Stronger feelings
41 Capítulo 41
Notas iniciais
Encolhi mais um pouco contra o canto da parede, puxei a camisola tentando fazer com que ela me cobrisse um pouco mais meu corpo, mas não adiantou muito. Estava frio, aquela camisola curta e tão fina não me protegeria da baixa temperatura que fazia ali dentro.
Movimentei-me e no mesmo segundo em que fiz isso meus braços e troncos doeram. Tal dor foi tão forte e intensa que precisei juntar meus lábios com força para não gritar ali mesmo. Ao erguer a cabeça notei que meus punhos estavam presos um ao outro por um enforca gatos. Meus braços levantamos de maneira que, a posição na qual eu me encontrava fosse tão desconfortável que ao simples movimento feito era como se ele todo fosse ferido. Bati as duas pernas no chão, tamanha era a minha frustração com tudo aquilo.
Sinto uma dor nas mesmas áreas em que ele me feriu antes, o sangue recente escorria das minhas coxas deixando claro que ele me feriu mais uma vez; aproveitando que eu não faria nada para impedir que aquilo viesse a acontecer.
— Eu não aguento mais isso… — Choramingo, soltando um longo suspiro, estava completamente cansada, exausta daquilo que estava acontecendo. Meu corpo me dizia o quão cansada eu estava ali no chão, quanto tempo havia se passado desde o banho? Horas? Talvez mais alguns dias?
Não tinha mais importância, ele me dissera que faria com que eu desejasse a minha morte e realmente o fez. Quanto tempo até que James finalmente se cansasse daquele joguinho inútil e resolvesse enfim me matar? Passei de fato a desejar que James acabasse logo com tudo, queria mesmo que ele me matasse e que fizesse isso logo. Que ele acabasse de vez com aquela tortura.
Mordi meu lábio com força, já sentindo o gosto metálico de meu sangue. Pensei em como estaria as coisas na UAC, se eles estavam conseguindo fazer algum progresso em me procurar. Talvez já tivessem até desistido de procurar por mim.
Reaja. Ao fechar meus olhos ouvi a voz de minha mãe em minha mente, ela me motivando.
— Não dá… — Respondo com a voz mais baixa como se aquela voz realmente estivesse ali presente comigo, apesar de eu conseguir me ouvir. Eu não queria desistir assim tão facilmente, havia algo que todos diziam sobre as pessoas do Brasil. Algo como “o brasileiro não desiste nunca”, talvez aquilo não se aplicasse diretamente a mim.
Por que eu continuaria lutando quando eu mesma já não encontrava mais força alguma para tal?
Talvez fosse mais inteligente da minha parte apenas esperar por ela, o fantasma que sugava a vida das pessoas com quem entrava em contado. Seria mais sábio da minha parte esperar pela morte certa, assim todo aquele pesadelo teria finalmente um desfecho.
Arrumei-me ali no chão tentando inutilmente ficar numa posição que não fosse assim tão desconfortável e que não me machucasse tanto assim. A voz voltou a soar em minha mente, mais alta dessa vez. É também mais autoritária. Senti lágrimas escorrerem de meus olhos, queria gritar até perder minha voz.
Quantos dias se passaram desde que falei com Hotchner? Talvez a real pergunta que eu deveria fazer a mim mesma era: Eles estavam mesmo procurando por mim? Sacudi minha cabeça, afastando aquele pensamento da minha mente. Não podia deixar que aquela incerteza crescesse em mim, mesmo querendo desistir de tudo ainda precisava me agarrar a pelo menos uma coisa: A esperança de que eles iriam mesmo me encontrar.
Olhei para meus punhos com o enforca gatos, estavam apertados demais mesmo se eu quisesse, não conseguiria me livrar daquilo. A porta range, sei que é ele entrando ali mais uma vez. Quem sabe ele finalmente decidiu acabar com tudo aquilo. James ascende a luz, meus olhos se incomodam um pouco com a claridade inesperada. Ele está segurando um pote com as duas mãos, o cheiro inconfundível de macarrão instantâneo entra por minhas narinas fazendo meu estômago roncar por causa da fome.
Ele se aproxima, caminhando de forma lenta até mim e se ajoelha, ficando no mesmo nível em que eu estava. Nem mesmo faço questão de mover-me, apenas espero.
