Stronger feelings
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Depois do ocorrido trágico e particularmente desnecessário que fez com que o caso em Eden Praire fosse encerrado bem mais rápido do que se era esperado, cuidamos do que tinha de cuidar. Mais corpos de crianças foram encontrados, chegando a um total de trinta crianças que foram brutalmente esquartejadas e enterradas em um quintal de uma pessoa que passou a infância sofrendo abuso do próprio pai.
Se eu dissesse que aquilo não me incomodou estaria mentindo, o caso num todo me deixou com aquele grande nó na garganta. A sensação de desconforto crescia conforme fazíamos mais descobertas tanto sobre Benjamin, ou Pennywise como ele me dissera que queria ser chamado. O lado bom de tudo aquilo era que o caso havia sido encerrado, mesmo que seu desfecho tenha sido inesperado e tão trágico ao mesmo tempo.
Trinta e duas vidas que foram destruídas em apenas um dia.
Fechei meus olhos com lentidão e tentei afastar todos aqueles pensamentos da minha mente, queria apenas esquecer o que havia acontecido horas atrás.
Inclinei-me sobre a poltrona, tentando relaxar melhor durante a viagem de volta, aproveitar o silêncio de dentro do jato para organizar meus pensamentos ou pelo menos tentar fazer isso. De esgueira percebi quando Aaron pareceu se mexer na poltrona em que sentava, o peso que senti em seguida denunciou que ele estava a me observar, tentei disfarçar ao olhá-lo já que, estávamos um de frente para o outro.
— Eu sei que você está querendo falar alguma coisa — Quebrei o silêncio. — Então fale logo, por favor, já está me deixando muito ansiosa com esse seu mistério todo.
— Voce não consegue evitar isso não é? — Ele pareceu rir daquilo; não tinha tanta certeza.
Apenas dei com os ombros.
— O que eu posso fazer? Não consigo evitar, faz parte de mim. — Brinquei, já não o olhava mais.
Acho que me distrai com algo e logo voltei meu olhar para ele. Hotchner fechou o arquivo que tinha em mãos e o deixou sobre seu colo.
— Como você está se sentido? — Ele perguntou sem rodeios assim que seus olhos pousaram sobre mim. — Sobre tudo.
Cocei meu queixo com a ponta do dedo pensando um pouco, ainda tinha de tentar organizar meus pensamentos e já havia mostrado um pouco de sucesso ao fazer aquilo.
— Acho que ter um caso que teve um desfecho como aquele é uma forma e tanto de terminar uma semana tão turbulenta como essa que estamos tendo — Tentei não mostrar o meu claro incômodo com aquilo, mas acho que não deu muito certo. Ele notaria isso. — E quanto ao outro problema, bem, não recebi mais nenhuma mensagem nem nada do tipo. E isso desde a quarta-feira.
Ele não respondeu, pelo menos não tão de imediato. Permaneceu daquele mesmo jeito, seus olhos me fitando de forma semelhante como eu o encarava. Acho que deveríamos parar com aquilo antes que outra pessoa visse aquilo acontecer.
— Eu realmente espero que você não esteja tentando me perfilar — Brinquei outra vez, sem muito entusiasmo com aquilo, apenas para vê-lo ficar sem jeito por poucos segundos.
— Não estou — Ele ergueu seu rosto minimamente, suas linhas de expressão tornando-se levemente mais visíveis. — Pelo menos não agora.
Cobri minha boca com uma mão rindo brevemente, ele também riu, apenas esticou seus lábios, mas mesmo assim esboçou um sorriso.
Mesmo que muito breve.
— Acho que terei de começar a perfilar você também — O alertei, sabia que fazer isso seria algo bem complicado. Hotchner não era uma pessoa assim tão fácil.
O avião deu uma sacolejada durante poucos segundos que foram o suficiente para que aqueles que estivessem dormindo acordassem. Segurei-me nos braços da poltrona olhando para cima como se esperasse pela segunda sacudida e de fato aconteceu, um pouco pior do que foi a primeira.
