Stronger
26 Ligação.
Notas iniciais
I was left to my own devices
Many days fell away with nothing to show
[...]
Todos os dias Atena via Poseidon.
Pelo simples motivo de todos os dias, por voltas cinco da tarde, ele aparecer pelo rancho, em suas roupas de cowboy para ficar com o filho deles. Até mesmo Perseu sabia o horário que seu pai chegaria.
Às vezes, Atena estava sentada nas cadeiras exteriores da piscina, com Perseu mamando enquanto sua pessoa trabalhava quando do nada seu filho parava tudo o que fazia e ela já sabia que Poseidon havia chegado.
Era questão de segundos para o homem em questão aparecer, dizer oi e pegar Perseu, sumindo com o garoto pelo rancho, provavelmente ensinando desde aquela pouca idade coisas que os Ewings deviam passar de pai para filho.
E Atena confiava nele.
Malditamente confiava.
Naquele dia não fora diferente.
Estava sentada em seu escritório, antigo escritório de Poseidon, com Perseu deitado dormindo em um carrinho ao seu lado quando sons de espora a fizeram erguer os olhos e assistir Poseidon aproximar-se.
- Disseram que eu podia entrar, moça – disse ele, os olhos verdes muito escuros para se descobrir como se sentia. – Ainda trabalhando?
- Colocando algumas coisas em dia... Perseu dormiu hoje.
- Atena...
- Não quero falar sobre isso agora, poderemos discutir isso depois, Poseidon – e ela começou a pegar algumas pastas. Seu terno branco estava um pouco enrugado. Droga. – Estou esperando uma pessoa nesse instante, tenho algumas coisas para cuidar... Então, cuide bem de Perseu.
A testa dele se franziu.
- Quem você está esperando?
Antes que qualquer um dos dois pudesse dizer mais algumas coisas, uma voz forte e decidida os interrompeu.
- Eu.
E Atena sorriu ao ver que ele havia chegado.
Seu pai, em um de seus tantos ternos risca giz, estava parado na entrada do escritório. Sua bengala em mãos e os olhos azuis elétricos travados com uns verdes, os dois se encarando.
De repente, Atena percebeu que era uma péssima idéia deixar aqueles dois felinos juntos em um cômodo tão pequeno como aquele, claro, em relação a eles.
Seu pai foi o primeiro a dar um passo para dentro, o sorriso artificial que deixava Atena saber que havia odiado vê-lo ali. Ele arrumou o chapéu na cabeça.
- Poseidon Ewings, há muito não te vejo, gostaria de poder dizer ser um prazer revê-lo.
O homem de olhos verdes sorriu com escárnio.
- Seria recíproco então, Zeus Danniels.
- Se não for pouco educação, o que faz aqui?
E foi Atena quem respondeu, resolvida de que era ela quem iria botar um ponto final naqueles desaforos que poderiam se transformar em brigas.
- Pai, Poseidon veio ficar um tempo com Perseu.
- E você permite isso, filha?
- A ultima coisa que quero é Perseu sem pai ou mãe. – e olhou decidida para os pasmos olhos azuis elétricos. – Ele não vai nos atrapalhar, vai ficar com seu neto enquanto eu e você tomamos um lanche da tarde... Vamos, pai?
- Hum... O que esse velho aqui não faz para agradar a filha dele? Vamos... E Poseidon, tome cuidado com meu neto.
Assim, Zeus foi a frente, logo a sumir depois na esquina da porta. Atena suspirou. Aguentar aqueles dois juntos seria mais do que impossível, seria o ataque cardíaco perfeito para ela.
Com mais um suspiro, começou a pegar as pastas e uma caneta e sentia os olhos verdes de Poseidon em seus movimentos.
- O que você vai fazer, Atena?
E olhou para ele, seriamente cansada daquelas briguinhas infantis entre aqueles dois homens adultos.
- Cuide de Perseu, Poseidon. Vou lidar com meus problemas.
Mas antes que pudesse ir embora, Poseidon segurou seu braço com força, sem machucar, e trouxe aquele rosto nervoso para bem perto do seu.
- Loira, não faça isso que estou pensando.
- Eu faço o que eu quiser, agora... Se me de licença, meu pai me espera e seu filho acordou. Até mais tarde, Poseidon.
Foi com um puxão que saiu do aperto dele e o deixou ali. Aquela seria a pior tarde de sua vida se tudo continuasse daquele jeito.
