mesmo agora, fora de sua vida, ainda tinha a audácia de continuar a ferrar com ela. – Eu quero a verdade!

— A verdade é que estamos aqui, querida. Eu, você e Granny conversando nesta sala e você está fazendo questão de ser grosseira e recusar os biscoitos deliciosos dela. – Mais um comentário sínico de Cora e Emma podia jurar que ela mesma garantiria que não houvesse confusões sobra a morte da mulher desta vez. Ela estava pronta para insistir novamente quando campainha tocara. A dona da casa levantou de sua poltrona e foi até a porta para atender o recém-chegado, ignorando a explosão de Emma.

Emma ainda tentava recobrar o controle de si mesma respirando profundamente, quando a voz de Cora ressoou da porta e suas palavras fizeram falha qualquer tentativa de se acalmar

— Henry! Querido, como você cresceu! – O estômago de Emma se revirou ao ouvir o nome do filho e pareceu ainda pior quando ouviu voz juvenil responder, um pouco diferente do que parecia pelo telefone.

— Olá, Vovó. Como você está? – O garoto não podia vê-la de onde estava, mas ela já conseguia ver sua cabeça castanha quase alcançando a altura da avó enquanto lhe abraçava.

— Melhor agora que você está aqui, meu querido. – Disse a avó carinhosa segurando suas bochechas com ambas as mãos, e lhe dando um beijo na testa, antes de apontar o dedo em sua direção. – Vamos entre, estou com visitas lá dentro, ah, temos biscoitos! Tenho certeza que você vai adorar!

Emma colocou uma mecha solta do coque desarrumado para trás da orelha, mais por nervosismo do que por vaidade enquanto ouvia o som do sapatos do filho se aproximando.

— Mãe? – Disse paralisado na entrada da sala assim que a viu. Suas sobrancelhas estavam erguidas e a boca entreaberta de surpresa em vê-la ali.

Fazia mais de 2 anos que não via o filho pessoalmente, apenas mantendo contato pelo telefone e internet. Emma poderia enumerar várias desculpas que dava a si mesma pelo afastamento do próprio filho, mas a verdade parecia terrível até mesmo para ela admitir a si mesma.

— Hei, garoto. – Ela acenou sem jeito.

— Regina! – Ressoou novamente atraindo sua atenção para onde ela apertava a filha em seus braços. Emma engoliu a seco ao reconhecer os contornos das costas tão familiares de sua ex-mulher. Seus cabelos negros um pouco abaixo de seus ombros – mais curtos do que da última vez que a vira – foram a primeira coisa que viu, enquanto ela recebia o abraço de sua mãe.

— Tinha esquecido o quanto as estradas daqui são horríveis, estou com poeira até meus ossos. – A voz rouca provocou um frio na barriga, como uma adolescente, talvez as pernas tivessem bambeado se Henry não tivesse nesse momento superado seu choque inicial e viesse apressado ao seu encontro lhe envolvendo em um abraço apertado.

Emma apertou o filho em seus braços, constatando que a diferença de altura entre eles era bem menor do que da última vez que se viram. Henry estava se tornando um pré-adolescente alto, com braços fortes, cada vez mais distante do bebê que um dia coubera em seus braços. Por um momento ficou tão imersa neste abraço reconfortante que se esquecera do que estava por vir, ou melhor, quem.

— O que...? – Disse um vestígio de voz. Emma abriu os olhos para deparar-se com a figura estática de Regina onde Henry estava minutos atrás, com os lábios bem contornados de vermelho entreabertos. Uma expressão bem parecida com a da própria Emma quando foi recebida por Cora: Como quem via alguém que deveria estar morta de volta a vida.

— Oi. – Disse Emma acenando sem jeito com a mão. Henry passou seu braço através de sua cintura e lhe deu um sorriso de apoio enquanto ela passava o braço esquerdo sobre seus ombros e o trazia para mais perto de si.

— O que você está fazendo aqui? – Regina disse sem rodeios.

— Regina! – Censurou Cora se vendo diante da situação cada vez mais desconfortável e a tensão que enchia a sala a cada centelha de oxigênio que as ex-cônjuges dividiam. – Essa não foi a educação que lhe dei, não trate assim minhas visitas!

