Stronger feelings
38 Capítulo 38
Notas iniciais
Não sei ao certo por quanto tempo adormeci e isso também nem parecia ser assim tão importante para mim naquele momento. Só sei de que, no instante que abri meus olhos o cenário havia sofrido uma leve mudança. Eu não estava mais deitada na cama hospitalar e sim no chão, em cima de um colchão fino e com um cheiro forte de algo que apodreceu.
Todo o ambiente ao meu redor havia sido mudado também, o cômodo parecia mais vazio e menos iluminado que antes, de maneira que fosse quase impossível conseguir enxergar muito bem o que me cercava ali dentro. Tentei levantar-me dali e logo na primeira tentativa desisti, ainda me sentia um pouco enfraquecida, mas não como antes. Com um pouco mais de dificuldade levei minha mão até meu rosto, me surpreendendo ao ver que apenas uma dela se encontrava presa em uma parte de um cano com um enforca gato.
Voltei a deitar a cabeça no colchão, respirei profundamente para manter-me calma. Meu estômago roncou, estava faminta como nunca estive antes; quanto tempo estava sem dormir? Dois ou três dias? Talvez mais?
Assustei-me quando ouvi o rangido da porta e em seguida todo o lugar foi iluminado. Três refletores de luz foram acesos de uma só vez, escondi meu rosto no colchão sentindo o cheiro forte entrar pelas minhas narinas.
— Que bom que já está acordada, Julia. E então, como está se sentindo? — Ele perguntou, podia ouvir seu passos indicando que ele estava se aproximando de mim.
Ergo o meu corpo apenas o suficiente para conseguir encará-lo, arqueei a sobrancelha o fitando sem conseguir acreditar na pergunta feita. Não respondi. Ele continuou se aproximando de mim até que parou, permaneceu de pé por um tempo e então se agachou, apoiando-se em um dos joelhos. James estendeu a mão fazendo menção de me tocar e dessa vez consegui afastar meu rosto de sua mão.
— Não me toque!… — Falei o encarando com raiva, um misto de fraqueza e tontura se mostrou presente em mim, mas me esforcei para manter-me firme ali.
James Sawyer pendeu a cabeça para o lado me olhando com um pouco de deboche, seus olhos me fuzilavam com o mesmo deboche e também um pouco de raiva.
— Você quer mesmo bancar a mau criada comigo agora, Julia? — Perguntou num tom claro de puro deboche, eu sabia que ele estava gostando daquilo. Infelizmente.
— Eu quero que você me solte para que eu te jogue numa prisão… —Consegui dizer, mesmo que minha voz não tivesse saído assim tão firmemente como eu queria.
De imediato ele não disse absolutamente nenhuma palavra, seu rosto ficou ali imóvel e seus olhos fixos em mim. A expressão quase impossível de ser lida. Lentamente seus lábios começaram a tremelicarem e então, seguindo a mesma lentidão ele foi os esticando, mostrando aos poucos um tipo de sorriso que fez com eu estremecesse.
Engoli seco quando ele segurou minha cabeça fincando seus dedos na minha nuca, puxando meu cabelo com força de modo que meu rosto fosso empurrado para perto dele. Nossos rostos sendo separados apenas por uma fina linha inexistente ali. Sua respiração mudou, tornou-se mais pesada e o seu olhar também mudou, ele estava bravo.
— É mesmo muito incrível que depois de tudo você continua duvidando de mim — Ele disse, num fingido tom de decepção. — Acho que precisamos encontrar um jeito para mudarmos isso, não acha?
Ele soltou o meu rosto e se levantou de uma só vez, mordi o lábio com força quando vi que ele se dirigia para uma prateleira que se encontrava mais afastada.
— O que você quer comigo?— Faço a pergunta num tom muito baixo, virando meu rosto para poder olhá-lo. Ele estava de costas para mim, mas assim que perguntei aquilo ele parou e devagar se virou de volta para mim. — O que realmente quer comigo? Me torturar só porque escapei de você quinze anos atrás?
