Notas iniciais
#partiurapidexpraestudar o/

A million moments for the sweet relief
when the right one comes along.
All that changes.

When the Right One Comes Along

[...]Música[...]

Artemis olhava fixamente para uma carteira de cigarros em cima da mesa no momento em que um som a fez se virar.

Esteve ali, forçando-se varias e varias vezes lutar contre, e de que modo melhor do que deixando o que deseja a sua frente e não o conseguindo¿ Por isso, nem ligou que fosse Apolo e voltou-se para a caixinha.

Suas mãos coçavam para pegar um, implorando para tragar, para mudar aquele jogo e divertir-se fumando um a um até acabar.

Mas não era assim que aquele loiro em sua roupa de cowboy pensava.

Pois assim que continuou ali, uma pasta preta foi jogada bem na sua frente, roubando sua atenção, e Apolo apontava pra ela, o dedo em riste, o rosto muito fechado enquanto sentava-se na cadeira ao seu lado.

E ela temeu-o naquele instante. Ele nunca havia se mostrado tão fechado pra ela em todos os dias que estiveram juntos, nem com olhos azuis tão vítreos e gelados.

Foi com uma pedra em seu estomago que Artemis escutou as próximas palavras:

- O quanto você sabia sobre isso, Artemis¿

E ela já sabia bem do que ele falava.

Apolo assistiu Artemis abrir a pasta com dedos firmes, uma expressão confusa em seu belo rosto. Esperava, esperava pacientiemente ainda que por dentro ele estivesse explodindo de pura raiva, ela ler tudo o que havia naquelas clausulas.

O que ele mais queria agora era ter a certeza de que ela não havia participado daquilo. Que ela dissesse que desconhecia tudo, mal conhecia Atena de verdade e que aquilo devia passar de uma brincadeira sem graça.

Porque todo o ódio que fervilhava como água quente dentro de si seria inevitavelmente jogado para cima dela caso ela soubesse. Atena havia roubado o que era de mais importante praele e para Poseidon, com frieza, com vingança, usando o próprio filho. E por mais que a idéia do xerife funcionasse, aquilo não se aplicava aquela ruiva.

Foi com um suspiro que a viu fechar a pasta, empurrar para o lado e encarar seus olhos com aquele tom verdeclaro muito sérios.

O modo mais sério que ele já havia a visto usar.

Artemis encarava Apolo.

O que ela poderia dizer pra ele¿

Quanto mais ela negasse, mais ela se afundaria e chegaria uma hora que ele saberia da verdade, tornando tudo pior. Seu coração fechou-se, de repente uma vontade imensa de chorar, mas ela já havia escolhido seu lado. Ela poderia ter nascido uma qualquer, só que ganhara identidade e nome com os Danniels. E ela jamais deixaria Atena, independente do homem que entrasse em sua vida.

Era um clã. Era uma união.

E sua cama já havia sido feita no momento em que aceitara ajudar a loira com tudo aquilo, só não esperava entrar em um dilema tão grande entre seu coração e sua honra familiar.

Uma vez Danniels, para sempre Danniels.

- Apolo...

E ele viu.

Antes mesmo da ruiva a sua frente mudar a expressão para algo mais triste, ele sabia que ela havia participado daquele plano. Foi como ativar um botão em seu coração, de repente suas mãos tremiam de raiva e ele podia jurar que precisava se acalmar ou mataria aquela garota. Só ali ele compreendia o que era ver em vermelho.

Fechou os olhos, tomando uma respiração profunda.

- Quanto disso¿

- Apolo...

- EU PERGUNTEI QUANTO! – e ele olhou para ela. Os olhos verdes estavam arregalados, muito. Realmente, ele queria que ela sentisse medo. Apolo colocou um dedo sobre pasta, sem jamais deixar de olhá-la. – O quanto você sabia disso, Artemis¿

E ela engoliu a seco, desviando o olhar.

- Muito.

