Strawberry Swing
13 Epílogo
Epílogo – Destino
“Now the sky could be blue, I don’t mind
Without you it’s just waist of time”
Coldplay
Olhei para o relógio preocupada. Já era para Trudy ter chegado, iriam me chamar a qualquer momento. Respirei findo, olhando da recepcionista para a escada e, de novo, para o relógio. Gusta se aproximou de mim e eu sorri para ele, estendendo a mão.
-Não quer brincar com esse? – Ele fez que não.
-Não, mamãe. – Disse. – Quero biscoito.
-Você acabou de comer. – Falei com firmeza. Ele fez bico. – Não me venha com drama, mocinho.
-Liesel! – Fui interrompida. Levantei num salto.
-Graças a Deus!
Trudy vinha até nós com sua barriga de seis meses.
-Poxa, eu não estou em condições de subir escadas.
Ri de canto, juntando as coisas do Gustav.
-Nem vem, eu subia e descia as escadas do seu apartamento duas ou mais vezes por dia até os nove meses.
-Você é jovem. – Ela disse. Peguei o Gustav no colo. – Nem imagina quem eu encontrei.
-Não mesmo. – Respondi e olhei para a recepcionista de novo. – Estava mais preocupada em contar os minutos que você demorava pra chegar.
-Oh, não seja tão ácida. Vem com a tia, Gusta. Você vai arrasar com eles.
-Isso seria meio difícil com ele me pedindo um biscoito a cada dez minutos. – Ela riu. – Ele vai pedir pra você, não dê. Quem você viu?
Trudy sorriu e eu entendi tudo.
-Ewan. – Sabia. Como não adivinhei antes? – Falei que vinha encontrar você, da sua entrevista. Ele disse que passa aqui em uma hora para tomarmos um café, não faça essa cara.
-Trudy, olha o que você está inventando!
-Qual é, Lis, você gosta do Ewan!
-Sim, mas...
-Eu já te falei sobre isso. Nós nunca mais tivemos noticias do Rudy, você devia seguir em frente.
-Eu estou...
-Srta. Liesel Meminger. – Fui chamada e congelei.
-Sua vez, mamãe.
Depois que Gusta falou, voltei a respirar e balancei a cabeça.
-Isso, minha vez. Se comporte, garoto. – Falei, dando um beijo em Gustav. – Depois a gente conversa, Trudy.
-Vai lá, garota. Você é linda e inteligente, vai conseguir. – Ela falava enquanto eu me afastava, seguindo pelo caminho que a recepcionista me indicara. – Vou ficar esperando aqui.
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Sentei à frente dos três examinadores da faculdade. O reitor e os diretores do curso de jornalismo. Olhei-os, cada um, nos olhos.
-Boa tarde, Srta. Meminger. – O reitor disse e eu sorri.
-Boa tarde. – Respondi, tornando a olhá-los, mas um riso de criança me fez olhar para a enorme porta de madeira atrás de mim.
-Algum problema, Meminger? – Um dos diretores perguntou de forma bem displicente e eu me arrumei na cadeira.
-Não. – Falei. – É só que... – Ponderei se devia dar essa informação por um segundo. – Bom... Eu tenho um filho, ele mal fez dois anos então... – Olhei novamente para a porta. – Está na recepção com a minha irmã.
Eles se entreolharam e eu engoli seco.
-Preocupada em se afastar do bebê, Srta. Meminger, e mesmo assim querendo fazer faculdade?
Respirei fundo, medindo as palavras.
-Na verdade, eu trabalho. Sempre tive que deixá-lo com ela. Minha preocupação é com minha irmã, que está grávida.
Houve um sonoro “Hm” por parte deles, antes do reitor prosseguir.
-A senhorita tirou ótimas notas em nossa prova classificatória, Srta. Meminger. Mas por que devemos tê-la em nossa universidade?
Sorri comigo mesma. Aquela resposta eu tinha na ponta da língua.
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-E aí? – Trudy perguntou assim que saí da sala, trazendo Gustav pela mão.
-Fiz minha parte. – Falei aliviada. Antes de pegar meu filho, soltei o cabelo do coque e coloquei meu sobretudo. – Obrigada por ficar com ele.
-Não é trabalho nenhum. – Ela sorriu. Começamos a descer as escadas. – Ewan deve estar nos esperando.
Fato, Ewan. Isso me fez andar mais devagar.
-Trudy, isso é loucura...
-Claro que não, Lis. Ewan te adora, você gosta dele. É só se esforçar um pouco.
-Não é tão simples.
-Claro que é. Seja lega, ele está vindo aí.
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Como ela dissera, Ewan estava nos esperando em frente a reitoria. Nos levou de carro até o café que ficava na entrada da universidade (que era o lugar em que Max nos encontraria) e conversamos por cerca de duas horas.
Não me leve a mal, ok? Mas algumas vezes eu considerava a ideia maluca de Trudy. Ewan trabalhava com ela pro governo e era muito atencioso. Tinha olhos verdes, cabelo loiro cacheado e era três anos mais velho que eu. Eu senti a paixão brilhar nos olhos dele da primeira vez que nos vimos e não diminuiu quando ele soube do Gustav, o que era um ponto a favor.
