This love, it is a distant star

Guiding us home wherever we are

This love, it is a burning sun

Shining light on the things that we've done


– Into The Open Air


[....] Música [...]

E assim os dias foram se passando, um após o outro, daquele modo bem Velho Oeste que Artemis estava começando a se acostumar.

Foi em uma segunda que ela e Apolo colocaram pela primeira vez todos aqueles planos em ação. E o que a ruiva notou facilmente é que não havia tempo para respirar.

Todas as atividades comiam o seu tempo desde a hora que o sol nascia até a hora que ele se escondia no leste. Eram coisas divertidas às vezes, outras um saco, outras cansativas até por demais. Mas que mostravam a ela um tipo de rotina que gostava.

Acordava de madrugada, geralmente sozinha, tomava seu remédio, acendia seu cigarro e pegava um livro que Apolo sempre deixava pra ela em cima de sua mesinha.

Claro, essa rotina após o acordar não foi tão águas perfeitas assim. Foram turbulentas, com choros, Apolo abraçando sua pessoa, muitas brigas, alguns sustos, até que ele havia passado a dormir em seu quarto, no chão, em um colchão. Às vezes, chegara a bater nele, outras ele a acordava porque estava tremendo no sonho, ou mesmo porque abria os olhos do nada, suada. Até mesmo morder a língua fizera.

Mas, assim que fora passando a notar melhor como e quando iria acordar, Artemis treinara para fazer isso antes de tudo e já pegava o livro do dia.

Às vezes, de madrugada, Artemis sentia os olhos azuis de Apolo em sua pessoa enquanto lia em voz alta, fumando e andando envolta da piscina, perdida nas paginas e palavras. E ele sempre sorria quando o olhava, um sorriso que fazia Artemis na mesma hora corresponder, algo que ela estava achando divertido.

Algumas, a ruiva sentava-se ao lado dele na escadaria, jogava as pernas sobre uma dele e ficava lendo o livro que ele lia em voz alta. E ele simplesmente escorava-se em seus cotovelos, ouvindo a sua pessoa.

E isso virava uma gostosa rotina.

Uma que Artemis até mesmo chegara a ansiar por chegar.

E quando ela percebeu que somente ler de madrugada não estava suficiente, ela mesma mudou isso.

Apolo estava tocando algo em seu violão, o que só Artemis soube que ele gostava de tocar, embaixo de uma arvore, quietinho. E ela o viu.

Esteve se coçando, agoniada, tremendo as pernas, inquieta com o pouco de tempo livre que sobrara em um sexta feira. Sua mente implorava para um pouco de heroína, ou um corte, ou qualquer coisa que trouxesse paz para sua pessoa. O tipo de paz que ela costumava procurar antes.

Sem pensar muito que ela simplesmente levantou-se da cama em que estava, vestiu uma roupa mais quente, pois o frio chegava e foi sentar-se ao lado dele. Apolo somente sorriu, um sorriso compreensivo, enquanto se acomodava pertinho do calor que ele emanava e começou a ler seu livro, dessa, em voz baixa.

E assim foi se passando, as vezes que ela estava agoniada demais, ia atrás de onde ele estivesse, fosse só para olhá-lo em treinando os cavalos, fosse para conversar com ele durante o tempo em que ele podia.

Mas esses poucos momentos eram durante almoços, cafés da manhã e madrugadas. O resto ela ficava atolada em trabalho da fazenda.

Cuidava da plantação com Jeff, limpava estábulos com Clark, tocava o boi com Poseidon, ajudava a treinar cavalos com Apolo, escovava seu cavalo todos os dias sozinha (algo que ela achava relaxante e divertida), assistia Xerife crescer em um belo touro, e até mesmo aprendia a cozinhar com Madalena, a mulher de Rick.

Com o passar das semanas, conhecia todo o rancho, de uma ponta a outra, o que faziam, o que precisava fazer e como fazer.

Poseidon já sorria em sua direção quando passava, afagava seus cabelos e ria de suas cantadas. E não muito atrás estavam os demais ajudantes do xerife daquele rancho. Os homens pareciam apreciar sua companhia, mesmo que ela não falasse besteira e Apolo sempre sorria quando citava algum autor ou algo que lera.

Em mais ou menos quatro meses, Artemis já não sentia tudo aquilo tão forte, pensava com mais clareza, seu corpo (do qual nunca deixara de cuidar) não ficava muito cansado depois de repassar todos os passos de líder que conhecia, uma vez que fazia isso todos os dias já que Apolo sabia que ela voltaria a tomar o posto de uma líder do Dallas Cowboys. E corria sem qualquer pressa uma bela quantidade de espaço. Ainda que continuasse fumando seus cigarros.

Só havia uma coisa que não mudava de forma alguma...

Ela jamais conversava com Apolo sobre seus pesadelos, ou qualquer coisa relacionada a eles. Assim como ela jamais perguntava o porquê dele ter insônia. Era um assunto que ambos evitavam. Que conviviam, apesar de que uma hora eles chegariam aquele ponto.

Teriam que chegar.