- Desde quando¿ — silencio – Desde quando, eu perguntei Artemis.

E ela se virou com raiva, os olhos verdes explodindo. Sim. Isso. Ele queria raiva da parte dela, a mesma que ele sentia naquele segundo, a mesma que o ameaçava perder sua compostura.

Que toda aquela porra se fudesse, eles haviam acabado de perder aquele rancho. E ele confiara naquela mulher a sua frente, ela o manipulara e o fizera gosta dela.

- Não ouse querer falar nesse tom comigo!

- E o que eu devia fazer, ladra¿

E ela bateu, sem medo, sem hesitar, a mão em sua cara. Aquilo só aumentou a raiva dele.

- VOCE NÃO SABE UM TERÇO DE MIM, PENSA QUE SÓ PORQUE ACEITEI SUA AJUDA VOCE PODE FALAR ISSO¿ VOCE NÃO TEM PROVAS! VOCE NÃO PODE AFIRMAR QUE EU FIZ ISSO! NÃO COM AS MÃOS FAZIAS – os olhos verdes brilhavam de ódio. – EU SABIA, SABIA TUDO ASSIM COMO VOCE SABE O QUE SEU IRMÃO FAZ! ELA É MINHA IRMÃ!

- VOCÊ NÃO É UMA DANNIELS. VOCE É ADOTADA!

E ele notou como aquilo a magoou, fazendo-a parar, pasma. Aquele segundo em que as pessoas apenas se olham, em um silêncio perplexo, aqueles olhos verdes abertos de pura surpresa... E dor. O momento em que tudo o que ele pode fazer foi olhar fixo a maneira que aqueles olhos se enchiam de lágrimas. Ele podia ler a dor em cada traço daquele familiar rosto.

Foi em questão de segundos, uma lágrima caia e ela na mesma hora secava seu rastro com os dedos trementes, e todo seu rosto mudou. Ele nunca havia a visto ficar tão completamente ilegível, fria de um modo que fez cair um balde gelado em sua raiva e seu coração doer daquele jeito horrível.

Que porra ele estava pensando ao falar aquilo¿ Ele não estava pensando!

Artemis ergueu o queixo.

- Artie...

- Voce queria saber não queria¿ Eu sabia de tudo, eu vim pra cá fazer isso, eu era aquela que usava você, enganava você e Poseidon e enquanto vocês pensavam: Que coisa fofa, ela está melhorando, eu entregava as informações que Atena precisava. – e ela sorriu com escárnio puro, quase podia ouvi-la chamando-o de estúpido. – Sim, fui eu, Apolo, quem fez isso daqui tudo funcionar, eu quem entreguei as chaves da casa pra Atena. Feliz agora em saber¿ Talvez mostrando que sou a espiã, a ladra, você perceba que não é de onde você nasce, mas quem te cria. E eu sou uma Danniels. Que desejo mais que vocês se fodam mesmo. E indepentende do que estiver acontecendo, eu vou estar ao lado de Atena.

E assim Artemis ergueu-se da cadeira, o corpo todo tremendo, pegou a carteira de cigarros e foi embora, deixando-o parado, perplexo, com tudo o que ouvira.

Artemis havia ajudado. Artemis era a informante. Aquela Artemis que ele havia visto sorrir pra ele, que havia dormido com ele... Havia o traído.

E porque aquela porra de ser traído doía tanto¿ Que merda era essa do seu coração ter se fechado ao vê-la fechar a cara para sua pessoa¿

- E, Apolo...

Ele se virou para olhar nos gelados e distantes olhos verdes.

- Não quero ver vocês aqui depois do meio-dia.

Aquilo sim foi um balde de realidade.

Então, ela havia sumido e ele apenas olhava para o local em que ela estivera. O que porra haviam feito¿ Aquilo... Aquilo...

Com um surto de ira, o loiro apanhou a primeira coisa que encontrara, um pote de vidro, e o tacou na parede.

- FILHAS DA PUTA!

