Notas iniciais
Capítulo enormérrimo! Precisa-se de música aqui *o*

Don't know that I will,

But until I can find me

A girl who'll stay

Solitary Man

[...]Músicola[..]

Apolo bateu a cabeça contra o banco do carro.

- ESTUPIDO! BURRO! BURRO! QUAL É O SEU PROBLEMA, APOLO¿

O homem em questão estava digirigindo, seus sérios olhos azuis fixos na grande estrada que dividia todo aquele deserto, aquela fita preta entre tanto dourado pelo por do sol. Ele já não sabia a quanto tempo fazia aquilo, desde que havia deixado Artemis algemada e saído daquela casa, ele andava, o Porsche esportivo de Poseidon (esse que ele usava somente necessário) respondendo perfeitamente a sua necessidade de correr. Sua mão passou mais uma marcha. 140. 150. 160. 170.

A verdade era que ele havia estado brigando consigo mesmo durante todo aquele caminho, sua raiva tomando espaço, descontando naquele pobre motor. Seus dedos apertavam com força o volante, ficavam brancos. E estava tão tenso, tão travado quanto um bloco de ferro.

O fato principal era o simples fato de que ele não sabia o que se passava com ele. Toda aquela raiva, aqueles pensamentos loucos que jamais combinaram com ele e Artemis.

Artemis em tudo quanto é canto. Aquilo estava o voltando louco. Simplesmente louco.

E ele havia dito que não se envolveria com mais ninguém. Lá estava, a ruiva, presa, na cama dele, sem poder sair. Ele sabia a crueldade que era manter aquela raposa algemada. Sabia! Mas tão pouco sabia o que fazer. Ela havia sumido através de seus dedos, fácil, rápido, ágil, para encontrar-se com outro cara.

Dormir com outro cara.

Transar com outro cara.

Raiva. Raiva homicida. Aquilo estava errado! Ele jamais fora assim! Nem mesmo com ela... Nem mesmo com Dafne... Devia estar louco! Essa era a realidade.

Havia prometido que jamais se envolveria, não depois disso, não depois de tantas mortes em suas mãos. Lembranças, lembranças obscuras vieram a sua mente. Olhos, muitos olhos. Olhos que o atormentavam de madrugada. Sai daí! Mas sua caixinha já havia sido aberta... E ele via aqueles rostos, encarando seus olhos. Medo. Tristeza. Dor. Raiva. Traição.

“Voce havia dito que eu ficaria bem” uma voz gritou em sua cabeça.

Na mesma hora, com tudo, Apolo puxou o carro para a lateral, as rodas comendo areia, parando com tudo.

Sua respiração rápida, forte, louca. Se acalme! Se acalme! SE ACALME FILHO DA PUTA!

Mas as mãos deles tremiam ao tirar o cinto. Vozes, muitas vozes em sua cabeça. Os olhos de uma criança. O som de um bip agudo. Engoliu a seco.

“Morto!” dizia outra voz.

Aquilo tudo em sua mente. O que era aquilo¿ De novo! Por que¿

Choro, de milhares de pessoas, seu desespero, sua falsa calma, seu coração ficando louco. Então, Dafne... Suaves olhos dourados.

PARA!

Sem ar, Apolo saiu do carro, seus movimentos pesados, e deixou-se cair no chão áspero e seco do deserto, sentado, as costas contra a porta.

Apolo... Voce não me alcança...” uma risada, delicada. Milhares de outras risadas, sorrisos, olhos divertidos... E então triteza, lágrimas e mais lágrimas... Fracasso. Puro fracasso.

O homem loiro abaixou a cabeça entre as pernas.

Relaxe, apenas relaxe. Tudo vai ficar bem. Só...

Respirou fundo, a sua respiração entre cortada. Uma. Duas. Quatro. Vinte vezes. As vozes diminuindo de potencia, aquelas vozes que o faziam ser insone, que não o deixavam dormir...

E um rosto, suave, olhos verdes, cabelos ruivos... Uma risada debochada... Um sorriso pervertido... A voz baixa... A boca dela contra a sua... As mãos pequenas em seu rosto... As tatuagens... Artemis.

Apolo abriu os olhos para fitar a imensidão colorida a sua frente. O crepúsculo. Sentia lágrimas em suas mãos. Ainda tremia um pouco... Mas estava bem.

Artemis.

Precisava voltar para Artemis.

[...]

Artemis olhou para a porta assim que ela abriu.

Ela esteve a tarde inteira ali, estendida daquele jeito, seus braços ficando dormente. Mas, pela primeira vez, dormência fora algo bom para ela. Pode se concentrar nela ao invés daquelas recordações. Pessimas recordações que encheram sua cabeça a tarde toda enquanto tentava lutar contra aquilo, que tentara de milhares de forma se soltar. Só que tudo o que fizera foi machucar seu pulso, mais e mais. Havia também dor por isso. Dor essa que também foi aceita de braços abertos pelo seu desespero.

