Stronger

39 Cartas Brancas


Notas iniciais
Segundo haha

No light, no light in your bright blue eyes

I never knew daylight could be so violent

A revelation in the light of day

You can't choose what stays and what fades away

And I'll do anything to make you stay

Florence + The Machine

Artemis sorria, sentada em seu lugar no sofá, ainda vestindo aquelas mesmas roupas, a olhar o que Atena e Poseidon fazia naquele exato instante. Apolo encontrava-se de pé, atrás de sua pessoa, parecendo ansioso demais para ficar sentado.

Mas quem não estaria? Tudo o que haviam lutado, depois de tantas noites, de tantos dias lendo, procurando, se virando de todos os modos para poderem lidar com aquilo, entre documentos e computadores, eles haviam conseguido!

Um homem alto, em seu terno preto, ninguém menos que Rogers, o advogado mais fiel de Poseidon, fazia as ultimas alterações em um computador.

– Jogando tudo para a bolsa agora... – dizia ele a digitar mais e mais.

Então, usava a digital de Hades para fazer alguma coisa, todos calados ansiosos.

A loira segurava o filho contra o peito, assistindo tudo aquilo bem ao lado de um xerife quieto e Artemis podia jurar que ele estava ansioso. Foram mais alguns minutos de puro silencio, só o teclar de cada coisa que Rogers digitava.

Até que, com um sorriso, o advogado mandou imprimir algo na impressora de Poseidon e voltava com muitos papeis em mãos. Artemis olhava pra aquilo fascinada. Haviam conseguido! Era real!

Rogers, em questão, entregou uma caneta a Poseidon.

– Senhor Ewing, basta assinar essas folhas, e pela manhã, logo que a bolsa abrir para as novidades do mercado, as Empresas Ewings, a Arquitetura e Urbanismo Danniels e demais porcentagens das Empresas Danniels, estão no seu nome e no da senhora Ewing.

Mesmo Artemis não pode se conter com aquilo, levantou-se e foi abraçar Atena que olhava tudo aquilo com olhos cinza cheio de lágrimas de pura felicidade. As duas riram pulando, Perseu se divertindo entre elas.

– CONSEGUIMOS! LOIRA, CONSEGUIMOS! CONSEGUIMOS, PERSEU!

E a loira ria ainda mais de suas loucuras. Sem pensar ainda, fez Poseidon girá-la com uma mão, mesmo o cowboy em geral frio sorria daquilo tudo e beijou de leve a bochecha de Rogers que ficou surpreso e muito pasmo com aquilo enquanto era abraçado.

– Rogers, você é o melhor advogado do mundo, cara!

Foi dessa forma que Artemis saiu dos braços daquele cara surpreso que riu ante sua fala e ela correu para os braços de Apolo que já a esperava, sorrindo. Mas mesmo assim ele riu ao segurar seu corpo, ele a girando. E ali, era a melhor sensação do mundo para ela.

– Conseguimos, Apolo!

– Conseguimos, Artie!

Sem perder tempo, a ruiva olhou para aqueles olhos azuis felizes como os delas estavam, suas mãos pequenas naqueles cabelos loiros, ele abraçando-a enquanto compartilhava aquela vitória.

Depois de tudo, de tudo o que haviam passado, das noites insones, das brigas, das loucuras para conseguir informações, eles haviam conseguido! Lágrimas de pura alegria escorriam pelo seu rosto, ela sabia, mal podia conter-se com tudo aquilo, por dividir aquilo com ele, então, com apenas mais um sorriso, Artemis colou os lábios deles juntos, seus olhos a se fecharem ante o toque firme, os braços a apertarem sua cintura, por aquela boca contra sua.

Era só ela e Apolo, que o mundo se danasse, que todos vissem aquilo que ela não estava mais conseguindo guardar, que fosse aquilo.

Só havia Apolo.

Sorriam ao se afastarem, sua mão pousada na bochecha dele, seus olhos um no do outro e Artemis riu enquanto Apolo soltava um alto “IRÁÁÁ”. Poseidon seguiu a ele, mesmo Atena fez aquilo e a ruiva teve que seguir.

– O RANCHO É NOSSO! – gritou Atena, segurando as páginas acima da cabeça, um Perseu que ria nos braços dela. E aquilo estava mais do que suficiente. Poseidon beijou a loira.

Estava feito, tudo era deles de volta!

[...]

Artemis saia do banheiro naquele instante, retirando os últimos pigmentos dos seus cabelos castanhos que voltavam a ficar ruivos com uma toalha. Havia tomado banho demorado, guardando todo aquele tempo para relaxar debaixo da água, para limpar toda a maquiagem, para ter a certeza de que aquela felicidade era real enquanto via a maquiagem sair de seu corpo.