Ah, mas ele iria se vingar. E transformar Artemis em sua esposa jamais seria seu plano.

[...]

Artemis nunca havia chorado.

Em toda a sua vida, nunca havia chorado daquela forma que chorava naquele momento, encolhida contra a parede do banheiro e com a cabeça entre os joelhos.

E por que doía tanto, ela de fato não sabia. Mas doía, queimava. De um jeito que jamais seria legal. Mal conseguia respirar, suas lágrimas caindo, e caiam e ela se perguntava quando aquela porra pararia. E quanto mais chorava, mais se auto apertava.

Parecia que havia engolido um livro de romance. Seu peito parecia oco, parecia frio, sem graça. Tudo aquilo que ela jamais aceitara ter, que ela jamais havia conhecido...

Até Apolo entrar em sua vida.

Que porra ele havia feito com ela¿

Lembrou-se da expressão de nojo, de acusação que ele olhara para sua pessoa segundos atrás. Expressões cruéis que ela nunca o tinha visto usar com ela. E mesmo que tivesse usado esse últimos dias para se preparar, sabendo que ele se separaria dela no primeiro instante, não havia imaginado que doeria tanto.

Ou que a fizesse se sentir culpada e um nada.

Ela não qeuria sair dali, não queria ver o que a esperava. Queria tanto voltar, mudar, mas já havia escolhido e tudo parecia tão ruim daquela forma.

Apolo. Aquele maldito loiro.

Seus olhos se fecharam, as lágrimas escorrendo. Ele havia a chamado de adotada. E ela havia dito aquilo para ele, ela havia deixado aquela parte da vida dela para ele saber um pouco mais, e na primeira chance ele usava contra sua pessoa. Se apertou mais.

Por que¿

Então, seu celular tocava e sabia que devia atender. Foi com uma mão tremula que o puxou de seu bolso e atendeu, colocando-o em seu ouvido.

- Artemis, o que aconteceu por ai¿

Aquela voz, a voz calma de Atena, carinhosa era o detonador que ela precisava.

E viu-se chorando, soluços saindo de sua boca enquanto segurava o telefone. Aquilo estava doendo tanto. Estava machucando tanto.

- Art... Art... O que aconteceu¿ Pelo amor de deus, fala comigo, você tá chorando! Artemis...

Mas ela não conseguia, só havia aquela maldita dor rasgando algo dentro dela e tudo o que podia fazer era pegar uma toalha para tentar abafar seus soluços.

- Ah, não... Art, não me diga que você se apaixonou pelo Apolo... Porra mesmo! Ah, droga, eu te avisei pra não se apaixonar por ele, você sabia o final e você... E você... – ela suspirou, triste. – Voce quer que eu vá ficar ai com você¿ Eu e Perseu podemos te fazer companhia.

Demorou, um pouco, até ela consegui controlar-se. Ate parar aqueles estúpidos soluções, mas ainda chorava quando respondeu.

- Não... – sua voz era rouca. -... Eu não quero que eles... Eles pensem que tem algo errado.

- Mas, Art...

- Por favor, Atena, só deixa essa porra pra lá... E fica na casa do seu pai.

- Voce vai ficar bem¿

Se ia, ela mesma não sabia, mas não havia porque assustar Atena e fazê-la ir até aquela casa, onde sabe-se lá o que Poseidon poderia inventar de fazer.

- Vou... Só preciso dormir.

- Então, faça isso. Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me liga.

- Fique calma, não vou fugir.

- Ligue... E tudo vai melhorar, Art, prometo.

E ela sabia que sua amiga se culpava, que sua irmã sem ser de sangue pensava que havia a forçado aquilo.

- Atena... Eu escolhi isso, eu sabia o resultado, só... Só...

Tentou segurar o soluço, mas foi em vão.

- Só está doendo mais do que você imaginava. – suspirou. – Vai passar... Eu... Eu te entendo, Art... Estamos juntas.