[...]
O sol estava se pondo. Os tons mais bonito possíveis, ainda mais naquele meio do deserto por onde a estrada principal passava, aquela fita imensa de se perder de vista no meio de terra, pedras quentes e plantas quase secas.
Era no meio desse cenário que um homem em sua roupa de cowboy, um chapéu na cabeça, botas com esporas, estava escorado no capo de seu prata Mercedes esportivo.
Estava à espera de uma ligação, uma ligação que o fazia olhar calmamente para o sol morrendo pelos seus óculos de sol. Já fazia um mês que eles começaram a colocar o plano nos trilhos, a ultima parte que faltava ainda por vir.
A fortuna da sua família Ewing e dos Danniels seriam deles.
O cowboy sorriu enquanto seu celular começava a tocar. Sem tirar os olhos daquela maravilhosa visão, ele atendeu.
- Voce me pediu pra te ligar — a voz de seu amigo que da ultima vez estava com um boné do Dallas Cowboys da ultima vez.
- Atena está com Zeus em casa.
Silencio.
- Está na hora?
- Sim, ela vai passar as empresas pro nome dele.
- Então está na hora de tirar o cavalinho do poderoso Zeus da chuva?
O cowboy sorriu.
- Coloque em prática o que planejamos.
- Você já vai fazer a ligação?
- Pra que perder mais tempo? Agir agora, a lacuna está aberta.
- Considere a minha parte feita.
- Considerarei... Garoto, já posso até ver o reino dos Danniels cair.
O outro riu.
- Voce e suas metáforas. Vou lá cuidar para que tudo esteja perfeito.
- Vou ligar. Até mais, sócio.
- Até mais, cowboy.
Assim, o homem que olhava o por do sol sorriu.
Aquele era o dia. O dia perfeito para tirar algumas coisas que já deviam ser deles há muito tempo. Nada mais merecido do que vendo aquele magnífico espetáculo.
E foi dessa forma que ele ligou.
Seria apenas o começo.
[...]
Atena sorria do que seu pai dizia.
Era uma das tantas histórias que aquele homem sentado a sua frente a tomar café tinha para contar. Ela adorava aquelas histórias, todas muito ao velho oeste. E, diferente do que havia pensado, estava passando uma tarde espetacular com seu pai.
Desde que havia saído de seu escritório, vira Poseidon sair com Perseu para algum lugar do rancho e a partir de lá, seu pai se tornara o mais amável dos caras, como sempre acontecia quando só estava ele e ela.
-... Então, Hefesto segurou o cavalo e disse, esse daqui tem que se chamar Atena, ela está mais difícil de derrubar do que um touro.
E Atena acompanhou a risada sempre divertida e forte de seu pai. Suas mãos colocaram a xicarar que segurava em cima da mesa e viu-se sorrindo bobamente daquele momento ali.
Era bom demais pra ser verdade.
E havia chegado a hora
- Quem dera eu estar mais forte que um touro, pai.
Na mesma hora, os olhos azuis elétricos saíram de alegria para preocupação e seriedade.
- Houve algo, minha filha?
Atena o encarou, com olhos o mesmo rosto sério que ele fazia.
- Foi para isso que chamei o senhor aqui, pai.
- O que você tem, querida?
- Estou com pressão alta por estresse e exaustão, o doutor Brian veio aqui há alguns dias atrás e me consultou. Avisou que eu só teria duas semanas de vida se continuasse no ritmo que estou, uma parada cardíaca seria o mais esperado. – tomou um gole de café. – E que também estou emagrecendo rápido demais, poderia ficar sem leite para amamentar Perseu.
Seus olhos cinza tocaram os azuis de seu pai com certa tristeza. Zeus também estava claramente pasmo. Quem não estaria¿ Ela era tão nova!
- E o que pretende fazer, filha? Há algo em que possa ajudar?
E lá estava. Lá estava o que ela havia ficado tão com um pé trás, mas não havia outra saída. Deixando de lado o seu café, Atena apanhou as três pastas pretas de couro e colocou-as na frente de Zeus.
Seus olhos jamais deixando os dele.
- Há sim, pai... Eu preciso de descanso, talvez um mês ou dois, não sei direito, algo temporário... E preciso que o senhor tome meu lugar como diretor das empresas durante este tempo, eu confio só no senhor para isso.
Zeus nada disse, ela sabia que ele calcularia o que ela dizia, apenas apanhou uma das três pastas, e começou a ler.