— Sua visita?! – Regina pareceu ser golpeada no rosto quando se virou para a mãe indignada com o que acabara de ouvir. – O que está acontecendo aqui? É uma espécie de complô contra mim? Vocês estão juntas nisso?

— Regina, pare com o drama! Parece que ainda não superou a adolescência e todos aqueles shows de “Você quer estragar minha vida!”. – Rolou os olhos com escárnio. – Houve um mal entendido. Ao que parece, Emma recebeu um telefonema a convidando para o meu funeral.

— Seu o que?! – Regina sobressaiu-se cada vez mais alterada. Emma a conhecia bem o suficiente para saber que sua paciência estava se esgotando, e que não tardaria até sua histeria sobressair-se através da fina camada de auto-controle que Regina tentava se manter em situações de conflito.

Nunca funcionou com Emma. A loira sabia que tinha o dom de destruir qualquer controle que Regina tentava manter, sabia como ninguém tirá-la de dentro da muralha de indiferença que ela construía em volta de si mesma. Houve uma época que Emma sentia-se especial por ter tal influência sobre a mulher, de ser uma das poucas pessoas que despertavam a verdadeira Regina, seu melhor e seu pior. Hoje duvidava que ainda era capaz de despertar seu melhor, e tinha certeza absoluta que apenas mais alguns minutos no mesmo ambiente eram o suficiente para seu lado pior aflorar. No entanto seu filho estava abraçado ao seu lado, e ela preferia poupá-lo de qualquer cena de mais conflito entre as duas mães. Foi buscando a “paz” que ela tomou a palavra para si.

— Sim, eu recebi o telefonema de uma mulher há uns dois dias dizendo que Cora havia falecido, que tinha tido uma parada cardíaca e o funeral seria hoje...

— Que mulher? – Regina quis saber estranhando tanto essa história quanto a própria Emma.

— Eu não sei... – Emma respondeu depois de pensar um tempo, balançando os ombros. – Eu não perguntei, sei lá... Não achei que essa informação era muito relevante diante da notícia em si.

— Claro! – Disse em forma de risada rolando os olhos, deixando claro que não acreditava nela. Não o riso e o virar de olhos que Emma gostava, que um dia a fizeram se derreter de amores pela ex-mulher. A risada irônica e o rolar de olhos debochado que a faziam ter vontade de deixar a marca de sua mão estampada na cara de Regina para fazê-la abaixar a merda de seu nariz empinado e seu ar superior. – Mesmo que fosse, porque você viria? Não é segredo pra ninguém que vocês duas se odeiam.

— Regina!

— Mãe! – Disseram as vozes de Henry, Cora e Granny que até aquele momento permanecera apenas acompanhando a discussão tendo como acompanhamento o whisky e os biscoitos ignorados por todos. Regina balançou os ombros, pouco preocupada no quão inconveniente estava sendo. Aparentemente o ódio que sentia por Emma era mais forte que seus bons modos.

— Bom, eu vim pelo meu filho. – Disse Emma apertando ainda mais Henry em seus braços, cada vez mais sentindo-se acuada. Por mais que fosse um mal entendido e sem menor intenção, ela era a intrusa ali; mergulhada no território do inimigo e sufocada pelos olhares de repúdio de Regina.

Afinal, porque aquela mulher a odiava tanto? Tudo bem que Emma tinha sua parcela de culpa na separação, que ela devia ter insistido mais e lutado pelo que tinham, mas pelo que ela se lembrava bem Regina não facilitou muito as coisas também. Antes mesmo dela sair de casa, os olhos de Regina já não passavam pelos seus, e a morena evitava até mesmo esbarrar nela. Isso para Emma pareceu claramente um convite de saída, então Regina não tinha o porquê agir como se Emma tivesse fodido tudo sozinha.

— Quer saber... Não precisa se preocupar, eu já estou de saída... O mal resolvido está esclarecido, Cora pelo jeito está mais viva do que todos nós juntos...

— Ótimo. – Regina balançou e cruzando os braços em volta de si mesma, aguardando sua saída.