— Está com fome? — Questiona ele, sua voz baixa, porém num tom de provocação. Seria aquele mais um de seus joguinhos? Ele aproxima o pote do meu rosto, obrigando-me a sentir aquele cheiro.
Não era bem algo que mataria a fome, mas iria me satisfazer por um tempo. James o deixa quase colado aos meus lábios, parecia esperar para que eu abra a boca e quando o faço ele simplesmente afasta o pote de mim. Soltando uma risada alta ao fazer aquilo.
— Ainda não, meu amor. — Ele me alerta, sua voz tornando-se um pouco mais baixa. — Quero ter certeza de que você está mesmo merecendo isso. Jogo minha cabeça para trás.
Eu tinha de merecer?
— Até quando? — Pergunto a James, minha voz saindo um pouco mais falha do que eu queria. Ele apenas me olha fixamente, não pareceu entender a pergunta.
— Quando o quê? — Ele responde e eu apenas suspiro lentamente, impaciente.
— Quando tudo isso vai acabar de vez? — Pergunto de novo. — Eu sei o que quer fazer então porquê não pega logo aquela faca e me mata logo? Já que esperou quinze anos para fazer isso?
James passa a língua por seus lábios e esboça um sorriso discreto em seus lábios.
— Já desistiu mesmo de tudo? Eu lhe avisei que faria isso não avisei? — Questionou-me de volta. — Acha mesmo que vou te matar assim tão rápido? Esses anos me perfilando e tudo o mais que fez e ainda não aprendeu a me entender, Julia?
Ele parou de falar, segurou o pote com uma mão só enquanto a outra tocou meu braço, ela desceu por meu corpo até a minha barriga, onde permaneceu. James então apertou aquela região com força, tocando um dos cortes.
— Você nunca ouviu dizer que as preliminares são a parte mais importante antes do ato? — Seu comentário saiu carregado de malícia, o que me fez estremecer e ao mesmo tempo temer ainda mais por tudo aquilo. — Não vou te matar, quer dizer, não vou faze isso tão rápido. Eu sei que está querendo isso, mas qual seria a graça nisso tudo?
Ele perguntou, dando de ombros.
— Lembra quando lhe disse que fui paciente, Julia? — Seu olhar se fixou em meu rosto, o mesmo brilho visto quando ele me filmou enquanto me feria estava presente em seus olhos novamente. — Você terá de ser também, ainda tenho muitos planos para você!
James então se colocou de pé, continuando na minha frente, me observou em silêncio por um longo tempo e então deu as costas. Me deixando ali sozinha mais uma vez.
Meu coração acelerou de uma forma desumana, comecei a me debater de raiva ali, sentindo meus olhos marejarem por causa das lágrimas que estavam vindo. Não estava triste nem nada disso, estava frustada. Desesperada para que tudo aquilo finalmente tivesse um fim e não teria.
Eu precisava ser paciente. Disse a mim mesma sentindo minha respiração se tornar pesada, gritei o máximo que pude me vendo com uma raiva da qual não me pertencia.
— Me mata logo seu desgraçado! — Sussurrei com a voz rouca e falha, batendo minhas costas na parede com força. — Acaba comigo de uma vez!
Continuei com aquilo, não importava que estava me machucando em fazer aquilo. Fechei meus olhos com força, ainda batendo minhas costas contra a parede de concreto, a cada nova batida colocando mais força.
Julia, reaja agora! A voz da minha mãe fez com que eu parasse no mesmo instante, ela pediu com mais autoridade, acho que estava beirando a completa loucura. Ela não estava ali comigo, havia apenas eu e… O nada que ele havia me tornado.
Filha reaja. Faça isso agora! Ela pediu, a autoridade de sempre dessa vez mais clara em sua voz. Foi automático, como uma boa filha estava a obedecendo, como sempre fazia quando era criança. Comecei a movimentar meus punhos sem muita vontade, esfregando um no outro sentindo que a amarra ali só parecia ficar ainda mais aperta conforme eu tentava.
Ergui minha cabeça e continuei, sentindo o enforca gatos machucar a minha pele em cada tentativa. E então parei. Fitei meus punhos ali unidos, não havia nada ali que eu pudesse usar para me livrar daquilo.
