Stronger feelings
40 Capítulo 40
Notas iniciais
James estava bem na minha frente, ele me segurava de novo, porém agora parecia tentar me colocar sentada em algum lugar. Ele prendeu meus punhos nos braços da cadeira e logo fez o mesmo com meu tronco. Deixando assim quase impossível de conseguir mover-me.
Aos poucos fui compreendendo o que acontecia ali, fiquei parada por um longo tempo, o observando enquanto o via puxar uma mesinha com rodinhas para perto de mim. O lugar era diferente do outro, não parecia ser o mesmo buraco em que estava antes de ficar inconsciente por ter sido espancada. Talvez ele tenha aproveitado e tenha mudado de lugar.
Fechei meus olhos respirando fundo, não tinha noção exata do tempo que passei inconsciente, horas ou talvez dias. Não tinha tanta importância assim. Minha cabeça agora latejava, como se eu ainda estivesse sendo lançada contra a parede e o mesmo acontecia em meu rosto.
Toda a área do meu rosto ardia, conseguia sentir o peso de sua mão ainda na minha face deferindo os vários tapas que recebi. Aquilo parecia se tornar ainda mais real quando eu fechava os olhos.
James parou na minha frente, trazia uma cadeira com ele além da mesinha e deixou as duas próximas de mim. Nem mesmo fiz questão de olhar para saber o que havia nela, já não me importava mais com nada daquilo. Queria apenas que tudo acabasse logo e eu não estava me importando em como ganharia um fim. Ele sentou-se, de frente para mim e logo percebi um pano em sua mão, com calma ele começou a passá-lo por meu rosto. Fiz menção de me afastar dele, mas assim que fiz isso ele me segurou, mantendo-me daquele jeito.
— Sabe, você nunca para de me surpreender não é mesmo, Julia? — O pano estava úmido e um pouco quente também, quando senti aquele contato a dor que sentia em meu rosto só pareceu ficar pior. — Eu tenho de admitir, reconheço que você foi muito esperta mesmo. Você só me impressiona!
Eu apenas o olhei com desprezo, não dava a mínima para o que ele estava me dizendo ali.
— Mas ligar para um deles não foi nada legal, mas não precisava se preocupar com isso, eles não irão te achar — Ele pareceu sorrir ao dizer aquilo. — Bom, podem até achar, mas acho que já será tarde demais quando isso vier a acontecer. Esforcei-me para esticar meus lábios, abri um sorriso curto ainda encarando-o, dessa vez de maneira debochada.
— Eu acho que você ainda não conhece Penélope Garcia ou qualquer outro membro da minha equipe. — Falei com a voz baixa demais. — Eles vão me achar e quando isso acontecer será o seu fim seu desgraçado!
— Está muito confiante, Julia. Tem mesmo certeza disso? — Ele parou o que estava fazendo e me fitou, uma de sua sobrancelha arqueada. — Sabe quanto tempo faz desde que fez aquela ligação? Ele fez uma pausa, estava apenas dizendo aquilo para tentar me provocar.
E iria fazer de tudo para que ele não conseguisse aquilo.
— Já está aqui comigo faz quase vinte dias, e isso são quase três semanas… E desde a ligação que fez já tem uns quatro dias e até agora nada deles arrombar aquela porta e tirá-la daqui… — Sua cabeça pendeu para o lado. — Tem mesmo certeza de que eles vão mesmo encontrar você? Acha que eu iria mesmo deixar que tudo isso fosse do mesmo jeito como foi meses atrás?
Outra pausa esta sendo um pouco mais demorada.
— Sabia que encontrei com seus amigos? Eles vieram procurar por você meia hora após você ligar para eles — Ele jogou o pano úmido dentro de uma vasilha com água e voltou a me encarar. — Aquele seu chefe, Aaron Hotchner, ele estava tão certo de que iria lhe encontrar… Tive uma grande oportunidade de matá-lo, mas não fiz isso, seria fácil demais para ele. Se o matasse ele não teria de conviver com a culpa por não tê-la encontrado e eu quero que ele sinta isso.
