Stubborn Love
2 I never forgot you - Parte 1
Regina mal pregara o olho durante a noite. Rolou na cama, com cuidado para não acordar Henry que dividia a cama de casal de seu antigo quarto com ela. Apesar de exausta fisicamente pela longa viajem pensamentos inquietos pipocando em sua cabeça. A vida é mesmo muito engraçada, malignamente engraçada, pensou. Foram precisos anos para enterrar os sentimentos por Emma Swan e apenas em um dia a loira já a fazia perder a noite de sono novamente.
Esperou até o sol mostrar-se para enfim desistir de seu descanso e ocupar a cabeça com coisas mais produtivas que afastassem pensamentos sobre sua ex-mulher. Tomou um banho quente, vestiu uma blusa simples e fresca de botão e calças negras de linho e resolveu descer para tomar o café da manhã. Na cozinha explorou os armários em busca de pó de café e preparou torradas com manteiga saboreando calmamente até barulhos de ferragens nos fundos casa despertarem sua curiosidade.
Olhando pela janela encontrou a culpada de sua insônia: Emma Swan. Ainda com shorts de pijama de costas para ela com a cabeça enfiada dentro do capô da banheira ambulante que ela insistia em chamar de carro. Pelo jeito sua teimosia e persistência não a deixaram dar-se por vencida. Mesmo depois de ficarem cerca de duas horas insistentemente tentando fazer o carro pegar na noite passada; empurrado, ligando e desligando, tudo sem o menor sinal de sucesso.
Regina balançou a cabeça revirando os olhos. Não entendia o porquê de tal inconformidade da parte da loira. Era um carro velho, ela tinha sorte de ter aguentado até ali e não ter parado no meio da estrada – Ela: Emma, definitivamente não era sorte sua ter que conviver com a ex-mulher como hóspede de sua mãe – ou em algum lugar deserto onde seria difícil conseguir ajuda. Cora já havia se oferecido para rebocar o carro até a oficina de Michael no dia seguinte, onde ele poderia dar uma olhada e dar seu diagnóstico. Regina já tinha seu próprio palpite: Ferro velho.
Do ponto de vista que estava Regina tinha uma visão privilegiada dos braços fortes da loira que se apoiavam no capô levantado enquanto ela examinava o motor sem que Emma a percebesse e ela tivesse que desviar o olhar como fizera todas as vezes na noite anterior. Podia ver as coxas torneadas expostas pelos shorts curto, a cintura fina e o quadril proporcional. Não pode evitar o arrepio involuntário estremecer seu corpo ao lembrar-se daquele quadril encaixado no seu, pernas enlaçadas nas suas e dos braços que sempre souberam o momento certo de serem firmes ou ternos com ela.
O suspiro audível lhe escapou antes que ela pudesse pensar em controlar. Foi baixo, mas o silêncio da manhã era tão frágil que foi o suficiente para quebra-lo e chamar a atenção de Emma que instantaneamente ergueu a cabeça esquecendo-se do capô que ainda estava sobre ela.
— Merda! – Reclamou massageando o lugar da batida, enquanto virava o corpo para trás e encontrava Regina paralisada com olhos arregalados, pega no flagra. Emma acenou com a mão com um sorriso sem jeito. – Bom dia.
Regina sentiu-se ainda mais constrangida e estúpida por estar ali postada espionando e tendo pensamentos indiscretos sobre sua ex-mulher consertando sua lata velha às seis e meia da manhã. Devolveu-lhe um sorriso pácido, jeito de quem fora pega e tratou de sair dali antes que as bochechas pegassem fogo.
Sentou-se novamente no balcão que dividia a cozinha no meio, comendo o mais rápido que conseguia, com esperança de ter a sorte de terminar seu café antes que Emma desistisse de tentar consertar seu carro e tivesse que encará-la depois de suas olhadelas lascivas. Como sempre a sorte mostrou-se uma inimiga de Regina.
— Hei.
— Hei. – Respondeu, se concentrando em passar manteiga em suas torradas como se tivesse pitando uma obra de Monet.
— A merda do carro... eu não sei o que aconteceu! Estava perfeito e de repente não quer funcionar de jeito nenhum. – Disse enquanto preparava uma tigela de cereais com leite e se sentava diante de Regina – Desculpa a “porcaria” do carro. – Se corrigiu, provavelmente lembrando-se o quanto seu palavreado sempre fora censurado por Regina.
