Stronger
4 Calor.
Notas iniciais
You make me happy when skies are grey
You'll never know, dear, how much i love you
-You Are My Sunshine
[...][Música Aqui][...]
Um som, um simples som.
A brisa. A grama curvando-se na colina. Os cavalos resfolegando. Os bois pastando. Um pássaro cantando sua eterna canção. Os cachorros brincando.
Poseidon abaixou mais o chapéu sobre os olhos.
Encontrava-se, ele não sabia a quanto tempo, escorado na cerca de seus alazões, seus braços cruzados sobre a madeira, de olhos fechados, apenas apreciando o que ele mais amava naquele rancho.
Todos os dias ele fazia aquilo, parava, e deixava-se ser parte daquela natureza. Ele sabia que nascera praquilo, pra cuida de cavalos, pra tocar o boi e cuidar daquela fazenda. Era algo profundo, algo completamente dele.
E o deixava em paz.
Estava desse modo, quieto, no momento em que um cheiro de morangos e rosas, novo a sua memória olfativa, veio em seu nariz. Aspirou.
E já sabia, antes mesmo dela se aproximar por completo, de quem era.
Ele esperou muitas coisas, ela o tocar, ela puxar uma conversa, contudo, tudo o que ela fez foi parar bem ao seu lado, e a curiosidade de saber o que ela fazia, porque ela manterá silencio, o fez abrir os olhos e encará-la.
Mas longe de estar o encarando, ela achava-se fitando o campo, os olhos cinza admirando aquilo.
- Você tem belas terras aqui – sussurrou Atena, ainda sem o olhar. – Te atrapalhei?
E por aquele lado sinceramente preocupado ele também não esperava, não depois das cantadas que havia levado por parte dela.
Poseidon suspirou.
- Não, está tudo bem, moça.
E ela sorriu de canto.
- Sabe, seu jeito velho oeste te deixa sexy.
- Estava demorando uma flertada comigo.
Atena riu com gosto.
- Apenas não queria te atrapalhar, sei que gosta das minhas cantadas. Eu pessoalmente gosto muito delas.
Poseidon balançou negativamente a cabeça, um sorriso de lado, minúsculo aparecendo.
- Está um pouco perdida de seus amigos, não acha?
- Na verdade, eu estava atrás de você.
- Hum...
- Queria saber se há um tempo em sua agenda para cavalgar comigo.
- Um pedido pra sair.
- Você não pedia, tive que fazer.
Poseidon, sinceramente, estava começando a gostar das respostas rápidas e divertidas dela.
Devagar, ergueu os olhos para fitar os cinza. E muito se lembrou de quando ela era menor, de como ela era diferente, e ainda assim tão igual.
O mesmo cabelo. Os mesmo olhos. E tão diferente.
Abaixou o chapéu, apagando seu próprio olhar.
- Lamento, moça, mas estou ocupado hoje. Se quiser, peço para selarem um cavalo pra você.
- Hum... Então não vai ter graça...
Ambos voltaram a ficar calados. Ao longe, eles escutavam algum dos trabalhadores assobiar You’re My Sunshine de Johnnie Cash.
Atena sorriu daquilo.
Fazia tanto tempo que não ia ali, tantas diferença, tantas coisas complicadas que se arrumaram desde que saiu do rancho.
Suspirou, de olhos fechados, enquanto apreciava a brisa gelada do começo da manhã, o cheiro de grama e das flores. O paraíso, como costumava dizer.
- Poseidon...
- Hum...
E virou o rosto na direção dele, apanhando os olhos verdes e quase sumindo no chapéu de aba larga.
- Aquele lugar ainda existe?
Atena quase pode ver o ranger do dente dele, a forma como os olhos se tornaram mais escuros e qualquer traço sumiu do rosto de Poseidon. Ela sabia que algo assim aconteceria, mas precisava perguntar.
Talvez só não fosse a hora certa.
- Atena, se precisar de um cavalo, só pedir pros capatazes. Tenha um bom dia.
Assim, com esse tom frio, Poseidon se foi e Atena o viu caminhar, a poeira levantando com a passagem das esporas da bota dele.
É, isso ia ser uma merda.
[...][Pare a música][...]
- Apolo, você está fodasticamente sexy nessa sunga.
