Stronger
31 Verdades.
Notas iniciais
I keep a close watch on this heart of mine
I keep my eyes wide open all the time
I keep the ends out for the tie that binds
Because you're mine, I walk the line
I Walk The Line
[...]
Artemis dormia em seus braços, inquieta, profundamente, no momento em que saiu do carro, já na frente da casa de Dallas.
Apolo estava com o rosto fechado, sério.
Ainda podia ouvir o choro dela, um choro que ele causara, sem saber porque... Por raiva talvez? Provavelmente. Raiva por ela ter dormido com um cara desconhecido, por ter feito isso por meras informações... E ele ficara louco, sem mais nem menos.
Mais louco ainda era dizer que ela era dele. Por um contrato, sim.
Só que ouvi-la dizer aquilo, aqueles olhos verdes chorando, estavam agonizando seu coração. Esse que queimava, muito, a cada respiração errada que ela dava em seu sono.
Mesmo sem os cabelos ruivos e a pele branca, ele sabia quem era ela. E aquilo era estranho, muito estranho. Mas deixaria para pensar sobre isso depois.
De qualquer forma, após o sexo que eles fizeram no carro, ele duvidava que pudesse dormir. E ela também não dormiria se ele não a tivesse levado para tão extremo e o corpo dela apagado, implorando para sair daquela realidade.
Estava assim, passando a porta, com Artemis encolhida contra seu peito e as mãos dele prendendo com força em sua blusa mesmo em sonho, quando viu dois pares de olhos, um verde e outro cinza, erguerem-se ao som de sua bota batendo no chão.
Atena foi a primeira a se erguer, saindo da frente do computador que compartilhava com um, agora, sério Poseidon.
– O que aconteceu com ela, Apolo? Aquele filho da puta fez algo a ela?
O único filho da puta aqui sou eu, pensou Apolo cinicamente, dando um olhar suavizado para a loira.
– Ela só dormiu dentro do carro, Atena, está tudo bem com ela... – e olhou para Poseidon, seriamente. – Vou levá-la para a cama, se precisar de mim, só me chamar.
Assim, ouvindo Atena dizer algo a Poseidon, Apolo se foi.
[...]
Artemis encolheu-se para seu lado, uma pequena bolinha e Apolo mais que prontamente a trouxe para mais perto, acariciando as costas dela.
Já deviam ser três da madrugada, se ele duvidasse, e não havia conseguido dormir nem um pouco, como bem havia pensado. Estava deitado, com a mesma calça jeans e a mesma blusa, com Artemis ao seu lado, ainda naquele sono inquieto.
Todas as vezes que ele fechava os olhos, podia enxergar aqueles olhos verdes cheios de lágrimas, implorando para ele parar. E culpa o sufocava, mais e mais.
Por que havia feito aquilo com ela? Era a pergunta que martelava em sua mente a madrugada toda.
Artemis estava suada, a blusa que ele havia colocado nela para tirar o vestido, colando-se aquele corpo. E ela tremia. Tremia tanto que ele girou para enrolá-la em seus braços, o rosto contra seu peito.
Aquela culpa maldita de saber que fora ele quem a fizera piorar.
Ele não soube por quanto tempo ficou daquele modo, a senti-la tremer, não até ver que ela havia acordado, os olhos verdes abrindo-se de supetão, assustados, com medo.
E ele mais que rapidamente pegou os remédio para entregar a ela.
Só depois disso, ainda a assistindo relaxar, lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos dela, que resolveu falar.
– Artie... Hey...
Então, ela semicerrou os olhos em sua direção.
– Não me chame de Artie.
Com essa patada, que fez o seu coração ridículo travar, ela fugiu de seus braços, com pernas trementes e ele nem tentou ir atrás dela no banheiro.
[...]
Artemis sentou-se tremendo no chão do banheiro, deixando que a água quente e suas lágrimas saíssem. Recordava de tudo, de tudo aquilo que havia feito. Principalmente, o que Apolo havia feito com ela.
E a raiva crescia, assim como uma idiota tristeza, e tudo se misturava.
Precisava se recompor, precisava ficar alerta e com mente rápida para ajudar Atena. Havia conseguido as informações para eles, havia dado certo seu plano. Agora, era a hora de achar um buraco ali.
Foi dessa forma, pensando nisso, focando-se nisso, que Artemis conseguiu terminar o banho, para, segundos depois, estar saindo tirando a tinta preta do cabelo que dava lugar ao clássico vermelho.
Apolo não estava mais na cama, tão pouco o livro dele e ela sabia que ele tinha ido ler.
Colocando só mais uma roupa quente por cima de seu pijama, Artemis saiu do quarto e foi procurar o que fazer. Encontrou Poseidon dormindo no sofá com Perseu encolhido em seu peito, Atena no outro, mas da forma que estavam, ela podia ver que eles haviam dormido falando um com o outro.