— Sabiam que, muitas das quedas de aviões que acontecem tem como uma das causas a turbulência, principalmente quando o tempo não está assim tão favorável para viajar. Como e o caso agora. — O comentário feito por Spencer fez com que todos nós o olhássemos no mesmo segundo levemente assustados.
Ele por outro lado sequer parecia estar incomodado com o que disse ou com a turbulência que aconteceu pela segunda vez.
— Obrigado por nos passar uma informação necessária como essa, Doutor Reid. — Respondeu Rossi num agradecimento irônico, nos fazendo rir brevemente com aquilo.
O jato deu sua quarta sacudida, essa um pouco mais rápida que as anteriores, mas que fez com que Rossi ficasse claramente desconfortável com aquilo e acho que todos perceberam isso.
— Um tipo de turbulência é causada pelo Jet Stream. — Spencer começou a falar novamente, como se estivesse fazendo apenas um mero comentário sem muita importância. Ele gesticulava enquanto nos dizia aquilo, como se aquilo pudesse nos fazer entender melhor do assunto que ele nos explicava. — As correntes de ar próximas as bordas do Jet Stream geralmente possuem zonas de turbulência severa, bem similar ao redemoinhos formados às margens de um rio que corre em alta velocidade e...
— Reid!— Todos o chamaram por seu sobrenome ao mesmo tempo, como se o repreendesse e fazendo-o se calar no mesmo segundo.
Ele riu, seguido por nós ao ver David fazer o sinal da cruz e fechar os olhos durante a quinta sacolejada, como se tivesse iniciado ali uma reza partícular.
Quando finalmente pousamos me senti bem mais aliviada, não era apenas Rossi que se preocupou com as constantes turbulências que aconteceram durante o caminho de volta.
O tempo realmente não parecia assim tão favorável — como Spencer havia dito dentro do jato — no céu era possível notar alguns clarões rápidos e a ameaça de uma tempestade que poderia se iniciar a qualquer momento.
Hotchner nos liberou, claro que não me animei muito com aquilo, pois quando se menos esperava éramos chamados para um caso novo.
A caminho do elevador, o meu caminho acabou se cruzando com o de Hotchner e por forças maiores seguimos juntos até o elevador — mantendo a pose de agente e seu chefe.
Tentando parecer o mais profissional possível para aqueles que ainda estavam na unidade. O que vinha acontecendo entre nós dois era complicado, depois do causo em NY não nos beijamos ou tivemos qualquer tipo de contato físico um com o outro.
Não acho que nem mesmo era necessário, na semana que se seguiu nossas constantes trocas de olhares pareciam serem o suficiente.
A porta se abriu e Aaron permitiu que eu entrasse primeiro, ele vindo bem atrás de mim ainda em sim silêncio. Assim que a porta nos fechou ali dentro continuamos com o mesmo silêncio de antes. Claro que, agora ele não era assim mais tão incomôdo como costumava ser quando estávamos sozinhos.
— Rossi acabou de me dizer que já está sabendo. — O mais velho cortou o breve momento de silêncio ali dentro do elevador de repente, atraindo a minha atenção para ele.
Virei-me de frente para ele, sem entender o que aquilo poderia significar, já que não pareceu ter tanto sentido assim no momento.
— Ele está sabendo sobre o quê? — Perguntei unindo as minhas sobrancelhas ainda com dúvida, por realmente estar.
— Sobre tudo o que está acontecendo. — Ele respondeu simplesmente, olhando na minha direção brevemente.
Dei de ombros voltando a encarar a porta cinza do elevador, olhado rapidamente para o painel eletrônico. As luzes piscaram e nós dois olhamos para cima ao mesmo tempo; minha mente imediatamente me voltando para o dia em que ficamos presos ali dentro.
— E o que é que está acontecendo exatamente? — Perguntei de volta fazendo com que meus olhos se fixassem num ponto qualquer.
O elevador então parou depois de dois segundos e suas portas se abriram para nós.
— O que vem acontecendo entre nós — Aaron respondeu, fazendo silêncio logo em seguida e aquilo bastou.
