Notas iniciais
O que dizer? Estou muito ferrada, provavelmente alguém já me denunciou para polícia ai, pedindo pra me procurarem ou mesmo leram a lista de óbitos, pra ver se eu tinha morrido. Não amores, nenhum desses dois, esses sumiços se chamam faculdade e festas e trabalhos e homens e tudo o que não presta *ri* poisé, isso que tá acontecendo na minha pouco interessante vida, mas enfim, depois de recebe ameaças e também agradecer por elas se não eu não teria vindo postar, aqui pra vocês um novo capítulo *o* desculpem pela demora e será triplo o/

I'll be the first to say that I was wrong

Oh, I know I'm probably much too late

To try and apologize for my mistakes

Bruno Mars

Artemis acordou mais uma vez naquela noite, nos braços de Apolo, esse que a apertava com força contra aquele corpo firme, algo que ela mentalmente agradeceu. Tomou seu remédio, o terceiro e o quarto comprimido daquela madrugada, e ficou quieta, ali, a pensar no que havia feito.

Há muito tempo que ela não reagia daquele modo, no começo, de fato, tudo era assim, inclusive, chegara a aceitar ser presa para não ferir ninguém. Os próprios orfanatos forçavam-na a fazer aquilo, pois ela machucara uma das crianças uma vez. E ao ir morar com Hera, aquilo, temporariamente havia diminuído, passando apenas para gritos, acordadas súbitas e o medo que aquela mulher afastava ao dormir com ela.

Então, começara a tomar o remédio, primeiro para desligá-la antes de dormir, depois para quando ela acordasse. E se perdera entre essas drogas, entre os tratamentos... Mas ela sabia que só tudo piorara ao Hera morrer. Zeus fora paciente, ajudara a ela e havia um amor incondicional que Artemis tinha para com ele e para com Atena que também a ajudara.

Só que ali. Ali estava a prova.

A prova que tantos haviam jogado na cara dela... Era perigosa, havia machucado Apolo sem dó, aplicando nele coisas que eram feitas para outras coisas, outros tempos.

Com um suspiro, Artemis escorregou dos braços do loiro que de tão cansado que estava nem acordou, provavelmente aproveitando que a insônia havia ido embora, e vestindo a sua blusa de frio, a ruiva apenas escreveu uma nota para o loiro avisando que estava por perto, apanhou um livro qualquer de leitura maçante para esquecer tudo e saiu do quarto.

Foi encontrar um lugar bom no celeiro, o som dos cavalos, a grama, tudo ali a ajudaria a relaxar. E isso o que se focou em fazer.

[...]

Ela não soube quanto tempo ficou ali, o dia nascendo, ela inerte em algum discurso analítico extremamente chato, até que ouviu o som de passos. Mesmo longe, dava para se ouvir o abrir da porta da cozinha e ela decidiu que era hora de voltar, havia sumido por demais.

A grama era gelada em seus pés descalços, mas o azulejo envolto da piscina era pior. O sol já havia saído, esquentando. E ela assistia Atena arrumar a roupa, claramente havia terminado de amamentar Perseu. Esse que estava nas mãos de Poseidon que o fazia sorrir. Apolo entrava naquele exato instante pela porta, cabelos bagunçados, moletom completo, descalços.

– Bom dia, alguém viu Artemis? Ela disse que estava por perto.

E os olhos cinza foram os primeiros a notar sua pessoa de camisola aproximando-se. Os dois, um verde escuro e outro azul, viraram-se para encará-la, todos cautelosos.

E, pela primeira vez em toda sua vida, Artemis realmente ficou sem graça, suas bochechas ficando rosadas enquanto olhava para o chão. Estava envergonhada. Muito.

– Sobre ontem... – começou, baixinho, em sua voz que em nada combinava com a outra Artemis atirada. – Eu...

– Filha. – Poseidon disse, olhos verdes calmos. – Você está bem?

– Hum... Sim.

– Então esqueça o resto, venha, sente-se aqui e coma alguma coisa. Você está digna de uma alma pena do Texas, filha.