O loiro em questão, parado e molhado, de frente a piscina, as pernas um pouco abertas naquela pose domadora, virou-se ao som da sua voz.
E Artemis não resistiu em dar uma olhada bem descarada no tanquinho que ele escondia debaixo das blusas gola-polo.
Quem diria que o Príncipe Encantado era um gostoso e tanto? Nessas horas que Artemis percebia que jamais devia julgar um livro pela capa. E pelo que ela pode notar, ele tinha muuuuuito conteúdo, se é que me entendem.
- Pensei que havia morrido. – lá estava aquele tom ácido de sempre.
- Só se for por orgasmos.
Isso fez Apolo tossir, pasmo com a falta de papas na sua língua. Se bem que ela poderia usar a língua com leite condensado com muito prazer, com direito a trocadilhos.
Com um suspiro de desespero, Apolo puxou um roupão seguidamente o colocando. E lá se fora a visão magnífica dessa pele dourada.
- Garota, pare de querer machos por um segundo.
- O que posso fazer se tenho uma espécime rara bem na minha frente¿
Apolo revirou os olhos, mas ela sabia que ele se divertia.
- Você parece uma droga.
- Capitão Obvio ataca novamente, eu to uma droga, garoto. – bufou, se jogando em um das cadeiras de sol, os sapatos de salto ao chão. – Cadê a galera¿
- Pra cachoeira.
- To começando a achar seriamente que eles estão fazendo de propósito de me deixarem com você, Príncipe Encantado.
- É, talvez percebam que eu tenho juízo e queiram que eu te dê uma dose disso.
- A única dose que eu quero é uma de um bom whisky com gelo.
- Resposta errada, garota. Você quer um banho.
Artemis abriu os olhos, só para dar de cara com um Apolo parado bem ao lado de sua cadeira. O sorriso que deu foi instantaneamente sexy.
- E você quer me fazer companhia?
- Segurar seu cabelo quando você começar a vomitar? Não, obrigado.
- Não se faça de bobo, Príncipe.
- Dormiu com quantos? Cinco?
Artemis bufou.
- Você é o melhor quebra clima, ever. Eu vou até tomar banho depois desse... Você sabe... Balde de água fria no meu fogo.
Um fogo que Artemis admitia que não tinha, não depois de tantas vezes, não depois de tanto álcool e droga. Estava, como Apolo bem havia dito, uma droga. Precisava dormir.
Puxando todas as suas forças interiores, Artemis se colocou de pé, meio tonta. E, pela primeira vez, não reclamou quando uma mão forte e grande segurou seu braço, evitando que caísse de cara no chão amadeirado da escada.
Foi em questão de segundo pra sua cabeça toda girar.
- Fico cada vez mais fascinado com o que você faz com seu corpo, Artemis – e sem deixá-la reclamar, Apolo puxou seu corpo para aqueles braços fortes. – Uma vez na vida, cala a boca e me deixa te ajudar, ok? Porque até um mendigo teria dó de você agora.
Artemis de fato seguiu o que ele falou, apenas concentrando-se em manter seu rosto contra o pescoço de Apolo para não ficar remexendo.
E, claro, aproveitou para cheirá-lo.
Verão. Protetor Solar. Grama. Perfume Masculino. Apolo.
- Você cheira muito bem. – sussurrou, sua voz quase não saindo.
- Queria poder dizer o mesmo de você.
- Adoro sua sinceridade.
- Recíproco.
Artemis afastou o rosto e encarou aquelas orbes tão azuis quanto o céu naquele dia.
- Por que a gente tá brigando?
- Porque você é uma vagabunda que me faz ir atrás de você, simples assim.
Artemis olhou com pura raiva.
- Eu não sou uma vagabunda!
- Então você dar pra quatro caras diferentes em um mesmo dia é ser comportada?
- Argh, seu estúpido, me coloca no chão, agora!
Apolo nem tentou ser gentil dessa vez, muito menos Artemis. Seu orgulho, quebrado por aquelas palavras, a fizeram virar o rosto e andar com o máximo de dignidade que podia para seu quarto.
Em momento algum olhou para trás.
[...]
Artemis olhava, um pouco fascinada, um pouco temerosa, as rajadas e linhas vermelhas que se estendiam pelo piso branco, grandes estradas de seu próprio sangue que se diluíam com a água do ralo.
