Stronger
23 Voltar.
Notas iniciais
No apologies
He'll never see you cry
- I Knew You Were Trouble.
[...]
Artemis havia conseguido dormir de volta, dormir nos braços de Apolo, escutando-o sussurrar coisas sem nexo para que parasse de chorar, mas quando acordara, muito assustada, estava sozinha.
Deitada em sua cama, decidiu-se.
Jamais daria seu braço a torcer. Não mesmo. Seu coração podia estar aquela merda, fazendo-a desejar chorar e ser retardadas daqueles filmes.
Só havia uma diferença entre elas e a ruiva.
Era Artemis Bordeaux, do clã Danniels, a mulher mais gostosa dos Dallas Cowboys. Que se fudesse essa sua tristeza, ela podia ficar lá, mas não a mostraria para mais ninguém.
Foi assim pensando, com a sua tão famosa perseverança que a transformara em líder das líderes de torcida, que Artemis foi se arrumar. Precisaria de toda sua força para aguentar aquele dia.
E que todos estivessem dispostos a aguentar o gênio ruivo dela, porque era esse que apareceria naquele dia.
[...]
O sol já estava muito a pino, a música ia rápida, as pessoas conversando e tudo mais que um brunch podia exigir.
E Atena encontrava-se em um de seus vestidos de verão, sentada em uma mesa onde somente os sócios podiam se sentar, seu filho nos braços e escutando o que os homens do Velho Oeste diziam.
Poseidon e Apolo haviam ido embora cedo, permitindo que ela arrumasse aquele modo de incluir-se no meio dos fazendeiros e petroleiros. De frente a casa branca dos Ewings, no rancho deles que agora era dela, Atena olhou a pasta a sua frente e começou a ler o que Jackson apontava que deviam começar.
- Desse modo, você volta a ter dinheiro liquido e os seus gados poderão ser vendidos.
- Admirável, Sr. Jackson, mas prometo pensar direito e então irei lhe dar minha resposta. Ainda há muito que transferir e estou colocando algumas ideias à frente.
Foi esse momento em que Perseu choramingou. Fome, ela sabia. Havia amamentado-o cedo, antes de Poseidon ir, mas agora, teria de fazer de novo.
Uma mão tocou em seu ombro e virou-se para ver seu pai em seu chapéu de cowboy sorrir amavelmente em sua direção.
- E é hora de colocar meu neto a frente de tudo isso, filha. Deixe que seu velho pai aqui lide com isso por enquanto.
E ela não tinha como negar aquela ajuda.
Estava com um pé atrás com seu pai, conhecia a ganância que ele detinha, mas talvez deixá-lo pensar que ela confiava nele era um bom passo. Por isso sorriu para ele antes de se voltar para seus sócios que pareciam fascinados pelo grande Zeus Danniels ir se sentar com eles.
- Senhores, meu pai fará companhia a vocês, se me derem licença, tenho de alimentar esse meu garoto.
Assim, deixou o lugar para seu pai e foi atrás de um lugar confortável para que pudesse. Encontrou-o depois de algum pouco de procura, ainda não tivera tempo de ver onde ficava tudo por ali, mas quase saiu ao ver quem estava lá.
Artemis, com as pernas ao redor do quadril de um cara, beijava-o com vontade. E, bem, conhecendo aquela ruiva como conhecia, aquilo não seria só amassos. Mas logo que os olhos verdes dela tocaram os seus, ela empurrou o cara e sorriu agradável para ele.
- Lamento, querido, foi ótimo... Só que, chega.
- Mas...
- Shh, não, não, só vai... Você é gostoso demais para fazer esse tipo de cena.
Com mais algumas palavras, Artemis havia o feito ir embora e chamava sua pessoa para dentro. Ela fechou a porta atrás de sua pessoa.
E Atena, desde a hora que a tinha visto caminhar entre seus sócios e festeiros, encantando-os e sorrindo com toda a sua beleza, finalmente via a merda que ela de fato se encontrava.
- Você tá pior que um zumbi, garota! Dormiu não?
- Aquela porra de sempre, só que acrescente o filho da puta de Apolo e mais remédios. Tcharam, olha merda que dá.
E Atena sentou-se, acomodando Perseu da melhor forma que podia para amamentá-lo.