Suas conversas com Apolo eram calmas, ele a fazia pensar, jogando perguntas pra ela encontrar as respostas, muitas delas ela ainda evitava, por razoes que ela desconhecia, mas aos poucos, Apolo afirmava que ela melhorava.

Talvez melhorasse mesmo.

[...]

Era um sábado calmo como todos os demais, estava a ruiva, Poseidon e Apolo, sentados em uma mesa, jogando pôquer (algo que ela aprendera com eles e descobriram um dom nato de limpar a mesa).

Já fazia cinco meses que Artemis morava com eles.

Cinco meses que haviam a mudado por completo.

E a ensinara melhor a roubar daqueles dois.

– Bando de mulherzinha. Full House pra você... Passa que essas balinhas são todas minhas, queridos.

Artemis, vendo Apolo e Poseidon jogarem as cartas com raiva sobre a mesa, recolheu seu premio, contando todos os doces que haviam ganhado. Era daquela forma que faziam, doces ao invés de dinheiro, mas acredite, não eram doces quaisquer, eram importados, importantes.

E que a ruiva em sua roupa de inverno havia ganhado.

– Essa garota só pode estar roubando, xerife.

–Hey, Príncipe, nem vem com essa, joguei limpo.

Poseidon sorriu.

– Ensinamos ela bem demais, filho. Acabei de perder meu chocolate suíço.

– Xerife, você nem gosta de chocolate!

– Mas ainda era meu, moça.

Era – e Artemis sorriu, toda feliz. – E ai, mais uma rodada?

Arrumando seu chapéu, Poseidon levantou-se, sorrindo.

– Moça, eu sei a hora que devo parar.

– E você, Apolo?

– Eu nem tenho mais o que gastar, Art. Você me deixou sem um tostão. E, além do que...

Mas ele não chegou a terminar, porque o telefone dele tocou no mesmo instante em que o seu. Poseidon somente riu, a ir embora.

Um pouco surpresa pela coincidência, a ruiva levantou-se e caminhava para a área da piscina, já que sabia que Apolo iria para varanda da frente, ao atender feliz por ver quem era.

– LOOOOOOIRA! – gritou assim que pode. – Cara, que vontade de te apertar, garota. Você deve estar fodasticamente gata, né? Tá com o que, oito meses? Eita porra, já sabe o dia...?

– Artemis, garota, respira!

E seu coração parou ao ver que aquela jamais poderia ser a voz de Atena. Era a de ninguém menos que...

– Hades?

– O próprio.

– Cadê Atena?

– Eu te liguei exatamente por isso, Art.

Artemis sabia que como líder do time, Hades era sempre o encarregado de dar as noticias, independente de qual fosse ela. E ela realmente odiou lembrar-se disso naquele momento.

– O que porra aconteceu com Atena, Hades?

– Artemis, acalma-se, não é nada grave. Eu só estou te ligando pra você não ficar louca com a versão que a mídia está passando na televisão.

– Eu já estou louca, muito puta como todo esse suspense... Fala logo, caralho.

– Sempre uma lady... Atena sofreu um acidente de carro e, acalme-se, ela machucou-se um pouco. Mas ela está bem agora, está no hospital e tudo está nos conformes, nada aconteceu com eles. Só queria te deixar informado.

E Artemis sentia sua mão tremer, tremer muito. Imagens de um acidente de carro, de um corpo de... Respire, Hades disse que está tudo bem, nada de mortes, nada de... Nada. Só foi uma batida boba.

– E ela vai receber alta quando?

– O médico disse que ela precisa de uma semana quieta por aqui, por se acaso algo ocorrer. Estava trabalhando demais, os exames dela estavam dando pressão alta por estresse.

– Aquela filha da puta, vou bater nela. – e passou os dedos pelo cabelo, respirando fundo. – Mais alguma coisa?

– Não, apenas isso e... Que ela queria te ver.

Artemis fechou os olhos, aquela dor chata e incomoda de impotência mastigando seu ser. Precisava tanto estar com sua amiga naquela hora.

– Eu... Eu também queria ir, Hades. Só que... Que...

E ela quase pôde ver Hades bagunçar seu cabelo.

– A gente te entende, ruiva. Assim como ela.

Artemis só não confiava em si mesma.

– Tem como ela falar comigo agora?

– Ela tá dormindo.

Artemis suspirou.

– Mas ela pode atender um telefone, né?

– Claro que pode, Artemis.

– Avisa pra ela que eu ligo pra ela amanha... Por favor.

E ouviu-se um silencio absurdo do outro lado.

– Olha, Art, seja lá o que estão fazendo com você ai, peça para que eles continuem... Você pediu por favor! Devia ter gravado!

– Retardado, só diz pra ela, valeu?

E Hades riu.

– Aviso sim. Se cuida, ruiva!

– Ganha o próximo jogo, Hades.

Assim, ainda um pouco tremula pelo gole de emoções que a envolvia, Artemis ficou a fitar seu celular, meio perdida entre o que fazer.

Poderia ir agora, ficar ao lado de sua amiga que devia estar precisando muito da sua ajuda, ou ficar ali... Faltava tão pouco. E deixar aquilo...