Regina não sabia o porquê Emma Swan achava que elas poderiam conversar como se fossem amigas de novo, mas tinha total intenção de cortar qualquer aproximação e evitar contato. A olhada pela janela havia sido um deslize, um acidente que Regina pretendia não deixar se repetir.
— Sabe, eu fiz a revisão completa antes de viajar. – Tentou novamente na falta de resposta da morena, falando de boca cheia, modos que pelo jeito ainda não tinha superado. – O mecânico disse que estava perfeito, que se eu quisesse poderia ir até o México com ele.
— Imprevistos acontecem, carros são assim mesmo vivem dando problemas, ainda mais um... Modelo antigo como o seu.
— Sem essa, Gina! Sem antigos preconceitos com o meu carro. – Emma só percebeu o que tinha dito depois que os olhos de Regina já estavam arregalados sobre ela em uma mistura de ódio e choque. O sorriso morreu em seus lábios, e seus olhos se tornaram baixos enquanto ela balbuciava pedidos de desculpas. – Eu sinto muito, eu não... Eu não percebi... Eu...
Já estava feito. Regina não se atreveu à olhar para seu rosto e ter que encarar seus olhos, já doía demais ter ouvido o apelido carinhoso que lhe chamava saindo de sua boca, então apenas acenou a cabeça positivamente, antes de abandonar de vez das torradas e deixar a cozinha em silêncio sem olhar para trás.
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Henry foi deixado para trás quando a avó finalmente levou sua mãe Emma para consertar seu carro na cidade e sua outra mãe parecia estar se divertindo profundamente desarrumando suas malas e organizando-as em armários mesmo que fossem ficar só uma semana. Henry preferiu se deitar na sombra mais fresca que conseguiu encontrar com a companhia de seu PSP. No fim acabou nos galhos de uma das árvores encostadas na cerca da fazenda que separavam a propriedade da estrada de terra que os levara até ali.
Depois de acomodado perdeu a noção do tempo entretido demais em seu jogo e inerte a tudo ao seu redor até a bateria do vídeo game portátil acabar. Mesmo assim, Henry ficou um tempo olhando para o nada pensando em suas mães, e o quanto por mais que elas tentassem esconder, era perceptível que ainda havia algo entre as duas. Não entendia como as coisas podiam ser tão complicadas de serem resolvidas. Adultos eram confusos, suas mães ainda mais.
— Hei. – Henry ouviu em algum lugar e virou-se na árvore procurando de onde vinha o chamado. – Aqui embaixo.
Foi a primeira vez que Henry a viu. Jurava que mesmo se passassem mil anos ainda ia conseguir lembrar-se de cada detalhe de seu rosto, naquela tarde ensolarada que a obrigava a espremer os olhos para poder falar com ele. Ele era sortudo por ter uma visão clara de seu rosto vermelho da corrida de bicicleta, as sardas salpicando suas bochechas e como os cabelos claros dançavam em sincronia com o vento.
— Ei, eu estou falando com você. – Ela insistiu diante seu silencio admirado. – O que você está fazendo ai em cima?
— Eu.. Eu... – Henry parou e respirou fundo, tentando soar confiante e não um idiota. – Eu estava jogando PSP, mas acabou minha bateria.
— PSP? – Perguntou ela franzindo as sobrancelhas.
— Sim. É um vídeo game portátil da Sony.— Ela balançou a cabeça não parecendo muito impressionada. Pelo jeito não tinha ideia do que se tratava.
— Nunca vi você por aqui. É novo na cidade?
— Não. Eu vim do Maine, de uma cidade pequena chamada Storybrooke. Vim visitar minha avó, ela mora aqui. Cora Mills, você conhece?
— Todo mundo conhece Cora Mills. Meu pai diz que é uma louca histérica que se acha dona do mundo. – O comentário foi tão honesto que Henry não teve como retrucar. Sabia que a avó era uma pessoa difícil. Se ela tinha dificuldades em se relacionar com a própria filha não era de se admirar que não tivesse muitas amizades na cidade também.
— Bom, ela é legal comigo. – Respondeu a única coisa que parecia adequada ao que a garota deu de ombros.