Atena sorria em sua direção ao tomar o lugar em frente ao dela, mas Artemis surpreendeu-se ao ter sua cabeça erguida por dedos um pouco ásperos e olhos azuis a fitarem.

– Bom dia, Artie. – e Apolo colar seus lábios juntos muito rapidamente, aos sorrisos.

Se alguém achou aquilo estranho, não se pronunciaram, somente continuaram a comer e falar com ela com normalidade. Como se nada houvesse ocorrido. Mas havia.

Ela lembrava-se disso todas as vezes que olhava para o rosto de Apolo. O roxo no canto do olho dele, no maxilar, um vergão vermelho que devia ter sido sua unha. Desviou o olhar.

Mas tudo se perdeu, todo seu drama e agonia, mudaram de estação ao ouvir o que Atena dizia.

– Achamos um buraco no sistema.

A ruiva sorriu.

– Na pasta de data de compra?

– Como você sabe?

– Eu também havia achado, mas estava com sono demais pra conseguir mexer. Podiam me encontrar.

Atena sorria ao passar para sua pessoa uma pasta preta. Todos pareceram olhar para os nódulos esfolados de sua mão, mas nada disseram. E Artemis preferiu assim.

– Se passarmos as contas para essa, fechando em um conjunto só essas empresas, agora que eu e Poseidon somos casados, podemos ter a chance de puxá-las da zona de segurança deles.

Artemis teve que rir baixinho enquanto lia aquilo.

– Se você fechar, loira, você joga pra bolsa de valores.

– Da bolsa de valores, podemos repuxar para a gente através da herança sanguínea.

– E você simplesmente entrega um documento em que Hades tenha assinado.

– As contas voltam para o nosso nome.

– Fechamos os buracos que havíamos deixados, consolidamos como multinacional para sair da alçada deles.

– E elas são nossa, ruiva!

Artemis sorria, assim como Atena fazia, as duas se encaram. Ouviram Poseidon e Apolo rirem daquela sociedade. Os olhos azuis do loiro estavam nos do xerife quanto Artemis olhou para eles.

– Como perdemos a liderança, xerife?

Poseidon sorria.

– Não sei, filho.

Artemis deu de ombros a tomar café.

– Vocês cuidam do gado, arruma o rancho, fazem as coisas funcionarem. Eu e a loira somos as cabeças, só pensamos. Simples... – e sorriu para os dois caras. – Mas, foco, como vamos conseguir essas impressões digitais?

Agora, foi à vez de Atena sorrir, estendendo mais uma coisa em sua direção. Algo que ela aceitou de primeira, por pura curiosidade. Em letras douradas, estava escrito que haveriam um brunch naquele mesmo dia, dali três horas, no rancho de Rick. Olhou pasma para a loira.

– Como você conseguiu esse convite oficial, garota?

– Tenho meus contatos... Leia o nome.

Bianca Delacour.

– A sócia do seu pai?

Atena assentiu enquanto Artemis passava o convite para o curioso Apolo e em seguida ia para as mãos de Poseidon.

– Ela disse que aquilo estava errado, falou comigo e disse para que eu fosse em seu lugar.

Poseidon olhava daquela forma séria por baixo do chapéu.

– Isso me cheira a enrascada, loira, bem ao estilo texano, com direito a pessoas presas.

– Cowboy, nem comece, eu vou.

– Atena...

E enquanto ouvia o casal brigar, a loira protegendo seu ponto e o inflexível Poseidon a negar, aquele papel em seus dedos machucados, Artemis soube o que devia fazer. Ela era o maior perigo ali, ela era a peça que aqueles caras queriam. Simples.

Sem encarar um par de olhos azuis, Artemis encarou Atena, com seriedade.

– Eu vou, Atena.

– Mas...

– É O QUE? — de Apolo.

– Esqueça, garota. – de Poseidon.

Mas ignorou aos dois caras, somente importando a loira.

– Vamos, Atena, sabe que eu sou a melhor chance.

– Você só pode estar brincando, Artemis! – Apolo dizia. – Atena, você não pode estar levando isso a sério.

As duas ficaram caladas, se encarando, se fitando daquele modo que conversavam, até que a loira suspirou e Artemis sabia que havia ganhado.