Os olhos verdes de Artemis estavam desfocados sem os óculos escuros, mesmo a maquiagem não escondia as bolsas profundas de provavelmente ter dormido quase nada. Ainda que continuasse linda, a loira via que Artemis estava fodasticamente triste.
Culpa bateu.
- Hey, hey, nada dessa porra de olha de “Tadinha da Art” pro meu lado, loira! Vai cuidar do seu garoto, vai!
- Art...
- Olha, papo chato, se der mais uma palavra disso, juro que fujo daqui agora.
E tudo o que a loira pode fazer foi sorrir daquela cara de cansada daquela conversa que Artemis fazia.
- Ok, vou mudar de assunto... Ai, Perseu, cuidado...
- Se esse garoto for forte como o pai, você tá ferrada, loira.
- Ele é, por sorte...
Atena encarou seu filho, de olhos fechados, já tão importante e no meio de uma briga. Não era o tipo de coisa que ela desejava para ele, mas ser a mistura de Ewings e Danniels, o transformaria em um perigo constante. Ele teria que ser forte. Forte como Poseidon era.
- Sabe, loira? Eu tenho que admitir, a maior merda que você fez na vida foi gostar do xerife, mas vocês criaram um puta filho perfeito. Esse garoto vai ser um gênio.
E Artemis sorria, também encantada com Perseu, ao erguer seus olhos cinza pra ela, feliz.
- Vai, terei dó dos concorrentes dele.
- Falando nisso... Você acha que Poseidon vai deixar as coisas assim?
- Duvido muito, Art, ele é tão ou mais orgulhoso que eu... Isso virou honra pra ele... Mas eu dou conta dele, aquele ali é só saber onde apertar que eu o deixo quieto.
- Ele é esperto... Agora que a gente já se meteu nessa merda mesmo, eu vou manter todos os acessos dos computadores da casa pra você, e manter um olho naquele lá.
- Obrigada, Art.
- Não, não, sem agradecimentos, sabe que odeio essas porras gays.
Atena riu da cara de nojo da ruiva que colocava um chapéu de cowboy na cabeça.
- Você sabe que tenho que agradecer, ruiva. Você abriu mão do convívio com Apolo e Poseidon por mim e...
- Calada, tá ouvindo?
Franziu a testa.
- Não, o que?
- Assunto estúpido chegando. – Artemis piscou. – Eu sou sua irmã, sua vaca, jamais te deixaria na mão. Temos uma aliança, esqueceu, ou vou ter que lembrar essa babaquice?
Atena revirou os olhos, mas sorria.
- Idiota... Quer segurar, Perseu? Preciso ir ao banheiro.
- Vai lá mijar, me deixa com meu pegador... Vem pra titia, coisa fofa.
E a loira riu do modo cuidadoso e delicado com qual Artemis deitava-o na cama e começava a fazer besteiras para ele rir. Era uma cena divertida de se ver.
- Só não inventa de golfar em mim, garoto, ou não vou te ensinar a comer as garotas.
Deixou eles lá, juntos.
Precisava colocar tudo em ordem, tinha aqueles poucos segundos pra olhar todas as propostas de seus sócios e colocá-las em uma só pilhar. Aproveitava também para ligar para alguns conhecidos seus a fim reposicionar as tarefas daquele rancho. Só depois disso, é que foi ao banheiro e Perseu já dormia nos braços de uma Artemis que cantava baixinho pra ele na hora em que voltou ao quarto.
Os olhos verdes da garota sorriam para sua pessoa.
- Essa foi a mijada mais demorada do século, loira.
- Hahá... Ele é a criatura mais linda dormindo.
- Palhaçada, virou mãe babona... Pega essa coisa perfeita que eu preciso ir.
Atena só compreendeu do que ela falava no instante em que aninhou Perseu dormindo contra seu peito e viu um par de malas ao lado da cama que ela descobrira que era onde Artemis vinha dormindo.
A ruiva sorria um pouco triste.
- Você já vai?
- Tenho que voltar pros meus gostosos, loira, sabe disso...
- Mas, e o rancho...
Artemis engolia a seco enquanto colocava os óculos escuros, de forma que a loira não conseguia saber o que de fato aquela bonita garota estava passando.
