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Capítulo 11 – Certeza

-Vai Liesel, força.

Naquele momento, eu não sabia diferenciar o que eram lágrimas e o que era suor. Naquele momento eu era dor e desejo. Um bebê em meus braços, era o que eu queria.

-Força. – Trudy repetia, segurando minha mão. – Está quase lá.

Um grito saiu de minha garganta, unindo-se aos outros que eu soltara e soltaria.

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Aproximadamente sete meses foi o tempo que eu morei com Max e Trudy no apartamento no centro ocidental de Berlim que eles arranjaram para substituir a casa de Munique. A ideia de ir para Berlim foi de Max. Segundo ele, Trudy conseguiria manter seu emprego no Governo com mais facilidade naquela cidade e eu ficaria mais próxima da Universidade que sempre quis estudar.

Ao contrário do que podem pensar, não fiquei brava com Max por mais do que aquela noite. Ele simplesmente fez o que eu não tivera coragem para fazer antes.

E ele estava certo.

Consegui um pequeno apartamento no primeiro andar do prédio ao lado dos Vanderburg (e ainda era estranho me referir à Trudy dessa forma) e me manter num emprego do jornal com um salário suficiente para manter minha pequena família. Trudy e Max finalmente tiveram privacidade digna de um casal.

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Encostei nos travesseiros da cama do hospital, respirando com dificuldade. Vamos lá, Liesel. Força.

-Só mais um pouco, ele já está quase saindo. – A médica incentivou.

Concordei com um aceno de cabeça e Trudy apertou minha mão um pouco mais, no exato momento em que outra pontada atingia meu ventre. Gritei, canalizando todas as minhas forças para fazer o bebê sair e, quando menos esperei, ele estava lá, chorando a plenos pulmões. Trudy riu enquanto as lágrimas embaçavam minha visão.

Pisquei, tentando focalizar a médica. Ela olhou para mim sorrindo.

-É um menino.

Estiquei os braços.

-Dê ele pra mim.

Tranquilamente, ela veio até mim e o colocou em meus braços trêmulos. Ele ainda chorava e estava sujo, mas não liguei. Eu só precisava tê-lo em meus braços.

-Calma, meu amor. – Sussurrei, balançando-o um pouco. – Mamãe está aqui com você.

Aos poucos ele foi parando de chorar, sentindo o conforto dos meus braços e todo o meu pavor da primeira viagem já havia se esvaído. Consegui olhá-lo melhor.

Branquinho, como bom alemão que era, e quase sem cabelo. Os poucos fios estavam vermelhos de sangue, mas eu sabia que eram quase brancos de tão loiros. Cinco dedos em cada mão... e em cada pé. Nenhum dente e ótimos pulmões.

-Acho que ele é saudável. — Consegui brincar, mesmo que minha voz estivesse embargada. A médica e uma enfermeira sorriram para mim e eu voltei a olhá-lo.

Agora quietinho, ele me olhava atentamente. Olhos azuis vibrantes, como os de Rudy. Me fizeram voltar a chorar.

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Acordei com o sol se pondo atrás das nuvens. O hospital era frio, mas estava aconchegante. Olhei pela janela pensando que 9 de Novembro (1) era mesmo uma data engraçada para meu filho nascer naquela Alemanha, quando me dei conta de uma cantoria desafinada.

Virei o rosto e papai sorria para mim, sentado na cadeira ao lado de minha cama. Para além dele, de costas, mamãe era quem cantarolava, balançando para lá e para cá um pacotinho azul que era suposto dever estar no berço vazio ao meu lado.

-Não é incrível? — Papai falou, meio sussurrando. — Eu não a vejo assim há anos. — E olhou para trás para conferir se mamãe ouvira e ralharia com ele. Ela estava concentrada de mais para isso. Sorri também.

Um silêncio escorregou de nossas respirações e caiu no chão entre nós dois. Papai apenas passou a mão em meus cabelos com calma. O brilho feliz que eu não via em seus desde aquela noite estava de volta. Deus sabe o quanto isso me deixava aliviada.

-Desculpa, filha. — Foram as palavras que ele disse. Balancei a cabeça em negativa. Minha voz era sem volume.

-Eu que devo me desculpar, tudo que eu fiz vocês passarem e...