– Artemis vai – Atena avisou naquela voz que jamais deixava espaço para discussão, bem ao estilo de Poseidon também. – Ela é a melhor chance, concordo com ela.

A ruiva sorriu. Apolo, sem dizer nada, saiu dali. Pela forma que andava, Artemis sabia que ele estava bravo, muito bravo, mais que um touro. Olhos verdes olhavam sérios para os seus.

– Filha, espero que sabe o que faz.

– Xerife, acredite, eu sei... Agora, preciso ir, tenho que sumir com todos esses machucados.

Assim, foi embora. Que tudo desse certo!

[...]

Artemis terminava de colocar um dos seus brincos de diamante, de frente ao enorme espelho de seu quarto do rancho, completamente pronta, uma hora depois de toda aquela confusão de quem vai e não vai, quando pegou com seus olhos pretos pela lente um par de olhos azuis sérios.

Apolo encontrava-se encostado na batente da porta, os braços cruzados, a postura de quem ainda estava com muita raiva. Mas a ultima coisa que Artemis poderia se preocupar era com aquilo. O primeiro era passar sem ser despercebida.

Seus cabelos pintados de castanho claro caiam em suaves ondas, sua pele sem qualquer marca, muito branca. Usava um vestido de verão, azul celeste, que era sensual e folgado, suas costas de fora, colado até seu quadril, perfeito para ela esconder a pequena arma que Poseidon ordenada que ela levasse. Calçava sapatos de salto prata. E seus lábios eram rosados naquele dia.

Parecia por completo outra pessoa.

Virou-se para fitá-lo diretamente. Os olhos azuis sérios, fechados, frios.

– Apolo...

– Você está maravilhosa, Artemis – sussurrou ele, sem esconder que a olhava, de todas as formas sexy possíveis. – Encantadora.

Sorriu para ele.

– Obrigada... O chofer já chegou?

– Já... Vim aqui te chamar.

– Então, já vou.

Com um pouco de pressa, passou o perfume, pegou a carteira de mão branca e um xale para caso ficasse frio. Precisava ir. Ambos a sabiam que ela precisava, mas Artemis teve que parar na frente dele. Apolo não fitava seus olhos. E ela sabia que aquilo o afetava, da mesma forma que afetara das demais vezes e como ela vira que ele ficara.

– Apolo... – sussurrou, engolindo a seco, também sem coragem para encará-lo. – Vou me cuidar, prometo que vou... E... Qualquer coisa, te ligo... Só... Fique calmo.

Ao ver que ele nada falaria, que nada diria, a sentir algo incomodando sua garganta e já percebendo que não podia perder mais tempo, Artemis suspirou e começou a andar. Jamais poderia chegar atrasada. Pessoas notavam quem o fazia.

Mal havia dado dois passos pelo corredor, sua mão a segurar a barra para que pudesse ir mais rápido e não estragar o vestido, quando a voz dele a chamando a fez parar.

Apolo aproximava-se, mais e mais, até que um par de mãos quentes seguravam seu rosto com carinho. Olhos azuis em fogo, em confusão, olhavam os seus pretos.

– Só... Não durma com nenhum deles, Artie, eu não posso suportar isso. – dor, havia dor naqueles olhos. – Prometa-me que não vai dormir com um deles, com nenhum. Pode fazer qualquer outra coisa, menos dormir, por favor. Prometa.

Ali, fitando-o, percebendo como ele ficaria louco se dormisse com qualquer cara além dele, aquela centelha de tristeza ao saber por que havia escolhido ir, seu coração doeu, aquele maldito coração que aceitava as ideias de Apolo. E Artemis viu-se assentindo. Poderia arrumar outra forma de conseguir aquilo, certo?

– Prometo, Apolo.

Então, lábios firmes, possessivos, ternos tocavam os seus com alívio, aquele beijo mais que demonstrando como ela podia machucá-lo muito facilmente como também a fazendo perceber esse fato.

E de como, pela primeira vez notava, nenhum outro cara poderia tocá-la como Apolo fazia.

Ele sorria ao se separarem, a boca com batom dela, mas ela só sorriu daquilo, seus olhos sobre os aliviados e mais calmos dele.

