Do you ever think of me

In the quiet, in the crowd?


Where Are You Now

[...]

FRIO. MUITO FRIO.

E AGUA.

HAVIA AGUA PARA TODOS OS LADOS.

SUAS MÃOS BATIAM CONTRA O VIDRO DE GELO, SEU AR QUEIMANDO... QUEIMANDO MUITO... E TENTAVA GRITAR, MAS TUDO O QUE SAIA ERAM BOLHAS E AGUA ENTRAVA. SEUS OLHOS SE FOCARAM ALGO ATRAVÉS DO VIDRO... HAVIA ALGUÉM... HAVIA ALGUEM QUE GRITAVA DE VOLTA... RAPIDO... RAPIDO...

AR... AR...

– Artemis, acorda!

Com um grito, Artemis sentou-se, de olhos arregalados, sem ar. Seus pulmões queimavam, suas mãos tremiam, sentia os cabelos da nuca empapados de suor e tudo estava desfocado.

Uma fraca luz adentrava através das portas de vidro, mas o que realmente ela percebia era que estava novamente tendo aquele sonho, ou melhor, aquele pesadelo outra vez.

Depois de tanto tempo, havia tido aquele pesadelo.

Então, uma mão entregava um par de remédios e ela mais que prontamente engoliu. E tremia, tremia muito, todo seu corpo. O ar já faltando antes mesmo que estivesse acordada, suas vias respiratórias fechando-se.

Precisava fumar. Precisava. Agora.

– Artie...?

A ruiva, com o rosto pálido e dilatados olhos verdes, encarou a pessoa que estava ao seu lado. Apolo encontrava-se segurando seus braços, algo que ela nem se quer havia notado, olhando-a preocupado, daquela forma que a fez ver que ele havia assistido aquilo, aquele seu ataque.

E tudo ficou pior.

Precisava de algo mais forte que cigarro. Precisava limpar-se daquele pesadelo. Esquecer-se em algo melhor.

Precisava de heroína.

Empurrando-o com um pouco mais de força que o necessário, Artemis levantou-se em tremulas pernas e caminhou até a sua bolsa. Achara cigarros, mais de seus outros remédios, mas nada de drogas.

O que havia acontecido? Onde estava?

– Jogamos fora, Artemis.

E ela virou-se para encarar calmos olhos azuis, lembrando-se de tudo. Estava perdida, já era, daquele modo...

Precisava se acalmar, acalmar rápido.

A procura de todas as saídas possíveis, a ruiva entrou no banheiro, puxou a lamina que havia em cima da pia e sem pensar ou se quer retirar a pulseira que sempre escondia os cortes, afundou-a em seu braço.

O primeiro impacto de dor.

Fraco, suave, pois ainda tremia e recordava aquelas sensações.

Mais... Mais... Precisava de mais daquilo. Algo que fizesse todo seu corpo se concentrar naquilo. Mais uma vez...

O segundo foi mais forte, mais firme. E ela assistia a forma com que seu sangue pingava vagarosamente na pia clara, no chão... Mais uma vez...

Então, um braço forte apertou seu corpo contra algo quente e dedos firmes seguraram a mão em que estava a lamina, impedindo-a de trazer para mais perto aquilo.

Precisava... Será que ele não entendia? Precisava... Precisava...

– Solte a lamina, Artemis – sussurrou ele em seu ouvido com a maior calma do mundo.

– Me solta...

O pesadelo voltava. Precisava daquilo.

Será que ele não notava? Que ele não ouvia aquele som?

– Solte a lamina, Artie... Por favor.

E ela o odiou, realmente o odiou naquele momento, mas estava cansada, já sabia que o som a pegaria, que aconteceria, e seus dedos deixaram o objeto ir.

A próxima coisa que percebia era que Apolo havia a pegado no colo e a levava de volta ao quarto.

Apolo sentou-se na cama, sem em momento algum folgar o aperto, acomodou seu corpo entre as pernas dele. Então, entregava um livro e um cigarro aceso para sua pessoa. Meio perdida como se encontrava, tudo o que Artemis pode fazer foi segurar o objeto um pouco pesado, após colocar na boca o cigarro, tragando.

Fraco alivio.

