Stronger
8 Cappuccino.
Notas iniciais
This is how you remind me
Of what I really am
- How You Remind Me
Artemis já estava em toda a posse de suas razões após tomar um copo de whisky, fumar um cigarro e colocar pra dentro mais um remédio.
Conseguiram até mesmo seduzir os dois mercenários do quais Apolo havia dito. Depois de dançar pra eles, Artemis e Atena fizeram-se de bobas e os levaram para o beco onde Poseidon, Afrodite e Apolo as esperavam.
Foi preciso somente um soco de cada um daqueles dois caras e os filhos da puta que tentaram matá-los antes estavam desacordados.
Artemis sorriu, colocando sua roupa no lugar.
- Olha, até consegui minha blusa de volta – disse a ruiva, com um cigarro na boca. – Eu posso ficar com o de cabelos pretos? Ele é gatinho e parece ser bem recompensado.
Apolo revirou os olhos para sua pessoa.
- Garota, vai pegar o garçom, vai!
- É MESMO! Vou lá pegá-lo... Ligo pra vocês depois.
E sumiu através das risadas de suas amigas e do bufar de Apolo.
Se ele não a queria na cama dele, problema era dele. Ele era o bobo mesmo. Homens era o que não faltava para uma ruiva como Artemis.
E ela sabia que o garçom estava mais do que feliz em recebê-la na cama dele, ou talvez na mesa de sinuca, quem sabe sobre o balcão?
De toda forma, Artemis sorriu para ele ao entrar no salão, recebendo milhares de elogios pela sua dança com as garotas minutos atrás.
Só foi preciso duas doses, mais um cigarro, e achava-se nua na área vip do local, sobre a mesa de pôquer, beijando luxuriosamente o garçom que nem se quer sabia o nome e cortando um item da sua listinha de lugares para se fazer sexo.
Dessa vez, depois de chegar ao ápice, Artemis pode aproveitar dele, ainda estendida sobre o veludo verde da mesa, a luz em seu rosto, um cigarro e o cara calado e quietinho, também parecendo apreciar aquela paz.
E não pode deixar de sorrir para ele ao notar o que ele fazia.
Como se ela fosse um anjo, o garçom admirava suas curvas debaixo daquela luz forte de centro e Artemis não se mostrou tímida ao apoiar-se em seus cotovelos e ficar olhando a beleza que ele também era.
- Você é linda, Artemis – sussurrou ele, a prender a mão em sua cintura. – Indomável.
E seu sorriso só cresceu antes de soltar suavemente a fumaça para cima.
- E você é muito bom com seu brinquedo, querido.
Ele riu.
- Pronta para segundo round?
- O que estamos esperando mesmo?
[...]
Artemis colou um rápido beijo na boca do garçom, que se chamava Jack, se ela não se enganava, enquanto descia de cima do balcão, após colocar suas roupas.
Como ela bem havia imaginado, mesa de pôquer, balcão e sinuca eram lugares fenomenais para um bom sexo.
Jack, ainda nu, acariciou seu rosto.
- Foi uma honra te ter por essas horas, Artemis.
E pela primeira vez ela notava que ele entendia que ela não voltaria a dormir com ele. Aquilo só fez o apreço por ele, além de ser uma belíssima obra de arte, aumentar muito.
Sorriu ao mesmo tempo em que prendia o cabelo em um rabo de cavalo.
- O prazer foi todo nosso – piscou para ele. – Cuide-se, nunca se sabe, uma tarada pode te atacar.
Jack riu.
- Vou trancar a porta direito. E, Artemis, tenha uma boa noite.
Sorrindo para ele por uma ultima vez, a ruiva assentiu e saiu para a noite gelada daquela cidadezinha do Texas.
Não se surpreendeu ao ver que alguém estava por ali, ainda mais depois do tiroteio com os mercenários e aquela coisa de cinema toda.
Mas admitiu que algo em sua pessoa ficou feliz, estupidamente feliz ao notar quem era.
Quer dizer, até notar com quem ele falava.
