Stronger feelings

39 Capítulo 39


Notas iniciais
Boa noite leitoras! Mais um capitulo e este todo narrado do ponto de visita do nosso amorzão Aaron Hotchner. Boa Leitura!

A revelação sobre Taylor e por ele obviamente estar trabalhando com James fez com que a equipe reagisse de forma já esperada. Durante todo o tempo em que esperamos por Penélope consehuir rastrear seu celular, a discussão era sobre isso e sobre o que tínhamos. Tivemos sorte em Garcia tem conseguido uma localização, o pouco que Julia dissera sobre o lugar em que ela estava também serviu de ajuda.

Conseguimos assim um endereço de uma casa de repouso.

Em meio ao fim de tarde, o som de nossos próprios passos por toda a propriedade abandonada parecia mais alto à medida que seguimos a diante. Mal conseguia raciocinar direito por saber que poderíamos enfim encontrá-la.

Sentia apenas ódio, internamente me preparava para encontrar com o desgraçado que feriu. Se o visse tudo poderia acontecer, poderia acabar jogando-me contra ele e prensando meus dedos em sua garganta para matá-lo asfixiado. Não pensaria duas vezes se tivesse se fazer isso.

Fazê-lo pagar pelo vídeo e a foto que ele enviara apenas para mim de como Julia estava.

Fechei meus olhos por breves segundos, lembrando-me do vídeo onde ele a torturava e depois de Julia me ligar através do número de Taylor Walter a foto que ele tirou. Tinha consciência do que lhe aconteceu e do que ele lhe fez; bateu nela. Os milhares de hematomas pelo corpo deixavam isso claro.

E pensar nisso apenas me enfureceu ainda mais.

— Hotchner? — A voz de Dave trouxe-me de volta, sequer havia percebido que já estava no interior do local.

Levei um tempo para lhe responder. Não prestava tanta atenção assim no que ele me dizia ou no que estávamos fazendo no momento; minha mente parecia concentrada demais em apenas uma coisa: Julia.

A forma como ela gritou meu nome em total desespero e medo do que estava lhe acontecendo... As palavras ditas por James... Como se manter focado quando ela estava em perigo?

Apenas assenti em resposta e então continuamos seguindo em frente. Minha respiração estava entrecortada, meu pulso acelerado demais como se tivesse acabado de correr em alguma maratona.

Rossi olhou-me mais uma vez, a escada que nos levaria para o segundo andar daquele lugar se dividia ao meio, deixando um amplo corredor para os fundos. Morgan gesticulou na sua direção, indicando que seguiria por aquela direção. Com a cabeça acenei para cima, David e eu seguiríamos por aquela direção. Começamos a subir os degraus, a madeira velha rangendo a cada novo passo que dávamos parecia deixar todo aquele ambiente com um ar de filmes de terror antigos.

Nos separamos ao chegarmos ao corredor também extenso, caminhei com um pouco de pressa até o primeiro quarto a direita. Segurei a maçaneta com firmeza não fazendo cerimônia para adentrar ao quarto.

O lugar fechado e lotado de tralhas não deixava chance alguma de alguém consehuir entrar ali; nem mesmo continha algum sinal de que poderia uma pessoa ter estado naquele lugar. Sai dali ao constatar que não iria conseguir nada ali.

Segui para o outro quarto, porém não tive tempo de entrar. Rossi apareceu no corredor.

— Eles de fato estiveram por aqui — Falou gesticulando com a mão livre para que eu fosse até ele.

Ao parar na porta não consegui entrar, mesmo que eu quisesse não teria conseguido encontrar forças para tal. Não com o que estava vendo ali.

— É a mesma cama hospitalar... — Comentei para mim mesmo, sentindo que toda aquela preocupação só pareceu crescer ainda mais.

— Do que está falando? — Rossi questionou-me, virando o rosto na minha direção. Sua testa franzida com a dúvida.

Ao perceber o que havia dito dei-me conta de que minhas palavras não saíram tão baixas como pensei e tão pouco foram ditas por pensamento. Abaixei a face fechando os olhos mais uma vez, o cheiro forte de poeira e sangue quase dominando todo aquele lugar.

— Na mesma noite em que ela foi levada James ligou pelo celular dela e depois mandou um vídeo de quase dez minutos dele a torturando — Contei com pesar, as cenas ainda frescas em minha mente. — E aquela é a mesma cama na qual ela estava.

Rossi assustou-se com aquilo; era o único para quem havia contado sobre o vídeo.