Sua mão tocou meu rosto machucado, exatamente onde a dor era mais forte.
— Mas ele e todos os outros estavam enganados, assim como você também está nesse momento. — Ele lembrou-me. — Não pense que só porque tem uma amiga que sabe rastrear pessoas que ela irá conseguir te rastrear também. Dessa vez você não irá escapar ou fugir de mim, como eu disse, eu pensei em tudo.
Ele soltou meu rosto, ainda me fitava e então fiz questão de encará-lo fixamente. Sentia todos os músculos existentes em minha face doerem, mas não me importei muito com aquilo.
— Podem não conseguir nada com a ligação, mas eu acho que tê-la feito usando o celular do Taylor mudou um pouco o seu jogo — Dei com os ombros, rindo muito baixo. — Acho que nesse exato momento já devem estar indo atrás dele… E então será apenas uma questão de tempo até que… Bem, você já deve saber o que virá depois disso.
Ele riu.
— Eles não poderão ir atrás dele se não souberem onde ele está não acha? — Ele gesticulou com o queixo para uma direção, virei o rosto o vendo ali parado de pé. Taylor olhando na minha direção com a mesma expressão de deboche que James me encarava.
— Ele é o seu pau mandando? Foi só pedir e ele te ajudou a me pegar? — Perguntei, ligando alguns pontos. James assentiu bem devagar, o sorriso amarelo se formando em seus lábios.
— Não foi só com isso que ele fez. Não acha incrível o que a gente consegue fazer com ajuda? Ainda mais de alguém que é um agente da CIA. — Ele voltou a falar, pegou um pote pequeno e retirou sua tampa revelando o seu conteúdo. Sopa. — Basta que você apenas cobre alguns favorzinhos aqui e ali e pronto. Ri. Mesmo sem força alguma para fazer isso.
— Forjou sua morte. E Taylor o ajudou com isso. — Deduzi, acho que aquilo já tinha ficado bem óbvio para mim. — Isso foi muito clichê, até para alguém como você. Ele sorriu outra vez.
Taylor continuava calado.
James segurou-me pela nuca e trouxe o pote até meus lábios, para que eu tomasse a sopa que ele trouxera. Ela não estava quente e tão pouco saborosa e seu gosto era estranho, mas não ousei reclamar, pelo menos estaria colocando algo em meu estômago vazio.
— Foi muito difícil fazer tudo isso é claro, foi preciso paciência é muito planejamento para que desse certo. Felizmente eu tenho as duas coisas. — Ele falava com lentidão. — Queria fazer uma surpresa de aniversário para você e acho que consegui.
— A confusão que aconteceu na prisão também foi forjada? Ou você é tão doente que também forjou aquilo? — Perguntei sem muito interesse.
— Não. Aquilo foi apenas uma oportunidade que veio em um ótimo momento. — Ele suspirou.
— Me responda uma coisa: O que o Taylor é nisso tudo? Porque até onde eu sei a “nossa história” se diz respeito a apenas nós dois. Ele é o seu cachorrinho? — Perguntei com descaso, segurando o riso que ameaçou sair. — Você manda nele e sendo um bom menino obediente ele sai correndo para te obedecer?
Outra risada.
— Chegou mesmo ao ponto de precisar de alguém para fazer todo o seu trabalho sujo? — Tornei a perguntar. Seguindo com o mesmo descaso de antes.
— Você está brava por não ter percebido nada que parecesse suspeito nele? — Perguntou. — Sabe, foi muito difícil conseguir mandá-lo para a sua equipe, por sorte eu consegui mexer alguns pausinhos. Depois que fui preso precisava de alguém para ficar de olho em você, que me dissesse todos os seus passos e casos e antes que eu me esqueça, fez um trabalho e tanto naquele parto. Parabéns. Ele parou, limpou o canto de meus lábios com o polegar usando uma força quase desnecessária ao fazer aquilo.