Ela sabia que chorava, sentia isso. A qualquer momento, alguma coisa poderia acontecer, a qualquer instante alguém poderia machucá-la. E ela estaria indefesa, não poderia usar nada contra. Seu corpo pronto para tentar defendê-la se pudesse.

E, quando aquela por se abriu, depois de ela não sabia quantas horas, só que já havia escurecido e aquilo só piorara sua situação, mais e mais, mesmo não encontrando sua voz para gritar, aquele peso em cima de seu peito, ar faltando, Artemis soube que estava ferrada, quê seria agora.

Um homem alto destoava contra a claridade de fora, alto, forte... Seu coração parou... As lágrimas voltando... Então ele fechou a porta para seu desespero, deixando-os na profunda escuridão... E Artemis sentiu no exato instante em que aquelas mãos tocaram seu pulso. Era a hora.

Com apenas uma perna, ela tentou chutá-lo, mas ele a segurou, jogando uma das pesadas dele sobre as suas, prendendo-as. Mais pânico.

- Desgraçado. – gitou para aquele cara que ela não sabia quem era, seus olhos verdes marejados, seu peito doendo.

Ele nada disse, calado, a tirar a primeira das algemas. Dor. Pura ao ter o sangue circulando contra a carne esfolada. Sem querer, um gemido de dor. E ao soltar a segunda, ela encolheu-se, puxando para perto suas mãos machucadas. Sabia que chorava.

Medo. Em sua matiz mais limpa. Junto com lembranças. E braços, braços firmes a sua volta, trazendo-a para perto de um peito forte. Ela estava tão fraca após tanto tempo daquela forma que nem se quer brigou. Então, o cheiro, mais forte que os demais sentidos, a fez saber quem era.

Verão. Grama. Colonia masculina cara. E areia, deserto.

Apolo.

Sem pensar, sem fazer nada além de precisar de alguém para tirá-la daquelas lembranças, mesmo para aquele que fizera aquilo com ela, Artemis o abraçou de volta, chorando alto, soluços, pela segunda vez em poucos dias. Seu peito a arder. Mãos grandes em seu cabelo. Em suas costas. Segurança. Firmeza. Aquele idiota.

Mas ela ficou lá, segura contra ele, contra Apolo que a puxava para mais e mais perto, o corpo quente aquecendo sua pele fria.

- Desculpe, Artemis... – sussurrava a voz dele em seu ouvido, se ela não estivesse errada, podia acreditar que ele chorava. – Desculpe, eu não devia ter feito isso com voce. Eu sou um idiota. Eu sou um burro... Me desculpe, Artie... Por favor, não chora... Por favor...

E quanto mais ele dizia aquilo, mais ela chorava, dor. Suas mãos cheias da blusa dele e de areia. Afundou o rosto no pescoço de Apolo. Como podia se sentir protegida com aquele cara¿ Como podia se sentir confortada naqueles braços¿

- Eu te odeio.. – disse para ele, entre soluços. – Te odeio tanto...

- Voce sempre vai me odiar.

Só que ela não conseguia responder, não daquela forma, não ali. Ela sim, o odiaria pra sempre. Muito. Depois de tudo o que ela havia feito com ela... Só estava tão segura ali. Apertou-se mais contra ele.

- Eu te odeio.

Então mãos, firmes mãos afastavam seu rosto. Tudo só para encarar um par de torturados olhos azuis, de um modo tão cruel que ela não soube o que fazer ou dizer, só olhá-lo. Apolo parecia perdido, como ela. Assustado. Dedos carinhosamente secando suas lágrimas que o impediam de vê-lo direito.Olhos azuis destruídos, devastados. E, sim, ele chorava. Artemis sabia disso, via isso.

- Me odeie, Artemis... – sussurrava ele em uma voz doída. – Pode me odiar, voce tem tudo para fazer isso, para querer me matar... Mas eu preciso de voce, Artemis... Eu não sei que porra está acontecnedo comigo, eu estou ficando louco, estou te machucando, estou fazendo coisas que nunca fiz por sua causa... Pode me bater, me evitar, não falar comigo, mesmo gritar comigo... Mas, por favor, Artie, não me deixe, não agora, eu preciso de voce... Eu sei que não mereço, mas não vai embora, não suma, por favor.

E, um pouco pasma com aquilo, ainda que chorasse com ele, Artemis viu o modo desesperado que ele abaixou a cabeça, a testa dele tocando seu peito enquanto aqueles braços tremiam a sua volta. E, mesmo sem querer, seu coração doeu, doeu por vê-lo chorar, por aquela admissão.