— Por que só está falando sobre isso agora? — Tornou a perguntar, agora se mostrando num misto de raiva e espanto.

— Porque, na realidade, eu não iria contar a ninguém — Lhe confessei sem rodeios. Não havia motivo para isso e muito menos para esconder algo dele.

— Eu sei que está nervoso e preocupado com ela e com tudo o que está acontecendo com Julia consifo imaginar como deve estar a sua cabeça, — Ele deu um único passo para frente. — Mas sabe que se deixar que Sawyer brinque com você estará fazendo exatamente o que ele quer, não sabe?

— O que quer que eu faça com tudo isso? — O questionei com certa raiva em minha voz, não queria ter chegado a esse ponto, mas foi impossível controlar minha entonação. — Quer que eu fique calmo enquanto aquele doente continua a ferindo e fazendo sabe lá Deus o que?!

Rossi pareceu parar durante alguns segundos, a forma como ele me olhava mudou um pouco. Apesar de falar daquela forma, ele permaneceu do mesmo jeito amigável de sempre.

— Ficar irritado também não irá ajudá-la em nada — Dave manteve o tom calmo de sempre. Compreensivo até.

Respirei muito profundamente, não exitia uma forma de manter-se calmo em uma situação como aquela. Não quando Julia corria perigo.

— Haley morreu por minha causa e agora pode acontecer o mesmo com a Julia — Fiz uma pausa muito breve apenas para respirar profundamente. — E não quer que eu fique desse jeito?

Rossi abriu a boca, mas não chegou a responder de imediato. Seu olhar mudou um pouco mais, parecia levemente compreensivo, mas eu sabia que não era nada daquilo.

Não consegui perfilá-lo no momento.

— Não vamos deixar que chegue a esse ponto, Aaron. Isso eu posso lhe garantir. — Ele enfim respondeu, praticamente encerrando aquele assunto de uma vez.

O vi se afastar para continuar olhando nos outros quartos, permaneci ali mesmo. Se foi naquele cômodo em que ele esteve com Julia então era muito provável que acabasse encontrando algo que viesse a servir como pista.

Adentrei e imediatamente me senti estranho por estar ali dentro, as imagens de Julia sendo ferida novamente se fizeram presentes em minha mente. Como se quisessem que eu reviesse aquele pesadelo outra vez; como vem acontecendo desde que o recebi.

Com o canto dos olhos, mirei um porta-retrato em uma mesa quebrada ao lado de uma cadeira. Vi uma fotografia colocada ali de qualquer jeito e a peguei para vê-la melhor.

Era Julia ali.

Em um dos casos que tivemos logo após a entrada de Taylor na equipe. Julia vestia uma de suas blusas escuras e o colete do FBI. A foto tirada a mostrava em ação, apesar e estar cortada quem estava ao seu lado era Morgan e apenas o seu braço era visível.

— Encontrou alguma coisa? — Rossi apareceu de repente entrando no quarto.

— James deixou isso — Mostrei a ele o porta-retrato com a foto de Julia. — Lembra deste caso?

Ele assentiu.

— E como esquecer? O unsub quase nos matou naquele dia — Ele se apeoximou e olhou a foto. — Ele foi apressado, para alguém que obviamente planejou tudo isso não parece ser trabalho dele.

Concordei.

— Julia ligou usando o celular de Walter e Garcia conseguiu rastrear o número — O olhei. — Isso não fazia parte do seu plano.

— Mas ele fez questão de deixar isso aqui, que tipo de mensagem ele quer nos passar? — Rossi pegou o porta-retrato para olhar melhor a foto.

— Ele está apenas nos provocando — Simplesmente respondi. — Sabe que estamos a procurando e também está sabendo o que descobrimos de Taylor.

— Ele também está na nossa frente — Ele completou o pensamento com um pouco de indignação em sua voz. — Mas não por muito tempo.

Não consegui respondê-lo da forma como queria, apenas anui de forma positiva saindo do quarto para então entrar em outro. Este com as duas janelas bloqueadas por pedaços bem irregulares de madeiras velhas, deixando seu interior mais escuro.

Dei apenas três passos adiante quando fui surpreendido. O braço envolvendo-me por meu pescoço e me puxando para trás. Ouvi a batida da porta e um barulho que muito se assemelhou a um disparo feito vindo do lado de fora.

Pensei em Rossi e Morgan que estavam dentro da casa e nos outros que estavam do lado de fora; tudo poderia estar acontecendo naquele momento.