Provavelmente, estavam bem melhores do que ela e Apolo.
Com cuidado para não acordar o xerife, o que só notaria depois que era impossível, Artemis puxou devagar Perseu para seus braços, acomodando-o de forma mais quente que podia e viu um par de olhos verdes encarar calmamente sua pessoa.
Apesar dela ver a mão dele na pistola.
– Hey, xerife.. – sussurrou, sorrindo. – Pode dormir.
Mas tudo o que ele fez foi sentar-se, passando as mãos no cabelo.
– Ficamos preocupados com você, moça... Está tudo bem?
E ela engoliu um nó na garganta.
– Sim, só apaguei no caminho pra casa... Conseguiram ter acesso a pasta?
O xerife sorriu.
– Graças a você, sim. Ruiva, você é mesmo um perigo... Vou deixar Perseu com você e levar a loira pra cama... Boa noite, garota.
Artemis quem sorriu dessa vez ao vê-lo ir pegar Atena no outro sofá.
– Boa noite, xerife.
Dessa forma, com Atena em seus braços, a ruiva viu Poseidon sumir pela escada e logo que esteve sozinha, com Perseu dormindo calmamente contra seu peito, ela foi para a cozinha.
Apolo, como ela talvez tivesse pensado, estava em seu lugar usual. Sentado na escada, um livro em mãos, só que parecia desligado.
Só parecia mesmo, pois assim que colocou seu pé lá, um par de gélidos olhos azuis encararam sua pessoa. E ela sabia que ele esteve mesmo era pensando. Afundando em algo que nada tinha a ver com aquele livro de Primeira Guerra Mundial.
– Vem cá... – sussurrou ele, baixinho, que ela não teria ouvido se não lesse os lábios dele.
Não mesmo, não iria, por isso, foi tomar sua água, mesmo estando ciente que ele não desistiria. Ele era tão igual ou mais persistente e teimoso que ela.
Como havia pensado, assim que passou por ele, Apolo puxou de leve seu quadril e ela teria lutado, teria lutado mesmo, se Perseu não estivesse em seus braços.
Então, teve que aceitar ser sentada no colo dele, mas não o olhava. Estava com raiva, estava... magoada como uma garota mimada, contudo, sabia que podia estar com raiva, depois de tudo o que ele vinha fazendo com ela.
Tudo por causa de seu estúpido passado e do que ele havia descoberto.
Ele sussurrava para não acordar Perseu.
– Artemis... Me olhe...
Ela não olharia.
– Artie...
– Não me chame assim, idiota.
E dedos puxaram seu rosto para perto do dele. Olhos azuis mais suaves, mais cansados também e com aquela coisa a mais que ela estava odiando naquele momento. Os lábios dele tocaram muito rapidamente os seus.
– Artie... Podemos conversar?
Raiva, raiva pura ao olhá-lo.
– E como você pretende conversar? Deixar Perseu no carrinho dele, tirar minha roupa e quando estiver me fodendo, você para e começa a brigar comigo? Assim que você quer conversar, Apolo?
E ela sabia que havia acertado em cheio. Ele estava com raiva ao segurar seu rosto com uma mão, cada vez mais perto.
– Eu não te fodo, Artemis. – disse ele, com um tom frio, para a surpresa dela. – Voce não sabe o que é foder.
– Não sei? Por favor, eu já fui fodida por muitos, sou sua vagabunda, não é verdade?
– Artemis...
– Que foi? Não aguenta saber que eu dormi com metade do mundo? Agora vai fazer o que? Me colocar em seu colo e me machucar? Ou vai ser mais maníaco e me deixar precisando de sexo?
A cada palavra que dizia, com mais e mais ódio, mais Apolo ficava com raiva e... culpado. Ela podia ver a culpa nos olhos azuis. E ela queria muito que ele sentisse culpa pelo que havia feito.
Por isso, aproximou-se mais dele e olhou nos olhos azuis, sussurrando.
– Eu jamais serei sua, Apolo. Não importa o que me faça. Eu posso ser uma vagabunda, mas sou uma vagabunda por que quero e não sua vagabunda. E estou decidamente não ligando para a merda da minha imagem.
Foi ai que ele quem sorriu.
– Você está mentindo, você está tremendo, sabe o que te espera na cadeia, Artemis. Sabe a sensação que é ficar lá, dias após dias, então, se transformando em anos e você nem se quer sabe disso. – e ele acariciou seu cabelo. – E quando sai, tudo está muito diferente.
Olhou com puro ódio para aqueles olhos. Ele sabia os pontos fracos dela.
– Cala a boca.
– E, então, você sabe que não vai mais poder viver desse jeito. Vai ficar perdida e...
– O que você quer de mim, Apolo?