- Eu fiz o que tinha fazer, loira. Hora da gangster aqui parti pra outra.
- Art...
- Por favor, sem coisas melosas sobre Apolo ou sobre todas as coisas que aprendi aqui, valeu?
- Só... Só se cuida, ok? Não volta pra aquele mundo.
- Atena, Apolo podia ser um verdadeiro idiota, mas ele me mostrou que eu sou muito mais gostosa e sexy sem precisar daquelas merdas todas, valeu? — e a ruiva delicadamente colou um beijo em sua testa e um na de Perseu. – Aprendi a fazer essa coisa gay com Poseidon.
E a loira riu enquanto via aquela nova Artemis girar a chave de um carro e colocar um livro pequeno no enorme bolso do short que ela usava.
- O Rancho também é seu, Art, pode vir sempre que quiser.
- Loira, a única coisa que quero agora é poluição, música alta e meus garotos. Tá na hora de voltar.
- Diga pra eles virem fazer festas por aqui, viu?
- Aviso, e coloque aqueles engravatados na sua. De olho no tio Zeus.
Uma vez mais, Atena riu.
- Ficarei, e você de olho em Poseidon.
- Ah, com aquela beleza toda, garota, fico com maior prazer... E cuidado com Perseu.
- Tchau, Art.
Assim, Atena viu Artemis sumir, segurando as malas, e com aquele passo decidido dela. Mas a loira sabia que aquilo era encenação, que Apolo havia machucado ela, e orgulhou-se de vê-la daquele modo.
Era uma verdadeira Danniels.
[...] Ol'Red — Blake Shelton [...]
O cara trajando um terno olhou pela terceira vez em seu celular.
Já fazia dez minutos que se encontrava ali, sentado na capota de sua Mercedes importada, a raiva começando a subir pela demora de quem esperava. Uma pasta de papel pardo estava pousada sobre o metal prateado. Em sua cabeça, encontrava-se um chapéu de cowboy.
Aquele era o plano perfeito. Aquela era a jogada que seu amigo desejava. E em sua mente tudo o que se passava era que o outro precisava chegar mais rápido.
Aquele sol de Dallas estava para matar, principalmente parado naquele estacionamento vazio de um supermercado falido e em pedaços. Ali, ninguém os encontraria.
E seus olhos de predadores se ergueram ao ouvir o som de um roncar de carro. Um Cadillac preto entrava naquele mesmo lugar em que estava, e ele sabia que seu amigo havia chegado.
Estavam fazendo aquilo há muito tempo, os melhores do Texas, que desejavam nada menos que a herança gorda do velho e rápido de gatilho Zeus. Claro, juntamente com o que seus Ewings tinham de melhor.
Seu amigo bateu a porta do carro clássico, usava calça jeans, uma blusa comum e tinha um boné do Dallas Cowboys em sua cabeça, seu andar confiante enquanto se aproximava com um sorriso torto.
E mesmo ele, teve que sorrir do que eles haviam conseguido.
- Você está atrasado, garoto.
- Podemos dizer que tive que dar umas voltas para se livrar de algumas pessoas, cowboy. Diferente de você que ninguém desconfia, tenho que manter meu papel.
E o homem em seu chapéu de cowboy bateu na mão do de boné.
- Tudo está saindo conforme planejamos. – disse o que estava em seu terno. – Tive que usar isso daqui.
- Ficou apresentável.
- O máximo que pude.
- Ainda não desencanou da loira, né?
- Podemos dizer que estou muito curioso sobre o que posso fazer com o que temos agora.
- O que conseguiu para nós, cowboy?
E o homem em seu terno entregou a pasta de papel pardo para o homem de calças jeans. Esse sorria ao puxar seu conteúdo.
Documentos e mais documentos. Fotos. Planta dos Ranchos Danniels e Ewings.
Tudo o que poderia ajudar a eles.
- Isso daqui está muito bom, cowboy.
- Ela está exatamente onde queremos que ela esteja, estou só esperando um pouco para dar meu próximo passo. Precisa que a poeira baixe, o nascimento de Perseu ainda chama muito a atenção, deixe o garoto se acostumar com a fortuna que tem.
O homem de boné assentiu.
