Stronger feelings
42 Capítulo 42
Notas iniciais
A voz dela soava em minha mente de forma frequente, como se fosse um tipo de lembrete para que eu não me esquecesse do que havia lhe prometido dias atrás. “Me encontre logo” ela dizia e repetia aquilo várias e várias vezes, de certa forma aquilo serviu de motivação. Havia lhe prometido que iria encontrá-la e cumpriria isso.
E era exatamente o que estava fazendo naquele momento. Cumprindo a promessa que lhe fiz, salvando-a finalmente daquele inferno.
O alerta de soltamos de Taylor e James enfim havia dado em algo e Walter não usufruía da mesma organização que Sawyer. Foi fácil conseguir rastreá-lo até aquele prédio. Apesar de termos demorado exatos cinco dias para conseguir, estávamos finalmente colocando um ponto final em tudo aquilo.
A ansiedade em mim crescia à medida que ia sentindo que estávamos cada vez mais perto dela, o coração batia naquele mesmo ritmo conhecido que beirava a um certo descontrole. O nervosismo por saber que a veria novamente e também por saber que iria finalmente tirá-la daquele pesadelo.
Morgan eu paramos diante a porta assim que chegamos na sala de onde escutamos o disparo, ele olhando na minha direção muito brevemente e acenando rapidamente com a cabeça de forma positiva. Julia estava ali dentro eu sabia disso e de alguma forma que me era inexplicável conseguia até mesmo sentir sua presença além daquela porta.
Com gesto também muito rápido, afastei um pouco dele, dando-lhe mais espaço e então usando a força bruta ele a arrombou com seus costumeiros chutes. A porta logo foi aberta de só uma vez e não esperamos um único segundo para entrar na sala.
— James Sawyer, FBI! — Gritei assim que pisei em seu interior, deparando com uma cena que fez com que toda aquela fúria que tinha dentro de mim apenas crescesse.
Taylor estava caído em um canto, a mão esquerda sobre um ferimento feito pelo disparo que ouvimos antes. Morgan foi até ele, não prestei mais atenção depois, tinha apenas meu foco em James e no que ele estava fazendo.
Ele estava quase deitado em cima de Julia, no corpo já quase sem vida dela. Com uma das mãos em seu pescoço enquanto a outra era usada para estapear seu rosto, ela já nem lutava mais para impedir aquilo. Não parecia haver um único sinal de vida em seu corpo. Foi rápido, James estava com Julia no chão e no segundo em que nos viu ali dentro, pareceu agir de forma desesperada, a puxou pelo cabelo de forma a deixá-la quase de joelhos no chão.
O corpo perto demais do seu, o que me incomodou, pois sabia qual seria sua intenção ali. Seu pescoço estava exposto, havia marcas já roxas em sua pele, deixando visível que o aperto que ele lhe dera fora de fato forte demais. Ele levou uma faca para aquela área, deixando que a lâmina tocasse sua pele, numa ameaça clara.
Ao olhar melhor seu estado foi necessário controlar a mim mesmo, queria apenas avançar contra ele e fazê-lo pagar por tudo o que ele havia lhe feito. O estado em que Julia estava era deplorável, ferida demais e também muito fraca, os olhos fundos e roxeados deixando claro o maltrato que ela sofrera em suas mãos durante essas conturbadas semanas que ficou desaparecida com aquele cretino; Julia mal conseguia se manter naquela posição sem que vacilasse vez o outra.
O sinal de sua fraqueza estava claro.
Na camisola que ela usava havia muito sangue, lembrei do vídeo que ele mandou através do celular dela. James a ferindo de várias formas, Julia deitada sobre uma cama sem poder reagir diante de toda a monstruosidade que lhe era feita. De canto vi Morgan retirando Taylor dali dentro, ele estava ferido e sangrava muito. Talvez estivesse correndo risco de acabar morrendo, mas não deixaria que isso viesse a acontecer; faria questão de mandá-lo para a cadeia. Só não podia dizer o mesmo sobre Sawyer.
Eu queria matá-lo.
