Notas iniciais
Problemas e mais problemas,, vida adoravel *o* Simbora... Amores, esse capítulo vai para Angeline Collins e Nina, pelas perfeitas recomendações *o* Obrigada, garotas, e me desculpem a falta de animação, momentos punks chegando KKK'' Anyway, pra vocês, queridas *o* Divirtam-se.

I keep a close watch on this heart of mine
I keep my eyes wide open all the time

I Walk The Line

Artemis olhou pasma, para um Apolo de braços cruzados. Encontravam-se na cozinha, às oito da manhã, uma vez que Poseidon havia avisado que era aquela hora que começariam naquele dia, mas tudo o que a ruiva, em sua roupa de equitação, podia fazer era olhar para um pasmo Apolo. Estava claro naqueles olhos azuis que ele jamais daria o braço a torcer por causa daquilo, tão pouco ela, apesar de saber que fora ali por isso.

- Artemis, por favor, faça isso do modo civilizado.

- Só não pedir coisas impossíveis.

- Vai ser pior da outra forma, garota.

Mas se havia algo de que se orgulhava de si mesmo era sua perseverança. Por isso, apenas semicerrou os olhos verdes e sorriu de forma sexy.

- Pegue.

E Artemis jogou o potinho de maconha entre os seios. Ela sabia que ele ficaria sem jeito. Assim como Poseidon, que sorria daquela cena enquanto tomava café, mas ambos se surpreenderam no momento em que Apolo, determinado, prendeu sua pessoa de costas, segurando suas mãos, e sem qualquer objeção, enfiou a mão em seu decote.

- Filho da puta, me solta.

- Artemis, esqueci de te contar, também fui fuzileiro. Lidava com coisas muito mais difíceis do que pegar droga de garotas mimadas.

- Voce não sabe um terço sobre mim pra pode me chamar de mimada, idiota. – e olhou-o de cima a baixo com todo ódio que tinha antes de virar para Poseidon. – Xerife, podemos ir logo tocar a porra do gado¿ Se eu ficar mais dois segundos aqui, juro que pego aquela maldita faca e enfio no peito do retardado.

- Primeiro... – dizia o cara de olhos verdes enquanto aproximava-se sem qualquer sorriso no rosto. – Meu gado não é porra, moça, é gado. Segundo, faça as coisas na hora que mandam. Terceiro, ele só quer te ajudar, então tenha um pouco de respeito, capitcho¿ — e ele colocou um chapéu igual ao que ele usava em sua cabeça. – Agora podemos tocar o gado.

Provavelmente muito vermelha de raiva, muita raiva mesmo pela ousadia de Apolo, Artemis fechou a cara e seguiu Poseidon em silencio. Se aquele era o primeiro dia, imaginava ela se seria ou no terceiro em que mataria Apolo.

[...]

Mas Artemis logo esquecera o porque da raiva. Tocar o gado era a coisa mais divertida, depois de dançar, sexo, droga, que Artemis já havia provado. Estalar o chicote para manter a manada em uma só direção, prestar atenção nos cachorros, em Apolo e Poseidon em seus cavalos e o local em que queria ir, tudo isso ocupava por completo a sua mente. Mente essa que de fato precisava ser ocupada. E quando menos percebia, dava uma cantada em Poseidon, a clássica do cinto, essa que ele apenas sorriu para sua pessoa, mas foi o necessário para fazer Apolo rir de onde estava cuidando de um bezerro.

Era quase por do sol no momento em que voltaram para casa, haviam comido na casa do Rick, e Artemis praticamente havia esquecido o incidente que ocorrera de manha. Quer dizer, até Apolo seguir sua pessoa até seu quarto, sentar-se em sua cama e pedir que fizesse o mesmo. Aquilo lhe lembrava dos milhares de psicólogos e médicos com que fora.

- Hum... to a fim de conversar não, Apolo. Que tal ir embora agora¿ não tá na hora de ver sua namorada¿

E o viu suspirar em sua relutância pra sentar.

- Artemis, eu quem vou falar, não você, então, por favor, sente-se.