Foi assim, os dois acalmando-se aos poucos, nos braços um dos outros, que Artemis mais sentiu do que viu, pois ele continuava abraçando seu corpo como uma ancora, Apolo cair no sono. Seus dedos finos passando-se nos cabelos loiros cheios de terra.Para, não muito depois, com a cabeça doendo, escutando a respiração fixa do homem em seus braços, o calor daquele corpo, que Artemis fechou os olhos vermelhos de chorar e dormiu.

Uma pergunta flutuando em sua mente. O que havia acontecido com Apolo¿

[...]

Atena estada sentada no escritório. Percy já dormia em seu berço tranquilamente, alimentado e bem cuidado. E Poseidon encontrava-se na sala de estar. Já era tarde, ela sabia que era, que a qualquer mintuo ele avisaria que estaria subindo, que dormiriam juntos separados por travesseiros.

E ela sabia que hoje não teria como fugir dele, não depois de colocarem o maravilhoso berço no quarto que eles dormiam e ela não ter mais a desculpa de usar Perseu como um muro entre eles, um que jamais poderiam atravessar.

Hoje era ela, espaço em branco e Poseidon.

Isso vai ser um crime, pensou, tentando pela oitava vez prestar atenção ao documento que lia. Mas a verdade era que, desde que eles haviam compartilhado aquele beijo, que por acaso fora ela quem começara, tudo o que Atena havia usado como prova para jamais dormir com Poseidon outra vez, estava jogado ao chão.

Poseidon estava sendo doce, protetor, amigo... E tão sexy daquela forma. Estava difícil de se segurar, ainda mais para ela depois de nove meses parada e aqueles últimos porque estivera ocupada demais para pensar em arrumar um cara pra sexo. Essa era a realidade.

Depravada, sorriu de si mesma.

Foi quando ouviu um toc-toc na porta e um par de olhos verdes encararam com diversão os seus cinza. Ele estava daquele modo cowboy, parado na batente, olhando-a por baixo do chapéu. Aquelas coisas que a fizeram gostar dele.

- Para o que veio esse sorriso tão belo, loira? Pensando em mim?

Na verdade, tava sim.

- Não, estava me olhando pelo computador e vi que sou maravilhosa.

Ele riu.

- Depois eu era o egocêntrico, narcisista e machista... – e ele entrou no cômodo, seus passos indo diretamente ao local onde ficavam as bebidas. Serviu-se de um copo de whisky. – Ainda tem muito para terminar¿

- Acho que amesma quantidade que você, não muito... Por que¿

Virando um pouco da bebida, ela o assistiu ir apertar o botão de um aparelho de ultima geração que constratastava muito com aquele escritório com tantas década. Uma música, suave e que combrinava muito com todo aquele clima velho oeste, se ela não se enganava era Johnnie Cash, propagava-se baixo pelo cômodo. Calma. Relaxante.

- Johnnie Cash¿

- Vejo que não esqueceu algumas coisas, loira.

- Esse era... É seu cantor favorito, só escutavamos isso, não tem como esquecer.

Aos sorrisos do que sua pessoa dizia, Atena o viu se aproximar, colocando aquele chapéu em sua cabeça, deixando-a ver perfeitamente aquele rosto e logo havia uma mão esticada em sua direção.

- Deixe isso para depois, moça, não irá fugir... Concede-me essa dança, loira¿

E como ela podia negar aquilo a ele¿ Não com aquela música suave, com aquele clima bom que estava entre eles desde a tarde, desde que ele havia dito aquelas coisas para ela. Por isso, com um revirar de olhos, embora sorrisse, Atena aceitou a mão estendida, os dedos fortes dele a enrolar-se com carinho nos seus, e não muito depois encontrava-se naqueles braços, seguros.

- Essa música me lembra de você, loira. – sussurrava ele.

Atena sorria, de olhos fechados, a cabeça contra aquele ombro largo. O cheiro de Poseidon: couro, grama, perfume muito fraco, algo a mais... Era o que predominava em seus sistema.

- Acho que foi porque estava tocando ela em seu carro quando você me pediu em namoro.

- Sabia que havia um porque.

Rindo, afastou-se para encarar aqueles olhos verdes divertidos. As mãos dele suaves em suas costas, seus passos pequenos, somente a escutarem aquela música. Ele ficou a fitar seu rosto por muito tempo, ambos calados, se olhando, até que um dedo um pouco áspero deslizava-se em seu rosto, um carinho que fez seus olhos se fecharem de leve antes de sorrir para ele.