Teria de tentar fazer isso sozinha. Voltei a esfregá-los, conseguindo piorar ainda mais a situação em que estava. Mas então vi que aquilo parecia dar certo, se eu escorregasse uma delas talvez conseguisse me livrar daquilo. Novamente a tentar, passei a fazer agora com mais intensidade e mais força também, evitando soltar gemidos de dor com aquilo. Meus punhos estavam ficando mais feridos que antes, a cada nova tentativa eu apenas me feria mais, porém estava conseguindo algo. Não podia parar mais.
Continuei tentando, a minha mão esquerda já pela metade e então a tirei. Suspirei de alívio ao vê-la livre daquele jeito e agora só restava mais uma. Comecei a puxar a amarra para cima, sentindo-a arranhar minha pele conforme eu a sabia. Usei a unha para continuar, arrependendo-me de ter feito aquilo, mas não parei. De longe escutei passos. James estava voltando e eu não tinha muito tempo.
De forma mais frenética me apressei, nem ligando quando passei a arranhar a minha própria pele sem que eu percebesse aquilo, mas enfim havia conseguido. Olhei para o cômodo onde estava e procurei por qualquer coisa que pudesse me servir de arma, eu iria tentar escapar novamente. Avancei encontrado um pedaço de madeira com um único prego enferrujado nele, o segurei o mais firmemente que conseguia e me encostei na parede. O esperando abrir a porta e descer.
Ele iria voltar, ouviu o barulho que fiz. Escutei quando ele a destrancou, o som do molho de chaves se sacudindo enquanto ele a usava para me destrancar dali. Seus passos então se fizeram mais presentes, ele estava descendo os poucos degraus devagar. Evitando fazer muito barulho e então, quando o senti perto o suficiente para poder ver sua sombra o ataquei.
Bati em sua barriga com o pedaço da madeira que encontrei, nem mesmo vi o lado que usei. Apenas tive o vislumbre de vê-lo se curvar e gritar alto de dor, com as duas mãos no local acertado.
Deferi o segundo golpe, dessa vez o derrubando no chão, olhei em direção à porta vendo que a porta estava aberta e soltando a arma improvisada corri até ela.
Perdida ali dentro eu não sabia exatamente para onde estava indo, seguia as portas abrindo aquelas que conseguia em procura de alguma saída. Me vendo mais presa ali dentro do que eu imaginava.
Continuei seguindo até me deparar com outro corredor, este bem mais extenso que os outros onde havia estado e também porcamente iluminado. A única lâmpada existente ali piscava a cada um segundo não ajudando muito. Tropecei em algo quase caindo e me segurei na parede, forçando a minha vista a me ajudar ali. Volto a correr como nunca antes havia feito em toda a minha vida, nem mesmo quando acontecia de ter de perseguir alguém.
Meu coração batia tão rapidamente que eu temia que ele saísse para fora de meu peito, eu realmente estava fugindo, abria o maior número de portas ali me vendo quase como num labirinto. Muitos corredores, muitas salas não usadas. Que lugar era aquele? Não parecia o mesmo de quando tentei fugir pela primeira vez. Eu corri por minutos sem rumo algum, me vendo mais perdida ali dentro do que imaginava.
— JULIA! — Escuto a voz alta e penetrante de James gritar por meu nome. Sinto meu corpo todo travar ali mesmo, olho para trás, ele parecia estar bem atrás de mim quando gritou por meu nome.
Pude sentir aquilo. Minha respiração ficou entrecortada, seria como se meu corpo fosse me trair a qualquer momento, não permitindo que eu continuasse correndo. E eu não estava fazendo nada naquele momento, mas eu sabia que deveria continuar. Precisava encontrar alguma saída daquele lugar e logo.
Eu precisava fazer isso.
— JULIA! — Ele gritou novamente ao mesmo passo em que avancei, ele claramente nervoso Eu parei novamente por um momento e respeitei o mais fundo possível, sentindo meus pulmões protestarem.
Estava completamente ofegante, por mais que eu quisesse sair daquele lugar, não conseguia mais encontrar forças para fazer aquilo. Olhei ao meu redor, vi um pedaço de cano jogado em um canto qualquer e imediatamente o peguei, precisaria me proteger de algo.
— Você realmente pensou que seria tão fácil assim fugir de mim? — Fecho os olhos enquanto ajeito minha postura e me virei, lá estava ele, bem atrás de mim.