Ela sentou-se, mas no chão. Talvez estivesse agindo como uma adolescente, quem disse que ela ligava¿ Havia um medo, um sério medo que Artemis sentia naquele exato instante. Toda sua vida fora independente, agora, percebia o quão nas mãos daquele cara ela estava ficando, principalmente como seu médico.

E ela teve que sorrir ao vê-lo escorregar para o chão,imitando seu jeito de sentar e encarando firmemente em seus olhos verdes. Os azuis estavam sérios.

- Artemis, pra isso daqui funcionar, eu preciso que você coopere comigo.

- Eu acho que coopero até demais, cara.

- Não confuda seguir ordens com cooperar, Artie. Mas esse não é ponto, todas as pessoas tem duas faces de si mesma, uma que usamos e a outra é aquela que deixamos muito escondidos. Aqui, no rancho, eu quero que você deixe seu lado escondido vir a tona.

Artemis, plea primeira vez, não entediada com o que o médico falava, franziu a sobrancelha.

- Acho que você se enganou ai, garoto. Só tem a gostosa e sexy Artemis de todos os dias aqui.

- Ou você quer que só exista pra ela por que percebeu que as pessoas lhe dão mais atenção dessa forma¿

Seus olhos verdes procuraram algo nos azuis enquanto de fato pensava naquela pergunta. Será que ela fazia aquilo por... atenção¿ Mas ela não precisava, era gostosa e isso era o necessário, certo¿

- Por que diz isso¿

- Porque eu vi outra Artemis no dia do aniversário do Derek.

E ela sabia do que ele falava. Com rapidez, Artemis apanhou um cigarro e o acendeu. Precisava pensar, daquela forma conseguia. E agradeceu quando Apolo nada disse sobre aquilo.

- E sabe mais o que eu vi, Artie¿ Eu vi essa mesma Artemis no dia do brunch, como também quando conversava comigo de madrugada, no dia em que cavalgou comigo... Mas o dia que eu realmente a vi foi quando comprei pra você aquele café e a torta. E você corou...

Artemis engoliu a seco, a ver o cigarro queimar, somente o escutando.

- Artie... Artemis... Me olhe. – e ela fez o que ele pediu, fixando-se nos olhos azuis. Eles eram suaves agora, como se entendesse sua confusão. – Quem é você, Artemis Bordeaux¿

E ela nunca havia se deparado com uma pergunta tão complicada. Nem que mexesse tão profundamente em algo dentro de si. Afinal, quem era ela¿ A garota mais gostosa dos Dallas Cowboys¿ A garota que fumava¿ Ela... Ela não sabia. E notava que ele também percebia isso por seus olhos.

- É isso que quero, Artie... Eu quero que voce descubra quem é o seu verdadeiro eu.

E ela não agüentava mais aquilo, sabia que se continuasse, choraria. Apolo estava sabendo muito bem quais botões apertar, poderia apertar o errado e ela se desmontaria. Precisava de algo mais forte. De algo mais potente. Assim pensando que levantou-se dali e puxou abolsa em que sempre deixava a outra bolsa pequena de drogas. E remexeu, não havia nada. Estava limpa. Como...¿ Quando...¿

- Eu joguei fora. – disse Apolo, agora de pé, as mãos nos bolsos. Seus olhos encararam com raiva e surpresa.

- Voce mexeu nas minhas coisas¿

- Sim, como seu médico, eu fiz o que precisava ser feito, Artemis. Joguei elas fora, juntamente com todas as bebidas da casa e só deixei seus cigarros.

- Eu não acredito... Eu não acredito... Seu filho da puta desgraçado, como você ousou mexer na porra da minha bolsa, estúpido¿

Mas ele nem se estressou, continuou a olhar para sua pessoa com calma.

- Eu fiz o necessário.

- Maldito!

E Artemis foi com tudo pra cima dele. Ele havia colocado a mão em seu decote, mexido em sua bolsa, limpado todas as cervejas, jogado tudo fora... Agora ele ia ter que lidar com uma ruiva com raiva. O primeiro soco que tentou entrar, Apolo segurou sua mão, girou seu braço e prendeu-a de forma que segurava seu corpo como se a abraçasse. Artemis esperneou.

- Filho da puta. ME SOLTA! ME SOLTA AGORA!

