Stronger
27 Tratos.
Notas iniciais
When you play it harder,
And i try to follow you there,
It's not about control,
But i turn back when i see where you go.
Oblivion
[...]
Artemis olhou pra o visor do seu celular que tocava loucamente.
Estava mais uma vez acompanhada, mas também muito acordada. Como era de se esperar, de madrugada, Artemis havia acordado suando, tremendo e agradeceu mentalmente, antes de tomar os seus três remédios, que seu amigo houvesse dormido ao seu lado.
Naquele minuto, estava sentada em uma poltrona da casa dele, o dia já ia indo e lia um livro a fim de espantar os malditos pesadelos que a atormentavam.
Quer dizer, até o celular começa a tocar.
- Hey, Art – era a voz de Afrodite. – Voce não vai vir experimentar as novas roupas não?
E ela abriu os olhos, surpresa. Havia esquecido, por completo. Tivera tantas coisas, os novos passos pro próximo jogo, Apolo, seus pesadelos, Apolo, as atividades que Poseidon fazia, Apolo... Ok, ela admitia, essencialmente Apolo.
- Ah, droga, eu estou indo pra ai.
- Ta em casa?
Por algum motivo, Artemis corou. O que era estranho, sempre falara comumente sobre seus casos.
- Não, to com um tal de Jack ou seria Johnnie? Um deles!
Afrodite riu.
- Ok, vem pra cá, te empresto uma roupa.
- Valeu, já estou chegando ai.
Assim, dessa forma, Artemis foi se arrumar o mais rápido que podia.
Em questão de poucos minutos, saia da casa dele e entrava em seu Marquis 72. O carro era gostoso de dirigir, sexy, com cara de gangster, do jeito que ela adorava.
E foi com um susto que Artemis pisou com tudo no freio. Tão desligada se encontrava, como havia estado todos aqueles dias depois que vira Apolo e já não conseguia dormir mais que duas horas um péssimo sono, quase havia batido seu carro em uma possante Mercedes prata que passava a sua frente.
O cara, um homem em roupa de cowboy, que pareceu até familiar a ela, xingou algo pela janela, mas não chegou a parar.
Artemis tremia, tremia muito assim que estacionou o carro na garagem especial do estádio e subia as escadarias para o campo, sua bolsa esportiva em um dos ombros.
O que estava acontecendo com ela?
[...]
Esquerda. Esquerda. Agora rebola. Joga o cabelo pra a direita. Maos para frente. Lado pra outro. Sexy, olhe de forma sexy. Isso, três passos. Só mais um salto. Salto perfeito. Quebra só o peito. Aqueles sete passos rápidos. Respire fundo. Quebradinha com o quadril. A ultima parte, você consegue.
Artemis em questão olhou para formação que eles faziam. Era uma das mais clássicas pirâmides, tirando que ali, as garotas rodavam ao chegar ao topo. E o local mais alto era o dela.
Por isso, quando Afrodite deu um mortal para trás, o pé caindo perfeitamente na mão de Perséfone, que a jogou para cima em um só impulso, colocando-a no exato local que devia, Artemis respirou fundo e deixou-se ir.
Seus três primeiros saltos, flexíveis, maravilhosos, de forma que até os garotos do futebol as vezes paravam para vê-las treinarem. E então, Persefone a jogava para o alto.
Uma.
Duas.
Três.
As garotas a ajudavam a subi-la. Até que seu pé bateu na mão de Afrodite e estava lá em cima.
Sorriu de pura satisfação.
Haviam conseguido. Haviam feito a pirâmide perfeita.
Os garotos aplaudiam.
- ISSO AÊ, PORRA! – gritou em pura felicidade.
Mas bem nessa hora não notou algo, que não havia firmado-se perfeitamente e a próxima coisa que notou era que caia.
Ouvia os gritos, seu próprio pavor tomando conta de seus atos, o vento passando em seu cabelo e então o chão. Sua sorte fora seus anos como líder que a fizeram diminuir o impacto ao tocar os pés no chão e na mesma hora rolar em uma cambalhota.
Ainda assim, quando parou deitada, seu joelho doía. Doia muito.
Logo havia um time de futebol e de lideres todinho a sua volta.
- PORRA! – xingou, seus olhos ardendo por lágrimas – PORRA! ALGUÉM ME DÁ UM CARALHO DE GELO!
Mas foi Hades quem agiu, puxando sua pessoa no braços e ladrando ordens.
- Onde você vai me levar, cara?