Uma batida na porta fez Artemis se virar, abraçada a si mesma como estava, e olhar em confusos e ansiosos olhos azuis.

– Estou indo na cidade agora, você quer ir junto? — perguntou ele.

E Artemis notou que a preocupação daquela vez era com outra pessoa.

– Aconteceu algo com Carla?

–Ainda não sei, vai comigo lá?

Ela, que tanto precisava de distração por seus próprios dilemas e problemas, suspirou.

– Vou, espera só pegar uma blusa de frio.

[...]

Artemis caminhava com as mãos nos bolsos.

Havia acabado de deixar a cafeteria, onde Apolo ficara, assim que notara a expressão meio evasiva de Carla. Ela quase podia ver que algo muito ruim havia acontecido para aquela loira não estar serelepe e sorridente.

Mas a ruiva não deixou sua mente arquivar isso.

Naquele momento, andando pela cidadezinha que estava muito movimentada, tudo o que Artemis queria era voltar pra Dallas, ir atrás de seus amigos, cuidar de Atena como ela cuidara de sua pessoa quando era mais nova.

Ao mesmo tempo, sentindo aqueles cheiros de grama, de cavalo, o som de música country, Artemis sabia que algo a prendia ali, que se deixasse isso dali, seria a maior oportunidade da sua vida para melhorar.

Estava assim, inquieta, louca pra fumar, mas havia esquecido a carteira em casa, e sem realmente ver algo, no instante em que ouviu alguém chamar e teve que sorrir ao olhar quem era.

– VEM CÁ!

E ela de fato foi.

Precisava de distração. Assim que chegou perto, braços se enrolaram em sua pessoa e ela riu daquele mega abraço de urso que Jack lhe dava.

– Uow, você tá mais linda ainda, Artemis, como pode?

E ela se afastou para encará-lo.

– Você também está mais gostoso, andou malhando?

Jack riu.

– Estava viajando por ai com amigos. E você esta mais bronzeada, o tom dourado combina com você, Artemis. Muito.

Não conseguiu esconder o sorriso sexy ao ouvir aquelas palavras. Fazia muito tempo que um cara olhava pra ela com desejo. Na verdade, estava pasma que houvesse conseguido ficar quieta.

– Andei por ai, em praias de nudismo.

Ele riu, com um braço em seus ombros.

– O que acha de entrar ali comigo no bar para te mostrar aos meus amigos? Eles são fascinados na garota que me deixou antes que pudesse deixá-la. Te pago um refrigerante.

Olhando para os olhos verdes de Jack, ela deu de ombros e sorriu.

– Deixem eles babarem por mim, querido.

Que mal poderia fazer?

[...]

Artemis caçoou o telefone que praticamente gritava em seus ouvidos.

Sua cabeça doía, muito. Seu estomago estava embrulhado como há muito não ficava. E o pior de tudo era o gosto em sua boca.

Meio tonta, atendeu.

– Hum...

– Onde você está, Artemis?

Raiva, pura, latente era o que ela escutava na voz de Apolo e foi o que a fez sentar-se de supetão, apesar de ter ficado muito tonta. Então, ela se lembrou de onde estava.

Deitada ao lado de Jack que dormia, o cobertor até o final das costas apenas, tão nu quanto si mesma estava naquele instante.

– Ah, droga...

Havia bebido, muito! E também transado mais uma vez com Jack e mais um cara que ela não lembrava o nome.

Que merda havia feito?

– Estou te esperando na cafeteria.

E dessa forma, fria, ele desligou o telefone, fazendo Artemis ter certeza de que estava em uma enrascada.

[...]

A ruiva sentou-se ao lado do loiro que olhava para frente, fixo. Seu corpo todo doía, ameaçando cair ao impacto mais fraco, talvez fosse do álcool, talvez do sexo. Talvez dos dois juntos com a falta de tempo com que não fazia isso.

Ela só sabia o motivo: estava agoniada e perdida por causa de Atena.

Haviam tirado seu tapete. E ela havia caído como um patinho.

Artemis soprou o resto da fumaça fora e amassou a bituca com a ponta da sua bota. Apolo nada disse. E ela não fez questão de fazer isso por ele. Estava na cara que ele encontrava-se nervoso, o modo como os ombros estavam tensos, e mais alguma coisa que ela desconhecia.

Mesmo desejando saber o porquê, sua cabeça não permitiria por doer a cada palavra que usasse. E também não estava no clima.

A ruiva não soube quanto tempo ficaram daquele modo, fitando o outro lado da rua, sentados lado a lado, sem falar nada, mas assim que ele suspirou, ela sabia que ele falaria algo.

– Você bebeu, Artemis?

De repente, ela sentia-se culpada, muito culpada. E imensamente triste. Mas tudo o que fez foi encarar as próprias unhas.

O que ela poderia falar?

– Vamos pra casa, Artemis.

E ela o seguiu calada.

Que merda havia feito!

Notas finais
Opa, opa, Atena + 8 meses? O que será? MUAHAHAHA
Ai, ai *lixando as unhas. Solé imitando* KKKKK''