— Mãe... – Henry reclamou ao seu lado. – Você já está aqui, não pode ficar um pouco?

— Acho melhor não, garoto. – Disse ao mais uma vez constatar pelo canto do olho o olhar mortífero da ex-mulher. – Mas logo podemos marcar de você ir para Nova York ficar um tempo comigo. Quando você voltar me liga e combinamos tudo direito, ok?

Henry não se deu por satisfeito. A abraçou ainda mais apertado e lhe lançou um olhar apelativo.

— Por favor... Pelo menos fica para o jantar?

— Henry...

— Oh, por favor! – Cora finalmente manifestou-se depois de só observar a interação entre as duas. – Somos todos adultos civilizados, ou o que? Será que não podemos pelo menos ter um jantar tranquilo em família sem tentarmos estrangularmos uns aos outros com o spaghetti? Mal entendido ou não estamos todos aqui, o jantar está quase pronto e minha mesa é grande o suficiente para que ninguém seja obrigado a sentar perto de quem não quer. Emma, você e meu neto podem ficar conversando enquanto tiro o assado do forno, Regina vem me ajudar na cozinha e Granny, fica conosco para o jantar?

— Não perderia por nada, querida. – Disse a senhora que parecia estar achando cada vez mais emocionante o reencontro de família.

— Eu agradeço pelo convite, mas eu...

— Perfeito! – Comemorou Henry sorrindo radiante. Ele, Granny e Cora pareciam satisfeitos com a resolução, mas a expressão de Regina provavelmente era pior do que se estivesse realmente no enterro da mãe. No entanto ela não parecia ser capaz de protestar contra algo que fez seu filho tão feliz.

Talvez o amor por Henry fosse a única coisa mais forte do que seu ódio por Emma, afinal. E pelo amor de Henry Emma também poderia enfrentar um bicho de sete cabeças, ou pior: Um jantar com as mulheres da família Mills.

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Da sala de jantar Regina não conseguia desgrudar os olhos da visão parcial que tinha de sua ex-mulher sentada do mesmo jeito desleixado de sempre ao lado de seu filho que falava com empolgação abrindo largos sorrisos para sua mãe loira que ouvia atentamente devolvendo-lhe um sorriso terno e por vezes remexendo em seus cabelos castanhos.

— Bela cena, não é? – Cora disse ao seu lado esticando o olhar para a cena. – Eles estavam com saudades um do outro e olha o sorriso do meu neto.

— É, bem diferente do rostinho triste que eu tenho que encarar quando ela não dá a mínima pra ele. – Regina desviou os olhos com amargura, deixou o último prato na mesa e voltou para cozinha onde se ocupou em enxugar as taças que esperavam na pia.

— Ela o ama também, você não pode negar isso. Por mais ressentimento que tenha dela, ela também é mãe dele. – Continuou a mãe em suas costas, se encostando ao balcão que ocupava o meio da cozinha.

Regina engatilhou as sobrancelhas pensando no quão estranho poderia ser o jeito de Emma Swan de amar as pessoas. Ela mesma havia provado o gosto amargo, e tentava a todo custo proteger o filho de ser magoado como ela fora.

— Porque vocês não tentam ter uma relação melhor? Já faz tanto tempo... Henry ficaria tão feliz...

Regina olhou confusa para a mãe se perguntando que remédio ela estava tomando agora para o grau de delírio que estava alcançando, ou se o infarto tinha lhe afetado mais do que o médico havia lhe dito pelo telefone. Cora sempre detestou Emma, quando haviam se separado se lembrava de ter ouvido ao fundo ela dando graças a Deus quando seu pai havia lhe ligado para saber como estava.

— Certo, o que você está tramando? – Disse deixando o pano de prato de lado e cruzando os braços frente a frente com a mãe que fez cara de desentendida. – Não adianta fazer essa cara, eu conheço você e aposto como tem dedo seu nessa história de Emma Swan aqui em casa, funeral...

— Não sei do que você está falando, querida. Acho que a viagem a deixou cansada demais, e esse reencontro explosivo com sua ex... Sei lá como vocês se chamavam.

— Eu só ainda não sei o porquê toda essa simpatia com ela... Quer dizer, será que você quer tanto me atormentar que fez um complô com ela contra mim?

