Stronger feelings

29 Capítulo 29


Notas iniciais
Olá olá! Obrigada a todas que estão comentando e fazendo os meus dias mais felizes, sem vocês essa fanfic nem estaria chegando aonde está. Obrigada de coração a todas mesmo. Boa Leitura!

Corria mas sem prestar muita atenção no que estava acontecendo ao meu redor, não diria que estava focada, até porque aquilo era mentira. Estava apenas... Um pouco dispersa demais.

Ouvia apenas às vezes os latidos de Doug, principalmente quando passávamos por um grupo de crianças. Ele se animava demais quando as via e o mesmo com elas, precisei parar três vezes porque elas queriam fazer carinho nele.

Parei por um breve momento apenas para respirar um pouco, ainda estava no começo daquele sábado que começou estranhamente ensolarado; nem mesmo podia-se dizer que as duas semanas anteriores foram de apenas chuva e dias nublados.

Nem mesmo poderia se dizer de que houve chuva durante todos esses dias. Estava quase voltando a correr outra vez, cheguei até mesmo a dar alguns passos quando ouvi alguém me chamar.

— Julia! — Olhei para trás assim que ouvi a voz já conhecida e também muito animada de Jack me chamar.

Parei mesmo segundo que o ouvi, me virando em sua direção e então o vi correr até mim, Doug de imediato se animou ao ver o garoto, soltou um latido alto e começou a balançar o rabo de forma frenética.

Não era preciso ser um especialista para saber que o cachorro gostava e muito do menino.

Franzi meu cenho enquanto olhava Jack se aproximar de onde estava, procurei por Hotchner olhando ao redor, mas ele não estava por perto. O que estranhei, não acho que ele deixaria que o filho ficasse assim sozinho em um parque tão grande como aquele.

— Oi Julia! — Jack parou de correr assim que parou na minha frente, abriu os braços para me cumprimentar e precisei agachar um pouco para abraçá-lo. — Oi Doug!

O labrador soltou mais um latido como se o saudasse de volta, ainda se mostrava animado com a presença do garoto ali.

— Hey Jack! — O saudei de volta. — O que está fazendo aqui sozinho, Jack? — Perguntei me afastando um pouco dele quando o abraço terminou, novamente corri meus olhos ao redor na procura de Hotchner e como antes, não havia nem mesmo sinal dele.

— Eu não estou... — Ele parou de repente, juntou os lábios olhando para os lados como se tivesse contado algo que não deveria ter dito. — Eu me perdi dele.

Contive uma risada quando ele disse aquilo, estava claro que ele estava mentindo e notei isso quando ele tentou disfarçar a risada que ameaçou soltar, mas acho que havia algum propósito para aquilo.

Talvez eu devesse entrar na onda também.

— Então por que não vamos procurar pelo seu pai? — Me levantei, entrando na brincadeira. — Ele não deve estar tão longe assim.

O menino balançou a cabeça de forma positiva, limpou as mãos no short claro que vestia e me olhou de novo, agora de um jeito pouco pidão.

— Enquanto procuramos por ele, eu posso levar o Doug? — Ele pediu, dando meio passo para frente ao mesmo passo que o cachorro se mostrou animado com aquilo também.

— Você não precisava nem me pedir isso, Jack. — Falei lhe entregando a coleira e diferente do que aconteceu na primeira vez que nos encontramos naquele mesmo parque, nenhum dos dois saíram correndo em disparada.

O máximo que fizeram foi começar a andar alguns passos mais adiantes de mim. Depois de alguns longos minutos de caminhada acho que Jack acabou de esquecendo do motivo de estarmos caminhando pelo parque.

Provavelmente estava distraído demais com o cachorro que tinha em mãos para dar atenção ao que realmente importava: Ele havia "se perdido" do pai.

— Aonde foi que você disse que havia se pedido do seu pai, Jack? — Perguntei fazendo-o parar e me olhar, ele coçou o topo da cabeça fingindo não saber como responder.

Precisei cobrir meus lábios para que ele não visse que eu estava rindo daquilo.

— Jack! — Fechei meus olhos por rápidos segundos ao ouvir a voz de Hotchner chamar pelo filho, havia então reparado que fora Jack quem praticamente havia me guiado pela caminhada.

Virei-me vendo meu chefe se aproximar, mordi meu lábio com um pouco de força ao entender o que de fato acabou de acontecer ali. Ok, aquele tipo de jogada era antigo e só se via em filmes de comédia romântica, mas gostei.