– Cuide-se, Artie.

– Mantenha-se calmo.

Assim, com mais um selinho, Artemis foi embora, sabendo que aquela promessa havia travado algumas coisas, mas ela era Artemis Bordeaux, ela conseguia lidar com pesadelos, lidava com tudo.

[...]

O brunch estava cheio, pessoas da mais alta classe andava pelos bem cuidados jardins de Rick. Tendas e mais tendas, luxuosas, estendiam-se pela campina. E era em uma delas que Artemis, depois de passear por toda a festa, conversando e sendo social com todos os caras e garotas, parava agora, para conversar com quem ela mais desejava ver.

Hades, em um terno ultimo modelo, parecia um deus negro. Jamais poderia negar como aquele cara era bonito e carismático. E que havia a traído depois de todos aqueles anos, de todas aquelas coletivas que davam juntas para incentivar os jogadores e compradores, para manterem Dallas Cowboys o time de futebol mais rico do mundo. Ódio puro fervilhada, louco para sair, mas tudo o que Artemis fazia era se mostrar a mais doce das mulheres do lado de fora.

E aproximava-se exatamente do grupinho. Rick também estava lá, acompanhado. Ao que parecia, Hades havia terminado com Perséfone e aquela coincidência jamais havia sido algo mais útil para a agora mulher de cabelos castanhos em seu vestido azul.

Percebeu os olhos pretos de Hades em sua pessoa, fez-se de tímida, mas sexy ao mesmo tempo, só o fitando pelo canto do olho. Uma, duas, três vezes enquanto conversava com um outro casal. E ela sabia que ele estava na dela.

Foi assim que resolveu ser o horário certo para dar uma chance de afastar daqueles dois, para dar espaço para ele ir falar com ela. Artemis caminhou para um garçom e sorriu ao ouvir o som de passos atrás de sua pessoa no exato instante em que pegava uma taça de champanhe e bebericava.

– Licença... – Hades fazia um rosto de confuso. – Já nos conhecemos?

Que cantada tosca, até Apolo teria uma melhor. Sorria ao lembrar-se do loiro. Adoravelmente franziu a testa, inclinando de lado a cabeça, delicada.

– Creio que não. – usou seu sotaque francês. – Deveríamos?

E o moreno sorriu.

– Creio que sim, mademoiselle...

– Bianca... Bianca Delacour.

Do jeito mais cortes e sexy que havia, a ruiva admitia, Hades beijou as costas de sua mão, sorrindo. Ele falou em um francês fluente:

– Prazer é todo meu em conhecê-la. Sou Hades Ewing.

– Um francês?

– Apenas turista, mas você é uma bela francesa, mademoiselle. Sua mãe não pode vir¿

– Oh, não, teve que ajudar Zeus Danniels, se não me engano. Ela pede desculpas e pediu para que eu viesse em seu lugar, conhecer a elite americana enquanto estou de férias da França.

– Compreendo-a, mas admito que fiquei mais que feliz com esse pequeno desencontro. – e ele ofereceu um braço para sua pessoa. Artemis sorriu de forma delicada. – Concede-me uma caminhada pelos convidados? Seria uma honra apresentá-la a eles, mademoiselle Delacour.

– Oh, será um prazer e me chame de Bianca, por favor. Mademoiselle me faz sentir mais velha.

Hades ria enquanto começava a andar com Artemis pela festa. Os homens viravam-se para vê-la passar. A ruiva sabia que era um premio e tanto.

– Se não for falta de educação, gostaria de saber quanto tempo pretende passar aqui em Dallas.

– Passarei apenas essa semana, apesar de estar amando aqui.

– Pretende visitar outros lugares?

– Ah, sim, vou para America do Sul depois, espero encontrar o que desejo.

E Hades parecia encantado pelo seu sotaque francês.

– Segredo o que deseja?

– Jamais, senhor Ewing.

– Chame-me de Hades.

– Belo nome o seu... Desejo apenas um pouco de calma, Paris me deixa louca às vezes, só um pouco de descanso.

– Entendo e admito que estou com inveja, Bianca, não poderei fazer isso tão cedo.