Precisei apoiar minha mão livre no chão quando me senti meio sonsa. James ainda estava me encarando, seu olhar parecia tentar ler-me de alguma forma.
— Eu sei do que é capaz de fazer… As marcas que eu tenho no corpo fazem com que eu sempre me lembre disso… — Continuei, eu mesma não entendendo muito bem o ponto em que queria chegar com aquilo. — Mas você realmente acha que eu não vou conseguir escapar outra vez de você?
Pisquei várias vezes depois de lhe questionar, ouvi meu estômago roncar novamente, levei a mão até minha barriga, sentindo o enorme vazio de alimento ali, dessa vez acho que ele ouviu, pois James encarou-me com um olhar curioso e preocupado ao mesmo tempo.
Hipócrita. Disse para mim mesma.
— Está com fome, não está? Ficar tanto tempo sem algo no estômago faz com que isso aconteça… — Ele mudou de enquanto muito rapidamente, estava aproximando-se outra vez de mim, parando na minha frente. Foi preciso erguer meu rosto para poder olhá-lo melhor.
— Fará alguma diferença se eu estiver ou não? — O questiono com fúria. Não sabia ao certo quanto tempo estava passando por tudo aquilo, mas seu jogo já estava me cansando.
Ele apenas suspirou. Passou sua mão pelo cabelo e rosto me fitando seriamente, James então agachou-se na minha frente de novo e segurou meu rosto com um pouco de força.
— Você está pálida demais, — Ele me observou, como se estivesse me analisando. — Está fraca e não queremos que morra por causa disto. Não é mesmo?
Ele sorriu de forma divertida e então se colocou de pé.
— Eu não vou te amarrar, ainda está com as marcas das outras amarras e não quero que fiquei com marcas que não tenham sido feitas por mim — Avisou, seu tom agora mudou. Pareceu soar mais sombrio que antes, James deu as costas para mim. — Só mais uma coisa: O que eu quero de você é algo simples demais, pensei que já estivesse claro para você, mas acho que não fui especifico o suficiente.
Continuei calada ainda o encarando.
— Eu quero que você seja minha. — Respondeu, seu olhar se estreitando levemente. — Que seja apenas minha, como foi anos atrás.
Ele balançou a cabeça ao dizer aquilo e então saiu dali. Subiu os degraus da pequena escada e ouvi quando a porta foi aberta e fechada outra vez. O som dela sendo trancada pareceu me assustar, foi um barulho alto e um pouco estranho também.
Estava sozinha novamente. Sem compreender o que acabara de acontecer ali. Não sei ao certo quanto tempo passou desde que ele foi ambira, mas não fazia muito tempo assim. Talvez alguns minutos, não tinha como eu saber direito.
Levantei-me do colchão com um pouco de dificuldade, nem mesmo liguei quando percebi que poderia acabar caindo no chão a qualquer momento. Acabei desistindo de me levantar quando vi que iria demorar demais para consegui me firmar no chão e então comecei a me arrastar pelo piso mesmo, até chegar perto de uma das três prateleiras que existiam ali dentro, se a porta estava trancada havia uma forma de conseguir destrancá-la e seria exatamente isso que eu tentaria fazer.
Já havia visto diversos vídeos na internet que ensinavam a destrancar uma porta usando diversos tipos de objetos e uma dessas formas era usando um grampo ou um clipe de papel. Até mesmo um pedaço de arame fino poderia acabar sendo útil e por sorte foi o que encontrei. Me joguei contra a parede me segurando nela e tomando fôlego e força, firmei minhas pernas.
Elas não podiam falhar naquele momento, não agora. O mais rápido que pude comecei a andar, ainda mantendo-me escorada na parede até que consegui chegar a porta. Usei o mesmo pedaço de arame que encontrei na prateleira para conseguir destrancar aquela porta.
