Visto-me das lágrimas

Melancolia, felicidade, rancor

Rendo-me às vestes da emoção

Obrigando-me a constantemente lembrar a contradição

- Por que revestir-me de transparência? -

Digo-lhe, pois, que aí mora a razão:

O transparente nada tende a revelar,

Revela apenas quem sou

E, em concepção de lei maior, tudo indica que sou este nada.

Sem forma, sem cor, sem corpo

Sou apenas teu miserável devaneio

Acentuo o tênue vôo da imaginação

Tua doce loucura, teu louco desejo.

E entre o oculto e o óbvio

Ousado olhar do intérprete

O contraste que de súbito tomou-me

Fora tu quem me deste.

Fez-me diário sem saber

De tão secreto, a chave foge-lhe a mão

Venha a mim misericórdia ao ingênuo menino!

O criador traído pela criação

Não veio-lhe à tona o mesmo ceder a transparência

E em escárnio lhe digo

Que há o que se exibir na sua inútil condescendência

Moldando-me em teus pensamentos:

Revelastes teus segredos, tua essência.

Notas finais
Espero não ter sido assustadora.