Stubborn Love

5 Breaking Your Walls


Cora desceu da caminhonete com a bolsa pendurada em seu braço esquerdo e um potinho de Zanax segurado com força na mão direita. Enrolou dois comprimidos na língua e os engoliu a seco antes de caminhar para dentro da Oficina de Michael. De longe viu o fusca amarelo de Emma o único automóvel no lugar e Michael debruçado sobre o capô aberto do carro e caminhou até eles, sendo percebida pelo mecânico já a centímetros do fusca.

— Boa tarde, senhora Mills. – Disse ele com um sorriso receptivo. – Eu apertaria suas mãos, mas elas estão sujas de graxa por causa do trabalho.

— Oh, Michael, não se preocupe com isso. Apenas em fazer um bom serviço no carro da minha nora. – Respondeu-lhe com simpatia prestando atenção nos fios em que Michael mexia. – E então, é muito grave?

— Na verdade é bem simples, senhora Mills. Uns cabos da parte elétrica parecem ter sido derretidos por alguma coisa, que eu sinceramente não tenho idéia do que pode ter sido, mas que são muito simples de serem reparados. – Michael lhe respondeu otimista, com certeza pensando que se tratava de uma boa notícia para ela. – Pode dar as boas notícias para a senhorita Swan de que amanhã mesmo o filho dela aqui já vai ter alta.

— Mas já?! Você tem certeza? – Perguntou Cora preocupada e nem um pouco satisfeita. – Quero dizer, eu sei que você faz um ótimo trabalho com os carros, Michael... Mas eu não quero que de maneira nenhuma Emma corra nenhum risco deste carro falhar na estrada ou algo que ameace a sua segurança.

— Pode ficar tranquila, Sra. Mills, o carro está inteiro e apesar de antigo é bem conservado

— Mas, mas... – Cora sabia que tinha que agir e sabia exatamente como proceder. Na verdade ela já fora ali sabendo que teria que intervir de alguma maneira. – Michael, eu realmente esperava que fosse levar mais um tempo para você avaliar com mais atenção o carro da Srta. Swan e me dar certeza de que ele está em perfeitas condições.

— Olha Sra. Mills, eu entendo sua preocupação com Emma Swan, mas eu confio no trabalho que faço. – Pela expressão de Michael o mecânico não estava satisfeito com sua abordagem. Ele lhe virou as costas e caminhou até a pequena sala separada por paredes finas da real oficina e sentou-se na sua cadeira, e só pareceu se dar conta que sua resposta direta não havia dispensado a mulher mais velha quando ela ainda sorria placidamente em pé na frente de sua mesa.

— Sra. Mills... – Disse ele em um suspiro, mas antes que pudesse continuar Cora o cortou com apenas um gesto.

— Olha Michael, acho que posso ter sido mal interpretada no que disse. – Disse deslizando sua mão sobre a mesa de madeira aproximando-a do homem até deixar a vista o bloco de notas verdes com cerca de um centímetro encostado em sua mão. – Eu confio muito em seus serviços, e por isso trouxe o carro da Srta. Swan até você, porque sabia que estaria em boas mãos. Mas eu me importo muito com a minha família e gostaria que você pudesse dar uma olhada, talvez mais algumas olhadas no carro dela.

Michael olhou do bolinho de notas para Cora que exibia seu sorriso mais amável possível, e novamente para o bolinho de notas. Demorou alguns segundos para o homem simples se dar conta do que se tratava a situação.

— Acho que não faz mal ter certeza de que o carro está em boas condições.

— Não tenha pressa, querido. Ninguém aqui está desesperado, Emma está bem guarnecida. Pode cuidar de seus outros serviços, tenho certeza que você tem outros carros que precisam mais da sua atenção do que este.

— Talvez eu possa ter que demorar um pouco mais pra liberá-lo, então. – Cora não pode evitar de sorrir quando ouviu exatamente o que queria. – Talvez uns 4 dias a mais?

— Uma semana talvez nos dê maior garantia de que está tudo bem com o carro. – Michael não pensou muito antes de concordar positivamente. – E ah, Michael... Eu fico um pouco constrangida de demostrar minha preocupação para minha família, tenho certeza que se a Srta. Swan vier até você, você não dirá uma palavra da conversa que tivemos.

E como para garantir mais um bloco de notas da metade da grossura do primeiro foi posto à mesa com mais um sorriso largo de Cora. Michael sorriu-lhe de volta enquanto pegava o bloco de notas e concordava com a cabeça e Cora desfilava para fora da salícula com a satisfação de como sempre, conseguir o que queria e a sensação de missão cumprida. Pelo menos aquela parte da missão.