— Eu tenho que ir, neto Mills. – Disse dando uma meia lua com sua bicicleta e lhe lançando um sorriso de adeus antes de se afastar pela estrada, fazendo Henry se inclinar para poder vê-la até que ela sumisse em uma curva mais a frente. Só depois, no caminho da casa que ele se lembrou com um sorriso bobo nos lábios que não havia nem perguntado o nome dela.
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Emma sentiu um aperto no coração em ter que deixar seu precioso sob cuidados de mãos desconhecidas, apesar de Michael ter sido atencioso e parecer um bom profissional. Ele lhe disse que demoraria no máximo dois dias para entregar o orçamento do conserto, ao que Emma respondeu com uma careta e um resmungo. Dois dias de espera significavam mais dois dias de estadia no rancho dos Mills. Não que fosse tão ruim assim ficar com seu filho, fora o fato da fazenda ser um lugar lindo. Em outra situação teria adorado mais alguns dias de descanso naquele lugar, mas com certeza não naquela.
Não quando a ex-mulher parecia prestes a mata-la usando apenas seu olhar fulminante, ou quando pior ainda, ela parecia determinada a fingir que Emma não existia. A indiferença de Regina lhe doía e irritava mais do que seu ódio.
Ela até achara por um momento naquela manhã que a “Soberana Rainha da Superioridade” havia baixado um pouco sua guarda para que elas pudessem pelo menos trocar algumas palavras sem farpas e indiretas rancorosas – até tivera a ligeira impressão que Regina a estava regulando enquanto estava dando uma olhada em seu carro naquela manhã — mas mesmo sua sucinta tentativa de trégua na cozinha, fora combatida como se Emma fosse um inseto irritante que Regina mal podia dividir mesmo ambiente.
Emma também dera sua colaboração para o fracasso de suas interações chamando-a pelo antigo apelido carinhoso que costumava usar quando eram casadas. Sentia-se uma completa estúpida pelo feito, mas havia sido algo involuntário. De repente estar trocando meia dúzia de palavras sem ofensas com Regina enquanto tomavam café da manhã soara tão familiar, tão confortável que Emma havia se esquecido de que a morena a odiava. E que ela claro, também tinha seus ressentimentos com Regina, apesar de Emma admitir que tivesse dificuldades em se lembrar disso quando Regina estava tão perto e tão bonita como sempre tendo o mesmo poder sobre ela do que nos velhos tempos.
Caminhou pela avenida única que era chamada de “Centro” pelos moradores de Applestown, dando uma rápida olhada nas modestas lojas pequeninas e bem arrumadas, comuns de uma cidade do interior. Cora havia lhe dito que se encontrassem em frente à biblioteca, mas que ela poderia demorar um tempo, pois tinha alguns assuntos a tratar. Ao contrário da filha e do que sempre fora, a simpatia da ex sogra ainda persistia. No almoço não cansava de puxar assunto com Emma, oferecendo sorrisos cada vez mais largos a cada comprimido que ingeria como se fossem balas drops enquanto Regina se empenhava em ignorar as duas.
O cheiro de café quentinho a levou a entrar em uma lanchonete que exibia em sua vitrine bolinhos caseiros, aparentados recém-tirados do forno ainda fumegantes. Mesmo que tivesse acabado de almoçar, Emma não resistiu e pediu dois acompanhados de um café antes de escolher uma mesinha encostada na parede onde pudesse comer.
Logo outros como ela também pareceram serem atraídos pelo cheiro de bolinhos e o local se tornou apertado e cheio de conversas de pessoas que se espalhavam em seus grupinhos e sentavam-se nas mesas ao seu redor. Um desses grupinhos com 3 senhoras de meia-idade que se sentaram atrás de Emma de modo que ela conseguia ouvir toda a conversa que tinham sobre a volta da filha dos Mills para a cidade.
— Disseram que filha de Cora Mills está de volta na cidade, como é o nome dela mesmo? – Disse a voz de uma delas.
— Regina. – Respondeu outra voz. – Trouxe o filho com ela, mas nenhum marido... Mãe solteira. Deve ser uma depravada como a mãe. Pobre Henry Mills, que Deus o tenha. Não é de se surpreender que não tenha aguentado e tenha... Vocês sabem.