— Olá agente Hotchner. — A voz inconfundível de James Sawyer preencheu todo o interior daquele cômodo inutilizado há anos. — Já tem quantos meses desde que nos vimos?

A tentativa de reagir falhou antes mesmo que eu pudesse sequer conseguir realizá-la.

— Você não tem ideia... — Ele apertou bem mais o braço em meu pescoço, não estava me enforcando; aquilo não parecia ser sua intenção. — ...Você não sabe em como estou feliz por vê-lo aqui, agente.

Ele confessou, era possível de se imaginar o sorriso que eu sabia que ele tinha no rosto. A forma debochada como ele falava me mostrava isso.

— Pensei que vocês demorariam tanto assim para vir procurá-la, talvez não sejam tão bons assim como eu imaginava que eram — Sawyer murmurava, o braço foi forçado uma terceira vez e então o outro praticamente serviu de de apoio para que ele pudesse me empurrar contra a parede.

Ficando assim de frente para mim. Como já se era de esperar ele sorria de forma ampla, os dentes pouco amarelados e o brilho psicótico em seus olhos só deixavam claro no quanto aquele homem era doente.

— Onde ela está? — Gruni com raiva, olhá-lo sem que as imagens que recebi viessem à tona era quase impossível.

— É claro que iria perguntar dela, a Julia está bem, para alguém na situação dela... Nao se preocupe, ela é uma moça muito forte — Garantiu com um sorriso, parecendo orgulhoso.

Pude ver mais perto o quanto os dias e anos passados não foram bons para com ele. James muitas rugas visíveis em boa parte do rosto, mas a marca avermelhada em seu pescoço foi estranha.

A insanidade praticamente o dominava, deixando-o um homem descontrolado.

— Mas você já sabe disso não é mesmo? Por ser chefe dela deve estar bem orgulho por saber que ela aguentou a punição — Os olhos dele brilhavam, a loucura agora mais visível. Quase palpável. — Teve um momento que ela chamou pelo seu nome, só que infelizmente você não estava por perto para ajudá-la... Imagina no quão decepcionada ela vai ficar quando souber que ligar para vocês não adiantou de nada...

Controlei minha respiração, o deixaria falar, se ele pensava mesmo que estava no controle da situação o deixaria pensar assim por mais tempo. Já havia me decidido sobre o que faria com ele se tivesse uma chance como aquela e não iria desperdiçá-la.

— Pegamos você seu desgraçado! Está cercado e não importa como farei isso, mas assim que eu acabar com você irei encontrá-la! — Garanti a ele, a promessa soando com firmeza por meus lábios.

James Sawyer piscou os olhos, se aproximando um pouco mais de mim, olhando-me com estranha curiosidade.

— É mesmo? — Ele duvidou, franzindo sua testa, porém deixando claro todo o seu deboche. — Terei de pensar em como irei contar a ela sobre a sua morte... Ela vai ficar tão triste quando souber disso...

Seu sorriso se ampliou ao mesmo tempo que a mão livre retirou a faca de seu cinto, pronto para atacar. Semicerrei meus olhos e não pensei muito no que faria, só queria acabar logo com ele.

Joguei o corpo para frente empurrando-o com força, usando o punho para acertar seu rosto logo em seguida. Sawyer comprimiu um grunhido de dor com os lábios, levando as duas mãos ao local acertado, seu nariz passou a sangrar.

Tentei pegar minha arma, mas James Sawyer foi mais rápido do que esperado. Puxou-me através do meu colete e também golpeou-me no rosto; como uma vingança pelo que lhe fiz. Não previ o segundo golpe que veio, apenas me dei conta de que já estava no chão. James descarregando todo o pente de minha arma no colchão velho posto no canto.

Os tiros pareciam fazer ecos pelo quarto, mesmo que não fosse um cômodo vazio.

— Acho que assim será bem mais interessante não acha? — Ele mostrou-me a arma sem balas e a jogou sobre mim. Lançando-lhe um olhar completamente desdenhoso, James permitiu que me colocasse de pé outra vez.

Assistiu em silêncio acompanhando com seus olhos até me ver ali direito.

— Sabe, eu acho muito engraçado que de todos nessa equipe, você parede o mais preocupado com ela. É um tipo de preocupação que eu conheço muito bem — Fitou-me. Não iria reagir, não naquele momento. — Taylor falou algo sobre isso em algum momento, mas antes não prestei tanta atenção assim, estava focado demais com as fotos da minha garota.

Contou. Aquela sendo a primeira vez que ele mencionara o nome de Walter.