Ela se mexeu tanto, tanto, que ela soube que ele fora obrigado a se sentar, pois assim, podia prender as pernas dela também. Em poucos segungos, Artemis estava imobilizada.

- Shhh, acalme-se, Artie. Acalme-se.

- Acalme-se é o caralho, desgraçado. Voce... Voce...

E, de repente, ela sentia lágrimas de pura raiva salpicarem em seus olhos. Apolo tinha a cabeça contra seu cabelo, levemente o acarinhando, e juntando aquilo com sua raiva, estava dando em algo completamente diferente.

- Artemis, você veio aqui para se tratar, eu estou pra te ajudar com isso, entende¿ Eu sei que você está com raiva, muita raiva, mas eu preciso que você se acalme. Isso faz parte do tratamento. Como Atena disse que você não é acostumada a usar diariamente as drogas mais fortes, eu resolvi cortar elas de uma vez. – suavemente, Artemis o sentiu beijar o topo de sua cabeça. – Vai ser difícil, Artie, não vou mentir pra você... Mas precisamos cortá-las. Pra isso estou aqui, vou preencher seu tempo, vamos mudar a tática com qual você lidava. E o primeiro passo que desejo de você é que toda as vezes que você sinta uma vontade mais forte, de algo mais forte que seu cigarro, você venha até mim, me grite, qualquer coisa assim. No começo, você vai ver que vai precisar de alguém pra fazer isso, mas depois, você irá arrumar o que fazer, então, não vai ser dependente de mim. Podemos fazer isso, Artie¿

E ela o escutava, realmente o escutava, presa da forma que se encontrava. Mas estava começando a doer, assim como queria muito esconder seu rosto no primeiro buraco que encontrasse. E, usando do que ele acabara de dizer, sussurrou:

- Por favor, Apolo, me solta. Não vou bater em você, nem fugir, nem nada assim, só... me solta.

- Mais uma coisa, Artie, você jamais precisa implorar. Eu não estou formando uma escrava, ao contrário. Então, só pedir uma vez de forma educada e irei fazer por você, tudo bem¿

Ela assentiu, sentindo algo salgado em sua boca, para segundos depois estar sentada de frente a Apolo, com ele massageando suavemente onde havia a segurado enquanto Artemis encarava as botas dele.

- Artemis... Olha pra mim.- e ela ergueu o rosto para fitá-lo. Os olhos azuis estavam preocupados. – Está tudo bem¿

- Tá.

- Se não estiver confortável com algo, me diga também, viu¿ Mas o que eu quero saber agora, é se você pode lidar em me chamar todas as vezes que precisar de algo mais forte... Pode lidar com isso¿

Ainda muito sem graça por ter chorado, Artemis assentiu.

- Posso, se você não for chato demais.

E o viu sorrir em sua direção.

- Temos um trato então¿

- Temos.

- Voce aceitou rápido dessa vez, gostei da iniciativa, Artie... – e afagou levemente sua bochecha. – Agora, vou deixar você sozinha, mas se precisar, só chamar.

- Ok, policial, eu ligo em caso de emergência.

Sabendo que ele sorria de sua piadinha, Artemis o viu ir embora. E perguntou-se como diabos lidaria com aquilo. Sem heroína, pó, maconha... O que faria¿

Soube a resposta assim que entrou no banheiro para lavar o gosto amargo da boca e viu uma de suas láminas que usava para se depilar. Sem precisar pensar duas vezes, retirou a pulseira que estava um pouco úmida da água, puxou das laminas da caixinha e passou, muito vagarosamente, sentindo a dor, o fio afiado em sua pele. Essa que ao primeiro corte, deixou sangue brota. E só mais tarde, enquanto fumava e cortava-se mais vezes que Artemis foi se lembrar de que deveria chamar Apolo.

Mas ai já era tarde demais. Pra que ela faria aquilo então¿

[...]

Artemis, nua, ergueu-se um pouco para olhar o relógio de mesa antes de suspirar. O acompanhante daquela vez já dormia ao seu lado, assim como ela havia tentado fazer, mas agradeceu por não ter conseguido, já estava dez minutos atrasada e sabia que Apolo iria querer matá-la.