Emma ouviu um momento de silêncio com as sobrancelhas franzidas. Henry Mills tinha tido uma parada cardíaca até onde ela sabia, e por mais que viver com Cora Mills poderia ser estressante até mesmo para Dalai Lama, ela achava que depois de quase quarenta anos ele já estivesse acostumado. Além do mais, Regina sempre fora motivo de orgulho para seu pai; advogada conceituada, mesmo de longe defendendo os interesses dos negócios da família... Duvidava que o fato dela ser “mãe solteira” havia pesado alguma vez no conceito de seu pai.
Henry sempre apoiou a felicidade de Regina. Amava o neto que recebera seu nome, gostava de Emma, e desde o começo não só apoiou o relacionamento de sua filha com uma ex-presidiária e seu filho, acolhendo o garoto como seu próprio neto, como se não fosse por ele, Regina e ela talvez nunca tivessem ficado juntas.
— Dizem que ela não gosta... Que era casada com uma mulher. – O assunto recomeçou atraindo ainda mais a atenção de Emma na conversa por agora estar sendo envolvida. Sabia que sua orientação sexual não era muito bem aceita, ainda mais em cidades pequenas como aquela, e achava no máximo divertido comentários antiquados e preconceituosos.
— Uma mulher? – Disseram outras duas em unissom.
— Mas o filho... É da mulher também?
— Como elas...?
— Sabem-se lá as perversidades que essa gente faz na cidade grande... O mundo está perdido! A garota sempre foi arrogante como a mãe, metida... Lembram-se do garoto? Pobre garoto... Ela e a mãe acabaram com a vida dele.
— É uma aberração, libertina. – Poucas vezes na vida se incomodara com ofensas à sua orientação sexual. Poucas pessoas tiveram opinião que verdadeiramente lhe importassem, e com o resto na maioria das vezes ela simplesmente balançava os ombros e cabeça antes de se retirar. Entretanto, todas aquelas ofensas sobre Regina fez seu sangue ferver e a o punho se apertar com tanta força que esfarelou o bolinho esquecido em sua mão.
— Imaginem que tipo de criança deve ser... – Emma não suportou mais nenhuma palavra e inconscientemente desferiu um soco sobre a mesa de madeira que tremeu e fez um barulho suficiente para que chamasse a atenção das três e elas se calassem. Percebeu que os ombros tremiam quando uma mão larga lhe tocou no mesmo instante em que ela virou a cabeça bruscamente em direção ao dono dela.
— Agente Swan. – Disse o par de olhos gentis e sorriso fácil que Emma encontrara no dia anterior.
— Xerife. – Ela o cumprimentou enquanto ele rodeava a mesa e apontou para o lugar vago de seu lado oposto.
— Tem alguém sentado aqui?
— Não. Vá em frente. –Disse ela sacudindo os ombros e massageando a nuca tentando livrar-se da tensão que se instalara sobre si enquanto o homem se sentava trazendo seu próprio bolinho e xícara de café.
— Pelo jeito você não gostou muito do seu. – Disse apontando para as migalhas e o resto de um bolinho despedaçado em seu punho apertado. Ema balançou a cabeça com um meio sorriso, mas as palavras venenosas das mulheres ainda nublavam seus pensamentos. – Tive a impressão que estava de passagem ontem, não achei que pretendia ficar.
— Nem eu. – Disse ela lembrando-se da data mínima estipulada por Michael. – Pra começar eu nem deveria estar aqui. Houve uma confusão, ontem eu deveria estar no enterro de Cora Mills. Mas advinha? Eu atravesso o país e descubro que ela está mais viva do que eu e você, tomando whisky, servindo bolinhos e fumando como uma chaminé.
— Confusão e Cora Mills me parecem quase sinônimos. – Disse ele devorando uma boa parte de seu bolinho arrancando uma curta risada de Emma.
— Provavelmente tem uma foto dela no dicionário na palavra. – Foi sua vez de arrancar um riso dele, e ela se lembrou o quanto era agradável admirá-lo sorrir.
— A propósito meu nome é Graham. – Disse ele estendendo-lhe a mão em cumprimento ao que Emma aceitou. – Acho que já que agora é uma residente temporária deve saber o nome da autoridade local. Ainda mais sendo amiga de Cora Mills. Sabia que só isso já seria motivo o suficiente de eu mantê-la sob custódia?
