Stronger
5 Conquistar.
Notas iniciais
You drive me crazy
I just can't sleep
– (You Drive Me) Crazy
Artemis assistia, de longe, sentada em sua cadeira da bancada da cozinha enquanto fingia comer algumas uvas (essas que demoravam anos a serem engolidas), Apolo sentado no jardim, debaixo de uma arvore, completamente à vontade com um de seus tantos livros.
Ele estava tão concentrado, parecia se divertir tanto, que tudo o que Artemis podia fazer era ficar notando algumas expressões que ele fazia.
Então, um belo cavalo branco parava bem de frente a ele, e Artemis já sabia que era Poseidon o chamando para tocar o gado.
Se não estivesse tão cansada, ela iria pedir pra ir com eles, mas estava aos trapos.
Não conseguia simplesmente apagar, nem mesmo depois de dois remédios seus. Assim teria uma overdose!
Pelo menos dormiria, pensou cinicamente ainda a ver Apolo montar um alazão preto, um chapéu na cabeça e um cachorro ao lado. Isso a fez se perguntar se Apolo também morava ali, não havia visto foto alguma dele que indicasse presença constante.
De toda forma, porque importava a ela? O Príncipe Encantado era um retardado mesmo.
Seus pensamentos lerdos foram sobrepujados com a risada de ninguém menos que a de Perséfone. Hades vinha atrás dele, seguido de um Hermes com cara de exausto, um Dionísio bêbado, um Ares de óculos escuros e uma Afrodite risonha. Todos em roupas de banho, ainda úmidos, provavelmente da cachoeira.
Artemis enrugou o nariz com uma pontada forte em seu crânio.
– Olha quem tá em casa... – brincou Ares, roubando uma uva sua – Tava na cama de algum cara?
– Tava.
– Amiga, você tá um desastre – sussurrou Perséfone, as pequenas mãos dela segurando seu rosto, o tom cheio de preocupação. – Você tem que dormir, assim não vai conseguir ir com a gente a vaquejada.
– Devo insistir que esse nome é ridículo? — Afrodite riu. – Art, tira o resto do dia pra isso.
– Vou fazer, galera, relaxem. – piscou. – E ai, como foi lá?
E os gritinhos das duas diziam tudo.
Ambas começaram a contar os detalhes de como era lá enquanto os meninos se espaçavam pela cozinha a procura de comida e logo iam para a televisão assistir algum jogo de futebol americano, claro.
Artemis decidiu que depois talvez iria lá, quem sabe com uma câmera.
Foi quando Perséfone parou o que dizia e puxou seu braço.
– Art, como conseguiu esse roxo? Algum dos caras te bateu?
Afrodite colocou uma mão na boca, pasma.
– Olha, amiga, se quiser, posso pedir pra Ares socar esse cara... Você ao menos lembra o nome dele, certo?
Artemis revirou os olhos ao mesmo tempo em que puxava o braço delicadamente do aperto de Perséfone e o guardava dentro de sua blusa.
– Não, não lembro o nome e nem precisa de Ares, o Príncipe Encantado salvou o dia.
As outras duas morenas se entreolharam.
– Príncipe Encantado?
– Apolo Solace, garotas... – bufou. – Ele veio todo na marra, me puxou pro lado dele, mandou o cara que fez esse roxo cair fora e quando não deu apontou uma arma para a testa do cara. Lógico que fugiu, argh.
– Aaaaaawn – Afrodite sorriu amável, daquele jeito que Artemis sabia que ela faria assim que contasse sobre esse ato heróico de Apolo.
– Por causa desses “awn”s ele é o Príncipe Encantando.
– Falando de mim, ruiva?
Artemis suspirou, voltando a comer suas uvas enquanto ouvia a bota dele tocar o chão da cozinha e porta da geladeira abrir em seguida.
– Como se você fosse importante assim pra ser assunto.
– Paciência, ruiva, cuidado com a paciência.
– Vai se fuder, cara.
– Aposto que você vai se auto-convidar pra ir junto.
– IDIOTA!
Como verdadeiras amigas traíras, Perséfone e Afrodite começaram a rir, e tudo que Artemis quis fazer foi se levantar, sair pra fora e ficar em paz pra dormir.
A primeira parte ela conseguiu, mas bateu com tudo na saída com uma loira de cabelos cacheados que estava com uma roupa de equitação completa.
Nem disse nada, somente se foi.
– O que deu na Art? — escutou Atena perguntar.
– Esse daqui. – a voz de Afrodite e sabia que apontava para Apolo.