Poseidon encontrava-se sério, o rosto belo fechado, mas ela podia ver que era por outra coisa. Por algo que queimava naqueles olhos verdes.

- Eu não sei quantas vezes já repeti isso, loira, mas você é tão linda... Minha leoa que sabe atirar com Winchester.

E antes mesmo que Atena pudesse perceber, os lábios do xerife tocavam o seu com um desejo que ele há muito não mostrava. Talvez fosse porque ela estivesse se esquivando de todo e qualquer pensamento sobre eles dois, principalmente se tinha a vez com sexo, por puro medo de estar se perdendo no que não podia. Porque se entregava mesmo sem perceber para aquela rotina de casada... Fosse qual fosse, na mesma hora, ela compreendeu a forma completamente diferente daquele beijo.

Sim, havia ternura, havia amor... Mas tambem havia desejo, algo que estava queimando de forma incrivel, daquele jeito tão simplesmente deles dois de entrarem em pura sintonia e combustão ao se tocarem de forma intima.

E seu coração geralemnte de gelo deu uma travada e meio perdida,sem ar por causa do beijo com suave gosto de whisky preferido dele, Atena empurrou Poseidon com surpresa, olhando pasma para aqueles olhos verdes que queimavam.

- O que você está fazendo¿ — perguntou perplexa pelo modo como seu próprio coração pulava loucamente em seu peito. Podia praticamente contar as batidas.

Poseidon a olhou confuso, mas ainda de expressão tão fodamente sexy que Atena se perguntou se ele estava fazendo aquele rosto de proposito ou se não percebia o quão desejavel ele estava. Ou ela estava vendo coisas.

- Hum... Pra mim, isso se chama beijo, moça.

A loira bufou. Ela estava usando do sarcasmo, compreendia, somente por medo do que era aquilo tudo. Tudo bem, ela e Poseidon sempre foram duas bombas juntas, era uma atração física inegável... Mas, daquela vez, foi mais forte do que ela imaginava. Algo estava errado.

Suas pernas tremiam. Suas pernas jamais tremiam. Atena escorou-se contra a mesa, sentindo os olhos de caçador dele em cada movimento seu, e mesmo quando ergueu a mão pra passar os dedos em seus cabelos loiros, completamente estranha as suas próprias reações, podia vê-lo parado onde o deixou.

- O que houve, Atena¿

Suspirou.

- Não podemos fazer isso.

- O que seria “isso”¿

Atena apontou dela pra ele, seus olhos cinza indo encontrar os verdes divertidos. Ele já havia mudado pro lado pervertido. E ele não estava errado ao todo.

- Nós, Poseidon. Tudo isso. Esse casamento falso. Essas coisas. E nem pensar em sexo.

Como um felino, avaliando suas palavras, Poseidon aproximava-se, parecendo interessado ao que dizia, até parar bem a sua frente e duas mãos fortes e quentes segurarem seu rosto. Daquela forma, ela podia enxergar somente a ele, aqueles olhos verdes sérios, com um desejo queimando ao fundo. Suas respirações se misturavam.

- Atena... – sussurrou ele, quase ronronando daquela forma sexy que ela estava odiando naquele momento porque a fazia prestar atenção em cada coisa que ele dizia. Poseidon sorriu de lado. – Já existe nós dois.

- Não, não, podemos...

- Esquecer tudo isso¿ Os anos de história¿ Ou Perseu como prova do que temos¿ — ele a olhou de forma suave por baixo do chapéu. – Atena, a ultima coisa que somos é uma mentira. Esse casamento está acontecendo independentemente de como começou, moça. Estamos vivendo ele.

Atena fechou os olhos, sem querer enxergar aquilo.

- Vamos dar um jeito, sabemos nos virar sozinhos.

- Em qual parte do “você nasceu pra ser minha”, você precisa que eu repite, Atena¿

- Não... Isso é errado.

- Você é minha. E já sabe que é recíproco.

A loira abriu os olhos, enxergando um par de verdes sérios. Era mercúrio cor de musgo, prendiam. E mostravam um desejo.

- Mas...

- O que voce quer negar, Atena¿ Seu coração pulando¿ O fato de pensar em mim como eu tambem penso em voce¿ Nossa rotina¿ — e ela arrepiou-se com a mão de Poseidon aspera deslizando suavemente pelo seu pescoço. O cowboy sorriu. – O desejo¿

- Poseidon...

- Já somos um casal, você queira ou não.

A loira olhou de forma desafiadora para os calmos e desejosos olhos de Poseidon.

- Isso é uma ordem¿

O cara sorriu, trazendo a sua boca para perto da dele, ato que mesmo seu corpo estupido não se esquivou.

- Isso é um fato e já que não consegue enxergar pela nossa história, vou deixar seu desejo te mostrar.