— Sawyer larga ela e a faca agora! Ou pode ter certeza de que não sairá daqui com vida! — Pedi de maneira ríspida. O orgulho estampado em seu olhar não o deixaria pensar direito e o faria cometer um erro. O tinha na mira e não deixaria que isso viesse a acontecer.
Não quando ele a tinha em mãos.
— Dê um único passo para frente e eu juro que corto a garganta dela, agente! — Girou enfurecido, quase descontrolado. — Mas se estiver disposto a conversar, acho que um acordo será ótimo. Eu saio daqui com ela e vocês nunca mais terão qualquer notícia minha ou dela!
Neguei, seu desespero era quase palpável ali. Como se fosse um terceiro corpo que encontrava-se bem atrás dele.
— Tenho um melhor: Você a solta e assim não acaba morto com um tiro no meio de sua cabeça! É só escolher. — Respondi dando um passo para frente. James dando um segundo puxão mais forte em seu cabelo a curvando para trás e deixando a faca mais rente ao seu pescoço.
Julia nem mesmo reagia, não parecia estar acordada. Não tinha forças para isso.
— Você vai acabar causando a morte dela, agente Hotchner. — Bradou com estranha satisfação em sua voz; ainda que parecesse hesitante em fazer aquilo. — E eu sei que não quer fazer isso! Então pense melhor no que acabei de lhe dizer!
Soltei uma risada breve.
— Você não consegue perceber, não é mesmo? Olhe ao seu redor, todo esse jogo já acabou! Esse é o seu fim, James! — Não contive o êxtase que senti ao dizer aquelas palavras. — Está cercado, ou sai daqui vivo ou com um tiro bem no meio da sua cabeça!
Ele abriu um sorriso largo em seu rosto, soltando uma gargalhada alta e quase insana. O aperto que ele mantinha em Julia pareceu se tornar mais forte e a faca foi melhor posicionada em seu pescoço.
— Eu falei que iria para o inferno, mas que a levaria comigo e é exatamente isso o que vou fazer! Se não quiser que isso aconteça eu sugiro que saia daqui para que eu possa sair com ela! — James a olhou de uma forma quase animalesca e devagar começou a se colocar de pé, puxando-a junto a si.
Julia mal conseguindo se manter firme de tão enfraquecida e machucada que estava.
— Não vou permitir que isso aconteça — Lhe garanti com fúria em minha voz, se houvesse uma chance de impedi-lo de continuar ferindo-a, eu usaria essa chance para acabar com ele de uma vez. Lancei mais um olhar para ela, vê-la daquele jeito me enfureceu de uma forma sem igual, se a sua vida não estivesse nas mãos daquele homem, eu já teria avançado.
— Isso só termina quando eu disser que terminou! — Sawyer nem mesmo terminou a frase, em dois segundos pude apenas ver a faca cortar a pele do pescoço de Julia e uma quantidade quase absurda de sangue começar a jorrar, sujando ainda mais a camisola que cobria parte de seu corpo.
Não pensei e nem mesmo hesitei em puxar o gatilho, o disparo dado ecoando pela sala vazia e o acertando em cheio no lugar em que tinha em minha mira. Vê-lo cair no chão foi confortante e ao mesmo tempo muito revigorante. Matá-lo trouxe o mesmo tipo de sensação como quando matei George Foyet. Pura satisfação.
Julia caiu no chão também, a mão cobrindo o corte no pescoço enquanto ela parecia engasgar com o próprio sangue. Corri até ela sem nem mesmo hesitar por um único segundo que fosse.
Ouvi Morgan gritar alguma coisa, nem notei sua presença ali, mas não prestei tanta atenção assim. Foi como se minha mente se desligasse de tudo o que me rodeava naquele momento, permitindo que eu apenas me focasse nela. Apenas em Julia.
— Precisamos de uma equipe médica no segundo andar! — Foi tudo o que conseguir entender de Morgan.
Forcei as duas mãos sobre aquela área tentando impedir que todo aquele sangue saísse, logo percebendo que não era apenas dali que ela estava perdendo sangue.
— Hotch… Oh céus!— Rossi apareceu segundos depois sendo seguido por Spencer e ambos assustaram-se com a cena que via ali dentro, seu olhar mudou assim como o de Reid, que estava logo atrás dele.