Ele deu passagem para que eu saísse primeiro, ele saindo logo depois de mim. Ao finalmente entender sobre o que ele estava falando abri minha boca sem ter o que dizer no momento, talvez não estivesse esperando por algo daquele tipo. Arrumei a manga da minha blusa para que meu braço ficasse todo coberto pelo tecido claro e fino, e no segundo seguinte que fiz aquilo, o som alto e cortante de um trovão de fez ouvir. Interrompedo qualquer tipo de pensamento que eu pudesse ter naquele momento.
De longe, mais especificamente aonde a parte coberta do estacionamento acabava, pude ver que de forma imediata uma forte chuva se iniciou.
— Eu te levo para casa, se quiser. — Assim que ele disse aquilo me virei para olhá-lo, eu pensei em recusar, mas aquele pensamento não ganhou a mesma força de antes; quando eu conseguia recuar aquilo.
— Bem, se você está insistindo tanto em fazer isso, eu vou aceitar. — Brinquei com um meio sorriso. — E também, acho que será bom porque precisamos mesmo conversar sobre... Tudo.
Ele me fitou e assentiu.
— Sim, precisamos. — Ele concordou e então fomos até seu carro, diferente do que aconteceu algumas vezes atrás quando aquele mesmo tipo de situação ocorreu, o constrangimento por estar dentro do carro com Hotchner já não existia mais.
Realmente acho que já havíamos passado daquilo.
Com a chuva o trajeto até a minha casa demorou um pouco mais do que o previsto, claro que o trânsito também não ajudou muito.
— Realmente não se consegue esconder nada de David Rossi. — Comentei quebrando o breve silêncio que se formou entre nós dois ali dentro quando o assunto anterior simplesmente se deu por encerrado.
Bati meus dedos sobre a minha perna, olhando para o lado direito quando percebi que já havia chegado em casa.
— Ele te disse mesmo que está sabendo? Como ele chegaram a esse assunto? — O questionei.
Hotchner balançou sua cabeça.
— Estava conversando com ele e quando já estava de saída ele me contou, minutos antes de nos encontrarmos no elevador. — Admitiu num tom baixo, ele pareceu rir daquilo. — Disse que isso está óbvio demais e que não sabemos disfarçar.
Anui com a cabeça de forma positiva, ainda não sabendo ao certo o que dizer sobre aquilo. Por dentro eu achei graça e precisei juntar meus lábios para evitar que uma risada alta saísse deles.
— Tenho quase certeza que ele já estava desconfiando de alguma coisa bem antes, — Comentei. — Quando estávamos naquele caso do Alaska ele me fez umas perguntas estranhas, acho que ele percebeu algo a partir desse dia.
Ri brevemente daquilo. Acho que nunca me vi numa situação como aquela antes, me sentia como uma adolescente outra vez.
— E agora? — Perguntei sem o olhar, meus olhos fixos na rua mais à frente. — Como vão ficar as coisas?
Ainda estávamos parados na frente da minha casa, o forte temporal do lado de fora se tornando cada vez mais intenso.
— O que você quer dizer com isso? — Ele me questionou, sua voz ainda soando no mesmo tom baixo.
— Eu vou ser honesta com você e espero que entenda que não quero ser chata ou apressada demais com isso, mas eu preciso saber como vamos ficar a partir de agora. — Respondi, movendo-me no banco de maneira que eu ficasse numa posição mais confortável ali. — Tudo o que aconteceu entre a gente nos últimos meses, as conversas que tivemos... Bem, eu tenho vinte e seis anos e...
— Ah eu entendi. — Ele me interrompeu, virei meu rosto minimamente para o lado onde ele estava o fitando muito pouco, era difícil conseguir olhá-lo quando dentro daquele carro a iluminação era quase inexistente. — E não irei forçá-la a fazer nada que não queira, Julia.
Meus lábios se moveram sem que eu quisesse e um curto e breve sorriso se formou ali. Como se tivesse lido meus pensamentos, ele ergueu o braço para o teto do carro e apertou um botão pequeno, fazendo assim que ali dentro fosse parcialmente iluminado pela luz.