— O que ele tem a ver com tudo isso? De verdade, me responda o que ele tem a ver com tudo isso? — Ergui meus olhos lentamente para seu rosto e James ainda estava a me fitar e ao perceber a forma como o olhei, seu sorriso se ampliou.
— O que ele tem a ver com tudo isso? — Repetiu a minha pergunta olhando na direção de Taylor. — Ele é apenas alguém que me devia um favor, tomar a culpa de alguém por causa de um incidente que terminou em um homicídio não é algo tão barato como pensa. Ele tinha uma grande divida comigo e bem, eu precisava de um agente de verdade para entrar na sua equipe não acha? Assim foi mais fácil conseguir sua entrada no FBI.
Engasguei com a sopa e ele não se mostrou preocupado. Apenas limpou meu queixo retirando o excesso que havia caído. Não conseguia acreditar naquilo, não fazia o menor sentido.
— Você é louco — Soltei o comentário para mim mesmo e como já esperado ele nem se deu ao trabalho de prestar atenção. Taylor não era ninguém, apenas um peão que era útil apenas para aquela situação; nada mais do que isso. Como eu dissera antes, apenas um pau mandado.
— Sabe o que é mais engraçado nisso tudo? Aquela tal de Strauss o chamou para ser um tipo de agente duplo, o que foi que o seu chefinho Aaron Hotchner fez para fazer com que ela pedisse a vocês dois que ficassem de olho nele? — Enquanto ele continuava a falar eu permaneci calada. — Ele também me contou que você se recusou a fazer isso, não queria ficar de olho no homem. Na verdade ele me contou várias coisas… E tem algumas que são bem curiosas sobre você e aquele seu chefe…
Ele finalmente me soltou e se afastou. Guardando o pote no mesmo lugar.
— E depois de ouvir como chamou por ele… Eu finalmente entendi o que estava acontecendo. — Ele riu consigo mesmo, como se achasse tudo aquilo muito divertido.
— Cala essa boca! — Pedi com rispidez, não suportando mais ouvir sua voz ou qualquer coisa que ele tinha a dizer. — Só cala essa maldita boca!
Sua expressão tornou-se de puro deboche.
— Quanta hostilidade. — Comentou se aproximando de mim outra vez e segurando meu rosto com tanta força que ele voltou a doer. — Não me faça repetir o que aconteceu antes, não quero me descontrolar outra vez!
Com a mão livre ele começou a mexer em meu cabelo.
— Essa sua mania chata de ser a mesma garota bocudinha me deixa… Hum muito nervoso. — Seu aperto em meu rosto se intensificou, estava doendo e me machucando. — E eu não gosto nem um pouco disso em você, mas como em toda relação alguém sempre tem aquele defeito que precisa ser trabalhado, não é mesmo?
— Vai para o inferno! — Esbravejei o mais alto e ríspido que pude, sentindo todo o meu corpo ir para frente ao fazer aquilo.
James Sawyer mirou seus olhos em mim ficando daquele mesmo jeito durante cinco segundos e então intensificou ainda mais seu aperto em meu rosto; se é que aquilo fosse possível. Ele desceu sua mão, agora me segurando pelo pescoço com mais força e pressão. Sufocando-me.
— Ah eu vou, pode ter certeza disso, mas saiba que vou levá-la comigo! — Ele aproximou seu rosto do meu de uma maneira quase assustadora, a expressão em seu rosto era completamente diferente de antes.
Suas palavras me preocuparam, senti meu corpo estremecer e o ar em meus pulmões me deixar aos poucos e quando eu pensei que iria finalmente morrer. Livrar-me dele e de tudo aquilo, ele me soltou de uma só vez. O ar voltando aos meus pulmões de forma apressada e sem avisos, deixando-me com um pouco de dificuldade para respirar no começo.
— Fique com ela, eu já volto. — James então me deixou sozinha com Walter. Em silêncio fui vendo-o se colocar na minha frente, mantendo uma boa distância de mim, seus olhos me analisaram de cima abaixo.