— Ela precisa de ajuda! Traga os paramédicos até aqui! — Pude ouvir minha própria voz sair com urgência, desespero e medo. — AGORA!
Gritei com claro desespero. Minha mente parecia se desligar de mim, e foi impossível controlar que minha mente trouxesse todas as lembranças do que acontecera anos atrás com Haley. A mesma situação pareceu se encaixar perfeitamente naquele momento.
Fazendo-me recordar de que não pude chegar a tempo para impedir que ela se ferisse; assim como não impedi que Julia também fosse ferida. As cenas dela morta em nossa casa e seu corpo já sem qualquer sinal de que poderia havia ainda um pouco de vida trouxeram-me para o dia em que a perdi para sempre por causa de um erro meu.
O mesmo estava se repetindo ali, naquele exato momento. Estava tudo acontecendo outra vez, o mesmo pesadelo que vivi voltou de forma quase inesperada, aquelas mesmas lembranças dolorosas demais. Sentia aquela mesma sensação de importância, um grande e falho homem que pela segunda vez não conseguira chegar mais cedo e salvar alguém que possui tanta importância em minha vida.
A mesma cena de ver a morte quase ao meu lado, rodeando-me enquanto tinha Julia ali; lutando para manter-se viva, mesmo que aquilo estivesse se mostrando quase impossível.
Minhas mãos cada vez mais tomadas pelo vermelho de seu sangue, mal conseguindo ver de onde esse sangue estava saindo. Nossas mãos juntas, firmes numa luta coletiva para continuar mantendo-a viva.
A culpa aos poucos me dominando, se fazendo um ser grande demais para ser vencido em um momento como aquele; e eu sabia que não venceria aquilo. Eu estava falhando com Julia, da mesma forma com que falhei grandemente com Haley.
Estava deixando que mais uma mulher importante em minha vida fosse tirada de mim pela segunda vez. Não havia conseguido salvar Haley, mas não iria permitir que isso viesse a acontecer com Julia também. Não iria deixar que aquele erro tornasse a repetir, não podia falhar com ela desse jeito. Não como antes.
— Vai ficar tudo bem, meu amor… Vai ficar tudo bem — Lhe disse sem prestar tanta atenção assim em minhas próprias palavras.
Olhando-a com firmeza, numa tentativa de conseguir passar-lhe toda aquela segurança que eu queria que existisse dentro de mim. Julia parecia lutar consigo mesma para que conseguisse manter os olhos abertos, ela também me encarava, os lábios entreabertos; como se ela tentasse dizer alguma coisa.
Ela conseguiu abrir a boca, porém nenhuma palavra saiu dela. Apenas um som indicando que ela estava engasgando consigo mesma, ela tossiu. Pingos de sangue saíram de sua boca. A tensão em meu corpo apenas cresceu.
A mão se afastou de seu pescoço e muito devagar ela começou a se esforçar para que conseguisse levá-la até meu rosto, conseguia perceber sua luta e desespero para conseguir isso.
Queria poder segurá-la, mas se as tirasse de seu pescoço só a mataria. A ponta do indicador quase tocou minha pele quando ela pareceu finalmente parar de lutar, os olhos foram se fechando muito lentamente. Aquele desespero que havia em seu olhar aos poucos a deixou. Percebi o que estava acontecendo com ela, fechei os olhos com forca, dizendo a mim mesmo que aquilo era apenas uma ilusão e de que Julia continuava a me encarar com aqueles grandes olhos castanhos; como sempre ela fazia.
Porém assim que os abri, ela estava ali no chão. Seus olhos fechados e a vida parecendo lhe deixar segundos antes do socorro ter chegado.
•••
Continuava andando de um lado para o outro tomado pela total impaciência e até mesmo um medo desconhecido dominou meu corpo de forma completa. Conforme meus passos se tornavam mais frequentes o mesmo que era sentido se tornava maior também e ganhava mais força que antes.