— Encontrei a Julia como pediu que eu fizesse! — Inocente ele correu com Doug até Hotchner, acho que nem mesmo havia percebido que eu continuava ali parada; não muito longe dele.

Contive a risada que se atreveu a sair e olhei diretamente para Aaron, que também me olhou, mas dando uma de sonso; aquilo não combinava nem um pouco com ele, mas acho que para o momento até que deu um pouco certo.

— Ele não deveria estar sozinho em um lugar tão grande como este, ainda bem que o encontrei antes — Me aproximei um pouco mais, parando assim que percebi que já estava próxima demais dele, usando um tom de voz fingindo bronca.

— Desviei os olhos por segundo e pronto. — Ele fez um gesto com a mão. — Obrigada por encontrar ele, Julia — Ele me agradeceu, pelo visto iríamos continuar com aquilo por mais tempo do que pensava.

— Que bom que ele me encontrou por aqui. — Respondi dando com os ombros.

Ele apenas riu em resposta, já estava entendendo o que era tudo aquilo e se ele quisesse prolongar aquilo por mais tempo eu entraria naquela onda também.

Olhei rapidamente ao meu redor, aquele era o mesmo lugar do parque de quando havíamos nos encontrado pela primeira vez meses atrás. Aquela lembrança pareceu ser de algo que aconteceu anos atrás.

— Julia, posso brincar um pouco com o Doug? — Ao pedir, Jack não olhava para o pai e sim para mim, pelo cachorro ser meu.

— Se o seu pai deixar, por mim tudo bem. — Respondi, mudando a direção do meu olhar para Aaron que olhou para o filho.

— É só não se afastar muito. — O alertou, dando a ele a permissão que o garoto queria para poder brincar com o cachorro.

E no segundo seguinte que Jack teve seu pedido aceito ele já estava correndo para longe de nós, com Doug em sua coleira. Estávamos então sozinhos ali.

— Então — Me virei para olhá-lo outra vez assim que comecei a falar. — Você usou mesmo esse truque barato e antigo comigo só para me trazer aqui é poder falar comigo?

Fingi surpresa ao fazer aquela pergunta, quando Hotchner me olhou arqueei uma sobrancelha ainda lhe encarando. Ele torceu seus lábios franzindo a testa, não demorou muito para que um rápido sorriso fosse esboçado ali.

E logo estávamos os dois rindo ao mesmo tempo.

— E funcionou? — Ele perguntou num tom descontraído.

Havia algo de diferente nele, se ele já estava assim durante as últimas duas semanas eu consegui perceber apenas naquele momento.

— Bom, eu estou aqui e estamos conversando agora não estamos? — Ri ao perguntar. — Funcionou e muito bem.

Aaron gesticulou com a mão para que andássemos e assim o fizemos, como o local onde nos encontrávamos fazia um caminho de concreto que deixava o espaço onde as crianças podiam brincar não havia perigo de que Jack se perdesse de sua visão.

— Na verdade, vi quando chegou com o cachorro, — Admitiu. — Não preciso mencionar que Jack se animou quando viu o labrador com você.

Assenti com um meio sorriso.

— Ah então a mente genial por trás disso na verdade foi o garoto que está com o meu cachorro — Afirmei de forma pensativa. — E esse encontro então não estava nos planos?

O olhei de esgueira, Hotchner estava sorrindo mais uma vez. Comecei a estranhar aquilo, ele era sempre tão sério, vê-lo sorrir mais de duas vezes era uma grande novidade.

Parei de caminhar assim que percebi que sua boca se abriu para falar algo, porém ele hesitou e não disse nada. Hotchner ficou nervoso com algo, até mesmo sua postura mudou naquele momento.

Ele queria falar alguma coisa, mas parecia haver algo que não o permitia. Acho que aquela era a primeira vez que eu estava conseguindo perfilá-lo, mesmo que aquilo tenha parecido fácil demais.

Ele também parou de andar quando seu celular apitou, torci mentalmente para que aquilo não fosse uma mensagem sobre um caso novo.

Depois de duas semanas cheias acho que todos queriam pelo menos um dia para poder descansar.

— Temos um caso novo? — Perguntei quando o vi guardar o celular e olha na direção em que seu filho estava.

— Não. — Ele negou voltando seu olhar para mim. Soltei um suspiro aliviada, estava mesmo torcendo para que não fosse um. — É só algo que acabou de ser resolvido.

Balancei a cabeça, notando que ele começou a se aproximar um pouco mais. Era mesmo incrível e ao mesmo tempo que mesmo após termos nos resolvido, ainda não nos tratávamos exatamente como um casal.