— Mas então eu passei a prestar mais atenção nos detalhes e fui percebendo melhor o que estava acontecendo e eu tenho de contar que a forma como ela gritou pelo seu nome... — Mordeu os lábios, uma animação suspeita se fez presente. — Foi a confirmação necessária para que eu enfim entendesse.

Seu olhar se voltou até mim, reconheci aquele olhar, pois eu fazia uso dele constantemente. James estava me analisando da mesma forma que eu fazia com criminosos. O sorriso do desgraçado se ampliava cada vez mais e vê-lo sorrir da forma vitoriosa como fazia naquele momento irritou-me.

Queria arrancar sua cabeça com as próprias mãos.

— Não o culpo por isso, Julia é uma mulher linda. Que homem não se sentiria tentado ao ficar perto dela? — Minha mão estava fechando-se num punho, foi necessário controlar minhas pernas para que eu não avançasse ali mesmo.

Compreendi o que ele estava fazendo; brincar com a minha mente e não podia deixar que ele obtivesse sucesso nisso.

A forma como ele falava sobre Julia me incomodava profundamente, se ele continuasse — o que eu sabia que ele faria — não conseguiria responder pelos meus atos. Reparei que ele voltou a segurar a faca e avançou discretamente na minha direção, já sabia o que fazer e precisava que ele chegasse um pouco mais perto.

— Darei apenas mais uma chance de me dizer onde ela está — Avancei um único passo na sua direção, endireitando o corpo e firmando as pernas. James pendeu a cabeça para o lado esquerdo olhando-me com curiosidade e diversão.

Os lábios esticaram-se lentamente até formar um sorriso desdenhoso, a faca em sua mão foi segurada com mais firmeza que antes; ele estava pronto para atacar.

— Eu digo a ela que você resistiu até o fim — Garantiu. — Mesmo que não precise de mais do que dois minutos para acabar com você!

Ele avançou sem aviso prévio. O movimento já previsível usado pela faca foi único e certeiro, arranhando parte do meu braço num corte superficial.

A camisa branca rasgou no local acertado e logo o sangue dali começou a pintá-la, deixando que a cor rubra e escura ganhasse destaque ali. Do lado de fora pude ouvir pelo menos cinco disparos, todos seguidos um do outro.

Não tive tempo nem de me preocupar com o que poderia estar acontecendo, Sawyer já estava avançando até mim mais uma vez. A luta corpo-a-corpo sendo mais duradoura que a anterior e também mais descontrolada.

— Quer mesmo saber aonde ela está, agente? Eu digo para você — Ele riu alto quando conseguiu derrubar-me.

A mesma risada presente no vídeo em que ele a feria.

— Ela está em um lugar onde você não pode salvá-la, não poderá encontrá-la.

Garantiu ainda desdenhoso. O pedaço irregular de madeira sendo preso em sua mão com firmeza e descendo com rapidez até meu rosto.

— Aaron? Aaron!? — Meus olhos aos poucos foram se abrindo, o rosto preocupado de Rossi sendo minha primeira visão.

Levei a mão ferida até o topo de minha cabeça, no mesmo local onde sentia a dor latejante da pancada recebida antes. Ela girou, tudo ao meu redor pareceu rodar numa velocidade absurda e foi necessário fechar os olhos por um tempo até que tudo estivesse normal outra vez.

— O quê?... — Perguntei enquanto procurava firmeza para conseguir me colocar de pé.

Foi como estar adormecido por um longo tempo, de início não parecia reconhecer o lugar onde estava, mas conforme minha cabeça e minha consciência voltavam, lembrei-me de tudo o que acontecera ali. Dave me ajudou a ficar de pé, notei que seu estado não era assim tão bom.

— James esteve aqui — Contei ao olhá-lo melhor. Ele apenas assentiu.

— Não só ele, mas Taylor Walter também. — Revelou soltando o ar pela boca, cansado. — Acho que fomos atraídos para uma armadilha, Morgan e Reid estão feridos, mas não é algo que seja muito preocupante.

Olhei para minhas mãos, havia sangue em ambas. A camisa com a manga rasgada no local específico também suja com meu próprio sangue.

— Vamos pegá-los. — Disse convicto. — Os dois.

Dessa vez conseguia notar mais firmeza e certeza em sua voz, não era apenas ele que queria pegá-los. Aquele mesmo desejo era compartilhado também por mim.

Notas finais
~ Próximo capítulo será todinho do ponto de vista da Julia, teremos explicações de algumas coisas e claro, mais sofrimento também. Beijos amores