Assim, sem dó alguma, mas de uma forma infinitamente doce e calma, Atena sentiu a boca de Poseidon tocar a sua. Em seu peito, seu coração rufava com uma força inacreditavel a ela mesma, suas mãos suavam e suas pernas, que jamais tremiam, fizeram Poseidon rir de leve ao ter que segurá-la para não cair, aproveitando-se para colocá-la em cima da mesa.

E a mulher sempre racional deixou de pensar com os toques dele em suas costas abaixo da blusa, a força dos braços que a puxavam contra os músculos do xerife, e ela mesma o puxava para perto.

A ultima coisa que percebeu foi estar tocando sua pele suada e nua a quente dele, suas bocas se tocando com devoção a algo que ambos desconheciam, mas que era tão superior, que era até impossivel de ser controlado, suas respirações embaraçadas e rapidas. E, nos braços de Poseidon, com ele olhando em seus olhos de forma amorosa e calma, Atena percebeu que tudo por aquilo que tentou se manter longe, havia era a prendido mais. E não pode mais negar. Já existiam um “eles”. O casamento era real.

[...]

SUAS MÃOS ESTAVAM PRESAS. SEUS OLHOS VERDES FITAVAM AQUILO A SUA FRENTE. UM GRITO. GELO. FRIO...

Artemis acordou de supetão, sentando-se na cama. Seu coração pulando loucamente. Rapido. Muito rápido. E suava, suava muito. Então, aos poucos, após tomar o remédio, ela começou a lembrar-se do que havia acontecido.

Saira com Dean. Apolo a algemara. Ficara a tarde toda presa ali. Chorando. Apolo chorando contra seu peito. Eles dormindo.

Sua cabeça doía, provavelmente por ter chorado, sua garganta seca, sua mão ainda um pouco trmeente. Mas, o que realmente a mantinha de olhos fechados era a visão dos olhos azuis machucados, quebrados... O que havia acontecido¿ O que acontecera¿ E onde ele estava¿

Seus olhos verdes viraram-se na direção do lado da cama que ele havia dormido. Estava vazia, gelada, avisando que ele havia saído dali há muito. A colcha branca encontrava-se um pouco suja do lado dele. Areia, constatou ela ao tocar. Onde Apolo estivera¿ Ele fora ao deserto¿ Podia ver o formato da bota que ele usava. Nem se quer havia tirado-a. O que o fizera ir para ela com tanto desespero¿

Pode ouvir em sua cabeça a voz dele, implorando, chorando, para que ela não sumisse mais, para que não fosse embora. Aquele tipo que ela jamais havia ouvido vir dele, sempre seguro e confiante. E que ele estava louco.

O que era aquilo¿

Algo que ela demoraria a saber. Com um suspiro, Artemis colocou-se de pé, suas pernãos já não a tremer mais, mas quase doendo pela falta de sangue circulando direito. Foi assim, com apenas trocar a blusa que estava, por acaso, suja de terra também, que a ruiva apanhou um de seus tantos casacos e desceu para a cozinha.

Precisava tomar um pouco de agua.

A casa estava silenciosa, todos dormindo provavelmente, ao passar pelos cômodos, seus pés silenciosos ao andar pela madeira. Mas tudo o que ela queria era agua. Muito focada nisso, passou pela segunda porta que havia, que saia de frente a geladeira e lá mesmo puxou um copo, enchendo-o no filtro. Foi após a segunda vez que ela notou algo.

Algo que já devia ter notado. E seu coração ficou mais calmo. Em ambos os pulsos, onde havia esfolado por tanto puxar, deixando em carne viva, havia uma faixa branca enrolada. E só havia uma pessoa que poderia ter feito isso por ela. Que poderia ter cuidado com aquela eficiência.

Ergueu seus olhos. Como bem havia imaginado que aconteceria se olhasse para lá, completamente isento de sua pessoa ali, um certo homem de cabelos loiros estava sentado na escadaria da cozinha que dava para a piscina. Aqueles olhos azuis a fitar o horizonte. Perdido em pensamentos. O rosto bonito dele completamente sério e... perdido. Calado. Já em outras roupas, quase podia acreditar que ele esteve banhando na piscina, mas não tinha certeza.

Devagar, para não tirá-lo daqueles devaneios, Artemis silenciosamente aproximou-se e sentou-se um pouco afastada dele, mas não tão assim. Na mesma hora, aquele par de olhos azuis voltaram-se para seu rosto e ela pode ver, antes que ele apagasse a expressão, que havia dor nos azuis.

E jamais esperou aquilo dele.

Apolo suspirou, passando as mãos nos cabelos molhados.

- Eu não tinha te visto ai.