– Artemis, eu quero que você abra o livro em uma pagina qualquer e comece a lê-lo. Qualquer coisa, foque-se naquilo, tente enteder o que está escrito... Leia.

E, enquanto o via suavemente começar a limpar seu corte com álcool, Artemis de fato abriu em qualquer página, soltando a fumaça, e tentou ler.

Sua cabeça estava em frangalhos.

Perdida.

Confusa.

E aquelas linhas estavam ainda pior. Palavras juntas, difíceis, confusas. Principalmente confusas. Espalhadas.

– Apolo...

– Continue lendo, Artemis, arrume um sentido nelas. Foque-se.

E ela jurava que tentava. Lia, relia, palavras soltas, sem sentido algum.

Até que com o passar do tempo, quando seu cigarro havia acabado e Apolo enrolava uma faixa em seu braço (esse que ela só ntou naquela hora como havia sido grande o corte feito), as frases como começaram a fazer sentido, os atos compreensíveis...

– Agora, leia em voz alta.

E ela começou a falar, de forma baixa, pouco a pouco.

Logo, entendia que aquela era uma cena de guerra, que um coronel dava as ordens para atacar e que se tratava da Segunda Guerra Mundial, sendo aquele o ponto dos soldados nazistas.

E seu corpo havia parado de tremer, seus olhos ansiosos pra saber o que acontecia e Apolo nada disse.

Só foi tarde demais, após ler algumas paginas em voz alta, que Artemis o modo como estavam: Ela, entre as pernas dele, com ele mexendo em seu cabelo e os dois como se curtissem aquele momento.

E talvez, de fato curtissem.

– Apolo?

– Sim, Artie?

– Isso daqui tá estranho pra caralho.

– Tá falando do livro?

– Hum... Não... Eu com essa baitolagem de estar em seu colo, você todo gay mexendo em meu cabelo, lendo esse livro romântico... Tá tão estranho que to quase corada, palhaçada.

E Apolo riu atrás de sua pessoa.

– É bom ter você de volta, garota. Está melhor?

– Precisando de mais um cigarro, mas tá de boa... Livro assassino pra cacete esse teu.

– Preferia um Nicholas Sparks?

– Aceito um L.S. James.

– Mas você não precisa daquele, precisa de romance, garota.

– Pá porra, né? Que mané romance, se bem que 50 Tons é meio coisa ultrapassada.

E, dessa vez, Artemis riu com ele de sua própria fala.

– Tá bem ai?

– Admito que não me importo que você me encoxe, mas agora tá incomodando, pode me soltar?

Assim Apolo permitiu que sua pessoa saísse e assim que pode Artemis colocou-se de pé, usando de todas as suas forças para não mostrar o quão frágil e sem graça sem encontrava.

Precisava continuar fazendo-o rir, afastar-se dele, precisava se recompor, porque só ela sabia o quanto desejava continuar ali naquele colo.

E isso não estava nada normal.

Os olhos azuis seguiam seus movimentos ao colocar um cigarro na boca e tragar.

– Voce não me chamou mais uma vez, Artemis... Eu estava aqui, bem ao seu lado, e você simplesmente machucou-se ao invés de falar comigo.

E ela sabia que era verdade, mas não podia encará-lo.

– Artemis, pra isso daqui dá certo, eu preciso que você aceite minha ajuda... O que te fez me ignorar pra ir atrás de drogas? O que a levou a se levantar da cama com pressa e ir fumar? — silencio. – Eu preciso de respostas pra poder te ajudar, preciso saber o que você passa... Foi o pesadelo, Artie? O que você sonhava? Qual era seu pesadelo? Por que você tem tanto medo dele?

Cenas, milhares de cenas vieram a sua mente. Pesadelos e mais pesadelos, um em cima do outro, como um filme rápido, que deixava sua cabeça doendo.

Doendo muito. Queimando. Ardendo. Ar. Agua.

E a cada pergunta que ele fazia naquele maldito tom calmo a fazia querer mais e mais socar a testa em algum lugar pra ver se aquilo parava. Suas mãos prendereram-se em seus cabelos, suas palmas tampando seus ouvidos.

Não queria mais saber daquilo.

Não.

Não.

Não.