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A tarde de Emma foi no monótona e vazia. Henry havia negado seu convite para explorar a propriedade com ela após o almoço, saindo com seu joguinho na mão apressado. Emma se perguntou que coisas um garoto tão urbano como Henry teria para fazer naquele lugar, mas não questionou o garoto. Logo depois Cora apareceu arrumada, com as olheiras escondidas por baixo de uma maquiagem falando que teria que ir até o centro resolver alguns assuntos. Como ela não convidou e Emma, a loira não se sentiu à vontade para ficar pedindo coisas para Cora além do teto e comida que ela estava gentilmente – Sim, gentilmente e Cora na mesma frase, sendo predicado e sujeito sem irônia! Nem Emma conseguia se acostumar com a ideia – lhe oferecendo. Emma se contentou em ser deixada para trás enquanto todos pareciam muito ocupados com suas vidas, incluindo Regina que não dera as caras desde que saíra de manhã pra cavalgar com o xerife Simpatia.

Ela tentou dar um jeito em suas malas, de modo que não ficassem tão desorganizada, mas isso não lhe distraiu por muito tempo. Quando desceu as escadas para o andar térreo novamente fez um sanduíche e sentou-se na sala de estar sentindo-se vigiada pela quantidade impressionante de cabeças empalhadas pelas três paredes do lugar. Nunca passou pela cabeça que a caça era um hobby de uma pessoa tão serena quanto Henry Mills, mas com a quantidade de cervos que tinha na sala, Emma suspeitava que conseguiria encher uma reserva.

Além dos cervos haviam muitas fotos desbotadas e desgastadas pelo tempo por todos os cantos do cômodo. Boa parte delas mostravam uma Cora jovem, que apesar de não ter muitas características físicas com Regina tinha o mesmo olhar penetrante, o sorriso de lado encantador e mesmo tão nova tinha uma postura régia de uma mulher poderosa. Em muitas dela estava com Henry avô que tinha um sorriso largo transmitindo bondade e humildade. Foi impossível Emma não sentir o pesar de sua morte novamente mesmo depois de anos do ocorrido. Por mais que ela e seu ex-sogro não tivessem tanto contato mesmo no tempo em que ela e Regina estavam juntas, sempre foi uma pessoa que Emma gostava de estar perto, e agora, vendo-o nas fotos e relembrando o quão incrível era o Sr. Henry Mills não pode evitar uma saudade agridoce lhe invadir.

— Ele foi a pessoa mais incrível que eu já conheci e provavelmente vou conhecer na minha vida toda. – A voz rouca de Regina a fez virar-se para a entrada do cômodo onde Regina abraçava a si mesma encostada na divisória que separava a sala de estar da sala de jantar.

Emma deu um meio sorriso e deu mais uma olhada na foto onde Henry avô estava em pé embaixo de uma enorme macieira com Cora encostada em seu ombro, antes de colocá-la acima da lareira onde estava e disse a primeira coisa que lhe veio a cabeça:

— Eles formavam um casal bonito. – Regina deu um meio sorriso olhando para o assoalho e sacudiu os ombros. – E parece que eram felizes.

— Bom, as aparências enganam, e minha mãe sempre foi uma pessoa de aparências, então... – Disse ela com um riso amargo. – Sempre brigaram muito.

— Talvez seja um bônus que venha com as mulheres Mills. – Disse ela depois de ponderar um pouco e lembrar do passado com Regina, a sua mulher Mills. ­­– Talvez isso não tenha impedido que fossem felizes da maneira como nós fomos. Bom, pelo menos eu fui.

Poderia ter sido mais um momento em que os olhos de ambas se grudavam como imãs e a eletricidade entre elas fluía quase palpável pelo ar e elas quase pudessem se comunicar sem qualquer sílaba ser dita. Esses olhares que desde sempre entregaram ambas e faziam com que qualquer briga, discordância ou problema fossem insignificantes perto do amor que sentiam uma pela outra. Mas isso foi antes, há muito tempo atrás quando Regina ainda não a odiava e mantinha o contato visual com ela por mais de cinco segundos.

— Eu sinto muito não ter ligado quando aconteceu. – Desabafou Emma um arrependimento que ela negara até para si mesma durante todos esses anos. Sempre usou o ódio de Regina como justificativa para sua atitude, mas só agora sabia o quanto havia sido egoísta e estúpida.