- Nem eu, vim beber agua e... – olhou para ele. – Voce tinha sumido da cama. Acho que talvez soubesse que voce estaria aqui.

Silencio.

- E... voce está bem¿

Sentindo-se estranha, pensou ela, mas sorriu de leve para aqueles cautelosos olhos azuis.

- O de sempre, suor, tremores, remédios... – e ergueu um dos pulsos. – Obrigada por cuidar, nem senti voce fazer isso... Mas... Valeu.

Evitando seus olhos, Artemis viu Apolo encarar um copo de café que havia entre as pernas dele. Os ombros curvados. Culpa.

- Voce estava exausta... E não precisa agradecer, era o mínimo que podia ter feito.

Mais um silencio. Um sillencio nada calmo como costumava ser. Era cheio de coisas não ditas, pesadas, que faziam ambos ficarem calados. O que ela poderia dizer a ele¿ Ele havia a machucado mais vezes que qualquer outra pessoa, havia a levado ao limite duas vezes e na ultima admitira aquilo. De repente, o frio pareceu ainda pior.

E resolveu que era hora de quebrar aquele gelo.

- Então.... – ao mesmo tempo que ele dizia – Sobre aquilo...

E os dois se olharam, um sorriso pequeno e meio tímido entre eles aparecendo antes de, mesmo tentando segurar, rirem baixinho daquela tosca coincidência. Artemis tinha certeza que nunca havia feito aquilo com um garoto. Devagar, vendo os olhos azuis mais suaves, ela colocou um cabelo ruivo atrás da orelha. E a visão daquela fita em seu pulso foi o suficiente para Apolo parar e virar o rosto. Naquele momento, ela não precisava ser um gênio para saber o que se passava na cabeça dele.

Suspirou.

- Apolo...

- Artemis.

- Vamos...

- Acho que não é a hora certa de falarmos, Artemis.

- Artie.

E ele encarou seus olhos, claramente confuso.

- O que¿

Ela sorriu um pouco sem graça.

- Artie... Me chame de Artie... Esse é o apelido que voce criou pra mim, não foi¿

Viu a surpresa tocar o azul, mas até ela mesma estava surpresa com o que fazia. E ele deu evasão a tudo o que ela sentia:

- Voce devia estar me odiando nesse momento. Devia nem querer ver minha cara. – olhos azuis confusos. – Ou mesmo me socando... E... voce me pede para te chamar de um apelido que sempre odiou¿ Acho que isso é contra as regras.

- Voce já me entendeu um dia¿

- Nunca irei te entender, Artem... Artie.

A ruiva deu de ombros, sorrindo para ele.

- Então, sabe que odeio regras e tudo que me faça ser igual as demais.

O loiro sorria ao negar com a cabeça.

- Voce é uma caixinha de surpresas, Artemis...

- Se voce me chamar assim mais uma vez, eu vou te socar. É Artie.

Ele riu, mas ela pode ver a forma que ele estava tenso, mesmo com sua brincadeira. Só ai, vendo-o daquela forma cautelosa, cmo se desse um passo em falso, tudo viraria uma merda, que ela entendeu o que era aquilo. Não era só culpa... Era medo. Seus serenos olhos verdes encararam os retraídos azuis. E lembrou do que ele havia falado, dele implorando para ela não sumir. Ele estava com medo. Medo de falar alguma besteira e fazê-la correr. Podia ver isso pela forma que o corpo dele parecia ir em direção ao dela, mas ele se segurava, como se isso a fizesse se assustar. Medo de... Perdê-la.

Aquela compreensão a fez olhar com outros olhos todos aqueles atos que ele fizera, jamais poderia perdoá-lo, não daquelas formas, mas sabia ver quando uma pessoa precisava dela. E ela sabia, inconsciente e conscientemente, que precisava dele.

Devagar, deixando-o ver o que faria, assim como para analisar o modo como ele ficava mais tenso, Artemis aproximou-se dele e, muito carinhosamente, abriu aqueles braços, só para devagar acomodar-se no colo de Apolo. Seu corpo indro de encontro com o dele.

Quente. Calor. Segurança. Certeza. Firmeza. Carinho.

Artemis notou como, ao delicadamente pousar a cabeça naquele ombros largo, ele puxava mais sua pessoa para perto. E ela sabia, pois sentia o jeito que a respiração dele normalizava, que daquela forma, segurando-a cuidadosamente, um peso saia dos ombros daquele loiro. Dele que de modo suave afundou o rosto em seu cabelo, respirando fundo. Uma respiração que ela o acompanhou.

Era ali. Bem ali.

- O que você está fazendo, Artie¿ — sussurrava ele em seu ouvido, a voz mais calma.

