Stronger
13 Adeus.
Why do I keep drinking
Wasting my time on you
If I didn´t know better
Well, damnit,
I do
Artemis sentia-se tonta, muito tonta enquanto caminhava para a cozinha da enorme casa de Poseidon. Havia vindo do bosque até ali sem estar completamente bem, parando algumas vezes para vomitar, e ignorou até mesmo um Apolo com roupas comuns sentado nas escadas, lendo, para ir atrás de um copo de água.
Jogando o seu isqueiro, a carteira de cigarros e a sua bolsa de drogas sobre a mesa, Artemis apanhou um copo qualquer, sua mão tremendo muito e tentava colocar a água. Mas tudo o que fez foi deixar o objeto cair, pela segunda vez quebrando um copo da casa, assistindo o modo como o vidro furava seu pé e o sangue escorria.
Então, alguém havia puxado seu corpo para cima, para um par de braços fortes e ouvia algumas vozes. Aquilo foi o necessário para se segurar em alguém e deixar suas lágrimas caírem como tanto desejava. Lágrimas que ela tentava com todas as suas forças segurar, mas que parecia tão fraca que tinha de deixar.
Olhou pra cima. Olhos verdes, muito verdes encaravam seu rosto. E Artemis soube que estava tudo bem.
- Poseidon, me tira daqui. – implorou para ele, soluçando uma vez. – Me tira daqui.
Sem hesitar nenhuma hora, daquele jeito que o deixou ser chamado de xerife, Poseidon começou a andar com sua pessoa nos braços, dizendo algo pra alguém que o seguia, ou algumas pessoas. Artemis tinha quase certeza de que era a voz de Afrodite, ou era de Persefone¿ As demais eram de seus amigos, mas ela pouco ligou, agarrando-se ao pescoço de Poseidon com força enquanto chorava e o deixava se afastar dali.
A próxima coisa que notara, seu corpo ainda tremendo pelos soluços estúpidos que ela odiava, foi seu corpo sendo cuidadosamente deitado em uma gelada cama e Poseidon puxando seu pé para o colo dele. Artemis sentia-se perdida, um pouco confusa, desprendida. Somente o toque experiente do homem de olhos verdes cuidando de seu machucado habilidosamente a faziam ter certeza de que estava ali, naquele corpo.
- Pronto, foi só um corte pequeno, nada demais, pequena. – sussurrou Poseidon.
Ela não sabia se o tempo estava se cortando, mas logo o moreno encontrava-se sentado bem ao seu lado, seu corpo coberto por um edredom e aqueles olhos verdes fixos em seu rosto. Artemis não conseguia lê-lo, contudo, tinha quase certeza de que ele sentia compaixão por ela. O porquê, era uma boa pergunta. Essa que ela deixaria para depois.
Estava exausta, talvez por ter chorado, ou por tudo o que passara, ou mesmo pelas drogas. Tudo o que ela sabia era que precisava dormir. E suas pálpebras concordavam, vagarosamente fechando-se. Um toque, um simples toque em seu cabelo a fez relaxar e ter a certeza de que tudo estaria bem.
- Descanse, moça, vou manter seus amigos longes daqui por um tempo.
E ela não era nem capaz de negaar a ordem de Poseidon que suavemente afagou os fios ruivos e então ia embora. Chegara a ouvi-lo caminhar pelo chão de madeira, as esporas batendo ritmicamente, o ranger da porta se abrindo e... A voz de outra pessoa.
- Filho, vamos deixá-la descansar, o que ela menos quer é visita agora. – disse Poseidon e a porta se fechou. Assim como a consciência de Artemis, que caiu no reino dos sonos.
[...]
Apolo ergueu os olhos do livro que lia, sentado em um dos bancos da bancada da cozinha, ao escutar um som, o seu modo de caçador sempre alerta o levando a colocar a mão sobre a sua Colt. Mas tudo o que apareceu foi algo que jamais o machucaria. Ou talvez não muito e ele relaxou.