O som. Aquele som tocava ao fundo.

Uma. Duas vezes.

– Artemis...

Abriu seus olhos embaçados para encarar um par de orbes azuis. Sentia as lágrimas descer, assim como também via a surpresa dele ao olhar para aquelas gotas.

– Para com essa merda que está fazendo... Por favor, Apolo, pare... Pare com essa porra!

– Me chame, Artemis... Deixe-me te ajudar.

Mas ela não conseguia fazer isso, sentia que precisava, que ele saberia o que fazer para parar aquela agonia, só que era tão... Complicado de dizer aquelas palavras, tão difícil. E ele parecia ler isso enquanto olhava em seus olhos marejados.

– Artemis, eu não estou aqui para roubar sua liberdade, ela é sua. Voce sabe que pode ir embora dessa casa a qualquer hora, pode pegar suas coisas e voltar para a sua vida. Assim como também sabe que está cansada, que quer que esses pesadelos parem, que você possa dormir uma noite inteira sem precisar de drogas, sexo ou álcool. Voce quer paz, Artemis, eu sei que quer... – e os olhos dele ficaram suaves. – Peça a minha ajuda, preciso que você tome conta disso, que consiga... Como você está precisando agora. Voce só precisa falar.

Aquela dor. Aquela dor que aumentava.

Sua cabeça latejando.

E o filme rebobinando, passando, rebobinando e passando. Uma lágrima caiu de seus olhos enquanto o fitava. Precisava dizer. Precisava acabar com aquilo. Ele tinha a cura.

Precisava.

– Apolo... – engoliu a seco. – Por favor, me ajude.

E ele sorriu para sua pessoa ao estender um livro em sua direção. O mesmo livro que havia lido minutos atrás.

– Eu quero que toda vez que você fique assim, ou depois de acordar, você pegue um livro e comece a lê-lo em voz alta. Se concentre nele, visualize as imagens... – e ele acariciou seu cabelo de leve, Artemis nunca havia se sentido tão pequena ou tão frágil em toda sua vida como naquele momento ao pegar os livros com mãos trementes. – Vamos usar essa tática por enquanto, você ainda vai demorar tanto para deixar de lado os efeitos que as drogas lhe causaram quanto por que iremos tratar desses seus pesadelos, então, esses ataques ao acordar serão ainda mais fortes. Mas com o passar do tempo, você não vai mais precisar do livro ou mesmo do cigarro. Preciso que leia, só por enquanto, tudo bem?

Artemis assentiu, sem saber o que dizer depois de ter se aberto tanto dessa forma. E nem foi preciso, pois um homem de olhos verdes abriu a porta e olhou para eles por baixo daquele típico chapéu de couro.

– Pronto para ajudarem em um parto, garotos?

[...]

[Música – Where Are You Now – Mumford & Sons]

Artemis não podia acreditar no que estava a sua frente.

Claro, fora a coisa mais nojenta e sangrenta em que já havia ajudado, mas também era o maior milagre que já havia visto em toda a sua vida. O simples milagre de ver aquele pequeno bezerro ainda úmido, com a cabeça em seu colo, abrir os doces e inocentes olhos castanhos.

E ela não agüentou toda a felicidade que brotou em seu peito.

De repente, seus olhos estavam embaçados e sabia que era a mulher mais boba da face da terra por estar chorando por ajudar em um simples parto.

– Bem vindo, garotão. – sussurrou para o animal enquanto limpava o pouco de sujeira que havia grudado nele.

E aquele presente era algo que ela jamais poderia ter esperado receber.

De acordo com Poseidon, todas as pessoas daquela fazenda tinham uma vaca ou um boi para si mesmos, e aquele era o seu. Pois só podia ser dela, se ajudasse a mãe no parto da cria.

Agora, tudo o que Artemis podia fazer era sorrir, sabendo que Apolo, Poseidon e Rick a olhavam, mas pela primeira vez não ligava.

Aquele era seu momento. Seu momento com aquele animal.

– Já sabe o nome que vai dar a ele?

– Xerife. O que acha?

E Poseidon sorria para sua pessoa assim que se levantou olhos para encará-lo. Apolo também sorria, parado a um canto.