Enfiei o arame em sua fechadura, por sorte aquela não era a primeira vez que fazia algo do tipo e ainda lembrava-me dos passos. Era necessário paciência, algo que não existia em mim naquele momento, mas que era algo necessário ali.
Segurei o fôlego por poucos segundos quando comecei a mover o arame na tranca, os minutos ali pareceram durar longas horas para mim até que finalmente consegui ouvir o som que indicava que estava conseguido. Levou alguns minutos até que finalmente consegui. Soltei um suspiro longo de alívio quando a ouvi ser destrancada. Aquela seria a minha chance de sair dali.
Devagar eu comecei a empurrá-la, torcendo mentalmente para que não fizesse um único som mais alto, James ainda estava ali e a última coisa que eu queria era que ele me escutasse.
Acabei me deparando com um lugar completamente diferente do que eu imaginava que estaria, o corredor era fechado e escuro, as paredes pintadas numa cor igualmente escura, dando ali uma sensação claustrofóbica.
Dei o primeiro passo para frente, atrevendo-me a sair do cômodo ou quarto onde estava, meu coração acelerou. Sentia como se pudesse ser pega a qualquer momento e realmente poderia, mas precisava manter-me confiante de que isso não iria acontecer.
Continuei seguindo dando mais alguns passos para frente e agora andando pelo corredor escuro e mau iluminado, encontrando mais duas portas fechadas e passei reto por elas. Aos poucos fui percebendo melhor onde estava, não sabia ao certo onde era e nem mesmo se era o que eu estava pensando, mas parecia ser aquelas casas de repouso antigas e pela sujeira e todo o pó que se encontrava acumulado em alguns móveis, ela estava sem utilidade fazia um bom tempo.
Meu estômago roncou outra vez, o barulho um pouco mais alto e que pareceu ecoar por todo o corredor. Levei as duas mãos até minha barriga como se aquilo fosse fazer com que o som não saísse dali.
Minha cabeça pareceu girar, a fome estava me deixando enfraquecida. Encostei-me na parede respirando fundo, tentei contar mentalmente até dez e não pensar em nada daquilo, porém minha mente parecia longe demais naquele momento.
Olhei para o corredor, faltava pouco para eu conseguir chegar a porta. Lembrei-me do que aconteceu quando tinha apenas quinze anos, estava novamente na mesma situação e tentando escapar da mesma forma. Voltei a caminhar, estava quase me arrastando pelo chão, parte de mim me dizia para parar ali mesmo, porém minha mente parecia não me deixar desistir.
Não quando eu tinha chance de conseguir sair dali.
De longe avistei uma mala, ela estava aberta. Ouvi um toque abafado de um celular, fiquei parada por um momento, era um toque de mensagem; porém não o reconheci.
Tentei correr até a mala, tropecei no meu próprio pé e por muito pouco não cai de cara no chão. Ao chegar praticamente me joguei de joelhos na frente da bolsa e comecei a vasculhá-la, tentando encontrar celular que havia tocado.
Enfiei a mão dentro da mala e toquei em algo comprido, o segurei e tirei dali de dentro vendo que havia conseguido pegá-lo.
Era uma mensagem de Garcia dizendo que havia conseguido descobrir mais uma pista sobre o que havia acontecido comigo. Franzi a testa ao lê-la, não fazia a mínima ideia de que quem era aquele celular, mas no momento não me importei muito, já que ele seria útil.
Abri um largo sorriso, o alívio que senti percorrer meu corpo foi quase arrebatador. Meus olhos marejavam, o grande alívio que eu estava sentindo naquele momento não conseguiria nem mesmo medir em palavras.
Me apressei para digitar o número de Hotchner — que por sorte sabia de cor — mal conseguindo tocar na tela por causa da ansiedade em finalmente poder falar com alguém da equipe.
— Hotchner. — Ele atendeu, sua voz soando num tom de surpresa, levei alguns instantes para conseguir respondê-lo. — Taylor?