- Pro hospital, ruiva. Voce não viu o estrago que fez.
[...]
Se alguma vez houve uma viagem que Atena estivesse mais tensa, nenhuma delas conseguiria ganhar daquela que fazia em velocidade máxima.
Seu coração rulfava, mesmo a música não lhe ajudava muito. Seus olhos alertas para qualquer erro que poderia cometer. E, ao entrar na cidade de Dallas, vendo pessoas olharem fascinadas pela sua Lamborguini quando parava em sinais, ela ficava fitando a todo minuto o papel na letra curvada de Poseidon, para aquele endereço.
Já passava das dez da noite no instante em que seus coração se aliviou um pouco ao ver a mansão de dois andares que Poseidon devia estar morando, ela mal se importando de desligar o carro com tudo e bater com força a porta dele.
Tudo o que pensava era em Perseu. Seu filho que estava ameaçado de ficar sem mãe. Aquele filho da puta de Poseidon.
Uma pontada fraca em seu coração a fez parar para respirar um pouco.
Respirar.
Respirar.
Mas aquilo não a impediu de continuar a andar e abrir sem dó alguma ou educação a porta da casa de Poseidon que provavelmente estava aberta só a esperando.
E a cena a sua frente era bem simples.
O cowboy em sua roupa completa, com seu filho nos braços, tentando fazê-lo para de chorar, andava de um lado para o outro. Um loiro de olhos azuis encontrava-se sentado na escadaria, meio perdido. E havia mais um cara em um terno que ela desconhecia.
Tudo isso foi para segundo lugar assim que ouviu um soluço de Perseu. E todos pareceram notá-las.
Mas ela não ligava para ninguém.
Ela não perdeu tempo. Sem pensar em nada, só em seu filho, Atena correu da forma que podia até onde o homem de olhos verdes a esperava, soltando no chão mesmo a chave de seu carro e as pastas, e logo que alcançou, pegou Perseu dos braços de Poseidon.
Não percebia que chorava. De alivio. De ver que seu filho estava bem. De alegria. E de raiva. Até que sentou-se no pequeno degrau que havia e abraçou Perseu com força contra seu corpo. Seus olhos fechados para sentir o cheiro da sua criança. Para escutá-lo.
Seu Perseu.
- Shhh, meu amor, mamãe está aqui – sussurrava baixinho sob o ouvido de seu filho, acariciando as costas dele com movimentos suaves de subir e descer com a mão. – Está tudo bem, querido, tudo bem.
Ninguem disse nada, apenas o som de sua voz e dos soluços de Perseu que passavam. Um silencio tenso, que para ela, tão pouco importava. Só precisava daquele peso em seus braços, o resto que se explodisse.
E acredite, Atena era tão leoa nas compras de empresas quanto como mãe. Uma mãe que faria tudo para proteger seu filhote.
- Atena....
Então, havia sido puxada de volta para a realidade. Poseidon estava parado a sua frente, os olhos verdes sobre os seus, calmos, impossíveis de se ler. E toda a raiva subiu a sua cabeça, tudo que guardava, o desespero. Tudo.
- Seu filho da puta, eu confiei em você, deixei meu filho com você! E você fez isso! Desgraçado! – tremia. – Voce não sabe o quanto eu quero pegar essa sua estúpida Colt e dar um tiro em você. Eu te odeio! Voce é a pessoa que eu mais odeio nesse mundo! Como pode fazer isso comigo¿ Como¿ Com Perseu¿
Mesmo as lágrimas de raiva não a impediam de querer matá-lo. Ou os olhos pasmos e azuis de Apolo sobre sua pessoa. Naquele momento, se fosse uma leoa, já teria pulado na jugular daquele cara e o matado sem dó ou piedade, não depois desse desespero todo que ele a fizera passar.
Mas tudo o que Poseidon fez foi agachar-se a sua frente. Os olhos verdes dele estavam escuros, aço.
- Eu precisava que você viesse até mim, fiz o que foi preciso, moça. Perseu estava muito seguro comigo.
- Pra que¿ Pra que você me quer aqui¿ Ali estão os documentos... – apontou para as pastas nas mãos do advogado dele. – Tudo o que você quer está ali, a empresa vai voltar a ser sua... Só me deixe ir embora, Poseidon, e levar Perseu comigo.
- Eu realmente queria poder fazer isso,Atena, mas há mais uma coisa que eu preciso que você faça.
Seus olhos cinza o encararam, com raiva, com desgosto, com tudo o que sentia.
