Stretched Across My Shame
1 Clamor Mudo
Visto-me das lágrimas
Melancolia, felicidade, rancor
Rendo-me às vestes da emoção
Obrigando-me a constantemente lembrar a contradição
- Por que revestir-me de transparência? -
Digo-lhe, pois, que aí mora a razão:
O transparente nada tende a revelar,
Revela apenas quem sou
E, em concepção de lei maior, tudo indica que sou este nada.
Sem forma, sem cor, sem corpo
Sou apenas teu miserável devaneio
Acentuo o tênue vôo da imaginação
Tua doce loucura, teu louco desejo.
E entre o oculto e o óbvio
Ousado olhar do intérprete
O contraste que de súbito tomou-me
Fora tu quem me deste.
Fez-me diário sem saber
De tão secreto, a chave foge-lhe a mão
Venha a mim misericórdia ao ingênuo menino!
O criador traído pela criação
Não veio-lhe à tona o mesmo ceder a transparência
E em escárnio lhe digo
Que há o que se exibir na sua inútil condescendência
Moldando-me em teus pensamentos:
Revelastes teus segredos, tua essência.
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