Só para encarar uma certa ruiva entrar no cômodo, trajando um vestido florido até o chão, os cabelos ruivos presos em um coque frouxo e o rosto muito bem maquiado. Nada se parecia com a mulher que entrara horas atrás e saiu dali nos braços de Poseidon. A outra estava acabada, exausta, com olheiras e olhos vermelhos por causa de drogas. Aquela estava perfumada, bela e parecendo ter saído de uma revista de moda.
- Não precisa atirar em mim, cowboy – brincou ela, na sua clássica voz divertida, ao erguer as mãos para frente. – Estou desarmada... Só vou pegar agua.
E ela parecia tão... Diferente. Apolo não via mágoa pelo modo que a deixara no celeiro, nem raiva ou cansaço. Apenas alegria e confiança. E aquilo o desarmou por completo. Na mesma hora que percebeu isso, colocou de lado, e assistiu o modo como ela aproximou-se, tomando água como falara que faria. Ela também parecia intocável com tanta beleza.
- Lendo o que hoje, cara¿
Sem pedir, ela olhou para a capa e sorriu. Um sorriso que deu um soco em seu estomago.
- Shakespeare¿ Que gay... Mas bem apropriado a um príncipe encantado.
E Principe Encantado era a ultima cosia que ele sentiu ser ao fitar os olhos verdes da ruiva que sorria de forma divertida em sua direção. Qual era o problema dela¿ Por que ela não estava o evitando ou qualquer coisa assim¿
- Hey, muleque, terra pra marte!
Puxou a coisa mais rápida que pode pra dizer antes os dedos dela estalando a sua frente.
- Carla ligou, eu disse que não poderíamos ir hoje lá.
E os olhos inocentes dela se ampliaram em espanto.
- A festa do garoto!
- É.
- Que horas é lá¿
- Hum... Acho que agora, mas eu já avisei que não iríamos. Carla disse que tudo bem, que entendia.
- É o que¿ — Artemis apanhou uma bolsa pequena que havia deixado em cima da mesa e tomou dois remédios que havia lá. – Tá fazendo o que ai sentado, porra¿ Temos que correr!
- Mas...
- Tá achando mesmo que eu vou deixar o garoto, fã meu, deixado na mão¿ Não mesmo! Anda!
E Apolo teve que sorrir da presa com quem ela calçava os sapatos enquanto ele ia buscar a chave do carro. Ao voltar, Artemis tentava puxar uma bolsa pelas escadas principais, claramente não conseguindo carregar a mala.
- Pra que isso¿
- Mala, Apolo. Apolo, mala. Agora será que dá pra me ajudar¿
- Me dê isso aqui. – e ele puxou com calma a mala. – Pra que isso¿ Presente pro garoto¿
- Só se ele quiser uma calcinha minha, o que ele não vai querer, porque não vou dar. É que depois da festa, você vai me levar pra casa de Zeus Danniels.
Apolo, que colocava a mala na porta mala de sua Mercedes esportiva, parou pasmo e a olhou um pouco sem ação. Artemis sorria, com aquela calma usual dela, os olhos verdes brilhantes. E, definitvamente, maravilhosa.
- Voce... Está indo embora¿
- Sabe, isso acontece, Principe. Já agradeci Poseidon pela estadia e ele disse que você me deixaria em casa. Eu nem insisti nele me levar... Depois daquela putaria que rola entre Danniels e Ewings – e ela deu de ombros.
Tudo o que Apolo podia fazer era olhá-la, de fato, perdido com aquela girada do tabuleiro.
- Hum... Depois da festa¿
- Sim, espero que a gente não demore lá, tio Zeus chamou pra jantar com eles.
Segundos depois, ele abria a porta do lado do passageiro para ela, ainda meio desligado. E em seguida entrava no lado do motorista, rapidamente ligando o carro. Durante todo o caminho, Apolo não achou assunto para falar. Ela ia embora, era só o que podia pensar.
[...]