– Oh, isso é um crime.

Hades riu.

– Sim, um crime, mas é para um bem maior. Mademoiselle Delacour, esse é Justin Pride, meu sócio.

E assim, de braços dados com Hades, divertindo-se ao mentir para ele sobre aquilo tudo, Artemis foi conhecendo um a um seus inimigos, futuros sócios e futuros corpos mortos de tanto ódio que ela sentia. Mas tudo que se mostrava era gentil, divertida, bela. Tudo o que uma mulher da elite, criada para aquilo, havia de fazer.

O tempo passou uma lerdeza, Artemis estava quase a dormir de tédio, todos ali se mostrando, papagaios, galos, touros, quase uma fazenda. Só de pensar nas vacas que falavam dela, Artemis se divertia, até que depois de socializar com todos, Hades mostrando-se muito interessado nela, a noite caiu e fingiu olhar para o relógio.

Hades olhou-a com diversão, sexy.

– Chofer atrasado?

– Tristemente, creio que sim, e teria de ir tão rapidamente.

Estavam os dois na parte da frente da casa. Lá, só havia um homem que trazia os carros dos convidados em sua roupa branca e cara de entediado, Hades e uma Artemis que fingia preocupada.

– O que a espera com tanta pressa, Bianca?

– Há uma amiga, que não vejo há muito tempo, iríamos jantar juntas... Mas vejo que terei de cancelar.

Artemis suspirou, como se estivesse mesmo triste. Como ela havia pensado que ele faria, Hades chamou o homem e pediu para que buscasse o carro dele.

– Seria uma honra levá-la ao seu destino, Bianca.

– Não irá te atrapalhar? Há tantos convidados aqui.

Fez um rosto preocupado. Hades sorriu.

– Meu sócio poderá cuidar deles, é um erro deixar uma moça como você sozinha por ai, prefiro eu mesma levá-la, se permite.

– Se não é o atrapalha, será um prazer, Hades.

Então, uma McLaren parava bem frente deles. Bonita, elegante e potente, tudo que poderia haver de melhor em uma máquina. E que salvaria a vida dela essa noite.

Assim que o homem em sua roupa branca entregou a chave para Hades, com um boa noite, Artemis esperou só o mesmo cara ir para trás do homem moreno e sem perder tempo colocou seu plano em ação.

Foi só de uma vez. Artemis prendeu o braço de Hades para trás, o fez perder o equilíbrio e sem dó ou qualquer coisa assim, bateu a cara dele contra a capota do carro importando, levando-o a desmaiar. Tudo que o cara de branco conseguia fazer era olhá-la pasma. Mas Artemis tinha pouco tempo, por isso, segurou a mão de Hades, colou no papel que Atena entregara a ela, guardou e pegou a arma que ela sabia que ele guardava no coldre de dentro.

Só ai olhou para o cara pasmo e parado. Estava séria.

– Se você pegar o carro agora, fugir com ele, me esperar na via principal daqui um quilometro onde há arvores que você pode esconder o carro, eu triplico o preço do que você está ganhando nessa noite pra ouvir esses idiotas.

O cara nem precisou pensar muito. Em questão de segundos, o carro partia, com tudo, os pneus fazendo barulho ao derraparem naqueles pequenos granitos. Era o barulho que ela precisava. Limpou rapidamente a maquiagem que cobria seus roxos, sentou-se com a cabeça de Hades em seu colo, sujando seu vestido, e atirou para qualquer lugar na direção do carro.

Foi o necessário para pararem a música. E a hora em que ela entrava em ação. Artemis começou a chorar, com facilidade, um pouco gritado, o exagero das madames, enquanto limpava o rosto de Hades com seu xale.

Em poucos segundos, muito poucos mesmo, pessoas e mais pessoas se aproximavam para ver aquilo. Artemis foi puxada de leve, braços de um cara a ajudando, enquanto olhava de forma dolorosa para Hades que era olhado por outros caras.

– Madame... Madame... Se acalme...

Mas ela só olhou para ele chorando, em seu sotaque francês:

– Ele machucou Hades.

– Quem?