Em seu tão usual local, como Artemis havia notado, Apolo, que tomava café, um livro de lado, fazia uma Carla (a garçonete), toda boba e visivelmente atraída por ele, rir de algo.
Na verdade, os dois pareciam se divertir pra caramba, se sua mente parasse de ser venenosa.
E aquilo a fez ficar parada ali, olhando-os pelo vidro, conversando.
Parecia uma realidade tão diferente... Parecia algo tão irreal.
O modo como Carla colocava o cabelo loiro e liso atrás da orelha.
O jeito que ela corava do que ele falava.
O sorriso encantando.
E Apolo se expressando com as mãos.
O riso ecoando até lá fora.
Os ombros relaxados dele que demonstrava que estavam em paz.
Quantas vezes Artemis conseguira ficar daquele jeito com um cara? Quando fora a ultima vez que mostrara ser tão feminina? E que um cara simplesmente conversasse com ela ao invés de comê-la com os olhos?
Sua mente começou a comparar aquela cena com as demais que tinha, mesmo com a que tivera com Jack agora.
Eles não conversaram, eles... Agiram.
Artemis sacudiu a cabeça.
Tava era ficando louca.
Ela era gostosa, nasceu pra ser objeto de babação pelos caras, e que podia escolher com quem queria transar naquela noite.
Pensando assim, Artemis puxou um cigarro, acendeu-o e se sentou na calçada enquanto esperava ele terminar a conversa com Carla. E nem sabia porque fazia isso, podia ir simplesmente ir embora como sempre fazia, mas algo em si desejava pagar aquele favor que ele fizera ao também esperar ela terminar com o Jack.
Engolia mais uma pílula do seu potinho de “Yakult” no momento que escutou Apolo se despedir de Carla e fechar a porta da cafeteria. Artemis nem ergueu os olhos.
Estava sentindo-se estranha. Confusa. E talvez com dor de cabeça mais uma vez.
- Hey, garota! – Apolo risonho sentou-se ao seu lado. – Tá ai há muito tempo?
- Não, cheguei a pouco – ela jamais admitiria que esperou por uma hora ele ali. – Eu te vi conversando com a Carla, fiquei com preguiça de ir até vocês, a conversa seria um saco mesmo, ela tem cara de menina bobinha que lê romances... E acho que ela te quer como Príncipe Encantado, cara, fica ligado.
O som da risada de Apolo fez Artemis abrir um sorriso pequeno.
- Diferente do que pensa, ela estava perguntando de você.
- Iiih, olha, fala pra ela relaxar... Já avisou pra ela que você não me quer na sua cama? – tragou mais um pouco, a procura de afastar aquele pequeno incomodo que sentiu ao falar aquelas palavras em voz alta.
- Na verdade, ela queria um autografo seu pra dar pro irmão. Ele é apaixonado em você desde os dez anos, seria o presente de aniversário de treze anos dele.
Artemis girou a cabeça para encarar Apolo sorrindo e teve que sorrir de volta, até que viu que ele segurava algumas coisas em mãos. Mais especificamente um copo de isopor e uma pequena torta.
- Que isso ai? – perguntou enquanto apagava a bituca do cigarro com a bota.
Apolo deu de ombros.
- Pra você, imaginei que estivesse com fome depois de gastar tanta energia.
E ao invés de pegar o que lhe era estendido, Artemis somente o encarou, um pouco pasma e... Pela primeira vez sem saber o que dizer.
Os olhos azuis ficaram de alegres a suavemente divertidos com sua cara e ela lembrou de que devia estar parecendo um peixinho fora d’água.
- Você... Você... – engoliu a seco. – Comprou pra mim?
- Foi, tome... Algum problema, Artemis?
- Não, não... É que... Nada, esquece. – e deu um sorriso envergonhado enquanto pegava com mãos tremulas o que ele oferecia. O cheiro de cappuccino e torta alemã fez seu estomago afirmar que estava com fome. Mas ela só pode olhar, muito pasma. – Hum... Apolo... Obrigada por... Isso tudo e talz e...
Devagarzinho, ela sentiu algo em seu cabelo e viu Apolo sorrir para sua pessoa ao mesmo tempo em que mexia nos fios vermelhos.