Abri minha boca ao ouvir aquilo, aquele era o celular era de Taylor Walter.
— Aaron?! — Finalmente consegui dizer algo. O chamei com um pouco de desespero em minha voz, aliviada por ouvi-lo.
— Julia?! — Ele perguntou, parecia extremamente surpreso ao ouvir minha voz; podia dizer o mesmo já que aparentemente aquele era o celular de Taylor. — Onde você está Julia?
Em sua voz pude notar certo desespero e não o culpava por isso; me encontrava da mesma forma ali. Coloquei-me de pé e comecei a seguir pelo corredor, eu não iria continuar naquele lugar se houvesse uma chance de eu sair dali.
— Eu não sei… Parece uma casa, acho que uma causa de repouso, eu não sei exatamente — Olhava ao meu redor numa tentativa de dar-lhe qualquer pista que pudesse ajudá-lo a me encontrar. — Espera, eu estou com o celular do Taylor, pode me localizar?
Desci um lance todo de escadas, não sabia muito bem que tipo de lugar era aquele, mas estava completamente sozinha ali naquele andar. O lugar mais parecia ter sido abandonado há alguns anos.
— Continue falando comigo o máximo que conseguir, vou pedir para Garcia rastrear o número — Pediu com certa urgência, conforme caminhava estava cada vez mais perto de sair daquele lugar. — Julia, Walter está aí com você?
— Não. Eu acho que estou sozinha… James saiu também — Respondi enquanto avançava. — Encontrei uma mala e vi o celular, não sabia que era dele… Quanto tempo já faz, Aaron?
Perguntei de repente, mudando de assunto. Já temendo pela resposta que ele daria, James já havia deixado claro que estava comigo há dias. Uma parte de mim não achava que aquilo poderia ser importante, porém eu queria saber. Sentia essa necessidade de ter tão resposta. Hotchner soltou um suspiro longo, já sabia que sua resposta não seria agradável.
— Quase três semanas, Julia. — Seu tom abaixou bastante, se não me engano notei um pouco de culpa em voz. — Mas vamos encontrá-la e tirá-la de onde está sendo mantida, eu juro que vamos!
Prometeu. Quase três semanas? Pensei completamente assustada com a informação, fazia todo esse tempo? Passava a maior parte do tempo desmaiada que havia perdido a noção de tempo. Eram semanas, mas para mim mais pareciam demorados meses.
— Eu sei que vão… — Respondi, minha voz falhou. Cheguei a porta e segurei sua maçaneta, suspirando aliviada por saber que faltava muito pouco para sair daquele inferno.
— Nem mais um passo ou algum movimento. — A voz pediu assim que comecei a abrir a porta, de maneira automática eu fiz o ele me dissera, percebendo que aquela voz muito me soou familiar.
Era Taylor Walter.
— Julia? — Aaron me chamou ao ver o tempo longo de silêncio. — Julia ainda está aí?
Fechei os olhos com lentidão. Meus pensamentos aos poucos se tornando um turbilhão de confusão e coisas desconexas. Taylor estava com James, aquilo não fazia o menor sentido assim como eu estar falando com Hotchner usando o seu celular.
— Me procure logo, Taylor está aqui com James — Pedi com urgência abaixando meu tom de voz quase num sussurro. — Por favor, Aaron.
Ao mesmo tempo escutei passos, estavam perto demais de mim e quando me virei o vi parado no final do corredor, olhando-me com satisfação. Abaixei a mão que tinha seu celular, encarando o homem na minha frente no mais completo silêncio.
— Ele não irá gostar de saber que estava tentando fugir. Já deveria saber disso. — Me repreendeu como se eu fosse uma criança.
— Estava? — Minha voz saiu um pouco falha, assim como todo o peso do meu corpo pareceu me deixar sem muito equilíbrio naquele momento. — Eu vou fugir.