Mais risos se ouviram enquanto Artemis corria.
Só parou ao encontrar-se debaixo de uma frondosa arvore, um pouco longe da casa, e acendeu o primeiro cigarro. Sua mão tremia, seu coração também e sabia que não podia mais tomar um remédio naquele dia.
Precisava se acalmar.
Assim se foram quatro cigarros, um pouco de pó que detinha em seu bolso e por fim estava deitada naquela grama úmida, seus pensamentos leves, assim como suas pálpebras.
Não soube se dormiu, mas a próxima coisa que viu foi um cara sentado ao seu lado. E o sol que já ia para o oeste, pronto para se por.
Ela havia dormido!
– Ah, cara, que merda... Que horas são?
– Se eu estiver contando certo, acho que umas sete, por ai.
– Não me diga que perdi mais um passeio.
Apolo riu.
– Não, dessa vez a galera te espera pra vaquejada.
– Ainda bem... – uma dor fez sua cabeça voltar a deitar no chão. – Desgraçado.
– Hey, que foi?
– Não você, cara.
Então, Apolo estava curvado sobre sua pessoa, os olhos azuis encarando os seus verdes com preocupação e só esperando uma palavra para mudar do modo normal para de o ação.
E a ultima coisa que ela queria era ação.
– Relaxe, Príncipe, só dor de cabeça das drogas mesmo.
– Se você tiver um derrame aqui, vou ser culpado por matar a líder das lideres de torcida do Dallas, tem noção de como serei caçado pelos cowboys, garota?
Mesmo naquela situação trágica, Artemis riu.
– É, você estaria mesmo fudido.
– Palavreado, garota!
– Se dane ai, vai.
– Você não tem jeito mesmo! – e ele riu. – Vem, vou te levar até lá.
– Sem cobranças no frete?
E Artemis encarou o modo como o sorriso dele se estendia até chegar aos olhos, os azuis brilhando em diversão.
– Sem frete, ruiva.
[...][CENAS INADEQUADAS][...]
Atena assistiu seus amigos se empilharem nos carros, todos felizes e contentes por estarem indo pra alguma festa.
E admitia que estava perdendo coisas inesquecíveis, assim como sabia que havia um porque.
Desde o momento em que Hades dissera que eles iriam para o rancho do primo, bem ao velho oeste do Texas, Atena já sabia o que viera fazer.
Conquistar Poseidon.
E nada a faria mudar desse caminho.
Atena sabia, melhor que ninguém, que seria difícil, mas há coisas que somente o coração pode fazer. Ainda mais de uma garota que gostava daquele garoto de olhos verdes desde que eles tinham oito anos e eles tornaram-se muito amigos.
Só que amizade se solidificou como isso e Atena começou a perceber que ela era apenas aquilo, ao assistir e ouvir sobre as milhares de garotas que Poseidon fazia questão de contar pra ela.
Agora, aquilo havia mudado.
Atena não era mais aquela garota apaixonada, era uma mulher que sabia o que queria. Era uma leoa.
E que desejava Poseidon em sua cama.
O som de esporas tirou-a do silencio da casa e dos seus pensamentos somente para assistir o modo como Poseidon retirava o chapéu e o colocava em um gancho.
Os olhos verdes em momento algum lhe fitaram, mas ela sabia que ele notara sua presença.
– Desistiu de ir com eles?
– Na verdade, esperava ir com você, mas sei que não vai querer ir, então... – sorriu para os olhos verdes. – O que acha de lasanha para o jantar?
– Você fez?
Atena ia caminhando enquanto conversava com ele, sabendo que o homem a seguia.
– Até parece, da ultima vez eu queimei tudo, lembra?
E ela pode jurar que um sorriso apareceu nos lábios dele.
– De toda forma, a comida vai ser requentada e...
– Atena, não faça isso.
A loira olhou confusa para os olhos verdes que agora não mais se escondiam no chapéu. O cabelo então liso escorregava pelas beiradas, daquele modo bagunçado sexy.
– Fazer o que, Poseidon?
– Querer me caçar, leoa.
– Por que eu te caçaria?
Ele semicerrou os olhos, inclinando um pouco a cabeça.
– Uma ótima pergunta, adoraria sua resposta dela.
– Essa é fácil... – e colocou sua cabeça na geladeira atrás dos potinhos com lasanha. – Só se eu te quisesse na minha cama ou quisesse suas terras.
– Você é bem sucedida, seus projetos arquitetônicos lhe deram muito dinheiro e fama.