- Faça logo, Poseidon.
- Eu preciso que você assine isso daqui.
E ela abaixou os olhos para ver a pasta em couro marrom que ele segurava aberta em sua direção. Na outra mão, havia uma caneta. Ela mal leu.
Ela já fazia qualquer coisa mesmo, aquilo seria só mais um, provavelmente era alguma empresa sua que Poseidon queria, então, tudo o que fez foi segurar a caneta que ele lhe oferecia com mãos trêmulas. E tentar assinar.
- Atena, acalme-se, ninguém aqui vai te machucar ou Perseu.
- Voce já o tirou de mim uma vez, acha que vou mesmo acreditar nisso¿ Voce é a pessoa que menos confio agora.
- Então acredite em mim, Atena, sou médico, jamais faria mal pra alguém.
E seus olhos ainda úmidos fitaram os azuis de Apolo com muita raiva.
- Voce acreditou em Artemis quando as coisas aconteceram, Apolo¿
Como havia pretendido, o homem de cabelos loiros calou-se, ficando quieto. Era bom mesmo que ele ficasse daquele modo ou também teria de enfrentar a fúria dela. Ignorando-os, forçou-se a respirar fundo, acalmando-se.
- Voce vai rasgar o pedido de guarda assim que assinar isso, Poseidon¿
Os olhos verdes dele estavam sérios, ele assentiu.
- Vou, Atena. Só preciso que assine isso.
E ela falou foda-se. Perseu sempre vinha em primeiro lugar, não seria diferente ali, por isso, concentrando-se, fez rapidamente sua tão famosa rubrica que assinava todos os seus projetos e empresas. E deixou pra lá aquilo.
Poseidon entregou a pasta agora fechada para seu advogado, recebendo outra em troca, onde, a frente de seus olhos cinza, ele rasgou o papel em que estava escrito “Tutela”. Aquilo sim era um acordo. Ele desistia de todos os seus direitos de lutar pela guarda do filho em troca das suas empresas.
Mas estranhou no momento em que Poseidon colocou as três pastas pretas intactas e sem qualquer assinatura bem ao seu lado, empilhadas. Sabia que o olhava confusa enquanto ajeitava melhor Perseu em seu colo.
E homem de olhos verdes apenas sorriu.
- Eu não queria suas empresas, Atena. O que eu havia planejado já me garantia isso. Eu só precisava de você, de Apolo como testemunha e sua assinatura.
- Então, o que...¿
Antes que pudesse terminar, o advogado de Poseidon sorriu, dando uma ultima assinatura no papel dentro da pasta marrom.
- Parabéns, Senhor Ewing.
- Obrigada por vir, Rogers.
- Irei agora mesmo arquivar. – e ele apertou a mão de Poseidon – Felicidades para vocês. E um belo garoto, Senhor.
O cowboy sorriu, de puro orgulho. E Atena não estava entendo porra nenhuma do que acontecia.
- Sei, Apolo te levará até a porta.
- Tenham uma boa noite.
Assim, uma confusa Atena, ainda sentada no chão, mas agora com Perseu alimentando-se daquela forma maravilhosa que a fazia sentir-se compeltamente útil, viu Apolo ir conversando com Rogers até sumirem. E também olhou na mesma hora para Poseidon que veio sentar-se ao seu lado.
A pergunta escapou, mesmo com toda a raiva do mundo por aquele cara.
- O que assinei se você não queria minhas empresas¿
Olhos verdes divertidos.
- Voce não leu¿
- Eu tenho mais com o que me preocupar. – acariciou Perseu enquanto o via colocar de leve a blusa de frio que ele usava para tampar o filho deles mamando. – O que era aquilo¿
- Algo que você uma vez me deu a idéia, que me fazia ter você e Perseu ao mesmo tempo, claro, além do rancho.
Seus olhos cinza se abriram em espanto.
Seu coração parando.
Medo.
Gelado.
- Aquilo não era...¿
Mas Poseidon já assentia, sorrindo e arrumando o chapéu na cabeça.
- Voce agora é oficialmente Atena Danniels Ewing, minha esposa.
E tudo o que Atena fez foi encará-lo, pasma demais para falar algo. Ao final, ele havia dado a volta, conseguido o rancho e mostrado para ela que conseguia sim tudo o que queria. E a loira jamais pode acreditar em sua própria burrice, pelo desespero.
Agora, era a Senhora Ewing. Esposa de Poseidon.
Puta que pariu, o que havia feito¿
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