E agora, em uma de suas tantas blusas brancas que iam até a coxa, Artemis parava, sorrindo, ao ver o que a esperava em sua cama. Apolo, só com uma calça de moletom típica dele, estava com os braços atrás da cabeça, os tornozelos cruzados, a imagem da folga e, claro, sorrindo em sua direção. Olhos azuis divertidos sobre os seus.

– Você foi até mim ontem, eu venho até você hoje.

A ruiva riu, indo pegar uma escova de cabelo, antes de voltar para a cama. Apolo mais que rapidamente deu espaço para sua pessoa sentar. Só havia aquela luz perto, todo o resto banhado pela luz da lua e ela precisava daquela luz.

– Gostou da minha cama?

– Acha que era mais confortável, mas está boa pra mim... Vem cá, deixe-me fazer isso.

– Olha as coisas gays.

– Vem logo.

Sorrindo dele e para ele, Artemis entregou a escova para ele e deixou-o pentear seus cabelos. Os toques eram fortes, suaves, focados no que fazia. Desciam devagar, as cerdas contra sua cabeça cheia, de uma forma tão boa que a ruiva fechou os olhos para apreciar aquilo. Era tão bom aquilo, tão diferente de tudo o que ela já havia provado com outros caras... Eram toques simples, tão... Bons.

– Está gostando?

– Sim, escravo, continue.

A risada dele foi baixa, mas ele continuou a pentear até que depois de algum tempo, dedos afastaram de leve seus cabelos do ombro e lábios tocaram delicadamente um pouco abaixo de seu ouvido.

– Pronto, Artie.

Um arrepio subiu por todo seu corpo ao ver o que ele fazia, do modo que aquela boca colava-se ao seu pescoço, a sua nuca, aqueles braços a sua cintura puxarem-na para mais e mais perto daquele peito.

E ela não queria mais lutar com a aquilo, não mais. Estava cansada de negar os toques de Apolo, de tentar afastá-lo por puro medo do que ele poderia fazer a ela. Ele havia mudado, havia a ajudado quando perdera a noção de espaço, cuidado dela, havia feito coisas incríveis, mesmo ensinado-a a dançar. Talvez ela não precisasse de tempo, precisasse de ação.

E ele parecia disposto a deixá-la escolher o que queria. Foi assim, mandando tudo pra puta que pariu, bem ao jeito dela, que Artemis girou nos braços firmes para sentar-se no colo daquele homem que a olhava com aqueles olhos azuis e ficou a encará-lo.

– Você é tão linda, Artie.

Adoração, carinho, desejo e aquele algo a mais. Era isso que ela via ali, ao fitá-lo tão de frente, tão perto, suas respirações misturando-se.

– E perigosa.

Ele sorriu.

– Sim, perigosa.

Então, ainda a vê-lo sorrir de sua brincadeira, Artemis fechou os olhos e colou seus lábios juntos. O beijo, aquele beijo, era tudo que precisava para ter a certeza de que toda aquela felicidade era real. Era suave, bom, terno ao mesmo tempo em que ela sentia todo o desejo que Apolo guardava, seus dedos espaçados nos bíceps dele.

Aquilo era Apolo. Simplesmente.

Devagar, as mãos mais ásperas começaram a subir por suas pernas, tudo parecia tão cheio de carinho, tão... Perfeito de uma forma que jamais fora para ela. Aquele era outro Apolo, sem mandar, sem forçar, só indo. E ela sentia isso com aqueles dedos tocando sua coluna, a subir pela sua cintura e afundarem-se em seus ombros para em seguida ela permitir que ele tirasse sua blusa.

– Linda – sussurrou ele com voz rouca ao ver seu corpo nu e Artemis não duvidava do que ele falava em momento algum, por poder ver aquilo nos olhos azuis. – Artie...

Mas ela calou o que ele dizia ao beijá-lo. Havia toques, suaves, firmes, enquanto deixava-o admirá-la, assim como ela admirava aquele corpo a sua frente. Suas unhas escorregando pelas costas malhadas dele, a delinear cada músculo que encontrava. Pele firme, dourada, segura. Então, ajudava-o a sair das roupas que ele usava, sem em momento algum pararem de se beijar, o desejo começando a tomar o controle.