Com uma simples lamina de barbear, um daqueles modelos antigos, Artemis puxou mais uma vez, sua carne se cortando, os lados grudando no metal, o sangue brotando e então a dor.
Uma gostosa onda de dor.
Seus olhos se fecharam e ela suspirou.
Calma. Paz. Pensamentos concentrados no corte, deixando de lado tudo.
Ela sabia que não poderia demorar demais ou procurariam por ela, mas estava tão bom ali, debaixo do chuveiro.
“- Porque você é uma vagabunda que me faz ir atrás de você, simples assim.”
Não, por ai não. Artemis afundou sua unha no corte recém-formado. Dor, dor que fez seus olhos encherem de lágrimas. Paz mental.
Então, terminava seu banho tranquilamente, a limpar qualquer rastro do que poderia deixar alguém imaginar aquilo dela e escondeu por baixo da pulseira que sempre usara aqueles novos cortes.
Em segundos, guardava todas as suas tatuagens, que completavam suas costas, que havia em sua barriga, coisas que todos sabiam, em uma blusa de flanela branca e um jeans.
Foi assim que abriu a porta e que parou do mesmo jeito, pasma demais com o que estava disposto a sua frente.
Sentado na cama, a mexer em um anel que ele detinha, Apolo ergueu os olhos e encarou seu rosto a procura de algo.
Mas Artemis sabia que nenhuma das lágrimas que havia derramado ou qualquer coisa desse ramo estaria a vista por causa da sua maquiagem.
Cruzou os braços.
- Espero que tenha errado o quarto, garoto.
- Olha, Artemis, eu vim aqui...
Antes que ele terminasse, Artemis ergueu uma mão e negou com a cabeça.
- Sem desculpas, está tudo bem, agora... Vaza.
Mas tudo o que Apolo fez foi ficar de pé, fitando seu rosto com o cenho franzido.
- Você é difícil de entender.
- Não sou livro pra ser lida e entendida. Terminou?
- Não, eu vim aqui me desculpar.
- Já falei que não precisa. – e Artemis abriu a porta – Vaza.
Por alguns segundos, os dois ficaram fortemente se encarando antes de Apolo suspirar e ir se encaminhando para a porta.
E Artemis quase sorriu. Quase um quase.
Pois no ultimo instante, Apolo fechou a porta com tudo, jogou suas costas nela com força e uma mão se enroscou em seu pescoço, um pouco apertado, mas sem machucar.
Artemis sentia a respiração de Apolo em seu rosto, seus narizes pertos e seus olhos verdes completamente pasmos com a forma como o sempre sereno azul encontrava-se em erupção.
- Eu vim aqui procurando paz, Artemis, e você não está me dando isso. Minha paciência tem um fio muuuuito pequeno. De algum jeito, você já conseguiu cortá-lo pela metade e eu odeio ficar nervoso.
- Vai fazer o que? Virar o Hulk?
Um sorriso de canto apareceu nos lábios de Apolo.
- Não, vou lhe negar o que você mais quer... – e ele sussurrou em seu ouvido: — Sexo. Drogas. Posso fazer você ficar o dia todo dentro desse quarto.
- Eu fugiria.
- Sempre respostas rápidas, Artemis. Às vezes gosto delas, hoje tá me deixando nervoso.
Mas antes que Artemis pudesse rebater mais uma vez, lábios rebateram contra os seus, e tudo o queria dizer fora esquecido.
A mão dele em seu pescoço, que se prendeu ainda mais, puxou seu rosto mais para frente e ela podia sentir toda a extensão do corpo dele contra o seu. Principalmente aquela parte divina muito bem dotada que ele detinha.
Suspirou, seus lábios se abrindo prontamente para receber a língua dele, seus olhos fechados, e seu desejo que já devia ter sumido subiu absurdamente com o modo como Apolo prendia a outra mão em sua bunda, prensado seu quadril ao dele.
Seu ar faltou, seus pulmões e então tudo havia acabado.
Como se fizesse isso todo dia, Apolo simplesmente sorriu daquele jeito cortes, pegou um livro sobre a cômoda e saiu pela porta, deixando sua pessoa fitando o nada e se perguntando em que porra de livro ele havia aprendido beijar daquele modo.
Notas finais
Beijinhos ousados com Apolo pegando Artie de jeito,
Nívea ;*
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