- Sem problemas, Artemis. Você... Está corada?
Pasma, Artemis colocou a mão na bochecha, do lado em que os dedos dele não estavam e olhou completamente perplexa para ele. Estava quente, muito quente.
E o sorriso dele foi ainda mais dócil em sua direção.
- A gente fala besteira e você não cora, só precisei comprar comida pra você e fica parecendo uma cereja... Artemis, você é a garota mais hilária que já conheci – os dedos dele afagaram sua bochecha, mas seus olhos verdes estavam sobre os azuis dele. — Você fica mais bonita assim.
E dessa vez, ela quem se separou, muito sem graça. Aquele clima já estava estranho por demais na concepção dela.
Usou o café como desculpa.
- Vai esfriar. – disse antes de começar a comer.
Algo em seu peito se quebrou, uma casca talvez, mas foi o suficiente para saber que aquele ato, o simples ato de ele ter se lembrado dela e ter comprado por preocupação, a fez sorrir de felicidade enquanto devorava a delicia em suas mãos.
- Sabe, Apolo?
- O que?
- Talvez, só talvez você não seja tão chato assim – e o fitou, sorrindo. – Às vezes você sabe fazer o certo.
Ele também sorriu.
- Eu sempre faço, pequena, só você que não notou ainda.
- Não devia ter dito nada, vou ter que aturar um exibido, palhaçada isso. Sério!
Baixinho, ele riu ao bagunçar de leve seu cabelo.
- Termina isso ai, temos que voltar pra casa.
- Agora eu fico com o seu cavalo.
Artemis achou fofo o modo como ele franziu o cenho. Fofo?
- Por que?
- Príncipe anda de cavalo branco, idiota!
Ambos riram.
- Ok, você pode ir no preto.
- Eu já ia mesmo... Vamos?
- Garota, já terminou?
- Trouxe só as migalhas, queria o que? Não era o banquete da Elizabeth não, cara!
Mas Apolo a ajudou a se levantar, ainda a rir de sua brincadeira.
- Quem chegar primeiro, empurra o outro na piscina.
- E desde quando você sabe cavalgar direito, garota?
- Fique esperto, cowboy. – Artemis subiu na cela do cavalo negro e arrumou a rédea envolta da mão enquanto esperava Apolo fazer o mesmo. Ele sorriu assim que terminou. – Pronto? 1... 2...
- ESPERA!
Impaciente, Artemis suspirou e olhou para a cara do loiro que retirava a blusa de frio.
E ela só entendeu o que ele fazia no instante em que a mão dele estendeu o casaco de couro em sua direção, deixando-o somente com uma blusa xadrez, como a sua era.
- Use.
- Apolo...
- Vamos lá, use, não vai doer... Além do mais, como você mesma disse, eu posso perder minha licença de Príncipe Encantado, ela pode ser cancelada e como a Carla ficaria?
Artemis riu.
- Você não presta mesmo, garoto.
- Pega logo.
Ainda um pouco sem graça, Artemis pegou o tecido pesado em mãos e vagarosamente colocou-se dentro dela. Era enorme, mas o cheiro de Apolo e verão era muito mais forte ali, logo ela sorriu para ele.
- Obrigada, Príncipe.
Ele piscou um dos olhos, os cabelos loiros jogados de qualquer jeito antes de sorrir também.
- Prazer é meu.
Artemis revirou os olhos, mas sorria.
- Agora, chega dessa baitolagem e coloca seu cavalo pra andar... Ou vou te jogar na água... IRRÁ! – e deu uma batidinha na bunda de seu cavalo.
E, Artemis sabia, enquanto corria ao lado de Apolo, os cacos do cavalo batendo no solo, seu coração acelerado, seus cabelos ricocheteando ao vento, seus olhos encontrando os azuis divertidos dele, que algo havia mudado.
Algo que ela não queria saber o que era, mas ao que parecia, o Destino não tava ligando muito para isso.
Notas finais
Beijinhos açucarados,
Nívea e Solé *faminta* RAWR!
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