Talvez já estivéssemos tão acostumados em sermos sempre tão profissionais para com o outro que isso também se fazia presente naquele momento. Onde estávamos tecnicamente sozinhos, sem agentes por perto.

— Tem planos para hoje à noite, Julia? — Ele questionou, parando numa distância curta demais de mim. Dei de ombros.

— Bem, eu nunca considerei como plano ficar em casa com um cachorro então... Eu acho que vou estar livre, por que? — Perguntei de volta, unindo as sobrancelhas por causa da pergunta que ele fez.

— Gostaria de jantar comigo hoje? — Travei assim que ele fez o convite. Aquilo me pegou totalmente desprevenida, não esperava por isso.

Os segundos nos quais fiquei sem uma reação exata, pareceram duradouros demais, Hotchner foi direto e não fez rodeio ao me convidar para sair. Meu coração parecia que subiria por minha garganta e sairia pela boca ali mesmo, apesar de que aquilo não parecesse ser assim tão possível.

— Hoje? — Perguntei ainda surpresa, ele assentiu. — Eu iria adorar jantar com você, Aaron Hotchner.

Finalmente consegui respondê-lo sem que eu demonstrasse todo o nervosismo que passei a sentir ali por causa do convite.

Acho que eu deveria ter previsto que isso viria, sou uma profiler e Hotchner deixou os sinais ali, eu só estava distraída demais para tê-los percebido. Ao respondê-lo sua expressão mudou drasticamente, ele pareceu até mais leve quando aceitei.

Talvez fosse isso o que havia lhe deixado nervoso minutos atrás.

— Então foi por isso que armou esse encontro aqui no parque? Só para me convidar para jantar? — O questionei abrindo um sorriso espontâneo; não esperava por isso.

— Talvez... — Ele respondeu, aproximando-se um pouco mais de mim.

Mantivemos aquela longa troca de olhares por um tempo bem desconhecido, acho que parte da nossa comunicação se baseava também naquilo, em trocas demoradas, porém significativas de olhares. Estava começando a entender como conversávamos sem que fosse preciso falar algo um para o outro.

Foi a minha vez de quebrar aquele tipo de contato que tínhamos, desviei meus olhos dos seus voltando então para aquele momento específico e, como se tivéssemos lido a mente do outro começamos a caminhar novamente, dessa vez um pouco mais próximos do outro.

Como se de alguma forma precisávamos daquele tipo de aproximação.

— Jack perguntou de você já tem uns dois dias — Contou. Agora caminhávamos um ao lado do outro.

— Sério? — Perguntei espantada.

— Ele me perguntou quando que iríamos ao parque de novo porque você costuma estar aqui com o Doug — Ele respondeu e logo o olhei, unindo levemente minhas sobrancelhas e então ri.

Assenti.

— Então na realidade ele perguntou sobre o meu cachorro e não sobre mim — O corrigi ainda rindo.

— Jack gosta de você — Hotchner falou aquilo como se mudasse um pouco de assunto, mas ao mesmo tempo parecia justificar o que ele me contou antes. — Falo sério sobre isso, ele realmente gosta de você.

— E do meu cachorro também. — Completei, fazendo-o rir. — Eu também gosto muito dele, — Confessei. — Não preciso nem falar que Doug também gosta dele.

Aaron riu mais uma vez, ele estava mesmo de bom humor ali, isso sim era uma grande novidade. Paramos de andar outra vez e agora olhávamos na direção em que ele estava brincando com Doug.

— Então, eu posso te buscar às sete? — Ele perguntou mudando de assunto de repente, notei que ele virou o rosto na minha direção e fiz o mesmo que ele.

O olhando também.

— É claro que pode. — Respondi. Passamos mais um bom tempo no parque, conversando e vendo Jack brincar com o labrador sem mostrar que estava cansando por um único segundo.

•••

As horas de passavam e conforme isso acontecia eu me via mais perdida do que jamais estive em toda a minha vida. Acompanhei silenciosamente o ponteiro do relógio apontar quase sete da noite, me vi ali completamente tomada pela impaciência naquele momento e troquei de roupa pela milésima vez, me olhando no espelho assim que vestida.

Olhei para o meu próprio reflexo ali na minha frente, o vestido era de um azul tão escuro que se assemelhava a cor preta.

Soltei o ar com lentidão, analisando-me com muita calma, o vestido não era curto, terminava na altura de meus joelhos e mesmo assim, ao ver minhas pernas exposta me senti como se estivesse descoberta por usá-lo.