Devagar, sem qualquer pressa, Artemis sentiu-o entrar em seu corpo, sua respiração falhando ao pulo errado de seu coração, pelo modo suave como ele beijava sua boca. Prazer, mais do que somente isso, muito mais. E ao tê-lo por completo, a ruiva afastou-se um pouco, tremendo com aquela energia que vinha, de dentro para fora, para olhar nos olhos azuis de Apolo. Ele a encarava, carinhoso, sério, com aquela centelha do que ela queria tanto descobrir e que sabia que refletia em seus olhos.

Uma das mãos dele afundaram-se em cabelo, o polegar a acarinhar seu rosto. E ela sabia que havia muito mais do que somente desejo, que somente sexo naquele ato.

– Apolo... – sussurrou, medo querendo dominá-la, medo por aquele espaço enorme que havia em seu coração... Medo por... Ser dele.

– Shhh. – e ele a beijou enquanto começava a movimentar-se. Tudo se perdeu, seu medo, seus pensamentos, tudo era Apolo. E, ao precisar aumentar a velocidade para saciar aquilo que havia crescido entre eles, ele delicadamente deitou seu corpo, o peito firme dele sobre o seu, a boca dele contra a sua e ela deixou-se ir nos movimentos que ele impunha. Ao final, ali, com ele em seus braços, Artemis era dele. Não havia como fugir.

[...]

Artemis estava deitada de barriga para baixo, seus olhos verdes encaravam lá fora, a noite, as estrelas, a lua que os tocava. Nua, daquele modo, sobre o edredom, a ruiva sentia dedos ásperos tocarem de leve as tatuagens em seus ombros, cuidadosamente. Apolo estava deitado como ela, bem ao seu lado, o queixo no meio de suas costas enquanto delineava cada uma de seus desenhos sobre sua pele. A outra mão espaçada em seu quadril.

E estavam em silencio, curtindo aquele momento. Momento esse que lembrava muito a Artemis outros tempos, quando de fato dormira com ele pela primeira vez, encontrava-se naquele mesmo lugar, só que fumava e pouco conhecia daquele cara.

Sorriu, de olhos fechados, ao notar lábios subirem pela sua coluna, a brisa tocar seus cabelos ruivos. O mesmo local, as mesmas pessoas, mas tudo tão completamente diferente.

Então, um braço a puxava para perto e via-se a encarar um par de olhos azuis sorridentes.

– Suas tatuagens são a parte mais sexy de você.

Ela revirou os olhos.

– Eu sou sexy por completo.

Fitando-o sorrir, assim como ela, Artemis tinha de admitir que Apolo também era maravilhoso. Sem duvida, ele o era. Forte, malhado pelo trabalho no rancho, dourado pelo sol, alto, os olhos azuis, os cabelos loiros... Ele era muito bonito.

– O seu maxilar é a parte mais sexy em você, loiro.

– Eu sou todo sexy, maravilhoso...

– Exibido.

– Realista, diferente.

Ela riu da forma com que ele brincava.

– Realista para caralho.

– Estava sentindo falta de seus xingamentos.

– Você sente falta de tudo em mim. — assim, deixando-o surpreso, Artemis se levantou, sem qualquer vergonha de seu corpo, e começou a andar na direção da sacada, olhando-o pelo ombro de forma sexy para ele deitado na cama, claramente apreciando o que via. – E que adora me caçar.

Provando seu ponto, ela o viu erguer-se, aqueles músculos todos trabalhando, uma imagem fenomenal, e ela começou a correr dele, sendo um tipo de menininha que ela jamais havia sido, fazendo jogos que jamais jogou com um cara. Mas era Apolo, por isso, quando ele a segurou naqueles braços fortes, ela riu.

– Perdeu, ruiva.

E, dessa forma, com ela ali, ele se jogou na cama, colocando-a por cima. Um local que ela deixou-se ficar, a sentir o modo que o peito dele subia e descia, suas costas contra o peito dele, ambos a fitarem o teto. Aquilo era tão irreal pra ela. Só Apolo fazia a ficar desse modo.

– Apolo...

– Hum?

– Por que você tem insônia?

Ela sabia que não devia perguntar, poderia acabar com o clima, como acabara, mas ela queria tanto saber o porque. Ela conhecia seus medos, sabia o porque, só que ele... Parecia tão perfeito. Escutou-o suspirar. Silencio. Falava devagar.

– Eu nem sempre fui quieto assim, Artie... Já no ensino médio, eu pegava todas as garotas, sem dó, sem nada além de vontade, foi quando consegui entrar em Yale para medicina. Eu amava o que eu fazia, o que eu havia escolhido para mim, nada poderia ser melhor... Ganhei méritos... Muitos... Juntei com psicologia após me especializar em oncologia.

Aquilo pegou Artemis de surpresa.