- Re-confiando em alguém, Apolo... Acho que as vezes, devemos fazer isso.

E ela sabia que aquilo não curaria todas as reviravoltas que acontecia entre eles, nem mesmo os machucados, mas naquele momento, os dois calados naquela madrugada, ali, aninhada, encolhida, naqueles braços, contra aquele coração, era o que importava a ela. Talvez Apolo fosse tão quebrada como ela era. Talvez, tudo o que eles precisassem era daquilo... Presença, um toque... E, foi assim, a escutá-lo respirar, que Artemis dormiu mais uma vez. Só que dessa, em paz.

A paz que encontrava em Apolo.

[...]

Atena abriu os olhos cinza de supetão ao som de algo. Estava contra o peito de Poseidon, sua cabeça sobre o peitoral dele que subia e descia de forma constante, o coração firme batendo. Seu corpo nu era abraçado por um braço forte do xerife, a mão dele espaçada em seu quadril, ambos enrolados por um fofo coberto. Havia um som de Perseu também dormindo em seu berço perto deles dois. E a brisa, os cavalos no estábulo, os animais.

Mas também tinha algo muito errado. Errado o suficiente para fazer a leoa mostrar as garras e acordar de um sono calmo e gostoso como aquele estava.

Atena ficou calada, quieta, apurando seus ouvidos. O tempo passou. Um. Dois. Três minutos e nada. Aos poucos seus músculos foram relaxando, um a um, voltando-se a moldar ao corpo firme e quente de Poseidon ao seu lado. Devia ser apenas mais um animal, ou talvez a Artie e Apolo, pensou enquanto fechava os olhos, pronta para vltar ao sono. Até porque se o xerife não havia acordado, o que sempre fazia ao estar em perigo, não havia porque ficar nervosa daquele jeito.

Então, aquietou-se.

Um alto som de vidro quebrando.

Na mesma hora seus olhos voltaram se abrir. Havia alguém na casa. Sem medo, a loira sacudiu o homem ao seu lado que não havia acordado. Alguém esteve por ali.

- Poseidon.... Xerife, acorda... Xerife...

A cabeça de Poseidon girou para o outro lado, completamente desacordado. Surpresa com aquilo, a loira puxou o rosto dele em sua direção, dando uns tapinhas, mas tudo o que ele fazia era continuar do mesmo modo. Assim, ela abriu a boca dele, com a respiração fixa e regular do xerife, ela pode sentir o cheiro. Doce. Muito adocicado. Lambeu de leve o canto do lábio de Poseidon.

Muito mais doce ainda.

- Filhos da puta.

Haviam drogado Poseidon. Por isso que ele estava apagado. Alguém havia feito aquilo com ele. Alguem que estava entrando na casa dela naquele minuto. Local onde estava sua quase irmã, Apolo, Poseidon e seu filho. E que pensara que Poseidon era aquele que precisava ser apagado.

Ah, mas eles tinham errado. Ao lado de cada leão, existe uma leoa.

Puxando a blusa de Poseidon de qualquer forma pela cabeça para cobrir a nudez, a loira levantou-se, pegando embaixo da cama a Winchester que Poseidon guardava, e, enquanto colocava um dos cartuchos, tendo de empurrar para a parte da frente e encaixar o tubo no cano, Atena saia silenciosa do quarto. Não havia tempo a se perder.

Outro som fez-se ouvir da parte debaixo. Da cozinha se ela não estava errada, o que também seria uma ótima porta de entrada, uma vez que era toda feita de vidro. E fora exatamente aquilo que ela ouvira: vidro espatifando-se.

Seus pés eram suaves ao tocarem o chão de madeira, seus olhos cinza ligados para tudo. Para qualquer movimento na casa somente iluminada pela lua cheia.

Mais um barulho.

Seu coração batia com força, aproveitando aquele barulho para encaixar a arma perfeitamente e começou a mirar enquanto aproximava-se. Foi quando viu, um cara mexer em um dos computadores, na bancada da cozinha. Ele vestia-se todo de preto, pronto para colocar um pendrive lá.

A loira deixou-o ouvir ela engatilhar a arma.

- Filho, acho melhor você largar isso agora mesmo, eu realmente odeio acordar no meio da noite.

Viu-o ficar todo tenso, parado, como que não esperando que ela pudesse acordar. E talvez não devia mesmo, algo deveria ter saído errado. Então, claramente querendo fugir, ele puxou de volta o aparelho pequeno que devia conter algum vírus e saiu correndo, usando a porta que havia quebrado como escape. E Atena puxou o gatilho. Errou o primeiro, quase próximo.

- Odeio admitir, Poseidon, to mesmo travada com o Texas.