De certa forma, eu sabia que Ewan estava disposto a me fazer feliz. O que eu não sabia era se eu era capaz de fazê-lo feliz, levando em consideração quantas cicatrizes eu tenho.
Do lado de fora do café, quando só faltava Max chegar para irmos embora e com Gustav já rabugento em meu colo, Ewan tentou mais uma vez.
-Vamos jantar, Lis. Você e eu. Amanhã.
-Não sei... Não creio que vão me dar mais folga no jornal.
-Você praticamente mora naquele lugar, é abuso!
-Jornal é jornal.
-Mama... – Gusta reclamou.
-Nós já vamos, filho.
-Não quer que eu leve vocês? – Ewan perguntou e tentou pegar Gustav. – Vem cá, amigão.
Gustav fez careta e virou a cara, se agarrando em meu pescoço. Ele quase sempre fazia isso com o Ewan. O sinal fechou e nada de Max.
-Desculpa, ele ta cansado. – Falei.
-Ele vai gostar de mim um dia.
-Não é isso, Ew. Ele ta com sono, sabe como crianças...
Pela segunda vez no dia, um riso de criança me interrompeu. Gustav. Estava. Rindo.
-Que foi, filho? – Me virei para ver onde ele olhava.
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Primeiro, não consegui acreditar em meus olhos. Simplesmente não podia ser real. Então eu vi que seus olhos também não criam.
De alguma forma eu tinha parado de respirar, a rua estava vazia. Meus pulmões imploraram por ar quando li seus lábios balbuciando uma palavra:
-Liesel.
-Rudy.
Ele se virou para mim. Parecia ter amadurecido tanto. Parecia ser o mesmo. Dei um passo até ele e vi seu sorriso. Eu não estava sonhando.
Quanto tempo ficamos longe para quebrar a distância em cinco ou seis passos? Como consegui ficar tão ofegante?
Só consegui compreender o mundo à minha volta quando seus dedos tocaram meu rosto, enroscaram em meu cabelo e seus lábios capturaram os meus num beijo rápido e muito cheio de saudade.
Uma enorme alegria encheu meu peito, me fazendo sorrir. Rudy também ria.
-Berlim. – Ele disse. – Esse tempo todo você esteve em Berlim!
Ri mais ainda.
-Sim.
Ele se afastou um pouco e passou os dedos na bochecha de Gustav, que o olhava atentamente.
-É ele? – Perguntou. Mas ele sabia que era.
Olhei para trás, onde estavam Ewan, Trudy e – finalmente – Max. Todos com expressões estupefatas. Ajeitei Gustav em meus braços.
-Sim. – Disse finalmente. – É ele. Rudy, esse é Gustav, nosso filho. Gusta... diga “oi” pro papai.
Um brilho emocionado estava nos olhos de Rudy. Ele veio pegar Gustav e eu meio que recuei, com medo de que ele fizesse birra como fez com Ewan, mas, pelo contrário, Gustav foi com Rudy tranquilamente.
-Eu me perguntei tantas vezes se era menino ou menina, como ele era, onde você estava... Procurei vocês. – Ele disse sério. – Em Munique e Stutgart. E vocês estavam aqui. Nós temos tanta coisa pra falar!
Como imaginei, Gustav não quis ficar muito tempo no colo de um estranho e logo pediu meu colo. Peguei-o de volta. Rudy não se ofendeu.
-Liesel? – Falou. – Quer ir para minha casa?
Novamente olhei para trás. Me desculparia com Ewan depois, eu nunca mais iria perder Rudy de vista. Com um sorriso satisfeito, me voltei para ele.
-Por que não? – Falei.
Esperamos o sinal fechar e atravessamos a rua.
N/A: Mil anos depois, eis o final. Desculpa mesmo, gente. Eu poderia dar mil e um motivos pela demora, mas não vou fazer isso.
Posso querer que vocês comentem aqui antes de irem ler a nota final? ._.
Obrigada Caah94, LuizaSacramento, Marjory Black, Annaa M, Sarayu-chan, greicy kelly, Leila_Taylor, carol_macoli, lalahmaria, Gabii s2, cahh94, little_panic, tia Ray, sammy kaulitz, SakyUchiha03, sarah_perroni, GabyKwk, Any Lautner, Mary_MissGuerra, heri, Bruna_Cullen, BS_rock12, bookthief, palomatisuk, mari_bineza, Lika_2, Rafa_Volturi e Daah Cullen que comentaram no último capítulo *-*
Até a próxima e leiam a nota final ^^
B
N/B: AHFUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU
Gente, acho que eu to sensível porque meus olhos encheram de lágrima agora. Arrepiei tudo. Visualizei o Gustav coisinha linda e e e...
Ah, ficou perfeito, não sei mais o que falar.
Só que ficou lindo Q
Ficou suave, bonito. Não sei explicar, mas acho que esse é ponto. Quando uma coisa é boa, a gente não precisa explicar. Ela faz isso por si só.
E espero que vocês tenham gostado e que comentem lindamente Q
Beijao a todos,
Jullie
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