Só havia sentindo aquele medo uma vez seu desfecho acabou sendo devastador demais. Aquilo não podia se repetir também. Olhei em direção ao grande relógio pregado na parede do hospital, quatro e meia da madrugada; fazia exatamente quase três horas desde que os médicos a levaram para a cirurgia, três horas sem qualquer notícia de seu estado.
Três horas que, pareciam se prolongar.
Sentei em uma das cadeiras vazias, tentando agora conseguir manter-me naquele mesmo lugar. Porém era quase impossível, me vi novamente de pé, repetindo o mesmo ato de minutos atrás. Estava novamente do mesmo jeito de antes, andando de um lado para o outro. Agitado demais, temeroso demais.
Aquela mesma impaciência sentida antes apenas se tornando maior dentro de mim logo se misturou com o medo. O medo de perdê-la… Tal pensamento fez com que eu parasse imediatamente, olhei para minhas próprias mãos ainda sujas com seu sangue.
Um grande nó ganhou forma em minha garganta, tentei não pensar no pior. No que poderia acontecer a ela… Julia perdera muito sangue até a equipe médica chegar, minhas mãos continuaram boa parte do sangue perdido.
Quando eles a levaram para o hospital ninguém poderia dizer que ela teria alguma chance de sobreviver. O corpo estava gelado, sem cor é muito ferido. Muitas cicatrizes… Suspirei.
A imagem de como a encontramos voltou a minha mente, a memória viva de seu corpo sem qualquer sinal de força para continuar lutando. A forma desesperada que ele me olhou enquanto pressionava o corte em seu pescoço, talvez por saber que algo como aquilo diminuía suas chances de sobrevivência.
Sem que percebesse estava novamente encarando o relógio na parede, acompanhando em silêncio o ponteiro se mover pelos números ali. Cada segundo que se passava… Cada minuto… Queria saber como ela estava, o que estava acontecendo com ela.
— Hotch! — A voz de Dave tirou-me dos tantos pensamentos que acumulavam a minha mente, a agitação aos poucos se tornava menor, porém não podia dizer que estava mais tranquilo por vê-lo ali. — Tem alguma novidade dela?
Ele perguntou enquanto continuava a se aproximar de onde estava. Ainda estava vestido com o colete do FBI assim como eu, parecia cansado. Com a cabeça apenas neguei, olhando mais uma vez para o corredor vazio mais à frente.
— Ela continua em cirurgia, tudo o que sei é que ela perdeu sangue demais e que estava muito fraca — Repassei o que um dos médicos havia me dito horas atrás. A única notícia que tinha dela. — James quase a matou…
Passei a mão em minha cabeça, soltando o ar pesado dentro de mim. Não me sentia mais leve após ter feito aquilo.
— E não irá fazer isso novamente, com ela ou qualquer outra pessoa. Acabou. — Ele assegurou, dizendo as mesmas palavras que minha mente repetia para mim mesmo.
Acabou.
— E quanto ao restante da equipe? Como eles estão? — Perguntei, mesmo que minha resposta já parecesse óbvia demais.
Rossi suspirou.
— Todos estão cansados demais, mas parecem que estão bem. Estão muito preocupados com a Julia também… Eles queriam vir, mas achei melhor liberá-los para que consigam descansar um pouco. — Respondeu. — Strauss está resolvendo o caso de Taylor Walter e agora é só esperar que ele seja preso.
Ao terminar de falar Rossi então fitou-me de cima abaixo; como se me analisasse e eu sabia muito bem que ele estava fazendo isso.
— Você também deveria fazer isso, descansar um pouco Aaron, pelo menos por hora, enquanto ela ainda está em cirurgia. — Sugeriu num tom amigo. — Se olhar para seu reflexo em algum espelho se assustaria em ver no quão exausto está e que precisa trocar de roupa também.
Automaticamente abaixei minha cabeça, reparando em meu próprio estado pela primeira vez. A camisa branca suja estava suja com o sangue de Julia, assim como minhas mãos e colete. Ergui o rosto mais uma vez e balancei negativamente meu rosto.
Apesar de reconhecer que estava mesmo precisando de um descanso eu não iria sair sem que tivesse alguma notícia nova sobre ela e seu estado. Aceitava sua sugestão, mas naquele momento não poderia realizá-la.