Talvez bem mais próxima do que eu imaginava que estava.
— Eu disse que você não iria conseguir fugir como fez anos atrás e falei sério, você não vai fugir de mim. Não com vida!
Ele avançou em minha direção como um animal que avança diretamente para a sua presa.
— Não se aproxime de mim…— Gritei em completo êxtase, empunhando de forma completamente desajeitada o ano que pegara.
O acertei na barriga, usado toda a força que eu tenha em meu corpo. Ele gritou quando o acertei, cambaleado para o lado e assim me dando uma deixa para sair deixar aquele lugar.
— Não… Você não vai! — James avançou novamente, ainda que estivesse se mostrando com dor, ele me segurou pela cintura e me empurrou contra a parede. — Eu falei que você não iria fugir e você não vai!
— Me mata logo… — Pedi numa súplica, ele mantinha o braço em meu corpo, deixando-me presa na parede.
— Por que acha eu faria isso, Julia minha querida? — Ele respondeu, seus lábios levemente esticados formando um sorriso pouco discreto. — Não será agora que…
— FBI! — Nós dois paramos ali mesmo. Reconheci de imediato o barulho que ouvi vindo de outro lugar em mais afastado de onde estávamos. E de forma espontânea e vitoriosa, abri um largo sorriso de alívio e também felicidade.
— Eles me encontraram seu cretino! — Bradei o olhando com zombaria, James me fitou. Ele agora parecia surpreso com aquilo, talvez por não esperar que eu fosse mesmo encontrada por eles.
— Olhe para mim, Julia! — Sua voz me retirou de todos os meus pensamentos, eu o olhei suas mãos que antes estavam em torno de meu corpo, subiram até minha boca onde ele a cobriu. — Caladinha Ju!
Ele começou a me arrastar enquanto eu me debatia freneticamente numa tentativa de me soltar dele. James bufou logo atrás de mim e então me empurrou de frente para a parede, pressionando-me a ela usando todo o seu corpo.
Sua mão que me segurava subiu diretamente para minha nuca e segurando um punhado do meu cabelo ele fez o mesmo que antes, batendo o meu rosto no concreto com força.
— Cala essa boca agora! — Ele ordenou com raiva. Usei meus cotovelos para feri-lo, o acertando em alguns lugares até que fiz isso acertando entre suas pernas.
Ele imediatamente me soltou, urrando de dor, mas não pareceu desistir. Com apenas uma mão sobre o lugar acertado ele tentou usar a mão livre para me pegar, segurou a bainha da minha camisola como se a tentasse puxá-la e lutando contra a dor ele avançou para mim com fúria. Ouvi um estrondo estranho e ao me dar conta, vi Taylor ali presente também. Ele me olhava de cima abaixo.
— Por que ainda está aqui? Eles já entraram! — Ignorando-me por alguns segundos Taylor Walter, parecia estar quase tão desesperado quanto James. E ver aquilo era muito satisfatório.
— O quê? Disse que aqui era seguro! — Ele berrou em completo desespero. Nunca o vi daquela forma antes.
— E é! — Respondeu. — Mas eles nos acharam! Não me pergunte como, mas eles nos acharam!
James me segurou pelo rosto e me empurrou até a parede novamente, em vez de me acertar com socos e tapas por meu rosto ele mostrou a faca com a qual me feria e então sem hesitar fez um único movimento cortando-me na barriga, de forma superficial.
— É melhor você ficar calada e quanto a você — Ele apontou para Taylor. — Nos tire daqui agora!
Tentei segurar seu braço para impedir que ele me ferisse novamente, a camisola que já estava imunda de tanto sangue apenas ganhou mais uma mancha dentre tantas outras. Mas ele não o fez, parecia mais concentrado em apenas sair daquela situação.
Aproveitei seu momento de pouca distração e fechei meu punho para tentar socá-lo, foi então que parei outra vez. Ouvi quando meu nome foi chamado pelos agentes, aquilo só fez com que eu me sentisse ainda mais feliz e vitoriosa.
Estava prestes a gritar para avisar onde eu estava quando ele cobriu minha boca outra vez. Forçando-me contra a parede, a mesma faca agora colocada em meu pescoço. A ponta de sua lâmina próxima demais do meu pescoço deixando a ameaça sem palavras clara o bastante para que eu a entendesse.