Aquilo demoraria.
Ele estava na segunda pasta, quando Atena ouviu seu celular tocar e sorriu de lado para os olhos azuis de seu pai.
- Licença, fique a vontade, pai.
E levantou-se para atender, indo o mais longe possível para Zeus não ouvir sua conversa.
Um suspiro sem querer saiu de seus lábios ao ver quem era, o nome que se encontrava na frente, mas de toda forma teria que atender. Ate porque ele ainda não havia chegado com seu filho.
- Poseidon, onde você está? — disse assim que colocou o aparelho no ouvido, seus olhos a fitar o pôr do sol ao oeste.
Quase podia vê-lo sorrir de lado.
- Estou em Dallas.
Seu coração parou.
- É o que?
- Deixe-me te explicar, Atena... Há um mês e dez dias atrás, eu sai do meu rancho porque você o roubou de mim, tive que arrumar um local para morar e é onde estou agora.
- E onde está Perseu?
- Dormindo em meus braços.
Atena mais sentiu do que percebeu que seus olhos enchiam-se de lágrimas de puro desespero. Poseidon estava com seu filho. Longe dali. E ela havia confiado nele.
De repente, muita raiva subiu em sua cabeça.
- O que você está fazendo com meu filho em Dallas?
- Nosso filho, moça. E estou nesse momento olhando para meu advogado que só está esperando uma assinatura minha para que eu tenha a guarda de Perseu.
- Voce havia dito... Que... Que...
- Atena, Atena, isso é o Texas.
- SEU FILHO DA PUTA. DEVOLVE MEU FILHO!
- Calma, calma, sem gritar. Ah, só para avisaar, não tente rastear este número, não vai conseguir.
Atena andava de um lado para outro, sua maõ em seu cabelo, seu coração a mil e perguntava-se se seria ali que teria um ataque. Poseidon estava com Perseu. Com Perseu! Só aquilo lhe importava.
- O que você quer, Poseidon? — perguntou desesperada e cansada. – Me diga, eu faço. Só... Só... Não assine isso.
- Primeiro, eu quero que você pegue aquelas três pastas que você deve ter deixado para Zeus assinar, moça. Voce me roubar, até aceito, porque isso é assunto nosso, mas jamais deixarei Zeus tocar na minha empresa. Então, se você não quer perder a guarda do nosso filho, eu quero que você traga essas pastas até mim.
Naquele momento, Atena faria qualquer coisa, qualquer coisa mesmo para não deixar Poseidon ficar com Perseu. Foi assim pensando que começou a voltar para onde seu pai estava.
- Seu desgraçado, vou te...
- Loira, melhor falar baixo, pode acordar Perseu.
E ela queria matar aquele homem de olhos verdes.
- Como vou saber para onde ir, estúpido?
- Palavreado, moça... Dentro de sua Lamborguini há um papel com o local que é para você ir. – o tom dele era sério — Se qualquer coisa, se houver uma pessoa a mais com você, mesmo Artemis, eu assino, Atena. Não me faça me sentir ameaçado ou você perde seu filho. E acho melhor vir rápido, meu advogado ainda tem outras coisas para lidar hoje.
Assim, deixando-a completamente pasma, com raiva e desesperada, Poseidon desligou bem no momento em que Atena parava de frente a seu pai. Os olhos azuis de Zeus estavam preocupados. Qualquer um estaria, sentia algo molhado em suas bochechas.
Mas não havia tempo,tinha que ir.
- Filha, o que houve?
Ela catava as pastas com pressa enquanto dizia.
- Poseidon está com Perseu em Dallas. Me ameaçou tira-lo de mim se eu não for até ele.
- Aquele desgraçado... Vou ordernar que...
- NÃO – Atena olhou suplicante para os olhos perplexos e cheios de fúria de Zeus. – Pai, me deixe ligar com isso, é Perseu de quem estamos falando. Poseidon já está com o pedido de guarda, só precisa assinar. Eu não quero correr nenhum risco. Qualquer preço é baixo em relação a ter meu filho comigo.
- Atena, filha...
- Desculpe, pai, tenho que ir.
Ainda a escutar seu pai a chamando, Atena saiu correndo o máximo que seus saltos altos permitiam, as pastas em seus braços, a chave da Lamborguini em sua mão e não parou até estar dentro de seu esportivo, acelerando, em direção a Dallas para pegar seu filho.
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