Mas antes que ele pudesse responder, Artemis virou-se com tudo para segurar Perseu ao ser puxado para cima e viu um par de olhos cinza encarando os seus verdes.
Surpresa, pura, nasceu ali e Artemis só foi perceber o porque depois que Atena pegou o filho dela e notava que mais uma vez lágrimas escorriam pelo seu rosto.
A loira olhou para eles dois, curiosa, até parecer compreender.
– Apolo... O que você fez para Art?
A ultima coisa que Artemis precisava era Atena também envolta naquilo.
Sem pensar que estava o protegendo no processo, Artemis sorriu o mais convincente que conseguia para sua quase irmã e encostou-se de leve contra Apolo. Esse, que rapidamente, passou os braços ao seu redor.
– Ele estava me contando uma coisa triste, loira... Aquelas coisas que fazem retardadas como eu chorarem, saca? Nada demais.
Artemis engoliu o nó de agonia e nojo que sentia ao ter os lábios de Apolo tocando sua cabeça.
– Sim, Atena, eu fiz Artemis chorar por histórias ai.
E como fez! Pensou a ruiva, sorrindo.
Claro que Atena jamais iria cair naquela, não mesmo, mas Perseu chamou, chorando, de fome, e ela mais que rapidamente teve que deixar aquele assunto de lado, assim como deixou a cozinha, para ir cuidar do filho.
Haviam sido salvos por Perseu.
Assim que loira sumiu, Artemis levantou-se do colo de Apolo e o olhou acidamente.
– Uma vez você me disse que não queria uma escrava, jamais criaria uma... O que está fazendo comigo agora, Apolo? Acredite, não existe mais ninguém nesse mundo que eu odeie mais que você.
Sem esperar, um segundo, deixou um sério Apolo sozinho na cozinha. Que ele se fodesse, ela jamais fora algo para ser preso.
Agora, ele ia notar isso.
[...]
Atena suspirou.
Estava sentada, com um computador em mãos. Seu pescoço estava tenso de tanto digitar, seus braços doendo e havia algo que jamais parava de cutucar sua cabeça... A cena de Apolo e Artemis, que havia sido muito mais que estranha para seu gosto.
Poseidon, ao seu lado, fazia o filho deles sorrir, erguendo-o lá em cima e trazendo Perseu para perto, em sons e coisas diferentes.
E muito divertido de se ver ao pensar que aquele era o cowboy que botava medo em todos os coiotes do Texas.
E havia mais aquilo... Desde a ultima vez que se encontraram, há mais de um ano atrás, que Atena não ia pra cama, naquele sentido, com Poseidon. Sabia que jamais devia se sentir culpada, afinal, era ela quem mandava se eles faziam ou não.
Mas... tinha aquela coisa estranha... Eles eram casados, tudo bem que ela fora enganada e que devia muito menos ir pra cama com ele, mas... Cala a boca, Atena, brigou consigo mesma. O que merda estava pensando? Jamais voltaria pra cama dele e ponto final.
– Loira, você está parada nessa mesma página há uns cinco minutos, não acha que talvez seja a hora de você sair um pouco daí?
Mesmo sem querer, seus olhos cinza foram para ele e o viu sorrir para sua pessoa, os olhos verdes cobertos pelo chapéu de cowboy que ele sempre usava.
– Tenho que dar um jeito nisso daqui, cowboy.
– Eu também tenho, mas estou aproveitando o tempo com nosso filho. E acho que você devia fazer o mesmo.
– Passei a noite em claro com ele, pode cuidar.
E ela sabia que ele compreendia do que ela falava.
Ele também ficara com sua pessoa, acordado. Ela em um sofá, ele sentado na ponta da cama, ambos conversando enquanto Perseu não parava de chorar. Atena esteve para ficar louca, sem saber o que fazer, fosse com massagens, fosse com leite, ele não havia parado.
Não até ela ficar perdida e Poseidon puxar o garoto delicadamente de seus braços, conversando com ele, cantando alguma música do velho oeste.
Fora só ali que Perseu adormecera e Atena pode dormir duas horas, uma vez que Perseu acordara mais uma vez. Dessa, era fome, mas pouco a loira conseguiu pegar no sono.
A realidade era que estava exausta, mas precisava terminar aquilo, urgente.
Falando em coisas urgentes, Apolo apareceu, também com cara de cansado e jogou-se no sofá, só deixando as botas de fora.
– Onde está a Art, Apolo? — a loira perguntou.
– Trancada no quarto, procurando alguma coisa útil no computador.
– Eu não a vi vir almoçar hoje.
– É porque ela não almoçou, Atena. Ela disse que estava ocupada demais pra isso.
E a loira revirou os olhos. Uma vez que Artemis começava algo, era sempre difícil fazê-la parar.
– Apolo, levanta, você tem uma missão para fazer.
Então, Atena começou a contar o que era pra ele fazer.
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