Vê-lo desesperado daquele jeito me deu vontade de rir, ele realmente não parecia ter esperado que aquilo viesse a acontecer. Como eu havia dito, ele ainda não conhecia Penélope Garcia. O barulho dos agentes pareciam vir bem abaixo de onde estávamos, como se estivéssemos em outro andar ou algo do tipo.
O encarei por alguns segundos, apenas apreciando o seu desespero por vê-lo daquele jeito.
— Tem uma forma de sair sem que eles nos vejam, mas acho que não vai gostar muito da ideia — O outro respondeu com pressa. Ele também sabia que não demoraria muito para que eu fosse resgatada. — Se quiser sair daqui com vida não vai poder levá-la junto.
James então me fitou por um tempo, seus olhos adquirindo um brilho sombrio e preocupante.
— Não vou deixá-la aqui, ela irá conosco — O homem que me segurava virou o rosto minimamente para o lado olhando para o outro. — E você irá me ajudar nessa!
Ele apenas assentiu; sendo o bom cachorrinho obediente que ele era e então ambos me seguraram, James ainda mantendo minha boca coberta por sua mão enquanto Taylor o ajudava para me carregar. Passamos por alguns corredores até entrar em uma sala com canos velhos e sujos, mais adiante um alçapão próximo a janela pequena que permitia que qualquer pessoa ou coisa passasse por ali. Taylor se afastou para abrir o alçapão, James apertou-me mais um pouco contra seu corpo, a mão com a faca descendo mais até o local onde ele me feriu antes.
Como se houvesse algo que o estimulasse para fazer aquilo mais uma vez; como se o que ele já havia feito em mim já não tivesse sido o bastante.
— Você queria tanto que eu a matasse, mas isso terá de esperar um pouco mais, Julia — Ele sussurrou ao pé da minha orelha, fazendo questão de que seus lábios e ponta do nariz tocasse minha pele. — Como eu lhe disse uma vez: Só vai acabar quando eu disser que acabou.
Fechei meus olhos com força e então ergui minha perna esquerda a usando para poder chutá-lo outra vez, acabei por acertá-lo no joelho, mas aquilo foi o suficiente para fazer com que ele me soltasse. Por completo. Freneticamente eu passei a me debater de qualquer jeito, queria fazer de tudo para que ele me soltasse logo. Sacudia meu corpo dolorido e pouco amolecido não ligando mais por ele ter uma faca tão próxima a mim.
Só queria ser solta.
Reuni minhas forças e joguei meu corpo para trás mais uma vez, ele agora livrando minha boca de sua mão para conseguir manter-se equilibrado. Aproveitei a oportunidade para tentar gritar novamente, mas ele agiu bem mais rápido que eu, o chute que recebi em minhas costas foi tão forte que cai no chão.
— Meu Deus James acaba logo com isso! Estamos sem tempo! — Exclamou Taylor com mais desespero que antes.
— Espere… — Falou. — Venha aqui e me ajude!
James não deixou tempo para que eu girasse com a dor, cobriu a minha boca novamente com sua mão e então decidiu usar a faca, ele começou a fazer vários cortes em mim; todos superficiais. Nem mesmo quando estava prestes a ser pego ele não conseguia deixar aquela compulsão por me ferir de lado. Parecia querer aproveitar o tempo que ainda lhe restava. Fazia aquilo como se fosse algo automático, aquele vício por cortes e por querer cortar alguém lhe dominava de forma assustadora.
Preocupando não só a mim como a Taylor também. Ele me feria apenas em meu tronco e pernas — nos mesmos lugares onde ele já fizera aquilo —, ele ria enquanto me feria e via que eu tentava lutar para me livrar dele. Sacudia minhas pernas e braços tentando feri-lo de alguma maneira.
O arranhei no rosto, cravando minhas unhas em sua pele e conseguindo fazer marcas fortes em seu rosto, tirando um pouco de seu sangue naquele processo. Ele gritou quando forcei bem mais as unhas, mas aquele grito não foi de dor, ele nem mesmo pareceu se incomodar com aquilo. Não sei o motivo exato do seu grito.