E se Apolo pensava que não podia mais se surpreender com Artemis, ele se enganara, e muito. Desde que haviam chegado a fazenda em que Carla morava, a ruiva havia sido o exemplo em etiqueta. Era engraçada com os mais velhos, séria ao socializar com os homens que ela fascinava, uma verdadeira criança ao aceitar olhar todos os pôsteres e fotos promociionais que o irmão de Carla tinha e não medindo esforços para autografar todos eles, e mais os dos amigos do aniversariante.
Uma hora, Apolo foi encontrá-la sentada no meio de um circulo de meninas, conversando sobre... Garotos. E ele teve que parar para ve-la dizer:
- Vocês devem ser sexys, confiantes e doces... Mas, o mais importante está aqui... – e Artemis tocou a cabeça da garota com uma um dedo. – Sua mente. Jamais deixe um garoto pisar no que você pensa, é a regra número um de ser mulher.
Apolo sorriu da fascinação que via das demais garotinhas diante da ruiva.
Ao final, Artemis havia tirado foto com todos, inclusive uma em que ela dava um selinho no irmão de Carla, esse que a abraçou e Apolo a viu fechar os olhos, sorrindo.
- Obrigada, Artemis.
- Me chame de Art. E foi um prazer, garoto.
- Voce foi o melhor presente de aniver´sario que já tive.
- Mas esse não era meu presente.
Os olhos do garoto brilharam quando Artemis puxou para frente uma caixa nas cores dos Dallas Cowboys e entregou.
- Feliz Aniversário, Derek. Meu e dos jogadores dos Cowboys.
E o garoto correu para abrir o presente. Mesmo Apolo ficou surpreso ao ver todas as blusas de todos os jogadores do Dallas, autografadas e dedicadas para Derek. Até a dela de líder estava ali. Como ela fizera aquilo, Apolo de fato não sabia, mas olhou-a com outros olhos depois disso.
- E isso daqui... – dizia a ruiva ao colocar um tipo de crachá envolta do pescoço dele. – É pra você assistir de camarote o próximo jogo e poder entrar no vestuário. Tem mais cinco pra levar seus amigos.
E Apolo tinha certeza de que o garoto jamais soltaria do pescoço de Artemis depois disso, pois a felicidade absoluta do garoto saltitante era incrível de se ver. Carla parou ao seu lado, também sorrindo daquilo.
- Ela é incrível, não é¿
- Muito.
Por Artemis ter que sair mais cedo, cantaram os parabéns antes do avisado, mas todos foram felizes fazer isso. Ela não se demonstrou sem graça ao comer, roubou docinhos com os garotos, e apostou um copo de coca com Derek, que logicamente, perdeu.
- Relaxa, cowboy, eu lido com caras muito maiores com você tomando isso, sou expert. – e bagunçou os cabelos dele. – Mas deixo você ganhar dos seus amigos.
- Deles eu ganho fácil.
Apolo ouvia isso no momento em que tocou no ombro dela e a viu virar sorridente para sua pessoa. E os olhos verdes brilhavam, muito.
- Temos que ir.
- Hum... Ok... Hey, Derek, eu vou ter que ir agora, tenho um jantar pra ir ainda e não quis te deixar sem presente. Vem cá, me dá um abraço. – e ela o apertou com carinho. – Seja um bom garoto, treine muito e feliz aniversário, garoto.
- Obrigada por vir, Art. Foi o melhor presente que já recebi.
- O prazer é meu, Derek. Te vejo no próximo jogo¿
E o garoto assentiu, aos sorrisos antes de soltá-la. Artemis colou um beijo na testa dele.
- Se cuida.
Assim, a ruiva se despediu de todos, sorrindo, encantando, linda como Apolo jamais havia visto ser. Ou talvez já e não notara. A ultima a abraça-la foi Carla que os acompanhara até o carro.
- Muito obrigada por vir, Art. – disse a loira ao olhá-la nos olhos.
E Apolo viu Artemis sorrir de forma feliz para ela.
- Seu irmão é uma figura, me diverti bastante, prazer é todo meu, Carla. Pode sempre chamar se quiser.
- Chamarei... Vai ficar no Rancho por quanto tempo¿
- Só até hoje, Apolo vai me levar agora mesmo para a casa de Zeus Danniels.