— Não vou sair enquanto não tiver alguma notícia dela. — Respondi com firmeza e certo de minha decisão, estava de fato cansado, mas não sairia dali sem ter qualquer novidade sobre Julia. — Expliquei para Jéssica o que aconteceu, ela vai ficar com Jack.
Dave apenas assentiu. Não tentou me coagir para que eu mudasse de ideia, pois sabia que isso seria inútil.
— Contou para o pai dela tudo o que aconteceu? — Tornou a perguntar mudando rapidamente de assunto, parecendo agora bem mais preocupado que antes.
— Ele vai vir assim que conseguir, o tempo no Brasil não está muito bom para voar. — Respondi voltando a me sentar, não para manter-me controlado, mas por já sentir-me cansado de ter de ficar de pé. — Expliquei o motivo de demorar me lhe contar sobre o rapto dela também…
Rossi sentou-se também e interrompi a minha própria fala, recordando-me de como Roberto reagiu ao saber da filha. Como qualquer pai reagiria ao saber sobre o tipo de provação que a única filha passou.
— Ela é uma moça forte, irá passar por isso da mesma forma que passou por tudo o que lhe aconteceu quando estava com aquele louco — Garantiu, sua voz mostrando toda a certeza que poderia existir dentro dele. Estava confiante de suas palavras. — Julia irá ficar bem.
Concordei. Era nisso no que eu precisava me agarrar, que Julia iria ficar bem. Que iria bem, que a veria novamente e que seria encarado pelos grande olhos castanhos que ela possuía. Meu corpo pareceu pesar.
O sinal deixando claro todo o cansaço que sentia. Todo o meu corpo alertando-me de que precisava mesmo descansar.
— Agente Hotchner? — A médica chamou-me e no mesmo seguinte já estava de pé, notei que suas mãos ainda estavam cobertas com as luvas necessárias e que estavam ambas sujas de sangue. — A situação da agente Barbosa é um pouco delicada, foi drogada com todo o tipo de remédio forte, mas conseguimos estabilizá-la. E quanto aos cortes, levará um tempo para que todos se cicatrizem, mas quem fez isso nela não a queria matar, apenas feri-la.
Concordei lentamente com a cabeça. Aliviado por saber disso, mas ainda com raiva pelo que lhe aconteceu. Por James ter feito o que fez a ela.
— Ela teve muita sorte de sair viva, mas como disse antes: Só saberemos melhor quando ela acordar. — Finalizou, alternando seu olhar entre mim e Rossi. — Ah, suas cordas vocais estão inchadas demais por causa do aperto que sofreu, ela ficará sem poder falar durante um tempo até que elas estejam normais outra vez, mas não é algo tão grave como parece. Poderão visitá-la, mas é permitido apenas um acompanhante.
— Obrigado doutora. — De forma gentil ele a agradeceu, de canto vi quando ela se afastou deixando-nos sozinhos outra. Saber tudo aquilo de certa forma pareceu tirar todo o peso que sentia jogado em cima de mim. Julia iria ficar bem e isso bastava.
— Como eu disse: Ela é forte. — Dave me olhou, seus lábios escondidos pelo bigode e barba mal apareceram quando ele esboçou um sorriso breve. — Irei avisar aos outros pela manhã, ficarão felizes com a notícia.
Concordei novamente, ainda em silêncio.
— Não vou perguntar se irá ficar por aqui porque isso já me parece bem óbvio, então farei outra pergunta: Quer que eu lhe traga alguma coisa? Uma muda limpa de roupa, talvez? — O homem arqueou uma sobrancelha me encarando.
— Se eu não estiver abusando de sua boa vontade, agradeceria se fizesse isso… — Deixei a frase no ar, Rossi assentiu ainda com o sorriso exibido nos lábios.
— Não será problema nenhum. — Ele bateu a mão em meu ombro num gesto amigo. — Agora sim, você precisa descansar um pouco. Já tem notícia dela e sabe como ela está, quero que descanse.
Assenti. Mesmo que ainda não estivesse cem por cento, sabia que de fato precisava descansar.
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