- Bom aguentar... Mas eu mal posso esperar.
- Paciência, filho. Paciência.
- Acredite, estou tendo... Só não esperávamos a ruiva.
- Deixe, ela vai ficar no local certo assim que colocarmos o plano em ação... Você sabe que vai.
E o cara de calça jeans suspirou e olhou a hora.
- Cowboy, me avise quando for colocar nosso plano em ação.
- E você mantenha aquela ruiva longe, você viu o dano que ela fez, filho.
- E você longe da loira.
O homem arrumou seu chapéu de cowboy, sorrindo.
- Ela é minha, filho, acredite... E evite ficarmos perto, não queremos suspeitas, certo?
- Certo, cowboy.
- Divirta-se no jogo.
Assim o cara em seu terno acenou daquela forma do Texas de só tocar no chapéu e abriu a porta de seu carro. Em questão de segundos, ele passava ao lado do Cadillac, acelerando, e sumia naquelas estradas de Dallas.
Atena mal podia esperar o que aconteceria.
[...]
Artemis bateu a porta de seu Marquis 72.
Um sorriso no rosto enquanto arrumava os óculos ao ver um empresário muito bonito passar perto de sua pessoa. As pessoas apressadas passando pela calçada, algumas parando ao reconhecerem sua pessoa.
E era claro que muito sabiam que era gostosa com o chapéu de cowboy até porque havia parado em nada menos que na frente do estádio do Dallas Cowboys.
A garota má estava de volta!
E aquilo era tão maravilhoso de se ver. Artemis andava com seus passos confiantes a entrada, alguns inclusive parando e apontando ao passar por eles. Como Atena bem havia dito, a mídia iria ser miraculosa para ela.
Tocou na ponta de seu chapéu como havia aprendido com Poseidon para o porteiro.
- Boa tarde, Baker!
- Garota, você é um colírio para os olhos. Pode entrar. Os garotos estão treinando.
E sorriu para ele enquanto atravessava o portão.
- Valeu, bom te ver também!
Em questão de segundos, seu coração pulava de pura excitação, seus pés andando mais rápido pela rampa que dava acesso dos vestuários para o campo.
A primeira vista, daquela enorme estrela no meio do gramado, seus olhos brilharam. Estava de volta, ao lugar onde tudo começara. Estava em Dallas!
Então, viu os garotos treinando, empurrando bases, fazendo saques, e com seu melhor rebolado e sorriso, Artemis aproximou-se daqueles caras suados e das garotas que treinavam, seus garotos e suas garotas.
Puta que pariu, como estava com saudade deles!
-HEY, COWBOYS – gritou, chamando a atenção e erguendo seu chapéu no alto – VOLTEI DO VELHO OESTE!
E tudo se transformou em gritos, risadas e os garotos jogando seu corpo para cima enquanto diziam seu oi típico entre eles. Artemis apertou com força um Hades sorridente, ele erguendo seus pés do chão.
- Ruiva! Sentimos muita falta de vocês... E que porra de chapéu esse daí? Parece do meu primo!
- É porque é de Poseidon, idiota. – sorriu para o cara de olhos negros. – Sou do Velho Oeste agora, baby!
- E esta mais gata que nunca – disse um loiro.
Artemis correu para abraçar Hermes.
- Seu filho da puta, como perdeu aquele lance naquele jogo? Quero te socar tanto – e bateu nele que ria. – Eu queria estar aqui pra brigar com você... Mas até que jogou bem nos outros... Cadê a Dite?
Viu quem procurava se aproximar toda serelepe, usando o uniforme com que treinavam, e em segundos aqueles braços e o perfume doce a envolviam. Artemis sorriu por aquilo.
- Cowgirl!
- Dite... Você arrasou nos jogos, garota! Os garotos estavam tão ruins que eu mais torcia pra você do que pra eles, esse bando de bundas-moles!
E a morena riu de sua frase.
- Fiz meu máximo enquanto você não voltava. O cargo mal pode esperar pra te ter de volta.
- Quanto a isso, estava pensando em uma parceria entre nós duas.
- Sério?
- Uhum, mas vamos ver depois, porque agora, o que eu mais quero saber é... Que horas é a próxima festa nessa porra?
E todos riram.
Estava de volta!
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