– Acho que esse boi vai ser o futuro mandante da manada, moça.

– Apropriado para mim então... Somos importantes, Xerife. – e acarinhou o boi de leve. – Líderes.

[...]

Após ver o Xerife colocar-se de pé em pernas meio bambas e andar pela primeira vez pelo pasto, onde a ruiva gritou em pura felicidade, Artemis resolveu que precisava urgentemente de um banho.

E sem duvida aquele fora o banho mais demorado de toda a sua vida, pois havia tantas coisas nojentas e a fins, que praticamente acabara com seu sabonete de menta.

Mas tudo dera certa ao final.

Estava limpa, cheirosa, vestida para ficar em casa como Poseidon havia permitido, no momento em que desceu as escadas, ainda pentear seus cabelos vermelhos e viu Apolo, também banhado, escrevendo alguma coisa em um caderno e mais algumas coisas ao redor dele sobre a mesa.

E ela jamais poderia perder a chance de zoar com ele.

– Fazendo a listinha das compras, Principe?

– Estava esperando exatamente por você, garota. Senta ai do meu lado.

– Hum... Devo ficar preocupada em ser assediada?

– Artemis, sempre é você que me assedia.

– Ah, droga, sempre esqueço! – e sentou-se ao lado dele enquanto o ouvia rir baixinho e ela acendia um cigarro. – Pronta?

– O que você estava fazendo?

– O que vamos fazer, seria o certo de você perguntar, mas vou te explicar... Eu jamais posso tirar algo de você, sem que te entregue outra coisa em troca. É questão de equilíbrio. Então, eu resolvi colocar em uma lista todas as coisas que eu e Poseidon lidamos para poder manter esse rancho ser tão bom, e resolvemos que vamos usar você para melhorar ainda mais.

Artemis franziu o cenho, ainda o fitando.

– Com minha imagem?

– Não, vamos colocar pra você trabalhar conosco... Assim, você ficara com o tempo cheio, ocupando sua mente para que os efeitos e a ânsia por eu ter cortado as drogas mais fortes diminua. E aqui... – ele empurrou o caderno em sua direção. – Estão as coisas que fazemos.

Artemis leu rapidamente, meio pasma.

– Isso é coisa demais para se fazer em um dia, tão retardando¿

E Apolo sorriu de sua cara.

– Eu quero que você escolha quatro coisas para fazer em um dia, assim vamos montar um tipo de rotina que jamais fica enjoativa para você. Em dias que colocar, por exemplo, “Tocar o gado”, você só irá colocar mais uma coisa, porque geralmente gastamos quase um dia todo nisso. – e os olhos azuis eram animados sobre os seus. – O que acha?

O que ela achava?

Havia adorado a idéia, essa era a verdade.

Havia de tudo ali, desde escovar o cavalo que ela usasse até cuidar dos bezerros, ou mesmo ajudar com a plantação e arrumar seu quarto. Ela tinha um daqueles para treinamento das garotas, a deixava em ordem. E havia gostado muito da diversidade daqueles. Com tanto trabalho, ficaria tanto cansada quanto ocupada. Mas jamais admitiria o quanto aquela idéia tocou sua pessoa.

Com um sorriso delado, Artemis apagou o cigarro e pegou a caneta.

– Acha que segunda feira é um bom dia pra tocar o gado ou melhor cuidar dos cavalos?

E, ao ver o sorriso de Apolo, os olhos azuis mais radiantes, sabia que havia feito a escolhar certa.

[...]

Artemis olhou mais uma vez para cima.

Estava nada menos do que no escritório externo de Poseidon.

O cowboy em questão havia chamado Apolo para tocar o gato assim que eles haviam terminado, aos risos e brincadeiras, a rotina que ela seguiria a partir dali.

E a ruiva não perdeu a primeira chance de ficar em casa sozinha.

Assim que eles saíram, Artemis ligou a televisão, apanhou um pendrive especial que havia roubado do ultimo cara que pegara em Dallas, e correu para o escritório.

Que era exatamente onde ela se encontrava agora.

Seus dedos rápidos teclavam as informações que desejava, limpado todos os vestígios de que havia mexido ali assim que fechava uma pasta e abria outra, tudo o que havia precisado aprender quando era mais nova.