— Não tinha como você saber, eu também deveria ter ligado... – Em outro momento, em qualquer outra situação Emma se deleitaria em ouvir Regina a senhora dona da razão admitir estar errada em alguma coisa. Mas aquela disputa de ego parecia algo tão pequeno e sem significância perto da vida do homem que foi o mais próximo de um pai que Emma teve, mesmo que por um curto espaço de tempo. Perto da dor que Regina deveria sentido na morte dele.

— Não importa. Eu deveria ter feito quando Henry me falou, deveria ter ligado pra você. – Disse Emma se aproximando ficando frente a frente com Regina, impedindo-a de fugir de seus olhos e mostrando-a a sinceridade de suas palavras. – Eu deveria ter prestado meus sentimentos, mostrado que me importava porque eu realmente me importei.

— Sinto falta dele. – Desabou a morena com os olhos cheios de lágrimas, que logo escorreram para suas bochechas. – Sinto tanta... Eu gostaria de ter dito tanta coisa, de não ter me mantido tão afastada. Talvez se eu não estivesse tão longe ele ainda estivesse aqui.

— Não diga isso, Regina. – Disse fechando o espaço entre elas. Talvez se Regina não parecesse tão frágil não pareceria tão fácil ou natural Emma segurar seu braço de maneira reconfortante. A própria Regina não pareceu estar incomodada com seu gesto, ou então estava tão mergulhada em sua tristeza que sequer reparou. – Você não pode se culpar por isso, ninguém poderia prever ou evitar um ataque do coração.

— Ataque do coração? – Regina olhou-a confusa através dos olhos vermelhos.

— Sim. Henry disse quando foi passar as férias comigo que o avô tinha ficado doente do coração. Eu supus que fosse um ataque cardíaco. – Regina desviou os olhos para os próprios pés, e Emma entendeu que havia alguma coisa errada ali. – Foi um ataque cardíaco, não foi?

Regina olhou para ela e sua expressão a denunciou. Emma franziu as sobrancelhas, lembrando-se do que havia escutado na lanchonete pelo grupo de senhoras fuxiqueiras no dia anterior e das palavras de agora de Regina sentindo-se perdida.

— Regina, o qu-...?

— Estou em casa! Vistam suas roupas queridas, o horário ainda não permite indecências! – A voz de Cora ecoou pela casa e logo em seguida sua gargalhada extravagante desviando a atenção de ambas para a porta. Emma não se mexeu ainda esperando uma resposta de Regina, mas a morena parecia ter vestido mais uma vez sua armadura anti-Emma. Na vez seguinte que seus olhos se encontraram Emma só encontrou frieza nos castanhos novamente. Regina limpou os rastros de lágrimas que ainda restavam em sua face, e com um gesto afastou as mãos de Emma de seu braço, fazendo-a recuar dois passos ao mesmo tempo em que Cora foi de encontro com as duas;

— Hm, olhem só! – Emma instantaneamente percebeu que ela estava mais uma vez chapada de remédios antes mesmo de colocar o braço sobre o ombro de cada uma das mulheres que continuavam frente a frente. – Vejo que já estão bastante próximas... Consigo sentir o cheiro do couro estalando daqui.

— O único cheiro que eu sinto é o cheiro de uma hipocondríaca viciada que passa mais tempo fora de sí do que sóbria. – Regina cuspiu as palavras tirando o braço esquerdo da mãe de seu ombro rispidamente e subindo as escadas deixando Emma ainda intrigada, tentando entender as recentes informações e atitudes de Regina.

Pelo que percebia, havia muito mais segredos empurrados para baixo dos tapetes dos Nobres e Tradicionais Mills do que ela poderia imaginar.

Notas finais
Queridas leitoras, primeiramente gostaria de agradecer por todos os comentários deixados por vocês! Sério, eu li cada um deles exultante com ainda mais vontade de postar novos capítulos! Muito obrigada por esse tempinho de vocês, acho que toda escritora de fanfic deve concordar comigo que as vezes menos de 5 minutos lendo um comentário positivo e uma opinião sobre a nossa história faz um up gigante na nossa vontade de escrever e inspiração, por isso de coração, vocês me fizeram muto feliz numa semana caótica! Segundo gostaria de em desculpar por esse capítulo mais enxuto, mas minha semana não foi das melhores. Juntaram problemas familiares com 3 provas e eu virei praticamente um zumbi, rs. Espero que gostem e não desistam de mim nem da estória. Até a próxima :*