Assim, sorrindo, ela puxou mais uma vez a bala para o cano, parada na frente da porta quebrada, seus pés nus pisando com cuidado sobre os cacos de vidro, e ela mirou. O cara afastava-se mais e mais, a espera de chegar ao campo. Ele era mesmo ágil. Mas ela era uma leoa. Ela respirou fundo, soltando o ar muito lentamente, esperando o momento certo e puxou o gatilho de seu rifle Winchester.

Assistiu o modo como o homem caiu na grama, segurando a perna que ela havia dado um tiro. Havia um sorriso em seus lábios ao abaixar a arma, fumaça ainda a sair do cano.

- Querido, eu sou a mulher de Poseidon Ewings.

Então, um som de arma engatilhada a fez se virar para ver um Apolo pasmo, com cara de sono, claramente cansado, chegar com uma Colt. Os olhos azuis no entanto estavam sérios, perigosos, do mesmo modo que os seus cinza deviam estar. E tudo voltou para o primeiro plano.

Artemis estava atrás na escadaria, segurava um Perseu que chorava, a ruiva meio assustada e perdida, como se também dormisse. Só Poseidon não havia acordado.

- O que aconteceu, Atena¿

- Um cara entrou aqui, tentou colocar um pendrive no computador e está no nosso gramado.

- Poseidon¿

Apolo entregou uma arma para a ruiva enquanto ouvia sua pessoa, que aproximava-se de Artemis, falava:

- Os filhos da puta drogaram ele, boa noite cinderela, só que mais forte... Havia alguma erva medicinal, daqui, só assim a droga pode ficar doce como estava. Fizeram o xerife dormir, acho que esperavam que só estivesse eu e ele. E, provavelmente, ambos apagados.

Olhos azuis nervosos.

- Fiquem aqui, vou lá buscar o cara, quando Poseidon acordar vai querer esse cara de sobremesa.

Atena sorriu, ainda com sua Winchester, parada ao lado da ruiva que segurou perfeitamente a pistola.

- Aquele leão vai adorar ter o que comer.

- Vai... – e Apolo olhou para Artemis. – Não hesite em atirar, Artie.

- Apolo, eu tenho minhas manhas, acredite... Só preciso aprender a fazer Perseu parar de chorar... Cuidado você, rapaz.

Com um assentir de cabeça, naquele mesmo modo de caçador que a loira via no xerife, elas assistiram Apolo sumir pela porta de vidro, seus pés silenciosos. Logo, só havia Perseu chorando, Atena agonizada por causa daquilo e Artemis cantando musiquinhas toscas o suficiente para fazer mesmo a loira sorrir.

- Art, lamento te informar, mas de madrugada só Poseidon bota moral em Perseu.

- Porque você não pega ele¿

- O rifle não permite. – e olhou os olhos verdes da ruiva. – Acredite, estou muito mais preocupada para saber se há mais alguém aqui ou só aquele cara mesmo do que se Perseu está chorando. A vida dele é mais importante.

Mais um som de tiros. Atena saiu correndo para a porta da frente. Ao chegar lá, havia somente Apolo com um cara desacordado no ombro, como um saco de batata, um cara que corria dele e uma moto que sumia a distancia. E Atena não perdeu tempo. Do mesmo modo que havia feito com outro, ciente de que sua arma tinha maior alcance, a loira atirou. Foi questão de segundos, muito poucos, e um cara caia no chão, mas ela sabia que havia era o matado.

Apolo suspirou.

- Melhor morto do que indo contar tudo pro mandante. – e olhou para Artemis que devia estar atrás de sua pessoa que fitava o homem no chão. – Artie, olhe todas as câmeras de segurança, veja se fizeram algum dano aos programas e tente descobrir a placa ou qualquer coisa sobre aquela moto. Eu vou colocar esse cara aqui bem amarrado. E, Atena, vá ver se consegue acordar o xerife.

Com aquelas ordens rápidas, ouviu os passos dele, mas tudo o que podia fazer era segurar com força aquela arma. Agora que a adrenalina havia passado, assim como o perigo, a loira percebia o que havia feito com as próprias mãos... Pela segunda vez.

Estava tão desligada que quando notou Artemis já havia tirado o rifler de sua mão e colocava Perseu chorando em seus braços trêmulos. Olhos verdes encaram os seus com firmeza e carinho.

- Voce fez o que precisava ser feito, Atena, protegeu sua família. – e a ruuiva sorriu. – Não pense nisso, fez o certo... Agora, que tal ir cuidar de Perseu que precisa de você e acordar aquele xerife¿

Ainda um pouco pasma, mas de certa forma orgulhosa de si mesma por ter lidado com aquilo, ela assentiu e foi cuidar de Perseu.