- Tão cedo¿
- Tambem fiquei meia assim, mas tenho que ir.
Carla apertou a mão de Artemis com carinho.
- Voce é muito divertida, Art, foi um prazer te conhecer além da mídia.
- E você é uma princesa, Carla, eu que fico feliz em conhecer alguém tão doce e legal.
- Apareça por ai outra vezes, ou na cafeteria pra conversar.
- Apareço sim.
E Artemis abraçou Carla, os olhos verdes estavam em seus azuis, enquanto ela dizia sem voz: É ela! Como se tivesse aprovado-a como sua princesa. Apolo sorriu para aquilo.
- Tenha uma boa viagem e boa sorte nos jogos.
- Obrigada, Carla... Vamos, Apolo¿
O loiro abraçou rapidamente Carla antes de sorrir pra a mesma.
- Depois apareço na cafeteria.
Ela sorriu.
- Ok.
E assim Apolo entrou em seu carro, seu coração já estranho por algo que ele desconhecia.
[...]
O trajeto até a fazenda dos Danniels era razoavelmente curto, mas Apolo nunca havia o achado tão pequeno assim das outras vezes que viera. Talvez fosse pelo fato de não desejar que ela fosse embora, ou pela velocidade que ia para acabar com aquele silencio estranho dentro do carro, eles chegaram rápido demais e quando menos percebia estavam parados de frente a grande e famosa casa branca dos Danniels.
Artemis foi a primeira a sair do carro, para avisar ao empregado para pegar a bolsa, e Apolo teve que ir atrás abrir a porta malas. Logo, só estavam ela e ele, parados, lado a lado, olhando aquele projeto arquitetônico.
E ele sabia que havia chegado a parte que ele talvez estivesse fugindo aquela noite toda. Assim como sabia que devia dizer algo, que devia ao menos explicar... Mas tudo o que pode fazer foi ficar calado, assim como ela, sentindo a brisa notruna tocá-los.
Foi quando ela suspirou.
- Então...
E Apolo abaixou os olhos para ver os verdes.
- Sabia que eu odeio despedidas¿
Um sorriso atravessou sua boca diante aquela frase, assim como seu peito doeu. Algo chato e incomodo. Algo que o fez lembrar-se de todas as piadas e cantadas que ela havia dito para ele. E das noites insones. Antes que ele pudesse prever, braços haviam se passado por seu pescoço e ela o abraçava com força.
- Seu idiota que nem sabe a hora de abraçar.
Ele ria enquanto a puxava para mais perto. O cheio de brisa noturna, balinha de menta e perfume caro. Seus olhos se fecharam. Aquilo era o paraíso. O mesmo que o fizera relaxar dias atrás.
- Voce que é atirada e adora me abraçar.
- Olha a palhaçada... – mas ela o apertou mais. – Foi um prazer te conhecer, Apolo Solace.
- Que isso, Artie.
- Muito obrigada, por tudo.
E ele sabia que ela não dizia aquilo de coração. Ele havia sido tudo, menos um Principe Encantado naquele dia. Havia a tratado como um lixo enquanto ela viera feliz conversar com ele. Passara a noite ao seu lado. E aquilo foi um verdadeiro soco em seu coração. Nunca havia se sentido tão mesquinho em toda sua vida do que bem ali, nos braços dela, ouvindo-a se despedir.
- Artie...
- Shhh... – ela acarinhou seus cabelos. – Esquece... Só... Só... Deixe pra lá, ok¿ Lembre-se que você tem o traseiro mais gostoso do mundo e que pode ganhar dinheiro com ele, valeu¿
E ela sorria, os olhos verdes brilhantes ao encarar os seus, e aquele apertou só se intensificou, mas se forçou a sorrir.
- Obrigada, Principe Encantado.
Assim, com um beijo em sua bochecha, ela se foi de seus braços e Apolo ficou ali parado, meio perdido, com uma dor indescritível em seu peito. Havia feito uma merda. A maior de sua vida. E com ela. Olhou para o modo que o cabelo ruivo se movia. Só ela o via como um Principe Encantado, pois tudo o que ele sentia era ser o vilão, não o mocinho.