— Dói bastante não é? — Ele perguntou rindo descaradamente. — Eu gostaria de saber onde está aquela agentezinha toda corajosa de antes com suas ameaças… Era apenas uma fachada?
Arrumei-me na cadeira, aquela posição já deixando parte do meu corpo dormente. Ergui meu olhar o encarando firmemente, tudo parecia fazer mais sentido agora.
— Essa agentezinha fará questão de matar você assim que uma oportunidade surgir, você pode ter certeza disso. — O ameacei da forma mais firme que pude. Taylor apenas riu.
— É isso o que veremos agente. — Ele respondeu, dizendo o agente como se debochasse novamente, sentando-se ainda distante de mim. — Estarei esperando ansiosamente por esse momento.
Estreitei meu olhar sobre ele, acabar com ele não era de fato a minha prioridade, mas eu faria questão disso caso tivesse uma chance de fazê-lo. James retornou depois de um longo tempo, dispensou Taylor que novamente nos deixou sozinhos ali. Ele então me solta, estava livre para tentar fugir outra vez, mas estava fraca demais para tentar.
— Precisa se limpar minha querida. — Ele falou enquanto se aproximava um pouco mais de mim. — Está com uma aparência péssima e também… O cheiro do sangue já deve estar lhe incomodando.
— Eu não estaria desse jeito se você não tivesse me batido e me torturado. — Rebati, ignorando a mão estendida na minha direção. Comecei a tentar me levantar por conta própria, mas ele se mostrou impaciente e me segurou pelos braços, erguendo-me da cadeira num único impulso.
— Não me culpe pelo que houve com você — Ele informou, segurando meu braço e gesticulando com a mão livre para que eu começasse a andar. — Não deveria ter feito aquilo e eu precisei agir, não queria ter chegado a esse ponto. Mas como eu disse antes; eles não vão te encontrar.
Ri baixo. Chegava a ser quase cômico o quanto ele conseguia ser confiante. Eu sabia que eles iriam me encontrar, tinha total certeza disso. James me tirou do cômodo onde me mantinha, seguimos em direção ao mesmo extenso corredor onde horas atrás havia sido espancada.
Ele seguiu para a minha frente, abrindo uma porta. Parecia ser outro lugar e realmente era, aquele estava limpo demais. Era até mesmo bem maior que a casa de repouso que eu tinha quase certeza que estava sendo mantida presa. Passamos por várias outras portas até que paramos, dessa vez ele me guiou até o banheiro daquele novo lugar. Sem delicadeza alguma, ele forçou-me a sentar sobre o sanitário, enquanto ligava a água para encher banheira que curiosamente estava também limpa; assim como todo aquele ambiente desconhecido.
Olhei ao meu redor, o interior do banheiro de fato estava exageradamente limpo, apesar de o cheiro forte de cloro fazer com que meu nariz coçasse não me sentia como antes, mesmo que estivesse ainda presa com aquele homem desprezível e grotesco, ali dentro eu me sentia estranhamente melhor; talvez por saber que conseguiria tirar um pouco de toda aquela sujeira do meu corpo. James se virou ficando de frente para mim, a camisa escura e a calça jeans com algumas manchas escuras o deixavam com uma aparência descuidada. Principalmente em seu rosto, onde a barba já se mostrava visível e por fazer.
— Pode tirar a roupa e tomar um banho, Julia. — Ele falou seu olhar fixo em meu rosto ferido. Arqueei uma sobrancelha o olhando incrédula e devagar balancei minha cabeça de um lado para o outro.
— Vai sonhando em achar que eu vou ficar nua na sua frente, seu pervertido — Cruzei meus braços, unindo minhas pernas.
A camisola suja subiu um pouco, revelando alguns dos cortes recentes ali feitos. Já nem me incomodava mais com eles. James Sawyer sorriu com o canto dos lábios, um sorriso torto e carregado com um pouco de malícia. O que me incomodou profundamente.
— Você está dormindo com o seu chefe que é pelo menos vinte anos mais velho do que você e eu que sou o pervertido aqui? — Perguntou com ironia em sua voz. Ele sabia sobre mim e Hotchner? — Não é necessário ser um profiler para saber disso, como eu disse, a forma como o chamou durante a ligação que fez a ele… Foi isso que te denunciou.