Com cuidado, usando luvas de montaria, ela colocou o pendrive no computador de Poseidon e rapidamente deu inicio ao vírus invisível. Era mais como um rastreador, avisava todos os passos que a pessoa fazia ao mexer, permitindo que outrem olhassem sem ser notado.

Teclou mais algumas coisas, sorriu ao ver que ali havia dados de compra e venda também, assim como recibos e os demais, e retirou o pendrive.

Estava pronto tudo o que Atena poderia querer.

Assim que completou o que precisava, com direito a senha para a outra pessoa e os locais de acesso, Artemis deixou o computador exatamente do mesmo modo, jogou o pendrive no chão, o quebrou e guardou os pedaços em um pequeno saquinho.

Havia acabado de sentar-se para trocar canal da televisão para um jogo de futebol americano, quando escutou o som de esporas e a risada de uma certa pessoa.

Logo, apareciam na sala.

– Folga demais, moça.

Artemis sorriu para Poseidon.

– Relaxe, vou pegar firme e forte amanha, se é que você me entende.

Apolo, claro, revirou os olhos enquanto tirava o chapéu e passava os dedos nos cabelos loiros.

– Estou morto de fome.

– Hum... E quem será a sua sobremesa? Carla? — e o olhou de forma inocente. – Sei cozinhar bem.

– Voce não tem jeito mesmo, garota.

– Acontece.

– E quem vai fazer a comida, garotos?

Artemis mais que depressa ia se propor, mas antes que pudesse, seu celular tocou e ao ver quem era, teve que atender. Às vezes se impressionava com o timing perfeito que ela e Atena tinham para saber que precisavam conversar.

– Apolo faz a comida... Atena me liga, queridos, já volto.

Assim, a ruiva pulou o encosto do sofá e foi para o lado de fora da casa.

– Essa linha é segura, loira?

– Hum... Oi pra você também, estou com saudades, como você está, Atena? Ah, estou ótima, Art, e você? Esses são os primeiros passos para se começar uma conversa, ruiva!


Artemis revirou os olhos da ironia da loira enquanto sorria.

– Jamais admitirei que estava com saudades, eu estou bem e você?

– Bem também.

– Feliz agora?

– Sim.

A ruiva bufou.

– Finalmente, essa linha é segura?

– Claro que é, sempre uso as linhas confidencias da empresa pra qualquer ligação.

– Ainda bem que você é inteligente, loira.

– Hahá, o que foi?

– Está com seu computador ou tablet ai?

– To.

– Pega ele ai.

– Rapidinho... Rapidinho... Pronto, está ligado em meu colo.

– Entre em suas pastas, na área confidencial há uma nova chamada PREDT, clique.

– Predt? Que porra de nome criativo é esse, Art?

– Petroleira e Rancho Ewings Dallas Texas, retardada. Clicou?

– Cliquei... E ainda tentando acreditar nisso.

– Agora, digite a senha. É 580398LLDXT.

Um segundo de silencio que Artemis esperava, seus olhos no horizonte, a espera de Atena terminar de colocar aquela imensa senha.

Houve um arfar de surpresa.

–Puta que pariu.

– Atena, seja muito bem vinda ao computador de Poseidon Ewings. O que ele tá fazendo agora? Em site pornô?

– Artemis, eu já disse que você é muito minha amiga e que jamais quero saber como você conseguiu destrava o meu firewall e o de Poseidon?

A ruiva riu, olhando para os lados para ver se alguém havia ouvido. Estava tudo limpo.

– Atena, eu só faço aos meus concorrentes, então, fique calma, querida. Gostou do programa?

– Melhor presente que poderia ter ganhado de você, ruiva. Agora, estou vendo-o receber alguns dados do gado que chegou.

– Loira, fico muito feliz que você tenha gostado, mas tenho que delisgar agora antes que eles venham querer saber o que faço, valeu?

– Mais uma vez, é um prazer ser sua sócia, Art. Cuide-se.

– O mesmo pra você, vou desligar que essa porra tá gay demais.

Atena riu.

– Até, garota louca.

– Te ligo com mais informações depois, tchau.

E assim desligou o telefone.

Ah, como era divertido ser uma espiã!