Acabei mudando de roupas, escolhendo outro vestido, este também quase tão escuro quanto o anterior e também um pouco mais justo também; além de ser bem mais longo que o outro.

Dei as costas para o espelho encarando o lavrador que estava em cima da minha cama juntamente com mais algumas peças de roupas que foram descartadas.

— Acha que eu devo usar este? — Perguntei, como se ele fosse ou pudesse me responder. Doug apenas me fitou, a boca aberta com parte de sua língua para fora enquanto arfava como se tivesse participado de alguma maratona.

Olhei-me mais uma vez, eu me sentia como uma grande boba por estar daquele jeito, opoiei as minhas mãos no guarda-roupa e abaixei a cabeça, respirei fundo.

Eu estava nervosa, sem motivos. Agindo como uma adolescente que teria seu primeiro encontro, não havia motivo para tanto.

Não seria a primeira vez que iria sair com um homem, claro que, nas vezes anteriores a pessoa com quem iria jantar não era o meu chefe.

Ergui meu rosto mais uma vez e terminei de me arrumar. Pensei em trocar de roupa mais uma vez, mas se fizesse isso acabaria perdendo tempo e Hotchner logo iria chegar... Parei tudo o que eu estava fazendo e respirei fundo de novo, eu precisava manter a calma naquele momento.

Era apenas um jantar... Não, não seria apenas um jantar e eu sabia e tinha total conhecimento disso.

Aquele seria o nosso primeiro encontro como um...

— Casal. — Falei a palavra em voz alta me vendo ainda bem mais nervosa do que eu já estava.

Senti um frio na barriga, olhei para o relógio, cinco para as sete da noite e meu nervosismo apenas se tornando maior e mais difícil de se lidar. Ele iria chegar a qualquer momento e eu estava ali, perdida, andando de um lado para o outro como uma garotinha que teria seu primeiro encontro.

Bem, aquela a primeira vez que teríamos de fato um momento apenas para nós dois, acho que todo aquele nervoso era de fato justificável.

A campainha tocou, mordi o lábio com tanta força que parei apenas quando vi que estava o machucando. Me controlei, precisava fazer isso antes de atendê-lo. Como sempre acontecia quando recebia visitas, Doug foi o primeiro a sair em disparada. Batendo as patas da frente na porta e latindo alto, aos poços fui criando coragem para caminhar, aproximando-me da porta e precisando espantá-lo para poder abri-la.

Parei diante da porta respirando muito devagar e profundamente antes de fazer qualquer gesto ou movimento, já tinha a mão na maçaneta e lentamente comecei a abri-la, revelando a figura de Aaron parado aos poucos.

Ao bater os olhos em mim seu olhar se modificou, não pude deixar de ficar muito sem graça com aquilo. Meu Deus como eu era uma bobona.

— Você está linda. — Meu corpo todo travou ali mesmo e senti quando um calor tomou conta do meu rosto.

Eu sabia que estava corando por causa do elogio recebido por ele e nem mesmo sabia como eu deveria reagir diante dele.

— Obrigada. — Foi tudo o que consegui responder de imediato, meus lábios levemente esticados num sorriso claramente sem graça e tímido. — Você está muito bem também.

Aaron abaixou a cabeça de forma mínima sorrindo tão rápido que nem mesmo poderia dizer que ele o fez. Aproximando-se um pouco mais ele parou a exatos dois únicos passos de distância de mim, foi automático, também me aproximei dele e nos beijamos rapidamente.

Sentindo seu perfume forte e inconfundível invadir minhas narinas deixando que aquele cheiro ficasse fixado em minha mente. Ao nos afastarmos um do outro ele me estendeu o braço na minha direção e me olhou outra vez.

— Vamos? — Perguntou com um sorriso contido e também um pouco sem graça, me vi mordendo o lábio mais uma vez.

Assenti devagar demais.

— Claro. — Respondi pegando a bolsa antes de sair e passando meu braço pelo seu.

Mantendo agora uma linha pequena demais de distância entre nós dois. Fui guiada até o seu carro, ele abriu a porta do carona para que eu pudesse entrar primeiro.

Aos pouco comecei a notar que o nervosismo que me dominava antes comecara a ser pouco, quase inexistente.