– Um homem que pegou o carro, ele veio por trás de Hades, bateu a cabeça dele e me deu um tapa... – chorava mais e mais falsamente. – O manobrista foi atrás dele, ele viu, foi horrível...

E o homem, cheio de dó por ela, afagou seus cabelos.

– Ok, mademoiselle, sente-se aqui. Respire um pouco.

Um garçom trouxe a ela um copo de água, os curiosos vindo querer saber o que havia ocorrido e ela mentiu mais e mais, dizendo que era horrível. Ficou ali, por uns dez minutos, antes de fingir que sua limusine havia chegado, implorando para avisar a Hades que ela o visitaria depois, que era um herói, e fugiu de lá.

Artemis foi encontrar o carro no exato lugar que ordenara para o cara entrar. Sem mais nem menos, entrou, sorrindo para um manobrista fascinado.

– Preciso que me leve até a autoestrada.

O cara nada disse, só seguiu suas instruções. Pouco menos que vinte minutos depois, Artemis tirava um de seus brincos e entregava ao manobrista.

– Isso vale alguns mils, o seu pagamento para seu trabalho. Mas, não se esqueça, jamais me viu além de estar com Hades, ou vou atrás de você. – sorriu sexy. – Algum cara machucou Hades, você foi atrás dele, conseguiu alcançá-lo e vai voltar como herói. Adicione alguns detalhes ai, mas vai estar com a ficha limpa e talvez até aumento.

O cara sorria muito para sua pessoa assim que saiu do carro.

– Foi um prazer ser seu motorista, mademoiselle.

E acelerou, deixando-a sozinha naqueles Cânions.

Quer dizer, ela pensou que estivesse sozinha, pois assim que a McLaren sumiu de vista, um ponto como qualquer outro carro que passava ali, Artemis piscou os olhos diante de uma forte luz e percebia que aquele carro estivera ali o tempo todo, somente a esperando, do modo exato que havia planejado.

Descalça, com seus saltos em mãos, Artemis entrou na Mercedes prata que havia se camuflado e olhou sorrindo para um par de olhos azuis.

– Muita aventura, ruiva?

Já estava tacando um foda-se mesmo, já havia feito o que prometera que jamais voltaria a fazer, Artemis inclinou-se para cima de Apolo, verdade seja dita, Artemis pulou para o colo do loiro que sorria para sua pessoa, as mãos dele subindo pelas suas pernas por baixo do vestido, e ela colou os lábios deles juntos.

Beijaram-se, como ela não havia feito há tempos com ele, de fato beijá-lo, sentindo o calor, sentindo algo apertado pela calça jeans dele entre suas pernas. Suas unhas nos cabelos loiros, aquele amasso quente... Esse que ela havia sonhado a noite toda, o dia todo.

E estavam muito ofegantes ao se separarem para respirarem, os olhos pretos pela lente dela colados aos azuis fogo e divertidos dele.

– Eu havia dito que não dormiria com nenhum deles, Apolo, cumpri.

Ele relaxou com suas palavras, sorrindo de volta.

– E conseguiu algo?

Entre eles, puxou um pequeno papel que se encontrava bem dobrado, um tipo de plástico que colava sem deixar cola onde tocasse, algo que só Atena poderia ter. Via-se, contra luz, o que tinha ali. E assim que Apolo o fez, o loiro sorriu, ambos a encarar as cincos impressões de cada dedo de mão direita.

– Você é um perigo, Artie.

– E, de brinde.

Mostrou as impressões da mão esquerda. Apolo riu, colocando aquilo sob painel do carro, antes de afundar as mãos nos cabelos de sua nuca, prendendo-a e a trazendo para mais perto.

– Artie, você é a mulher mais perigosa que eu conheço.

– Sou.

– E isso é fascinante.

Assim, Artemis deixou-se ser levada, para contra aquela boca, contra aqueles músculos. Haviam conseguido, pelos seus defeitos, haviam conseguido aquilo. E Hades mal podia esperar o que lhe aconteceria com ele. Mas, por enquanto, a ruiva se contentava com o beijo de Apolo, o seu premio. O premio por ter conseguido aquilo. Era mais do que podia esperar.

Notas finais
Ahá o/