O simples fato de ele saber aquilo a fez encará-lo, pasma. Ele... Ele havia mesmo ouvido falar sobre a empresa dela?
Isso era tão... Irreal.
– Como...?
– Atena, eu era seu melhor amigo, eu conhecia seus sonhos, lembra? — e ele bebeu um pouco da água que havia pegado. – E isso nos leva a primeira... Você me quer na sua cama?
Depois de tantos anos dando em cima de caras e dando foras em outros, Atena corou, muito.
E teve que fingir que estava caçando algo pra ver se aquilo diminuía. Não era mais a garota bobinha apaixonada por Poseidon, que droga!
Então, um braço puxava sua cintura, enlaçando-a com força e Atena ficou frente a frente com aqueles olhos verdes, seus pés mal tocando o chão enquanto se encaravam.
– Responda, Atena. – a voz rouca e baixa, cheia de ordem, a fez querer confrontá-lo.
– Por que iria querer? Talvez você nem seja tudo isso na cama, eu sairia perdendo.
E ela soube que tocou no ponto certo daquele enorme ego.
– Você me quer, Atena, posso ver, você sempre foi fácil de ler pra mim.
– OU talvez você esteja vendo o quer que aconteça, você me deseja e quer o mesmo pra mim, Poseidon – e aproximou mais ainda seus lábios, seus narizes se tocando e quase não mais conseguindo encará-lo. – Você me quer, Poseidon? Eu estou bem aqui.
Então, a boca de Poseidon tomou a sua e qualquer coisa que Atena pudesse pensar se evaporou. Seus dedos por vontade própria se enroscaram naqueles macios fios negros.
Com um só movimento, Poseidon limpou a bancada e Atena viu-se sentada, sua saia amontoada em seu quadril, os dedos cheio de calor por cuidar da terra subindo por sua pele macia.
E beijos, por todo seu pescoço, fazendo-a suspirar para em seguida engolir um gemido que ele soltava.
Atena não soube muito bem quando ou como, mas uma hora estava vestida, em outra sua calcinha estava no chão, sua blusa e sutiã perdidos e Poseidon beijava seus seios.
Ela mal conseguia codificar o que acontecia, era apenas fogo, e desejo, como se todos aqueles anos ela esperasse por aquilo.
E talvez realmente esperasse.
A boca de Poseidon prendeu a sua no exato instante em que ele penetrou seu corpo, o membro dele completando-a por completo e fazendo-a arfar.
E logo só haviam os movimentos, Atena segurando-se a ele, Poseidon afundando os dedos em suas costas, e aquela boca a devorando.
Pela primeira vez, Atena não precisou de muitas preliminares para chegar ao ápice, seu corpo ficando fraco enquanto apreciava e o sentia chegar também, o melhor sexo e orgasmo da vida daquela loira.
Tudo fora tão rápido, tão cheio de energia, tão... Estranhamente bom, que Atena mal queria se mover do circulo que Poseidon fazia a sua volta.
Estava ali, o rosto contra o peito dele, sentindo o cheiro dele, com ele.
– Atena...
– Se for para estragar o momento, cale-se agora, estou tendo o melhor orgasmo da minha vida, então, shhh, curte.
Ela mais sentiu do que ouviu a risada fraca de Poseidon. Quanto tempo fazia que ele ria pra ela?
Com cuidado, o moreno a levantou em seus braços e a loira deixou-se ser levada para o sofá, onde ele deitou-se primeiro e a colocou por cima. Estava claro que ele também se recuperava ainda.
– O jantar foi esquecido? — perguntou ele, baixinho, em seu ouvido.
– Não mesmo, sou uma leoa, meu estomago é um buraco negro.
Uma vez mais, Poseidon riu silenciosamente, mas o suficiente para Atena erguer o rosto e encará-lo. Os olhos verdes estavam líquidos, calmo, nada de aço duro e impenetrável.
E teve de sorrir por aquilo.
– Bom te ver sorrir de volta, Poseidon.
E os dedos dele suavemente deslizaram por sua bochecha, seus olhos se fecharam por alguns segundos, antes de retornar a vê-lo.
– É bom te ver de novo, Atena.
Quebrando por completo o clima, seu estomago roncou e os dois riram daquilo.
– Acho que temos que jantar, cowboys.
–Daqui a pouco, depois, agora... – e ele girou, ficando por cima, os olhos verdes divertidos sobre os seus. – Eu quero você.
E a beijou.
Notas finais
Beijinhos,
Nívea ;*
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