— Como você pode dizer uma coisa dessas?! Eu sou sua mãe! Sempre fiz de tudo por você nessa vida! Sempre coloquei seu bem acima do meu próprio! – Cora exclamou indignada, parecendo profundamente magoada.

Se Regina não a conhecesse tão bem poderia até se comover e fingir que aquilo não passava de teatro. Também a conhecia bem o suficiente para saber que ela não entregaria o ouro e não adiantava insistir, então apenas assistiu o espetáculo de auto piedade da mãe com indiferença, até ela tirar um frasco do bolso do jeans que usava e virar um goela abaixo

— O que é isso? – Perguntou curiosa, esticando o pescoço tentando ver a etiqueta do frasco.

— Remédio. – Respondeu a mais velha dando de ombros fazendo Regina rolar os olhos para a resposta óbvia.

— Que remédio?

— Um dos que o médico me receitou.

— O médico disse que um dos motivos do infarto foi o abuso de medicamentos e a bebida... E o cigarro. – Disse ao mesmo tempo em que Cora pegava o maço de cigarros e acendia um cigarro entre seus lábios. – Você não deveria fumar.

— Ninguém deveria fumar. Por isso aquelas imagens horrorosas atrás dos maços que tentam mexer com a nossa consciência.

— É, uma pena que você não tem consciência... – Resmungou para si mesma.

— O que disse?

— Uh, nada. Só estou falando pelo seu bem. – Tentou nvamente com paciência. O incidente do infarto a deixara sensibilizada em relação a mãe. Por mais que sempre houvessem tido uma relação difícil, a possibilidade de perdê-la a abalara. – Porque eu me importo com você.

— Ligar no natal e no dia das mães agora merece esse nome, é? Se importar? – Rebateu a mãe de maneira debochada, com um risinho irônico. – Não minta pra mim, Regina. Você saiu de mim, e se tem alguém que a conhece melhor do que ninguém sou eu. Você não se importa. Precisei ter um infarto para você me visitar... Você quase nunca liga, está sempre ocupada! Mantém meu neto longe de mim... Você não se importa comigo, só está aqui porque está se sentindo culpada.

— Por favor, não vamos começar... Eu não quero discutir com você. – Disse determinada a encerrar a discussão e se poupar daquele velho discurso. Pegou as taças e se dirigiu até a sala de jantar com Cora em seu encalce trazendo os guardanapos.

— Que bom que sua hostilidade parece estar guardada só para Emma Swan esta noite, devo me sentir honrada ou menosprezada?

— Desde quando você é advogada dela?

— Desde que a presença dela faça o meu neto feliz. – Disse com um sorriso olhando em direção a sala de estar. – E você trate de se comportar de acordo com a sua idade e pare de agir como um cão raivoso neste jantar. Eu ainda sou dona dessa casa e ela, você querendo ou não, é minha visita, e ela não vai ser destratada até ir embora de manhã, está me ouvindo?

— De manhã??? Não era só um jantar? – Perguntou indignada pretendendo se manter o mínimo possível perto da mulher. Só ela sabia o quanto havia sofrido por sua perda, e mesmo depois de anos sem contato seu coração ainda bater descontrolado em sua presença, fazendo-a se sentir uma idiota maior ainda.

— Ela dirigiu o dia inteiro, não posso deixá-la pegar a estrada a noite.

— Por quê? O carro dela não tem farol?

— Regina! – Ralhou a mãe com as mãos na cintura fazendo Regina se sentir novamente com 12 anos. – Imagina se algo acontecesse a essa mulher... Henry não te perdoaria e pelo que eu bem sei nem você. O que foi? É muita tentação para vocês dividir um teto por uma noite sem que se engalfinhem por ai?

Regina não respondeu o comentário malicioso e de duplo sentido de sua mãe, apenas balançou a cabeça conformada, porém não satisfeita. Cora se aproximou passando a mão em sua bochecha.

— Portanto, minha garotinha rebelde, se comporte direito e se você merecer te deixo comer a sobremesa. – Regina acenou mais uma vez com a cabeça, o que Cora respondeu com dois tapinhas satisfeitos em sua bochecha. – Ótimo. Chame-os para jantar enquanto eu resolvo uma coisa lá fora.