— Cala a boca! Só cala essa tua boca! — Gritei com fúria. Não suportando mais nem mesmo ouvir sua voz.
Ele se aproximou, parando bem na minha frente e então segurou meu queixo com força.
— Sabe, quando você fala desse jeito só faz com que eu goste ainda mais de você — Ele apertou os dedos em meu queixo, fazendo com que eu sentisse uma forte dor em todo o meu rosto. — A escolha é toda sua, pode ficar apenas com a roupa íntima para se lavar, infelizmente não tenho roupas limpas para você.
Ele soltou meu rosto e se afastou, apoiado o corpo na pia mais à frente e me olhando, esperando que eu fizesse algo. Levantei-me do sanitário, eu queria mesmo tomar um banho, mas não ficaria mais exposta a ele do que já estava. Não iria dar esse gostinho para aquele cretino. Dei as costas para ele e levei uma mão até a fina alça da camisola que usava, retirando-a com muita calma, pois ainda sentia as dores em meu corpo pelo que aconteceu antes. Deixei que o tecido imundo com meu próprio sangue escorregasse por meu corpo, caindo aos meus pés. Fechei meus olhos sabendo que o olhar de James se encontrava fixo em mim.
O grande desconforto ali sentido fez com que eu me sentisse nua ali. Mesmo que estivesse apenas com minha roupa íntima. Inclinei meu rosto para baixo, as marcas recentes e até mesmo as antigas eram visíveis em meu corpo. O sangue seco cobria algumas, mas não as escondiam por completo. Senti o peso de seu olhar quando virei-me para a banheira, de esgueira eu pude vê-lo mudar um pouco de posição. Entrei na água, ainda parcialmente vestida, ele não iria me ver como desejava.
Se eu conseguisse impedir isso eu o faria.
Aquilo seria tudo o que veria do meu corpo. Ao me sentar na banheira, a água ali dentro ganhou uma coloração muito avermelhada por causa do sangue seco preso em minha pele. Fiquei ali parada, olhando para a cor vermelha que me cercava ali dentro, perguntei-me como tudo se tornou uma grande desgraça como aquela? Eu estava ali, à mercê de James. Exposta como nunca estivera antes, nem mesmo quando ainda era criança.
Ele de fato estava conseguindo, se queria me humilhar, ele obteve sucesso nisso.
— Como quiser. — Ele estraga novamente a se aproximar de mim e entregou uma esponja juntamente com um sabonete.
Ele sentou-se de frente a banheira, James iria mesmo me observar enquanto me limpava. Tentei não pensar em sua presença ali, distrair minha mente com qualquer outro pensamento que pudesse me ajudar a esquecer-me dele ali comigo a me observar atentamente enquanto me lavava.
Após um longo tempo eu simplesmente parei o que estava fazendo, encarei a água, que agora estava completamente avermelhada. Respirei fundo, faltava apenas uma área para ser limpa, uma da qual eu não conseguiria alcançar sem ajuda. Mas eu não pediria por sua ajuda, não iria deixar que ele me tocasse daquele jeito. Ergui a mão que continha a esponja, fazia aquilo paciente demais, querendo acabar de vez com aquilo.
Inclinei meu corpo para frente e sozinha mesmo, comecei a passar a esponja por minhas costas, tentando limpar a maior área possível.
— Sabe que não precisa se sentir envergonhada por querer ajuda — Ele me provocou, sabia que eu estava fazendo aquilo para não ter de permitir seu toque. — É só pedir, será um prazer.
— Eu posso muito bem fazer isso sozinha! — Resmunguei sem o olhar, sentia o braço doer, mas não demonstrei aquilo.