– Então, você...

– Lidava com pessoas com câncer. – hesitação. – Eu me achava forte, calmo, que faria a diferença... Talvez tenha feito um pouco, lidei com algumas pessoas que tinham câncer em suas próprias residências, sabia o preço que pagava, mas realmente amava crianças... E me dediquei a elas, fui trabalhar com crianças com câncer. Entrei para o hospital, fiz amizade com todas... Mas havia uma mulher chamada Dafne. – silencio. – Não acho que você deva pensar muito sobre ela, eu era muito carente, trabalhava o dia todo e ela me deu algo que queria... Atenção. Então, comecei a gostar dela, só que eu já sabia no que aquilo ia dar...

Artemis escutou-o suspirar mais uma vez debaixo dela, essa que Artemis simplesmente ouvia o que ele dizia, um pouco pasma com aquilo, compaixão por aquilo.

– Mas o problema não foi por isso... As crianças, mutações nos cânceres, as dificuldades de lidar com aquilo, as pressões, as mães implorando para que eu fizesse algo, mas o que eu poderia fazer¿ Eu não era deus! Eu me esforçava, ao máximo, lutava, mostrava-me firme, ajudava as crianças com aquilo... – engoliu a seco. -... Só que o preço veio. A cada criança que eu via morrer em minhas mãos, aos meus cuidados, eu me sentia mais e mais... Fracassado. Comecei a trabalhar como nunca, só que ia do mesmo modo, elas morrendo, eu ficando pior... Passei a dormir pouco e quando dormia ouvia as mães, os choros, a tristeza daquele lugar em minha cabeça, me deixando cansado, me sentindo um nada ao chegar para trabalhar e descobrir que mais uma havia morrido. – silencio. – Mas havia Dafne, ela me divertia, levantava meu humor, até brincava comigo quando podia de aparecer do nada em minha sala, e o golpe final veio quando descobri que ela estava em estado terminal... – hesitação. – Lutei contra aquilo, mais ainda, mas, ao final de uma semana... Dafne morreu e eu fiquei perdido, me sentindo tão ruim e sem qualquer maldita esperança... Prometi a mim mesmo que jamais gostaria de outra mulher, que aquilo iria acontecer, claro, às vezes eu burlava essas regras, mas não durava mais do que meses e eu saia... Estava exausto, quando o xerife ofereceu pra eu vir morar aqui com ele, que melhoraria. E eu vim, no mesmo dia em que vocês chegaram aqui pela primeira vez, onde eu falei que jamais gostaria de qualquer outra mulher.

Artemis girou para encarar o rosto de Apolo. Estava cansado, como ele havia dito que estava, triste, como se ainda ouvisse as vozes daquilo tudo na cabeça dele. Os olhos azuis meio perdidos ao abaixarem-se para fitar os seus verdes meio marejados e dedos um pouco ásperos tocavam as lágrimas, secando-as ao acarinharem sua bochecha.

– Então, você apareceu... Louca, ruiva, dando em cima de mim... – e ele sorriu em sua direção enquanto olhava divertido para seu rosto. – E você girou o meu mundo, de repente, eu queria você... Mesmo sabendo que aquilo daria merda, eu queria você, suas piadas safadas, mas acho que realmente percebi isso da segunda vez que esteve aqui.

Artemis sorriu de volta para ele.

– Eu também te queria se serve de consolo.

Ele riu baixinho, ao colocar ambas as mãos em sua face, em seus cabelos. Olhos azuis suaves.

– Eu sei que queria, ouvi muito isso de você... Você, Artemis, tirou o que eu acreditava, me fez ficar doido e me fez gostar de você...

– E agora você me ama?

Artemis havia brincado, mas ele sorriu mais, ao mesmo tempo em que algo dentro dela começava a querer se afastar, a raposa fugir dali, seu coração começando a ficar com medo, muito medo, assustado. Para a surpresa dela, tudo o que ele fez foi tocar seus lábios juntos.

– Você irá descobrir isso, Artie... – sussurrava ele contra sua boca. – Você que tem que descobrir... Eu vejo seu medo, suas costas tensas, você quer fugir... E eu queria tanto saber por que você tem medo disso, quero, mas sei que tudo tem seu tempo... Até lá, Artie, tente descobrir, não há porque fugir.

E ele aprofundou o beijo, deixando-a arquivar aquilo para pensar depois, pois naquele instante tudo o que importava para ela era que Apolo havia mudado por ela e que precisava dele. Mais do que pensava ser possível.

Notas finais
Admito que estou com uma preguicinha de revisar os erros de pontuação, me desculpem :/