Regina caminhou abraçando a si mesma até a divisória, se apoiando e permitindo-se assistir a cena mais uma vez da animada conversa entre Emma e Henry. A maneira como os dois pares de olhos verdes se encaravam cheios de carinho, e o garoto lhe falava animado enquanto ela prestava atenção nele, com um braço em volta de suas costas e o quanto aquilo parecia aquecer seu coração.

Por um momento ainda parecia estar olhando para sua família. Por um momento sentiu vontade de sentar no colo da loira e apoiar a cabeça em seu ombro e sentir seu cheiro de canela. Por um momento a saudade doeu tanto que seus olhos arderam e o coração apertou, para então as noites solitárias passadas em claro quando dormia exausta de tanto chorar voltarem à sua memória, a sensação de vazio que parecia esmagar seu coração, quase uma dor física.

— Mãe? – A voz um pouco mais alta de Henry a despertou de seus pensamentos. Regina olhou um pouco atordoada para os dois que tinham sua atenção nela. Engoliu a seco o nó na garganta, e forçou um sorriso débil para o filho.

— Sua avó está chamando para o jantar.

Henry e Emma acordaram Granny que havia cochilado na poltrona neste tempo e esperaram sentados à mesa o jantar ser servido por Cora. Regina manteve-se em silencio a maior parte do jantar, preferindo se concentrar em seu próprio prato do que trocar muitos olhares. As vozes mais ouvidas foram de Henry e da avó. Granny as vezes soltava algum comentário empolgado e Emma era chamada para a conversa mas suas respostas eram diretas e curtas de modo que sua voz também foi pouco ouvida.

Em um momento da noite Regina ousou olhar pelo canto do olho para sua ex-mulher, do outro lado da mesa, e para sua surpresa e choque os olhos verdes estavam fixados nela. Emma ainda arriscou um meio sorriso sem jeito antes de Regina fugir e voltar a encarar o próprio colo. Maldito sorriso insolente, maldita Emma Swan.

Depois do jantar, como já havia lhe dito que faria, Cora convidou Emma a passar a noite e partir pela manhã, tendo total apoio de Henry como já era de se esperar. Regina tentou não demonstrar emoções sobre o assunto, preferindo se ocupar em lavar a louça do jantar ouvindo de lá as insistências incansáveis do filho e da mãe e a relutância veemente de Emma em declinar ao convite. No fim a loira pareceu ter ganhado, e partiu sem se despedir dela.

Terminava de enxugar as próprias mãos quando pode ouvir o pipocar do motor do velho bug quando ela o ligou e o ronco do motor ir se tornando cada vez mais baixo conforme o carro ganhava distância. Já as vozes de Henry e Cora se aproximaram, Regina já se permitia soltar um suspiro aliviado quando um estouro, parecendo uma explosão assustou a todos. Todos partiram correndo para frente da casa, seguidos da própria Regina que ao chegar no hall encontrou Henry e Cora olhando assustados, para a entrada do rancho, onde o carro amarelo se encontrava parado envolto em uma densa fumaça acinzentada e a loira saía tossindo e espantando o máximo de fumaça a sua volta que conseguia.

— O que aconteceu? – Perguntou ela ainda ofegante pela corrida, assustada. Cora virou a cabeça para trás e lhe respondeu balançando os ombros

— Pelo jeito a bacia velha da Emma quebrou.

Notas finais
Faz muito tempo que não posto nem escrevo nada sobre Swan Queen, e dando uma geral nas minhas coisas no computador encontrei essa fanfic que tenho muitos capítulos escritos e por uma epifania resolvi postar. Acho que é uma coisa diferente das fanfics que leio sobre elas, que o fandom pode gostar ou não. Deixem-me saber suas opiniões :) Já esclareci na sinopse, mas mais uma vez reforço que se trata de uma história AU. Eu não reviso minhas histórias, por isso deve ser possível encontrar erros de digitação ou gramática que deixei passar na ansiedade de escrever há alguns anos atrás, mas acho que está bem compreensível. Long live Swan Queen.