O carro deu partida e assim nos dirigíamos para o lugar onde aquele encontro iria acontecer é que para mim ainda era completamente desconhecido

•••

Ao chegarmos no restaurante fomos levados até nossa mesa, apesar de tentar ao máximo manter-me o mais calma possível, já estava outra vez ansiosa e não havia acontecido nada de mais para que essa ansiedade viesse mais uma vez.

Era inegável que ambos pareciam nervosos com tudo aquilo; acho que ele até mais do que eu. Um pouco mais de duas semanas já haviam se passado desde que as coisas entre nós se tornou de fato oficial, acho que agir como um casal que estava tendo o seu primeiro momento a sós e sem qualquer tipo de interrupção era um tanto novo para ambos os lados.

Já que, na maior parte do tempo mantínhamos uma relação extremamente profissional na frente dos outros membros da equipe.

Nosso pedido já havia sido feito e conforme os segundos se passavam ali eu me via cada vez mais nervosa.

Meu coração batia numa velocidade da qual eu não conseguiria medir de forma exata, nem mesmo se houvesse palavras para tal.

— Sabe, foi muito esperto usar o truque do "me perdi do meu pai" para fazer o convite — Ousei quebrar o silêncio entre nós, Aaron ergueu o olhar na minha direção e assim nos encarávamos. — Mas não esperava que você fosse do tipo que o usa.

Ele riu em resposta.

— Posso ser original quando eu quero. — Ele respondeu num tom muito descontraído, seu humor completamente diferente daquele que estava acostumada. — Já vinha querendo fazer isso desde a semana passada, mas com essas duas últimas semanas cheias na primeira oportunidade de uma folga, precisei agir.

— E usou uma criança para conseguir isso? Que golpe baixo esse — Brinquei sorrindo de forma breve.

— Sabia que daria certo, acho que tem um pequeno fraco por crianças então não foi preciso pensar muito em como te levaria até lá — Ele respondeu de forma descontraída. Realmente seu bom humor era notável.

— Aaron Hotchner, você anda me perfilando? — Perguntei surpresa e fingindo estar desconfiada.

— Não...— Ele uniu os lábios como se evitasse sorrir, mas não obteve muito sucesso ao fazer isso.

Acabei rindo também.

— Vou precisar fazer isso com você também, claro que, não sou nenhum David Rossi que parece ser o único que consegue entender você, mas acho que vale o desafio — Inclinei-me de forma muito mínima sobre a mesa estreitando meu olhar.

Aaron apenas arqueou uma única sobrancelha como se tivesse me desafiando.

— Boa sorte com isso — Disse com a voz mais baixa, de certa forma me provocando. Nosso pedidos chegaram depois de cinco minutos e durante todo o jantar apenas conversamos, da mesma forma que fazíamos bem antes do nosso primeiro beijo.

Quando ainda éramos apenas dois agentes de uma mesma equipe. O assunto entre nós dois simplesmente vinha e fluía com muita facilidade, como se já fizéssemos isso há muito tempo; como se já nos conhecêssemos há tempos. Conversávamos sobre quase tudo e em momento algum citamos o trabalho ou qualquer coisa que tivesse alguma relação com ele.

Estava gostando de conhecer e ver aquele outro lado de Aaron, não o lado profissional e agente sério de sempre.

Seu lado mais descontraído e estranhamente mais sorridente também.

Em certo momento a conversa simplesmente parou, foi do nada e muito de repente. Como se não fosse necessário que ela continuasse.

Nossos olhares se encontraram e ficamos encarando o outro no mais absoluto silêncio, deixando que apenas a música de fundo que tocava no restaurante completasse todo o ambiente. A baixa iluminação e todo aquele ar romântico ajudou e muito. Com o rosto parcialmente iluminado de Aaron na mesma linha em que meus olhos estavam foi impossível não nos olhar nos olhos.

Eu estava em seu campo de visão, assim como ele estava no meu.

Eu não era boba. E muito menos era uma mulher ingênua, tinha total conhecimento do que estava acontecendo ali e era óbvio que ele também.

Éramos dois adultos, aquilo viria a acontecer em algum momento e estava mesmo acontecendo.

Eu sabia muito bem o que nossos olhares nos diziam naquele momento e sabia também o que eles passavam um para o outro. Desejo.

O jantar consequentemente acabou nos levando a algo a mais, Hotchner teria ido embora se não tivéssemos nos encarado outra vez e iniciado todo aquele jogo de troca de olhares pela segunda vez naquela noite.