Até que o chutei em sua virilha pela segunda vez o tirando de cima de mim. Me levantei com pressa e bem atrapalhada, ferida demais para fazer tanto esforço, mas eles estavam ali então o esforço era necessário e valia a pena. Taylor correu para me segurar, seus braços tentaram me envolver a ele, por sorte eu fui mais rápida que ele e me curvei, escapando e conseguindo com muita sorte retirar a arma presa em seu cinto.
— Estou aqui! — Gritei quase sem forças atirando para de qualquer jeito. Apenas para chamar a atenção de quem estivesse por perto. Vi quando ele tentou se aproximar de mim e virei-me e rapidamente, apontei a arma na sua direção.
— Dê mais um passo e eu juro que te mato! — O ameacei com firmeza, sentindo uma dor latejante em todos os meus músculos a cada novo movimento que fazia. Não via a hora daquilo tudo acabar logo.
— Ah então é agora que você atira em mim, agente Barbosa? — Taylor me questionou com zombaria. — Ou será que vai atirar nele? Em qual de nós dois será? De um jeito ou de outro você acaba morta!
Neguei sorrindo amplamente.
— Eu falei que teria uma chance de matar você — Alternei a mira da arma entre James e Walter de forma constante, até que notei que Taylor avançava até mim.
Não pensei duas vezes em atirar pela segunda vez, mas agora consegui acertá-lo. Tive tempo de apenas vê-lo cair no chão e gritar ao ser atingido, a mão cobria o local onde o acertei onde seu sangue já escorria com rapidez. O que veio em seguida aconteceu muito rápido, fui puxada para trás com violência, quase tropeçando em meus próprios pé e então senti quando algo atravessou a minha cintura.
Olhei para o local de onde vinha a sensação de estar queimando e foi quando vi a lâmina da faca rasgando a minha pele e saindo do outro lado coberta de sangue que eu entendi o que havia acabado de acontecer ali, James a retirou de uma só vez ainda por detrás de mim então me empurrou para o chão. Fazendo com que eu caísse de frente, o sangue logo começando a sujar o piso cinza daquele lugar e o trapo velho que antes chamei de camisola.
— Você não me deixa muitas escolhas, Julia! — Ele riu alto, não parecia se importar muito com o que estava acontecendo. — Não queria ter sido forçado a fazer isso!
Cobri o local ferido com a mão fazendo pressão ali, minha mão sendo coberta com meu próprio sangue em poucos segundos, o vermelho escuro entrando em contraste com a minha pele de forma quase assustadora. O vi soltar a faca, ele se colocou em cima de mim novamente e então suas mãos vieram de encontro ao meu pescoço de novo e seu aperto logo se tornou forte demais para conseguir soltar.
Arregalei meus olhos completamente apavorada com aquilo, segurei seus braços numa falha tentativa de aliviar o aperto que ele fazia questão de continuar intensificando em meu pescoço, mas era tudo em vão. James prendeu meu corpo no chão com suas pernas em torno de mim e passou a me olhar com selvageria.
Ele me enforcava enquanto batia minha cabeça no chão e depositava novos socos em meu rosto, segurando meu pescoço com apenas uma mão. Ele dizia coisas sem muito sentido, estava com raiva, talvez até domado pela completa insanidade. A forma como ele me olhava me dizia isso e eu sabia que não valia mais a pena lutar contra.
Eu já não tinha mais uma noção exata do que acontecia ao meu redor, não queria nem mesmo saber do que estava acontecendo, nem ligava se Taylor ainda estava vivo ou não. Minha visão estava se tornando cada vez mais turva. Mesmo que eu me debatia ao máximo que conseguia sentia que meu corpo ia aos poucos parando, sem forças para continuar lutando contra o que já parecia ser meu destino final.
Talvez eles não fossem chegar a tempo e quando chegassem o que encontrariam seria apenas o meu corpo morto caído no chão. Pelo menos assim ele não poderia fazer mais nada comigo, não iria me ferir se eu estivesse… Morta, ele não poderia mais me perseguir.
Fui sentindo a vida me deixando aos poucos, a visão que tinha dele ainda sobre mim era mais confusa que antes e então ouvi um som alto que pareceu cortar todo o silêncio dali. A visão turva e as imagens que via tornaram-se tão confusas que sequer sabia diferenciar o que era real ou o que era apenas um último momento de loucura antes de partir.
O ar novamente faltou em meus pulmões, não sentia nem mesmo força para continuar respirando, estava fraca demais… Eu estava enfim morrendo.
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