E ela sabia que era verdade. Que sempre fora um sonho de Atena ter o marido por perto quando ficasse grávida, que pudesse dividir aquilo com ele. Mas Poseidon havia acabado duas vezes com esse sonho e a fizera desistir dele.

- Somos muito estúpidas, loira.

A outra riu.

- Somos, ruiva. Muito...

- Acho que vou lá dormir.

- Vai mesmo... E me ligue.

- Ligo.

- Estamos juntas.

- Sim, estamos.

- Boa noite, Art.

- Boa noite, Atena.

E a primeira coisa que Artemis pensou ao deixar o celular cair no chão era que a ultima coisa que ela ficaria era boa agora.

[...]

Estava em seu livro, focado nele.

Foi quando um grito o fez erguer a cabeça e algo muito acima dele o mandou ir atrás daquilo, saber o que havia acontecido.

Assim, em questão de segundos, Apolo corria escada acima, em passos rápidos, até para de onde tudo aquilo vinha.

Ele sabia quem era. Ele reconheceria aquele timbre em qualquer lugar. Havia se tornado familiar, havia se tornado algo que o fazia sorrir e correr atrás dele como naquele instante.

Mas, quando deu por si do que ia fazer, Apolo parou com a mão na maçaneta e lembrou-se de tudo o que havia acontecido naquele dia.

Dela afirmando que havia o traído.

Dela batendo em seu rosto.

De repente, não sabia o que fazer. Estava em conflito. Podia entrar ali, ajudá-la, fazer o que ele sabia que a faria melhorar, mas por outro lado, do que sua palavra valeria¿ Ajudaria mesmo o inimigo¿

Ela era seu inimigo¿

Mais um grito.

Seu coração se fechou. Sua respiraçã se prendeu.

Ajudar ou ficar.

Ajudar ou ficar.

Outro grito, cheio de pavor, cheio de medo. Seus dedos prendiam-se com força com a maçaneta. Era só girá-la e puxar Artemis para seus braços. Só mais um movimento.

Ou poderia...

Ou poderia...

Som. Som de algo caindo. Um choro baixo, então ele mandou seu orgulho pra puta que pariu e abriu a porta.

Artemis estava no chão, encolhida como um bolinha, segurava o pote de remédio e chorava. Chorava descontrolavelmente. E aquilo acabou com Apolo. Ver aquela ruiva que havia batido nele, gritado com ele, que era tão forte, naquela posição assustada e com medo, era como mostrar o que ele havia feito com ela.

O que tudo havia feito.

Era assim que sem pensar Apolo aproximava-se e a puxava para seus braços. Que merda ele estava fazendo, não fazia a mínima idéia, mas continuava agindo.

E sentia a raiva, a triteza e a dor que ela sentia pelo simples modo que ela agarrou-se ao seu peito, por ver que ela esquecera por completo aqueles momentos em que brigaram para transformá-lo em uma ancora.

E o choro dela estava o devastando, alto, forte. A cada vez batia mais e mais fundo. Até que ela afundou o rosto em seu pescoço e abafou em seu moletom.

E Apolo a melhor acomodou em seu colo, seus dedos se passando pelos longos cabelos ruivos enquanto balançava-os de leve, para frente e para trás.

Artemis. A sua Artemis.

- Eu te odeio tanto. – escutou-a sussurrar entre o choro. – Eu te odeio do fundo do meu coração, Apolo. Te odeio.

E ele sabia que era verdade, que ela jamais esqueceria o que ele havia dito. Ele sentiu ódio de si mesmo por não ter pensado antes de falar, por ter sido deixado mover pela raiva e machucado ainda mais alguém que já estava machucado.

Por que ele fazia tudo errado¿ Por que ele nunca fazia o certo com ela¿

- Eu sei, Artie, eu sei.

Eles eram de times diferentes.

E Apolo, com ela em seus braços, confortando-a, jamais sentiu tanta raiva por causa daquela estúpida rixa.

Notas finais
#sad