-Shiu. Não vamos falar disso. Gustav está aqui, é saudável, você está bem e é isso que importa.

Mamãe se aproximou com Gustav e sorriu para mim. Eu nunca a tinha visto daquela forma e ela estava linda. Entregou-o para mim e eu o embalei.

-Ele parece com você. — Ela disse.

-Não. — Respondi, olhando-o. — Parece com o Rudy. Você é a cara do seu pai.

Eu sabia e não sabia as reações que o nome de Rudy poderia causar. Quando olhei para papai e mamãe de novo, eles estavam imóveis e eu tinha conhecimento do porquê: os Steiner e os Hubermann nunca mais trocaram uma palavra desde a noite em que Barbara duvidou da minha integralidade. Segundo Trudy, mamãe voltou lá assim que fomos embora e armou um escândalo com a matriarca dos Steiner, me defendendo. Rudy saiu de casa e eles não contaram para onde foi; proibiram os filhos, genros e noras de falar do assunto e foi assim que uma amizade de anos terminou.

Me senti mal por isso, claramente. Mas também era grata de mais por mamãe ter me defendido.

-Por que “Gustav”? — Ela me perguntou, tentando quebrar o clima. Deu de ombros.

-Não sei. Só gosto do nome.

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O fato é que Gustav era uma boa mistura minha e do Rudy. Eu sempre soube que nós ficavamos bem juntos e nosso filho era uma boa prova.

Aos seis meses, quando já voltava a esquentar, muros se espandiam e dentes queriam nascer, dos olhos vibrantes aos cabelos claros que eram a marca registrada de Rudy, até as sardinhas em seu nariz e bochechas quase que imperceptiveis — minha marca — faziam de Gusta a criança mais adorável de todas. Sorridente e esfomeado, com suas bochechas gorduchas e covinhas ele chamava a atenção quando passeávamos.

Eu tinha sorte.

Mesmo sem Rudy, sem estar na Universidade, eu tinha sorte. Tinha meu apartamento, meu emprego, uma irmã, cunhado e meus pais. Tinha meu filho e eu nunca deixaria nada lhe faltar.

O destino tentou tirar tudo de mim mais de uma vez e mais de uma vez eu me reergui. Eu era capaz.

Encostada na janela, olhei para Gustav em seu berço, tentando comer o próprio pé. Bebês são engraçados — pensei sorrindo. Fui até ele e acariciei sua barriga. Sorri com uma certeza que eu tinha que reproduzir.

-A gente vai conseguir, Gusta. Vai dar tudo certo dessa vez.

(1) Dia 9 de Novembro é conhecido como a \"Noite dos Cristais\", o evento que matou centenas de judeus na Alemanha em 1938.

N/A: NÃO ME MATEM! ._.

Ainda tem o epílogo.

Vou ter que falar de novo o quanto vocês são lindos? Nunca tinha recebido tantas reviews como no último cap, quase 30 *o*

E 10 recomendações! Espero que vocês não estejam estrebuchando de ódio de mim e comentem aqui também ._. Só o epílogo, ok? Daí vocês decidem seus sentimentos para com a minha pessoa ._.

Enfim, obrigada carolcniomb, mari_bineza, GabyKwk, Mary_MissGuerra, greicy kelly, Leila_Taylor, carol_macoli, Barbarella, sammy kaulitz, little_panic, lalahmaria, Renata Black, palomatisuk, Tulipa-Amora, angelgirl2008, Belle Kaulitz, bookthief, Luisa-, Any Lautner, Daah Cullen, tia Ray, Lika_2, Bruna_Cullen, SakyUchiha03, sarah_perroni, cahh94, heri e Rafa_Volturi que comentaram *-*

Vejo vocês no epílogo? Espero que sim ._.

B

N/B: Awwwwww, bebe looooooooooooooooiro *-----------------------*

Pra quem não sabe, eu tenho problemas com bebês loiros, ok? Coisa mais linda, visualizei direitinho aqui *-* Quero um pra mim, me dá? .-.

ENFIM, espero que o Rudy apareça logo, mimimi ._.

Quero ver a cara dele quando vir a criança lol

Bom, é isso, continuem comentando e sejam felizes,

Jullie