Estava quase dando as costas para ele quando senti que seu braço pareceu se aproximar de mim. Imediatamente empurrei todo o meu corpo para trás, o tirando de perto de mim, usei um braço para dar-lhe uma cotovelada e assim conseguir afastá-lo um pouco mais. Abri a porta com pressa, conseguindo apenas dar dois meros passos para a minha liberdade.
— Hotchner me encontre logo, por favor! — Pedi com num tom mais urgente que antes. Taylor conseguiu puxar-me por meu cabelo usando força no único puxão que me deu e sem muito esforço praticamente começou a me puxar para longe da porta.
— Acho que mereço descontar aquele soco no nariz, o que acha disso? — Perguntou me jogando para a escada, bati as costas em alguns degraus e soltei uma exclamação com a forte dor que senti. — Ainda dói um pouco quando toco nele… Mas acho que isso irá doer bem mais.
Ele segurou minha nuca puxando meu cabelo e então bateu meu rosto no chão, usando força ao fazer aquilo. O que senti foi simples, era apenas uma dor que preencheu todo o meu rosto. Vi quando ele fez menção de se aproximar de mim, porém ele logo parou quando olhou para o lado. James estava parado, não muito longe de onde estávamos e olhava para a cena com claro descontamento.
Firmei o celular em minha mão com um pouco mais de força, mantendo-o mais escondido possível de seu olhar é da maneira mais discreta que consegui olhei para sua tela, a ligação ainda acontecia.
— Eu cuido dela agora. E você resolva o problema dos agentes! — E como se sua palavra fosse lei, Taylor simplesmente nos deixou ali sozinhos.
Me atrevi a olhar outra vez na direção de James e imediatamente me arrependi por ter feito aquilo. O homem me encarava com muita raiva, e não demorou muito para que ele logo viesse na minha direção, jogando o prato de vidro que tinha em mãos no chão e acertando-me com um potente soco em meu rosto; usando toda a sua força ao fazer aquilo.
— HOTCH! — Foi tudo o que consegui gritar quando me dei conta de que ele segurou-me pelos braços e fez questão de me dar mais um soco no rosto.
Deixando que eu caísse no chão mais uma vez e fazendo-me derrubar o celular. James pegou o aparelho telefônico do chão e o levou até próximo de seu rosto. Riu alto ao me olhar.
— Sinto muito agente Hotchner, mas a Julia estará indisponível por um tempo. — Disse abrindo um sorriso quase doentio. — Não posso garantir que ela vá lhe retornar, mas poderá deixar seu recado depois.
O celular voltou ao chão e numa única pisada o destruiu. Inutilmente comecei a me arrastar pelos joelhos, tentando recuperar o aparelho telefônico e, percebendo isso ele partiu para com de mim numa velocidade quase irreal. Gritei outra vez quando senti suas mãos me segurarem por trás, fazendo com que meu corpo fosse arrastado para longe e também tentando me levantar do chão.
Minhas pernas começaram a chutarem o nada, fazia aquilo da forma mais frenética possível, mesmo que não tivesse tanta força assim comigo no momento. Em uma dessas tentativas acabei conseguindo acertá-lo, não foi muito, mas escuto quando ele soltou um grito alto e raivoso perto de mim quando a minha perna o acertou perto de sua virilha.
Berrando por causa da dor ele acabou curvando o corpo o suficiente para fazer com que meus pés tocassem o piso frio do lugar, tentei chutá-lo novamente. Usando mais força na perna — força essa que foi encontrada quase em falta — o acertei no joelho e aproveitei para dar uma cotovelada nele. Não sei ao certo em que lugar o acertei com o cotovelo, mas quando senti que estávamos os dois caindo no chão, vi uma nova chance de me livrar dele. Rodei para o chão vendo que o celular continuava ali caído, ele não estava muito longe de mim e tomada pelo desespero comecei a me arrastar até ele.