A pouca claridade dali de dentro não ajudou muito, mas já conseguia deixar mais possível de enxergar.
— Não estarei sendo forçada a nada, tudo o que fiz e disse até agora foram porque eu quis. Você não me forçou a nada, não apontou uma arma na minha cabeça nem nada do tipo. — Movi meu corpo outra vez pelo banco e o virei, estava de frente para Hotchner naquele momento e fiz questão de encará-lo, esperando que ele também o fizesse e ele o fez. — Mas e quanto a você? — Perguntei. — Você realmente quer isso? Por quê eu irei entender caso não queira.
O questionei outra vez, apertando a minha mão sobre meu joelho com um pouco mais de força, a minha pergunta servindo como resposta para o que ele dissera antes. Vi quando Aaron apenas assentiu muito devagar.
— Sim eu também quero. Pensei que isso já estivesse óbvio. — Ele respondeu, sua voz agora bem mais baixa; quase como um sussurro. — E... Vamos continuar disfarçando isso? Como já estamos fazendo desde o mês passado?
Foi a vez de Hotchner me questionar, fazendo com que eu arqueasse uma sobrancelha. A pergunta soando como se ele quisesse saber a minha opinião sobre aquilo.
— Acho que sim, porque eu tenho certeza de que nós dois sabemos sobre o que todos dizem sobre o relacionamento entre dois agentes, ainda mais quando ambos são de uma mesma equipe — Respondi de forma simples, encarando-o. — Principalmente quando um deles é chefe do outro.
Ele então balançou sua cabeça novamente, bem mais devagar.
— Não gosto disso...
— Eu também não gosto, mas eu acho que é necessário. — Dei de ombros o interrompendo. — Pelo menos por enquanto... E também, você comanda uma equipe onde todos são curiosos demais. — Brinquei. — E você já está na mira deles, caso tenha se esquecido.
Ele passou a mão pelos cabelos curtos, eu podia jurar que o vi soltar uma risada breve, mas não podia afirmar aquilo com tanta certeza assim. Talvez tenha até soltado, mas foi ligeiro em disfarçar aquilo.
Aquela conversa estava se desenrolando de um jeito estranho, porém estávamos mesmo caminhando em direção a algo. Mesmo que de um jeito que parecesse um tanto quanto diferenciado.
Os minutos se passaram ali dentro, até que ambos finalmente encaramo-nos, da forma correta daquela vez. Apesar da luz fraca e quase mínima ali dentro do carro conseguia ver muito bem os olhos negros de Hotchner me encarar como ele sempre faria. Agora, porém de uma forma totalmente diferente.
— Então é isso? — Perguntei franzindo levemente meu cenho.
— Isso o que? — Ele perguntou com a voz mais baixa.
— Estamos... Resolvidos? — A minha resposta mais saiu como pergunta, talvez ainda estivesse duvidosa.
Ele sorriu com o canto dos lábios.
— Parece que sim. — Falou, seus olhos fixos em meu rosto. — Acho que devemos oficializar isso, não acha?
Perguntou num tom sugestivo com um meio sorriso ainda formado em seus lábios finos.
— Oficializar? O que pretende fazer? Estamos dentro de um carro... — Fechei minha boca e meus olhos parando de falar no mesmo segundo. Aquilo soando um pouco mais malicioso do que eu gostaria. — Finja que eu não acabei de falar isso, por favor.
Meu chefe moveu o corpo enquanto ria, ele ficando agora de frente para mim e também movimentou uma de suas mãos, trazendo-a até o meu rosto, um movimento lento demais, deixando claro o quão paciente ele parecia estar naquele momento.
Meu rosto começou a ser acariciado, com seus dedos e fazendo movimentos curtos e que também eram lentos. Uma ansiedade se fez presente dentro de mim, a mesma que pareci sentir na primeira vez que nos beijamos, aquilo pareceu me dominar de uma forma completa.
Deixando-me nervosa, mas não constrangida com aquilo. Apenas nervosa com o que iria vir a seguir.
— E se eu te dissesse que senti falta dos seus lábios desde aquele beijo no hotel? — Sua voz abaixou bem mais dessa vez e meu rosto corou de forma imediata.