Caso contrário seria ele a sair vitorioso dali. Ele apenas murmura algo e me deixa continuar. Faço tudo o que tenho de fazer com muita calma até finalmente terminar. Vejo quando James se levanta abruptamente, ele caminha até um armário pequeno e tira de lá uma toalha escura. O homem permanece de pé, de frente para a banheira e me espera sair dali. Mordo minha língua com raiva daquilo, mas mesmo assim o faço.
Com lentidão me coloco de pé, a água vermelha escorria por meu corpo e seu olhar não escondeu nem um pouco a lasciva a me ver daquele jeito na sua frente. Sinto meu estômago revirar ao receber aquele olhar, fecho minha mão num punho controlando-me para não lhe dar um soco ali mesmo. Sabia que aquilo só faria com que tudo ficasse ainda pior. Ele estende a toalha na minha direção e a pego com rispidez, com muito cuidado começo a me secar.
Tocando os vários cortes com a ponta de meus dedos e sentindo cada um doer de forma intensa. Sem dizer nada ele apenas pega o trapo velho que um dia chamei de camisola, o pano sujo de sangue permanece em suas mãos.
— Infelizmente a sua camisola vai ficar molhada, é mesmo uma pena eu não ter outra roupa para você. — Ele diz aquilo num tom fingido, estava estampado em seu rosto o quanto ele estava adorando cada segundo daquilo.
Nunca o perfilei como um sádico, mas acho que isso já era algo óbvio demais para mim. Pego o tecido velho e imundo de suas mãos e o visto, espero pelo próximo passo. James apenas me encara, calado demais. Suspeito demais. Sua mão vem até meu rosto, tento desviar-me dele, mas sendo mais rápido ele o segura, usando uma força desnecessária para aquilo.
— Está muito pálida, não gosto de vê-la desse jeito — A mão continua em meu rosto, seu aperto aos poucos vai se intensificando. — Poderia estar cuidando melhor de você se não fosse tão teimosa assim.
— O tratamento melhor seria como? Você só me cortaria? — O questiono irônica, arqueando uma sobrancelha. Sua cabeça pendeu para o lado.
— Se continuar falando desse jeito comigo não vou conseguir me controlar tanto assim. —Ele inclinou o corpo na minha direção, a mão livre segurando uma mecha do meu cabelo para que ele pudesse levá-la até seu nariz.
Ele aspirou o cheiro, fechando os olhos e soltando um gemido baixo, o que me fez estremecer ali mesmo. Em nenhum momento ele ousou me tocar, nem mesmo quando eu ainda era criança. Mas não podia dizer que ele não pensaria em fazer isso agora. Depois desse ato, tudo poderia acontecer.
Travei meu corpo ao sentir sua mão descer por minhas costas, passar por minha cintura e ficar ali. Ele ainda segurava meu rosto, obrigando-me a continuar o olhando e foi então que ele puxou meu rosto para o dele, beijando meus lábios como ele fizera antes. Na primeira tentativa de recuar ele pareceu me segurar com mais força, machucando meu corpo e então reagi.
Uni minhas mãos e o empurrei o mais forte que consegui, aproveitando a deixa para estapeá-lo no rosto. James nem mesmo pareceu se incomodar com aquilo, olhou-me enfurecido e avançou outra vez na minha direção empurrando-me contra a parede com força.
— Parece até que você pede para que eu continue fazendo isso com você, Julia — Sussurrou em meu ouvido. — Não me faça perder o controle. Não como aconteceu antes, nenhum de nós irá gostar caso isso venha a acontecer.
— Acha mesmo que eu tenho medo de você ou do que pode fazer comigo? — Perguntei, erguendo o queixo o bastante para encará-lo como se o desafiasse. — Está ameaçando me matar desde o primeiro dia e até agora não o fez e sabe por quê? Você não consegue fazer isso, já o teria feito se tivesse.
Suspirou.
— Eu vou fazer com que deseje que eu a mate. — Ele sussurrou mais uma vez pausadamente, num tom sombrio e ainda mais preocupante. O que mais ele poderia me fazer? Já estava no inferno, me matar? Não acho que ele fosse realmente fazer isso; mesmo que eu já desejasse que ele acabasse logo com isso.
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