O homem conseguira me segurar pelo calcanhar, puxando-me com força e de uma só vez, me desequilibrando e fazendo com que eu caísse de frente para o chão. Aproveitando-se da minha queda, James se erguera do chão com a mesma rapidez com que chegou até mim, puxando-me pelos cabelos e batendo meu rosto algumas vezes contra o chão, com força o bastante para deixar-me totalmente atordoada. Virei meu rosto para o lado procurando por fôlego e também por forças para conseguir sair dali.
Senti um gosto amargo e estanho em minha boca, e provavelmente pelo menos dois dentes haviam sido perdidos no processo. Meu nariz estava tomado por sangue, o sentia escorrer por meu rosto até meu queixo, manchando também a camisola que usava. Não tinha nem mesmo muita certeza de minha voz havia saído de meus lábios, só sei que meu peito pareceu arder quando gritei por ajuda.
— Por que você é assim? Não aprende nunca não é mesmo? Sempre sendo a menina teimosa de antes! — Ele esbravejou com muita raiva em sua voz enquanto me segurava por meus cabelos, puxando-os com tamanha força que conseguiu me erguer do chão, colocando-me assim de pé novamente.
Aconteceu muito rápido, ele manteve apenas uma mão em meu cabelo enquanto a outra me segurava pelo ombro e então, ele me empurrou contra a parede. Ele então usou o joelho para me chutar, acertando exatamente o mesmo lugar onde ele havia me ferido com a faca antes. Fazendo com que eu perdesse parcialmente o fôlego.
— Não… — Sussurro quase sem voz e enfraquecida demais para conseguir completar a frase.
— Isso é parte do castigo, não se lembra de como as coisas funcionam?— Ele riu alto. — Vai acertar isso como uma boa menina que eu sei que é!
Pisquei duas vezes rapidamente e então dei um soco em seu rosto, não foi assim tão forte, porque eu mesma não me sentia daquele jeito. Porém o consegui acertar e isso pareceu ser uma grande vitória para mim. James abaixou a cabeça respirando fundo lentamente e devagar começou a levantá-la outra vez.
Seu olhar me assustou, nunca o havia visto daquele jeito antes e temi pelo que aconteceria em seguida. James me girou, deixando-me agora de frente para ele e não dando tempo algum para que eu pudesse ter alguma noção do que estava acontecendo, seu punho veio com violência contra meu rosto, acertando em cheio a parte esquerda dele.
— Não tão fácil, Julia! — Ele gritou de novo, depositando o segundo soco em meu rosto.
Suas duas mãos me seguram pelos ombros, ele praticamente me empurrava contra a parede de uma forma como se ele estivesse tentando fazer com que eu atravessasse para o outro lado. Sua mão estava novamente a se chocar contra o meu rosto, várias e várias vezes, tapas e mais tapas eram deferidos em meu rosto. O ar em meus pulmões pareceram se esvair conforme ele continuava a me bater.
A força dentro de mim sequer existia, não conseguia nem mesmo reagir ou mover meu corpo.
Não estava nem mesmo conseguindo me defender dele. Cheguei em um momento em que acabei caindo no chão, consegui apenas erguer meus braços para tentar proteger meu rosto, mas aquilo foi inútil.
Ele segurou meus braços e me colocou de pé outra vez, minhas pernas mal conseguiam manter-se firmes ali, vez e outra elas simplesmente falhavam e meu corpo se inclinava, James, entretanto não deixou que eu caísse novamente.
Ele gritou, ainda me segurando. Sua raiva agora mais visível.
O encarei por alguns segundos, fechei minhas mãos fazendo dois punhos com elas e então as ergui, tentei empurrá-lo, lancei meu corpo para frente de uma só vez e ele rapidamente me empurrou com mais força de volta. Suas mãos seguraram a minha cabeça de novo e pela segunda vez ele me empurrou contra a parede, fazendo agora com que eu batesse minha cabeça com ainda mais força e finalmente perdi a consciência.
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