O que nos levou para a completa perdição de um beijo muito intenso. Já havíamos entrado na minha casa, conforme nos beijávamos ficava mais claro que aquilo só acabaria entre quatro parede de um quarto e no segundo em que Aaron elevou a minha perna até sua cintura, envolvendo a si mesmo e com aquele ato, era claro que nenhum de nós iríamos controlar o que viria a seguir.

Desabotoei dois botões de sua camisa já indo para o terceiro quando fomos interrompidos pelo conhecido toque de seu celular que começou a tocar, sendo seguido do meu; o toque conhecido de que ambos havíamos recebido uma nova mensagem.

Paramos de nos beijar e nos olhamos, mas agora era por outro motivo.

— Por favor, me que pegamos os celulares de outras pessoas. — Pedi fechando meus olhos por rápidos dois segundos antes de abri-los novamente e ver que ele parecia tão desgostoso daquilo quando eu estava.

— Eu bem que queria. — Ele disse sua resposta quase num sussurro.

Estava tudo bom demais para ser verdade. Pensei quando nos afastamos um do outro, eu pegando minha bolsa e consequentemente o celular, ele fez o mesmo e no segundo que vi a mensagem de Penélope avisando sobre um caso novo exibida na tela, torci meus lábios com claro descontentamento.

Nos olhamos mais uma vez, nossas expressões já nos dizendo tudo sobre aquilo, não foi preciso uma só palavra. Precisaríamos ir por causa de um caso novo.

Tivemos sorte em chegar na UAC antes dos outros, apesar de ainda que estivéssemos arrumados demais.

Separamo-nos assim que chegamos, Aaron indo em direção a sua sala enquanto eu me sentei perto da minha mesa, apenas esperando pelo restante.

— Você já está aqui? — A voz de Garcia soou quase atrás de mim, girei na cadeira me virando para olhá-la, ela segurava uma caneca amarela personalizada enquanto me olhava de cima abaixo. — Oh-oh... Você foi interrompida em um momento bom?

Eu estava quase respondendo quando ouvi a voz de Morgan um pouco mais afastada.

Ele estava vindo juntamente com JJ que assim como eu, também vestia uma roupa muito chique para alguma ocasião especial.

— Ora, ora, parece que alguém estava tendo uma noite e tanto, hein! — Comentou Morgan com um sorriso travesso exibido nos lábios. — E vejo apenas um um motivo para você estar tao arrumada desse jeito: Estava em um encontro, acertei?

Balancei minha cabeça em confirmação. Não tinha motivo para negar aquilo, bastava eu não dizer com quem era o encontro.

— Sim, eu estava. Bem, estava até o momento em que o celular tocou. — Olhei para Penélope fingindo ficar brava com aquilo, até poderia estar, mas já estava acostumada em ser chamada assim de repente por causa de casos novos que apareciam.

— E ela não parece ser a única. — A loira apontou na direção de JJ que também estava arrumada. — Se eu soubesse que isso iria interromper a noite das duas nem teria mandado a mensagem.

Três. A corrigi mentalmente, pois Hotchner estava comigo.

— Pois é, Will e eu conseguimos finalmente um momento a sós e quando penávamos que seria uma ótima noite... Sou chamada. — Ela fez uma careta. — Você também Julia?

JJ perguntou quando me viu sentada e também arrumada.

— Acho que seria algo parecido com isso — Respondi franzindo meus lábios brevemente. — Criminosos não tiram uma folga.

Troçei de forma pouco descontraída,a apesar de estar lamentando e muito internamente pela interrupção tão indesejada. Esperamos por mais alguns poucos minutos até que Reid, Taylor e Rossi chegaram juntos, o mais velho lançando na minha direção um olhar discreto, mas que já me dizia tudo.

Às vezes eu me esquecia de que ele já sabia sobre mim e Hotchner.

— Acho que duas pessoas aqui teriam se dado muito bem hoje — Morgan troçou com um sorriso travesso, rindo com Rossi que também nos olhou.

JJ e eu apenas rimos em resposta, Rossi ainda lançava aquele mesmo olhar na minha direção. Deduzindo o motivo de eu estar tão arrumada daquele jeito.

Mais comentários sobre a noite interrompida que eu e JJ quase tivemos foram feitos até que finalmente fomos chamados para o caso.

Notas finais
~Primeiro encontro Hotlia aconteceu e quase um momentinho a mais... Eu sei que vocês provavelmente vão querer me bater por causa disso, mas posso garantir que essa espera irá valer a pena. ~ Próximo capítulo será um pouco... Revelador (?) mas irei trazer algo bem bacana quanto a Hotlia para vocês. Beijinhos amores!