Então, a viu se virar, para andar de costas.
- E NÃO ESQUECE! LIGA PRA CARLA E PEDE PRA SAIR COM ELA! TÁ APROVADA! SUA PRINCESA, GAROTO! PERDE NÃO!
E sentiu-se um nada ao ser deixado ali fora, sozinho, assim que ela fechou a porta daquela incrível mansão. O que havia feito¿
[...]
Artemis respirou fundo. Uma. Duas. Tres vezes. Olhava para o teto, forçando-se a não chorar, escorada na porta, a escutar o som do carro de Apolo ir se perdendo a cada vez que ele se afastava mais e mais. Havia um buraco em seu coração. Um do tipo que estava dando medo a ela. E que se quebrara mais ao saber que era verdade o fato de Carla ser uma princesa. Artemis mesmo se encantara com a garota. O tipo de princesa que Artemis jamais seria.
Simples assim.
- Filha, devo imaginar que veio correndo dos coiotes para estar segurando a porta assim¿
E Artemis olhou para sua frente. Um homem alto, de cabelos grisalhos, sorriso divertido em um terno risca giz, e olhos azul relâmpago. Na mesma hora soube quem era.
- Tio Zeus... O senhor ficou mais elegante com essa bengala.
A risada dele afastou tudo o que Artemis pensava e viu-se sorrindo para aquele que a criara como um pai.
- Venha me dar um abraço, filha.
E Artemis não se negou ao jogar-se no abraço de urso que só Zeus sabia dar.
- Tão bom te rever, tio.
- Eu que o diga, querida, eu que o diga. Voce e Atena são colírios pra esse velho bobo aqui. – e ele afagou seu cabelo. Casa. Aquilo era estar em casa. – E posso saber por que esses olhos verdes cheios de lágrimas¿
- As coisas de sempre. Homens, dividas, homens, negócios, homens...
Zeus riu.
- Entendo, querida. Então, vamos jantar¿ Atena e eu estamos esperando por você.
- Vamos, temos muito o que falar.
E assim, Artemis deixou aquilo, aquele, em um canto excluído de sua mente efoi divertir-se com sua família.
[...]
Já era o terceiro cigarro que Artemis fumava naquela madrugada. Encontrava-se sentada na área da piscina, calada, quieta, um pouco agoniada exatamente por essa solidão. Já fazia exatamente uma hora desde que havia acordado, assustada, tremendo, dessa vez, até chorando. Chegara a acordar Atena que dormia ao seu lado e da qual dispensara amavelmente a companhia. Sabia que sua amiga precisava dormir, ainda mais depois de ouvir o plano que colocariam em prática apartir de agora.
Como se já não fosse ruim o suficiente saber que teria de arrumar uma nova garota para ocupar o local que Atena deixaria, sua mente ficava voltando e voltando em uma certa pessoa que ela teria certeza de que estaria ali com ela, se não tivesse ido do Rancho.
Suspirou.
Aquilo estava errado, profundamente errado. Por que sentia tanta falta daquele estúpido¿
[...]
Apolo suspirou, fechando o livro. Estava definitivamente impossível de ler aquela madrugada. Parecia que algo estava fora do lugar, algo que não o permitia se concentrar. Estava sentando em seu clássico lugar, na escadaria, e alguma parte sua esperava uma certa ruiva aparecer e sentar-se ao seu lado, fumando e jogando cantadas.
E aquilo tava um saco.
Que para melhorar, sua mente ficava o lembrando do que havia feito a ela e chegava mesmo a se perguntar se não fora por causa daquilo que ela foi embora. Tinha destruído tudo, assim como também não conseguia conversar com ela, tanto por ela evitar o assunto quanto por estar sendo um covarde.
Já não conseguia dormir direito, agora só o que faltava era ficar louco acordado também. Suspirando, ergueu-se e foi pegar um café para si. O que realmente precisava fazer era esquecê-la e ponto.
Às vezes era tão fácil falar.
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