— Vou tentar me manter longe de encrencas nesses dois dias em que pretendo ficar. – Disse ela em meio a risos. Emma descobriu que era fácil conversar com ele; era uma pessoa cativante e engraçada, fácil de gostar.
— Sendo amiga da Sra. Mills? Eu duvido. Encrenca é outro sinônimo de Cora Mills.
— Ela não é muito popular na cidade pelo que eu andei escutando...
— É... Ela é um pouco extravagante, excêntrica... – Disse ele medindo as palavras.
— Não precisa ser efêmero, eu conheço bem a peça.
— Bem, o que dizer sobre ela... É uma completa doida de pedra. – Disse ele dramaticamente, parecendo aliviado por ser sincero. – Eu não deveria estar te falando isso, mas como é colega de ofício podemos fingir que você faz parte do caso...
— Vá em frente. – O encorajou com a curiosidade desperta enquanto ele parecia esperar um incentivo para dar continuidade a sua história.
— Na semana passada Cora passou alguns dias no hospital por causa de um infarto. – Disse ele se inclinando para frente e adotando um tom de voz mais baixa. – Além do fato de quase enlouquecer as enfermeiras e ser pega tentando arrombar o depósito de medicamentos nas três noites em que esteve por lá, no dia em que ela recebeu alta fui chamado por causa de uma denúncia: Uma das enfermeiras alegava com absoluta certeza de que a Sra. Mills estava contrabandeando um frasco de Valium de dentro do hospital na... Lá...
Demorou alguns segundos para entender que o gesto exagerado com os olhos apontando para baixo da mesa do xerife se referia as partes íntimas de Cora Mills. Emma tentou imaginar a cena por um momento, mas desistiu logo em seguida, chocada demais para tal coisa.
— E então? – Disse ela depois de digerir a informação, querendo saber o desfecho da história. – Você a revistou?
— Por Deus, não! – Negou com pressa, balançando a cabeça com uma expressão horrorizada fazendo Emma gargalhar. – Isso seria... Seria... Não consigo nem imaginar como seria!
Emma riu sabendo que aquilo era algo totalmente cabível quando se tratava de sua ex-sogra. Também pensou que talvez isso explicasse em parte sua ida até ali – Cora realmente havia tido um problema de saúde, só aumentaram o infarto para a proporção dramática de um óbito. Compreensível, pensou com ironia. Só havia a pequena diferença que Cora estava respirando bem viva e saudável, o suficiente para continuar aprontando das suas.
Também explicava a presença de Regina ali. Sabia que a ex-mulher só viria em um caso de emergência. Provavelmente viera assim que conseguira para cuidar da mãe, afinal eram a única família que tinham e por mais que achasse que a ideia não agradava a morena, ela não deixaria a mãe recém-infartada sob os próprios cuidados. Conhecia Regina bem demais para saber que por detrás da fachada durona e impenetrável que ela gostava de manter havia um bom coração generoso e amável. Por isso as palavras sobre ela que acabara de ouvir ainda vagueavam em sua cabeça soando tão injustas. Emma havia xingado Regina em pensamento milhares de vezes ao longo desses anos, mas isso era algo que só Emma sentia-se no direito de fazer.
— Você não acreditou na história? – Perguntou o xerife ao notar seu semblante pensativo. – Porque se não acreditar eu vou compreender, nem eu queria acreditar nesta história pra falar a verdade.
— Não é isso. – Disse ela meneando a cabeça. – É só que... Eu sei que ela é excêntrica, complicada, problemática e tudo mais... Mas eu realmente não gostei de algumas coisas que ouvi sobre as Mills por aqui. Eu sei o quanto ela e Regina podem ser um pouco difíceis, mas...
— Acho que sei do que está falando. – Graham cruzou os braços sobre a mesa e adquirira um ar reflexivo. Emma só esperava que ele também não começasse a criticar ou ofender Regina, porque por mais que estivesse gostando e se divertindo em sua conversa ela sabia que isso seria o suficiente para fazer toda sua simpatia pelo gentil xerife desaparecer.