— Soaria estranho se eu dissesse o mesmo? — Arqueei uma sobrancelha, ainda com meu rosto quente.
Com sua mão seguindo por minha bochecha, sua mão se moveu outra vez e foi levada até o meu pescoço, onde repousou por um tempo, numa carícia que só me fez estremecer no banco. Sua mão finalmente foi direcionada até a minha nuca e seus dedos estavam agora se enroscando em meu cabelo. Seus olhos negros e sempre tão intensos miravam os meus com voracidade, o mesmo tipo de olhar que ele lançou-me quando estávamos no corredor do hotel meses atrás.
Simultaneamente, senti quando ele começou a trazer meu rosto para mais perto do dele, eu conseguindo assim ver melhor seu rosto através da única luz existente dentro daquele carro.
Não demorou muito para que eu logo sentisse seus lábios nos meus, e de imediato o beijei de volta. Acho que depois do ocorrido no hotel em New York, ambos já havíamos passado da fase do constrangimento e do "não sei se devo responder ao ato".
Meus braços o enlaçaram pelo pescoço, agora éramos dos dois trazendo o outro para mais perto de si. Pude sentir o cheiro forte de seu perfume invadir minhas narinas, aquele mesmo cheiro estava provavelmente se impregnando em minhas roupas também.
Sua barba que era quase imperceptível a olho nu, roçava em minha face, causando-me um longo arrepio que percorreu por todo o meu corpo. Ele pareceu então me puxar para ainda mais perto dele, trazendo-me para si e senti como se tivesse mesmo saído do banco.
Sua mão apertando a minha nuca enquanto seus lábios buscavam por mais espaço, sua língua mais ansiosa e procurando por mais espaço, explorando-me de forma lenta demais.
Num beijo que passou a ser ainda mais intenso.
Soltei uma mão descendo-a por seu braço, ao mesmo tempo em que minha outra mão afundava em seu cabelo curto.
Senti quando a mão de Hotchner escorregou de minha nuca, e desceu por seu pescoço, clavícula e ombros, acompanhando a que se encontrava em minhas costas até a minha cintura.
O beijo foi aos poucos se tornando cada vez mais voraz, os toques mais intensos.
Se não me engano devo em algum momento me erguido minimamente do banco, inclinando meu corpo para frente e me aproximando mais de Aaron, ele pareceu fazer o mesmo, mas nem prestei tanta atenção assim.
O espaço ali dentro pareceu se tornar minúsculo demais e à medida que continuávamos, permanecer dentro de um espaço como aquele parecia nos privar de algo a mais.
Teríamos de fato continuado com aquilo, se não tivéssemos sido interrompidos pelo toque de mensagem de nossos celulares.
Fechei meus olhos com força assim que o barulho soou dentro do carro, era o celular de Hotchner tocando.
— Desculpe-me — Ele disse soltando-me no mesmo segundo, ofegante ele me olhou.
Nossos olhos se encontraram outra vez e eu percebi que suas orbes negras estavam ainda mais escuras, brilhando até.
— Está tudo bem. — Respondi erguendo levemente o canto do lábio num sorriso torto e discreto. — Se não tivesse tocado teríamos ficado aqui dentro mais tempo.
Ele moveu o canto dos lábios e pegou o celular, me avisou que era sua cunhada ligando lhe dizendo que ela levou Jack ao médico porque ele comeu alo vo que não lhe fez bem. Percebendo a forma como ele se mostrou preocupado disse que ele deveria ir e logo, afinal seu filho era bem mais importante.
Nos despedimos rapidamente e fui para casa, sendo recebida por Doug que soltou um latido agudo e alto que, pareceu ecoar pela casa toda.
— Então é isso mesmo. — Falei em voz alta, sentando-me no sofá.
O labrador se aproximou de mim no mesmo momento em que me viu ali, subindo em minhas pernas como se quisesse que eu lhe desse atenção.
Ele me olhava, tinha a língua para fora enquanto o acariciava na cabeça.
— Eu e Hotchner estamos... Oficialmente juntos.
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