O que acontecera foi que após jantarem, o loiro disse que iria a cidade, visitar Carla na cafeteria e Artemis afirmou que iria junto. Então, ele permitiu depois de uma certa dircusãozinha retardada com Poseidon sobre isso e lhe deu somente duas horas naquele lugar, ou não teria como voltar para casa. A verdade era que poderia muito bem dormir fora, mas por algum motivo, não queria passar na casa de um estranho, por mais cômico que fosse depois de tantas que fizera isso.

Agora, Artemis se levantava da cama meio fofa demais pra seu gosto e começava a se vestir. Estava com uma dor de cabeça filha da puta pelas doses de whisky e tequila que tomara antes de fazer sexo com aquele cara deitado. E do qual Artemis nem mesmo se despediu ou acordou, simplesmente terminou de colocar a sua jaqueta de couro e foi embora.

Como esperava, Apolo encontrava-se parado de frente a cafeteria que fechava, as mãos nos bolsos da calça jeans por causa do frio e com muita raiva naqueles olhos azuis.

- Está quinze minutos atrasada.

Artemis deu de ombros enquanto acendia o cigarro.

- Foi mal, meio que me perdi pelas ultimas casas ali, aqui é meio confuso.

- Voce... bebeu¿

- Fumei e transei também. E to com uma dor daquelas, é uma porra mesmo.

- E ao invés de me chamar, você resolveu beber e transar¿

- Hey, nem vem, você tava com sua namorada, eu que não ia atrapalhar vocês.

Apolo suspirou, exasperado.

- Artemis, você é minha paciente em reabilitação, ela vai entender que você precisa de ajuda agora.

- Aconteceu.

- Ok, entra no carro, vamos pra casa.

E Artemis nem resolveu bater boca pelo simples modo como ele abria e fechava a mão. Pelo que ele estava tão estressado, Artemis não sabia, mas resolveu que a melhor forma era seguir o que ele mandava e ficar calada.

[...]

Eram quatro da manhã quando Artemis acordou assustada, tremendo e suada. Seus remédios, em cima do criado mudo, foi a primeira coisa que ela pegou, tomando dois deles em uma rapidez surpreendente. E a segunda foi, jogar seus pés pra fora da cama, puxar a carteira de cigarros e sair daquele quarto fechado.

Ar. Eram sempre o que seu corpo exigia para de fato melhorar e deixá-la em paz. Um local aberto, ventilado, mesmo frio como naquele dia estava. E ela sabia muito bem que lugar ali ia encontrar tudo isso junto.

Claro que também sabia o que esperaria ela por lá, mas gostava daquela área e esse era o único modo que suportava civilizadamente Apolo. Foi assim pensando que saiu pela porta da cozinha que era tudo em vidro e sentou-se bem ao lado do loiro que, como imaginara, lia algum livro, um copo de café do lado e completamente aquecido.

Ao que parecia, eles procuravam a mesma coisa de formas diferentes. Ele, o ar puro, mas estava completamente coberto em moletom. E ela só com uma blusa masculina que havia ganhado de seus amigos. Nenhum dos dois disse algo. E Artemis não ligou enquanto acendia o primeiro cigarro e o fumava.

Calma. Paz. Era isso que procurava.

- Artemis...

- Hum...

- Por que você não veio até mim na cidade¿

E ela o olhou, com calma.

- Voce não ia me dar sexo, ia¿

- Não, mas te daria atenção.

- Então, eu queria sexo e não atenção, simples.

Apolo calou-se após essa pergunta e Artemis agradeceu por ele deixar aquilo de lado. Ambos ficaram em silencio, curtindo clima, o local, por tanto tempo que ela perdeu a noção de horário e quando notou, era por estar bocejando.

- Quanto tempo tenho para dormir¿ — perguntou enquanto apagava o ultimo cigarro daquela noite.

- Duas horas.

- Me acorda um hora antes.

- Por que¿

E olhou para os confusos olhos azuis com um sorriso.

- Só acorde, por favor. Vou lá dormir, boa noite.

- Boa madrugada.

Assim, Artemis foi pro seu quarto, deixando um confuso Apolo pra trás.