— As pessoas falam da Regina sem realmente conhece-la, sabe. Sempre houve muita pressão em cima dela desde que ela era muito nova só por ser uma Mills. Muita cobrança, muita expectativa de todos os lados... Regina se sentia sufocada com todas as atenções voltadas para ela, e duvido que ela gostasse disso. Além do mais, se Cora Mills já é uma pessoa complicada para nós imagine ser filha da peça... Regina tinha que ser boa em tudo para mostrar para mãe e para a cidade que ela era o suficiente. Ficava a maior parte do tempo reclusa, principalmente depois do que aconteceu com o garoto do estábulo... Essa arrogância que as pessoas lhe atribuem era muito mais solidão do que pensam. Regina nunca pareceu pertencer a essa cidade.
Já era a segunda vez aquele dia que Emma ouvia sobre algum acontecimento sobre tal “garoto”, mas no momento isto foi ofuscado pelo fato dela estar intrigada de como aquele homem sabia tanto sobre Regina. Por mais que a cidade fosse pequena e fosse normal todo mundo conhecer todo mundo, aquela descrição soara íntima demais para que ela não se sentisse incomodada.
— Uau, você realmente parece saber bastante sobre Regina Mills... – Sabia que aquilo não devia lhe incomodar tanto quanto estava incomodando, mas não conseguia conter o nó em seu estômago e o gosto amargo do ciúme em sua boca. Sempre tivera um pouco de ciúmes de Regina, mas isso era antes, quando ela tinha razão por ser alguma coisa sua, não agora quando já não eram mais nada.
— Bom, nós éramos muito próximos... – Ele deu de ombros. – Eu fui seu namorado.
Emma foi pega de surpresa. Largou o corpo sobre o encosto da cadeira com sobrancelhas erguidas, com dificuldades em digerir a informação do Xerife.
Olhando atentamente agora ele nem parecia tão bonito, o sorriso era fácil demais e o humor era tosco. Não conseguia entender como aquele tipo havia atraído Regina, mesmo se tratando de uma adolescente. Nunca achou que Regina era o tipo de garota que se derretia por bonitões... Era mais fácil imaginá-la cuspindo na cara de tipos como Graham do que os beijando.
Ou talvez não. Pouco sabia sobre a juventude de Regina, se fosse sincera. A ex-mulher nunca gostou muito de falar sobre seu passado e como Emma também não fazia muita questão de falar mais do que o necessário do seu próprio não fazia muito sentido se perderem em detalhes sobre o passado de ambas. Agora, porém, com aquela revelação e os comentários das mulheres da cidade não podia negar a curiosidade de saber mais sobre a Regina adolescente.
— Interessante. – Disse ela com uma mistura riso irônico e um suspiro debochado. – Estou surpresa. Sem querer ofender, mas eu só achei que... Sei lá, você não me parece ser muito o tipo da Regina.
— O que você quer dizer? – Disse ele cruzando os braços sobre o peito e recostando-se no seu assento estranhando seu tom, porém educado demais para demonstrar abertamente.
— Bom, quer dizer, pelo que eu conheço dela e pelo que percebo em você eu não consigo ver algo entre vocês dois funcionando. – Emma balançou os ombros casualmente, antes de tomar um gole de seu café, sabendo o quanto estava sendo rude, porém mais preocupada em expurgar o veneno do ciúme irracional por um ex-namorado da sua ex-mulher dentro de si. – Ela é tão... E você tão... – Disse gesticulando com as mãos, dando a entender que achava Regina muito superior ao nível de Graham.
O xerife ainda olhava para ela esperando uma resposta esclarecedora, Emma revirou os olhos o achando mais estúpido por isso.
— Isso soou ofensivo.
— Eu disse "Sem ofensas" — Disse como se isso fosse o suficiente para defendê-la de seu tom rude. Graham já não era um cara legal ou bonito, para ela. Emma só conseguia enxergá-lo como um rival, mesmo que o namoro tivesse sido antes dela entrar na vida de Regina. Infernos, ela é a minha garota, pensou para no momento seguinte se sentir mal por isso. Não, ela não era. Já faziam mais de sete anos que não era, mais de sete anos que Regina a expulsara de sua vida e Emma não tentara contestá-la. Não havia lutado por ela. Sua garota, o amor da sua vida.
— Eu tenho que ir, me desculpe. — Disse antes de sair apressada, sem olhar pra trás, tentando segurar as lágrimas nos olhos que ainda nasciam quando pensava em tudo aquilo e na dor real que ainda era capaz de sentir por Regina e seu relacionamento falido.
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